30 novembro 2008

O direito à propriedade não é respeitado?

(Obras algures em Luanda; foto daqui)

O Estado de Angola, através do Governo então emergente e por quando da independência, decretou que a terra era propriedade do Povo, ou seja, do Estado angolano.

Quando a Constituição foi revista, e se bem me recordo, só grandes propriedades manter-se-iam em posse do Estado angolano enquanto pequenas e médias propriedades passavam para as mãos de pequenos e médios proprietários. Mostra a prática, como provam algumas descaradas declarações de altos dirigentes partidários e governamentais, que não é bem assim, mas façamos de conta que ainda é…

Se a Constituição e o Estado angolano permitem a posse de terrenos privados como se explica que, em Luanda,
um banco, agora de capitais luso-angolanos, possa ocupar indevidamente, pelo menos segundo o seu legitimado proprietário, sem prestar qualquer tipo de contas nem indemnização, um terreno seu?

Como ainda acredito que o Estado Angolana, é um Estado de Direito, onde existirá, por certo e de certeza, Justiça consubstanciada, pelo menos, na figura da Procuradoria-geral da República e do próprio Ministério Público, parece-me que será de bom tom estas duas entidades procurarem saber como se praticam eventuais ilegalidades que só colocam em causa o bom nome do Estado Angolano.

E se o legitimado proprietário do terreno em questão é de nacionalidade estrangeira, mais interessa á justiça angolana que o nome de Angola não saia vilipendiado por atitudes menos correctas e eventualmente prepotentes de uma qualquer empresa seja nacional, estrangeira ou bi-nacional.

Porque, apesar de certos factos apontarem no contrário, ainda acredito na Justiça angolana tenho a certeza que este caso vai ser rápida e resolutamente resolvida. Tal como caberá à referida Instituição mostrar o eventual desconhecimento que os empreiteiros que eventualmente usurparam o terreno em seu nome e ressarcir o legitimado proprietário.

Fica bem a Justiça, fica bem a instituição bancária, ficará bem, por certo, o descuidado usurpador e, acima de tudo, ficará respeitada a legalidade jurídico-democrática de Angola!

29 novembro 2008

Democracia, é sinónimo de livre expressão

Tal com a Liberdade, também a Democracia parece ter várias interpretações consoantes os interesses das partes e das vontades.

Só assim se explica que um
partido político interprete o que está no seu ideário de forma ambígua e leve a impedimentos à livre disponibilidade de cada um em exercer o seu direito à livre cidadania, conforme está claramente disposto na Constituição e na Declaração dos Direitos do Homem.

Se o partido quer manter a aura de seriedade e de livre discordância, tão cara à Democracia, só tem um caminho, alterar os seus Estatutos e, subsequentemente, admitir a diferença de opiniões dentro do partido.

Só assim, um qualquer partido, associação ou organização pode evoluir. Porque só quem não teme as diferenças pode ter legitimidade para se sentir realmente vencedor num qualquer pleito eleitoral ou na sociedade.

O “yes man”, a subserviência, a bajulação, é apanágio das Autocracias e Ditaduras e não das Democracias!

28 novembro 2008

Chumbadas levam as presidenciais para o caminho do adiamento?

"Ou seja, as presidenciais em Angola foram atingidas com, pelo menos, cinco certeiros tiros

.Depois do líder da Oposição e presidente da UNITA, Isaías Samakuva, ter condicionado a sua eventual participação às presidenciais, previstas para 2009, desde que estas fossem manifestamente transparentes, democráticas e sem constrangimentos como os ocorridos nas legislativas e de que a UNITA já fez eco através de um comunicado; ou seja, e segundo as palavras de Samakuva se "… não houver garantias […as presidenciais] [que] não vão ser uma farsa".

Um primeiro tiro nas presidenciais.

Depois da sondagem que o Semanário Angolense publicou na sua edição 291,
de 15 a 22 de Nov, que mostravam que o actual inquilino da Cidade Alta não tinham concorrentes à altura, nem mesmo dentro do seu partido, o que tornaria as presidenciais num autêntico plebiscito, tornando quase desnecessária a votação.

Segundo chumbo certeiro nas presidenciais

Sabendo que um dos grandes objectivos de certas personalidades próximas, e mesmo dentro, do MPLA querem que o regime angolano seja total e claramente presidencialista em vez desta encapotada situação em que a Constituição aponta para um regime parlamentarista semi-presidencialista, mas que a prática mostra ser claramente presidencialista, é sua vontade é que a actual Constituição sejam rapidamente revista.

Perfeitamente natural num regime democrático e onde o Parlamento é dominado por uma maioria qualificada de um partido, no caso o MPLA. Mal ou bem, com desacertos ou situações questionáveis, os adversários aceitaram e sancionaram o que o Povo, mesmo que em eventual teoria, decidiu. E se decidiu…

Pois é aproveitando esta situação de eventual alteração da Constituição, que não tem data prevista de início e, ou, termo, que o Presidente José Eduardo dos Santos, potencial jogador nas presidenciais, decidiu
condicionar as presidenciais previstas para o próximo ano à aprovação da nova Constituição; ou seja, e como o próprio Presidente fez questão de sublinhar, o presidente eleito terá de o ser "a partir do que ficar plasmado na Lei Fundamental angolana" (...)" (Continuar a ler aqui ou aqui).

Publicado no /Manchete, sob o título "Tudo pronto para adiar eleições presidenciais" e retranscrito no portal , em 28/Nov/2008

E os Prémios BOBs 2008 foram para…

THE BOBs Terminaram as votações do Público e da Crítica para os BOB’s Awards 2008 e que premeiam os melhores blogues a nível mundial.

Como era do vosso conhecimento o “Pululu” foi um dos finalistas, na rubrica “
Repórteres sem Fronteira” (RSF).

Após a votação final do Público, o “Pululu” ficou em 6º lugar – só com 324 visitas registadas no concurso – com a mesma percentagem do 5º e do 7º com, respectivamente, 637 e 1275 visitas - se fizer uma conferência público/percentagem... Nesta rubrica, RSF, venceu, no Público, o blogue da cubana Yoani Sanchez, “
Generación Y” com 25% dos votos, e com 3322 visitas. A nível do Júri, venceram, ex-aqueo, dosi blogues de intervenção, o chinês “Blog de Zeng Jinyan” e o iraniano “4equality”.

Quanto às
restantes rubricas, e ralativamente aos prémios do Júri destaque para a vitória do “Generación Y” no “Melhor Weblog”, do blogue o costamarfinense “Le Blog de Yoro” no “Melhor em Francês” – ficou em segundo no Público –, do brasileiro “Querido Leitor” para o “Melhor em Português” – também ganhou no Público, à frente do moçambicano “Diário de um sociólogo” –, ou do sul-africano “Voices of África” para o “Melhor Videoblog”.

Poderão conferir todos os vencedores do
Júri e do Público nos respectivos acessos já assinalados. Aos vencedores e aos restantes finalistas os meus sinceros parabéns e fraternas felicitações.

Luanda tem nova rádio

Foi apresentada à Comunicação Social e à população da cidade da Kianda uma nova rádio, a Rádio Mais, que vai operar em FM, na frequência dos 99,0, devendo a sua emissão regular começar amanhã.

A notícia que repescada da TPA Internacional é omissa, pelo menos não consegui percebê-lo, talvez por defeito auditivo meu, se é uma rádio privada ou mais uma do Grupo RNA. Todavia, e na busca pelos portais independentes, consegui saber que é do grupo MediaNova que, por acaso, tem algumas personalidades cuja a independência política é, no mínimo, questionável.

Mas como acredito que o profissionalismo dos seus jornalistas e locutores é superior aos interesses políticos vigentes ou emergentes vamos aguardar que a Rádio Mais esteja também no espaço netiano e possam os ter uma opção mais credível quanto à radiofonia angolana.
.
NOTA: Segundo o jornalista Wilson Dadá, no seu "Morro da Maianga" a nova Rádio já conseguiu uma colaboração com a BBC retransmitindo, diariamente, apontamentos informativos desta emissora britânica. Um a zero para a Rádio Mais

27 novembro 2008

Quando a infâmia continua a falar mais alto

(O luxuoso hotel Taj Mahal, em Mumbai, em chamas devido ao atentado de ontem; imagem AFP)


O que se passou ontem em Mumbai (Bombaim) é o sinal claro que o terrorismo, do mais baixo e bárbaro que se possa imaginar, continua a pensar – e se pensa, não hesita em executar – que as diferenças ideológicas, sociais, antropológicas, económicas, em suma, as diferenças, se resolvem com tiros, com bazukadas, com reféns, com atentados.

E o desplante com que fazem isto, inclusive seleccionar quem queriam raptar e, ou, matar tornam estes casos ainda mais preocupantes. Prova-o as inúmeras vítimas mortais e ferias e raptadas.

E quem fala nos atentados de ontem de Mumbai, dever-se-á, também, falar no ataque pirata que, ainda hoje, aconteceu na Costa Ocidental de África, ao largo da Serra Leoa, ou os que sistematicamente e ao arrepio das esquadras que parecem já haver no Golfo de Adém, os piratas vão levando a efeito nas costas do Corno de África.

E se nos recordarmos que uma corveta indiana parece ter destruído um dos barcos-piratas principais, ao largo da Somália e a organização – pelo aparato e coordenação, teve de ser uma empresa bem organizada – que reivindicou os atentados, a Decann Mujahideen, é desconhecida, então, talvez possamos juntar dois mais dois…

Por isso, é, no mínimo, perigoso começar, tal como já fizeram alguns responsáveis indianos, a “bombardear” acusações quanto à proveniência dos bárbaros assassinos; não consigo dizer terroristas ou militantes islâmicos porque estes, ainda assim e em princípio, têm objectivos que vão para além do simples terror ou destruição!

26 novembro 2008

Empresa de gestão da Luz de Luanda estagia em Lisboa?

(foto ©Elcalmeida)

Já por duas vezes, e quase à mesma hora, um determinado bairro da capital portuguesa é beneficiado com a escuridão total.

Como não acredito que seja um apagão por razões humanitárias – leia-se para poupança de energia nem diminuição do CO2 – e porque, a falta de luz acontece por alturas em que um Estádio da redondeza abre as portas ao público e aos jogadores – só por mero acaso, claro nem outra coisa pensaria mesmo que esse Estádio seja de um clube que pouco simpatizo –, a dúvida fica no ar.

Ou será, que a empresa gestora da capital angolana está a estagiar em Portugal e explicar à EDP como poupa na Luz e esgota a paciência e diverso material eléctrico, nomeadamente computadores, dos utilizadores-pagadores?

É que se isto continua não terei qualquer problema em exigir à EDP – a mesma que vendeu, cada vez me convenço mais disso, gato por lebre com as acções das Renováveis – o direito a ser ressarcido quanto aos custos que alguma avaria possa acarretar aos diferentes aparelhos.

É que a EDP como empresa monopolista de distribuição de energia eléctrica não pode se esquecer que à hora em que a luz nos oferece a possibilidade de olhar para as estrelas, devido à escuridão, estão muitas crianças a chegarem a casa e começarem a estudar. E não é com apoios como a imagem nos oferece que poderão fazê-lo com qualidade, além de forçarem a vista!!

De facto os americanos não são estúpidos…

Para aceder ao vídeo entre aqui!
Só um exemplo, sabiam que um País começado por "U" é Utopia ou Utah? ou que Fidel Castro é um cantor"?


… mas chamar só de ignorantes…

Depois critiquem a educação nas nossas Escolas e nos nossos Países!!!
(recebido por e-mail de terras próximas do Tio Sam; são cerca de 5'46")

25 novembro 2008

Prémios BOB’s, aproxima-se a data limite de votação

Amanhã é o último dia para a votação do Público para os prémios para os melhores Blogs do Mundo, os BOB’s Awards da Rádio Deutsche Welle.

Como sabem, o Pululu foi um dos finalistas à votação final do Público e dos Críticos, na rubrica “
Repórteres Sem Fronteiras”, encontrando-se, neste momento, em 7º lugar a cerca de 1% do quinto colocado. Quem quiser votar pode ainda fazê-lo, até amanhã, através daqui e na rubrica respectiva.

Mas dos africanos não é só o Pululu que está na compita pelos prémios. Como se devem recordar da chamada África subsaariana estão também o referencial moçambicano “
Diário de um Sociólogo” – quando é que o Maschamba volta ao nosso convívio? – no prémio “Melhor em Português” – actualmente em segundo lugar bem destacado do brasileiro (quase angolano) “Casa de Luanda” –, o costamarfinense “Le Blog de Yoro” candidato ao “Melhor em Francês” e o o ugandês Scarlett Lion in Uganda, nos “Melhores em Inglês”. Competem também blogues da África do Norte, nomeadamente, marroquinos e egípcios.

Na quinta-feira, dia 27 de Novembro, saber-se-á quem foram os vencedores desta edição do The BOBs, segundo o Público e o dos Críticos, em cerimónia transmitida ao vivo via
live streaming e comentada via live blogging por Peter Bihr.

Enquanto uns definham outros levam prémios

(imagem daqui)
Pelo menos, uma vez por dia, faço uma visita a Maputo, através do académico Carlos Serra e via "Diário de um Sociólogo".

Qual não foi a minha agradável surpresa ao ler um
apontamento sobre as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

Segundo Carlos Serra, a LAM, companhia de bandeira de Moçambique, terá sido hoje foi galardoada, em Ouagadougou, Burkina Faso, por, e passo a citar, “ter sido considerada
a melhor companhia área africana do ano, no âmbito regional, pela Associação Africana das Companhias Aéreas.”

Se nos lembrarmos que não há muito tempo também a LAM esteve entre as interditadas no espaço aéreo europeu e um seu administrador foi detido por irregularidades administrativas temos de reconhecer que a sua Administração e o estado moçambicano souberam dar a volta ao texto e colocar a LAM num galarim que muitas companhias africanas e, porque não dizê-lo, euro-regionais gostariam de estar.

Parabéns à LAM e a todos aqueles que contribuíram para o galardão, ou seja, a administração e os seus colaboradores.

O certo é que enquanto uns se singram e voam outros, infelizmente, parecem ter perdido a capacidade de voar (saltar elegantemente) como o patrono que até há pouco o caracterizava (e se espera que a (re)nova mantenha a imagem)…

24 novembro 2008

Nota rectificativa sobre comunicado de “Nino” Vieira e os factos estranhos mantém-se…

Quando estou errado gosto de retractar-me e, sempre que possível, rectificar o erro: ontem escrevi aqui que Nino falou ao país via porta-voz. Foi isso que a generalidade da Comunicação Social portuguesa deu à estampa por via de uma nota da LUSA.

Mas como a verdade deve ser dita, vi hoje na RTP-África que afinal Nino falou ao Povo, com aquela expressão de quem nada deve e a quem quiseram tirar um chupa-chupa.

Ou será, como os dois analistas contactados pelo Jornal de Notícias referiram, Nino se quer mostrar como uma vítima “
perante a sociedade e os países daquela região de África” e, em caso disso implantar o Estado de sítio para que os resultados das eleições, que, quer alguns queiram quer não, foram contrários aos interesses do Presidente; Gomes Jr não quer o reforço da autoridade do Presidente, ao contrário deste, e nunca ninguém explicou como um partido, o PRID, que se reflectia em Nino apareceu do nada e com tanto kumbu… para já não falar das acusações atempadas de Gomes Jr e de Kumba Ialá a “Nino” Vieira. Acusações que lhes valeram umas visitas à PGR Bissau-guineense mas que nunca foram levadas, até ao presente, a Tribunal. Porque será?

Como também ainda não explicou como e porquê contactou primeiro o seu homólogo senegalês, que colocou logo um avião à sua disposição, não contactou o CEMGFA, general Tagmé Na Wai – ah! sim, estava doente e só por isso, de acordo com a conversa tida por
Wade com o correspondente da RFI, não poderia ser associado ao Putsch – e como o tiroteio durou três horas sem que os restantes militares tenham tido qualquer interferência conhecido para acabar com o ataque.

Factos estranhos que ocorreram na madrugada de domingo de 23 de Novembro. Tão estranhos que um Putsch foi liderado por um subalterno da marinha, por acaso já indicado por uma qualquer tentativa de Golpe, de Agosto passado – estranho, não é? –, colocado a vários quilómetros de distância da capital, que parece seria do conhecimento do Ministério da Administração Interna sem que este pusesse a recato o casal presidencial – que nada sofreu em três horas de tiros e morteiros, dado parece ter ficado acolhido numa sala do interior da casa, que só sofreu embates de balas na parede exterior e um pequeno buraco no tecto; diga-se um buraco um pouco estranho pelo formato, mas como não sou perito em balística… – e o líder do Putsch já terá sido
detido, faltando saber se alguma vez se apresentará a Tribunal. Basta recordar como terá desaparecido Ansumane Mané…

O Pululu pelos leitores: “Obama…”

(a partir de uma imagem no Google)

Sempre que se proporcionar e o conteúdo for merecedor disso terei todo o prazer em trazer à estampa os comentários dos leitores. Não o tenho feito, porque quem quer, pode sempre aceder aos mesmos na rubrica comentários.
(Re)comecemos hoje com um sobre o
artigo publicado no semanário santomense Correio da Semana sobre Obama e alertado aqui.
Mas porque o que segue é, não só interessante como tem observações pertinentes, como quando se refere à pouca visibilidade de – adoptemos a sua terminologia que adoptou para americanos e brasileiros – afro-portugueses na vida política portuguesa. Que me recorde só dois afro-portugueses tiveram rosto na Casa dos Portugueses, ou seja, na Assembleia da República: Fernando Ká, pelo PS, e de ascendência guineense, e Hélder Amaral, do CDS. Há, apesar de não ser de ascendência africana, uma outra personalidade não-branca com posição de destaque, Presidente de uma das principais câmaras portuguesas e que já chegou a ser hipótese para liderar o seu partido. Mas…
Lamentavelmente, e é só o que lamento, o artigo foi colocado como anónimo. Nem umas iniciais. Pelo conteúdo fico com a ideia que é um angolano, um compatriota. Todavia, agradecia que, de futuro, as pessoas assinassem, pelo menos, com as suas iniciais. Há que deixar o medo para os ditadores e autocratas.
Aqui fica o texto:

Amabilíssimo Pululu,
Gosto muito do seu blog e deleito-me durante longos fios do pouco tempo livre que tenho tido a ler boas e imparciais análises contidas nos seus artigos. Quanto ao presente artigo, tenho simplesmente a incentivar-lhe a encontrar - mesmo que isso venha a exigir da sua parte ter um coração negro - as motivações que estiveram e estão ainda, infelizmente, na origem de um sentimento de revolta e que agora se transforma quase em "exclusão", embora eu nem sequer partilhe desse sentimento de vítima, dado que até em Angola, p.ex.,os brancos e mulatos - que não constituem 14% como os negros nos EUA - ocuparam e ocupam sempre bons e até melhores lugares e se eu disser que em muitos casos, são eles a excluírem a maioria negra e eles próprios a autoafirmarem-se mulatos e não negros e, no caso de brancos, angolanos só quando isso convém, sei que não me vai acreditar ( E então eu devia ter mais motivos de escrever as minhas lamúrias...). A única coisa que vai acreditar é que o branco nunca foi escravo do negro e nunca se submeteu aos desprezos mais humilhantes à custa da cor da sua pele; e acho que confirma também esta: o negro nunca se considerou superior ao branco, mas sempre lutou e teve que lutar, por si próprio, pela dignidade e igualdade. A essa luta juntaram-se mais tarde outros não-negros de quem os negros nunca se vão esquecer, porque a eles rendem homenagem. E existem muitos ainda hoje, e sobretudo hoje, na mesma senda. Creio que sua senhoria também está do lado dessa luta, embora neste artigo revele mais o interesse de promover quem sempre se auto-promoveu e nunca foi despromovido por ninguém, aproveitando-se do "caso Obama" que é simplesmente uma vitória do Povo maduro americano maioritariamente branco que foi acompanhando essa luta sem armas.
E nem penso que este seja o fim da luta; é o princípio...! Obama terá de usar as suas competências não só para lutar contra a corrente dos preconceitos, mas também e sobretudo para defender a cor. Tudo o que vier a correr mal durante a sua governação já náo terá como causa o Presidente americano Obama, mas o Presidente afro-americano (negro) Obama. É mesmo assim, enquanto uns são americanos, brasileiros, outros são afro-americanos, afro-brasileiros.
Contra a minha vontade tive de recordar-lhe só alguns de muitos factos a que devemos estar atentos quando pretendemos que acontecimentos dos EUA sirvam de exemplo para Angola, Moçambique, etc. Sigamos a história, curemos as feridas do passado com muito respeito, tolerância, serenidade, mas sobretudo com espírito de perdão( e nós que apenas obtivemos a independência em 1975 e com uma guerra civil que só terminou há 6 anos, ainda estamos nessa fase). Ainda temos um longo caminho a percorrer: em Angola (onde já desde o ano da independência existem mulatos e brancos em cargos públicos importantes, incluindo governadores provinciais porque foram vistos simplesmente como angolanos e o são!) , em Portugal (se calhar também ai existem negros portugueses - quem são eles na política ou noutros sectores importantes?), no Brasil, em Moçambique, na França, na Holanda, na Bélgica, na Zâmbia, no Zimbabwe, na Inglaterra, na Itália, na África do Sul(também aí, apesar de os negros ainda terem as cicatrizes do apartheid bem visíveis, não me parece que os brancos estejam a ser vítimas de exclusão nem política nem social) , na China...
Andemos devagar, invistamos nas nossas fazendas sim mas também nos valores humanos, respeitemos o povo e a sua cultura viva, nos ocupemos dele, lutemos pelo seu bem-estar, apresentemos as nossas propostas inteligentemente, que a nossa política convença o eleitor (como o fez Obama), façamos jogo democrático limpo, na harmonia e na paz, e então poderemos ( “we’ll be able”, futuro do presente “we can” de Barack Obama) chegar ao poder sem condescendência de ninguém nem precisaremos de usurpá-lo de ninguém, mas por mérito próprio e reconhecimento do povo!

23 novembro 2008

Nino pede calma, mas…

(imagem ximunada daqui)
O presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo “Nino” Vieira – penso que ainda o é – pediu, em comunicado, calma aos guineenses, agradeceu à comunidade internacional a solidariedade manifestada e felicitou as Forças Armadas.

Mas só não entendo porque o fez via porta-voz e não directamente como seria expectável.

Mais um
facto insondável desta estranha madrugada de domingo que até teve um comunicado do PRS, também lido por um porta-voz, dado que Kumba Ialá – mas ele não tinha mudado de nome devido à sua conversão ao Islamismo? – estava na sua residência em Bissau, outro facto estranho dado que na véspera se tinha refugiado em Bissorã rodeado de protecção militar por razões que só ele e quem lhe disponibilizou os militares saberá, ou talvez não; e se lermos este Editorial de reflexão de Fernando "Didinho" Casimiro…

Putsch na Guiné-Bissau…



Alguém ouviu a CPLP ou o presidente em exercício da CPLP fazer alguma declaração, seja de condenação, seja de pedir a calma, seja de reiterar a sua vontade em ajudar o Povo Bissau-guineense neste dia tão estranho?

Desculpem, mas esquecia-me que estamos em fim-de-semana e a Guiné-Bissau não é a União Europeia, aquela a que dá dinheiro para certos senhores continuarem a poderem defender o seu kumbu…

Cheiro a golpe na Guiné-Bissau, ou…

O que aconteceu esta madrugada em Bissau foi mesmo uma tentativa de Golpe ou "Putsch", de assassinato de Nino, um ajuste de contas entre narcotraficantes de droga e o povo que elegeu uma Nova Assembleia Nacional, ou…

Fiquemos a aguardar por mais desenvolvimentos e esperar que as tropas senegalesas que já estão na fronteira não avancem e tornem Guiné-Bissau numa província senegalesa. Pelo menos, segundo parece, um avisão já está à espera de ordens de Nino para que este seja recolhido, como afirma a Lusa...

Se pensarmos que foi o presidente senegalês que “denunciou” esta estória dado que foi a ele que Nino contactou…

Aguardemos. É que ser um subalterno a atacar a residência de Nino é no mínimo estranho. E se pensarmos que dizem que Nino até nem tem só uma…
.
NOTA: Sobre esta matéria ver o artigo hoje publicado no , na secção "Colunistas" sob o título "Tentativa de golpe na Guiné-Bissau, ou…" ou ler aqui

Dizer insólitos, é um aforismo…

A selecção angolana dos sub-17 rumou a Zimbabué para tentar o quase impossível. Ou seja, virar o 2-3 da primeira-mão para uma vitória que os levasse à fase final do CAN2009 em Argélia.

Se foram com essa vontade, e todos acreditamos que os palanquinhas iam com essa vontade indesmentível, ficaram-se pela vontade.

Mas o que está em causa não é terem perdido. Isso, apesar de nos aborrecer, nunca gostamos de ver a nossa equipa ou selecção baquear, não foi um insólito, ou não foi a razão dos insólitos acontecidos com o jogo de que
Angop fez eco.

Insólitos foram o jogo ser antecipado em uma hora e mudarem de local do jogo quase em cima da hora. Insólitos é a FAF estar, parece porque ainda não ouvi ou li qualquer intervenção nesse sentido, muda e queda e nada proferir. Insólitos é a CAF permitir que se abuse dos jovens para benefícios de interesses próprios e nada condizentes com a actividade desportiva que, nesta idade, é, ou deve ser, a base de formação de um futuro profissional do desporto.

Insólitos? Talvez não. Insólitos seria que isto não acontecesse no país do senhor Mugabe que, ainda ontem, impediu uma representação do “Grupo de Anciãos” entrar no Zimbabué porque ainda decorrem negociações para a formação do Governo – as eternizadas negociações do senhor Mugabe – e porque, segundo o seu partido, aquele “Grupo” apoia o MDC.

Ora, só por curiosidade, a delegação era
composta por Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU, Jimmy Carter, Nobel da Paz e antigo Presidente norte-americano, e por Graça Machel, activista dos Direitos Humanos, os quais pretendiam, unicamente, avaliar a situação humanitária no País, principalmente quando uma epidemia cólera entrou em força no Zimbabué tendo já feito cerca de 300 vítimas mortais o que levou a República da África do Sul tomar medidas para evitar o avanço da epidemia para o cone sul de África.

22 novembro 2008

Obama é um marco mas não o exemplo…

"O passado 4 de Novembro do corrente ano da graça judaico-cristã de 2008 pode ser, e é-o certamente, um marco na vida política mundial. Neste dia um afro-americano realizou, 40 anos depois da sua apresentação, o sonho de Martin Luther King de ver uma América para além da raça e da pessoa.

Barack Obama, afro-americano, ao ser eleito como 44º presidente dos EUA tornou-se, indiscutivelmente, um marco na vida política mundial.

Mostrou que a raça é efectivamente uma única. A raça humana. Que credos, cores epidérmicas não são nem podem ser razões válidas para se singrar e se afirmar.

Barack Obama foi e é um marco na vida política mundial mas não é, ao contrário do que muitos querem fazer crer e laurear o exemplo. (...)
" (se quiser saber quem já foi "o" exemplo, e foi-o em África, aceda aqui ou, quando estiver disponível, aqui)
Publicado no semanário , edição 192, de 22/Novembro/2008

E em Moçambique as municipais já deram…

... que os Partidos já começam, naturalmente, a perder a força de únicos parceiros e que a população começa a olhar os seus políticos para além das cores partidárias.

Foi assim, na cidade da Beira onde o anterior líder municipal, Daviz Simango, que foi, em tempos, membro da Renamo, viu a sua liderança reforçada mesmo apresentando-se como independente. O candidato da Frelimo, Lourenço Bulha, ficou-se pelo segundo lugar enquanto o candidato oficial da Renamo, Manuel Pereira se contenta com a terceira posição.

De notar, que para a
Assembleia Municipal da segunda cidade moçambicana, embora a Frelimo tenha conquistado a maioria dos lugares, poderá acontecer que seja a terceira força, GDB, a mandar dado que terá obtido 6 deputados enquanto as duas forças do sistema obtiveram 18 e 17 lugares cada. Ou seja, a GDB será o fiel da balança na difícil gestão do controlo do Município.

É o que acontece quando os partidos tentam se sobrepor á vontade popular, mesmo se considerarmos que a Frelimo parece ter conquistado a
grande maioria dos municípios, no total de 42 autarquias.

Já em Maputo não houve surpresas com a vitória de David Simando, e se houver será por parte do candidato derrotado, Eduardo Namburete, ou de quem o apoia, já que este terá afirmado que nunca iria contestar os resultados eleitorais.

Mas se em Maputo parece não haver contestação por parte do partido da perdiz, já o mesmo poderá não se passar em outras localidades,
nomeadamente na Zambézia ou em Nacala onde se reclama a realização de uma segunda volta.

UE e UA na mesma linha, a Paz… aonde?

(Só a Deutsche-Welle é que parece ver disto em África; os eurocratas não...; foto da RDW)

Segundo um artigo do matutino português Jornal de Notícias, a União Europeia (UE) e a União Africana (UA), de acordo com o secretário de Estado da Defesa francês, Jean-Marie Bockel, “lançaram (como, em petardos?) em Addis Abeba um novo programa de cooperação militar para reforçar a paz e a segurança em África

Ora aqui está algo que subscrevo na íntegra. Tanto a Europa como África o que precisam, nesta altura, é de reforçar a Paz e Seguranças em África. É que o Velho Mundo vendo o Continente que gerou a Humanidade em Paz e em Segurança, também terá o seu Continente em Paz e segurança e, nessa altura, já não haverá Abkázias, Chechénias, Ossétias, Geórgias ou escudos de mísseis anti-míssseis na Europa e arredores.

De facto, uma atitude brilhante de duas Organizações supranacionais onde as duas únicas coisas que diferem uma da outra são as duas Vogais. Quanto ao resto, a tuge é a mesma! (Ah!, para quem não saiba tuge é o mesmo que trampa ou a seu vernáculo afrancesado)

Quando vêm para a sede da UA fazer afirmações deste jaez só podem, indiscutivelmente, estarem a gozar com a chipala dos africanos.

O que pensar quando os órgãos informativos europeus abrem os seus noticiários internacionais com a crise militar e humanitária da RD Congo, com os ataques dos piratas nas águas próximas da Somália, a eternizada crise militar da Somália, ou, periodicamente, com os raptos e ataques ás zonas petrolíferas da Nigéria, ou com avocações, cada vez menos veladas, de Estados narco-Estados em África, já para não falar da recordação cada vez mais esbatida da ainda maior crise humanitária e militar africana que é o Darfur (será que Barroso e muchachos ainda se lembram do que isto é e por onde andaram?), ou a crise político-militar no Chade, entre outros pequenos factos como, por exemplo, a segurança periclitante que está na África Austral devido a um decrépito e autoritário ex-professor que se esqueceu do que foi ser Libertador, um tal senhor Mugabe, no Zimbabué.

Dizer que a UE e a UA estão a cooperar para a reforçar a Paz e Segurança em África, só mostra que os senhores europeus continuam a ver África, nos seus belíssimos escritórios sobranceiros e interessantes rios e mares, através dos Globos que uma qualquer empresa lhes ofereceu ou através dos magníficos documentários antropológicos de David ou Richard Attenborough para a mui britânica BBC.

Parem de gozar com a chipala dos africanos e respeitem-nos! Vejam as notícias e pensem em casos como o da criança de 12 anos, de nome Baraka, que ostenta a patente de general (in Diário de Notícias/Mundo, pág. 36) entre as milícias Patriotas da Resistência Congolesa (Pareco) ou Mai Mai que
apoiam e resguardam o exército(?) congolês e alguns dos seus aliados.

Dizer reforçar a Paz e Segurança em África seria óptimo se não fosse afronta aos milhões de refugiados que as pequenas crises e as vontades de pequenos ditadores criam!

Parem de gozar com a chipala dos africanos e respeitem-nos! Seremos simpáticos, provavelmente ingénuos em acreditar nas promessas Ocidentais e Chinesas de cooperação e boa-vontade, mas não continuaremos eternamente ignaros!

E quando a paciência esgotar…

21 novembro 2008

Coexistência pacífica na Guiné-Bissau?

O PAIGC, liderado por Carlos Gomes Júnior, terá sido, segundo a CNE Bissau-guineense, o grande vencedor das legislativas do passado fim-de-semana, tendo eleito 67 deputados para os 100 lugares em disputa.

Sabendo que as relações o actual Presidente, João “Nino” Vieira, e o futuro indigitado Primeiro-Ministro, Carlos Gomes Jr – cargo que não lhe é de todo desconhecido –, nunca foram muito salutares e que o Presidente ainda não se esqueceu das
palavras que terão sido proferidas por Gomes Jr. em Outubro de 2005 e que levaram-no quase a sair do País e responder perante a PGR, nem tão pouco e por certo, das que, então, terá feito contra o futuro líder governamental, não me parece que o convívio entre estas duas personalidades, e alguns militares, possa ser pacífico.

Ainda assim, o líder vencedor já foi dando uma de afago aos militares
felicitando-os via Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) pela "tranquilidade e normalidade" garantidas pelos militares para o "sucesso do processo eleitoral". Muito irá ter Gomes Jr. de pactuar com os militares se quiser Governar um dos mais difíceis Estados africanos e onde o narcotráfico tem mostrado ser rei, como acusam algumas diferentes Organizações internacionais e os EUA.

Entretanto vamos aguardar pelos próximos desenvolvimentos, nomeadamente, daqueles que virão do PRS e do seu líder que tinha afirmado não aceitar os resultados porque havia indícios de manipulação. Vamos esperar pelas declarações que Kumba Yalá irá fazer hoje à tarde.

20 novembro 2008

Lei dos Partidos vai ser aplicada…

Morram os Partidos, vivam os (novos) partidos.

Como até ao presente os partidos políticos angolanos, nomeadamente os que se candidataram às últimas legislativas, não solicitaram, de per si, a sua extinção por não terem, conforme determina a Lei, mais de 0,5% dos votos expressos, a Procuradoria-geral da República (PGR) decidiu fazer a sua obrigação e aplicá-la.

Pessoalmente penso que esta Lei peca pela sua incongruência percentual, dado que numa determinada votação os 0,5% poderão corresponder a 100.000 votos expressos enquanto noutra os mesmos 0,5% já poderão corresponder a um mínimo 150.000 votos, tudo dependendo da abstenção.

Assim, vão ser extintos os partidos Liberal Democrático (PLD), de Apoio Democrático e Progresso de Angola (PADEPA), da Aliança, Juventude, Operária e Camponesa de Angola (PAJOCA) e Renovador Democrático (PRD) e a Frente para a Democracia (FPD), a coligações FOFAC.

Vão também ser objecto de pedidos de extinção, e aqui surpreende-me esta posição do PGR, dado que os partidos em causa, não concorreram às eleições separados mas na coligação AD, os partidos Unificação Democrática de Angola (UDA), Angolano Liberal (PAL), Movimento de Defesa dos Interesses dos Angolanos - Partido da Consciência nacional (MDIA/ PCN), Nacional Ecológico de Angola (PNEA) e a Convenção Nacional Democrática de Angola (CNDA).

O mesmo se passa com os partidos Aliança Nacional Democrática (AND), Democrático Unificado de Angola(PDUA), Nacional Independente de Angola (PNIA), Angolano para Unidade Democracia e Progresso (PAUDP), de Convenção Democrática e Progresso (PCDP), a União Nacional Democrática (USD), da Comunidade Socialista de Angola (PCSA), o Movimento Democrático de Angola (MDA) e o Centro Democrático Social (CDS), todos eles agrupados na coligação Plataforma Política Eleitoral (PPE) para os quais foi solicitada a sua extinção.

Por certo que alguns dos Partidos, apesar da lei não admitir recurso para o despacho de extinção do Tribunal Constitucional, deverá contestar esta decisão, nomeadamente os partidos integrantes das coligações concorrentes. Como se sabe, nem sempre as coligações reflectem a vontade eleitoral dos partidos. Muitas vezes acabem por serem penalizadas por essa desconfiança ou pela vontade em não estar associado a determinado partido.

Mas como a extinção de um partido não coarcta o direito de associação e actividade política, os políticos e candidatos políticos dos partidos extintos poderão sempre (re)criar novos partidos e participar, normalmente, na vida política – se ela ainda existir – nacional.

Daí que se diga, e com pertinência, Morram os Partidos, vivam os novos Partidos, porque, certamente, alguns vão reaparecer de novo sob outra roupagem ou o dinheiro que cai do erário público para certos parasitas pseudo-políticos não fosse tão importante e necessário…

Ainda assim, creio que esta purga poderá clarificar, no futuro, a sociedade política angolana e reduzir o número de partidos e agremiações políticas a um número mais correcto e condicente ao actual panorama político angolano.

É que centena e meia de partidos ou grupelhos políticos, a maioria sem qualquer expressão local, quanto mais regional ou nacional, era – é – de todo, impraticável.

19 novembro 2008

Moçambique em eleições Municipais

Decorreram hoje as 3ºs eleições Municipais da História de Moçambique.

Pouco mais 2,7 milhões de votantes eram o que alguns analistas esperavam que hoje tivessem ido às urnas para escolher os novos (alguns, já velhos) edis para os 43 municípios em disputa. Concorreram 16 organizações ou entidades políticas como segue: a Frelimo e a Renamo, à totalidade das autarquias; o PDD, a 23 municípios; a PT, a UNAMO-PSD, a Monamo, os Verdes, três coligações de partidos e seis grupos de cidadãos a indiferenciados municípios .

Duas cidades concentram, naturalmente, as demais atenções:
Maputo, para ver se o candidato a novo inquilino, Simango, consegue manter ou aumentar o score do anterior líder municipal ou se será suplantado por Namburete, e Beira, onde a disputa entre o antigo edil eleito pelas listas da Renamo iria, agora como independente, tentar manter o cargo em forte disputa com o candidato oficial do partido da perdiz.

No “passeio” que fiz por alguns portais noticiosos moçambicanos pude constatar duas coisas. Ou estavam em “out” ou desactualizados ou sem qualquer tipo de informação disponível. O País, por exemplo, está sem acesso; já as informações mais actualizadas d’ A Savana reportam-se às 12,19 horas de 18 de Novembro; O Jornal de Notícias e o Canal de Moçambique não apresentam quaisquer actualizações ou outro tipo de informações obre o acto eleitoral. No caso do Canal de Moçambique as informações existentes são de ontem. Também o Zambeze On Line (ZOL) está sem edição desde o passado domingo. Quanto à TVM, é o habitual; será mais rápido tomar um avião até Maputo que aceder ao portal da televisão moçambicana pelo que desisti, pelo menos no imediato, em esperar. Paradoxalmente, também o Notícias Lusófonas está sem notícias de Maputo.

A solução foi ir navegar por “colegas” moçambicanos, nomeadamente,
aqui onde obtive algumas informações.

Vamos aguardar pelo fecho efectivo das mesas de votos, dado que algumas, às 18,00 horas locais, hora de fecho, ainda estariam em funcionamento devido a atrasos diversos.

18 novembro 2008

Já nem os Veteranos o suportam

Será desta que o senhor Mugabe, o “venerando” – pelo menos para certas pessoas e autocratas africanos – senhor Robert Mugabe vai sentir a cadeira do Poder a fugir-lhe do mataco?

Segundo ele só Deus
o poderia tirar do Poder. Mas como todo os autoritários que utilizam os dogmas religiosos para justificar o injustificável, o senhor Mugabe esqueceu-se que além de Deus – que segundo ele tudo vê, tudo coordena e tudo decide, mas não para já, no que toca a ele, claro… – existem aqueles que estão, também segundo eles próprios muito próximos das decisões divinas.

Alguém, há tempos li eu, afirmava que Deus está em todo o lado mas não pode fazer tudo, nem controlar tudo. E, por isso, criou as mães.

Só que o autor desta frase não deverá conhecer nem o Zimbabué nem uma outra importante personalidade para ajudar Deus: Os Veteranos de Guerra!

Pois são, agora, precisamente os seus melhores “amigos” aqueles que demonstram estar fartos dele e o criticam, acusando-o de "matar o seu próprio povo", e, pasme-se, criticam severamente os líderes regionais africanos acusando-os, também, de "
tentarem mantê-lo no poder depois de perder as eleições".

Será desta que o senhor Mugabe vê “fugir-lhe” Deus? Será desta que o senhor Mugabe perceberá que já nem Deus o suporta ver no Poder?

Onde estão os polícias do Mundo?

(depois do rapto do superpetroleiro Sirius Star, até os sauditas já estão fartos…)

Por muito menos os “polícias do Mundo” já intervieram em locais mais recônditos deste Planeta.

Sabemos que sempre houve todo o tipo de pirataria, nomeadamente, e é esta a que faço referência, a marítima, com particular destaque para o Mar da China e para os mares envolventes das ilhas e ilhéus que formam os arquipélagos indonésio e vizinhos.

Mas o que se passa na Somália – ainda acredito que em África existe um País chamado Somália e membro da União Africana e das Nações Unidas – é não só lamentável como incompreensível o desplante e a liberdade como operam os piratas.

Até há pouco eram pequenas embarcações ou navios de reduzido porte. Hoje, ou ontem, tudo foi suplantado com o
desvio de um superpetroleiro saudita – transporta qualquer coisa como a sua produção diária de hidrocarbonetos e que levou à subida do crude, interessante… – e de um cargueiro chinês, com pavilhão de Hong Kong, que transportava cereais e um pesqueiro do Kiribati. Tudo no no Golfo de Ádem, entre a Somália e o Iémen, antes este era o “país-abrigo” dos piratas. Mudaram-se interesses…

Segundo dizem há barcos de guerra franceses, russos e norte-americanos na zona. Mas parece que não há nada que desmotive os piratas. E, calmamente, levam os seus produtos pirateados para a Somália…

Até quando vai a Comunidade Internacional permitir que piratas façam gato-sapato das forças navais e não exijam aos Polícias do Mundo que cumpram a sua parte.

Ou será que querem que a Somália desapareça de vez e ali recrearem uma nova divisão berlinesca?

Se nos recordarmos que ainda ontem o seu presidente, cujo governo e exército(?) são apoiados pelos etíopes,
afirmava que o país estava em colapso e que as legitimadas autoridades somalis e os aliados só controlavam as cidades de Mogadíscio, a capital, e de Baidoa e que tudo o resto, nomeadamente alguns dos principais portos somalis, estariam nas mãos dos islâmicos da UTI e de outros rebeldes extremistas que, segundo se fala, apoiam e suportam a pirataria…

Aprendi a ler com ele e seus amigos

(imagem daqui)

Aos cinco, a caminho dos seis anos, vê-los e lê-los era um dos meus maiores prazeres. Foi ver os seus livros que comecei a degustar da sua escrita e leitura.

Vinham do Brasil e aportavam, via porto do Lobito, à Livraria Magalhães (mera coincidência quanto ao seu homónimo computador-pochette lusófono) de onde o meu pai, então chefe de armazém desta Livraria, me trazia as revistas que me fizeram tomar gosto pela leitura e pelas personagens.

As revistas e os livros tinham o rótulo de Walt Disney.

Mas era a sua principal personagem e alguns quantos amigos que mais me atraíam e me faziam esperar pelas revistas.

Faz hoje a provecta idade de 80 anos. Mas prova que a idade não é sinónimo de senilidade. Bem pelo contrário.

O senhor, o kota, – já merece este sobrenome – Rato Mickey continua jovem e pronto para nos oferecer as suas inúmeras aventuras, mesmo que por outras mãos.

E como me divertia – e ainda me divirto, mas não digam nada a ninguém, – com ele e com o Pateta, o Zé Carioca, o Pluto, a Minie, a Margarida, o Bafo-de-Onça, o Donald e o Tio Patinhas, o Tico e o Teco, ou outros tantos como o Pernalonga (Bugs Bunny) ou o Lone Ranger e o Tonto, o Pompey e a Olívia Palito, etc.

Parabéns senhor Rato Mickey e não se esqueça de levar a passear o Pluto; mas veja lá se ele, agora, não pertence a uma raça perigosa!...

17 novembro 2008

O País em jornal homónimo

Apesar do acesso na Internet ainda não mostrar ser o melhor (o download da versão digital do novo jornal só nos oferece as duas primeiras págimas e as três últimas) vamos aguardar que "O País" seja um jornal para melhorar o espectro comunicacional do País.

Citando um amigo e colega de há muitos anos, Mário Pinto de Andrade, numa declaração prestada à ANGOP, "O País" pode contribuir para que o pensamento de MPA possa ser efectivamente concretizado "A melhor forma de honrarmos a nossa independência é fazer de Angola um Estado nobre e (...) transformá-lo numa potência continental e mundial".

Não sei se Angola será alguma vez uma potência continental, quanto mais mundial. mas pode ser e tudo se conjuga para o ser uma potência regional. Mas uma potência não pode sê-lo sem ser e o provar que é também um Estado nobre.

E é aqui que todos poderemos contrinuir. E é aqui que o seu director e antigo director do Jornal de Angola, Luís Fernando, pode ajudar. Vamos esperar que sim lendo e acedendo ao seu portal.

Ainda não há resultados e já há contestação…

(lembram-se como estavam tão amigos...; foto daqui)

Na Guiné-Bissau ainda não se sabem quais os resultados, dado que em duas ou três regiões (Bissorã, Mansoa e Tombali) e por razões de logística a votação continuou hoje, e já há quem apregoe a todos os ventos que não vai aceitar os resultados porque, segundo o denunciante, haverá “uma campanha para manipular os resultados das legislativas de domingo, sublinhando que não vai aceitar números "forjados"”.

Estas denúncias, ou avisos, partiu de um senhor que, em tempos, já foi presidente com larga maioria e deposto, já concorreu a eleições apesar de reclamar o lugar por ter sido destituído ilegalmente, segundo a sua e dos seus assessores interpretação, que considerou o seu sucessor um grande presidente e a quem abraçou publicamente mais de uma vez antes de, na campanha, o ter acusado de ser um dos mais responsáveis pelo narcotráfico no País.

Um senhor que fez um retiro dogmático num país islâmico, não reconhecido por ser um grande defensor das causa democráticas, segundo os padrões habituais em alguns dos países observadores, mas habituais em outros e que, claramente, disseram não ir fiscalizar as eleições ou atrás de fraudes.

Talvez por isso é que o senhor Mohamed (ex-Kumba, conforme lhe convém) Ialá embalo afirmou a todos os ventos e a todos os jornalistas convidados à sua casa que não aceita os resultados que não o dêem como vencedor porque terá sido isso o que as sondagens da Rádio France International e da Universidade Católica Portuguesa o disseram.

Quando alguém, ainda antes dos resultados e das mesas de voto estarem encerradas e depois da
elevada participação do eleitorado, faz observações e denúncias desta espécie mais parece que quer manter o actual staus quo da Guiné-Bissau, ou seja, a instabilidade social e o paraíso para os narcotraficantes em vez de pensar como se deve Governar o Pais mais sociologicamente instável da região.

16 novembro 2008

Quem deseja denegrir a imagem de Angola?

(O Pensador; talvez meditando no que deverá ter corrido mal…)

Na passada sexta-feira e no âmbito das celebrações do 33º aniversário de Angola como Nação independente, os representantes diplomáticos acreditados em Lisboa (Embaixada e Consulado) propuseram-se a celebrar a data com os cidadãos angolanos, e, por certo, alguns amigos Angola, num jantar de convívio.

Tal como muitos angolanos, também recebi um convite e, tal como outros, extensivo ao cônjuge. Por razões particulares da minha parte e profissionais da minha esposa não pude estar até ao início do jantar ficando-me pelo convívio com outros compatriotas numa alegre e saudável cavaqueira.

Tão alegre e descomprometida quanto nada faria prever o que, segundo soube, ontem, teria acontecido posteriormente. Nem as pessoas que ainda se encontravam no exterior, algumas à espera de amigos e outras a reencontrarem-se, como acontece nestas alturas, indiciavam algo eventualmente semelhante.

Por isso estranho o que se terá passado e que, segundo soube e já li em vários blogues e disso também me fizeram saber de viva voz quem esteve no jantar até ao limite do humanamente possível, terá sido largamente noticiado pela SIC Notícias. Tão estranho que quando cheguei e entrei no insuflável onde iria decorrer a festa, de facto vi lá câmaras mas sem qualquer identificação, pelo menos bem visível, o que me fez pensar que seria uma empresa a trabalhar, naturalmente, para a TPA. Pelos vistos, puro engano.

Reconheço que não li as imagens pelo que só sei do que me disseram. Estive ontem e hoje, como convidado numa Conferência co-organizada pela Casa de Moçambique e pelo poeta Delmar Gonçalves sobre os Escritores e Poetas Moçambicanos na Diáspora. Uma Conferência a considerar e, porque não, imitar.

Mas, e voltando à questão dos distúrbios no jantar de comemoração, continuo a considerar estranho os motivos que levaram aos mesmos. Já ouvi, ou li, alguém afirmar que teria sido, em parte, devido a uma deficiente organização, nomeadamente de quem estava a portajar a entrada dos convidados e dos bilhetes-convites. Talvez, porque também reparei nas facilidades que nos concediam na movimentação entre as entradas e saídas. Se foi, será um caso a rectificar futuramente.

Talvez, por isso, o Consulado decidiu abrir um "
processo de averiguações" para apurar responsabilidades relacionadas com os desacatos ocorridos. Desde que os angolanos possam continuar a festejar a sua data, com ou sem o apoio dos representantes nacionais e que não haja quem se aproveite dela para, lamentavelmente, denegrir a imagem do País…

Al-Ahly justifica o porquê de ser o Clube do Século para a CAF

(foto do meu arquivo antigo via net)
Em, pelo menos, 7 tentativas para ganhar a Taça do Campeões Africanos, o Al-Ahly, do Egipto, conquistou seis troféus (1982, 1987, 2001, 2005, 2006 e 2008). É o primeiro clube africano a ganhar 6 troféus da Taça dos Campeões Africanos, em 12 já disputadas.

Hoje, depois de ter vencido na primeira mão, por 2-0, os camaroneses do Coton Sport, de Garoua, nesta sua primeira final dos Campeões, os homens do Al-Ahli, onde pontuam dois angolanos Flávio (5 golos marcados nesta Liga) e Gilberto, empataram nos Camarões, a duas bolas, conquistando mais um troféu da Liga dos Campeões, denominado CAF/MTN Champions League.

Pela terceira vez, e a primeira que isto acontece a nível mundial, a equipa egípcia vai estar presente no Campeonato Mundial de Clubes.

Guiné-Bissau vai hoje às 4ª eleições legislativas

Decorrem hoje as eleições legislativas na Guiné-Bissau que irão escolher os novos representantes do povo e aquele, entre os 21 candidatos, o que se perfilar como o menos inabilitado para chefiar o próximo Governo do país.

De notar que dos principais, todos ou a grande maioria deles, já estiveram como Chefes de Governo com os resultados que se conhecem. Uns não conseguiram fazer nada porque não lhes deram hipótese de tal; outros porque mostraram ser completamente inaptos para o cargo para que foram indigitados.

Vamos esperar que o escolhido mostre saber o quanto é devedor da confiança popular e conseguir impor as suas ideias ao novo Parlamento, caso não obtenha a maioria absoluta, como foi solicitado, por exemplo, por Carlos Gomes Jr., do PAIGC, ou afirmar-se ao Presidente João Bernardo “Nino” Vieira e, ou, aos narcotraficantes que pululam no País, como já por diversas vezes as Nações Unidas disso acusaram.

Lamentavelmente, e esta honra não cabe somente à Guiné-Bissau como se sabe, a diáspora Bissau-guineense não poderá, uma vez mais, votar para as legislativas. A única vez que o conseguiu foi em 1999. Desde essas que o Parlamento nacional fica “coxo” dos dois deputados que seriam eleitos pela Europa e o Resto de África (o Parlamento deveria ter 102 deputados).

Ainda assim, a grande diáspora Bissau-guineense, e os que persisitem indómitos no País, esperam que as eleições sejam legítimas, justas e democraticamente aceites apesar da
pouca atitude que alguns observadores já demonstraram, ou pensam demonstrar, no terreno quanto à sua verificação...

15 novembro 2008

O que aconteceria se Obama fosse candidato africano?

(montagem de fotos recolhidos na Internet/Google)

Corre no espaço internáutico um texto que terá saído da pena do escritor moçambicano Mia Couto, sob o título “E se Obama fosse africano?”, e, eventualmente, publicado no semanário moçambicano Savana, na edição de 14 de Novembro de 2008.

Como infelizmente este órgão informático moçambicano não está na Internet – pelo menos ainda não consegui descobri-lo –, não posso, em consciência, confirmar a autenticidade do mesmo nem do autor. Todavia, há algo que não se pode deixar de afirmar; o texto está “enorme” e contem passagens que merecem uma maior divulgação.

Assim, e porque o merece deixo aqui alguns trechos retirados da mensagem:
“Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos. (...)
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.
E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?”

O texto apresenta 6 pontos interrogatórios sobre se Obama fosse africano e o que (não) aconteceria:
“1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.”

Ou seja, e como o texto conclui, entre outras “inconclusivas conclusões” que:
“Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.”

Concluindo com este parágrafo que subscrevo na íntegra e que mereceria uma ponderação de todos e de muitos que persistem em governar contra o povo, em nome do povo:
“Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.”

Se o texto não é de Mia Couto mas de um outro autor desconhecido curvo-me perante a ignorância do seu nome. Se foi, de facto escrito por Mia Couto, apresento-lhe as minhas desculpas por lhe ter furtado alguns trechos , certo que ele compreenderá o abuso.
.
NOTA: Mão amiga, embora de forma anónima o que lamento, porque gostaria de lhe agradecer de outra maneira, fez-me chegar o acesso a "A Savana". Não consegui confirmar a autenticidade do texto quanto ao autor. Mas fica aqui o acesso ao semanário moçambicano.

14 novembro 2008

Graça Machel reafirma algo que outros já o disseram…

(imagem internet/google)

Numa reportagem da jornalista Alexandra Marques, que hoje o matutino português Jornal de Notícias estampa, a antiga primeira-dama de Moçambique e da África do Sul, Graça Machel (uma senhora que nunca, nem depois de segundas núpcias se sentiu, segundo palavras suas, segunda Dama), afirmou a dado passo, numa Conferência realizada em Lisboa, que "Portugal não tem uma estratégia de cooperação".

Algo que outros, em Portugal, no Brasil e em África já têm afirmado e reafirmado.

Recordo, por exemplo, entre alguns artigos e apontamentos escritos aqui, uma entrevista, dada ao Notícias Lusófonas, há cerca de dois anos, em Abril de 2006 por quando da visita de José Sócrates a Angola, ou artigos de
Jorge Eurico e Orlando Castro, naquele mesmo órgão lusófono de informação, ou em artigos e editoriais do insuspeito Jornal de Angola, ou de órgãos de Comunicação Social angolana independente – são poucos, mas, felizmente, ainda os há –, santomense, cabo-verdiana ou moçambicana e brasileira.

Mas Graça Machel foi mais longe na sua premonição. Segundo ela, Portugal também não tem "uma estratégia muito clara na cooperação científica e de investigação" e se não se precaver e não souber aproveitar o que de bom pode oferecer, nomeadamente, no apoio universitário e na investigação "vai ser ultrapassado pelos espanhóis" – uma situação que a presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, reforçou dizendo que não estava a brincar quando profere estas palavras.

Graça Machel reafirma algo que também eu já o disse anteriormente. Portugal descolonizou mas mantém resquícios quanto às relações que mantém com os antigos povos colonizados e que são consequência de uma descolonização deficientemente pensada e executada. Relaciona-se mal, ou não sabe como se deve relacionar com as antigas colónias, nomeadamente, quando no poder português estão Governos de esquerda. O medo do neocolonialismo é um dos factos mais sintomáticos da deficiente cooperação que existe entre aqueles Governos e os das suas antigas colónias. Leva-os àquilo que Graça Machel chama de estarem a seguir "o modelo antigo" de cooperação, assente nas trocas comerciais”.

Pode ser que depois destas palavras da nova doutorada “Honoris Causa” pela Universidade de Évora, alguém comece a compreender que as relações não se fiquem só pelos prédios, pelos enormes torres e urbanizações que empreiteiros portugueses constroem em Luanda, mas cimentar a cooperação a diversos níveis entre as Universidades portuguesas e das suas ex-colónias e também, como reafirmou Graça Machel, com os restantes países africanos. A conferencista relembrou que África tem 53 países e que todos eles desejam cooperar nos diferentes ramos e níveis do saber e do social.

Publicado na rubrica "Lusofonia" do

13 novembro 2008

Escrita moçambicana mostra-se em Lisboa

No próximo fim-de-semana de 15 e 16 de Novembro, Lisboa vai ter o prazer de receber a nova escrita e cultura moçambicana.

O
1º Encontro de Escritores e Poetas Moçambicanos residentes em Portugal, a realizar na Casa de Goa mas com a supervisão da Casa de Moçambique, contará com a presença de alguns reconhecidos escritores Moçambicanos que ora estão na sua Pátria natal ora fazem uma visita cultural, felizmente para a contínua miscigenação cultural lusófona, a Portugal.

Entre os escritores e homens da cultura moçambicana presentes no encontro vamos encontrar personalidades como o poeta
Delmar Maia Gonçalves, organizador do encontro, Guilherme de Melo, Carlos Gil, Jorge Viegas, João Craveirinha, Manuel Matsinhe, etc.