26 outubro 2007

Guarda pessoal é mesmo cubana?!

Há dias numa Manchete do Notícias Lusófonas, Jorge Eurico alertava para o facto de, em Luanda, se rumorar que Cuba e Angola teriam acordado no envio de militares cubanos para fazer escolta a José Eduardo dos Santos.
Na altura comentei que queria acreditar que esperaria ter sido uma informação menos clara que teriam dado a meu amigo Jorge Eurico.
Infelizmente, parece que a informação mais que verdadeira já está posta em prática.
A edição deste fim-de-semana do Semanário Angolense (SA) – ver capa ao lado –, que sai amanhã mas já está online, é clara e directa.
Sob o título “Outra vez a «cubanização» da segurança do Presidente angolano” e o longo subtítulo “60 efectivos cubanos negros repartidos por dois pelotões protegem doravante a cintura de José Eduardo dos Santos “ o SA afirma que já há em Angola soldados cubanos a fazer de guarda-pessoal do presidente Eduardo dos Santos, conforme se cita: “A primeira linha da Guarda Presidencial angolana voltou a ser assegurada por efectivos militares cubanos, segundo soube o Semanário Angolense de fontes familiarizadas com o assunto, que garantem que este foi o elemento central, embora confidencial, da agenda de José Eduardo dos Santos na sua mais recente deslocação a Cuba. As fontes especificaram que neste momento encontram-se já em Angola dois pelotões com tais efectivos, perfazendo 60 homens. À partida, ninguém dará por eles porque são todos de raça negra e estão a receber, em regime intensivo, ensinamentos rudimentares da língua portuguesa. O primeiro pelotão desembarcou há sensivelmente três semanas, entre os dias 5 e 8 do mês em curso. Na passada quarta-feira, 24, chegaram os efectivos do segundo pelotão e nesse mesmo dia foram todos enquadrados e patenteados. Um coronel chefia estes homens que doravante carregam sobre os ombros a tarefa de proteger a cintura do Presidente angolano. Há muitos anos já que a linha mais avançada da guarda do Chefe de Estado era inteiramente assegurada por efectivos angolanos. Quase sempre posicionado atrás de José Eduardo dos Santos nas fotografias de comitivas presidenciais, o major Kiala, um irmão de Fernando Garcia Miala, antigo director do Serviço de Inteligência Externa, chefiou esse corpo restritíssimo de protectores do Presidente, até ao seu afastamento na sequência da purga aos «mialistas». A «cubanização» do corpo de segurança do Presidente da República em Angola data dos primeiros anos de independência, com Agostinho Neto. A história regista que em plenos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, o primeiro Chefe de Estado angolano recorreu às forças da expedição cubana para reprimir os adeptos de Nito Alves. Terão sido elas que retomaram à Rádio Nacional de Angola, o quartel das forças de elite que compunham a chamada 9ª Brigada, bem como a Cadeia de S. Paulo, que se encontravam em poder dos «nitistas» na manhã daquele dia. No livro Purga em Angola, o mais recente que aborda o controverso 27 de Maio, Dalila Cabrita e Álvaro Mateus contam que pelas 10 horas da manhã, Agostinho Neto entrara em contacto com Fidel Castro, tendo dado um quadro alarmante da cidade de Luanda, tomada por vândalos e marginais, avançando simultaneamente o perigo duma invasão por forças zairenses e sul-africanas, no âmbito da que ficou conhecida por «Operação Cobra».”
Assim, directos e claros. O artigo pode ser lido, na íntegra, aqui.
Vamos esperar pelos próximos episódios desta telenovela. Já, na próxima terça-feira quando for a Maputo, pode ser que seja virtualmente desmentido…

ADENDA: …e não esqueçamos que a presença de militares cubanos em Angola contraria o consagrado nos acordos quadripartidos de 1988 (13.Dez.1988), os “Acordos de New York”, celebrados entre Angola, Cuba, África do Sul e sob a égide da ONU, que previam a retirada definitiva de forças cubanas e sul-africanas do teatro de guerra e a implementação da Resolução 435 que permitia a independência da Namíbia.

1 comentário:

Malanje Linha Directa disse...

Já era de se esperar.
Fazer o q né? É a vida! Guardas Cubanos, pedreiros chineses, empresários europeus em suma estamos assim agora, dando lugar a neo colonias