18 abril 2012

Oficial guineense põe dedo na ferida: CPLP só intervém a reboque...

(foto Fernando "Didinho Casimiro)

Numa entrevista ontem concedida à RTP África, um oficial da Guiné-Bissau, representante do auto-denominado comando Militar, pôs – e com toda a firmeza – o dedo na ferida: a CPLP é inoperante só intervém a reboque!



O tenente-coronel, creio de nome Daba Nawana, quando questionado sobre o papel da CPLP na questão do Golpe, na linha das movimentações já “produzidas(?)” pela CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), foi peremptório: a CPLP nunca faz nada de per si e só se imiscui ou participa quando algum dos seus membros o faz; ou seja, e claramente, afirmou: só intervém a reboque!



Custa, mas é a grande verdade.



Foi assim em outras situações na Guiné-Bissau; foi assim em São Tomé e Príncipe – titubeou até Angola intervir –; nada se ouvi de Moçambique quando a Renamo e a FMD estiveram quase a entrar em confronto em Quelimane; está a ser assim, novamente.



Dói-lhes ouvir, mas esta é a grande realidade.



O problema da CPLP é ter no seu seio três grandes potências com visões diferentes e, qualquer delas, desejar tomar o poder da organização: Angola, Brasil e Portugal!



Angola quer afirmar a sua emergente força político-militar tanto na região onde se insere como nos países africanos que pertencem à CPLP.



Facto que Brasil não contesta desde que isso não interfira na sua visão mais global: ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, razão pela qual nada se ouviu deles no seio da CPLP mas viu-se, outrossim, a sua ida imediata ao CS da ONU onde solicitou a intervenção desta organização multinacional – uma vez mais a CPLP na sua reunião disse, presente, desde que… com o beneplácito da ONU!



Quanto a Portugal, emerge e assume-se na CPLP como o estado-fundador da Lusofonia com a ainda evidente sofisma do neocolonialismo e da não-intervenção directa nos assuntos internos das ex-colónias. Uma falácia que deve ser denunciada de vez!



Ninguém deseja intervenções nas questões internas dos outros Estados.



Mas em casos extremos e contra-naturas quanto às liberdades e aos direitos humanos uma voz de bom senso e de respeito deve ser emitida e ouvida!



Esperar que outros façam o serviço e depois aparecerem como tendo qualquer intervenção onde nada houve só descredibiliza que o pratica.



Tem sido esta a sina da CPLP!



É totalmente inoperante e só intervém quando a reboque!



E, nem sempre, nas melhores condições!...

1 comentário:

Observatorio do Trabalhador disse...

O governo brasileiro não está na África Lusófona com interesses humanitários ou culturais. Está de fato querendo se firmar como potência regional na tentativa (eterna) de conseguir uma cadeirinha no conselho de segurança da ONU.
Além disso está fazendo o que todos os governos fazem, está dando suporte para que os empresários daqui do Brasil vão África explorar mais e mais os recursos naturais e nossos irmãos trabalhadores africanos. Parece que o mundo todo está querendo fazer isso... há que se lutar muito.
Na África do Sul vimos a tragédia que houve... outras ocorrerão.

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