08 dezembro 2005

27 de Maio, até quando?

foto surripiada do agualisa2.
Quando Angola precisava mais de calma e de exorcizar os seus fantasmas, eis que o 27 de Maio de 1977 vem, de novo, ao de cima.
Já em tempos esta matéria tinha sido, ao de leve, abordada; com particular destaque sobre os hipotéticos e eventuais participantes nos actos que se seguiram à crise do 27 de Maio, também reconhecida pelo “Golpe de Nito”.
Houve purgas; claros atentados aos Direitos Humanos; angolanos que denunciaram e, por esse facto, enviuvaram e orfanizaram angolanos; angolanos que tiveram de fugir do país – alguns surgem hoje como pseudo-ortodoxos em Portugal, mas sem o assumirem, claramente – com medo de eventuais represálias, fosse por estarem de acordo com Nito fosse por motivos que nada tinham a ver com a situação mas que mesquinhices e invejas provocavam denúncias infundadas; houve muitas famílias que deixaram de saber dos seus e, ainda hoje, procuram novas sobre eles ou sobre os seus corpos.
Tudo isto porque o Semanário Angolense, na edição 138, de 12 de Novembro, relançou indirectamente uma polémica, já abordada num periódico angolano: Pepetela teria participado activamente no pós-Golpe.
Esse assunto foi debatido no Angonotícias, no final de Novembro, com a publicação de uma carta/resposta dos irmãos van-Dunem às justificações de Pepetela publicadas na edição 139 do Semanário Angolense.
E está agora no Notícias Lusófonas onde um interessante artigo de Jorge Eurico traz de novo à colação esta questão. A ler, de preferência, de espírito aberto.
Por outro lado, não será altura de ser criada uma Comissão de Verdade, Reconciliação e Amizade para acabar com estas questões onde os “culpados” e as “vítimas” possam frente-a-frente denunciar e esclarecer, de vez, todas as polémicas do pós-guerra.
Há que assumir, de vez, que estes 30 anos, não houveram só “culpados” nem só “vítimas”.
Todos teremos sido culpados – porque deixámos arrastar a guerra e certas crises para além do imaginável e do admissível – e todos, fomos vítimas.
Fechemos este capítulo - e outros similares - e demos, definitivamente, as mãos.
Angola não pode continuar pendente de questões não - e que nunca serão, sejamos claros e honestos - esclarecidos.

Sem comentários: