31 julho 2008

Comunicação de Cavaco Silva ou avisos reais a terceiros?

(Residência oficial do Presidente português)

Como não é habitual escrever sobre a política interna de Portugal, poderei estar enganado, na análise seguinte, mas...
Mas a mim pareceu-me que o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, enviou mais um “aviso” a terceiros através do veto Constitucional ao Estatuto Regional dos Açores do que propriamente uma análise informativa ou alerta a este veto.
E os terceiros poderão ser – e não serão? – aqueles que pensam que as zonas que governam são coutadas pessoais e que podem gerir como bem entendem… e como endereços reconheço logo dois: um que tem a mania que é um soba e outro que tem a mania que isto é um paraíso tecnológico simplex…

Dia da Mulher Africana

Em mais um Dia da Mulher Africana, um poema, de Zé Kahango, dedicado à Mulher Angolana e retirado daqui:

Mulher Angolana
que teus filhos entregas
à Terra imensa -
como teus lábios
de tenros talos sequiosa
de pèzinhos dos omonas -
que rápidos aprenderão
em correrias pelo seu chão
a trepar aos paus sem medo,
a matar a fome com goiabas...

Mulher Angolana
ainda teu olhar é de menina,
tens voz de vivida calma
e o olhar profundo e distante.

Ao pé de ti
o meu coração se encosta,
sente bater teus passos quentes,
certo de que sempre me acompanhas...

29 julho 2008

Censura pornógrafa?

Porque estou de férias, não vou continuadamente aos blogues que costumo considerar de referência. Por isso foi estranho ter lido o alerta no “Água Lisa”, do João Tunes:

Aviso sobre conteúdos
Alguns dos leitores deste blogue contactaram o Google porque acham que o conteúdo do mesmo é reprovável. Regra geral, o Google não avalia nem subscreve o conteúdo deste ou de qualquer outro blogue.

Este tipo de alerta só conhecia em sites e blogues com características eróticas e, ou pornográficas (ok! Já também tenho lá ido, porque há blogues eróticos com muito mais qualidade que certos blogues ditos normais…).
Agora um blogue como o “O Jumento” um blogue de claras características sociais e de crítica social levar com a advertência acima só podem estar a gozar connosco ou…
Ou então, há em Portugal, pessoas e entidades que são mais beatas pornógrafas que os antigos censores de lápis azul.
Porque os tais leitores que contactaram o Google das duas, uma: ou são leitores com um simpático rótulo de IMBESCIS absurdamente transvertidos que têm simpáticos orgasmos pseudo-intelectuais acedendo a portais para os quais não têm “interesse” – quando eu não gostode um qualquer blogue não acedo, e quem diz eu, digo qualquer outra pessoa minimamente inteligente –, ou, então, não foram leitores mas entidades que não gostavam de se verem ridicularizadas, com inteligência, diga-se, no referido blogue.
Se fosse num país dito ditatorial ou autocrático até se entenderia. Já aconteceu tanto comigo como por exemplo, e com mais força, com o Alto Hama. Mas como Portugal, supostamente, a censura é ilegítima e ilegal, torna-se estranho este acossamento contra bloguistas…

27 julho 2008

Luanda acolhe Conferência Internacional

Luanda, sob a égide da Universidade Católica de Angola, ao Kinaxixi, vai acolher no próximo dia 7 e 8 de Agosto uma Conferência Internacional e, simultaneamente, ao lançamento da obra que vai dar o mote à Conferência: "SOCIEDADE CIVIL E POLÍTICA EM ANGOLA; ENQUADRAMENTO REGIONAL E INTERNACIONAL"

Organização: Universidade Católica de Angola (UCAN) & Universidade de Coimbra (Faculdade de Economia e Centro de Estudos Sociais – FEUC-CES)
Apoios: Christian Aid; Open Society; Netherlands Institute for Southern Africa-NiZA;
Oxfam-Novib; ADRA-Angola
Comissão Científica: Nuno Vidal, Justino Pinto de Andrade & José Manuel Imbamba
Contactos Organização: angola.conference@gmail.com, 929 365 689 (Luanda)

Aqui fica o Programa:


Agosto 7

8.30h: Registo dos participantes

9.00h – 9.15h: Sessão de Abertura

- S. Exa. O Sr. Vice-Ministro da Educação de Angola,
Dr. Pinda Simão
- S. Exa. O Magnífico Reitor da Universidade Católica de Angola,
Dom Damião Franklin
- S. Exa. O Sr. Embaixador de Portugal em Angola,
Dr. Francisco Ribeiro Telles

9.15h – 9.35h: Raízes Históricas – Palestra de Abertura
The Angolan Revolution: Retrospective and Prospective
- John Marcum (Universidade da Califórnia)

9.35 – 11.10h:1º Painel – Organizações da Sociedade Civil, Direitos Humanos e Política

Moderador/Facilitador: Prof. Justino Pinto de Andrade (UCAN)
- Francisco Simão Helena (Gabinete de Cidadania e Sociedade Civil)
- Fernando Macedo (AJPD – Associação Justiça, Paz e Democracia);
- Benjamim Castello (Jubileu 2000)
- Carlos Figueiredo (ADRA – Associação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente-Angola);

11.10h – 11.25h: Coffee Break

11.25h – 12.40h: 2º Painel – Sociedade Civil Angolana e Comunidade Internacional (doadores, organizações internacionais governamentais e não governamentais).

Moderador/Facilitador: Rosário Advirta (Christian Aid)
- David Sogge (Fundación para las Relaciones Internacionales y el Diálogo Exterior - FRIDE-Madrid)
- Sérgio Calundungo (ADRA-Angola)
- Paula Cristina Fernandes (União Europeia)

12.40h – 14.00h: Almoço

14.00h – 15.30h: 3º Painel – Género, Juventude e Sociedade Civil: potencial para a mudança
Moderador/Facilitador: Julião Afonso (PAANE – Programa de Apoio a Actores Não Estatais)
- Idacy Ferreira (ADRA)
- Ir. Maria Assunção (UCAN)
- Henda Ducados (FAS - Fundo de Apoio Social)
- Augusto Maquembo (EISA – Electoral Institute for Southern Africa)

15.30h -15.45h: Coffee Break

15.45h – 17.15h: 4º Painel – Os Media e o Desenvolvimento Sócio-Político
Moderador/Facilitador: Suzana Mendes (Jornal Angolense)
- Ismael Mateus (Jornal Cruzeiro do Sul)
- Luís Fernando (Jornal O País)
- N´Siona Casimiro (Apostolado)
- Reginaldo Silva (Jornal Angolense)

17.15h: Apresentação do Livro
- Nuno Vidal & Justino Pinto de Andrade, Sociedade Civil e Política em Angola, contexto regional e internacional (Luanda: UCAN & FEUC/CES, 2008).
Co-autores: Patrick Chabal, Fernando Macedo, Carlos Figueiredo, Sérgio Calundungo, Benjamim A. Castello, Cesaltina Abreu, Fernando Pacheco, Kinsukulu Landu Kama, Michael Comerford, Pedro Cardoso, Aline Afonso Pereira, Reginaldo Silva, José Patrocínio, Paulo de Carvalho, Lopo Fortunato do Nascimento, David Sogge, Bob van der Winden & René Roemersma, Kristin Reed, Mónica Rafael Simões, Anacleta Pereira, Manuel Paulo, Dale T. McKinley, Lloyd M. Sachikonye, Henning Melber, Fidelis Edge Kanyongolo, Badala Tachilisa Balule, Manuel de Araújo & Raúl Meneses Chambote, Rueben L. Lifuka & Lee M.Habasonda, Jean-Claude Katende
Apoios: Christian Aid; Open Society; Netherlands Institute for Southern Africa-NiZA; Oxfam-Novib; CPLP; ADRA-Angola.

Agosto 8

9.00h – 10.30h: 5º Painel – Sociedade Civil no Contexto Regional – I

Moderador/facilitador: Rene Roersma (Fundação WorldCom)
- Dale McKinley, África do Sul (Movimentos Sociais Indaba)
- Manuel de Araújo, Moçambique (Centro de Estudos Moçambicanos Internacionais)
- Henning Melber, Namíbia (Fundação Dag Hammarskjold)
- Badala Balule, Botswana (Universidade do Botswana)

10.30 – 10.45h: Coffee Break

10.45h – 12.15h: 6º Painel – O Papel das Igrejas no Desenvolvimento Sócio-Político-Económico de Angola

Moderador/Facilitador: Pe. Prof. José Manuel Imbamba (UCAN)
- Pe. Jacinto Pio Wacussanga (UCAN)
- Reverendo Tony N’Zinga (COIEPA – Comité Inter-Eclesial para a Paz em Angola)
- Reverendo Luís N’Guimbi (CICA – Conselho das Igrejas Cristãs de Angola)
- Michael Comerford (Trócaire)

12.15 – 13.45h - Almoço

13.45h – 15.30h: 7º Painel – Sociedade Civil no Contexto Regional - II

Moderador/Facilitador: Bob van der Winden (Consultor, BWsupport)
- Jean-Claude Katende, República Democrática do Congo (Associação Africana dos Direitos do Homem)
- Rigobert Kakuru, República Democrática do Congo (Centre d’Études pour l’Action Social - CEPAS)
- Lee Habasonda (Universidade da Zâmbia)
- Luckson Chipare, Zimbabwe (Consultor Independente)

15.30h - 15.45h: Coffee Break

15.45h – 17.00h: 8º Painel – Responsabilidade Social das Empresas
Moderador/Facilitador: Paulo de Carvalho (Universidade Agostinho Neto)
- Manuel Paulo (Universidade de Middlesex)
- Murielle Mignot (FONGA – Fórum das ONG Angolanas, Projecto RECI-DESC)
- Francisco da Cruz (Consultor Independente)
17.00h – 18.00h: Mesa Redonda – A Conferência Nacional da Sociedade Civil: conclusões e perspectivas

Moderador/Facilitador: Elias Isaac (Open Society)
- Cesaltina Abreu (IBIS – Educação e Desenvolvimento)
- Fernando Pacheco (ADRA)
- António Kiala (FONGA)

18.00h – 18.10: Sessão de Encerramento
José Manuel Imbamba (UCAN)
Nuno Vidal (FEUC/CES)
Justino Pinto de Andrade (UCAN)

TPA Internacional apresentado em Lisboa

A TPA Internacional vai começar a ser vista a partir 28 de Julho, próxima segunda-feira, na Europa por via da portuguesa ZON-TV Cabo, ou via satélite (será conveniente contactar a TPA ou algum especialista para saber que satélites podem ser acedidos).
Infelizmente, onde actualmente estou não tenho nem TVCabo e o satélite só apanha CNN e canais polacos e alemães (uff), não vou poder ver salvo se a TPA também emitir via Internet mas como as notícias do portal da TPA isso omitem, não sei se vou ter essa oportunidade.
Ainda assim, será um forte elo de (re)união entre a Diáspora e o nosso País. Valha-nos isso, ao menos esperando que a TPA nos ofereça variados programas sejam de entretenimento, sejam informativos, ou culturais, ou, e, desportivos.
Esperemos!

Porque se calaram alguns órgãos de comunicação social angolana?

(censura?!)
Depois dos dois apontamentos aqui colocados sobre o que se passaria com alguns órgãos de comunicação social angolana (rever aqui e aqui), um comentário deixado num dos apontamentos alertou que também o Correio Digital sofreu o mesmo "mutismo".

Felizmente e pelo que pude verificar já está operativo e nada indica o que terá contecido, apesar de se conferir que entre 16 e 21 de Julho não houve notícias.

Registe-se, entretanto, que o
Angonotícias já está operacional desde as 19,00 horas de 26/Julho/2008 e que o acesso ao VOA-Multipress continua impossível!

Continuo a afirmar que esta situação não augura nada de bom para as eleições legislativas principalmente porque as partes em causa perdem o pio e recomeçam sem qualquer justificação… nem que fosse por motivos técnicos.

Mas como para bom entendedor um silêncio ensurdecedor vale mais que mil palavras…

26 julho 2008

O que se passou realmente no Sambizanga?

(quando andam em boas mãos...)
A malta do Sambila, desde que me recorde, foi sempre olhada de lado.

Todavia, tal como em outros lugares, seja da capital angolana, seja em qualquer sanzala Angola, seja num outro qualquer lugar do planeta Terra, há malta da pesada mas também os há que são Homens e Mulheres de letras grandes e de personalidades fortes e probas.

Por isso, não se compreende a chacina que houve no Sambizanga. E menos se compreende a disparidade – a diferença de uma vítima ou de mil vítimas, é sempre a mesma, vítimas – entre aquilo que as pessoas assistiram, mesmo que posteriormente, e o que as autoridades divulgam.

As pessoas do popular bairro de Santa Rosa no município sambila afirmam que foram 8 (oito!) as pessoas assassinadas – leia-se executadas! de nomes Dadão, Lito, Terenso, Santinho (que era auxiliar na paróquia de São Paulo), Mano Velho, André, Johnson e Nandinho – enquanto as autoridades se ficam pelas 7 vítimas.

Como já afirmei acima, vítimas, uma ou mais, são sempre vítimas e quando são assassinadas da forma como estas foram (
as vítimas foram colocados no chão, de barriga para baixo, e executadas a sangue frio) ainda é mais estranho.

Tão estranho que quando as autoridades chegaram ao local pelos vistos não conseguiram discernir de mortos de feridos.

A população que estava no local afirma e assevera que uma carrinha branca do tipo Hyace “descarregou” alguns indivíduos armados que mandou os 8 jovens se deitarem e assassinou-os. A polícia firma que uma carrinha do mesmo tipo ao passar pelo local os ocupantes disparam e provocaram 5 mortos e 3 feridos que viriam a falecer no hospital.
Duas coisas em consideração.

Primeira, esteve a decorrer a recolha voluntária de armas – foram entregues cerca de
30 mil instrumentos de morte – e, estranhamente, aquelas que deveriam ser entregues parece que não o foram, ou será que são daquelas que estão em boas mãos?...

Segundo e assumindo que o meu forte não é matemática, parece-me que 5 mais 3 dão 8 vítimas e não 7 como as autoridades
persistem em afirmar!

E se nos recordarmos que há poucos meses
dois jovens actores foram objecto do “atira primeiro e pergunta depois” por parte da polícia e no mesmo município…

É por estas e por outras quando alguém de Luanda me diz “digo-te hoje isto porque amanhã não sei se estou viva, porque anda a fazer muitas perguntas”…
.
E tudo isto a cerca de 1 mês das eleições legislativas!
.
NOTA: Ikono, nos comentários, deixou um alerta e uma nota sobre este apontamento. Realmente quando o salvei verifiquei a falta do ponto de interrogação no título. Todavia, e dado o facto de haver dificuldades em aceder à Internet (tão difícil que esta é a 7ª vez que tento colocar esta nota!!!!) onde estou não voltei atrás e deixei ficar. Mas porque a questão apresentada é pertinente aqui está a rectificação com os meus agradecimentos. (nem nos comentários conseguia colocar esta nota… e viva o 1º Mundo e o Portugal informatizado; e é numa zona altamente turística…)
.
Posteriormente publicado no Angola24horas.com, em 29/Julho/2008

25 julho 2008

E a TAAG continua a voar somente no éter netiano europeu…

Uma vez mais a União Europeia decidiu que a companhia aérea angolana Transportes Aéreos Angolanos – Linhas Aéreas de Angola (TAAG) vai permanecer fora do espaço aéreo europeu, pelo menos até Outubro.

Se da parte da UE não houvesse factores exógenos quanto a esta proibição até a aceitaria como natural. Se não cumpre com as regras de segurança então há que manter a companhia parada.

Só que factores francófonos – leia-se, Airbus, embora a França tenha dito que foram detectadas "sérias deficiências" ao nível de segurança na frota da transportadora angolana – e a proximidade das eleições legislativas em Angola acabam por tornar inapropriado um estudo da actual situação da TAAG.

Com o plano de imigração aprovado, com a previsível “fuga” de certos cérebros – a Europa já se apercebeu que certos senhores andam a comprar imobilizados na Europa – é perfeitamente natural que a TAAG continue em banho-maria. Não fossem os aviões entrarem cheios na Europa e voltarem vazios para Angola…

Porque só factores como estes se entendem que a TAAG mantenha fora dos céus europeus e uma empresa aérea iraniana Mahan Airlines tenha saído da lista por “esforços significativos e progressos realizados por esta transportadora" e verificados durante uma inspecção local realizada no Irão”.

Registe-se que a verificação foi no Irão. Também membros europeus estiveram em Luanda, constataram que havias grandes avanços nos problemas detectados anteriormente mas… “não era ponto de ordem da entidade europeia a análise da TAAG”.

Há interesses políticos que continuam ser mais fortes que outros.

E, depois, há um factor, novamente abordado pelo Le Point, chamado… Angolagate e o facto de um dos visados no artigo ser a mesma personalidade que há dias comprou uma quinta vinícola em Portugal por uns simbólicos 1 milhão de euros!

E enquanto isto se mantiver a TAAG limitar-se-á a voar nas ondas da Internet europeia…

A Cimeira da Língua e onde está o fim dos vistos?

Este será o período da defesa, promoção e expansão da Língua Portuguesa, segundo o presidente em exercício, o primeiro-ministro português José Sócrates, na passagem de testemunho da Guiné-Bissau para Portugal adiantando que já disponibilizou um fundo de vários milhões de euros para o Instituto Camões, em vez de…

Mas não é a CPLP a organização criada por excelência, há 12 anos, para a defesa e promoção da Língua Portuguesa? E não é, também, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa o organismo mais habilitado, ou pelo menos deveria de o ser, para isso?

Porquê agora aparece o senhor Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, a vir a terreiro dizer que a prioridade do seu Governo é defender, promover e expandir a Língua Portuguesa quando o que se constata é, precisamente, um recuo da Língua Portuguesa – que não a Lusofonia, estranhamente – numa parte significativa de alguns dos países membros da CPLP em detrimento de uma qualquer língua nacional ou do crioulo?

Também, senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, os nacionais dos países-membros da CPLP não querem, nem se preocupam com a livre circulação dentro dos países da CPLP, até porque para aqueles onde a “irmandade” já existe, subsiste essa livre circulação.

O que os nacionais da CPLP querem é o fim de visto para entrar, nomeadamente, em Portugal, mais que “corredores de acesso” nos aeroportos; mas sabem que Portugal continua a manter um receio substancial do que a União Europeia (UE) possa dizer. Portugal continua a ser o “bom aluno” da UE no que toca às medidas que possam colocar “livre circulação” entre antigos países colonizadores e ex-colónias excepto, se esse Estado-membro se chamar Reino Unido ou França.

Mas quando a UE criou aquela coisa abjecta contra a imigração que o ministro francês da imigração, Brice Hortefeux, diz não ser “um pacto contra África” mas “com África”, mostrando que não sabe o que é África, salvo aquilo que lê no Afrique-Asie ou no Le Point, e complementa a sua ignorância ao reafirmar que o pacto “é equilibrado, coerente e justo” então tudo está dito.

Porque a UE em vez de procurar evitar que populações indefesas e carentes sejam utilizadas como instrumentos económicos para encher os bolsos dos balseiros e angariadores – a grande maioria não serão, certamente, africanos – tenta evitar que os africanos sejam impedidos de entrar ilegal e irregularmente na Fortaleza Europeia.

Mas como a UE manda e Portugal obedece, vamos continuar a ver angolanos, bissau-guineenses, moçambicanos e santomenses a ficarem nos corredores por períodos intensos ou ouvirem uma sacro-pergunta estúpida e desnecessária por parte de alguns membros do SEF “porque não se naturaliza?”…

Felizmente que brasileiros e cabo-verdianos já têm algumas prerrogativas na entrada em Portugal. Mas até quando?
Igualmente publicado na rubrica "Lusofonia" do ,

Isto é um sério aviso à navegação em vésperas de eleições?

Depois do alerta aqui deixado para o portal noticioso Angonotícias, alguém sabendo que estou de férias e, por isso, com menos viagens à Internet – se Portugal é um País do 1º Mundo com um primeiro-ministro que defende a plena informatização do País, a realidade é que há muitas zonas que não estão devidamente cobertas mesmo que por “satélite”, como acontece no Algarve – alertou-me para uma situação análoga no portal noticioso VOA-Multipress que, segundo o leitor acontece quase desde a mesma altura que o que se passa com o Angonotícias.
Se com o Angonotícias ainda se acede embora se constate que não há actualizações desde a visita de Sócrates a Angola – espero que não tenha sido feitiço deste – já o VOA-Multipress indica, claramente, “403 Forbidden - You don't have permission to access / on this server. Additionally, a 404 Not Found error was encountered while trying to use an ErrorDocument to handle the request
Só espero que isto não seja um aviso claro do Governo, ou de um certo sector governamental, quanto à Liberdade de Imprensa em Angola em vésperas de eleições legislativas.
Se assim for não haverá Observadores que valham à CNE quanto à legalidade, liberdade e justa igualdade no processo eleitoral.
Também é verdade que os observadores só poderão estar em determinados postos previamente definidos…
Parece que alguém quer transpor para Angola as crises do Quénia e do Zimbabué. Espero que o senhor Presidente Eduardo dos Santos faça ver aos sectores pouco democráticos que não têm cabimento na nova Angola que se quer justa, livre e democrática!

CPLP? Que CPLP?

"Que Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vamos ter, doze anos passados desde a sua criação? Depois de Bissau ter presidido durante dois anos os destinos da CPLP, Lisboa vai ser a sede da VII Cimeira dos Chefes de Governo e de Estado dos países lusófonos onde, segundo parece e salvo alterações de última hora, estarão ausentes José Eduardo dos Santos – não se faz senhor Presidente, fazer o senhor Sócrates passar por mentiroso… – e Armando Guebuza, ou seja, os líderes dos dois maiores Estados afrolusófonos.

E porque será? E depois de umas proveitosas, pelo menos isso foi o que tão apregoadamente os governantes portugueses que os visitaram fizeram transparecer, visitas de Estado e económicas?
Mas se os dois líderes africanos não vão estar presentes – talvez a prepararem as eleições que se avizinham nos dois Países (legislativas e internas ou os 40 anos da Frelimo) – vai estar o resto da nata lusófona. Angola e Moçambique estarão representados pelos seus oficiosos – mais o de Angola que o de Moçambique – Chefes de Governo.

O que vale é que em Portugal, directa ou indirectamente, vão estar personalidades importantes como o senhor Hugo Chávez e, principalmente, o senhor Nguema Mbasogo, presidente da observadora Guiné Equatorial, um dos maiores ditadores que ainda governam em África (porque será que o TPI ainda não se decidiu também em apresentar um mandado de captura a este senhor por crimes contra os guineenses-equatorianos?).

Na cimeira de quinta e sexta-feira serão debatidas questões que muito interessam aos 8 Estados Lusófonos, aos Estados associados e aqueles que querem aderir à CPLP, a Croácia, Venezuela, Ucrânia e Galiza, quase transformando a CPLP numa, como alguém já alvitrou, futura Comunidade Económica dos países lusófonos.

Haverá, também, a passagem do testemunho do Secretário-executivo, o embaixador cabo-verdiano Luís Fonseca, pelo Bissau-guineense engenheiro e ex-ministro Domingos Simões Pereira.

Depois há o problema da Lusofonia e das continuadas controvérsias que encerra o termo “Lusofonia” dado que alguns países do hemisfério sul – por vezes até no próprio Brasil – há um certo constrangimento porque na sua maioria não falam correntemente o português ou só o falam em franjas muito reduzidas.

Relembremos que o ainda Secretário-executivo, recentemente, recordava que em Moçambique só cerca de 30 a 40% utilizava o português, unicamente como língua oficial, a par das suas línguas nacionais unicamente faladas pela restante população. E que ele mesmo, tal como a maioria dos seus compatriotas, conforme se constata na RTP-África e nos portais cabo-verdianos, falam crioulo entre si e só, raramente, ou quando estão fora do País, é que falam português. Tal como na Guiné-Bissau, onde o crioulo é predominante ou em Timor-Leste onde a grande maioria fala tétum e uma minoria significativa bahasa indonésio. (...)
" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado na Manchete do , de 24/Jul/2008

23 julho 2008

Angonotícias, que se passa?

Já repararam que desde as 15:35 horas de 19 de Julho passado e com o artigo “José Sócrates anuncia envio de professores para Angola” que o Angonotícias não nos oferece qualquer actualização?
E quem acede em Luanda – ou tenta aceder – dá sempre erro, normalmente “anuncia” com a resposta “FORBIDDEN – erro 403”?
E que mesmo o artigo do senhor Sócrates não se consegue abrir?
Será que é castigo por causa das palavras desatempadas de Sócrates quando anunciou a ida de José Eduardo dos Santos à VII Cimeira da CPLP, em Lisboa, sem ter sido encomendado para isso?
Ou será que o Angonotícias esqueceu-se de só dizer notícias boas para o “poder” e como consequência está… calado?
O Angonotícias pode ter muitos defeitos, e ainda bem que os tem porque significa que consegue não agradar a gregos e a troianos, mas calarem-no em vésperas de eleções é, no mínimo, estranho, muito estranho!
Esperemos que não tenha sido mais que um problema de browser…

21 julho 2008

Dois ensaios africanos apresentados em Lisboa

A próxima quinta-feira 24 de Julho vai colocar Lisboa como a cidade-rainha da cultura africana.
Duas importantes obras vão ser apresentadas nesse dia.


Às 18,30 horas, na Livraria Byblos, às Amoreiras, será apresentada a obra “A Mulher em África: Vozes de uma Margem sempre Presente” que como organizadoras Inocência Mata e Laura Cavalcante Padilha
A obra editada pela Edições Colibri terá a apresentação de Elizabeth Vera Cruz e António Loja Neves.

Às 20 horas, na FNAC do Chiado, Samuel Chiwale vai, enfim, ver apresentada a sua obra autobiográfica “Cruzei-me com a História”, com apresentação de João Soares e edição da Sextante Editora

Angola não deixa o basket em mãos alheias

A selecção angolana masculina de basquetebol, campeã africana da modalidade, venceu a Taça Inter-continental Borislav Stankovic edição 2008, este ano como torneio pré-olímpico ao derrotar a Rússia (campeã europeia por 89-70), a China (campeã asiática por 72-71 ) e a Sérvia por 68-60.
Um bom prenúncio para os Jogos Olímpicos que começam no próximo mês.
Ao contrário das edições anteriores onde participou o seleccionado angolano – eram 6 as selecções presentes – desta feita só 4 participaram.
Nas edições anteriores Angola ocupou a quinta posição de 2005, na primeira edição, e o quarto lugar de 2007, na terceira presença. Os campeões africanos não estiveram presentes da segunda edição, em 2006.

20 julho 2008

Se a moda pega, não haverá petróleo que valha…

"Depois de Jean Pierre Bemba, ex-candidato a presidente da República Democrática do Congo, ter sido detido devido a um mandado de captura internacional emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por crimes contra a Humanidade praticados pela suas milícias no Centro de África, eis que o TPI volta a emitir um mandado de captura sobre um dirigente africano e ainda no activo: contra o presidente sudanês Omar Hassan Ahmad al-Bashir pelas razões já referidas no meu blogue “Pululu”, ou seja, por crimes contra a Humanidade, crimes de guerra e liderança no genocídio contra o povo de Darfur.

De acordo com o principal promotor do TPI, Luis Moreno Ocampo, o presidente al-Bashir será responsável directo pela morte de cerca de 300 mil sudaneses do Darfur, ocorridos nestes últimos 5 anos.

Só que parece que al-Bashir não é o único culpado ou não deveria ser o único a sentar-se perante os juízes do TPI. Há muitos actores coniventes.

Desde logo a Comunidade Internacional que se manteve queda e muda, a maior parte do tempo, só começando a falar e clamar quando, honra lhes seja feita, artista, actores e humanistas de todo o Mundo começaram a vociferar perante o genocídio de Darfur.

A China que, apesar do embargo que vigora desde há cerca de um ano, mantém um canal aberto com o Sudão por causa do petróleo que, parece, é pago com material de guerra, nomeadamente, material de transporte e treinamento de pilotos, conforme pode ser confirmado por uma reportagem jornalística da BBC emitida recentemente.

Ou seja, ontem como hoje, e ainda mais com a especulação que sobre ele impele, o petróleo calou as mentes sossegadas de muitos actores do Sistema Internacional. Como continua a calar perante factos que ocorrem em África, e no Mundo em geral, onde a corrupção, a autocracia, o despotismo, passam impunes porque a cor do crude é muito mais valiosa que a cor da Humanidade. (...)
" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicada no , de STP, edição 174, de 19 de Julho de 2008

Mas será que o Islamismo o aguentará?

(Tão amigos, mas de costas voltadas...; foto daqui)

Kumba Yalá (ou Ialá) Kobde Nhanca, líder do PRS, acabado de regressar de um auto-exílio em Marrocos, onde, supostamente, terá estado a aprender árabe para voos futuros, e depois de anunciar à chegada que não seria candidato a primeiro-ministro, nem agora nem futuramente, acabou de se converter ao islamismo, na passada sexta-feira, dia habitual dos crentes islâmicos orarem, adoptando o nome de Mohamed Ialá Embaló.
Há primeira vista nada de especial teria esta conversão de um animista, convertido ao cristianismo e licenciado em Teologia, revertido ao animismo pouco antes das eleições presidenciais que viria a ganhar por larguíssima margem, em se converter ao islamismo. Só os imobilistas e os idiotas não mudam.
Mas se pensarmos que as eleições legislativas estão muito próximas e que apesar do senhor Ialá ter afirmado que o senhor João “Nino” Vieira é o seu presidente, não devemos esquecer que o mesmo senhor Ialá atestou que nunca reconheceria as eleições presidências que deram a vitória a “Nino” Vieira por ter sido destituído de forma fraudulenta e anticonstitucional no golpe militar de Setembro de 2003.
Por outro lado porque adoptar o sagrado nome do Profeta, tal como muitos outros quando se convertem? Que eu saiba no islamismo e na língua árabe há outros nomes facilmente adoptáveis e pronunciáveis pela população e pelos crentes.
Sabendo que cerca de 46% da população Bisssau-guineense é islamita, nada mais previsível que Ialá se estar a preparar para voltar ao poder da forma que ele considera mais ajustada com o seu curriculum: a Presidência! Nada menos que isso…
Por isso ele afirmou e reafirmou que mesmo que o PRS ganhe as legislativas não será o Chefe de Governo…

18 julho 2008

Férias 2008

... E agora, umas semanitas de férias nas tropicais águas fronteiriças de África!

Mas não vou deixar sossegado quem aqui vier dar uma vista de olhos porque sempre que puder e a Internet deixar alguns apontamentos vou colocar!

17 julho 2008

Chiwale apresenta autobiografia

Samuel Chiwale e a Sextante Editora apresentam no próximo dia 24 de Julho, na Livraria FNAC-Chiado, Lisboa, o livro autobiográfico "Cruzei-me com a História", com apresentação de João Soares.
Este é mais um contributo para a nova História de Angola onde se cruza a ancestralidade do apelido Chiwale (um título nobiliárquico que significa, conforme explica no seu livro, "o indivíduo encarregado da vestidura do rei [do Bailundo, Mbalundu)] aquando da sua ontronização") a sua vida político-militar enquanto guerrilheiro perseguido na Angola colonial (a foto que dá capa ao livro foi retirada dos arquivos da ex-Pide/DGS), até à sua passagem para a galeria dos fundadores e uma das reservas morais da Nação Angolana.

Assim quem quer ser diplomata num reino destes?

(sugestiva imagem retirada daqui)

O jornalista Bissau-guineense Fernando “Didinho” Casimiro divulgou no seu portal um apelo de um diplomata Bissau-guineense que está “abandonado” pelo País que representou desde há cerca de 5 anos.
Mas que se entende do artigo de Casimiro, não é o único.
Ao todo, serão cerca de 8 diplomatas exonerados e substituídos por outros tantos mas que dos mesmo não foi dado conhecimento ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português da “situação dos diplomatas substituídos, muito menos, interceder para a legalização dos mesmos, já que continuaram a residir em Portugal com o estatuto de residência que possuíam e ao abrigo das suas acreditações como membros da Missão Diplomática guineense em Portugal”.
E o maior problema ainda não está na situação dos diplomatas. O maior problema está nos “45 meses de salários em atraso” quando, segundo Casimiro, “embaixador da Guiné-Bissau em Portugal vive numa casa em Odivelas - Portugal, que é pertença do actual Presidente da República João Bernardo Vieira, certamente que o Estado paga renda dessa casa”, faz-se deslocar num “Mercedes que não é barato e não se queixa de ter ordenados em atraso” e quando, ainda, o cônsul da Guiné-Bissau, em Lisboa, se desloca “num BMW desportivo e viaja frequentemente para França, sem se queixar de ter ordenados em atraso”.
E se nos recordarmos que, ainda recentemente, se ouviu na Comunicação social que os estudantes universitários finalistas, em Moscovo, não conseguem que lhes entreguem os diplomas porque o estado Bissau-guineense não paga as propinas dos mesmos, então…
Algo não vai bem no reino dos Bijagós e do Cacheu.
E não é unicamente por causa de um problema de narcotráfico ou de transacções de crianças, sob desculpa da teologia, como se pode verificar.

Como se explica?!

Apesar de ser evidente, e cada vez mais, que as viaturas a combustão são um dos principais factores de destruição do Ar que respiramos e um dos maiores contribuidores para o “fabrico” do CO2 que polui e põe em causa o nosso sistema de vida – eu também contribuo porque também tenho uma viatura a gasolina –, como se explica o que a seguir vos mostro e que circula na Internet com explicações mais pormonizadas?

Em 1996 a General Motors (GM), dos EUA, colocou nas estradas norte-americanas um veículo eléctrico denominado EV1. Ao contrário dos habituais veículos motorizados estes não eram vendidos mas alugados e ao fim do contrato foram obrigados a retornar às instalações da GM.

No ano seguinte a nipónica Nissan colocava no mercado, e, uma vez mais, em regime de aluguer, o modelo eléctrico Hypermini que teve no município norte-americano de Pasadena (CA) o seu principal cliente para ser disponibilizado aos seus funcionários. Tal como com o veículo da GM também este, no final do contrato, em Agosto de 2006, e mesmo com a vontade do município em os querer comprar, teve de ser devolvido ao fabricante que recusou peremptoriamente a sua venda.

Em 2003, a data de começo de construção não consegui obter, a Toyota decidiu acabar com a produção do 4x4 eléctrico RAV4-EV e em 2005, os contratos de aluguer das viaturas, expiraram tendo a empresa japonesa exigido a devolução dos mesmos. Todavia, um grupo de cidadãos norte-americanos agrupados na associação “DontCrush” decidiu forçar a Toyota a vender os seus carros o que conseguiram ao fim de 3 meses de pressão.

A devolução das viaturas no final do contrato seria para fazer com elas o que as duas primeiras também o fizeram: Destruí-las!

Será que o lobby petrolífero é mais forte que a saúde e o bem-estar das populações no Mundo?

Já que se fala, agora outra vez e com mais insistência no fabrico de viatura eléctricas porque aquelas entidades não recuperam as suas iniciais viaturas e as colocam no mercado? Os estudos técnicos já estão feitos, o que torna os seus custos financeiros muito baixos.

Fica a ideia!

©as fotos aqui colocadas foram retiradas do manifesto que circula na Internet, pelo que não posso indicar as fontes correctas.

Quem deve regular e promover a Língua Portuguesa?

"Durante muitos anos a Língua Portuguesa esteve dependente – e será que alguma vez esteve mesmo? – do Instituto Camões (IC), organismo criado pela República Portuguesa sem que os seus parceiros linguísticos dela tivessem qualquer benefício real e consistente.

Em 1989, numa reunião havida em São Luís do Maranhão, Brasil, o presidente brasileiro José Sarney propôs a criação de um Instituto que servisse de base à criação de uma comunidade agregadora dos falantes de Língua Portuguesa.

Só 10 anos depois, durante a VI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), que entretanto se havia formado, reunião essa que realizada em São Tomé e Príncipe é que o Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) foi criado, tendo sido decidido que a sede seria em Cabo Verde.

Dado que a Língua Portuguesa não é um bem privado mas um enorme ventura pública e o união entre 8 países da Europa à Oceania passando pela América Latina e África, e o elo de união de enormes mosaicos culturais que formam alguns dos países africanos, compreende-se e saúda-se que os políticos tenham tido a visão estratégica de criarem a IIPL.

Todavia, e desde o início que Portugal, apesar de ser um dos 3 países que mantém a quota em dia no IIPL (os dois restantes são Angola e Brasil) sempre se preocupou mais em fazer valer o seu Instituto Camões, sem que, na prática, essa vantagem fosse realmente alicerçada onde estava, salvo o celebrado Prémio Camões, em detrimento de uma maior ajuda à afirmação do IIPL junto dos 8 países da CPLP e junto daqueles países que sempre tiveram ou mantêm significativas colónias migrantes de falantes de Português ou estiveram, em tempos históricos, ligados a Portugal e desejam manter o português como segunda língua ou língua de trabalho.

Também por isso, e porque as disputas entre portugueses e brasileiros pela defesa da “legitimidade” da sua forma de falar, a Língua Portuguesa nunca se consegui impor nos diferentes círculos areópagos internacionais, salvo na OUA por força da capacidade negocial de Angola. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , de hoje, na rubrica "Lusofonia"

15 julho 2008

Calou a voz de “Angolano segue em frente”

Alberto Teta Lando deixou hoje o mundo terreno legando-nos, todavia, um reportório musical impagável, onde se destacava a canção que dá título a este apontamento (ouvir aqui a música), ou “Irmão Ama o Teu Irmão”, “Pele escura”, “Carapinha dura”, “Mamã Grande”, ou “Eu vou voltar”, entre outros.

Mas o seu primeiro grande trabalho aconteceu em 1964 quando gravou a sua primeira música em kimbundo, “Kinguibanza”.

Natural de Mbanza Kongo (antiga capital do reino do Kongo e actual capital da província do Zaire), Teta Lando, que tinha sido eleito e muito justamente há cerca de 2 anos presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), faleceu ontem em Paris onde se encontrava hospitalizado devido a doença maligna.

Será que a UEFA já viu a embrulhada onde está?

Sinteticamente: em Portugal dois clubes (Boavista e FCPorto) e um presidente de clube (Pinto da Costa) foram acusados de tentativa de corrupção de jogos onde participaram e coação sobre árbitros. A um dos clubes foi-lhe decretada descida de divisão e ao outro a penalização de 6 pontos extraídos à classificação actual enquanto o referido presidente foi condenado a 2 anos de suspensão. Como em tudo o que é de Direito, os acusados, reformulo, dois dos acusados, recorreram das sentenças. O FCPorto aceitou e não recorreu, o que para um leigo significa que acatou, pelo menos tacitamente, a ordem judiciária desportiva.

Perante estes factos a UEFA decretou que o FCPorto não poderia participar, como seria seu direito pela classificação oficiosa obtida já que foi campeão da 1ª Liga portuguesa, na Liga dos Campeões. Naturalmente, o FCPorto recorreu e perante factos ainda não cabalmente justificados a UEFA voltou atrás e decidiu acolher o FCPorto na Liga dos Campeões.

Vitória de Guimarães, 3º classificado oficioso da Liga Portuguesa e que iria participar na pré-eliminatória da Liga dos Campeões, e o SLBenfica, 4º classificado e participante na Taça UEFA recorreram para o Tribunal Arbitral de Desporto (TAS) mas a sua pretensão foi rejeitada embora, pareça que o TAS, porque a este momento ainda não se conhecem os fundamentos do acórdão deste tribunal desportivo, remeteu para a UEFA a decisão final.

Até aqui tudo normal! O que já não vai ser normal é se o que o advogado do SLBenfica
deixou no ar for realmente como aconteceu.

Segundo aquele advogado, a UEFA terá informado o TAS que o caso ainda não tinha transitado em julgado porque… poderia haver ainda eventuais recursos para os tribunais administrativos!!!!! não havendo ainda um
despacho final em Portugal.

Ora, se bem me recordo, há cerca de dois ou três anos, Portugal – leia-se a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) – viu-se na contingência de ser suspenso das actividades da UEFA porque um dos seus clubes teria recorrido, precisamente, para um Tribunal administrativo o que ia contra as regras da UEFA. A consequência desse acto foi o tal clube, o Gil Vicente, ter sido despromovido a uma divisão inferior como penalização por tal “infame” acto. Recordo, também, que a Juventus, na Itália, e este país, estiveram quase sobre a alçada da UEGFA pelas mesmas razões, tendo o clube italiano acabado por acatar a justiça desportiva e não recorreu.

Assim, face a estes novos elementos penso que a UEFA meteu-se numa alhada que não sabe como irá sair. É que a confirmar-se as palavras do jurista do SLBenfica nada seria surpreendente se, por exemplo, o Gil Vicente exigisse a reposição da sua posição na 1ª Liga e exigisse, igualmente e muito bem, uma avultada indemnização por danos desportivos e, porque não dizê-lo, morais e de imagem.

Parece-me que a FPF e a UEFA – nem valerá a pena Platini continuar a dizer que não gosta de batoteiros – ainda vão chorar muitas lágrimas por causa de um dragão português…

Se a moda pega…

(al-Bashir numa proveitosa visita à China; foto ©daqui)

Tal como aqui já tinha referido, confirma-se que o Tribunal Penal Internacional (TPI), a pedido do seu principal promotor, Luis Moreno Ocampo, vai solicitar a detenção do presidente sudanês Omar Hassan Ahmad al-Bashir por crimes contra a Humanidade, crimes de guerra e liderança no genocídio contra o povo de Darfur; de notar que o TPI já tinha feito, anteriormente, uma acusação destas ao Governo sudanês.

Mas só este autocrata, déspota e corrupto presidente africano é que é o único nessa situação?

Não haverá outras situações, sob a desculpa proteccionista do petróleo e outras, que poderiam também ser objecto de mandados de captura por crimes contra os seus povos?

Pela posição incomodada do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, há alguns dirigentes africanos que já estão a sentir as barbas – mesmo que não as tenham – de molho…

Mas se o acto do TPI é de louvar – já tinha dado mostras que não andava a dormir quando deteve Jean Pierre Bemba, do Congo Democrático – também não devemos esquecer que há actores do Sistema Internacional que detém iguais culpas por, sistematicamente, se manterem quedos e calados perante tais atrocidades ou manterem apoios militares descomplexados.

E aqui louva-se a atitude de actores, artistas e humanistas que clamaram fortemente contra a situação no Darfur obrigando as mentes púnicas de alguns dirigentes africanos e Mundiais a clamarem contra o genocídio!

Mas enquanto houver petróleo em certos Estados o poder poderá estar garantido. O que lá está já se conhece; o que para lá vai pode negociar com outros e…

Por outro lado, cada vez mais se compreende porquê os EUA rejeitaram (e impuseram regras nas relações com os seus parceiros políticos e económicos) o TPI…
.
NOTA: depois de haver alguns dirigentes africanos a tremerem e a rogarem que a ONU não leve por diante esta detenção, agora é o senegal a pedir ao TPI uma derrogação na detenção por um ano. Algo me diz que a velha máxima de "nas costas dos outros vemos as nossas... começa a surtir algum efeito nas regiões abdominais de uns quantos...

14 julho 2008

Show de um Polícia Sinaleiro, em Luanda


(Recebido via e-mail)

Reconheçamos que é preciso muita classe de pés e muito espírito para estar no meio daquele caos!

13 julho 2008

TC angolano despacha processos de partidos com presidências bicéfalas

O Tribunal Constitucional angolano (TC) já deu despacho aos processos apresentados na sequência das inscrições para as legislativas de 5 de Setembro e relativo à FNLA, à PADEPA e ao PRS.

Relativamente ao Processo N.0009/PCD-2/08, em que se questionava quem tinha legitimidade, para efeitos eleitorais, se a lista da FNLA dirigida por e subscrita por Ngola Kabangu, actual presidente do partido, ou a lista apresentada e subscrita por Augusto Jacinto Paulo, como Mandatário de Lucas Ngonda, o TC emitiu o acórdão nº 5, de 10 de Julho passado, e só agora divulgado aos interessados, mas que ainda não está patente no portal do Tribunal, o Tribunal Constitucional dá como reconhecida a lista apresentada pelo actual presidente da FNLA, Kabangu (note-se que esta informação foi veiculada pela FNLA aos seus militantes e difere do conteúdo que está no TC, o qual, estranhamente, sem identificar o nº de acórdão e embora identificado com o nº 0009/PDC-2/2008, se refere, no seu conteúdo, a um processo relativo a outros partidos e coligações e é datado de 30 de Julho e não de 10 de Julho como mostra neste acesso além de estar, no fim, identificado como sendo Processo 0001/2008)

Já o Processo N.º10/PPC/2008, relativo às listas apresentadas por Eduardo Kuangana, líder do PRS, e a de António Muachicungo que queria se coligar com o PDPS na coligação Aliança Democrática de Angola (ADA), resultou no acórdão nº 6, de 12 de Julho, em que foi dado provimento à lista liderada e apresentada por Eduardo Kuangana não sendo por isso, complementarmente, admitida a Coligação ADA.

Quanto ao Processo N 008/PCD/1-2008, referente às bicefalia presidencial do PADEPA, o TC, através do acórdão nº 4, deu como válida a lista liderada e apresentada por Luis Cardoso, o actual presidente, e rejeitar a apresentada por Carlos Leitão.

Pode ser que assim o espectro político angolano consiga ficar um pouco mais clarificado e, nomeadamente, as finanças do partido criado pelo falecido Holden Roberto possa, enfim, serem libertadas pelo Ministério das Finanças e evitar, assim, que mais algum líder destes, ou de qualquer outro partido, seja sujeito à humilhação que o antigo líder bakongo sofreu e que, em muito, contribuiu para o seu passamento físico devido à falta de fundos que permitissem um melhor acompanhamento hospitalar.

E já agora, e só por mero acaso, talvez dificuldades em aceder ao portal do TC como também eu às vezes tenho, ou desconhecimento(?) da existência do mesmo o que se duvida face a esta notícia ou esta, as secções "Política" e "Especial-Eleições" da ANGOP primam pela ausência de qualquer referência a estes Acórdãos desde o passado dia 7 de Julho até ao momento que coloquei este apontamento.
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NOTA: O Acórdão nº 5 já está conforme a informação inicial da FNLA, ou seja, já se reporta a este partido.

12 julho 2008

G8 analisaram a fome no Mundo degustando caviar e trufas na despedida

(a)(b)
a singela refeição do G8 /(a) versus o opíparo prato dos pobres/(b)

Quando duas imagens dizem mais que milhões de blablablas perante as nossas chipalas!

Irão e Zimbabué ajudam a esfriar as relações russo-norte-americanas

(imagem daqui)

Já não bastava a tentativa – ainda nunca bem esclarecida quanto à sua suposta eficácia – dos EUA em colocarem um pretenso escudo anti-missil na Europa do Leste com a desculpa de evitar um possível ataque de potências terroristas à Europa (cada vez sei menos o que os EUA consideram terroristas depois do exemplo recente em que só passados cerca de 10 anos depois de sair da presidência da África do Sul e de o terem várias vezes recebido como herói é que o Departamento de Estado o retirou da lista dos terroristas; falo de Nelson Mandela, ou a leveza com que aceitaram a destruição de uma chaminé de um eventual silo nuclear da Coreia do Norte).

Agora vêm os ensaios do Irão a querer provar a tese russa que o Escudo na Polónia e na república Checa serão capazes de serem, rapidamente, obsoletos porque os mísseis iranianos Shahab-3, de base norte-coreana, com alcance de 2000 km “poderão facilmente atingir Israel e vários aliados de Washington na região, mas nunca se aproximariam de um ponto que motivasse a acção de estrutura defensiva que deverá estar operacional até 2012 na Polónia (dez interceptores) e na República Checa (vários radares)” conforme recordou Sergei Lavrov, o MNE russo!

E, como recorda o jornalista Orlando Castro, num artigo do matutino português Jornal de Notícias, esta pretensa crise irano-israelo-norte-americana provocou um novo descalabro nos preços do crude com o petróleo Brent, referencial na Europa para os preços de barris a registar “ontem um novo recorde ao ultrapassar pela primeira vez a barreira dos 147 dólares na Bolsa Intercontinental de Futuros de Londres, onde chegou a ser negociado a 147,50”.

E para que os norte-americanos continuem a perceber que os russos estão mesmo pouco satisfeitos com eles, relembre-se a sua tomada de posição, já várias vezes dada como certa, na proposta de Resolução contra o Zimbabué, Mugabe e seus amigos de peito, ou seja, os russos vetaram!

Zimbabué: E o veto ganhou a África!

(ONU, África e amigos... Tomem lá manguito!)

"Como se esperava a Rússia e a China vetaram as sanções a Mugabe e à sua pandilha organizada. As sanções propostas consistiam no embargo de armas ao Zimbabué, congelar os bens e proibir as viagens de Mugabe e de outros 13 dirigentes do seu regime, além de escolher um outro mediador para a crise.

Perderam não os mentores da Resolução, mas o Zimbabué, os zimbabueanos, a Democracia e, quer queiram os dirigentes quer não, perdeu África.

Por isso não surpreende que Mugabe se diga feliz com o veto por, como ele afirmou, “por saber que as Nações Unidas são ainda uma organização onde existe uma soberania igual para cada membro e que há controlos no sistema que protegem os fracos dos poderosos” Ora há sistema mais antidemocrático que o Conselho de Segurança onde um Estado (são 5 com essa particularidade) tem o direito a vetar o que a maioria aprovar?

E não é de certeza que o veto aconteceu porque, como ele ameaçou a aprovação da Resolução seria o caminho para a guerra-civil. Além dos dois vetos também votaram contra a África do Sul – porque será ou levará Mbeki a manter esta fixação por Mugabe quando a maioria dos políticos e dos sul-africanos contestam Mugabe?! –, a Líbia e o Vietname!

Ora quando um Chefe de Estado, ilegitimamente consolidado no poder faz declarações – leia-se, ameaças, – destas, isso, só por si, já seria o principal factor para fazer aprovar a Resolução.

Mas há interesses mais elevados que a estabilidade e a paz na região. Como por exemplo, Mbeki a deixar de ser mediador quem poderia sê-lo, e isso Mbeki não o deseja nem por nada, seria Eduardo dos Santos? Ora a disputa pela primazia na região, leva a que as duas potências regionais emergentes torná-la mais importante e por vezes, insinua, também, os seus interesses devem ser colocados acima da estabilidade regional, principalmente quando está em jogo a supremacia na SADC. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , "Colunistas" de hoje.

STP entrou no 34º ano de vida…

("O Verde o Mar de STP"; foto ©António Jorge Soares)

Ainda sob o espectro da instabilidade económica mas com uma Democracia político-social a dar mostras de estar estabilizada, como o provou na última crise governativa, e passados que são 33 anos com Estado independente, São Tomé e Príncipe entra no seu 34º ano de vida com os olhos postos nos dividendos que o petróleo possa, enfim, fazer chegar ao belo país do Equador mas sem que aqueles estraguem o que de mais belo as ilhas paradisíacas têm: a sua verdura e fauna endógenas e o seu magnífico e profícuo mar!

11 julho 2008

Nova capital para Angola? um assunto que volta...

Via e-mail recebi a mensagem que a seguir se reproduz.
Já a tinha recebido há uns dias. Mas perguntas que tenho recebido via e-mail complementadas por um comentário colocado num dos últimos apontamentos levaram-me a vir aqui.
Depois da capital proposta pelo arquitecto angolano Troufa Real, em 2003/2004, a
Nova Luanda ou Angólia, ao sul da actual capital, volta ao “barulho” a capital solicitada(?!) a Óscar Niemeyer.
A esperança é que não seja mais que um fait diver em tempo de pré-campanha eleitoral até porque de acordo com uma
entrevista do ministro do Urbanismo e Ambiente, Diekumpuna Sita Nsadisi José ( Sita José), em Janeiro de 2008, esta situação ainda não estará nos planos do Governo (ou será por isso que o ministro Rabelais não quer conversas na imprensa sobre as obras governamentais?!).
Por outro lado, também não concordo com algumas comparações aqui deixadas, mas respeito o conteúdo do e-mail...

"Dos novos-ricos não reza a história. Só pelos maus motivos.
O poder do dinheiro leva-os a manifestar a sua pequenez através de decisões folclóricas.
Com níveis de pobreza assustadores, Angola quer construir uma nova capital, a norte de Luanda.
O arquitecto
Óscar Niemeyer já foi contactado por Eduardo dos Santos para tal efeito.
Ao que parece, Brasília é o máximo para a nomenclatura angolana.
E como o dinheiro não falta, paga-se o que for preciso. Niemeyer vai se fazer pagar bem. É o único arquitecto centenário de renome mundial.
Com a nova capital pretende-se um 'começar de novo'.
Para quem?
A resposta oficial é fácil de adivinhar: para os angolanos.
Mas as barracas e os pobres não entram. Os membros da burguesia burocrática, corrupta e completamente improdutiva, serão os novos habitantes da nova metrópole. Juntamente com os estrangeiros, que sempre dão um ar cosmopolita. E as sedes de empresas multinacionais. De petróleo e diamantes.
De repente veio-me à memória Houphouët-Boigny. Construiu uma réplica da Basílica de S. Pedro em Yamoussoukro, a capital da Costa do Marfim, um país maioritariamente muçulmano.
E Jean-Bédel Bokassa, o imperador canibal do “Império” Centro-Africano. Mandava fazer tronos em ouro maciço para se sentar.
O que há de comum em todos eles?
A pobreza extrema em que vive o seu povo. Os sonhos megalómanos dos dirigentes são concretizados à custa de milhões de pessoas que lutam diariamente pela sobrevivência.
A riqueza de um país não pertence aos seus governantes nem à burguesia nacional. É um bem público, que deve ser administrado para o bem de todos.
Num país onde nem sequer há um presidente eleito nem uma democracia consequente, é fácil adivinhar o rumo que tudo isto vai tomar.
Os palácios na Europa, os aviões privados e os milhões de dólares em bancos estrangeiros já são uma realidade há muito tempo.
Agora só falta a cidade e o trono, para o show off.
A História anda aos círculos e as vítimas são sempre as mesmas.
Haja decoro.
"

Como o espírito olímpico ataca toda a gente

(logo do ©COI)


A Guiné-Bissau é um dos muitos casos paradigmáticos de como o espírito olímpico quando ataca, ataca toda a gente.

O Comité Olímpico Bissau-guineense, e tem de ser o COGB a entidade tutelar – ou será que não o é? – vai levar 32 pessoas aos jogos Olímpicos de Pequim 2008, na sua 4ª presença desde os jogos de Atlanta 1996.
Pois, mas só 3 (TRÊS!!!) é que são atletas.

De acordo com o chefe da delegação, Deladier Vieira, os 3 atletas são o lutador (modalidade de luta-livre) Augusto Midana e os atletas Holder Silva, velocista, e a fundista Domingas Togna (modalidade de atletismo), com a particularidade, ressalvada por Vieira – terá sido uma chamada para melhor aplicação dos atletas em futuras participações? – de que somente Midana está na comitiva por direito próprio, depois de ter conquistado a medalha de bronze nos últimos campeonatos africanos de luta, realizados em Argélia! Os dois restantes foram incluídos por convite, dado não terem conseguido mínimos.

Só fica uma pergunta. O COGB só conseguiu dois convites para atletas? Se cada atleta levar o seu treinador pessoal e acompanhado de um treinador principal de cada uma das duas modalidades, seriam, em termos atléticos, adicionado do chefe da delegação, 9 pessoas na comitiva. Quem são os restantes 23?!

Depois digam que não há dinheiro na Guiné-Bissau porque, por certo e de certeza que a China não pagará estas viagens todas, salvo se, e politicamente…

10 julho 2008

Senhor Ministro se for verdade só há uma solução: demitir-se

(imagem daqui)

Segundo a VOA-Multipress e o Club-k que citam um jornalista da Rádio Ecclésia-Emissora Católica de Angola, o Ministro para a Comunicação Social, Manuel Rabelais, terá chamado os jornalistas dos órgãos oficiais, do semanário angolano Angolense e daquela emissora católica e indicado que a partir de agora não admitiria críticas ao Governo de Angola, nomeadamente às obras em curso.
À partida, haveria 2 ou 3 partidos satisfeitos com esta medida autocrática, o MPLA, a UNITA e alguns independentes, nomeadamente os que estão próximos de Cabinda.
Mas quem calou – ou de quem nada se ouviu – face à ordem de suspensão uma rádio comercial, a Rádio Despertar, próxima da UNITA, por, na concepção dos dirigentes do MPLA e do senhor Ministro estar a fazer propaganda próxima da UNITA e crítica do Governo e do MPLA é crível que as palavras do senhor Ministro não se referiam ao Governo em geral mas ao MPLA em particular.
Por alguma coisa O MPLA, no dia da última sessão ordinária da actual Legislatura, rejeitou certo tipo de alterações ao Direito de Antena nos órgãos oficiais
Ou seja, a ser verdadeiras as notícias circulantes, está tudo proibido de dizer mal do MPLA.
E o certo é que enquanto o jornalista da Rádio Ecclésia (estranha-se o silêncio desta emissora e d’ O Apostolado) já disse que não vai cumprir esta instrução, em Benguela, a Rádio Benguela do grupo RNA já terá anunciado a retirada do programa “Roteiro da Manhã”, um espaço em que os cidadãos opinavam sobre as diversas matérias locais, e a Rádio Morena Comercial estará a reestruturar alguns dos seus programas com conteúdos críticos.
Espera-se que isto não seja um mau pronuncio para a campanha eleitoral que se avizinha e uma amostra do que não se quer em Angola; porque se assim for, mal está o sistema político angolano.
Espero que ao senhor Ministro, porque me merece respeito como todos os demais que assumem os erros, mesmo que inocentes, assuma a única solução possível depois desta incrível exigência: se demita.
Caso contrário, nada mais restará ao senhor Presidente Eduardo dos Santos, para manter a equidade exigível a uma sã campanha eleitoral, outra medida que não seja o demitir e alertar ao Conselho Nacional de Comunicação Social que explique aos jornalistas que a ordem foi arbitrária, inaudita e inconveniente, um autêntico ataque à liberdade de imprensa, pelo que devem considerá-la nula!
Vamos aguardar pelas cenas do próximo capítulo nesta pré-campanha eleitoral!
Publicado como Manchete do , sob o título "Jornalistas proibidos de criticar os donos do poder em Angola"

Legislatura de 16 anos fecha as portas e sai pela porta pequena

(Assembleia Nacional de Angola; imagem daqui)

Durou 16 anos esta "enorme" legislatura angolana, cuja data oficial de encerramento é 15 de Julho.

Oficialmente, ontem foi o último dia de reuniões ordinária, com saída pela porta mais pequena porque o partido maioritário, o MPLA, talvez como vingança por não o deixarem fazer vingar a tese de 2 dias de votação, decidiu rejeitar as propostas da Oposição no que toca ao Direito de Antena e de Réplica Política, nomeadamente, na Televisão Pública de Angola (TPA) e um relativo ao Conselho Nacional de Comunicação Social, órgão que regula a actividade da comunicação social no País.

Ou seja, o MPLA decidiu que quem for criticado na Comunicação Social não tem o direito a resposta, logo vai ser ouvir e calar à boa maneira dos regimes autocráticos. Tal como também, assim, se pode cercear a expansão da Rádio Ecclésia ou mandar suspender as emissões de rádios que não saibam ler o que manda a cartilha da boa subserviência política.

Começa muito mal a pré-campanha com indecisões que ferem as regras de uma boa e sã convivência democrática eleitoral.

Esperemos que a 15 de Outubro quando se iniciar a nova Legislatura a Assembleia Nacional esteja melhor composta e os deputados percebam que devem primeiro respeito a quem os votou, ou seja o Povo Angolano, e só depois o “baixar das orelhas” aos partidos e interesses partidários e outros.

08 julho 2008

Depois da polémica, o bom senso… e volta a polémica

Como a polémica já estava a ultrapassar os limites territoriais nacionais e havia o perigo da Lei poder bater no Tribunal Constitucional o que seria uma derrota política não bem digerida, o MPLA acabou por, e com muito bom senso, desistir da peregrina ideia de prolongar por mais um dia as eleições.
Ou seja, as eleições para as legislativas angolanas vão se realizar unicamente a 5 de Setembro próximo.
Mas como parece que dentro do MPLA há quem goste de polemizar as coisas – ainda não perdi a esperança que também eles hão-de ser atacados pela boa democracia – e porque internamente as coisas parecem não estar muito bem – veja-se o mal-estar com as listas do “M” – agora viraram-se para as ondas hertzianas.
Já não lhes bastava impedir a Rádio Ecclésia-Emissora Católica de Angola de se expandir pelo País, querem mandar calar uma emissora comercial, criada no âmbito dos Protocolos de Paz assinados entre a UNITA e o Governo/MPLA, a Rádio Despertar, estabelecida em Viana, perto de Luanda, porque, segundo afirmam, as suas emissões, ultrapassam os 50km de raio a que está destinada.
Por acaso, uma emissora que, só por acaso, viu a sua frequência ser quase abafada logo no início por uma emissora local do grupo RNA.
Pois, e conforme o próprio Instituto regulador das ondas hertzianas reconhece, há momentos, devido a alterações climatéricas, que as frequências podem se expandir para além do seu limite natural.
Mas como isso não conta, e a um pedido (leia-se ordem) de Noberto dos Santos "Kwata Kanawa", secretário para informação do MPLA – pensava que era o Governo que deveria intervir e não, nunca, um partido (como se estivéssemos em regime de partido único – desculpem se me enganei –) em seu nome – a INACOM (Instituto Angolano de Telecomunicações) com a aceitação do ministro dos Correios e Telecomunicações, Licínio Tavares Ribeiro, decidiu suspender as emissões da Rádio despertar por 180 dias.
Mera casualidade pelo facto da rádio ser naturalmente afecta á UNITA e ter aberto as suas ondas à população em geral onde faziam as suas queixas.
Como diriam os mal-intencionados, e se eu fosse um deles era o que diria, tudo para evitar eventual derrota do “M”. Como não sou mal-intencionado acredito que foi só… por mero acaso esta suspensão que, ainda assim, pode ser e sêlo-á por certo como já o afirmou um dos responsáveis da Rádio, contestada.
Cabe ao Tribunal Supremo, bem assim, à CNE que ao Tribunal Constitucional, mostrar que Angola caminha para uma verdadeira Democracia parlamentar e pluralista e que tudo não passa de um pequeno problema técnico mal interpretado…
Ou seja depois de acabarem, salutarmente, com uma polémica fazem emergir outra.
Naturalmente há que afastar maus-espíritos e péssimas atitudes de gestão de um lado para o outro…