29 novembro 2007

Do que será que Ramos-Horta receia?

(os acordos são para se cumprir mesmo que não se goste...)
Juiz português destacado em Timor-Leste, ao abrigo dos protocolos celebrados entre a ONU e este país lusófono do Indopacífico, quer fazer cumprir a Justiça mandando deter, por todos os meios, tal como já tinha sido determinado por tribunais timorenses, o “rebelde” major Alfredo Reinado, considerado por muitos como o principal rosto da crise de 2006.
Por sua vez, o presidente Ramos-Horta determinou à Força de Estabilização Internacional que não cumpra as ordens do juiz que mostrou uma "atitude arrogante e Colonial deste magistrado revela, afinal, ignorância sobre a realidade histórica, política e social da comunidade em que a ordem jurídica, que deve servir, opera e produz efeitos"; ou seja, embora Ramos-Horta acuse o juiz de se intrometer em assuntos de Estado(?) foi o presidente que se intrometeu em esferas da competência exclusiva da Justiça. Às críticas do juiz que considerou a atitude de Ramos-Horta como “uma manifesta interferência no poder judicial por parte de outro órgão de soberania” respondeu este que o juiz "abusou da sua função” e “intrometeu-se noutras esferas do poder”, assumindo uma postura que prejudica “a construção do sistema judiciário em Timor-Leste" (sobre esta matéria ver aqui e aqui).
Do que será que Ramos-Horta receia, quando Timor-Leste celebra mais um aniversário da sua independência?

TAAG mais 4 meses a penar

(DDR)
A União Europeia, apesar de reconhecer que da parte das autoridades angolanas há um esforço para melhora a segurança aérea da sua companhia de bandeira, vai manter a TAAG fora dos céus eurocratas por mais 4 meses.
Se a própria IATA já questionou a TAAG como podemos nós levar a mal as restrições da EU?
Mas, já agora, e esperando que sua Excelência o senhor Presidente da República, Engº José Eduardo dos Santos, naturalmente e para evitar gastos desnecessários ao depauperado erário público – já que embora Angola tenham milhões de milhões, que uns quantos usufruem de milhões, os nossos milhões de concidadãos só têm, e quando têm, uma pequena malga de milho e mandioca e “peixe podre” para (sobre)viver – só voe na nossa companhia de bandeira, a TAAG, como poderá estar presente na Cimeira de Lisboa? Ou será que não?
E se o fizer, como naturalmente se espera ao primeiro defensor das coisas angolanas, será que Luís Amado, tal como já fez com Mugabe, convida o presidente angolano mas espera que ele não vá à Cimeira? não vá algum “Boeing” – como não temos, segundo parece para a UE, aviões da “Airbus” o que não é verdade, – cair em cima da notáveis cabeças dos líderes eurocratas que vão “oferecer” a sua “ajuda” a África…

28 novembro 2007

HCB será que mudou mesmo alguma coisa?

E aqui estão algumas das respostas às questões anteriormente apresentadas sobre a passagem do testemunho da HCB de Portugal para Moçambique:

"«Ela é mesmo nossa!»
Foi assim em Songo que Guebuza lembrou aos moçambicanos que a gestão da Barragem de Cahora Bassa passou, maioritariamente – 85% do capital social –, para as mãos de Moçambique (os restantes 15% continuarão nas mãos de Portugal, até ver; perante a falta de visão estratégica portuguesa e a necessidade mercantilista de diminuir a qualquer preço o seu défice não surpreenderia que Portugal vendesse essa parte a quem lhe der alguns Euros…).
Foi assim que Guebuza afirmou que Moçambique estava a sair, pela segunda vez, do jugo estrangeiro no País.
Guebuza quer para si um louro que pertence, por inteiro, a Joaquim Chissano. A passagem da gestão de Cahora Bassa para Moçambique!Mas Guebuza não esclareceu como pensa manter a gestão da Barragem que, como muito bem relembrou Afonso Dhlakama se Moçambique recebeu política e fisicamente a Barragem, contabilisticamente ela continuará em mãos não-nacionais. (...)
" (continuar a ler aqui).
Publicado n', edição 111, de 29-Novembro de 2007, sob o título " Política e fisicamente a HCB é nossa, contabilisticamente ela continuará em mãos não-nacionais"

Que trará a Cimeira UE-África?

"Aproxima-se a já demasiada celebrada e cada vez mais descredibilizada a II reunião magna entre a União Europeia e os líderes africanos.
Uma reunião que começou por pecar pelo assinalável atraso de vários anos devido às mesmas razões que a actual ainda está em dúvida se se irá realizar: a presença de Mugabe na Cimeira.
Depois porque a Europa não se entende quanto ao conteúdo e forma como se irá realizar a dita Cimeira.
Para uns, os Direitos Humanos e o fim das ditaduras e autocracias no velho-novo Continente deve acabar sob pena de se continuar a ver o povo africano em completa e irreversível degradação política, económica e social.
Entre os defensores desta política de choque está o Reino Unido que já agrupou, ou parece estar em vias de o fazer, países reconhecidos pelos elevados Direitos sociais, como são os Escandinavos e os holandeses.
Outros preferem que se centralize a Cimeira em questões como imigração e a política de desenvolvimento esquecendo-se de tudo o resto que possa provocar entraves no “sínodo”.
São defensores desta via os líderes da Alemanha, a senhora Angela Merkel, e Nicolas Sarkozy, presidente da França.
Portugal, o país organizador, prefere continuar a sua política de “não me comprometam” ou como há tempos aqui escrevi, continua a manter a velha política salazarista de “neutralidade colaborante”. Ou seja, apesar do responsável português da pasta dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, afirmar e reconhecer que o continente africano comporta vários “países e regiões problemáticas, onde se verificam situações muito críticas, designadamente de violações dos Direitos Humanos e das regras democráticas” estes factos não podem ser impeditivos “do diálogo e do desenvolvimento das relações estratégicas de longo prazo entre a UE e o continente”.
Se isto é o que congeminam os eurocratas o que pensam, realmente, os outros parceiros da Cimeira, os Africanos? (...)
" (continuar a ler aqui)
Publicado no , nº 141, de 24 de Novembro de 2007 e citado no , na rubrica "Hoje Convidamos..."

27 novembro 2007

A Barragem “é já mesmo nossa”!!!

Assim o reafirmou, hoje, Armando Gebuza que acrescentou ser esta a segunda independência.
Será que sim como muito bem recordou Afonso Dhlakama?
Quem realmente gere o sector financeiro da Barragem? Quem deve milhões pela energia fornecida e é bem recebido em Moçambique? Quem determina, quando isso não deveria acontecer, o preço pelo fornecimento da energia? Principalmente porque depende e muito dessa energia para manter o seu estatuto político e militar na região?
E quem irá, de facto, ficar com grande parte dos 85% que passaram para as mãos de Moçambique?
E a quem se deve realmente o início das negociações que permitiram aos moçambicanos receber de volta a sua Barragem, embora haja quem esteja de bicos-de-pés a cantar salvas?
Algumas destas questões vão ser esclarecidas num artigo a publicar n’O Observador da próxima 5ª feira. Outras, deixo à vossa consideração e interpretação…

24 novembro 2007

Exército privado ou pretensa desestabilização?

(não confundir; estas são mesmo as FAA em parada)

Não sei se a notícia que a seguir analisarei, ou disso, tentá-lo-ei, é deste fim-de-semana ou do outro.
Eu explico. O fim-de-semana passado estive fora destas lides e destes magníficos suportes a que se chama “novas tecnologias”. De imprensa só a escrita e, mesmo essa, nem toda.
Durante a semana estive em diferentes Conferências e Seminários que me tolhiam o acesso às informações menos imediatas. Por esse facto só hoje, e com calma pude constatar a notícia que não posso garantir ser recente dado que o portal de onde ela foi respigada, por vezes, está uma semana sem actualizações.
Verifiquei que em outros portais angolanos e lusófonos e nada foi escrito ou dito. Daí que a confirmar-se o destaque do “Angolense” foi aquilo que os jornalista chama de “cacha” ou, então, é terreno tão pantanoso que o medo imperará muito mais fortemente que o interesse da notícia.
A citada notícia saída da pena da editora-chefe Suzana Mendes, sob o título “
Força marginal desmantelada em Luanda pode ter 3.000 homens registados” e o sub-título “O comandante das forças tinha planos para executar um golpe de Estado” aborda um pretenso grupo paramilitar privado ilegal denominado Forças Armadas de Segurança Estratégica de Defesa de Angola (FASEDA), liderado por um antigo “militar do extinto ELNA (Forças Armadas da FNLA) e das Forças Populares de Libertação de Angola (FAPLA)”. Segundo afirma o Angolense terá sido um “trabalho aturado do departamento de investigação criminal da Polícia Nacional (PN) levou ao desmantelamento dos cabecilhas de um exército paralelo” e à detenção de cerca de 60 indivíduos dos tais pretensamente 3000 operacionais que o líder da tal Faseda teria disponível desde 2002 para levar a efeito eventuais desmandos, nomeadamente um possível Golpe de Estado que, para o qual, contaria com a colaboração e apoio de eventuais países vizinhos.
De acordo com o Angolense entre os tais pretensos vizinhos fala-se da África do Sul – também se falava dela no caso Miala – mas penso que a confirmar-se esse pretenso apoio não se deverá descartar uma R.D.Congo que tem mantido, ultimamente, algum resfriado nas relações com Luanda – sabe-se lá porquê?...
Por outro lado a PN tem mantido um certo segredo no assunto e nas investigações iniciadas em 9 de Setembro devido a uma detenção feita junto de um “
cidadão com uniforme das Forças Armadas Angolanas, que estava mal uniformizado, algo que é punido no quadro do regimento interno” e que quando “foi abordado, apresentou como identificação um cartão” da tal força paramilitar; os homens da PN estão a ser “muito cautelosos na divulgação de dados para não "espantar a caça"”.
É que de acordo com a articulista, e citando fontes da PN, o objectivo da organização paramilitar seria chegar aos “
9.000 homens”, tendo sido apreendidos “diverso material bélico como 7 armas de fogo (3 AKM), 3 carregadores, 36 munições diversas, assim como dois computadores, 2 impressoras, vários pares de uniformes em uso nas Forças Armadas Angolanas, para além de passes de identificação.
Claramente um exército privado bem estruturado como se pode ler no referido artigo. Um exército com patentes militares como as das FAA, mas onde a patente mais baixa era de capitão, e com conselheiros importantes e com “
ainda manuais de instrução e de propaganda” presumindo-se que possa haver campos de treino já que, periodicamente, a força paramilitar realizava “paradas regulares, tinha um regulamento interno e uma estrutura hierárquica clara (com generais, brigadeiros e coronéis, por exemplo), à semelhança do que acontece num exército regular”.
O espantoso foi como o assunto foi finalmente despoletado ao fim de dois meses de investigações. Conseguiram-no devido a uma avaria do automóvel do pretenso líder em plena estrada entre Viana e Luanda e quando se preparavam para o deter em casa…
É certo que esta pretensa Faseda já seria conhecida de outras andanças pelo facto do seu líder parece ter estado ligado ao batalhão Búfalo e ter mantido reuniões com antigos comandos portugueses. Por isso se estranha só agora estar tão evidenciada a notícia que, ainda assim, não deixa de ser alarmante pelos contornos que evidencia.
Esperemos que o assunto vá até às últimas consequências e não seja um motivo para adiar as eleições legislativas – ainda não oficialmente marcadas, em Angola, como deverá ser e não no estrangeiro – e quando já se fala em eleições autárquicas.

NOTA: Texto igualmente publicado n', edição 109, de 27 de Novembro, sob o título "A existência de exércitos privados poderá ser pretexto para adiar as eleições angolanas"

TAAG está amargurada com a UE

"A TAAG, muito legitimamente, que esperava que a União Europeia (UE) levantasse o embargo à circulação e estacionamento das suas aeronaves nos céus e placas europeias viu essa pretensão desfeita.

Relembremos que foram franceses que detectaram falhas em aviões comprados à Boeing – por acaso os franceses são dos principais sócios da europeia Airbus – em Novembro do ano passado – aviões novos com falhas? – e que levaram a TAAG a ser incluída na "lista negra" de companhias interditas de voar para a Europa.

Por acaso os mesmos franceses que acusavam Angola de estar "metida" no "Angolagate" mas que devido à prevista visita do senhor Sarkosy, presidente da França, a Luanda na próxima semana já afirmaram que nenhum dirigente ou líder angolano está indiciado no referido processo judicial. (...)" (pode continuar a ler aqui)
Publicado no /Colunistas de hoje sob o título acima.

O novo “lord” da Oceania…

(Howard procurava “espantar” o “tintin” Rudd mas os fósforos queimaram-se-lhe na mão…; cartoon ©daqui)

Austrália, ao fim de 11 anos de reinado, mudou de líder governativo.
Ao velho lobo liberal e “xerife-adjunto” Jonh Howard, que gostava – embora não o dissesse publicamente – de se assumir como o dono dos destinos da região, em geral, e de Timor-Leste, em particular, sucede o trabalhista Kevin Rudd.
Para que a humilhação de Howard fosse completa, o “destituído” líder perdeu um seu velho assento de 33 anos ao não ser reeleito para o Parlamento.
Vejamos como se comportará o novo líder regional sendo que Rudd que já pediu aos seus concidadãos que ajudem-no a escrever uma nova página para a Austrália e para a história do País.
Como à história australiana não se pode dissociar a história da Oceania e do Sul-Sudoeste asiático…
Entre algumas das primeiras medidas apontadas pelo novo "premier" australiano apontam-se a retirada das forças australianas do Iraque e a ratificação do protocolo de Kyoto. Quanto ao resto ainda há um vazio…

23 novembro 2007

Cabinda - É hora da Presidência da República colocar um ponto final aos desmandos

"É ponto assente e disso faço questão de reafirmar. Tal como aceito aqueles que defendem o contrário.
Ou seja, para mim, Cabinda é uma província angolana, embora pela sua especificidade territorial mereça ter um estatuto especial como prevêem os diferentes acordos até agora assinados.
Isto na livre suposição que quando duas entidades assinam documentos de livre vontade sejam “acordos” e não documentos imposto. Eu, pelo menos, quero acreditar que tem sido assim.Mas quando acontecem casos como o de Raul Danda, ou, mais recentemente, a prisão do correspondente da Voz da América, em Cabinda, sob a estapafúrdia acusação de fomentar uma rebelião no Enclave, então a situação do país fica em xeque. (...)" (pode continuar a ler aqui)
Publicado n', edição 106, de 22-Novembro, sob o título acima.

NOTA: Este texto foi elaborado na altura em que escrevi o apontamento "Cabinda é Angola, mas..." e por razões de edição só agora foi publicado.
Entretanto saúde-se o excelente Seminário que hoje decorreu na Sociedade de Geografia de Lisboa sobre Cabinda, "Cabinda, os caminhos para a Paz", levado a efeito pela Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda que contou com a presença de oradores tão ilustres quanto política e sociologicamente diferenciados mas imbuídos na análise social de um problema que se chama Cabinda, destacando-se, entre outros, a presença de Alcides Sakala (líder parlamentar da Unita), Justino Pinto de Andrade (professor universitário e actualmente um militante do MPLA na reforma política), Joel Batila (médico cabinda e líder de uma associação de refugiados), Luís Araújo (da SOS Habitat), Filomeno Vieira Lopes (presidente da Frente para a Democracia), o padre e professor Raul Tati e Eduardo Welsh (representante da UNPO).

No Senegal, Governo 0 – Economia Informal e outras indecisões 1

(O maior mercado de comércio informal de África: Roque Santeiro, Luanda)

Algo parece não ir bem com o Governo de Abdoulaye Wade que não consegue manter as suas decisões.
A última aconteceu hoje quando, depois de dois dias de fortes protestos em Dakar, o governo decidiu retirar a proibição da venda de comércio ambulante, que provocavam inúmeros engarrafamentos e ocupavam ilegalmente os passeios e ruas da capital.
Mas se esta foi esta a última reviravolta do governo senegalês mais já houveram entretanto.
No início do mês de Novembro, o governo tinha anunciado uma redução entre 1% e 30% nos salários dos funcionários, como medida de solidariedade para os mais desfavorecidos que, devido à subida do preço do petróleo, viam os custos dos produtos de primeira necessidade e dos serviços sociais aumentarem exponencialmente. O governo, depois dos inúmeros protestos, recuou na medida.
Por outro lado, depois de ter anunciado a saída, em Março de 2008, da Agência para a Segurança da Navegação Aérea em África (ASECNA), ligada à UEMOA e cuja sede é precisamente em Dakar, voltou atrás com a sua decisão.
A oposição, discretamente, vai se regozijando com estas indecisões…

21 novembro 2007

Nyimpine versus Cardoso

A Dra. Suzete Madeira oferece-nos, a partir de Maputo, uma outra perspectiva do passamento de Nyimpine Chissano, uma perspectiva mais humana face aos parentes, em véspera da recordação do 7º aniversário do assassinato do jornalista moçambicano Carlos Cardoso, que Orlando Castro relembra citando Mia Couto.

Circularam quer pela Mcel quer pela Vodacom, provedoras de telefonia móvel em Moçambique, as mais caricatas mensagens sobre a morte de Nhiympine Chissano.
Antes de tecer qualquer comentário, quero de uma forma muito especial , deixar aqui os meus mais sentidos pêsames a mãe do malogrado. Paciência Mama Marcelina, ser mãe é isso mesmo.
Quando na manhã do dia 19/11/2007 ás 7h37, (visto ter sido por sms) recebi a notícia da morte do Nhiypine Chissano, a minha primeira reacção foi: Meu Deus, como estarão os pais...
A minha tristeza, o meu lamento foi para os pais, não me ocorreu sequer pensar nos seus filhos menores, nem na sua esposa que até conheço.
Mas a mãe e o pai.
Que Dor....
Contrariamente ao crime que vitimou Carlos Cardoso naquela fatídica 5ª feira mostrado quase que em directo pela TV de Moçambique, exasperou-me, revoltou-me, entristeceu-me, gritei, chorei, gritei, esmoreci o resto da noite, do dia seguinte e do seguinte e do seguinte dia.
Por incrível que possa parecer não é possível falar da morte de Nhiympine Chissano sem falar do crime que vitimou Carlos Cardoso.
O Ex. marido da Zé.
O revolucionário.
O combatente pela causa dos oprimidos
O lutador, lembro-me que ele abraçou a nossa causa e durante vários dias artigos por si assinados enchiam o notícia questionando as condições precárias em que trabalhávamos.
Ele conhecia bem, afina a Zé era sua amada.
Era o nosso herói rebelde.
Conversador, incidio e intuitivo era uma graça tê-lo como passageiro.
Perdoem –me mas Eu, nunca acreditei que Nhiympine tivesse alguma coisa haver com a sua morte.

SM

Castigo de Deus ou Vingança?

(Carlos Cardoso; imagem BBC)
O artigo que se segue, publicado hoje n' O Observador, relembra o 7º aniversário da morte do jornalista Carlos Cardoso, que se recorda em 22 de Novembro, em contraponto ao triste passamento de Nyimpine Chissano que, como muito bem relembrou e destacou o Director-Executivo d' O Observador, ficou agora privado de poder provar a sua inocência na morte de Carlos Cardoso.
Tal como em Portugal, a antiga potência colonial, a ex-colónia aprendeu um mau hábito; deixar a Justiça correr por tempo indeterminado ao ponto de, por vezes e por via do Destino, não haver quem faça a Justiça ou o arguido não poder fazer prova de auto-inocência.
O caso paralelo de Nyimpine, que decorria nos Tribunais, já se arrastava há uns bons anos e, com isso,...

"Nyimpine jamais poderá provar a sua inocência no execrável acto de cobardia que foi o assassinato de CC
Há cerca de 7 anos uma figura incómoda por aquilo que dizia e escrevia foi barbaramente silenciada. Sete anos depois ainda perduram dúvidas quanto aos reais motivos por que Carlos Cardoso foi assassinado e quem, realmente, esteve por detrás do terrível e inaudito acontecimento.
Nestes sete anos, onde o jornalismo moçambicano floresceu, aconteceram diversos acontecimentos. Entre eles o julgamento dos supostos assassinos – pelo menos foi provado em tribunal os actos perpetrados – mas nunca o que, realmente, esteve por detrás do acto.
Relembremos que durante o julgamento os confessos assassinos – pagantes e executores – terão afirmado que o mandante efectivo teria sido uma personalidade próxima do poder, embora desde sempre se tenha pautado pró estar fora do mundo da política e dos holofotes do mundanismo mas reconhecido por maus-fígados no que toca a relações com a comunicação social a quem, não poças vezes, terá acusado de fazer mal a si e á sua família. Segundo os arguidos o tal mandante terá pago cerca de um milhão de meticais para que o arguido “pagante” Momed Abdul Satar «Nini» entregasse ao principal suspeito do assassínio, o “executor” Aníbal dos Santos Júnior «Anibalzinho» para a realização do acto.
Quando perfazem quase sete anos do assassinato de Carlos Cardoso, o sempre referenciado mandante que também sempre se escusou, com clareza, rejeitar a autoria intelectual do acto, morre vítima de ataque cardíaco na República da África do Sul. (...)
" (continuar a ler aqui)

Publicado n', edição 105 de hoje, sob o título "Castigo de Deus ou a vingança do fantasma de Carlos Cardoso".

20 novembro 2007

Conferência sobre Angola no ISCTE

Interessante, parece ser o que, no mínimo, se poderá dizer da Conferência sobre Angola que hoje se iniciou no ISCTE, em Lisboa, e que irá se prolongar até ao próximo dia 22 de Novembro.
A Conferência, subordinada ao tema “Angola 2007: Que Recomposições e Reorientações”, teve a chancela do Centro de Estudos Africanos (CEA) daquela universidade portuguesa e a colaboração próxima do entro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC-UCA) e conta com além da presença de individualidades académicas e investigadores do CEA e do CEIC com investigadores da universidade Agostinho Neto do Lubango e de Luanda, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais, de Luanda, da sueca Göteborgs Universitet, da novaiorquina Columbia University, da londrina School of Oriental and African Studies University, entre outras.
A primeira parte foi um bom exemplo daquilo que se espera dos três dias da Conferência. Veremos como irá decorrer o resto da mesma, nomeadamente os painéis sobre a “economia”, hoje à tarde, a que se juntará a apresentação do livro de Carlos Lopes, “Roque Santeiro: a ficção e realidade” já apresentado na passada quarta-feira na Casa de Angola, em Lisboa com retransmissão na RDP-África, os “sociais” – uma das quais, por razões de programação, já foi apresentada hoje –, amanhã, e os “políticos”, no último dia.

19 novembro 2007

Uma ideia inteligente, só pecando por tardia e por…

Às vezes parece que os políticos europeus, nomeadamente aos eurocratas, acordam e, nessa altura, aparece-lhes uma luzinha que lhes dá alguma inteligência.
Só que já muitos de nós que andamos pela blogosfera tínhamos preconizado atitudes semelhantes.
Apesar disso, acredito que não houve plágio e foi uma “lembradura” que lhes ocorreu no imediato.
Será melhor sintetizar. Os Ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 países que formam a União Europeia, decidiram hoje que na próxima Cimeira UE-África, deverão confrontar o presidente do Zimbabué, senhor Robert Mugabe, com a falta de democracia e desrespeito pelos direitos humanos no país quando se deslocar a Lisboa para assistir à referida Cimeira.
Pelos vistos os ensinamentos da Cimeira Ibero-americana foi produtiva ao ponto de alguns dos que já estavam a ponderar não vir a Lisboa, em solidariedade com o Reino Unido e com os Direitos Humanos já começarem a falar de outra forma.
Ainda vou ver o senhor Brown ser mandado calar por Mugabe. Vale uma aposta?
De qualquer forma uma ideia que só peca por tardia e por não ser original…

Uns falam, outros trabalham

Enquanto uns apregoam a justeza da harmonização social e o fim da exclusão social mas com resultados pouco ou nada credíveis, principalmente junto da população migrante, o “Espaço T” anda às voltas com a recuperação de um espaço físico para ajudar a combater essa exclusão social que deveria estar mais na dependência do Estado e dos organismo oficiais que dos privados.
Valha-nos, ao menos, alguns quantos indivíduos que, tendo por base e através da arte, se juntam para dar mais qualidade de vida aos excluídos e àqueles que dependem de terceiros para ver.

Morreu o empresário moçambicano Nympine Chissano


Depois de uma eventual noite de divertimento, com amigos, apareceu morto em sua casa – de acordo com certas fontes, em Maputo, enquanto outros, na República da África do Sul –, segundo parece vítima de ataque cardíaco, o filho mais velho de Joaquim Chissano.
Nympine estava a ser investigado, em processo separado, sobre a morte do jornalista Carlos Cardoso, cujo 7º aniversário do seu assassinato, por acaso, se relembra no próximo dia 22 de Novembro.
Os confessos assassinos tinham indicado Nympine como o mandante intelectual do execrável acontecimento, embora aquele, desde sempre, o tenha desmentido pelo que aguardava o desenrolar das investigações.
À família enlutada, os meus respeitosos pêsames.

Cabinda é Angola, mas…

(Angola, de Cabinda ao Cunene, de Luanda ao Luau)

… com factos como estes qualquer dia ainda vou ser obrigado a ver uma nova bandeira e um novo País na CPLP.
Parece-me altura da Presidência pôr um ponto final em situações como as que aconteceram recentemente com o correspondente da Voz da América, a trabalhar no Enclave, como se escreve a Lusa.
E nas condições em que o mesmo aconteceu…
Porque a continuar a darmos tantos tiros nos pés rapidamente passaremos da simpatia internacional à antipatia contra Angola que poderão pôr em causa a intangibilidade das nossas fronteiras.
Nem o petróleo não é inesgotável, nem os carros ou a electricidade urbana continuarão a depender do crude, nem a paciência humana ou política é constante e imutável.

16 novembro 2007

Amigos, amigos, língua à parte... ou como nem sempre a língua portuguesa é bem defendida

(Assim, como pode ele ver o interesse da língua… Foto dalgures)

"Para muitos foi um escândalo. Tê-lo-á sido? Eu explico. O senhor George W. Bush, presidente – ainda!! – dos EUA vetou uma proposta do Congresso, apresentada pelos democratas porque entre outros itens havia um que previa a criação de um museu-prisão (ou vice-versa), de uma escola de “bem navegar a todo o oceano” num catamaran e… a aprendizagem do português como segunda língua, nas escolas públicas.
O veto, segundo o ainda presidente, deveu-se ao facto destas propostas serem pouco exequíveis e pouco interessantes e serem também “projectos esbanjadores”.
Abespinharam-se os defensores, naturalmente, do português como língua falada por mais de 200 milhões de pessoas, nomeadamente nos órgãos de comunicação social portugueses (do Brasil ou dos outros países lusófonos nada ainda me apercebi) porque o português é só a 5ª língua mais falada do Mundo.
Por acaso os chineses que já a tornaram – ou estão em vias disso – obrigatória nas escolas públicas, consideram que o português dentro de poucos anos – talvez dentro de 15 a 25 anos – será uma das 3 mais faladas do Mundo.
Então é assim, senhor Bush, que se trata os amigos? Aqueles que estão sempre dispostos a abrirem-se para que tudo o que V. Exa. e seu séquito pedem – leia-se, exigem, – seja satisfeito. Onde está o “meu amigo José” dos Açores?
Mas… pensando bem…" (continuar a ler aqui ou que aqui foi publicado)
Publicado no /Colunistas, de hoje, com o título "Amigos, amigos, língua à parte"

15 novembro 2007

Ora danço eu, ora viras-te tu…

… e o poder em São Tomé e Príncipe, apesar da boa vontade e confiança do presidente Fradique de Menezes, parece que não se consolida.
Há dias foi a segunda “revolta” dos “ninjas” a pedirem os pagamentos de subsídios para os quais que parece nunca ter havido uma real promessa dos formadores – por acaso não santomenses – mas que o presidente do Parlamento santomense propôs analisar e pagar caso fossem devidos e na véspera de ser cumprida a promessa alguns provocaram um certo distúrbio com intervenções do Exército e o lamento de uma morte, de uma polícia PIR, vulgo “ninja”, que segundo certas notícias estaria desarmada e à civil.
Depois foi um sociólogo que avisou que o petróleo – ou o que se acha que vai descobrir – está a ser uma maldição para o povo santomense e estudos académicos a reconhecerem que o ouro negro trouxe mais corrupção ao país – também com quem os santomenses exploram o petróleo foi, em tempos, considerado como o país mais corrupto de África e também a quem pediram ajuda para combater a corrupção...
Agora fala-se em remodelação governamental sem se saber bem sobre quem sairá do actual Governo de Tomé Vera Cruz, embora se saiba “quem não querem quem”.
Mas há uma pessoa que não deve sair, de certeza.
Aquela que se dá ao luxo de denunciar deputados em pleno Parlamento de deterem armas em sua posse em vez de dar essa informação ao primeiro responsável pela defesa e segurança do povo santomense, o Procurador-Geral da República, ou de denunciar via comunicação social que os “ninjas” queriam matar altos dirigentes nacionais.
E não vejo que tal personalidade tenha sido alguma vez admoestada, pelo menos nunca soou nada publicamente, nem pelo Chefe do Governo nem pelo Presidente, tal como não o parece ter sido depois do fracasso que foi na primeira vez em que esteve a mediar(?) o conflito, como comprovam as suas palavras citadas no Jornal de Angola e no Notícias Lusófonas
Porque será?
E enquanto alguns medos estiverem presentes a eestabilidade governamental será sempre uma miragem.

Lembram-se de Darfur?

(Infelizmente o acusador olhar destas crianças e jovens
não chegam aos (ir)responsáveis)

… Não se preocupem!
Há mais e com mais responsabilidades que também não se lembram!!!!!
Segundo a ONU, por uma eventual falta de helicópteros (?!?!?!?!) a missão de Paz em Darfur, que deveria ser levada a efeito pela solução híbrida da ONU/União Africana, a gosto dos sudaneses e dos seus mais importantes aliados, poderá estar comprometida – leia-se, está em perigo.

14 novembro 2007

"O Observador", e venham mais 100

"Desde que o Homem aprendeu a se conhecer que houveram factos que o caracterizaram. À partida, e desde logo, a capacidade de se tornar interlocutor e comunicar entre si.
Mas outros, não menos importantes, igualmente acontecerem.
Um, e talvez dos primeiros, terá sido o descobrimento do efeito do fogo que tanto o protegia do frio como lhe permitia melhor saborear a comida.
O outro poderá ter sido o descobrimento da roda que lhe permitia mover objectos volumosos e pesados entre dois ou mais pontos e fazer trocas entre si.
Um outro, e este talvez derivado do anterior, foi ter conseguido ser comerciante e por via disso inventar um sistema interessante. Hoje em dia ser comerciante exige alguns determinados requisitos como, por exemplo, falar, escrever e apontar. Ora o comerciante dos primórdios do Homem já se comunicava mas não necessitava de escrever. Isso só iria ser necessário descobrir largos anos depois quando alguns decidiram que a transmissão oral da História cansava e tolhia a sua capacidade para outros fins, como a caça, a guerra ou o divertimento – cada um diverte-se como sabe.
Pois o que o Homem descobriu foi o número!" (continuar a ler aqui o que aqui está citado)
Publicado na edição 100 d', de 14 de Novembro de 2007, sob o título "Que venham mais 100 Obs"

Parabéns Benguela

(emblema e campo de jogos – foto base de ©c.pires)

A província de Benguela e a cidade das acácias estão de parabéns após a brilhante vitória dos “proletários” do Estrela Clube 1º de Maio, na final da Taça de Angola - a sua terceira Taça -, depois de baterem o “repetido” finalista – também o foi no ano passado e também nessa altura baqueou o que parece demonstrar não ter capacidade para superar os grandes momentos – Benfica de Luanda por 2-1, após prolongamento. De realçar que ao intervalo o “meu” Benfica vencia por 1-0 (note-se que o 1. de Maio foi também "Benfica de Benguela").
A final aconteceu, como é hábito, no Dia da Dipanda.
Por esta vitória, o 1º de Maio vai estar na Taça CAF do próximo ano.

11 novembro 2007

E lá vão 32 anos


Há 32 anos, Angola, numa difícil noite de 11 de Novembro de 1975, ascendia à sua independência como Estado e como uma República embora politica e militarmente dividida mas unida na mesma génese: a Liberdade.
Comemoremos pois mais um dia da Dipanda e esperemos que os nossos políticos meditem sobre o dia de hoje e se lembrem que os Angolanos só pensam numa única cláusula, por sinal a maior delas todas, como pessoas, como cidadãos e como Mulheres e Homens: ANGOLA.
É preciso que se realize duas das estrofes do Hino de Angola: "Honramos o passado e a nossa História, / Construindo no Trabalho o Homem novo" para que se cumpre "Pátria Unida, Liberdade, / Um só povo, uma só Nação".

ADENDA: No âmbito dos 32 anos da Dipanda ver artigo no /“Colunistas”, sob este mesmo título, e n’ sob o título “Angola (ainda) não honra o seu passado nem a sua História” que pode aceder através daqui.

09 novembro 2007

São graves as acusações…

Depois de alguns quantos partidos da oposição terem condenado a "forma pouco hábil e desastrosa" como o Governo lidou com a rebelião de elementos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), vulgo “ninjas”, e exigirem que as autoridades judiciais apurem responsabilidades, o Ministro da Defesa e Ordem Interna da São Tomé e Príncipe, Óscar Sousa, proferiu, no Parlamento santomense, segundo a RTP-África, graves, muito graves, acusações contra os “ninjas” e, por extensão, a terceiros que estariam a colaborar ou obter dividendos das eventuais dúbias actividades de elementos da PIR.
Embora sem citar nomes chegou a deixar no ar a acusação de saber que alguns deputados teriam, eventualmente, armas de calibre de guerra, em casa.
Acusações muito graves que o Procurador-Geral da República deve investigar e tomar as providências mais adequadas.

Graça Campos sai da prisão, mas…

(foto daqui)
O Tribunal Supremo de Justiça angolano (TS) mostra, ou tenta, dentro do possível, reafirmar que as suas autoridade e liberdade são inquestionáveis ao decidir libertar condicionalmente e até reapreciação final do julgamento de 3 de Outubro, o jornalista Graça Campos, director do Semanário Angolense.
Ou seja, o Tribunal Supremo disse ao juiz que proferiu a sentença inicial, mas que decidiu não aceitar como plausível a manutenção em liberdade do jornalista enquanto decorresse o recurso, que estava errado.
Por outras palavras, há pressões que ainda passam ao lado dos mais velhos…

08 novembro 2007

Na Guiné-Bissau no que toca a dinheiro... venha a Guerra...

(Golfinho em Bijagós; ©foto de JF.Hellio e N. van Ingen – daqui)

"A Guiné-Bissau passa, ou tem passado, por períodos, infelizmente demasiado longos, de falta de dinheiro para cumprir com as suas mais elementares obrigações.
São os professores que reclamam o pagamento de, pelo menos, 3 meses dos seus ordenados; é a função pública a reclamar o mesmo; são os funcionários dos correios a entrarem em greve, por 3 dias, a exigir o
pagamento de salários e subsídios referentes a 12 (doze!!!) meses; são as autoridades que dizem não terem condições para evitar que o país se torne num narco-estado quer por falta de dinheiro no Estado quer por via da corrupção instalada em certos e determinados sectores conforme foi relembrado por Amado de André, da agência da ONU para a Droga e o Crime, numa recente entrevista a um semanário português; o arroz, um dos principais produtos alimentares da dieta Bissau-guineense está apreços exorbitantes com a desculpa que só a Tailândia é que tem capacidade para exportar o produto e fá-lo a preços elevados; etc., etc., etc…
Todavia, parece que para certos produtos e para certas situações haverá dinheiro a rodos. É que não é crível que chineses exportem material bélico só pelos bonitos olhos da população e dos dirigentes Bissau-guineenses.
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado na secção "Colunistas" do , sob o título "Na Guiné não há dinheiro para umas coisas, mas para outras…"

07 novembro 2007

Furto de um Lancia Y10

Nós sabemos que ele é – ainda é – bonito. E então se soubermos que, embora já com 13 anos, ainda não tinha atingido os 65.000 km e respondia como um carro novo, então ainda se torna mais bonito e apetitoso.
Talvez por isso, que alguém – por certo com uma natural inveja – decidiu em finais de Setembro deixar as suas donas apeadas, levando-o sem dar satisfações.
Sabe-se que na mesma noite do furto passou pela A8 e saiu na portagem da Malveira não havendo depois disso mais registos na “Via Verde”.
Assim, se alguém tiver reparado num Lancia Y10, como a imagem, 3ª porta (ou porta traseira) em preto e com a matrícula 69-48-EB, agradece-se que avise a GNR, a Polícia (através do telefone 21POLICIA) ou, caso não deseje incomodar aquelas autoridades, por via do meu e-mail que está ao lado e que farei chegar às naturais destinatárias.
Eu sei que a polícia tudo tem feito, e incansavelmente, para descobrir a viatura furtada.
Mas, caramba, eles são humanos como nós e não têm o poder da ubiquidade. Com tanta Conferência europeia, com tantas viagens de Estado, com tantas visitas ministeriais que obrigam a redobrados esforços policiais – e é Portugal um país de brandos costumes, olha se não fosse… – como podem eles conseguir descobrir um carro tão pequeno?

Dois huílas na Casa de Angola

No próximo sábado, dia 10 de Novembro, e no âmbito dos 32 anos de Angola vão se realizar, na Casa de Angola, dois eventos simultâneos com duas personalidades da Huíla.
O lançamento da obra "Educação: Pilar da soberania, Caminho do Desenvolvimento em Angola" de Jorge Rodrigues Jesus "Caluquembe", e a inauguração da Exposição de pintura "Recordando África" de Toia Neuparth.

Fartar garimpagem

"Por cada 100 dólares doados, 80 retornam ao país doador por via dos vencimentos dos seus técnicos colocados, ao abrigo da cooperação, nos países receptores; ou seja, 80% dos fundos colocados à disposição dos receptores regressam, inteirinho, à procedência.
Isto foi proferido pelo deputado angolano Lopo de Nascimento, antigo primeiro ministro e governador da província da Huíla e por alguns, em tempos, considerado como um dos mais previsíveis delfins de Eduardo dos Santos para concorrer às presidenciais angolanas, na cidade do Porto, onde participou numa conferência "Europa-África: uma estratégia comum?" levada a efeito pela Fundação Portugal-África; uma tese onde mostra o quanto tem de “falso” algumas – e não poucas – doações internacionais.
Relembremos a “oferta” japonesa por troca da liberalização santomense da captura de cetáceos...
Mas Lopo do Nascimento foi mais longe ao afirmar, também, que África está, nesta altura, a ser alvo dos novos garimpeiros, a Índia e a China.
Se antes foram as potências colonizadoras, primeiro, e as duas superpotências (EUA e Rússia), depois, quem exploravam os ricos solos e subsolos e mares africanos, sendo que as primeiras ao abrigo do seu interno desenvolvimento industrial, enquanto as superpotências operavam sob a capa da protecção e internacionalização solidária, agora são os chineses e os indianos os centrais “vorageiros” das fundamentais riquezas africanas. (...)
" (continuar a ler aqui).
Publicado no , edição 137, de 27-Outubro-2007

06 novembro 2007

E o Moçambola-2007 já tem campeão

(Os novos campeões; foto ©Elcalmeida via RTP-África)

O Costa do Sol, quando ainda faltam duas jornadas para o termo do Campeonato de futebol de Moçambique, o "Moçambola-2007", e apesar do empate registado na última jornada, sagrou-se, pela nona vez, campeão de futebol do campeonato máximo moçambicano. Os novos campeões aproveitaram-se do empate registado entre os seus mais directos opositores, o Desportivo de Maputo e o Maxaquene.
Entretanto, o Ferroviário de Pemba garantiu um lugar no próximo Moçambola ao vencer a “poule” Norte da divisão secundária.

05 novembro 2007

Abusos ou inconsciências?

(DDR)
Sob o título acima publiquei na secção “Colunistas” do Notícias Lusófonas um artigo onde alertava para o facto de saber que estavam a ser publicados artigos assinados – e correctamente assinados – por mim sem que dos mesmos houvesse autorização expressa para o fazerem (podem ler o artigo aqui ou aqui).
Entre os visados estava um dos arautos da Liberdade de informação em Angola, o Folha8, dirigida pelo carismático William Tonet, que soube, hoje estar hospitalizado no Brasil e a quem desejo rápidas melhoras.
Fi-lo na consciência que estava a alertar o próprio director das inconveniências em fazê-lo e, segundo o que me diziam de Luanda, sem referência à fonte inicial do mesmo.
Já ontem aqui coloquei um texto sobre a mesma matéria.
Todavia hoje recebi um e-mail de William Tonet que, embora me tenha sido enviado, na prática não me é dirigido mas a uma terceira pessoa onde é claramente nomeada.
Por respeito às duas entidades, o emissor e o visado não publico o citado e-mail.
No entanto há na epístola de Tonet uma frase que me diz respeito pessoalmente a mim e que passo a transcrever com a devida vénia ao emissor e ao visado: “Ademais sobre alguns textos e forma de publicação, recordo-me ter falado quer com o Eugénio, como o Eurico, após a tua permissão e quando fui ao Porto levei-te jornais para veres como estavam a sair os artigos.”
De facto fui contactado por William Tonet, via telemóvel, com quem troquei curtas palavras porque, e como ele o diz, ia para o Porto tendo ficado acordado nessa curta conversa – por sinal encontrava-me na Casa de Angola em despacho – que ir-nos-íamos encontrar dois ou três dias depois, após o seu regresso do Porto, para uma conversa mais alongada e pessoal.
Infelizmente, e segundo soube, os contactos no Porto prolongaram-se por mais tempo que Tonet desejava e quase que saiu directo para o avião que o levou de volta à nossa terra bem amada.
Ou seja, foi esse o único contacto que tivemos. Depois disso nada mais me ocorre!
Reitero o que já escrevi. Quero acreditar que houve alguma deficiente interpretação de William Tonet por quem mantenho – e disso ninguém me pode impedir de o ter – o maior respeito estima pelo trabalho que, tal como Rafael Marques, tem levado a efeito em Angola na defesa da liberdade de informação.
Tal como reitero que poderia ter publicado artigos e textos meus, depois de, através de um pequeno e-mail dado que o meu endereço é de domínio público, solicitado a sua permissão e deveria ter sido sempre colocada a fonte original dado que não estava, nem estou, a escrever directamente para o Folha8 ou outro órgão angolano que, abusivamente, publique artigos meus sem a minha prévia autorização ou a quem eu próprio lho tenha remetido, como já o tenho feito com órgãos informativos angolanos ou outros portais lusófonos.

04 novembro 2007

Será que o meu nome vende?

("furtado" daqui em tempos)
Desculpem esta pergunta e o eventual excesso de ego que o mesmo possa acarretar.
Mas quando se sabe que artigos nossos são publicados, sem que do facto tenhamos conhecimento ou dado qualquer autorização, por órgãos informativos, no caso angolanos, e pelo facto somos francamente saudados – e quando a “homenagem” vem de sectores que nos são muito críticos… –, quando somos contactados, porque outros também estarão “no mesmo saco” e ponderam levar o caso à barra dos Tribunais, ficamos com a ideia que realmente o nosso nome vende.
Só lamento que além de não terem pedido autorização se tenham esquecido que se vendemos também devemos ser ressarcidos pelo facto.
Para não pagamento já basta aqueles que desde a primeira hora me ofereceram o seu espaço sem qualquer contrapartida como foram os casos dos semanários portugueses “Jornal Lusófono”, entretanto extinto, e “emFrente Oeste” e santomense “Correio da Semana”, e mais recentemente o semanário moçambicano “O Observador”, o matutino português Jornal de Notícias e o portal da Lusofonia, Notícias Lusófonas com quem mantenho regular colaboração além de esporádicas e afastadas colaborações com outros credenciados portais.
Sobre esta matéria proponho-vos uma leitura à Manchete de ontem do Notícias Lusófonas com emissão de Luanda, onde se refere a pelo menos 3 dos que têm artigos seus publicados e sem a devida autorização solicitada, nomeadamente, no Folha8 dirigida – talvez por isso a maior surpresa – por um dos maiores defensores da Liberdade em Angola.

Que se passa no reino de São Tomé?

(DDR)
Algo vai mal nas ilhas maravilhosa do equador ao ponto do exército ter sido obrigado a empregar a força para desalojar elementos da Polícia de Intervenção Rápida, os “ninjas” que voltaram a ocupar o comando-geral voltando a reivindicar “pagamento de indemnizações em atraso”.
Segundo parece este assunto já teria ficado assumido na última reunião entre membros do Governo e os ninjas pelo que não se entende esta nova ocupação.
Ou, talvez se entenda dado que a “Declaração de Garantia” que deveria ser assinada por todas as partes só o foi por Tomé Vera Cruz, primeiro-ministro, por Óscar Sousa, ministro da defesa e Ordem Interna, e pelo presidente da Assembleia Nacional, Francisco da Silva; para os “ninjas”, nomeadamente para o seu 1º sub-chefe Wilson Quaresma, “está tudo bem” mas nem ele nem os outros membros do grupo assinaram a Resolução 1/2007 que pôs fim à crise de 8-19 de Outubro.
Como também não se compreende bem porque desta vez o exército foi tão pronto no “desalojamento” ao contrário das vezes anteriores.
Assim como também acaba por ser um pouco estranho que a guarda presidencial esteja toda em forma de prontidão e o Ministério da Defesa esteja tão bem guardado.
Não me parece que seja por causa da ameaça dos “ninjas” que pronunciaram ir para a guerrilha urbana caso houvesse – como infelizmente parece ter havido – vítimas resultantes do ataque.
Penso que deverá ser altura do presidente Fradique de Menezes e o primeiro-ministro Vera Cruz ponderarem se merece manter o actual – e já o foi em anterior governo – ministro da Defesa e da Ordem Interna, Óscar Sousa.
Ou será que o poder deste militar é demasiado e alguém tem medo de o afrontar?
Se assim o for, a Democracia fica – está – em causa…
Ou já agora e como aqui se relembra "Sopram maus ventos no arquipélago que, contudo, não preocupam os meteorologistas de CPLP." E o problema é que estes maus ventos não andam só por aqui...

01 novembro 2007

Obrigado, mas lixo dispensamos…

(imagem ofertada via e-mail especificamente para aqui)

"Há tempos a Câmara do Porto, ao abrigo da cooperação decidiu oferecer alguns espécimes à sua congénere moçambicana da Beira. Entre as ofertas, e como na altura foi referido no meu blogue “Pululu” e num artigo d’ O Observador, em 28 de Setembro passado, sob o título “Poluir por poluir, que se polua a casa do meu irmão...”, havia um camião de lixo, com mais de 25 anos, e que segundo rezavam as crónicas estaria mais para a sucata que para circular.
Pois e porque a cidade da Beira não tem características
de lixeira, o seu Conselho Municipal decidiu rejeitar esta oferta devido à antiguidade do objecto oferecido.
Uma atitude que se considera incorrecta depois do senhor Rui Rio ter achado, por bem, por certo, que os beirenses moçambicanos iriam agradecer o envio de uma relíquia que num futuro leilão da Sotherby’s iria, por certo, suprir as faltas de dinheiro com que se depara a principal cidade do Zambeze e do Centro-Norte; é que o poder Central, dominado pela Frelimo, não manda para lá nada porque na cidade da Beira quem governa é a Renamo e a região é, na sua maioria, pró-perdiz.
Mas como a população e a cidade vive do momento, e porque a Beira não é, nem quer ser, uma das múltiplas lixeiras como que o Ocidente vê África, o seu líder, David simango, decidiu, e muito bem, que ali lixo, não!
Que o amigo e fraterno cooperante Rui Rio fique com o seu lixo e o recicle!
Mas, por outro lado, concordo com a
sugestão de Orlando Castro. Ou seja, que a Beira receba o dito camião e o "coloquem […] numa praça central da cidade da Beira com um cartaz a dizer: Homenagem à cooperação com a Câmara do Porto".
Com amigos destes que e como também já tinha escrito, África deve preferir estar sozinha!
"
Publicado no /"Colunistas" com o título acima; igualmente publicado n'

Cimeira UE-África, em Dezembro, esquece Marrocos?

Os dirigentes das União Europeia e Africana acordaram nos termos que deverão ser efectuados os convites para a Cimeira UE-África e a quem deverão endereçar os convites.
De acordo com o Ministro dos Negócios Estrangeiro português e Presidente em exercício da União Europeia, Luís Amado, todos os presidentes e chefes de governo da União Africana e da União Europeia irão ser convidados.
E Luís Amado, em Accra, reafirmou e sublinhou: todos os Presidente e Chefes de Governo da União Africana, incluindo Zimbabué, e da União Europeia.
Acho bem! mesmo que certos estômagos venham a padecer de uma certa azia…
Só não concordo que se exclua um dos principais países africanos e, por sinal, um dos mais próximos da Europa e o país africano mais próximo de Portugal: Marrocos.
Provavelmente a encefalopatia do Palácio das Necessidades – sede do MNE português – deve desconhecer que o Reino de Marrocos não faz parte da União Africana conforme a imagem, ao lado, e desde que a OUA, predecessora da União Africana, começou a aceitar a presença da RASD-Frente Polisário no seu seio.
Por uma vez, não seria mais interessante e mais correcto que os senhores do Palácio das Necessidades começassem a ter mais respeito pelo seu ministro e o instruíssem melhor para evitar lapsos linguísticos e diplomáticos como o que Luís Amado, e por mais de uma vez, proferiu junto dos órgãos de Comunicação Social?
É que há certos lapsos diplomáticos que são perigosos, principalmente quando no País “desprezado” está a emergir uma forte corrente islamita e está a uma simples travessia aérea ou de ferry-boat para Espanha e, em tempos, para Portugal…
Igualmente publicado n' , edição 094, de 6-Novembro-2007