30 junho 2007

Quem me explica?

(um voto no lixo?)
Já aqui por várias vezes referi que não costumo participar na vida política portuguesa excepto no que toca às participações autárquicas porque são estas as únicas que devem merecer a minha total atenção.
Também faço uma pequena derivação para os assuntos europeus porque, em regra, moldam as nossas vidas sociais e, como sabem, também, eu e os assuntos europeus não morremos de amores um pelo outro.
Mas voltando às questões autárquicas.
Lisboa, por razões de políticas internas de um partido que apoiava o cessante edil, vai a eleições.
Já agora, um pequeno parêntese para a campanha de um dos candidatos. Acho interessante aquele cartaz de Negrão onde diz que aqui não manda o governo mas o Presidente; só não explica se o da república ou o do Partido, porque Presidentes e como dizia o antigo Presidente zambiano, Kaunda, e, de certa forma, os brasileiros, só há um, o da República e mais nenhum.
Os edis das Câmaras deveriam ser Perfeitos, como os intitulam os brasileiros, ou Administradores camarários, mas nunca presidentes.
Mas, voltando às eleições.
No próximo dia 15 de Julho lá vamos nós fazer uma pausa nas férias – fá-lo-emos? – e colocar a cruzinha no boletim de voto.
São doze, salvo erro, os candidatos à principal Câmara de Portugal – por norma uma rampa de lançamento para mais altos voos, sabê-lo-ão Sócrates e Mendes? – e, incompreensivelmente, pelo menos para mim continuará a sê-lo, dois dos candidatos não votarão.
Porquê? porque, pura e simplesmente, não vivem, residem, em Lisboa!!!
Ora aqui está mais um dos escândalos da política portuguesa. Um candidato a edil sem conhecer os reais problemas da cidade por onde se candidata – porque sejam honesto, não o sabem, realmente, e já deram provas disso – poder fazê-lo!
E isso acontece com os dois candidatos dos dois principais partidos portugueses, os senhores António Costa, do PS, e Fernando Negrão, do PSD, o que parece indiciar não um “combate” pela Câmara mas uma disputa pela supremacia política nacional!
Os cidadãos de Lisboa que se danem. É o que se pode interpretar…
O que é preciso é que um deles fique á frente porque isso poderá, diria, irá, condicionar as estratégias dos seus partidos para o futuro!
Será que não é altura do Tribunal Constitucional português acabar com esta promiscuidade de não-cidadãos se fazerem eleger em locais onde não residam? É que se alguém espera que seja a Assembleia da república bem pode esperar anos a fios sentados porque muitos empregos iriam por água abaixo.
Por mim, já há muito isso deveria ter acontecido.
E quem diz em cidades di-lo, também, pelos círculos provinciais…

29 junho 2007

Timor-Leste e as legislativas de 30 de Junho

(Um polícia timorense transportando urnas de voto; imagem daqui)

"Timor-Leste vai amanhã a eleições legislativas. Embora seja difícil falar de democracia quando o povo tem a barriga vazia, é verdade que ao todo concorrem 10 partidos e duas coligações que tudo procuraram fazer para trazer até eles os timorenses indecisos e aqueles que embora com uma certa tendência ainda não estavam totalmente cativados.
Se são 12 as organizações políticas concorrentes, a generalidade dos comentadores políticos pensam que o poder será dirimido entre duas. A histórica Fretilin de Mari Alkatiri e "Lu Olo" Guterres e o "novo" CNRT do ex-presidente da República Xanana Gusmão. (...)"
Publicado inicialmente no /Manchete sob o título "Entre o pouco e o nada, Timor-Leste vai a votos". Poderão continuar a lê-lo, acedendo ao título aqui referenciado.

O eterno antagonismo no Palácio das Necessidades

(Palácio das Necessidades, sede do MNE português; imagem daqui)
Se há algo que mais me fascina é a contínua discrepância que continua a persistir entre os sucessivos Ministros de Negócios Estrangeiros portugueses e os seus Secretários de Estado.
Desta feita é entre o ministro Luís Amado e o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Professor João Gomes Cravinho.
O Ministro diz, ou terá afirmado, que não veria muito interesse na presença de Mugabe na Cimeira África-UE em finais do ano, em Lisboa, por ser um factor de perturbação (na recente entrevista à RTP “Grande Entrevista” – entre os 39’:38” e os 43’:45” –, Luís Amado pareceu ter dado uma reviravolta no pensamento, embora tenha, por vezes, tartamudeado sem claramente esclarecer a sua posição e a posição de Portugal).
O senhor Secretário de Estado parece que terá afirmado que não cabe a Portugal discriminar o Zimbabué – não me parece que tenha sido isso que o seu chefe já terá afirmado, inicialmente, – pelo que terá descartado a hipótese de Portugal, como sede da Cimeira, convidar uns Chefes de Estado e não outro(s).
Não são tão previsíveis?
Relembro-me como eram os antigos antagonismos entre o Ministro, João de Deus Pinheiro, e o seu Secretário de Estado, José Manuel Durão Barroso, e…
E ainda querem que em África – e nos restantes países da CPLP – levem a sério as políticas portuguesas!

O Livro de Job

(“Vida na Fazenda”, tela de Túlio Dias, daqui)
Mais um conto/crónica de Gil Gonçalves nas "Crónicas do Paraíso Perdido, Algures no Golfo da Guiné".
Semelhanças com certas realidades não deverão ser meros acasos...

O Livro de Job

Conheci o Job na fazenda dele. Parecia-me homem sincero, recto e temente ao seu rei. Tinha fama de muito bondoso e afastava-se dos maldosos. Proliferou sete filhos e três filhas e cabeças de gado aos milhares, e muita gente para o servir. Costumavam radiodifundir que era o mais rico do reino. Os seus filhos ultrapassavam o tempo em grandes festas. Convidavam as suas irmãs a comerem e a beberem com eles. Job escolhia algumas cabeças de gado e enviava-as para o seu rei, como prova de gratidão, vassalagem.
Um dia o rei visitou-o para lhe agradecer as ofertas. Num repente aparece um general. O rei pergunta-lhe:
- Donde vem?
O general respondeu.
- Ando a vigiar estas terras.
Disse o rei ao general.
- Já viu o meu vassalo Job? Não há ninguém no reino que se lhe compare. Muito honesto, justo, mais que vertical e detesta as pessoas maldosas.
Respondeu o general ao rei.
- Hum! Acho que ele não faz isso em vão. O meu rei concede-lhe muito apoio. É um dos poucos vassalos protegidos. O seu gado e as suas terras não param de aumentar, graças ao rei. Ele que fique na miséria, que passe fome, vai odiar o rei e demais nobres.
Disse o rei ao general.
- Parece-me que você anda com o olho nestas terras. Sei que alguns já expropriaram algumas… chegam, instalam-se… já está tudo feito.
O general fez a saudação militar e saiu da presença do rei.
Um dia, a filharada de Job estava numa festa na casa do filho mais velho. Depois chegou um mensageiro e disse a Job:
- Os bois lavravam, as tropas do general chegaram e levaram-nos. Disseram que estavam com fome. Feriram os empregados. Só eu escapei.
Chegou outro mensageiro que disse:
- Incendiaram tudo. Os empregados morreram queimados. Só eu escapei.
Ainda outro mensageiro apareceu e disse:
- Eram pelo menos três pelotões. Roubaram tudo. Só eu escapei.
Mais um mensageiro chegou e disse:
- Estava a tua filharada numa festa em casa do filho mais velho. Como agora tudo acontece, veio um tufão que arrastou a casa e todos os que lá estavam. Ninguém ficou vivo. Só eu escapei para te contar o que se passou.
Job levantou-se muito chateado, rasgou a sua manta, e rapou o cabelo porque era moda. Atirou-se para o chão e clamou:
- O meu destino é igual ao dos outros expropriados. Trabalhamos nas nossas terras, o general chega, e rouba-nos tudo. Bendito seja o nome do rei!
Mesmo assim Job não se revoltou nem amaldiçoou o rei.
Noutro dia veio uma delegação de alto nível chefiada pelo rei. O general estava presente. Então o rei disse ao general:
- Onde tens andado? Porque não proteges os bens do meu vassalo Job?
O general respondeu:
- Estou sempre vigilante, está tudo sob controlo e não notei nada de anormal.
Disse o rei ao general:
- O vassalo Job merece a minha admiração. É a única pessoa honesta que resta no reino. Tomara que houvesse mais como ele. Confesso que os corruptos ganharam o campeonato da corrupção… e apuraram-se para o campeonato mundial. Facilmente obterão a vitória final.
O general respondeu ao rei:
- A vitória é incerta. A generalização da corrupção termina em assassinatos, ajustes de contas, até à vitória final do grande terramoto político. Ainda não sabemos como isto vai acabar.
O rei disse ao general:
- A nossa secreta informou-me que você está envolvido no roubo das terras. Tratarei disso depois. Peço-lhe que não atente contra a vida de Job.
O general baldou-se. Quando viu o luxuoso avião particular do rei desaparecer no céu, mandou alguns dos seus homens de confiança darem uma grande sova a Job, mas de maneira que não o matassem. O corpo de Job ficou macadamizado. Job apanhou uma folha de bananeira para limpar as feridas. Tudo à sua volta parecia uma chuva de cinzas. Sentou-se nos restos da madeira queimada. A sua esposa disse-lhe:
- Ainda gostas do rei? Depois do que o general dele te fez? És muito parvo!
- As mulheres não entendem nada destas coisas. Apesar de o general me roubar tudo o que tinha, devo obediência e lealdade ao rei.
- Eu é que trabalho na terra!.. o teu fanatismo é escravidão, não é lealdade! És um grande atraso de vida! Onde estão os teus amigos, em quem tanto confiavas?
- Hão-de vir... Hão-de vir!
E chegaram alguns amigos que confortaram Job. Um disse-lhe que a sua conta bancária estava em baixo. Os outros tristemente confessaram que também lhes roubaram tudo o que tinham. Que o mal era geral. Trabalhar de verdade não era possível, porque roubar é fácil. Ficaram uns dias a acalentá-lo e sentaram-se nas sobras de algumas cadeiras. Depois cansados foram-se embora. Um deles ao despedir-se reafirmou:
- O reino da fome está combalido.
Apareceram alguns grupos de esfomeados que aproveitaram as sobras. O local ficou igual a um deserto. Job bocejou, apetecia-lhe dormir. Falou para o vento cúmplice que arrastava as cinzas:
- Tantos e tantos anos de trabalho em vão. Não dá para trabalhar na terra, porque depois vem um general e fica com ela. Finge que a trabalha à espera que surja um sócio estrangeiro. Mas eles já não acreditam nisso, e a terra abandona-se. Fica para acampamento de refugiados. As trevas dominam este reino. O rei está sempre lá em cima sentado no seu trono. Raramente desce, sobe, ou sai. Adora rodear-se de pessoas, que mais parecem lâmpadas fundidas, que dão pouca luz, ou acendem de vez em quando. A minha terra contamina-se, nunca mais nela nada crescerá. Resta-me olhar para as nuvens e para os restos das árvores, que parecem fantasmas ao luar. Tantos anos em vão que trabalhei. Agora tudo ficou igual às noites escuras. Nunca mais perderei anos, meses e dias nestas coisas.
E Job sente-se como o programa de arranque, o sistema operativo corrompido que não inicia o computador.
- Ah! Não vou ficar aqui toda a vida a olhar para a noite. Ainda me sobrou um tocador de CD portátil. Escutarei umas músicas e dançarei uns bons bocados. Chorar não adianta. Lembro-me que os colonos quando fugiram, preveniram-me que não valia a pena trabalhar na terra, porque depois de estar tudo bem, apareceria alguém que ma roubaria. Não acreditei, agora dou-lhes razão. Fui e continuo muito parvo. Pedir um empréstimo bancário? Nem pensar! Só se for para importar cerveja. Os bancos não arriscam fazer empréstimos a longo prazo. Consideram que investir na agricultura não dá lucros. Porque quando chegam as chuvas as culturas ficam destruídas. Depois há que fazer novo empréstimo. O lucro tem que ser imediato, caso contrário… não deixam nada.
E Job, cheio de contentamento pela miséria oferecida, ainda crê que é um dom divino do rei do seu sol, da sua terra, da sua miserável vida, e reza para que o seu comandante real tenha longa vida. Mas o seu estômago desperta e aqui vê a verdade das verdades.
- Sinto-me muito cansado e com fome. Nem sei onde dormir… vou apanhar um bocado de capim e fazer uma casota. Uns nascem e querem tudo só para eles. Nascem infectados com a doença do dinheiro. Bom, vou ver se consigo vender alguma coisa no maior mercado do continente da fome. Ou carregar sacos às costas, ou vender água fresca para viver. Arranjar uns papelões para dormir, tenho que safar-me. O rei disse que não me abandonaria, mas já estou farto dessa conversa. Os seus conselheiros dão-lhes maus conselhos e só aparecem onde há dinheiro à vista. Os príncipes estão muito ocupados com os seus negócios, vivem num mundo distante. O reino é deles, por isso vivem no seu reino. Além disso nada mais existe. Fazem por parecer cultos, mas estão ocultos… como se não existissem. Não gostam de ser perturbados, a não ser que lhes levem um bom negócio. Eles são a lei, e nela repousam. Ninguém tem coragem de os abordar, pois o seu poder é imenso. É um reino maior que o reino. Maior que muitos reinos. Aqui não há pequenos, só grandes. E quem tenta lá entrar jamais sai. É que não existe porta das traseiras. Porque têm um cemitério particular muito mal iluminado, para que não se possam ver as inscrições das lápides. As amarguras dos miseráveis nunca são escutadas, mas os latidos dos cães escutam-nos com muita atenção.
E Job lembrou-se que o mais cansativo, o que cansa na realidade mais pura é a fome.
- Cavar, cavar de dia e de noite à procura de diamantes, que depois de encontrados ficam ocultos. As minas são propriedade real, disso ninguém duvida. Dançam, pulam, pululam de contentes porque já não há espaço nos cofres para colocar as riquezas. Para viver neste reino é necessário matar, vigarizar e roubar. São estas as leis que funcionam. Quem não as cumprir não sobrevive. Só o oculto permanece, e não se pode desvendar. Tudo é permitido para obter o nosso pão. Os milhões de esfomeados em vão suspiram ao governo dos desgovernados. Nada temem e nada receiam, porque os seus exércitos não dormem, estão sempre à espreita. Ai dos prevaricadores! Apesar disso não dormem descansados. Vivem na perturbação constante de um levante, porque uma maldita rádio e jornais democráticos atiram tudo para fora, não deixam passar nada. Acusam-nos de democratas malvados, de maldita democracia que denuncia constantemente os corruptos. É por isso que ninguém gosta dos democratas e da democracia.
O Super-ministro do rei foi em auxílio do seu vassalo, e disse a Job:
- Não sei se aguentas o que te vou dizer, mas digo-te algumas verdades. Comeste e bebeste com muitos. Emprestastes o teu dinheiro e agora não te querem saber. Só mesmo um Job!.. edificaram empresas com o teu dinheiro… ajudaste muita gente!? Pareces o Job da Bíblia. Nunca vi nem conheci um idiota como tu. E alguns ainda aparecem e levam algumas bananas que por milagre se salvaram. Quem te mandou confiar no rei? Milhões confiaram nele, e vê como estão. A morrerem à fome!.. o rei disse que tens que esperar mais trinta anos para saíres da miséria… creio que o rei depois de morto ressuscitará e virá salvar-nos uma vez mais do imperialismo internacional. Morto ou vivo nunca desiste da luta anti-imperialista.
Entretanto o Super-ministro deu parecer aos arquitectos e engenheiros que construíam um bruto condomínio nas terras, que já não eram de Job. Serviria para alegrar, para lazer da nobreza. Para passarem brutos fins-de-semana, na fuga da agitação da cidade, da barulheira e da anarquia dos nobres súbditos sem lei.
Perto, algumas cobras oposicionistas, descontentes rastejavam à procura de local mais aprazível para respirar. Sentiam-se deslocadas nas suas próprias tocas. Iam bem chateadas. O Super-ministro continua a desvendar os males do mundo ao grande idiota Job.
- A questão fundamental da vida é a grande descoberta de todos os tempos. A maldita invenção que os homens fizeram – o dinheiro –. Dá muita satisfação a quem o possui, e que nunca se satisfaz, quer sempre mais e mais. Fica obcecado… como uma ideia fixa… torna-se numa doença. A pessoa deixa de ser humana, vira uma desumanidade sem limites. É o vale-tudo. Daí não desmagnetiza o seu pensamento. No fim vem a loucura, a neurose a necessitar de urgente tratamento psiquiátrico. Provoca guerras para obter mais e mais, até à destruição do planeta… da humanidade. Provoca uma grave contradição: O dinheiro resolve muitos problemas, mas quanto mais abundante mais problemas trás. É isto a origem da maldade.
O Super-ministro vai ao Hummer, traz a caixa térmica, abre-a. Retira uma garrafa geladíssima de Dom Perignon com cinco anos de idade. Convida Job mas este recusa com a cabeça. Satisfaz-se com uma farta golada. Reconta a exercitação de Job.
- Sabes Job… o nosso reino é como um universo-ilha. Os ricos são fábricas de lixo. Os seus lares produzem-no em abundância porque consomem muito. E obrigam-se a consumir o que a sua ira produz. Nem as plantas e os animais lhes escapam, porque montanhas de resíduos lhes caiem em cima todos os dias. Quando a consciência da Natureza se revolta, chamam-lhe calamidade natural... e as vítimas são imensas… os seres humanos que escapam vivem dispersos, na fuga incerta, permanente. A Natureza sussurra os seus segredos, mas já ninguém os entende, ou finge não entender. Aparece-nos em visões à noite, e desaba em cima de nós, precisamente quando estamos no sono mais profundo. Acordamos espantados e estremecemos perante tal poder. Os espíritos vagueiam à nossa volta, poucos povos já os entendem. O vento fala-nos, previne-nos, mas os nossos olhos já nada vêem. Está tudo corrompido, somos todos corruptos!
Perto, talvez apelando aos antepassados, cantando a sua desdita, a negra-bantu demonstra, desmonta as coxas muito salientes, e os seios fartos, muito dissidentes, que equidistantes bamboleiam, falantes. O Super-ministro regozija-se com a beleza natural, espontânea da bantu.
- Job… explicar estas coisas não é nada fácil… tornámo-nos mais puros e justos que o Criador. Já não confiamos em ninguém. Nem em nós confiamos… tornámo-nos num metal cheio de ferrugem, com os alicerces a desabar a todo o momento. Resta-nos ainda o pó para respirar. Vivemos num imenso holocausto, e há felicidade nisso. Vivemos os últimos dias das tormentas tecnológicas, das promessas… que finalmente o ser humano alcançaria o bem-estar e a felicidade eternos. As desgraças atingiram tal dimensão que os meios existentes já não satisfazem a demanda. Inventámos uma sociedade onde só existe a ira e a loucura. Tentamos lançar raízes, mas as águas sobem e não as deixam viver. Chegam com tal força que despedaçam tudo o que encontram pelo caminho. E não há quem nos livre. Depois vêm os famintos… o instinto de sobrevivência que os transforma em salteadores, predadores. E da terra não vem mais trabalho, porque dela só resta pó. E sem trabalho que fará o homem? Espera que a fome chame a morte. Esta vem e anuncia a agonia. E quem se salvará? É por isso que necessitamos do nosso rei, de alguém que nos dirija. Só ele entende os nossos anseios e faz obras para nos contentar. Se a chuva é demais a culpa não é dele. Também não é culpado pela inundação dos campos. Quando isso acontecer procurem um lugar alto para se salvarem. Estendam as mãos e aguardem, que alguma coisa virá. Porque será que os ricos são ignorantes, e os pobres sempre sábios? Porque na pobreza se aprende a viver, e na riqueza se aprende a destruir. O pobre conhece as veredas da escuridão, e o rico nela anda às apalpadelas, sempre com a espada preparada para matar. O pobre vive na esperança, o rico vive no desespero. O pobre vive com medo dos castigos do nosso rei, e nós os ricos, recebemos prémios. Não dá ir na conversa das ideologias políticas, e nos aventureiros que são muitos. É por isso que ficamos sem nada. Talvez esses da ajuda da paz te arranjem um bocado de sabão, óleo, e arroz. Como o Mal está em todo o lado, eles também podem ajudar com qualquer coisa. Seja como for, nunca te desvies do Mal. Ele está no nosso coração. Vamos prolongar a vida das pessoas até às eleições. Depois podem correr como entenderem… da fome claro!
Job, ficou horas astronómicas, canónicas, a fitar o infinito cosmogónico. Job, sentiu eclipsar-se, não conseguia explicar-se o porquê do aparecimento do Homem na Terra. O porquê de tanta trama que tal criatura produz tanto drama. Job, ficou com a cabeça em pantanas, no Paleozóico, não conseguia discorrer o pântano do comportamento andróide. Conseguiu absorver o álefe das borrascas humanas, e tocou o céu.
- Os amigos são como as ondas do mar. Quando chegam abraçam-nos, quando vão… não voltam mais. São como corvos que aguardam pacientes… como as silenciosas pirâmides egípcias. No alto dos seus templos esperam pela colheita de quem plantou. Posso firmar que a história da humanidade, é a história de quadrilhas selvagens bem organizadas.


Gil Gonçalves

A diáfana eleição de Guebuza

"As eleições presidenciais de 2005 tinham tudo para serem um marco histórico na nova democracia africana, em geral, e na moçambicana, em particular.
Todavia quis o sistema ainda implantado que isso não fosse tanto assim.
Se Chissano acabou o seu mandato sob o estigma do “poder absoluto interno”, relembra-se a acusação de um procurador sobre o ex-presidente afirmando que este tudo terá feito para que o filho não fosse indiciado na morte do jornalista Carlos Cardoso, a vitória de Armando Guebuza, nas eleições de 2004, começou sob a sombra da não total transparência, acusação que ainda hoje a Renamo mantém, em grande parte devido à eventual partidarização do aparelho do Estado moçambicano.
Historicamente, Guebuza começou como responsável da pasta de Administração Interna, no Governo de Transição pré-independência e foi o primeiro Ministro do Interior – uma pasta sensível que coordena, entre outros, os polícias, – do primeiro Governo da República Popular de Moçambique. (...)"

Artigo publicado n’ O Observador, nº 005, de hoje. Pode continuar a ler este artigo aqui.

NOTA: E com este artigo sobre Guebuza se encerra a triologia presidencial moçambicana escrita para O Observador.

28 junho 2007

Moçambique, Da mudança ao consenso

"Machel morre num acidente de aviação fazendo perdurar no sentimento de uns quantos a ideia que por detrás do mesmo houve mãos pouco caridosas, podendo estas estar dentro do seu próprio aparelho de Estado. Se sim, se não, até hoje nada foi claramente esclarecido mas também, realce-se, nunca ficaram dúvidas claras do assunto.
Em 1986, o então ministro das relações exteriores da então República Popular de Moçambique, ascende a primeira figura do Estado cargo que irá manter até às presidenciais de 2005.
No intervalo, Joaquim Chissano aproveitando as novas circunstâncias políticas do momento, queda do Muro de Berlim, o fim do sovietismo e a confirmação da Paz com os seus vizinhos do Sul e a queda do regime segregacionista da Rodésia (Zimbabué) conseguiu mudar o sistema político do País.Celebrou, em 1992, a paz com a Renamo e Afonso Dhlakama, pondo termo a 16 anos de guerra-civil, provocou a alteração Constitucional que leva Moçambique a abdicar do poder popular para se tornar numa República semi-presidencialista democrática e, subsequentemente, desperta a realização de eleições presidenciais e legislativas. (...)
"

Artigo publicado n’ O Observador, nº 004, de hoje. Pode continuar a ler este artigo aqui.


TAAG, um mal nunca vem só...

Como gostaria que o apontamento 1500 deste blogue fosse outro...
No dia em que a União Europeia (UE), através da sua Comissão Europeia anunciou a intenção de incluir a companhia de bandeira angolana TAAG na "lista negra" de companhias áreas impedidas de voar no espaço europeu por razões de segurança, uma aeronave da TAAG, um Boeing 737-200, despenhou-se quando se fazia à pista de Mbanza Congo, proveniente de Luanda, embatendo num edifício.
Do acidente registaram-se 4 a 6 mortos e vários feridos.
Entre as vítimas estão o administrador municipal da primeira capital do antigo Reino do Congo e um padre superior carmelita de ascendência italiana.
Realmente, às vezes um mal nunca vem só.
Espera-se que a comissão de emergência já criada consiga perceber as reais causas do acidente – que não seja como em certos países que as comissões de inquérito dão sempre erro humano… – e que a TAAG possa rapidamente voltar aos céus europeus.
Como uma desgraça nunca vem só, já não bastava à Diáspora não se poder recensear, e concomitantemente, votar, para agora nem ao seu País poder ir em aviões de bandeira angolana!

27 junho 2007

Machel, e do povo nasceu um presidente carismático!

Quando, em 25 de Junho de 1975, Moçambique ascendeu á independência foi a figura mais carismática da Frelimo quem tomou, também, como seus os destinos da nova Nação. Indubitavelmente, para o bem e para o mal, tornou-se a primeira grande figura do Estado moçambicano.
Sendo alvo predilecto do anedotório ocidental e lusitano, Machel acabou por mostrar ter uma sensibilidade política e diplomática que, há partida, nada indicava ter. Bem pelo contrário.
Começou por colocar o País, tal como os restantes líderes africanos da época, na órbita dos soviéticos e dos cubanos sem descurar o apoio chinês conforme acabou por ser consagrado no III Congresso da Frelimo, de 1977.
Daí se dizer e com certa propriedade que Moçambique era uma república onde imperava um Poder Popular proletário sem deixar de ser, também, soviético
. (...)”

Artigo publicado n’ O Observador, nº 003, de hoje. Pode continuar a ler este artigo aqui.

Dois artigos no Correio da Semana, em Junho

Por só agora ter obtido o acesso e confirmação da sua publicação aqui ficam os acessos aos meus dois últimos artigos publicados no semanário santomense Correio da Semana que, em breve, passará a estar também ele disponível nas ondas netianas.
Para aceder aos artigos basta clicar nos respectivos títulos.

Lusofonia ou Brasilofonia, uma pertinente achega

De um leitor, infra devidamente identificado, recebi esta achega que pela actualidade, a Lusofonia está sempre actual, e depois de autorizado, muito gostosamente publico.
Um debate que se exige e se propõe.
Um debate que deve ser alargado a todos os povos que têm o português como sua língua, ou idioma, oficial.

Prezado senhor Eugênio,
Li, com muita atenção e interesse, seu artigo Lusofonia ou Brasilofonia?
Me permita discordar apenas num aspecto. Nossas tvs de sinal aberto não legendam filmes – e nunca o fizeram. A dublagem é o procedimento dominante.
Nos cinemas e nas TVs por assinatura, as legendas – quando usadas – são para a exibição de filmes e séries em idiomas como o Inglês e o Francês. Devo dizer ainda, a bem da verdade, que filmes e séries portuguesas – infelizmente – não têm espaço em nosso mercado, ao contrário do que ocorre com a produção audiovisual brasileira – especialmente as telenovelas - muito bem aceita no mercado internacional e, especificamente, nos países onde o idioma Português é dominante. Sobre a Brasilofonia ou lusofonia, avalio que o senhor seja o especialista no assunto – e não eu. Mas pelas distâncias que nos separam e pelas dimensões de meu país – com conseqüentes e diferentes sotaques entre estados e regiões – devo dizer que as diferenças são naturais e não admitem culpados. Importante mesmo é manter o idioma vivo e pujante como, tenho certeza, o senhor também assim o deseje.
Ocorreu-me agora o nome do humorista Raul Solnado que, nos anos 70, fez grande sucesso por aqui, ao lado de humoristas brasileiros. Outro português, muito querido pela colônia portuguesa é o cantor Roberto Leal. Mas são poucos os que aqui se destacam. Artistas de Angola e Moçambique – e mesmo o cotidiano destes países - não são conhecidos pela grande e quase total maioria de nossa população.
Acredito que o fortalecimento do conceito de lusofonia possa mudar esta realidade.
Despeço-me desejando que o senhor continue lutando pela unidade e integridade de nosso maravilhoso idioma.
Um grande abraço
Claudio Carneiro

Dois candidatos à chefia

No início eram 5, mas só dois vão disputar a liderança.
De acordo com o coordenador da comissão de organização do conclave, Adalberto da Costa Júnior – e eu que pensava que quem liderava era Justino Pinto de Andrade, um neutro, – três dos candidatos foram rejeitados por não “reunirem os requisitos necessários para o efeito”.
Assim só Isaías Samakuva e Abel Chivukuvuko estão confirmados como candidatos à presidência da Unita.
Os outros além de não terem os documentos requeridos, razão mais que suficiente para serem preteridos, parecem não serem, e passo a citar “… militantes exemplares e terão deste modo adquirido uma condição interna fundamental para o alcance de tão relevante desiderato”, isto segundo Costa Júnior.
Será que quem andou a colocar rótulos de candidaturas, tem moral para questionar da militância de outros, nomeadamente, quando um dos preteridos já foi adversário de Samakuva no último pleito eleitoral interno?
Quem não sabe ser democrata e não reconhece o direito à diferença não deve estar em certos cargos ou, pelo menos, deve abster-se de proferir certas frases; é que insultam a memória de um mais velho...
Quanto aos candidatos – volto a reafirmar que não apoio ninguém, até porque não sou, já não sou, um militante exemplar, – só lhes peço que tentem elevar a Unita e procurar manter a estabilidade e coexistência política no Pais para que este possa, enfim, se tornar numa Nação mais próspera, mais democrata, mais justa e não se continue a ver poucos, muito poucos, continuarem a ter milhões enquanto milhões a terem cada vez menos.

Angola, politicamente menos esfrangalhada

O Tribunal Supremo – tem funções de Constitucional – decidiu ilegalizar 19 dos 127 (cento e vinte e sete) partidos angolanos.
Ou seja, a manta de retalhos que era o espectro político angolano (127 partidos, mas já se falou em cerca de 135 os existentes) vai se cosendo e o erário público vai sentindo menos o efeito da grande mama…
Mas ainda assim não se sabe quem vai a eleições... nem quando estas serão! Eu por mim não poderei votar.
Faço parte daquele grupo de pessoas estigmatizadas. Ou seja, estou na Diáspora e esta não se pode recensear.

25 junho 2007

E o Mundial de Hóquei em Patins de 2007 foi para…

(nem sempre a força de vontade chega…; imagem do torneio)

… a Espanha que derrotou a Suiça – a equipa surpresa, ou talvez não, face ao desenvolvimento que vinha patenteando na modalidade – na final.
Portugal, a já quase eterna e etérea candidata ao título, Angola, Brasil e Moçambique apesar de não terem melhorado a sua classificação – Angola poderia ter lutado pelo 5º lugar se tivesse sabido segurar os dois golos de vantagem que teve sobre a França, equipa que derrotou Portugal na atribuição do 5º e 6º lugares – não esmoreceram e acabaram no top 10.
Classificativamente, Portugal foi 6º, Brasil 7º, Angola 8º e Moçambique 9º. Ou seja, a CPLP em perfeita união e unicidade de… agrupamento.
Esperemos que no próximo Mundial fiquem outra vez juntos mas em degrau mais cimeiros e, se possível, Angola deixe de ser tão ingénua.
Valha-nos o facto de um dos três segundos melhores marcadores ter sido um angolano, João Vieira “Joi” com 9 golos; menos 2 que o melhor marcador o lusitano Reinaldo Ventura.

Aí vão 32 anos!

Completam-se hoje 32 anos que Moçambique ascendeu à independência.
Para assinalar esta efeméride surgiu hoje no seio da Comunicação Social da Princesa do Índico um novo órgão informativo "O Observador" com direcção do jornalista Jorge Eurico.
Este novo órgão vai ser, inicialmente, disponibilizado em "PDF" por assinatura e, mais tarde, penso que também em papel e na Net.
Ao novo órgão comunicacional moçambicano e aos seus líderes as maiores venturas.
Tendo os líderes d' O Observador me honrado com um convite para participar no primeiro número, nada como aproveitar para assinalar o dia com um artigo sobre os 32 anos de moçambique.
O artigo foi publicado sob o título "Ricos na pobreza, pobres na riqueza":

Moçambique completa neste 25 de Junho o seu 32º aniversário como Estado independente e à procura do verdadeiro desenvolvimento económico, político e social.
Tendo sido o 2º estado afro-lusófono a ascender à independência e o primeiro, dos que o tinham, a pôr termo a uma crise político-militar interna, Moçambique quer, depois de várias vicissitudes, entrar nos carris do pleno crescimento.
Foi um Estado socialista, mais proletário que soviético, sob a tutela da Frelimo e do seu carismático presidente Samora Machel.
Viveu a transição entre o socialismo, do proletariado e do poder popular, e o multipartidarismo sob a presidência e a ductilidade de Joaquim Chissano. Vive, há cerca de ano e meio, uma nova fase do multipartidarismo sob a égide de Armando Guebuza.
Mas em 32 anos o que realmente mudou em Moçambique? A política? Não me parece dado que continua a ser a Frelimo quem comanda os destinos da grande Nação de José Craveirinha, Mia Couto e Eduardo Mondlane. Muito menos a riqueza económica e social apesar de ser um dos países africanos que regista maior crescimento da economia ainda que venha a decrescer desde 2001 que registou cerca de 13% para os 6,5% registados no final de 2005, prevendo-se que tenha atingido os 7,9 em 2006.
Moçambique mantém-se entre os países mais pobres de África e, subsequentemente, do Mundo, apesar de haver certos indicadores que apontam um rendimento per capita de cerca de 1500 USdólares (USD).
Seria uma cifra interessante, face ao que o Pais já sofreu e já produziu, se não estivesse sob diversos cutelos como o elevado número de pobres (cerca de 70%); o forte índice de desemprego (à volta dos 21%); a inflação que com os novos métodos ainda anda dentro, ou quase, da casa dos dois dígitos percentuais; uma agricultura que ocupa 81% da população mas que só contribui com cerca de 21,1% para a riqueza do País; e uma alta dependência do comércio externo.
Apesar das Exportações já quase cobrirem as Importações, em quase 91,4%, a sua dívida externa (cerca de 2,4 mil milhões de USD, representando cerca de 25% do PIB,) mantém-se incomportável e muito da estabilidade da Balança de Pagamentos moçambicana depende da cooperação externa.
Por isso o que mudou nestes 32 anos de independência?
Clara e, inequivocamente, o turismo, cada vez mais um sector importante para a captação e manutenção das divisas externas, que já contribui com cerca de 2,5% do PIB quando há poucos anos não chegava a 1%.
De uma maneira geral, o sector dos Serviços já concorre com cerca de 48% para o PIB moçambicano.
Outro dos factores que mudou no País, e apesar de política e economicamente ainda depender, e em muito, da sua vizinha África do Sul, foi a sua postura de maior diversidade nas relações externas. Se a maioria das importações são provenientes da África do Sul o seu maior importador já é a Holanda. E a China perfila-se, como em outros Estados africanos, como o grande impulsionador da economia moçambicana…
Finalmente, e aqui Moçambique, a par de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe mostra quanto a História foi e é importante, a quase estabilidade política no País.
Independentemente da Frelimo manter o seu controlo e o seu poder sobre a sociedade política moçambicana, pelo que ainda há muito para alterar e mudar, verifica-se que o poder da Comunicação social moçambicana está a contribuir para que esse poder se vá diluindo progressivamente, pelo menos a nível local.
O poder moçambicano mostrou que pode estar quase todo na mão de uns quantos. Mas não temem a alternância mesmo que isso lhes faça perder certos privilégios. Nunca serão todos porque os principais estão nas mãos daqueles que sabem girar e se posicionar conforme o vento e as intempéries.
Moçambique que ainda não actualizou o seu recenseamento eleitoral, nem por isso já deixou de marcar as eleições locais.
Como era bom que outros pusessem os olhos no actual poder instituído em Maputo. E como eles são tão próximos…
Mas em 32 anos o que mudou?
Talvez muito, segundo uns, talvez pouco, segundo outros, mas, inequivocamente, Moçambique tornou-se num Estado que procura, como escrevi no início um verdadeiro desenvolvimento económico, político e, ainda que um pouco distante, social.
Está nas mãos dos decisores políticos moçambicanos este desiderato.
Não o será com justificações desconexas como as que resultaram da explosão do paiol de Malhazine e do incêndio do Ministério da Agricultura.
Mas também reconheço que já muito se fez em cerca de 12 anos de paz que muito poucos acreditariam ser possível manter…
Artigo inicialmente publicado n' nº001 de 25-Junho-2007

Não sou apoiante de ninguém!

Não há nada como tirar uns diazinhos de férias, mesmo que seja um fim-de-semana, para ver que tudo está na mesma até o diz-que-disse.
Acabei de ler a Manchete do Notícias Lusófonas com o título “Começou a guerra contra os que pensam diferente” sobre as eleições internas da UNITA escrita por Aristides Pascoal.
Dentro, no corpo, há uma pequena referência a mim e a uma eventual tomada de posição relativa ao pleito eleitoral, considerado – ou pelo menos assim o deveria ser – democrático para a presidência da UNITA.
O articulista que, honestamente, não sei ou penso não saber quem seja, alerta que, e passo a citar, no “site da UNITA na Europa (www.unitaeuro.com) já é bem visível a limpeza ordenada pelo secretário para a informação. Textos de referência, como os de Eugénio Costa Almeida e Orlando Castro, foram banidos por, segundo as nossas fontes, “ordem expressa, directa e pessoal” de Adalberto da Costa Júnior” tudo porque os visados “manifestaram posições contrárias às da Direcção da UNITA”.
De uma coisa podem estar certos.
Tenho por princípio não me preocupar com o que se diz ou pensa de mim.
Até porque, como alguém já uma vez afirmou, a mim não me preocupa que falem bem ou mal de mim. A mim o que me preocupa é não falem.
E, pelos vistos, ainda há quem perca tempo em falar de mim mesmo que seja para transmitir eventuais disparates.
E não falo do articulista que, como já afirmei, não penso conhecer e se limita a citar fontes próximas da Direcção.
Porque vou dar crédito ao articulista terei de alertar o senhor Adalberto da Costa Júnior que nunca fui eu que me pus de bicos de pés para aparecer no UnitaEuro mas foi o portal que lá colocou artigos meus por nele saberem – ou alguém lhes transmitiu – que era próximo da UNITA e por haver artigos que claramente a isso indiciam.
Caro Adalberto posso – e tenho – opções políticas. Por causa delas já quiseram erradicar-me do Notícias Lusófonas quando o tentaram comprar.
A mim e a outros que como eu preferem falar do que asfixiar com alguma verdade que deveria ser dita e o não foi. Relembro que nessa altura também o Orlando Castro, Fernando Casimiro e Jorge Eurico foram quase proscritos.
Nessa altura não o conseguiram.
E não é agora, só porque continuo a achar que a UNITA já fez e teve o seu importante papel no GURN que me irei calar ou deixar de escrever o que penso.
Podem não gostar. Tal como eu também não gosto de muita coisa.
Mas não pensem que só por não concordar me terão logo de rotular.
Não apoiei nem apoiarei ninguém para a presidência da UNITA.
Tem de ser os seus militantes, aqueles que pagam quotas e votam nas bases que o tem de eleger.
A mim caber-me á a responsabilidade cívica de aceitar que for eleito e se decidir abraçar a causa política responder perante o presidente eleito que terá sido, certamente, por via democrática e transparente.
Até lá deixem de rotular quem quer que seja.
Por mim vou acreditar que houve um pequeno lapso de interpretação por demasiada extensão.
Porque, caso contrário e como sublinhou o articulista Aristides Pascoal, atitudes destas só beneficiam quem não o deveria ser.
Quem?
Basta ler o último parágrafo do artigo da Manchete acima referenciado!
E, enquanto isso, o povo angolano vai desesperando por eleições e a Diáspora não pode se envolver…
Inicialmente publicado no - Colunistas

“Mugabe é perturbador”!

NOTA: O texto que se segue, inicialmente publicado a 19 de Junho, foi por mim destruído devido a um SPAN que lá foi colocado. Do e pelo facto, embora alheio à situação porque cabe ao blogspot/google impedir estas situações dado que quem quer adicionar comentários tem de colocar uma chave, apresento as minhas desculpas.

E por isso “não tenho nenhum interesse que o senhor Mugabe esteja em Lisboa”!
Segundo parece, foi esta a frase do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, proferida à saída de uma reunião dos Ministros das Relações Exteriores dos 27 – leia-se da união Europeia (UE), em Luxemburgo.
Ou seja, e por outras simples palavras, “Como Mugabe é um perturbador não quero que venha à 2ª Cimeira África-UE”.Que Mugabe é um factor de perturbação no continente africano, em geral, e na SADC, em particular, isso não é novidade.
Que também o é, e pelas mais variadas razões nas relações entre África e os seus principais clientes, fornecedores e cooperadores, casos dos EUA e da UE, nós o sabemos também.
Agora que o MNE do país que quer, finalmente, realizar o tão adiado encontro África-UE vir dizê-lo publicamente, mesmo evocando o facto do Zimbabué estar sob sanções da UE, não só demonstra profunda falta de tacto diplomático como parece querer que essa Cimeira, e uma vez mais, morra à nascença.
Não era preferível dizê-lo logo e deixar de manter os africanos na expectativa que agora é que seria…
Ainda perguntam como pode subsistir e se acreditar na CPLP, cuja sede é em Portugal, quando do Palácio das Necessidades português continuam a sair atoardas como esta…
Inicialmente publicado no - Colunistas e também citado na secção "Hoje Convidamos" do

19 junho 2007

Campeonato do Mundo de Hóquei Montreux2007

(DR-foto da galerias de fotos do campeonato)
Terminou a primeira fase do Mundial de Hóquei em Patins que decorre em Montreux, Suiça.
Das equipas Lusófonas só Moçambique não consegui passar aos quartos-de-final pelo que vai disputar o torneio para a descida à 2ª divisão o que se lamenta face ao bom hóquei que parece ter mostrado e que evidenciou frente a Portugal.
Angola, Brasil e Portugal vão disputar a passagem às meias-finais face, respectivamente, à Espanha, Argentina (duas das principais candidatas) e Suiça.
De registar que um dos segundos melhores marcadores, o primeiro é o português Reinaldo Ventura com oito golos, é o angolano João Vieira (na foto, com o argentino Mariano Velazquez) já com seis tentos marcados, três dos quais na última jornada face a uma antiga vice-campeã da Europa, a Holanda.
Na linha do que está a fazer a RDP-África – quando quer sabe o que é serviço público – espera-se que a RTP-África possa transmitir o grande embate entre angolanos e a grande favorita, a Espanha.
Se a RTP tem lá uma equipa para transmitir os jogos de Portugal, via RTP2, também o poderá fazer para os jogos dos outros 3 países da CPLP (o que e isto?!)
Ou será que vou continuar a esperar sentado e se quiser saber os resultados e a evolução dos mesmos terei de os ouvir sempre via RDP-África?
E depois digam que querem cimentar a cooperação entre os povos da CPLP…

18 junho 2007

Ota ou Alcochete? ou será… OTA?

(com a devida vénia ao blogue ©Pitecos de onde foi surripiado)

Depois de ver os autarcas do Oeste entrarem, para a reunião com o Ministro Mário, Lino, quase em pranto madalénico e saírem com o sorriso bem estampado na cara e pouco faltou afirmarem que Ota está segura; bastou olhar para as suas carinhas todos juntos na foto para a TV…
Depois de ver uns dizerem que o dossiê Alcochete foi concertado – ou, mais correctamente, avançou – depois do acordo e apoio de Sócrates…
Depois de ouvir o Ministro, tipo “último a saber”, afirmar que não houve conversas nenhumas com o Governo…
Depois de ouvir o representante do Porto dizer que esteve mas saiu, até porque, e naturalmente, a Invicta não quererá perder o seu aeroporto o que poderia acontecer com o TGV, o que seria o mais natural…
Depois de ouvir o candidato António Costa, ex-membro do Governo e candidato pelo partido que suporta o Governo afirmar que Portela já era, este estudo cai como mel…
Depois de ouvir o Conselheiro de Estado – e dizem muito próximo de Cavaco que parece ter “encomendado” o estudo do dossiê Alcochete – o senhor Professor Marcelo Rebelo de Sousa quase afirmar que o LNEC irá ser obrigado a perder tempo a estudar Alcochete até porque um Ministro já terá afirmado que quem decidiria politicamente era o governo; ou seja, para Marcelo este estudo dá uma trégua de seis meses que o Governo passe o semestre sem o aborrecerem com “aeroportos” dado que vai haver eleições para Lisboa e a presidência europeia…
Apesar dos ambientistas não estarem certos que Alcochete seja vantajoso – penso que sempre seria melhor para o ambiente que andarem lá descarregar bombinhas e balinhas – consideram que Ota nem pensar
Só posso “quase” afirmar que o dossiê Ota já era e que o Aeroporto Internacional de Lisboa, vulgo “Portela”, vai ser brilhantemente substituído pelo Aeroporto da …OTA!!!!
E compreende-se.
Para quê obrigar a União Europeia conceder mais verbas para um aeroporto que iria ficar numa região desértica do que para um aeroporto que iria ficar assente em estacas?
Para quê perder os estudos feitos com a ida de um TGV para o Porto e subsequentemente um ramal para a Ota, só porque esse mesmo TGV tem de ir para Madrid passando quase ao lado do novo estudo – que por acaso tem por destino, o lixo –, o dossiê Alcochete.
Que interessa que Augusto Mateus afirme que mesmo que o aeroporto não siga para a Ota o oeste não irá perder vantagens, dado que o plano estratégico previsto para a zona Oeste não será afectado?
E, depois, como é que se iria substituir o actual campo de tiro da Força Aérea e para onde ia se, mais ao sul, também um deserto, estão os celebérrimos linces ibéricos, por acaso quase extintos; e se é que ainda há algum em liberdade ou vivo.
É por estas e por outras que acredito na política portuguesa. É tão previsível e tão transparente que antes de serem já as coisas foram.
Dúvidas?
Remeto-vos para o primeiro parágrafo.
(Transcrito na íntegra no , como artigo de Opinião)

Minha nova Página Pessoal

A partir de hoje a minha Página Pessoal (HomePage) passa a ser acedida através do endereço http://www.elcalmeida.net/ cujo banner é o que está em cima.
Nela poderão aceder a tudo o que estava na antiga - que se vai manter durante um certo tempo -, esperando que esta nova página seja do vosso agrado e lá poderão deixar sugestões e/ou visitar o "Livro de visitas".
Espero por vocês e pelas vossas críticas e sugestões.
Os meus agradecimentos à equipa da NOVAimagem liderada por António Ribeiro que projectou e concebeu esta página.

17 junho 2007

Desporto no fim-de-semana, sem som ou visão para a Diáspora

Um fim-de-semana farto em desporto para 5 países lusófonos e com um grande espírito de união entre os povos lusófonos transmitido pelo grupo RTP, onde está inserido a RDP-África, como adiante esclarecerei.
No Futebol, tivemos Angola, Cabo Verde, Moçambique e Portugal com um saldo de 2 vitórias e 2 empates.
Angola viu confirmada a sua presença no Ghana-2008 ao bater a Swazilândia por 3 bolas sem resposta. Cabo Verde empatou e viu o sonho adiado para o CAN2010, em Angola. Já Moçambique, com o empate hoje face ao Senegal, adiou a sua possível e desejada qualificação para a última jornada, na Tanzânia onde terá de ganhar e esperar que os senegaleses não o façam. Por sua vez os portugueses apesar de se despedirem do Campeonato da Europa Sub21 com uma robusta vitória viu a sua continuação ficar por aqui porque belga e holandeses fizeram a sua “obrigação”, empataram. Resta aos portugueses o “play-off” com os italianos para descobrirem qual será a quarta equipa europeia nos JO de Pequim.

No Basquetebol as equipas angolanas e moçambicanas passaram à fase seguinte das duas Taças dos Campeões.
Nos masculinos passaram o actual campeão africano, Petro-Atlético de Luanda e o 1º de Agosto, que afastou o Ferroviário de Maputo; nos femininos, uma vez mais o 1º de Agosto e as moçambicanas do Desportivo do Maputo que deixou de fora as angolanas do Interclube.

Já no Hóquei em Patins, no Campeonato do Mundo, estão Angola, Brasil, Moçambique e Portugal. São 22,10 minutos e não sei qual o resultado de Angola face à favorita Argentina. Os portais de Angola, nomeadamente todos os que terminam com a extensão “.ao” dizem não ser possível encontrar o servidor, o que, infelizmente, não é caso virgem. Daí que não saiba a esta hora qual o resultado.
E depois há uma empresa lusófona que tudo faz para fortalecer a união entre os povos lusófonos, como mais adiante explicarei.
Quanto ao Brasil e Moçambique perderam os seus jogos respectivamente com a Espanha e os EUA, enquanto Portugal venceu o seu desafio face à França, no único jogo transmitido e teletransmitido pela tal empresa que fortalece o espírito da Lusofonia.
Pois o grupo RTP não só não teletransmitiu nenhum dos jogos que não entrasse a selecção portuguesa – mesmo no futebol foi uma outra empresa portuguesa, no caso a TVI – como não transmitiu, em directo, nenhum dos encontros de futebol onde pautavam as selecções afro-lusófonas e, qualquer um deles, importante para a sua continuidade no CAN. Ainda assim, a RDP-África ia dando a evolução dos resultados.
Pelos vistos o grupo RTP continua a pensar que o Desporto não interessa nas relações entre Povos. Só se lembram deles quando querem mostrar que em Maputo, Luanda, Praia, Bissau, ou São Tomé, o Povo vem para as ruas celebrar as vitórias das equipas portuguesas. Aí sim, já o grupo RTP mostra que se preocupa com a União entre os Povos Lusófonos!
Tal como já uma vez escrevi n um artigo no extinto Jornal Lusófono, e já reafirmei aqui nestas páginas, é altura de, uma vez por todas, as televisões lusófonas se unirem e mandarem a RTP e o seu grupo às urtigas.
A falta de respeito é cada vez mais apanágio deste grupo.
Agora nem a RDP-África se safa!!!
Por favor, David Borges, volta!! a Diáspora afro-lusófona precisa de ti de novo à frente dos destinos da RDP-África!
Ou então, senhor Ministro da Informação de Portugal – será que o há? – mexa nas cúpulas do grupo RTP porque são também os africanos e os brasileiros que ajudam a manter a RTP com os seus impostos!
(Nota: são 23;00 horas e ainda não tenho qualquer resultado, parcial ou final, do Angola-Argentina, em Hóquei, mas já consegui aceder ao portal da Angop e ao da RNA-Canal A; e nestes dois, nada. E a emissão online da RDP-África, a esta hora, está a dar a Antena 1. Irra!!!
Nota2: Lá consegui aceder ao portal oficial do Campeonato e saber que Angola foi derrotada pelos argentinos por 5-2, com golos de João Vieira)

(fotos oficiais via Angop [futebol], daqui [Hóquei, Angola e Moçambique] e daqui [Basquete])

16 junho 2007

Dia da Criança Africana

Pelo dia que, há 31 anos, crianças e estudantes que se achavam no direito de protestar, pereceram pelo crivo de armas imbecis, a OUA decretou que passava a ser o Dia da Criança Africana.
Por este dia um pequeno trecho do poema "Risos pictóricos" do angolano Paulo Seco, retirado do livro "Laços verticais".

Na tela da humanidade,

Da diferença cromática, sentida,

Sorrisos abertos, fechados, tímidos,

Desinibidos.

Sorrisos. (...)

É o que se pede, e continua a pedir, às crianças do meu Continente. Sorriam e continuem a acreditar que o futuro já é logo ali!

15 junho 2007

Zimbabwé, oficiais revoltam-se?


Segundo o portal angolano Correio Digital, e citando o “The Zimbabwean”, alguns oficiais da polícia e do exército ter-se-ão revoltado.
Todavia parece terem sido descobertos pelos serviços de informação do senhor todo autocrático Rober Mugabe e levados agora a tribunal sob a acusação de tentativa de derrube do regime do senhor de Harare e arredores.
Além dos polícias e militares também civis parecem ter sido detido e, posteriormente, devolvidos à liberdade.
Apesar do convenientemente natural desmentido do Governo de Mugabe houve quem visse os oficiais serem levados detidos a Tribunal e, posteriormente, transportados para um quartel nos arredores de Harare.
Estranha-se o desmentido até porque há poucos dias Mugabe acusou o Reino Unido de tentar derrubá-lo. Ou será que Mugabe esperava uma força invasora e nunca interna?
Não se sabe é se ainda estão vivos.
Será que a manifestação de mulheres junto de uma porta guardada por um polícia, e cujas fotografias recebi via e-mail (duas das recebidas, cujo autor(a) desconheço, encimam este apontamento), estariam relacionadas com este facto. É que as fotos vieram assim, em bruto, e só com indicação de “Manifestação em Zimbabwé sem limites”.
Entretanto Mugabe viu confirmada a retirada do título de “Honoris Causa” concedido pela universidade de Edimburgo já como já tinha alertado anteriormente.

Um Estado islâmico na Terra da Conflitualidade?

A Faixa de Gaza é desde ontem um Estado islâmico, assim o tendo decidido o Hamas depois de ter declarado vitória sobre os rivais da Fatah, que suportam o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmoud Abbas.
Outra das medidas que o Governo de Hamas, de Ismail Haniyeh, – aceitemos, ou não, legitimado pelas eleições que os colocaram no poder – foi declarar que deixava de reconhecer o ANP, dado nunca ter aceite os Acordos de Oslo, de 1993, que criaram o ANP.
Mais do que estar em causa a legitimidade internacional do ANP, está em causa a unidade palestiniana, que fica dividida em duas regiões, Gaza e Cisjordânia, e o frágil processo de Paz na região.
Os fundamentalistas do Hamas parece que vão conseguir aquilo que israelitas e norte-americanos não conseguiram em muitos anos. Que a comunidade árabe os abandone e acabe por aceitar tacitamente, e em definitivo, a presença dos israelitas na região.
Alguém, de bom senso, acredita que jordanos, libaneses – que ultimamente estão numa luta interna para expulsar um grupo fundamentalista, segundo dizem, próximo da al-Qaeda, mas que tem o apoio do Hamas – ou os sauditas e, principalmente porque passarão a ser vizinhos, os egípcios e os israelitas os acolherão sossegadamente?
É evidente que não!
E serão os árabes os primeiros a tudo fazerem para que os fundamentalistas do Hamas sejam expulsos.
A sua permanência no poder seria como uma primeira pedra do descalabro do periclitante actual sistema político árabe e islâmico da região.
Seria o fim dos regimes moderados islâmicos na península árabe e a projecção total dos regimes sírio e iraniano.
Ninguém acredita que os israelitas esperarão pelas modas mesmo que os EUA desejem uma resolução interna do conflito palestiniano, mesmo que os norte-americanos apoiem e se solidarizem com o presidente do ANP, mesmo que afirmem que nada está terminado porque o governo do Hamas vai ser dissolvido com base na declaração de emergência decretado pelo presidente palestiniano, mesmo que declarem que a solução terá de passar pelo diálogo, é crível que nesta altura Condoleezza Rize já esteja a manobrar em concertação com os árabes moderados da região o fim do Hamas.
Só que não se devem esquecer do Irão!
Mais uma acha para a subida exponencial do crude e para o enriquecimento de uns quantos nababos árabes e africanos que vivem do e para o petróleo; e sempre com o beneplácito dos EUA e de alguns dos seus principais dirigentes com interesses nas petrolíferas.
Entretanto, alguém ouviu, por aí, a União Europeia?

Os militares timorenses passaram-se?

"Parece que Ramos-Horta não quer aquecer o lugar na presidência timorense.
Ou, então, os timorenses já se esqueceram do que se passou em Maio do ano passado e que cada vez é mais claro que teve mão dos australianos.
Na região, estes podem admitir tudo, mas não – nunca – um País totalmente independente.
Isto porque, segundo a comunicação social e governo “aussies”, e, de acordo com um eventual caderno estratégico das suas forças armadas, reconhecido por “Relatório 20/20”, os timorenses querem criar uma força naval Ligeira com fragatas e corvetas, “incorporado com mísseis terra-terra e terra-ar”.
Inadmissível, dizem os australianos.

De acordo com o tal caderninho, os timorenses devem possuir uma Força Naval com uma capacidade de “desencorajar qualquer acto de humilhação do Estado de Timor-Leste no mar, ou atentatório dos seus interesses vitais” e deve, igualmente permitir uma participação timorense em “alianças em que o Estado se venha a comprometer” apresentando-se “com eficácia e dignidade”.
Irrealista, acusa o ministro das relações exteriores australiano, Alexander Downer. (...)"

Um artigo sobre um relatório timorense elaborado em Junho de 2006 sque ó agora foi tornado público na Austrália e com enormes convulsões cardíacas em certos sectores australianos.
Pode continuar a ler o artigo publicado em "Manchete" no sob o título "Militares de Timor passaram-se e querem fragatas com mísseis".

12 junho 2007

Dia Mundial de Luta Contra o Trabalho Infantil

A exploração das Crianças não é só assim…

… mas também assim…

… e assim!

E o Dia Mundial da Criança foi há tão pouco tempo…

Angola, a muleta de Mugabe?

Luanda desembainhou e, colocando-se contra a posição de meio mundo, esgrimiu a espada contra Lisboa e Washington. Motivo: o levantamento das “sanções inteligentes” contra o país dirigido por Robert Gabriel Mugabe e a participação do mesmo na II Cimeira União Europeia – África. Ao Palácio de São Bento e à Casa Branca só restaram duas opções: a espada ou a parede. E, como era de esperar, José Sócrates e George Bush escolheram… a parede.” (pode, deve, continuar a ler aqui)

Parte de um excelente artigo de Jorge Eurico, a partir de Maputo, onde a posição dominante de Angola no concerto dos Estados Centro e Afro-Austrais é cada vez mais forte e também cada vez mais em claro confronto com a habitual posição sul-africana na região.
Poderá ser mentira a existência do tal relatório secreto; mas que se começa a ser compreensível a presença do mesmo, na óptica sul-africana…
Embora se deva criticar o apoio angolano a Mugabe, sabendo-se como este gere os destinos do País, deve-se, igualmente, realçar a tomada de posição de força angolana sobre a reunião UE-África e verificar como os EUA – e também alguns países europeus, que não só o Reino Unido – foram (ou estão a ser) obrigados a engolir um sapo do tamanho do continente.

Que se passa com o Blogger? II

Que se passa com o Blogger que se coloca apontamentos e não aparecem visíveis no imediato.
Todavia quando se chama por "palavras chaves" como, por exemplo e foi a última, "bahasa" aí já aparece e logo em duplicado.
Ou será que "tocar" na Indonésia e na Austrália dá direito a "censura"?
Estranho.
Querem ver que agora toca a mim...

Bahasa 1 - CPLP/Tétum 0

Ora aqui está como se consegue sobreviver no intrincado mundo da diplomacia mesmo que em causa esteja a Constituição do País – no caso Timor-Leste – ou os seus vizinhos do Sul.
O título, mais correctamente, deveria ser, “Indonésia 1 – Coligação CPLP/Tétum/Austrália 0” tal a tareia futebolística que José Ramos-Horta deu a estas três entidades.
Então não é que o recém-empossado presidente de Timor-Leste – dizem que é membro de pleno direito da CPLP onde a Lusofonia (que é isto????) predomina –, na tomada de posse, e perante o Parlamento Nacional, se exprimiu não em tétum, ou em português, as duas línguas oficiais do país, mas fez parte do seu discurso “em bahasa, para gáudio dos jornalistas indonésios presentes na cerimónia, que comentaram na ocasião o seu "sotaque ocidental" e o "bom domínio" da língua indonésia”.
E não é que repetiu a gracinha – como é que os “aussies” engoliram este sapo? – no jantar de gala em sua honra, afirmando que “o bahasa indonésio ocupa um lugar especial na nossa vida diária como língua de aprendizagem e de comunicação”.
Por isso não surpreende que o presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono, tenha declarado ter a intenção de fomentar a criação, em breve, de um departamento de bahasa indonésio na Universidade Nacional Timorense, “a nossa ex-colónia indonésia” como afirma, ou relembra, o Jakarta Post.
Também quando José Ramos-Horta afirma que é sua intenção fomentar e colocar o bahasa e o inglês – uma no cravo, outra na ferradura – na Constituição como línguas obrigatórias, dado que esta já as considera como línguas de trabalho.
E a CPLP a vê-los passar…
Ou mudam-na, ou fechem-na!
Inicialmente publicado no

Ver igualmente um comentário no Alto Hama, de Orlando Castro

11 junho 2007

O nosso Lobito

(Restinga, foto furtada não me lembro aonde; penso que a Tonspi)
Como dói ler coisas como as que Carlos Pacatolo nos oferece sob o título acima.
Como dói ver que a bela sala-de-visitas está tão desprezada e como o servilismo e o clientelismo se sobrepõe ao interesse municipal e dos munícipes.
Lamentável mas… ainda bem que esteja no terreiro e denuncie estas situações. Que a pena nunca se parta nas mãos de Carlos Pacatolo e de todos os que, como ele, amamos a nossa Cidade; a cidade dos flamingos, das salinas, do porto, do CFB, das praias, dos morros e da bela Restinga entre outros factores paisagísticos.
Cada dia passado na nossa cidade querida é um autêntico teste à nossa pobre paciência. As obras de melhoramento dos serviços e das estradas somam e seguem. Os desafios são gigantescos, a paciência do pacato cidadão é míngua.
Continuamos com as crateras nas estradas; a terraplanagem e a poeira, com a consequente ameaça para a saúde pública de quem não tem carro com ar condicionado e tem que aguentar o ar comissionado!!! E quem vive e trabalho nos grandes lugares de obras, portanto autenticas fábricas de poeira... que Deus o proteja e salve!!!
Mas vamos indo mesmo assim...na esperança de dias melhores.
O curioso e toda gente sabe mas ninguém fala, é que quando se desloca uma individualidade de Luanda para Benguela/Lobito, as obras ganham uma intensidade frenética. Então, habituados aos efeitos cosméticos, não precisamos de ouvir as notícias nos órgãos oficiais, porque sabe-se logo que vem gente.
Então, fica a pergunta: há capacidade para se trabalhar mais e melhor? Se sim, porque se espera por ilustres visitantes de Luanda para mostrar serviço? Como vai a fiscalização dessas obras?
Olhem o que se passa na estrada que sobe para a Bela-Vista, sff!!!
Até breve,
Upindi Pacatolo.

Apontamento retirado daqui.

10 junho 2007

David Mestre in memoriam

(David Mestre, foto daqui)
De Manuel Dionísio recebi via e-mail o texto abaixo, que muito me honrou.
Porque sabia que sairia na secção cultural do Jornal de Angola, órgão onde Dionísio é o editor das grandes reportagens, achei por bem esperar, primeiro, a sua publicação no JA o que aconteceu na edição de 10 de Junho de 2007.
Assim, aqui vos deixo uma homenagem de Manuel Dionísio ao grande poeta David Mestre no ano que decorrem 30 anos pela publicação de “Do Canto à Idade” e quase 9 pela sua morte.
David Mestre, pseudónimo de Luís Filipe Guimarães da Mota Veiga, publicou, ainda, “Nas Barbas do Bando” (1985), “O Relógio de Cafucolo” (1987), “Nem Tudo é Poesia” (1987), “Obra Cega” (1991), “Subscrito do Giz – 60 Poemas Escolhidos” (1996) e “Lusografias Crioulas” (1997); antes da independência David Mestre terá publicado “Kir-Nan” (1967), “Crónica do Guetto” (1973) e “Dizer País” (1975).
Podem ler um poema de David Mestre no Malambas.

Faz este 2007, trinta anos que foi publicado "Do Canto à Idade", do poeta David Mestre, falecido em 1998, a 13 de Junho, na margem Sul do Tejo, à altura de Lisboa.
Faria, a 3 de Agosto, 59 anos. E se outra forma não houvesse de pegar na banalidade de "os poetas não morrem, revivem nos seus versos", roçando uma certa vulgaridade sobre a imortalidade, que de papel passado e registado, ainda assim, só para membro da Academia de Letras, ocorre-me aqui lembrar que é bem verdade que a obra deixada vai vivendo, e que há quem, como eu, festeje aniversários de livros e poetas… mortos.
Pensava eu, ao propôr-me escrever de um poeta já falecido, que admirei e conheci em vida e de cujos versos continuo a gostar, que há pessoas que fazem romagens ao túmulo de Baudelaire, de Jim Morrison, de John Lennon, de Shelley, sei lá, mesmo de artistas de outras artes que não as letras, não me ocorrendo outro angolano que não Agostinho Neto, mas no seu caso há muitas outras razões ao dela da sua personalidade literária.
E lembrei-me disso ao reunir as informações sobre aquele que em vida, tive por amigo, companheiro e cúmplice, a quem fiquei a dever algumas aparadelas aos versos que, há trinta anos, cuidei publicáveis, o ensinamento dos truques que sempre tem cada arte, dicas várias sobre roteiros de leitura, nomes, História e enquadramentos diversos.
Recordei de um recorte de jornal que foi enterrado no cemitério da Costa da Caparica, uns dias depois da aziaga tarde de um sábado, 13 de Junho de 1998, e que, se calhar, lhe devo, ou melhor, me devo, uma visita, um dia destes, passe eu por lá perto e um romantismo que agora me escorre para o papel não se afigure piegas à memória de quem, em vida, até expressou o desejo de ser cremado e as cinzas lançadas na baía de Luanda.
Posto isto, aos desconhecedores introduzo, e recomendo, a obra - e mais enfaticamente, os versos - do poeta David Mestre. Obra que se não pode destacar pela extensão, há-de ter por força virtude de qualidade maior.
Citemos, e procurem-se, as obras em poesia que, em meu entender, são essenciais: "Crónica do Guetto" (73), "Do Canto à Idade" (77), "Nas Barbas do Bando" e "Subscrito a Giz". Procurem-se numa qualquer admissível livraria de Luanda ou Lisboa, quiçá Maputo, para regozijo, é claro, dos amantes de poesia.
Procure-se - insisto - pelo prazer garantido da leitura de um poeta, e dos poemas que converteu, singular. Para descobrir uma poesia de contenção contínua, de clímax permanente, que é sua invenção, trabalhos de filigrana em aço.
Se tivesse a ousadia, ou aptidão e talento para tal, conforme foi o caso de David Mestre, único angolano, durante largos anos, membro da Associação Internacional de Críticos Literários, digo, se me atrevesse a empunhar por momentos o bolígrafo de crítico literário, com a incumbência de caracterizar a poesia do David Mestre, tentaria seguir, ao seu próprio estilo, e não necessariamente por esta ordem: a concisão, (conteúdo), a sonoridade (rítmica), e o trabalho oficinal.
Convenhamos que são três abordagens díspares. E, de trás para a frente, cometo aqui uma inconfidência: o trabalho oficinal é de capital relevo na sua obra. Atente-se. E não apenas, já agora, no que toca à pessoa, mas, de forma abrangente, às diferentes facetas do escritor, como jornalista, crítico literário ou ensaísta, se bem que aqui se pretenda dar saliência ao poeta.
Pessoa, Fernando, era de opinião que não havia poemas longos, mas antes uma série de momentos poéticos mais ou menos longos, ligados por uma argamassa mais ou menos poética.
Tive o privilégio de conviver literariamente com o David Mestre, e assisti à transformação que foram sofrendo alguns poemas seus, até serem dados por acabados, e publicados, ouvindo-o dizer esses versos com o espaço de vários meses, e acompanhando, portanto, a transformação do texto.
Atente-se à economia de pronomes e advérbios, à avareza do que se poderia considerar a tal "argamassa mais ou menos poética", e teremos para saborear uma doce poesia substantiva, arredia de conjunções, mesmo quando a mágoa se pressente. E é tanta a prostração quanto a rebeldia, quando a lírica se detém no social.
Será, talvez, por decurso desse tal trabalho oficinal que a sua poesia se torna tão concisa, quase matemática. Aliás, quem com ele teve o ensejo de privar mais intimamente terá tido seguramente oportunidade de o ouvir comentar a questão da produtividade poética. Da sua e da dos outros, ele, que fazia questão de se manter a par do que se ia publicando em língua portuguesa, cultivando uma ligação epistolar com alguns dos maiores poetas e escritores de língua portuguesa. De Craveirinha ou Mia Couto, a Fernando Ferreira de Loanda, Cabral Neto ou Pires Laranjeira, correspondência, revistas e livros, muitos, alimentavam a sua caixa postal na ex-Brito Godins, e supriam a magra dieta das importações da Lello. A mim iam-me cabendo uns generosos presentes e o espólio dividido de umas bibliotecas pessoais abandonadas por Luanda, em circunstâncias diversas, com alguns cúmplices mais, como o Lopito Feijó se deve lembrar.
O David perguntava-me, segurando, por exemplo, a "Poesia Toda", um calhamaço de respeito, de Herberto Hélder: "
Que julgas tu que se faz para conseguir uma coisa destas. Estes gajos, impõem-se a si próprios uma disciplina de sentar à secretária para escrever durante aquelas xis horas todos os dias. E dali não levantam, sem que saia aquele mínimo". Havia aqui uma ponta do génio de "enfant terrible" que David cultivava, ao mesmo tempo que assumia o tom de responsabilidade profissional com que, alta madrugada, discutíamos apaixonadamente a incontornável beleza da mulher e a arte que nos consumia.

09 junho 2007

NL 10, Pululu 3

Um leitor precedente do Brasil, daqueles que acham que não tenho uma anedótica brasilfobia, enviou-me um e-mail onde me relembrava que se o Notícias Lusófonas fazia 10 anos o Pululu já tinha, no passado mês de Maio, entrado no seu 4º ano.
Caro leitor, por vezes estamos tão embrenhados naquilo que fazemos que acabamos por nos esquecer de nós mesmos.
Obrigado pela lembrança e por ser um dos 3970 visitantes do mês passado (números oficiais, embora um pouco inferiores à realidade, por ter ocorrido um problema no servidor que aloja o contador “Netcode” e que parou a contagem num determinado dia); o maior nº de visitas até agora, com uma média superior a 120 visitas/dia.
Já o “Extreme Tracking”, um outro contador, informa que desde finais de Janeiro de 2006, o Pululu teve uma média mensal de “visitas únicas” de 2625 visitantes, ou seja, 93 visitas/dia. O Extreme só evidencia, embora também contabilize as repetidas, as visitas únicas.
O mês de Junho mostra que a média mantém-se.
Em qualquer dos casos, o meu obrigado pelas vossas visitas e paciência.

08 junho 2007

Mugabe em maus lençóis

(cartune retirado daqui)
Há dias um grupo de intelectuais – daqueles que só gostam de dizer mal ou nada têm que fazer – veio a terreiro colocar em causa a democraticidade do grande timoneiro zimbabueano, o senhor Robert Mugabe.
Acusam o senhor Mugabe de ditador – inadmissível!!! – e avisam que pode ser julgado no Tribunal Internacional de Haia, por crimes contra a Humanidade, como um tal Charles Taylor – um certo ex-presidente da Libéria que só queria defender o seu lugar, desculpem, o seu país, através de assassinatos, escravizando, mutilando, impondo sevícias sexuais e, principalmente, utilizando crianças armadas para a prossecução dos seus intentos.
Inaudito!!
Então agora não uma qualquer “obscura” universidade escocesa, de Edimburg – subserviência ao colonialista inglês – decidiu que deverá retirar o grau de Doutor “Honoris Causa” ao senhor Mugabe sob um pretexto igualmente obscuro e longínquo.
Então a citada Universidade não acusa o grande timoneiro Mugabe de ter praticado uma chacina tribal logo que ascendeu ao poder.
Incompreensível!
O grande timoneiro zimbabueano não é nada disto.
Só mandou limpar uma zona de Harare onde estavam indigentes que descaracterizavam as vistas turísticas; mandou uns quantos brancos – e não-brancos, também – pastar para outras fazendas e entregando estas ao povo zimbabueano que, por acaso, só eram quase todos, para não afirmar, todos, membros e veteranos do seu partido que terão lutado(?) contra o regime de Smith.
E talvez isto tudo porque o senhor Mugabe, na alta defesa dos interesses do seu País decidiu obrigar as “companhias imperialistas” entregarem a maioria do capital a zimbabueanos, não a uns quaisquer mas a zimbabueano negros.
Qualquer dia ainda lhe chamam, também, racista.
Um incompreendido…
Só porque o Zimbabué está com uma inflação de 3700%, a capacidade produtiva regrediu mais de 50% e passou de produtor e exportador de produtos agrícolas para um carente importador.
Realmente, há pessoas que são inexplicáveis.
Mas mais inexplicável será haver quem o continue a suportar como se fosse um potentado!
Senhores dirigentes da SADC, apesar do país não dever ser excluído da Cimeira UE-África, tenham dó do Continente e, ou, acima de tudo, do povo Zimbabueano! Não façam nada que perpetue a manutenção no poder de Mugabe!