22 janeiro 2006

Que se passa na Lusofonia?

Algo não vai bem na Lusofonia. Bom, na realidade nunca nada vai bem com e pela Lusofonia.
E só estive dois dias fora do mundo netiano e comunicacional. Estive em profunda reflexão… físico-mental: o que estavam a pensar?
Pessimismo, não demasiado pragmatismo face a realidade actual e ao que se passa no seio de alguns países Lusófonos. É o velho problema de “casa onde não há pão, todos ralham… [… e acabam por todos terem razão] …”.
1. Em São Tomé e Príncipe, polícias revoltam-se, ocupam instalações e pedem que seja o Presidente a negociar em vez do Chefe de Governo – por acaso até é uma senhora – que se mantém quase em dissintonia com a restante classe política e o povo; não está mas parece e estes factos novos nada ajudam num país onde são mais os que protestam que aqueles que parecem querer fazer alguma coisa por ele. E quando surgem… são abafados;
2. Em Cabo Verde – ia eu na sexta-feira a conduzir e quase tive um baque ao ouvir uma notícia radiofónica – o principal partido de oposição pede, à boca das urnas, o adiamento das Legislativas; com razão ou sem ela, não se discute o pedido. Somente a falta de razoabilidade temporal na evocação dos motivos que estiveram subjacente ao referido pedido. Isto é brincar com o respeito dos eleitores e com o erário público. Depois não creio que haja surpresas como as acusações – demasiado graves – de hoje efectuadas ao líder oposicionista. Num país que está a ser apontado como paradigma do bom-senso político, este esteve arredio. Porque será?
3. Em Moçambique cerca de 16% (dezasseis por cento) da população activa está desempregada, sendo que a maioria reside no sul do país. Mau para um país em que a estabilidade política e social ainda não está totalmente consolidada e, periodicamente, os dois principais partidos acusam-se mutuamente de “falta de iniciativa política” ou de “manter forças paramilitares activas”.
4. Em Portugal, e na sequência daquilo que já anteriormente tinha referido “a apresentação de uma questão aos candidatos presidenciais” e que Orlando Castro na sua rubrica Alto Hama, no Notícias Lusófonas, faz o favor de me citar ao fazer a análise reflexiva das eleições que hoje tiveram (ou continuarão a ter) lugar.
Pois estes dois dias não foram suficientes para os candidatos responderem apesar de ter recebido o acuso de recepção de leitura de mais dois candidatos. Mas não responderam: é natural, estava em profunda reflexão. Ou será que a razão principal para é outra?
E ainda há quem se surpreenda que numa sondagem feita a alguns ouvintes em Angola, o candidato dito do centro-direita tinha mais apoio que os restantes.
Nada mais natural.
Em Portugal há muito que a direita deixou de se preocupar com os “paternalismos” sociais e políticos nas relações com os PALOP. Ao contrário da esquerda clássica que continua agarrada ao complexo colonial ou neo-colonial. Daí que tenha sido um homem da esquerda moderna, ou radical, a responder e sem pruridos não me surpreende. Pelos menos assim o evidenciou.
5. Mas felizmente que não há só más notícias. Moçambique mostrou, ou pelo menos quer mostrar que a Justiça funciona. O autor confesso da morte de Carlos Cardoso foi condenado a 29 anos de prisão e posterior expulsão do país. Pelo menos em Moçambique os crimes não ficam sem punição. Outros países há que jornalistas são mortos ou espancados e a culpa morre solteira. Porque será?
Responda quem souber.
6. Há! E já agora. Que o resultado de ontem tenha sido só um pequeno percalço perante uma das principais potências futebolísticas africanas – e um das principais candidatos ao CAN 2006, e bem comandada, – e que os próximos dois jogos dêem uma imagem melhor.
Esperemos que a esperança é a última coisa a morrer.


ADENDA: Também publicado no Africamente.com como Artigo de Opinião e com ligeiras alterações.

1 comentário:

MN disse...

A esperança é uma virtude que anda de mãos dadas com os angolanos a bastante tempo! Oh povo sacrificado…