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21 março 2013

Dia Internacional da Água

(na tripla imagem o Rio e o Delta do Okavango que começa em
Angola e desagua no Botswana)

No Dia Internacional da Água um alerta para todos os que pensam que podem fazer deste precioso líquido um bem próprio...

01 fevereiro 2013

O Mali pode condicionar África?

"Houve um período em que o Continente Africano esteve numa certa estranha acalmia político-militar, só entrecortada com as crises da Costa do Marfim e, do já rotineiro, Congo Democrático. Infelizmente, coisa de pouca duração. Desde que emergiu a chamada Primavera Árabe que o Continente, em particular a parte meridional, está em contínua convulsão. Foi – e é – a Líbia, é o Egipto e, mais recentemente, o Mali.

Na Líbia, como se previa, a queda de Kadhafi não seria sinónimo de paz e evolução político-militar. A situação no país está entrar numa rotina de preocupantes conflitos locais com os principais países ocidentais a mandarem sair os seus cidadãos, nomeadamente, da “pátria” da revolta líbia, Benghazi, em parte devido às ameaças dos grupos fundamentalistas islâmicos do Norte de África, ditos aliados da al-Qaeda.

No Egipto a oposição ao presidente islamita Morsi mantém o país sob um clima de forte tensão devido, segundo aqueles, ao facto dos islamitas da Irmandade Islâmica e de Morsi terem criado uma Constituição que fere os desejos libertadores constitucionalistas dos “fundadores” da alforria da Praça Tahrir, ou seja, igualdade entre os Povos e entre os Homens e as Mulheres.

Mas se nestes dois países a situação é crítica, no Mali a conjuntura é de guerra aberta entre uma certa legitimidade (não constitucional) e um déspota terrorismo. E porquê uma legitimidade não constitucional e um terrorismo? Recordemos a evolução.

O Mali, em Março de 2012, foi alvo de um Coup d’État (Golpe de Estado) levado a efeito por militares liderada pelo capitão Amadou Haya Sanogo (estranhamente e ao contrário das directrizes da União Africana (UA), esta reconheceu o novo Governo). Este golpe despoletou a crise subsequente levada a efeito por tuaregues e aproveitada pelos islamitas pró-al-Qaeda.

Os tuaregues liderados pelo Movimento Nacional para a Libertação d’ Azawad (MNLA), um movimento laico que também agrupa islamitas não radicais defendeu a separação autonómica do Norte do Mali (Azawad) no que foi aproveitado por radicais islâmicos para declararem a secessão integral e respectiva independência do território.

Só que os independentistas não se ficaram pelo território secessionado. Quiseram progredir para sul o que levou o presidente interino, Dioncounda Traoré, ao abrigo da Resolução 2085 da ONU, sobre o Mali, solicitar ajuda à Comunidade internacional, leia-se, à França e à UA.

Recorde-se que Traoré ascendeu ao poder através de um novo Golpe contra Sanogo, evocando a retomada da legitimidade constitucional. Nada mais erróneo dado que desde 2002 que o Mali era governado por golpistas.

A aproximação dos golpistas terminou em Konna – na região de Mopti, que já não faz parte de Azawad –, a cerca de 300 quilómetros a norte da capital, Bamako, com a entrada na cena militar de forças francesas.

E aqui volta a velha questão da franconização de África que o presidente francês Hollande disse ter terminado. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 263, de hoje, página 19 (1º caderno)

17 janeiro 2013

E na recente crise do Mali…


A crise do Mali resultante da secessão da parte norte do país levada a efeito por rebeldes tuaregues ditos islamitas radicais – o que se estranha porque os tuaregues nunca foram radicais islamitas, em parte, devido aos efeitos do pós-independência da Argélia –, após uma tentativa de Golpe de Estado, liderada pelo capitão Amadou Haya Sanogo, o que obrigou a uma tomada de posição forte por parte da União Africana e da CEDEAO.

Tal como a verificada no Coup d’État (Golpe de Estado) da Guiné-Bissau.

Recorde-se que a secessão resultou na proclamação do Estado de Azawad, de matriz islâmica, pelo Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA), a que se juntaram outros grupos rebeldes, incluindo radicais alegadamente ligados à al-Qaeda, como a Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) ou o Ansar Dine Islâmico, bem como sudaneses e alegados saauris; o Azawad é um território um pouco maior que a França, e que corresponde a cerca de dois terços da área total do Mali (ver imagem).

Ou seja, e em boa verdade, o que a UA e a CEDEAO fizeram foi já habitual um tiro no escuro, demasiado breu, sem quaisquer efeitos práticos – como em todos os Golpes ocorridos no Continente – pelo que necessitou da entrada de terceiros para que a questão tivesse outro caminho.

Foi o que aconteceu nestes dois últimos dias com a entrada das forças armadas francesas na procura da recuperação da integridade territorial do Mali após suposto pedido das autoridades malianas de Bamako.

Essa foi a razão oficial. No entanto, há uma outra razão substantiva e subjacente para que a França, com o apoio da ONU, da CEDEAO, da União Africana – por via da aplicação da Resolução 2085 da ONU, sobre o Mali, – e de alguns dos principais líderes africanos, como o presidente sul-africano, Jacob Zuma o confirmou, ontem, em Luanda, tenha começado a actuar no Mali: a eventual queda do presidente interino Dioncounda Traoré.

O governo de Traoré começou a sentir os reais efeitos da crise militar quando os rebeldes tomaram de assalto, no passado dia 10, a cidade de Konna – na região de Mopti, que já não faz parte de Azawad –, a cerca de 300 quilómetros a norte da capital, Bamako.

Não esqueçamos que Traoré ascendeu ao poder em Bamako depois da tentativa de um Coup d’État levado a efeito em Março de 2012, pelo capitão Sanogo que visou a queda do regime de Mamadou Toumani Touré, também ele tendo ascendido ao poder, em 2002, após um golpe de Estado.

Ora, a razão invocada para o Golpe foi o alegado descontentamento dos militares com a falta de meios para combater os rebeldes tuaregues no Norte do país. E, todavia, isso não impediu que os revoltosos, após o não apoio da UA ao Golpe, tenham sido os mentores da secessão tuaregue.

Acresce que os tuaregues são acusados de terem estado na linha da frente líbia a apoiar e sustentar o regime de Muammar Kadhafi até ao seu fim definitivo. Na fuga destes elementos bem treinados e armados para o norte do Mali levou que os mesmos acarretassem consigo muito material bélico, nomeadamente, armamento pesado.

Como este conflito pode provocar uma série de riscos elevados para todo o continente, nomeadamente, uma eventual violenta reação dos islamitas e um potencial desastre humanitário, vamos aguardar qual será o desenrolar final do conflito.

Que esta ajuda militar da França – que deverá ter o apoio das forças africanas da Afisma, (força africana de cerca de 300 soldados da CEDEAO) – não acabe como a ajuda militar humanitária da Líbia.

O ataque de islamitas a um bloco de extração de gás na Argélia – sob a denúncia deste país ter facilitado a travessia aérea das forças francesas para o Mali –, com a captura de reféns e o contra-ataque das forças argelinas para a recuperação do território não inferem bom augúrio.

Ainda assim, há a expectativa que, depois do fim da crise, a questão da Azawad seja assunto de uma análise ponderada e objectiva, visando a integridade territorial do Mali, mas... (basta ver o que aqui escrevi)

21 dezembro 2012

Comissão do Golfo da Guiné versus Zopacas

Recentemente ocorreu, em Luanda, uma Conferência sobre a Paz e Segurança na Região do Golfo da Guiné (entre 27 e 29 de Novembro) tendo produzido a “Declaração de Luanda”.


Na mesma foram reafirmados os princípios e objectivos que norteiam, desde a fundação em 3 de Julho de 2001, em Libreville, Gabão, o Tratado da Comissão do Golfo da Guiné (CGG), assinado, na altura, pelas repúblicas de Angola, Camarões, Congo (Brazza), Congo Democrático, Gabão, Guiné-Equatorial, Nigéria e São Tomé e Príncipe.

Tal como na sua génese, a recente Conferência, voltou a afirmar a necessidade de salvaguardar a paz e segurança na região, em particular a rápida resolução de alguns conflitos armados entre e intra Estados, com especial destaque para o que persiste no delta do Níger e os roubos de hidrocarbonetos, bem como reforçar os combates ao tráfico de droga que usa o Golfo como rota, e à pirataria naval.

E são precisamente estes dois tráficos os que mais condicionam e prejudicam a economia na região.

Esta terça-feira terá quando escrevi este artigo ainda estava previsto) uma Conferência em Abidjan, Côte d’Ivoire, entre Chefes de Estado e de Governo da África Ocidental para implementar as Resoluções 2018 (2011) e 2039 (2012), do Conselho de Segurança da ONU, sobre a segurança marítima no Golfo da Guiné.

Na mesma reunião estiveram presentes, como naturais convidados, a Organização Marítima da África Ocidental e Central (OMAOC), de que fazem parte 25 países da orla marítima africana, para apresentarem as suas conclusões relativas à 12ª Conferência realizada entre 27 e 31 de Outubro, passado, em Angola, a Comunidade Económica dos Estados Central Africano (CEEAC) e a Comunidade Económica dos Estados da áfrica Ocidental (CEDEAO)

Estas duas comunidades têm procurado demonstrar que estão verdadeiramente empenhadas na organização de estudos e reuniões para a cooperação prática, incluindo o desenvolvimento de um Memorando de Entendimento; procuram, igualmente, desenvolveram uma estratégia comum sobre a segurança marítima para combater a ameaça de atividades ilícitas no mar. (...)" (pode continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado hoje no semanário Novo Jornal, edição 257, página 23/Opinião (podem ver atmbém aqui: 
http://docs.com/PQKG)


22 novembro 2012

Na R.D.Congo o “M23” avança no Kivu Norte…


(Ontem como hoje as ocupações rebeldes continuam...; foto da Internet)

O movimento rebelde 23 de Março, reconhecido internacionalmente por “M23” ocupou, na passada terça-feira, a capital do Kivu Norte, Goma.

Onde estavam as forças das Nações Unidas (MONUSCO) que nada fizeram – e estão mandatadas para impedir a progressão dos rebeldes – permitindo a ocupação – nova ocupação, porque já o tinha sido em 1998, – da cidade de Goma.

Será que a ONU só serve para acusar os rebeldes de serem apoiados pelo Ruanda e Uganda, na linha do que também afirma Kinshasa e seus aliados ou para fazer aprovar, por unanimidade, uma resolução (Resolução 2976/21Nov2012) condenando e exigindo sanções aos rebeldes?

Vamos acolher como verídicas e sustentadas as informações tanto da R.D. do Congo como da ONU que, de facto, Ruanda está a apoiar e armar os rebeldes do M23 – com a particular anotação do facto  do M23 dizer que está a defender as populações locais das investidas dos rebeldes hutus da FDRL.

A confirmar-se tal facto, seria um enorme descrédito para as duas potências regionais (África do Sul e Angola) que têm participado na resolução dos conflitos dos Grandes Lagos e a celebração da força de um pequeníssimo estado como é o Ruanda apesar de ter o apoio – parece que inequívoco – do Uganda que, há muito, quer ser considerado como uma proto-potência regional na região em claro confronto com o Quénia.

Ora, no Quénia registam-se, ultimamente, vários confrontos entre quenianos e terceiros, nomeadamente, refugiados somalis e apoiantes dos rebeldes ugandeses do Exército de Resistência do Senhor, de Joseph Kony, que fazem pequenas surtidas no Quénia.

E, voltando ao M23 e á sua vontade de progredir até Kinshasa, não esquecer que o actual inquilino presidencial deve a sua presença no palácio da presidência à conquista militar feita pelo seu pai Joseph Kabila com o apoio de terceiros que, hoje, se limitam a criticar e a condenar as acções dos rebeldes e ver a agonia dos congoleses democráticos…

Será que estamos na presença do velho adágio, “quem com ferros mata…”.

16 outubro 2012

2012 Ibrahim Index of African Governance

O relatório anual da Fundação Mo Ibrahim para a Boa Governação em África, hoje divulgado, mostra que os 5 melhores países continuam a liderar a tabela; destaque para Cabo verde que se mantém como o 2º melhor país em África, logo atrás de Maurícias e à frente de Botswana , Seychelles e África do Sul.

Angola, em 40º, Moçambique, em 21º, e São Tomé e Príncipe, em 11º, melhoraram em um ponto a sua classificação, com o caso de Angola ter abandonado as últimas 10 posições com troca – e a progredir, ponto a ponto desde 2006 –, entre outros, com Guiné-Bissau, que agora ocupa o lugar 45º, logo atrás da Guiné-Equatorial e à frente da Costa do Marfim(?)!

Em últimos estão o Chade, a República Democrática do Congo e Somália.

Poderão aceder ao relatório preliminar por: http://www.moibrahimfoundation.org/downloads/2012-IIAG-summary-report.pdf


05 junho 2012

Dia de África II

O acesso a seguir era para ser publicado no semanário Novo Jornal do passado dia 25 de Maio, "Dia de África" mas que, por razões que ultrapassaram o semanário e os editores - não tiveram a culpa que o "analista" só enviasse o artigo no final da tarde de terça-feira quando sabia que deveria estar em Luanda no final da manhã desse dia para ser paginado - não pôde ser publicado; por outro lado, a forma como foi escrita já não "permitia" que o mesmo fosse editado na semana seguinte.

Mas tendo em conta o teor do texto decidi colocá-lo na minha página-pessoal e na secção do "Novo Jornal" mesmo não tendo sido publicado.

Para ler o texto, com o título "Que Dia de África" aceda aqui: http://www.elcalmeida.net/content/view/886/46/

25 maio 2012

Dia de África...


Celebra-se hoje mais um dia do heterogéneo mosaico etnocultural do continente africano.

Mais um 25 de Maio cheio de promessas que, como sempre, se vão verificar serem vãs, pouco simbióticas e estéreis! Tal como tem sido prenhe nestes últimos 49 anos…

Um continente rico em terras aráveis férteis mas que continua, preferencialmente, a consumir o que vem de fora. (...)

04 maio 2012

A tolerância zero em África?


Devido à questão do Golpe na Guiné-Bissau e a intolerância dos golpistas em aceitarem devolver o poder à classe política eleita (ou deficientemente eleita) por voto popular, leva – levou – a CEDEAO/ECOWAS a um desafio primordial: fazer equivaler o nível das suas decisões “à proclamada tolerância zero” perante situações de alteração da ordem constitucional por via da força.

Na realidade a CEDEAO limita-se a ser um mero reflexo do que se passa com a União Africana (UA).

Onde está a tolerância zero tão apregoada pela UA quando se verifica que o Mali continua sob poder dos golpistas e da secessão do país pelos tuaregues?

Onde está a UA que continua a ver, impávida e serena, o desmembramento da Somália?

O que fez – faz – a UA com a crise do Norte de África, nomeadamente no Egipto, ou na crise sudanesa?

Os africanos começam a estarem fartos de tanta “(in)tolerância zero” mal desbaratada!

03 maio 2012

Somewhere in Africa ... quem agrada e desagrada...



(A coroa e... a corda)

O Instituto Gallup pôs 34 Estados subsaharianos alvo de um inquérito quanto à aprovação da liderança nesses Estados, em 2011.

No estudo publicado no passado dia 25 de Abril, de realçar que o presidente deposto do Mali, Amadou Touré, há 11 anos no poder, mantém uma quota de simpatia bem superior à desaprovação.

Note-se que os oito líderes mais “aprovados” têm todos uma percentagem acima dos 80 pontos e uma rejeição entre os 10% (Pierre Nkurunziza, do Burundi) e os 19% (Ian Khama, do Botswana).

Na lista estão somente dois Estados Lusófonos: Moçambique e… Angola.
Armando Guebuza é o 14º presidente com maior aprovação (68%) contra 31% que quer vê-lo pelas costas.

Já José Eduardo dos Santos consegue… fechar a lista! Segundo o Gallup só alcança 16% de apoio, contra 78% que manifestam desaprovação.

Robert Mugabe, do Zimbabué, há 24 anos no poder, apesar de ter todos contra – pelo menos a comunidade internacional –, não está no último lugar (é 32º) e consegue obter 36% de aprovação contra a oposição de 62% de detratores.

Entre Mugabe e dos Santos está o já “dispensado” Abdoulaye Wade, do Senegal, que só obtinha 30% de aprovação; 70% queriam, como conseguiram, vê-lo fora do poder.

Um facto é realçado pelo Instituto Gallup, o tempo de permanência no poder não influiu na classificação.

Comentário: perante os dados aqui descritos – e que podem ser verificados, na íntegra acedendo ao portal do Gallup – verifica-se que algo não coincide com a propaganda vigente.

Como é que JES apresenta um índice de tal modo baixo quando os seus apoiantes e uma certa comunicação social e alguns dirigentes, ditos credíveis, internacionais afirmam que é a melhor aposta para Angola.

Por outro lado, as sondagens virtuais que se fazem mostram que Eduardo dos Santos será inabalavelmente o candidato maior para se suceder a si próprio.

Perante estes factos, das duas, uma: ou o Instituto Gallup fez mal a sondagem ou… claramente fez mal a sondagem!

É! Pois…

22 março 2012

Coup d’État no Mali

Quem dizia que África estava a dormir, o Mali hoje desmente.

Mais um Golpe de Estado militar e em vésperas de eleições presidenciais onde, paradoxalmente, o actual presidente, Amadou Toumani Touré, não era candidato...

A nova Junta Militar, dirigida pelo capitão Amadou Sanogo, líder do Golpe, tomou conta do poder, tendo já sido contestado pela CEDEAO.

Mais uma flecha bem apontada às legítimas pretensões da União Africana em ser credível e em querer a manutenção de um legítimo e legal status quo institucional.

Entretanto, o presidente deposto ter-se-á abrigado no quartel de Djikoroni-Paras, em Bamako, dos comandos pára-quedistas. De notar que Touré foi, também ele, um militar desta corporação.

Recorde-se que o Mali é conhecido por ter uma guerrilha tuaregue muito activa e por acoitar – embora nunca claramente provado – activas milícias da Al-Qaeda.

12 março 2012

Quem manda e no quê na Democratura?

(da internet)

Existe um país que tem tanto de belo e rico, como de enigmático.

Esse país fica algures no continente genésico da vida e de todos os mistérios.

Governado por um técnico de um dos seus mais geradores de receitas, líder incontestado do seu partido, que, por sua vez, manda e domina no país há cerca de 40 anos, esse belo país vive um forte momento de Democratura!

Democratura não porque o seu líder não seja um verdadeiro democrata – tem de sê-lo, porque todos os líderes ocidentais o serviliam e bajulam a sua liderança e a sua defesa de Democracia – mas porque existem alguns indivíduos que se arrogam de protectores da sua imagem e atestam, forte e feio, sobre todos os que pensam em questioná-lo.

Aconteceu isso há uns meses e voltou a acontecer isso, este fim-de-semana.

O interessante é que tirando uma pequena nota de uma agência de um dos países que mais tem aproveitado dos fundos gerados pelo seu (dele, claro) principal fonte de receitas – por onde andava a representação televisiva deste país receptor – só as fontes estrangeiras e as páginas sociais fizeram eco dos distúrbios levados a efeito por energúmenos jovens, mulheres, e políticos oposicionistas que decidiram ir armados de vozes e palavras de ordem!

Mas numa Democratura as pessoas de bem não podem admitir a existência destes ignóbeis endemoninhados. Já se viu ir para uma manifestação só com palavras, com cartazes ou cânticos? Incompreensível.

Vai daí que os acérrimos e celebrados defensores da Democratura decidiram fazer valer da sua prosaica forma de vida e mostrar aos paladinos da voz como se deve prostrar e sensibilizar os pretensos manifestantes.

Para isso, e para que ninguém pudesse dizer que não estavam cientes da sua razão levaram alguns indivíduos fardados de um invólucro semelhante a pretensas autoridades e distribuíram fruta condimentada com metais e afins.

Cabeças partidas, hematoses pelos corpos, braços engessados? Meros simbolismos dos defensores da Democratura!

Defensores da Democratura? Não, impossível. Eram ordinários que acirraram contra outros ordinários; ou seja, o que aconteceu neste último fim-de-semana foi um pequeno recontro entre dois gangues que não souberam comportar numa sociedade livre, justa e democrata!

Duvidam? Perguntem ao comandante da polícia!

Tudo o que se possa dizer ou fotograficamente mostrar, seja em portais nacionais ou estrangeiros – habitualmente, até pró-Democratura, – é pura e sórdida especulação.

Duvidam? Perguntem ao comandante da polícia!

O mesmo comandante que disse ir fazer um inquérito aos acontecimentos do fim-de-semana.

Muito bem, mas… deveria ser o Ministério Público coordenado pela PGR e pelo Provedor de Justiça da mandar fazê-lo. Contudo…

Já agora, recordar que duma Democratura o líder, quando depois de apeado, rapidamente passa de magnífico a grosseiro e sujeita-se a ver o seu nome assinalado no TPI.

22 fevereiro 2012

Um elo de ligação

(©foto Elcalmeida, Fevereiro 2012, por celular)

Uma das praias algarvias (neste caso, a Praia do Amado, Portimão) onde me sinto bem de espírito e transparente.

Olho para elas, contacto-as, e sinto que estou em sã convivência líquida com o meu Continente e por isso com a minha Terra-Mãe!

É o que me sustém quando olho para os devoradores deste País (Portugal) e contestam outras ajudas que não as deles…

08 janeiro 2012

ANC é centenário

O Congresso nacional Africano (ANC – African National Congress) completa hoje 100 de existência a favor do predomínio da maioria em detrimento do domínio da minoria.

Uma das minhas primeiras monografias, em Janeiro de 1989, quando me iniciais nas lides académicas universitárias – e por isso mesmo, muito sintética, despretensiosa e fraca – foi precisamente um estudo sobre o ANC que pode ser visto aqui.

Só estranho, dadas as similitudes que existem entre o ANC e o MPLA e as simpatias entre Eduardo dos Santos e Jacob Zuma, que o portal do Jornal de Angola nada refira a esta data…

Parabéns ao ANC e ao seu líder histórico, Nelson Mandela.

(imagem da internet)

26 dezembro 2011

Bissau andava tão calminha…

Depois da visita de Carlos Gomes Júnior a Angola onde conseguiu obter mais uma linha de crédito de 25 milhões de dólares norte-americanos para apoios à reestruturação – que está em marcha ou, talvez, para pagar ordenados em atraso – das forças armadas Bissau-guineense e ao investimento angolano em Bissau eis que a capital guineense acordou na ressaca do natal sob movimentações militares havendo, segundo consta, tiroteio na zona do Quartel-general das Forças Armadas guineenses.

Tudo terá começado, uma vez mais, por causa do narcotráfico e do sobrevoo e aterragem nacional de uma avioneta na região de Jugudul, perto de Mansoa, que, eventualmente, traria droga para ser reenviada para outras zonas, recordando que a Guiné-Bissau é “conhecida” como uma das mais importantes placas giratórias do tráfico de droga proveniente, na sua maioria, da América Latina.

E, uma vez mais, as mútuas trocas de acusações entre altas patentes militares nacionais, de serem os mentores e líderes desta operação de narcotráfico, foram imediatas.

Os dois principais líderes militares de Bissau, o CEMGFA António Indjai e o CEMA Bubo na Tchuto ter-se-ão acusado, mutuamente, de serem os líderes da operação de narcotráfico e, por esse facto, segundo o Jornal de São Tomé, esta madrugada, António Indjai terá acusado Bubo Na Tchuto de tentativa de homicídio e promoção de um Golpe de Estado, sendo que o Quartel-General, em Amura, Bissau, tem sido palco de troca de tiros entre militares, embora não havendo ainda notícia de vítimas nem quem serão os autores.

O certo é que consta em Bissau que Na Tchuto poderá ser detido por forças próximas de Indjai que terão partido de Mansoa, para a capital com vista, segundo afirmam, evitar um banho de sangue aquando da detenção de líder da Marinha, o que poderá ocorrer a qualquer momento. Em qualquer dos casos, e segundo fontes de Bissau, citadas pelo Jornal de STP, no Estado-maior da Marinha, a situação é de passividade, não havendo quaisquer sinais de resistência.

Também na Base Aérea, e de acordo com o nosso confrade “Ditadura do Consenso” de Aly Silva, a calma persiste, tal como na Presidência e no Ministério do Interior, enquanto Gomes Júnior, que terá sido, tudo o indica, o verdadeiro principal alvo destas movimentações se encontra em parte incerta sob protecção policial.

Vamos aguardar novos desenvolvimentos e – não se riam – alguma rápida e concisa declaração da CPLP; e de Angola, claro!...

Transcrito pelo portal "Jornal Pravda" em 28/Dez./2012, com o título "Como anda a Guiné-Bissau?" ( http://port.pravda.ru/news/cplp/28-12-2011/32673-bissau_calminha-0/) e no Zwela Angola (http://www.zwelangola.com/opiniao/index-lr.php?id=7996)

23 dezembro 2011

Lá vai tombando 2011…

"O continente africano viu o ano que finda ter sido bué profícuo em factos, evoluções e alterações políticas e sociais relevantes e, nalguns casos, trágicos.

Desde logo os acontecimentos ocorridos no Norte de África e que ficaram reconhecidos pela “Primavera Árabe”. Uma onda político-social, grande parte dela alicerçada nas redes sociais e no despotismo de muitos dos seus líderes, varreu toda a margem sul do mediterrâneo com evidentes impactos na margem norte e em algumas ilhas daquele mar interior.

Na Cote d’ Ivoire (Costa do Marfim – porque é que temos de adoptar, quer os lusófonos, quer os anglófonos, como genérico e obrigatório, o nome francófono e não fazemos o mesmo com Moçambique ou Açores; isto seria uma forma de afirmação da Lusofonia –), o desejo de permanência foi derrotada pela vontade de mudança, mesmo que esta não tenha sido absolutamente clara e inequívoca, excepto para os Poderes fundados fora do continente, “comme d’ habitude…”.

O paradoxal e controverso “Pai da União Africana” foi tragicamente deposto e expungido – o termo correcto é mesmo assassinado – sem que conseguisse almejar e ver concretizada a sua enorme e ascética vontade realizada. Ser o presidente de todos os Estados africanos amontoados no seu aluado e fantasista Estados Unidos de África.

A República Democrática do Congo (RDC), mais um cancro que nunca mais parece ser extraído, continuou nas páginas noticiosas pelas piores – uma vez mais – razões. As eleições gerais mostraram que em muitos países africanos a democracia ainda é um mito, ou mesmo um tabu. As provas de total ineficácia democrática e evidentes fraudes na RDC foram tão evidentes que o Tribunal Constitucional precisou de várias semanas para as sancionar e com o vencedor do costume: quem já estava no Poder, ou seja, e neste caso, Kabila Júnior. (...)" (continuar a ler aqui).

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 205, de 23-Dezembro-20111, pág 21

Pululu no Club K 3


Inicialmente publicado no semanário moçambicano "Canal de Moçambique" e aqui já referido.

20 dezembro 2011

Na Costa do Marfim, Ouattara junta parlamento às presidenciais

As eleições legislativas na Cote d’ Ivoire (Costa do Marfim) deram uma vitória clara e inequívoca ao partido de Ouattara, a União dos Republicanos (RDR) que consegui ganhar 127 assentos entre os 254 lugares à disposição.


O FPI (Frente Popular Marfinense) do detido ex-presidente Gbagbo decidiu boicotar estas eleições pelo que ficou arredado do Parlamento.




17 dezembro 2011

Obrigado Cesária...


http://www.youtube.com/watch?v=E_7BV-IuyKI&feature=player_detailpage#t=4s (para ouvir clicar)

Ainda agora partiu e as saudades já são imensas.

África, os africanos e os Caboverdianos não podem esquecer nunca a "diva dos pés descalços" e das suas melodiosas canções.

Obrigado Cesária Évora por nos encantar (1941-2011)