26 setembro 2012

Frelimo reformula Constituição


Diz a Constituição moçambicana, como todas as modernas Constituições, que o Presidente só pode exercer durante dois mandatos.

Ora o actual presidente moçambicano, Armando Guebuza, terminará o seu segundo mandato dentro de pouco tempo e, constitucionalmente, não pode voltar a recandidatar-se nem, segundo as suas palavras, deseja alterar a Constituição para que tal fosse possível.

Todavia, e os políticos encontram sempre um “mas” para dar a volta ao texto, se a Constituição não permite que o presidente tenha mais de dois mandatos, já nos partidos tal não se verifica.

Tal como em Angola, também em Moçambique, é habitual o líder do partido ser o candidato natural à presidência do País. Tem sido até agora assim. Tem sido, mas…

E aqui vem o “mas”…

Desta vez, e ao contrário dos seus antecessores, Guebuza– se tudo decorrer com normalidade no Congresso que hoje se inicia – não vai deixar a liderança da FRELIMO, apesar de não poder – nem desejar, como já o disse anteriormente – continuar na presidência por mais um mandato.

Mas se Guebuza não vai ser, de novo, candidato e sabendo que a FRELIMO deverá ser, de novo, – porque será? – o vencedor do pleito eleitoral – a não ser que, e desta vez, haja mesmo surpresa – e subsequentemente fará eleger o seu candidato – e é aqui que pode acontecer a surpresa porque não se vislumbra, no imediato, quem terá carisma para suceder, dentro do partido maioritário, a Guebuza – é evidente que como líder da FRELIMO, o futuro “antigo presidente” aparecerá perante os moçambicanos como o mestre de cerimónia que mexerá os cordéis na penumbra do Poder.

Ou seja, sem ser presidente, Guebuza manterá, inequivocamente e caso a FRELIMO vença, o verdadeiro Poder!

Uma inequívoca e perfeita alteração Constitucional sem nela mexer!

2 comentários:

Nádia Issufo disse...

A Frelimo é manhosa demais, ensaiou uma mudanca na Constituicao para ver as reacoes, e como elas nao foram boas usou melhor o cerebro... Na verdade Guebuza é pior que a Frelimo, tanto é que os seus colegas de partido revoltaram-se num caso inédito. E aumentou a ditadura na Frelimo, se ele tivesse vergonha nao insistiria em ficar, mas a ganancia cega... A esperada tragedia dos recursos naturais comeca aqui...

Observatorio do Trabalhador disse...

Isso me lembra o exemplo da Rússia com Vladimir Putin e seu comparsa, o Dmitri Medvedev...