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08 janeiro 2010

CAN2010 começa mal?

Quando estamos a dois dias do mais importante, ou pelo menos, mais mediático, evento desportivo que Angola vai realizar, a Taça das Nações Africanas Orange-Angola 2010, vulgo CAN2010, entre 10 e 30 de Janeiro, constata-se que ainda antes de começar já está a ser notícias pelas piores razões.

Segundo uma notícia inicialmente veiculada pelo portal
SAPO.pt, e sem grandes comentários, a equipa do Togo que vai disputar o grupo B, em Cabinda, terá sido atacada a tiro na fronteira entre o Congo (penso que no Congo Democrático) e Angola, em Cabinda, na ligação entre Chicamba e Liambo Liona.

De acordo com as primeiras informações, lamentavelmente, dois ou três jogadores togoleses terão ficado feridos, bem assim o
motorista do autocarro, um assistente técnico, o médico da delegação e um jornalista que acompanhava a selecção.

Esperemos que isto tenha sido um caso isolado e não um recrudescer de actividades que não abonarão a favor da imagem de Angola, mesmo que depois o autocarro tenha sido escoltado pela polícia, nem tão-pouco, e na perspectiva que tenham sido guerrilheiros afectos a secessão de Cabinda, nomeadamente os da FLEC; como indica o portal da
Gazeta Esportiva.net, citando o portal noticioso PNN, favorecerá internacionalmente a imagem da guerrilha anti-Luanda e a sua luta pela secessão.

Bem pelo contrário…

23 dezembro 2009

O que se passa na Diocese de Cabinda?

(Igreja Matriz de Cabinda, Cabinda, foto da Internet)


Periodicamente chegam aos nossos endereços electrónicos vozes e factos que parecem desacreditar a Igreja Católica, nomeadamente, na Igreja sedeada na província mais setentrional de Angola, Cabinda.

Desde a tomada de posse do actual Bispo de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, que as críticas à actuação administrativa deste Prelado têm sido muito contundentes.

Não sei, porque não estou em Cabinda, se são reais ou meramente virtuais. Reconheço que quando lá estive em Maio ouvi críticas e aplausos à actuação do Bispo de Cabinda.

Ainda assim, e pelo menos no éter netiano, são mais as vozes que o criticam que as que o aplaudem.

A última prende-se com a suspensão do padre Raul Tati, em grande parte, segundo se constas devido à sua cruzada pela defesa do clero de origem Cabinda e pelo facto de ter, várias vezes, feito sentir ao Bispo, proveniente de Luanda, de provocar uma clara e necessária reconciliação com os fiéis e sacerdotes locais, condição vista como fundamental para que D. Filomeno Vieira Dias pudesse executar em plenitude a sua função pastoral e sacerdotal.

Se recordarmos que o padre Raul Tati é visto como uma respeitada figura moral do enclave e que chegou a ocupar a função de Secretário Geral da Conferência Episcopal da Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST) aliado ao facto de ter sido Vigário da diocese e ter ocupado o cargo de Reitor do Seminário Maior de Filosofia, bem assim ser um defensor de maior credibilidade cultural dos cabindenses e o actual Bispo de Cabinda ser próximo de algumas figuras gradas do poder em Luanda e da “Cidade Alta”, talvez que não surpreenda estas situações.

Mas, parece-me, que a Igreja Católica deve evitar pregar como Frei Tomás: “faz o que eu digo não o que ele faz…” ou seja, não basta reclamar pelos Direitos Humanos nuns sítios e fechar os olhos ou abster-se de criticar em outros.

Talvez que uma conversa franca na Igreja de Cabinda entre os que defendem a autonomia e aqueles que consideram que Cabinda é parte integrante e indissolúvel de Angola não fosse má ideia. Às vezes uma simples e franca palavra vale mais que muitos actos de rebeldia ou de repressão.

27 março 2009

Cabinda abre debate no Notícias Lusófonas

(Manchete de Notícias Lusófonas)


As oponiões dividem-se. A maioria diz que que o enclave é uma província de Angola. Outros dizem que não. Certo é que o problema existe

Cabinda? Província de Angola ou território ocupado? “Cabinda é parte integrante da República de Angola”, diz o especialista em relações internacionais Eugénio Costa Almeida. “É um território ocupado por Angola e tem direito à independência”, afirma por outro lado o jornalista angolano-português Orlando Castro. Aqui ficam dois pontos de vista que, esperamos, possam ajudar a que o assunto seja resolvido de uma vez por todas.


As “coisas” que “eles” inventam…
Por Eugénio Costa Almeida

"Em Cabinda “eles” dizem que atacam estrangeiros e “angolanos” para provocar o diálogo entre Luanda e “eles”.

As coisas que eles dizem…

“Eles” disseram que atacaram uma coluna de camiões – são tão precisos na mentira que até disseram a marca dos camiões, uns tais DAF, coisas… – entre as localidades de Liambo Liona e Weca e que dos ocupantes três teriam ficado feridos, dois dos quais com gravidade.

E o mais grave do anúncio, até conseguiram descortinar que eram chineses. Como se os chineses, que só puseram o seu desinteressado dinheiro à disposição do desenvolvimento de Angola, andassem por aí a fazer serviços que, naturalmente, são de natural aptidão dos angolanos. Coisas…

Como foram “eles” que o disseram – ah! desculpem, ainda não tinha dito que “eles” são os da FLEC (qual? não sei, “eles” há mais demais…) – e Luanda ainda nada disse – bem pelo contrário, ainda há dias li das palavras de um representante da capital que há Paz em Cabinda, logo nada poderia dizer nada – não acredito neste hipotético ataque. (…)"
(continue a ler aqui ou aqui)

Independência com certeza
Por Orlando Castro


"E eu penso desde há muito tempo que Cabinda não faz parte de Angola e que, por isso, deve ser um país independente. Dir-me-ão alguns, sobretudo os que se julgam donos de uma verdade adquirida nos areópagos da baixa política angolana ou portuguesa, que isso é uma utopia.

Mais coisa menos coisa, são os mesmos que há 35 anos diziam o mesmo a propósito da independência de Angola, são os mesmos que há poucos meses diziam algo semelhante a propósito do Kosovo, são os mesmos que nesta altura dizem o mesmo quanto ao País Basco.

Mas, tal como se disse em relação a Angola e ao Kosovo, um dia destes estará por aqui alguém a falar da efectiva independência de Cabinda.

Creio que só por manifesta falta de seriedade intelectual, típica dos diferentes órgãos de soberania portugueses (Presidência da República, Governo e Parlamento), é que pode dizer-se que Cabinda é parte integrante de Angola.

Cabinda só passou a ser supostamente parte de Angola quando, em 1975, os sipaios portugueses ao serviço do comunismo e os três movimentos ditos de libertação (MPLA, FNLA e UNITA) resolveram nos Acordos do Alvor integrar Cabinda em Angola. (…)
" (continue a ler aqui)
Manchete publicada no , de hoje

09 outubro 2008

Portugal, Kosovo, Cáucaso, Curdistão e… País Basco e Cabinda

Portugal apesar de não ter problemas regionais e de estar fora da zona de conflito decidiu na altura, por bem e bem, independentemente da pronta tomada de posição da maioria dos seus principais aliados e companheiros da União Europeia e da NATO, não reconhecer a nova República do Kosovo.

Todavia, algo parece estar a mudar na linha política internacional portuguesa ao se ouvir o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros admitir a possibilidade de reconhecer a República kosovare, o que acabou por acontecer.

E isto depois de ter, liminarmente, recusado reconhecer as repúblicas separatista georgianas da Ossétia do Sul e da Abkázia tal como o decidiram, também, os mesmos aliados.

Com esta atitude Portugal mostra que deixou de ter uma política externa independente e que anda a reboque do que decidem os mais fortes da União Europeia e da NATO, particularmente, a administração Bush.

Só que esta atitude da diplomacia portuguesa abrirá um profundo rombo na sua habitual neutralidade cooperante e adopção desta nova política obrigará, imperativamente, que Portugal reconheça a independência do Curdistão, do… País Basco e de… Cabinda.

Estará Portugal preparado para afrontara sua vizinha Espanha, Angola e os aliados germano-norte-americanos?

29 agosto 2008

Livro sobre Cabinda lançado em Lisboa

De acordo com o convite acima vai ser apresentado hoje, em Lisboa, um livro sobre Cabinda e a sua situação jurídico-político face a Angola.
.
A obra, intitulada "O Problema de Cabinda Exposto e Assumido à Luz do Direito e da Justiça", do jurista Francisco Luemba, tem a chancela da Papiro Editora - que parece ter se esquecido das suas obrigações enquanto editora - e será apresentada, pelas 21h, na Bertrand Vasco da Gama, à Expo.

Apesar do convite indicar a apresentação da obra por parte de Orlando Castro, que a Prefaciou, de acordo com este jornalista, pelas razões que só ele deverá explicitar, tal não deverá ser possível de acontecer.

21 agosto 2008

Cabinda não tem Paz mas não é assim que se faz ouvir a voz…

Numa campanha eleitoral é admissível, embora nem sempre aceitável, o confronto entre os opositores desde que o mesmo não ultrapasse a via verbal.

Por isso tem sido questionado e verberado os ataques que os partidos, nomeadamente os da oposição são alvos, muitas vezes por indivíduos que se dizem afectos – onde se incluem alguns com cargos directivos – ao partido do poder.

Mas mais grave se tornam os ataques quando os mesmos acontecem numa província que o poder e alguns sectores castrenses teimam em afirmar que está quase totalmente pacificada.

Segundo o
Jornal Digital, na última terça-feira, na região de Miconje, uma caravana do MPLA em campanha eleitoral na província de Cabinda terá sido atacada por elementos secessionistas cabindenses – ou que se dizem cabindenses – que provocaram inúmeras vítimas entre os membros da caravana.

Tudo porque a guerrilha cabindense quer impedir a população da província de participar na campanha eleitoral e nas eleições e já avisou que vai continuar com ataques destes.

Uma base democrática começa na aceitação das vontades contrárias à dos próximos.

Se a guerrilha cabindense não admite que pessoas como eles possam ter outros valores que não os mesmo que eles, significa que o espírito democrático não vive entre eles.

As eleições podem ser o princípio de uma alteração qualitativa na província.

Parece que o que querem é a manutenção do actual status quo e não a defesa dos interesses cabindenses.

Não é com ataques como os que levaram a efeito que solidificam simpatias, nem mesmo internamente.

O medo, porque é isso o que querem impor, pode se instalar por muito tempo, por anos, mas nunca se instalará definitivamente.

Ninguém consegue governar sobre o medo por muito tempo. É bom que pensem nisso!

01 julho 2008

UNITA propõe autonomia para Cabinda

Segundo uma declaração feita durante uma conferência de imprensa, o dirigente da UNITA e actual segundo vice-presidente da Assembleia Nacional, Fernando Heitor, terá declarado que, caso aquele partido vença as eleições legislativas, irá ser proposto a concessão de uma autonomia para Cabinda.

Heitor, relembrando os casos da Madeira e Açores, em Portugal, considera que os Cabindenses devem ter a possibilidade de escolherem os seus próprios governantes, sem que com isso, naturalmente, os Cabindenses sejam menos angolanos que os outros.

É de louvar este pensamento de Fernando Heitor, também já aqui expresso noutra altura. Só espero que, caso a UNITA não vença as legislativas, esta proposta não acabe adormecida numa esconsa gaveta. É pertinente e tem pernas para andar mesmo que isso, naturalmente, desagrade a alguns sectores cabindenses e angolanos.

02 junho 2008

Cabinda tem especificidades próprias; uma verdade indesmentível

(Cabinda é mais que petróleo ou floresta do Maiombe; daqui)

Isaías Samakuva, presidente da UNITA, afirmou em Cabinda que esta província tem especificidades culturais e tradicionais próprias como qualquer outra província angolana – já estou à espera da resposta do meu amigo e companheiro destas lides, enquanto bloguista, Orlando Castro – formando todas eles, diferentes entre si, mas iguais na mesma vontade, a Nação Angolana.
Tudo isto apesar de, como uma voz o disse bem alto, ainda estarem Guerra e como o reconheceu o líder da UNITA.
Infelizmente algo que o poder real e o Príncipe não podem desmentir mesmo que o desejem!
É altura das partes – todas as partes e em igualdade de posição – se sentarem e estudarem o estatuto próprio que Cabinda deve ter no seio da Nação Angolana!
Enquanto se persistir na ideia de é mais uma província, igual a todas as outras, com uma continuidade natural, que não existe, Angola nunca conseguirá ter Paz.
Os povos de Cabinda que vêem as suas riquezas serem absorvidas por Luanda com quase nenhumas contrapartidas, a presença ostensiva de militares nas ruas das cidades e sanzalas da província, o quero, mando e posso, do poder real, as pressões externas, grande parte delas já deixaram de ser discretas, não permitirão que a Paz seja um facto efectivo.
Estamos em pré-divulgação do acto eleitoral. Seria bom que em Setembro as eleições decorressem em calma e em total Paz em todo o Pais.
Assim, o poder real, o Príncipe e a generalidade dos políticos nacionais o desejem!

15 março 2008

Cabinda, um alerta via e-mail

A informação que a seguir transcrevo recebi hoje via e-mail. É muito grave o que lá está referido.
Porque não podemos criticar a casa dos nossos vizinhos, sempre que os Direitos Humanos estão em causa, e admitir igual ou pior na nossa própria casa, aqui fica o alerta esperando que o governo providencie que não mais aconteçam casos como estes que só nos colocam mal perante a Comunidade Internacional.
Acabei de receber a informação hoje, dia 15.03.2008, de que foram retidas entre 3.000 a 5.000 pessoas, em S. Pedro no Yema, das quais muitas delas crianças, mulheres, idosos e jovens que iam sair em peregrinação, na Semana Santa da Páscoa. Iam sair de S. Pedro no Yema, para S. Tiago em Cabinda, logo de manhã, e foram cercadas por polícia vária, ficando horas debaixo de sol, sem água e sem comida e impedidas de sair em peregrinação.
Levaram Xavier Soca Tati, que está neste momento na polícia de Investigação Criminal a ser interrogado.

Cabinda e os cabindas, apesar de serem – ou por isso mesmo – parte integrante da Nação angolana não podem continuar a ver os seus filhos tratados como um povo conquistado. Os cabindas têm os mesmos direitos que os luandenses, os lundas, os ganguelas, os bakongo, os cuanhamas, ou os das províncias de Benguela, Huambo, Moxico, Uíge, do Namibe, ou de qualquer outro povo ou província angolana.
Ou seja, tem a obrigação e o direito de serem tratados como qualquer angolano e não acreditamos que os que se encontram a sul do rio Zaire – ou Congo, conforme as conveniências – sejam tratados como conquistados. Ou serão?...

13 março 2008

Jornalistas, uns tipos que perguntam demais…

Segundo o “O Apostolado”, a visita a Cabinda do Ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro Ngongo, não parece ter corrido lá muito bem.
De acordo com aquele portal o Ministro parece ter tido um «calem-se que já não vos quero ouvir» por via de uma “azeda e aturada reunião […] com representantes do governo de Cabinda e das empresas empreiteiras em obras na província”.
O Ministro ia verificar como estavam em andamento o programa de investimentos públicos na província mais setentrional de Angola.
E por isso quando no final da “inspecção de 48 horas” se aprontou para os jornalistas decidiu – eles às vezes fazem perguntas impertinentes… – impedir a entrada do correspondente da Rádio Ecclésia de Angola; mas, ainda assim, o correspondente da rádio da Igreja católica angolana conseguiu saber que o Ministro estava indignado com os “atrasos detectados na execução das obras acalentadas pelo governo”; aqui só não percebi se o jornalista quereria dizer se as obras estavam «alimentadas» ou «adormecidas» pelo Governo (ver dicionário)…
Talvez porque o jornalista fosse tentar esclarecer esta dúvida é que foi impedido de entrar no local da Conferência de Imprensa.
O que vale é que o referido jornalista já teve o apoio do Sindicato dos Jornalistas de Angola que, através de um seu membro, considerou esta “peripécia como «mais um abuso da liberdade de imprensa», cuja remoção clama pelo esforço colectivo do país”.
Essa do abuso de liberdade de imprensa não lembra a ninguém… ou será que ele queria dizer «mais um abuso contra a liberdade de imprensa». Não se esqueçam que por causa da falta de um NÃO os angolanos da Diáspora julgavam que já se poderiam recensear…

23 novembro 2007

Cabinda - É hora da Presidência da República colocar um ponto final aos desmandos

"É ponto assente e disso faço questão de reafirmar. Tal como aceito aqueles que defendem o contrário.
Ou seja, para mim, Cabinda é uma província angolana, embora pela sua especificidade territorial mereça ter um estatuto especial como prevêem os diferentes acordos até agora assinados.
Isto na livre suposição que quando duas entidades assinam documentos de livre vontade sejam “acordos” e não documentos imposto. Eu, pelo menos, quero acreditar que tem sido assim.Mas quando acontecem casos como o de Raul Danda, ou, mais recentemente, a prisão do correspondente da Voz da América, em Cabinda, sob a estapafúrdia acusação de fomentar uma rebelião no Enclave, então a situação do país fica em xeque. (...)" (pode continuar a ler aqui)
Publicado n', edição 106, de 22-Novembro, sob o título acima.

NOTA: Este texto foi elaborado na altura em que escrevi o apontamento "Cabinda é Angola, mas..." e por razões de edição só agora foi publicado.
Entretanto saúde-se o excelente Seminário que hoje decorreu na Sociedade de Geografia de Lisboa sobre Cabinda, "Cabinda, os caminhos para a Paz", levado a efeito pela Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda que contou com a presença de oradores tão ilustres quanto política e sociologicamente diferenciados mas imbuídos na análise social de um problema que se chama Cabinda, destacando-se, entre outros, a presença de Alcides Sakala (líder parlamentar da Unita), Justino Pinto de Andrade (professor universitário e actualmente um militante do MPLA na reforma política), Joel Batila (médico cabinda e líder de uma associação de refugiados), Luís Araújo (da SOS Habitat), Filomeno Vieira Lopes (presidente da Frente para a Democracia), o padre e professor Raul Tati e Eduardo Welsh (representante da UNPO).

19 novembro 2007

Cabinda é Angola, mas…

(Angola, de Cabinda ao Cunene, de Luanda ao Luau)

… com factos como estes qualquer dia ainda vou ser obrigado a ver uma nova bandeira e um novo País na CPLP.
Parece-me altura da Presidência pôr um ponto final em situações como as que aconteceram recentemente com o correspondente da Voz da América, a trabalhar no Enclave, como se escreve a Lusa.
E nas condições em que o mesmo aconteceu…
Porque a continuar a darmos tantos tiros nos pés rapidamente passaremos da simpatia internacional à antipatia contra Angola que poderão pôr em causa a intangibilidade das nossas fronteiras.
Nem o petróleo não é inesgotável, nem os carros ou a electricidade urbana continuarão a depender do crude, nem a paciência humana ou política é constante e imutável.

01 setembro 2007

Que se passa em Cabinda?

(foto de Cabinda via satélite; daqui)

"Segundo as Forças Armadas Angolanas e alguns políticos na região Cabinda, apesar de ainda haver algum natural desassossego, parecia estar a caminhar para a estabilidade e para a Paz. Todavia, num e-mail recebido, através de terceiros, mas com emissão no activista de Direitos Humanos, Raul Danda, constata-se nele acusações muito graves para as FAA’s e para o Governo Central.
No citado e-mail diz-se que hoje, 31 de Agosto de 2007, em várias localidades do centro de Cabinda, de madrugada – o que contraria toda a lógica legal e humanitária de um Estado de Direito –, “centenas de militares das FAA fortemente armados e munidos de numerosas viaturas” levaram para a Planície do Cochiloango cidadãos que teriam sido retirados à força das suas casas de “Lico, Icazu, Cochiloango, Loango, Loango Pequeno, Ntunga, Mbuli, Bichékete, Caio e Mpuela”.
Segundo esse e-mail alguns desses cidadãos “terão sido espancados” e “outros ameaçados” por militares de armas emperradas.
Face à situação e porque os familiares não viam regressados algumas mulheres ter-se-ão deslocado a Cochiloango e dispostas a estarem, até às últimas consequências, quaisquer que elas sejam, e o e-mail, nesse aspecto é muito claro, junto deles.
Não sei se tudo se terá passado assim ou não. Também, por outro lado, não tenho razões para duvidar do conteúdo do e-mail.
Todavia, num Estado de Direito que se quer e se exige para Angola, casos destes – caso tenha acontecido, e parece, infelizmente, que sim – não podem acontecer sob pena de perdermos a face ao Enclave.
Todos sabem que, ao contrário de outras opiniões – algumas vincadas aqui no Notícias Lusófonas – defendo que Cabinda é uma província de Angola. Mas também sabem que defendo um Estatuto autonómico especial para o Enclave onde a justiça social e económica esteja devidamente defendida.
Quero acreditar que tudo não terá passado de uma mal entendido e que alguém tenha exorbitado das suas competências.
É que as acusações do activista angolano Raul Danda são graves e devem ser claras e cabalmente esclarecidas e, caso se confirmem, como espero e desejo que não, sejam efectivamente punidos quem ultrapassou das suas competências.
Mas quando a chefia militar vem desmentir a ida de militares para Zimbabué porque, segundo ela, este país tem militares competentes – ninguém o duvida – para a sua defesa e quando se sabe o que foi divulgado é que teriam ido – ou iam – militares de um corpo especial para proteger o presidente Mugabe, já que este teria perdido confiança na sua guarda pretoriana, que teria estado por detrás de uma intentona militar, já obriga-nos acreditar que as ordens e os despachos superiores perdem parte do sentido e do conteúdo pelo caminho.
Vamos recuperar o sentido de Estado e levar a situação de Cabinda a um claro caminho de estabilidade social, política e económica. Ou seja, vamos caminhar para a efectiva Paz em Angola.
"
Artigo de Opinião publicado na Manchete do , de hoje, sob o título "Situação em Cabinda - Não basta dizer que tudo está bem". Pode ainda aceder a este e as outros 79 artigos publicados no NL aqui.

10 agosto 2007

Eduardo dos Santos em Cabinda

(DDR)
Apesar de não subscrever totalmente o conteúdo da Manchete, de hoje, do Notícias Lusófonas – o assunto “Cabinda” é o único que não nos permite ter e gozar da unanimidade, o que se compreende quando em presença existem pessoas que pensam e se exprimem pelas suas cabeças e não precisam dos dedos dos outros para contar para além dos dez – parece que algo não estará bem na visita de Estado que José Eduardo dos Santos iniciou hoje na província mais setentrional de Angola.
Desde manhã que se houve nas rádios a presença inusitada de militares e polícias na rua para saudar o “libertador, arquitecto da paz e da concórdia” da Nação. Quando se adora e idolatra alguém, esse alguém não precisa de estar protegido numa qualquer redoma de vidro como se de uma delicada peça de porcelana se tratasse.
O papa João Paulo II, que era o Papa, e a quem já tinham tentado matar por mais de uma vez, só admitia o “papamóvel” com vidros à prova de bala unicamente para não causar engulhos nos países que visitava; porque há-de o presidente Dos Santos ter de se submeter a esta situação ao ponto do programa de visita (uns afirmam ter sido divulgado, outros afiançam que não é público) parecer estar no segredo dos deuses?
Será que ao contrário do que divulgam alguns órgãos informativos e membros do Governo a situação em Cabinda não está tão serena como fazem crer? Será que aquilo que, segundo se ouve murmurar, com mais acuidade, ultimamente, que Miala queria advertir Dos Santos para a realidade nacional e que alguns que gravitam à volta deste não só não deixaram, como tudo fizeram para que o antigo general fosse preso, parece que será verdade?
Pelo que se sabe à imprensa não-oficial – como parecem ter sido os casos de Cristóvão Luemba, da Rádio Ecclesia, e José Manuel, da Voz da América – foi vedada a cobertura da visita do Presidente. A ser verdade e nada mostra o contrário, é muito grave e predispõe os que estão contra a presença de Luanda em Cabinda para mais e, infelizmente, justas, críticas.
E porque ainda há indivíduos contrários à situação administrativa de Cabinda detidos?
Angola se quer ser levada a sério como uma potência Democrática e cumpridora dos mais elementares Direitos Humanos, e não como potência colonial como acusam os que estão contrários à sua presença em Cabinda, deve comportar-se como tal!

08 agosto 2006

Compromisso dá pastas

(© Praia das Escadinhas, Namibe – foto retirado daqui)

Tal como se ventilava, embora só o nome de Bento Bembe, fosse visado, parece que a assinatura do Memorando de Paz de Chicamba, em Namibe, a 1 de Agosto passado, vai dar algumas pastas ministeriais, diplomáticas e militares a membros da FLEC e do Fórum Cabindense.
O preço da Paz!!
E se o preço da Paz for dar de comer, três vezes por dia a alguns – poucos, muito poucos –, em vez de muitos, como se deseja e almeja, pois meu caríssimo amigo Orlando Castro vou ter de o contrariar e dizer… que assim seja.
Pode ser que estes poucos – muito poucos – se possam tornar, em breve, em muitos, mas mesmo muitos e se não for com três que sejam, pelo menos, duas as refeições diárias.
Deixe-me ser utópico, que a utopia também pode ajudar a desenvolver.
Grão a grão, milho a milho, mandioca a mandioca…

27 julho 2006

Mpabalanda extinto por que razão?

Posso não concordar – e não concordo, de todo, – com algumas das posições político-sociais do Movimento Cívico cabindense Mpalabanda, mas agora o Tribunal Provincial de Cabinda – ou terá sido o Governo Provincial, por iniciativa própria, ou concertado com Luanda – extinguir o movimento devido a actividades políticas não me parece que tenha sido o mais equilibrado.
Um movimento cívico pode, e deve ter, posições políticas. É isso o que caracteriza um país democrático e a intervenção cívica dos cidadãos.
E Angola quer e deseja sê-lo. Não quer?

19 julho 2006

A Paz em Angola passa pelo GURN?

A fazer face nas palavras e na escrita de alguns jornalistas parece que é isso que irá acontecer.
A juntar à acantonização das forças militares e militarizadas como um dos primeiros passos para a Paz em Angola, e a possível integração de guerrilheiros da FLEC serem integrados nas FAA’s e na Polícia Nacional, parece que Bento Bembe irá ter um lugar no GURN. Será que vai ter um ministério da Interterritorialidade?
No mínimo seria um pouco estranho. Se bem me recordo esse era o Ministério que os Governos pós-25 de Abril criaram em Portugal para preparar a descolonização.
E o que irá Angola descolonizar? Cabinda, não me parece, senão não teria procurado assinar o acordo de cessação de fogo e os cabindenses abdicado da independência.
Ora se não é Cabinda, o que será?
Por exclusão, só recordo da região diamantífera.
De acordo com um trabalho jornalístico do matutino Diário de Notícias e tendo por base o livro de Rafael Marques, “Operação Kissonde: Os Diamantes da Humilhação e da Miséria” aquela região mais parece um Estado dentro do Estado que uma inequívoca parte integrante de Angola. É que as empresas exploradoras de diamantes e as suas associadas, empresas de segurança privada, mandam mais que a polícia Nacional.
Já no tempo colonial a Diamang comportava-se assim!!
Até quando isso vai acontecer e até quando o Executivo o vai permitir?

07 julho 2006

Quem contesta a paz de Chicamba?

Quem não quer a Paz em Angola? e quando falo em Angola, falo de Cabinda ao Cunene e do Lobito ao Luao.
Já aqui há dias abordei esta matéria referente ao Compromisso de Paz para Cabinda. Tal como nessa altura, volto a reafirmar que Cabinda deve gozar de um estatuto especial, não só pela sua especificidade como, e aqui reportava a um interessante artigo de Joffre Justino, no Notícias Lusófonas “Cabinda necessita de solução urgente”, pela sua exiguidade territorial – apesar dos seus 7300 km2.
Depois de cerca de 30 anos de guerras e guerrilhas quase inúteis, angolanos e cabindenses apesar das dificuldades em encontrar interlocutores se têm sentado frente-a-frente e negociado uma Paz que possa satisfazer ambas as partes, onde o compromisso deve – tem de – ser o da equidade.
Parece que isso aconteceu em Chicamba (Chicamba e Simulambuco estão interligados), no passado dia 30 de Junho onde um Compromisso, nesse sentido, foi assinado entre os representantes de Luanda – Chefe Adjunto do Estado-Maior, General Nunda, acompanhado de vários Generais e outros Oficiais Superiores das Forças Armadas Angolanas (FAA) – e do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) – António Bento Bembe, o mais contestado, pelo Secretário da Defesa da FLEC, o Chefe do Estado-Maior Adjunto das Forças Armadas de Cabinda (FAC Unificada) – embora Estanislau Boma, CEM da FACU, não reconheça o Compromisso –, assessorados por vários Oficiais Superiores desta organização paramilitar – e autenticado pela presença de países vizinhos e observadores internacionais “credíveis que trabalham para a pacificação de Cabinda”.
De, imediato, alguns quantos, contrariando a posição do Conselho Nacional do Povo de Cabinda (Nkoto Likanda), que reconheceu legitimidade a António Bento Bembe para negociar a resolução do conflito com o Governo de Angola, decidiram que o referido Compromisso estava inquinado e carecia de legitimação; ou porque Bento Bembe não estava legitimado para assinar qualquer documento fosse em nome da FCD ou da FLEC, segundo palavras de Nzita H. Tiago, presidente(?) desta última; ou porque o documento foi imposto pelo governo de Luanda, nas palavras da “Mpalabanda”; ou, segundo um padre da Diocese de Cabinda, porque é um compromisso obscuro onde não estão envolvidos todos os membros da FCD … enfim, houve quem, com ou sem razão, decidisse que tudo o que se estava a fazer, ou se tinha feito, não merecia qualquer credibilidade.
Mas o problema maior começa, precisamente, na credibilidade dos contestatários. Não esqueçamos que alguns dessas pessoas que vêem no Compromisso um documento do Diabo, estão ligados a organizações onde as diferenças e divergências internas têm sido tudo menos pacíficas e credibilizadoras.
Ou seja. Tal como no Memorandum de Entendimento de Luena, que trouxe a Paz a Angola – boa ou menos boa é a ainda possível –, não foram os políticos que negociaram o Compromisso, mas os militares. Resumindo, aqueles que, no terreno, melhor conhecem as dificuldades em fazer uma Paz credível.
Talvez seja por isso que a oposição (UNITA, FNLA, PLD, PDP- ANA, FpD, PAI e POC) embora sublinhando a natureza positiva do Compromisso e da paragem de actividade militar no enclave, criticam o facto de terem estado à margem do processo negocial e pedem que não se excluam outros elementos para que a Paz seja duradoira a fim de que haja uma maior abrangência no processo negocial a favor da Paz.
Aqui reside o problema. E saber quem, ou quais, ou quem são, os excluídos? uma presidência da FLEC que está no exterior que, além de não ser reconhecida pelos membros do Secretariado Executivo da FLEC, que estão no interior do enclave, têm no seu seio personalidades estrangeiras que tentam impor directrizes como o encerramento de um órgão informativo? alguns padres católicos, liderados pelo padre Congo, que, não raras vezes, contesta a hierarquia religiosa, assumindo-se quase como um “Ximenes Belo” cabindense?
O que interessa é que a Paz em toda Angola venha e que venha para ficar!!!
É que com ela ganharemos todos nós; os do enclave, os do quadrilátero, os militares cansados da guerra, os empresários, a economia, os políticos e – last but not least – o eleitorado angolano…
Image hosted by Photobucket.com ADENDA: Esta análise foi publicada hoje, sob forma de Artigo de Opinião, no Africamente.com onde também pode lê-la.

29 junho 2006

Chegou a vez de Cabinda?

(o marco do tratado(?) de Simulambuco)

A crer nas notícias que hoje foram emitidas a partir de Luanda, após o encontro entre o Governo de Luanda e os representantes do Fórum Cabindês para o Diálogo – que agrupa a FLEC, a Igreja Católica (interessante ter sido logo após a tomada de posse do novo Bispo de Cabinda) e a Associação Cívica Mpalabanda – está à vista um estatuto especial para Cabinda, como, desde há muito, venho defendendo, dentro da Pátria angolana.
Todavia, por acaso, ou talvez não, dado a Mpalabanda estar há um tempo a contestar a presidência de Bento Bembe no Fórum, recusa credibilidade ao Fórum para as conclusões – terá sido por ter estado sob a ameaça de “extinção” por parte de Luanda?
Vamos esperar para ver até onde chegará este passo para o Diálogo, numa região onde a Paz continua arredia.
Será que os factores exógenos irão admitir, de mão-beijada, este interessante passo? Não esqueçamos o que um suposto cidadão nigeriano, Babatunde Taiwo, quis, a dada altura, criar dentro da FLEC e com o portal Ibinda.com.
Quatro anos depois, chegou a vez de Cabinda?

21 junho 2006

Cabinda, diálogo como e com quem?

Como quer Cabinda dialogar com as autoridades de Luanda para acabar, de vez, com o conflito interno naquela província/enclave se os seus filhos não se entendem quanto à forma como o diálogo deve prevalecer.
São as tricas na Igreja católica onde um padre, o padre Jorge Congo, que mais parece desejar ser um novo Aristide que um eventual Ximenes Belo cabindense, continua a desrespeitar tanto o povo que o deveria ouvir como as autoridades eclesiásticas, sendo um dos que fomentaram a revolta contra o novo Bispo de Cabinda; ou só agora ter conseguido efectivar a tomada de posse de D. Filomeno Vieira Dias, como Bispo de Cabinda, quase um ano e meio após a sua nomeação pelo Vaticano, ainda pelo Papa João Paulo II.
São as disputas dentro da FLEC e entre uma certa cúpula desta organização e o Fórum Cabindês para o Diálogo.
Senhores, entendam-se de uma vez para dialogarem com Luanda, porque o povo angolano quer a Paz definitiva em todo – TODO – o país.