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07 fevereiro 2010

O terrorismo não se faz só com armas

(imagem daqui)

"As Nações Unidas e os principais países que formam este areópago global que é a nossa Casa, a Terra, têm, e sempre o fizeram sempre que as circunstâncias e as oportunidades de interesses particulares se sobrepunham aos valores mais globalizadores, declarado guerra a todas as formas de terrorismo.


Nada mais natural. Não é permissível que o terror se sobreponha a um nível de vida cível onde a cultura da Liberdade seja colocada em causa.


Todavia, nem sempre o terrorismo é caracterizado, como habitualmente nos oferecem os meios de comunicação social e os indiferenciados meios governamentais, pela existência de veículos de terror bélico, como, por exemplo, o que tele-assistimos no Afeganistão, no Sudão, ou, mais recentemente, no estúpido e inaudito ataque das autoproclamadas FLEC-PM à comitiva do seleccionado do Togo que ia estar presente no CAN2010, na província angolana de Cabinda.


E se os momentos de terror que se verificam no Afeganistão e no Sudão se devem a razões religiosas, primeiras, económicas e territoriais como segunda razão, em Cabinda sobrepõem-se razões territoriais e económicas e, que muitos se esquecem porque se esquecem da História, antropológicas.


Muitos esquecem-se que cerca de 2/3 de Cabinda pertenceram ao antigo Reino do Congo, cuja sede era em Mbanza Congo, na província angolana do Uíge. Esquecem-se alguns cabindas, como se esquecem muitos angolanos, principalmente aqueles que estão sentados na gravitação do Poder.


Mas não se esquecem, por certo, todos os bakongo (os (ba - congo) caçadores), dos dois lados da fronteira, nem aqueles que, em Angola, no longínquo dia de 22 de Janeiro de 1993 foram perseguidos só porque falavam mal – ou deficientemente – português. Isto também é uma forma néscia de terror, logo terrorismo. Não se esquecem os bakongo, como não se têm esquecido ao longo dos anos com a criação e reactivação periódica do grupo político ABAKO (Alliance des Bakongo, criada por Joseph Kazavubu, nos anos 50 do século XX, e que visava a união de todos os bakongo).


Por isso alguns se insurgem quando afirmo que por detrás de alguns dos grupos separatistas cabindenses estão não só indivíduos de Cabinda mas, principalmente, interesses dos dois Congos (Democrático e Brazza) na perspectiva de uma possível divisão do território entre ambos tal como chegou a ser debatido no finais da década de 60 inícios de 70, do século XX, entre os regimes de Marien Ngouabi, do CongoBrazza, e Mobutu, do Congo Democrático, ex-Zaire. Isto, apesar do primeiro se intitular socialista e ter criado a República Popular e o segundo ser apoiado pelas sucessivas administrações norte-americanas que, desde muito cedo, exploraram e exploraram o petróleo de Cabinda.


É certo que constatamos que as armas predominam no explanar do terror. Foi e tem sido essencialmente assim. Mas também sabemos e a História africana é pródiga em o confirmar que os terroristas de ontem são os heróis de hoje e sê-lo-ão os de amanhã. Foi-o na Palestina, foram-no os maquis em França, na 2ª Guerra Mundial, foram-nos os movimentos de esquerda na América Latina, como o foram os pais da Liberdade nos EUA, para já não falar nos diferentes movimentos emancipalistas que vingaram em África e que deram novos Países ao Mundo. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no , edição 249, de 6/Fev./2010

30 novembro 2009

Quando o lúdico e a segurança se conflituam…

"Segundo algumas notícias que se vão ouvindo no éter radiofónico, nomeadamente na RDP-África, a região autónoma do Príncipe está em polvorosa, nomeadamente o Governo Regional, porque um radar de segurança colocado naquela ilha interfere com as emissões de rádio e da televisão, em particular, com as emissões para África da RDP e RTP.

O radar em questão foi colocado na ilha ao abrigo dos acordos de segurança rubricados entre o Ministério da Defesa santomense e as autoridades de defesa marítima norte-americanas tendo em vista não só a defesa do Golfo, onde parece haver muita gente que se esquece que está a caminhar a passos largos para ser uma nova Somália no que toca à pirataria marítima, como se enquadra no programa afro-norte-americano AFRICOM.

Recordemos que, inicialmente, era intenção dos EUA colocar vasos de guerra estacionados na região, nomeadamente, em São Tomé ou no Príncipe, fazendo destas ilhas umas novas Port Arthur.

Todavia, a manifesta “má-vontade” de Angola e Nigéria as potências regionais em emergência e em “conflito” pelo domínio da região centro-africano e do Golfo, e o facto da presença das forças navais – e com ela outras forças militarizadas – não seria muito bem quista por outros Estados da região nem por aqueles que continuam a considerar que África é um feudo particular – recordemos como a França continua a olhar para o continente Africano e para as regiões onde foi potência colonial – levaram o departamento de Defesa norte-americano a ponderar pela não presença dessas forças mas pela colocação do referido radar.(...)
" (continuar a ler aqui)
Publicado no , edição 242, de 28/Novembro de 2009

08 novembro 2009

À mulher de César não basta parecer ser séria…

"Depois da queda do “Muro de Berlim” e do advento da democracia pluralista em África, era sentimento geral que, embora ninguém acreditasse que os ventos da mudanças fizessem logo efeito – em outras partes duraram décadas para se afirmarem – esperava-se, ao menos, que paulatinamente essa mudança minimamente assentasse nos jangos e nas roças da vida africana.

Passou já mais de uma dezena e meia de anos desde que a maioria dos Estados africanos adoptaram a democracia pluralista. E o que se observa e se objectiva?

A presença de uma cada vez maior afirmação de um despotismo iluminado, a confirmação da supremacia de certos partidos sob a capa de liberdade política, a existência de uma cada vez maior conexão entre a política e a economia, a manutenção, apesar de “ilegalizada” pela União Africana, de Golpes de Estado e Intentonas militares, fazem prever que uma pseudo-democracia bem autocrática está firmemente implantada em África.

Por exemplo, o prémio Mo Ibrahim para “boa governação” e que premeia os presidentes africanos que abdicaram democraticamente do poder, não tenha conferido a nenhum antigo líder este ano. As razões, talvez as encontremos nas palavras do presidente ugandês, Yoweri Museveni, quando terá afirmado “Cinco milhões de dólares para mim não é nada. Cinco milhões de dólares é como uma mesada!”. Pois é precisamente este o valor pecuniário do Prémio Mo Ibrahim a ser pago em tranches anuais de 250 mil dólares.

Ora quando um estadista africano, que quando chegou ao poder, em 1986, afirmava que um presidente africano só deveria manter-se no poder durante dois mandatos, e faz uma afirmação destas, pode-se afirmar que, no mínimo, é chocante e… desmotivante!

É que à mulher de César não basta parecer ser séria… (...)
" (continuar a ler aqui)
Publicado no semanário , edição 239, de 7-Novembro-2009

14 setembro 2009

Continente Africano, um grande Gepeto?

"Lembram-se, por certo, do carpinteiro Gepeto, criado pelo escritor italiano Carlo Lorenzini, sob o pseudónimo de Carlo Collodi, que vivia sozinho e que, a dada altura, criou um boneco articulado chamado Pinóquio.

Lembram-se, também e por certo, que uma fada deu vida ao boneco e que quando este mentia o nariz aumentava de tal forma que um qualquer turqui ou tchiliquito poderiam ali poisar e fazer ninho.

Pois, parece que o Continente Africano que parecia caminhar para uma normal “normalidade” voltou à normal “pinoquiada”. Ou seja, não o continente propriamente dito, mas todos os seus “bonecos políticos” que quando abrem a boca ou sai uma brutal asneira ou o nariz aumenta-lhes exponencialmente.

Ainda recentemente um político, mais alto magistrado da sua Nação, algures na África Austral e reconhecido como a princesa de um dos Oceanos, terá afirmado que no seu País já não haveria corrupção.

Viram como o nariz começou logo a crescer...

Num País irmão, também na África Austral, e do outro lado, o mais alto magistrado dessa Nação terá afirmado, depois do seu partido ter andado vogando ora nas directas ora nas indirectas, que gostaria que as eleições presidenciais fossem como no poderoso vizinho do sul, embora fosse numa forma de sistema “indirecto atípico”, isto é, não seria por via do voto directo e universal.

Uma vez mais o narizito pinoquiano cresceu dado que isso contraria algumas das propostas já apresentadas e que o mesmo mentor reafirmou em tempo oportuno.

Também na África Austral um novo líder teria afirmado durante a campanha que aumentaria o poder económico do seu Povo. Não só não o fez como tem quase forçado que o mesmo trabalhe em condições pouco aceitáveis no que já resultou em inúmeras greves e ameaças de voltar a acontecer novos actos xenófobos.

É assim que se vai vendo como o Pinóquio ainda subsiste… (...)" (continuar a ler aqui)
Publicado no semanário santomense , edição 231, de 12.Setembro.2009

07 agosto 2009

Palavras pouco etéreas num espaço internauta


(imagem da internet)

"Há momentos que desejávamos não estar tão dependentes das novas tecnologias e sentir que o tempo é nosso para ler descansadamente uma boa obra literária, um jornal de ponta-a-ponta ou, porque não, uma qualquer revista de desenhos cartunizados, como as que antigamente a editora brasileira Abril nos oferecia, como o Zé Carioca, o Pato Donald, o Rato Mickey, o Tio Patinhas ou o fantasma, por exemplo.

Esta última semana foi-me oferecida essa oportunidade pela empresa portuguesa de telecomunicações TMN, do grupo Portugal Telecom. Estive uma semana no Algarve a passar férias e a boa da TMN achou que precisava mesmo de férias. E, vai daí, a placa de acesso à Internet esteve mais que muda e queda.

Ou seja, uma zona fortemente turística, está sem capacidade para oferecer aos seus clientes, pelo menos os clientes da lusófona TMN, acesso à Internet via satélite. Brilhante. Mas como infelizmente também os jornais dificilmente lá chegam em quantidade e, acima de tudo em qualidade, porque não compro pasquins nem tablóides mesmo que sejam de maior tiragem nacional, e porque nem sempre me apetece ler os desportivos, acabei por me abraçar à praia recordando as nossa águas mornas pensando que do outro lado estava a nossa África. E, à noite, ia lendo os poemas da “II Antologia de Poetas Lusófonos”, onde também estou presente.

Por isso não pude antes contactar com os leitores deste enorme Semanário que, não deve, nem pode, acabar sob pena da cultura e a comunicação social santomense ficar mais pobre e, por extensão, também os seus leitores e os políticos que se revêem no direito ao contraditório, que aqui tão bem encontram.

A Presidência e o Governo que o digam.

Também por estar fora do contacto internauta nem sempre pude acompanhar o que de bom – e de mau, infelizmente – aconteceu no nosso Continente.

Ainda assim, fui sabendo algumas coisas dos Jogos da Lusofonia; supostamente, Lusofonia, porque via Cabo Verde referenciado como Cape Verde (CPV) e Moçambique como Mozambique (MOZ), fazendo crer o Comité Olímpico Português (COP) que seria uma obrigação do COI quando este só apoiou Guiné-Bissau e, creio, em parte, São Tomé e Príncipe, dado que o COP parece não ter contribuído com as verbas necessárias á oficialização dos jogos como acontece com os da Francofonia e dos da Comunidade Britânica. Portugal lá saberá. Talvez por isso, as principais figuras brasileiras não apareçam nos Jogos. (...)" (continuar a ler aqui)
Publicado no , edição 266, de 1 de Agosto de 2009

13 julho 2009

Estará África preparada para a nova Autoridade?

"Sirte viu decorrer a XIII sessão ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana e, uma vez mais, foi a cidade onde as mudanças para África viram a luz.

Uma cimeira que contou com a presença do presidente brasileiro Lula da Silva – que está em todas desde que os ganhos se chamem possível presença efectiva na possível futura composição do Conselho de Segurança da ONU, como vai estar também na reunião do G8 – previa que entre outros assuntos fossem debatidos a agricultura, a pacificação do continente centrando-se os debates da organização, na instabilidade dos pontos mais críticos, como a Guiné-Bissau e Somália e a celebração de 3 acordos afro-brasileiros, um dos quais o do desenvolvimento humano e social e assistência sanitária.

Mas tal como em 9 de Setembro de 1999, foi em Sirte – pelos vistos a sua cidade-fetiche – que o senhor Muammar Kadhafi, presidente em exercício, decidiu propor a criação imediata de uma nova Autoridade para a União Africana que substituirá a actual presidência da Comissão Africana. Naquela data propôs a alteração da OUA em União Africana.

Tal como em 1999, o senhor Kadhafi fez “beicinho” e perante a indecisão entre os imediatistas – aqueles que querem as alterações conducentes a uns Estados Unidos de África – e os gradualistas – aqueles para quem as alterações devem ser feitas com parcimónia e gradualmente – abandonou a cimeira que decorria em Sirte e só voltou quando soube que tinha vencido a sua tese de rápida alteração ao actual estatuto africano.

Daí que na madrugada da sexta-feira passada, 3 de Julho, o senhor Kadhafi tenha recebido o esboço de um documento que prevê a substituição da Comissão pela da Autoridade Africana que disporá de plenos poderes em matéria de defesa, diplomacia e comércio internacional o que, na linguagem “diplomática” do senhor Kadhafi será um passo significativo para “um governo federal de uns futuros Estados Unidos de África” há muito pedida pelo príncipe dos príncipes, ou seja, pelo todo poderoso coronel Muammar Kadhafi. (...)
" (continuar a ler aqui)
Publicado no , edição 224, de 11.Julho.2009

09 junho 2009

O caso dos vistos “ilegais” brasileiros… (artigo)

"Estava em Luanda quando ouvi e vi uma notícia, nomeadamente na TV Zimbo – uma televisão sem anunciantes, ainda, mas que mostra já ter muita qualidade – relativa a dois grupos de cidadãs angolanas que viram a sua entrada no Brasil barrada por pretensa ilegalidade na emissão dos vistos que teriam sido emitidos na embaixada da República Federativa do Brasil, em Luanda. Um dos grupos foi via Joanesburgo e outro via Kinshasa, se a memória não me falha.

Até aqui, nada de anormal; se os vistos eram irregulares ou ilegais, naturalmente que as autoridades brasileiras teriam toda a legitimidade para impedir e recambiar os referidos grupos.

O problema, e é aqui que algo bate muito, mas muito mal, o problema é que além de não serem ilegais…

Primeiro, e isso não tive oportunidade de confirmar com quem de direito, já que ouvi numa rádio de Luanda, as pessoas “devolvidas” teriam sido logo detidas à chegada em Luanda, e colocadas sob detenção no DNIC. Ou seja, vieram logo com o rótulo de “corruptas” e “falsificadoras”.

Houve aqui, como adiante se comprova, um excessivo zelo de um certo sector das autoridades angolanas que adoptaram o bom estilo texano: dispara, primeiro – no caso detém – e pergunta depois; talvez tenha sido um bom exemplo para que não volte a acontecer semelhante.

Depois, e porque as cidadãs, principalmente estas, angolanas afirmavam a bom afirmar que os vistos eram legais, e, uma das entrevistadas, afirmava a pés juntos que já não era a primeira vez que ia ao Brasil com aquele visto, dado ser um visto de 365 dias, e depois de muito questionada pela comunicação social angolana – e aqui, tiro o meu chapéu (apesar de andar sempre descoberto) pela força dos Média angolanos neste assunto – a embaixada brasileira acabou por confirmar que, de facto, os vistos eram legais, mas que… (...)
" (pode contnuar a ler aqui)
Publicado no , edição de 6 de Junho de 2009

13 maio 2009

Maio ainda é o mês de África?

"Entrámos, e mais um ano, naquele que se convencionou chamar, desde que foi criada a OUA, no mês de África: Maio!

Mas será que ainda temos fundamentos para considerar Maio como o mês de África? Haverá razões intrínsecas, claras e objectivas para continuarmos a clamar por Maio como o mês do Continente que gerou e humanizou todos os outros?

Apesar de ter sido de África, como comprovam os mais recentes estudos genéticos, que saíram os primeiros povos que colonizaram os novos continentes saídos da grande Pangeia, continuam a consideram-nos o continente mais novo, mais incompleto, mais atrasado e mais necessitado de desenvolvimento.

É possível que tenham alguma razão!

Talvez tenhamos perdido alguns dos nossos mais importantes cérebros para inteligenciar os outros Continentes e, agora – só agora – comecemos a recuperar algum do tempo perdido com os nossos países a mostrarem ter condições para serem mais sagazes ao apresentarem alguma Paz política e social – infelizmente pouca –, algum desenvolvimento – a maior parte, desordenado – e atracção de outros cérebros para ajudar os nossos.

Não basta mostrar sinais de Paz, nomeadamente a Paz militar, se n os nossos Países se a Paz política e social que se deseja existirem nem sempre é evidente e, muito menos, efectiva?

Politicamente, basta ver como um jovem político, antigo presidente de uma Câmara de uma capital, mesmo que com razões subjacentes – até, parece, muito válidas, mas nem por isso legítimas –, conseguiu que um exército que nunca se meteu em política – caso único em África – o ajudasse a destituir o Presidente eleito democraticamente e promover que juízes do Supremo Tribunal o aceitassem, por maioria, como líder do País mesmo sem ter idade mínima para tal. (...)" (continuar a ler aqui)
Publicado no , edição 215

26 abril 2009

Amizade não é palavra vã!

(Amizade pode ser isto quando mais dela precisamos; imagem Google)

"Há momento da vida que tomamos posições, principalmente quando políticas, que, não poucas vezes, acabam por ferir pessoas próximas.

São feridas que custam a sarar. E custam mais quando, prevenida ou incompreensivelmente, mesmo que sem ser intencional, colocamos sal nas mesmas em vez de um qualquer bálsamo.

E isto foi – e, infelizmente, ainda é – válido em qualquer sociedade. Seja na Europa, na América, na Ásia ou em, e principalmente, no nosso martirizado Continente.

Foi-o, ainda mais, no período pós-colonial, com particular destaque para Moçambique e Angola onde razões políticas, económicas, sociais e antropológicas falaram mais alto e dividiram amigos, famílias e povos.

Ainda, recentemente, António Trabulo que viveu, desde quase os primeiros meses de idade até ao momento de entrar na Faculdade de Medicina, na cidade do Lubango, em Angola, no seu último romance, “Retornados, o adeus a África” – edição da Editorial Cristo Negro, apresentado, em Lisboa, na Casa de Angola – discorria sobre essa divisão entre familiares que adoptaram cores políticas diferentes e como se tornaram “inimigos” dividindo famílias e povos.

A Paz angolana sobrevinda, mas não imprevista, trouxe à memória esconsa essas amizades e os laços familiares perdidos ou divididos.

O movimento político que o multipartidarismo trouxe aos nossos países também não ficou apartado dessa vontade de reaproximação entre os diferentes pontos de vista políticos e sociais. As diferenças inter-pares eram agora aproveitadas a favor do desenvolvimento e não para fomentar os ódios ou questiúnculas mesquinhas e ignaras. (..)" (continuar a ler aqui)
Publicado no , edição 213, de 25.Abril.2009

13 abril 2009

Parágrafos soltos

(Pôr-de-sol na Restinga, Lobito; imagem cedida cujo autor já não me recordo com o meu lamento)

"Há momentos que uma pessoa se senta à mesa – mas não na mesa – olha para a branca folha e para a esferográfica e nada sai da penumbra cerebrálica onde guardamos as nossas fontes e pensamentos.

A solução é descansar, ler um livro leve, e voltar à mesa olhar para o computador maravilhar-se com a foto que emoldura no monitor – no meu caso, uma belíssima foto de um pôr-do-sol na minha maravilhosa e magnífica Restinga, no Lobito, – entrar no Word e… com os dedos levantados sobre as teclas e um olhar bloqueado no alvo monitor… e nada transpirar.

Como, nestas alturas, entendo os jornalistas que se sentem pressionados a fazer um artigo, a verem as horas passar, os editores a pressionarem para fechar o jornal e as malditas brancas que os impede de colocar aquele artigo, por certo magnífico, e que poderia mudar o rumo da sociedade onde estão inseridos ou ganharem o Prémio do jornalismo. É nestas alturas que sei que não sou jornalista mas um comentador político que sabe se não entrar nesta semana o artigo entrará numa próxima ou quando houver oportunidade para tal.

E se os entendo e como os compreendo e saúdo.

Mas quando descansamos sentimos que o cérebro fervilha de imensas questões que poderiam e deveriam ser analisadas. Só que o tempo e, não poucas vezes, a disponibilidade e as condições são poucas e ou miseráveis. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , edição 211 de 11 de Abril de 2009

21 março 2009

Todos somos democratas desde que…

(imagem Google)

"Recentemente assistimos a mais um eventual “Putsch” em São Tomé e Príncipe com o caso dos ex-Búfalos e de personalidades afectas ao pequeno e obscuro partido da FDC serem detidos.

Mais recentemente vimos, na Guiné-Bissau, como a morte de dois líderes antagónicos no Poder e, segundo falam os mujimbos (boatos), também em negócios menos ponderados, pôde ter transformado crimes – porque de crimes se trataram independentemente das cogitações dos mesmos – em quase Golpe palaciano com a pressa na eleição de um Chefe de Estado-Maior, facto que é da responsabilidade do Presidente eleito em vez, como se verificou, do Governo o qual se prepara para ver o seu líder ser candidato à Presidência.

Mais anteriormente assistimos a dois casos claros de tomada de poder por militares, sob o protesto de má -governação ou vazio do poder. Foram os casos da Mauritânia, na primeira situação, e da República da Guiné (Conacri), na segunda. Ou, e de certa forma também o foi, embora por razões partidárias e de má convivência, a queda de Thabo Mbeki, na África do Sul.

Porque, parece, que o poder volta a estar a ser um facto apetecível para certos “democratas” temos assistido na República Malgache (Madagáscar) a uma clara tentativa de tomada de poder por parte de um “jovem turco” e ex-presidente da Câmara de Antananarivo, Andry Rajoelina. (...)
" (continue a ler aqui)
Publicado no semanário santomense , ed. 208, de 21-Março-2009.

07 março 2009

Guiné-Bissau pode vir a ser exemplo

"Esta foi uma semana marcada pelos trágicos atentados ocorridos na Guiné-Bissau que levaram o presidente João Bernardo “Nino” Vieira e o Chefe de Estado-maior da Forças Armadas deste País, general Tagmé Na Waié.

Dois atentados encadeados por anos de ódios e guerrilhas institucionais entre os dois homens-fortes do país. Como havia afirmado, e por mais de uma vez, o general Na Waié a morte de um implicaria inevitavelmente a perca da vida do outro.

Assim aconteceu entre domingo, com o atentado à bomba a Na Waié e, subsequentemente, seguido do assassínio de “Nino” Vieira.

O ódio que consumia os dois homens-fortes da Guiné-Bissau não se ficava só por razões de domínio militar mas, como parece tudo indicar, pelos negócios do tráfico de drogas já denunciado, e por mais de uma vez, pelo jornalista Bissau-guineense Fernando Casimiro.

A morte destes dois homens pode, definitiva e finalmente, assim o queiram a Comunidade Internacional e a CPLP e assim o deixem os seus insidiosos vizinhos e os militares e certos políticos que nunca aceitaram a submissão e a derrota eleitoral, fazer entrar a Guiné-Bissau no pleno seio das Nações estáveis e desenvolvidas. (...)
" (continuar a ler aqui)
Publicado no semanário santomense , edição de 7-Março-2009

07 fevereiro 2009

E o “rei” vai tentando…

"Como habitualmente, por esta altura, realizou-se, em Adis Abeba a reunião magna do Conselho de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA). Foi a XII Cimeira que decorreu entre 2 e 3 de Fevereiro.

Uma vez mais os Chefes de Estado e de Governo africanos ponderaram a discussão de factos relevantes para África, como as sucessivas crises institucionais e políticas do continente, a fome, as guerras, aliados a assuntos de menor interesse como saber se Mugabe, no Zimbabué, deve ou não continuar a sofrer sanções internacionais ou de el-Bashir, do Sudão, se deve ser apresentado ou não ao Tribunal Penal Internacional.

Para os “ocupados” líderes africanos presentes nem as sanções devem manter, dado que já há acordo para a partilha de poder no Zimbabué – também há uns meses isso acontecia e depois viu-se que Mugabe não cumpriu – como o presidente sudanês não deve ser detido porque iria criar instabilidade na região – ou será que nas costas do vizinho, alguns líderes viram as suas e temem que também possam ser detidos por crimes contra os seus Povos? – Ambos devem não só sentir o peso das suas responsabilidades e serem presentes a Juízo. Mugabe continua a passar laudativas férias em Singapura e Hong Kong enquanto o seu Povo passa fome e pene sob o espectro da cólera.

Registe-se que nem todos os Chefes de Estado e de Governo africanos estiveram presentes. Dos 53 Estados membros da UA só 21 se fizeram representar a alto nível. Tudo porque alguns dos Chefes de Estado e de Governo preferiram pautar pela não presença, tendo sido representados por figuras menores; os líderes africanos já perceberam que alguns Coup d’État ocorrem na sua ausência; e porque será que não foram? será que têm contas estranhas a pagar?

Outras das matérias abordadas nesta Cimeira foram alguns documentos que se previam pudessem entrar em vigor por já terem sido ratificados por um número mínimo de Estados. Entre eles encontravam-se a Constituição da Associação das Organizações Africanas de promoção do Comércio, a Carta Africana do Transporte Marítimo e a Carta Africana da Democracia, Eleições e Governação. Destes, só os dois primeiros entraram provisoriamente em vigor.

A Carta Africana da Democracia, que todos os líderes africanos andam a dizer que já está implantada e quase consolidada em África só – repito, SÓ! – foi ratificada por 2 (DOIS!) Estados: a Etiópia e… Mauritânia.

Porque será? (...)
" (continuar a ler aqui)
Publicado no santomense , edição 201, de 7/Fev./2009

21 janeiro 2009

O que difere Gaza de Kivu ou outras paragens?

"Poderia e gostaria de começar este artigo de outra forma que não fosse relembrar que em Gaza (Palestina), no Kivu (Rep. Dem. do Congo) e em outras paragens, principalmente africanas, os trovões que assinalaram a passagem de ano deveram-se não a festejos pelo Dia Mundial da Paz mas, e tão só, devido à guerra.

E sendo locais “favoritos” da guerra o que as pode diferenciar?

Desde logo, e à primeira vista, o facto de Gaza ser na Ásia, embora mesmo ao lado de África, e Kivu ser no centro de África. Só por si isto já seria um motivo para as diferenciar.

Seria se não fosse o facto de ambas regiões estarem sob o espectro da guerra, de massacres que a mesma sempre provoca e de vítimas inocentes, porque também as há.

Mas há outros factores que diferenciam Gaza de outras regiões onde persistem crises militares, massacres, violações, assassinatos e tudo o que de mais abjecto acompanha as guerras.

Em Gaza os povos que lá a habitam têm uma coloração semelhante às dos países que mais têm vociferado – e bem, diga-se, – contra os cobardes ataques de mísseis sobre populações civis levados a efeito por uma organização considerada, mesmo no areópago que é a ONU, como terrorista, o Hamas, e que não reconhece a existência de Israel; também esses países exigem de Israel o fim dos ataques e o massacre que os seus raids aéreos e terrestres têm provocado sabendo que os terroristas, como cobardes que são, se acoitam entre os civis na esperança de não serem atacados ou passarem incólumes. E como isso não demove Israel, os civis, nomeadamente crianças, acabam por ser alvos fáceis dos ataques.

Em Kivu os povos que lá habitam são, não raras as vezes, vistos como sub-humanos, como não-gente, pelos mesmos Países que agora tão solidariamente se preocupam com uma parte da Palestina. São, de facto, sub-humanos porque são esses países que não se interessam pela sua condição enquanto pessoas, enquanto seres vivos. Como alguns diriam, embora soa pejorativamente como uma crítica racista – e não me admiraria que o editor, por pudor, e muito bem, registo, retirasse esta frase – são somente… pretos!

Mas há mais quanto ao que difere Gaza de outras regiões onde ciclicamente existem focos de guerra ou crises sociais humanitárias: seja em Kivu, no Zimbabué, na Somália, ou seja – ainda se lembram onde é? – no Darfur. (...)
" (Pode continuar a ler aqui)
Publicado no semanário santomense , edição 199, de 17 Janeiro 2009

21 dezembro 2008

A Cimeira do Golfo e a projecção da emergente potência regional

"Descreve-se, normalmente, como potência regional um país com poder e influência que lhe permita, que tenha, um determinado controlo estratégico sobre sua região geográfica. Algumas potências caracterizam-se por ter poder económico, ou poder político, ou diplomático, ou poder militar e, ou, finalmente, pela junção de duas ou mais destas características projectáveis.

Todavia, há ainda quem confunda potência regional com potências intermédias. Para os segundos a sua projecção limita-se à exclusiva área geográfica que lhe é confinante. Para os multirregionalistas, as potências regionais, como afirmava Huntington, podem ser grandes potências em escala global, simultaneamente com algumas suas filiações no contexto regional.

Mas para ser uma potência regional a um Estado não basta ter algumas ou todas as características apontadas no início se não tiver, igualmente, uma extensão territorial justificável, dimensão populacional, os recursos naturais disponíveis – estes três itens nem sempre são condição sine qua non conforme podemos verificar na Crise dos Grandes Lagos –, o nível de desenvolvimento humano e social, a diversificação do parque industrial, o produto interno bruto e uma interessante e diversificada máquina de guerra.

Se estes são factores para que um Estado, e desde que esteja realmente implantado e firmado como Estado, possa vir ser considerado uma potência intermédia ou regional, creio que Angola surge aos olhos da comunidade africana e internacional como uma das mais emergentes potências regionais africanas reflectindo para o exterior uma projecção político-diplomática, nuns casos, e militar, em outros, não menos evidentes.

A prova disso vamos encontrar tanto na região Centro-africana onde melhor reflecte, estrategicamente, uma projecção epiro-regional, a zona do Golfo da Guiné e da Comunidade dos Estados de África Central CEAC), como, de forma não menos inteligente, na região Afro-austral, ou seja na SADC.

Na zona Golfo-CEAC a capacidade projectora de Angola faz-se sentir quer a nível económico, quer a nível político-diplomático quer, principalmente, a nível militar, com especial predominância, para as forças terrestres. Já a nível da SADC a força de Angola assenta, essencialmente, na sua capacidade diplomática e política de intervir em questões político-sociais da região. (...)
" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no semanário santomense , edição de 20 de Dezembro de 2008

22 novembro 2008

Obama é um marco mas não o exemplo…

"O passado 4 de Novembro do corrente ano da graça judaico-cristã de 2008 pode ser, e é-o certamente, um marco na vida política mundial. Neste dia um afro-americano realizou, 40 anos depois da sua apresentação, o sonho de Martin Luther King de ver uma América para além da raça e da pessoa.

Barack Obama, afro-americano, ao ser eleito como 44º presidente dos EUA tornou-se, indiscutivelmente, um marco na vida política mundial.

Mostrou que a raça é efectivamente uma única. A raça humana. Que credos, cores epidérmicas não são nem podem ser razões válidas para se singrar e se afirmar.

Barack Obama foi e é um marco na vida política mundial mas não é, ao contrário do que muitos querem fazer crer e laurear o exemplo. (...)
" (se quiser saber quem já foi "o" exemplo, e foi-o em África, aceda aqui ou, quando estiver disponível, aqui)
Publicado no semanário , edição 192, de 22/Novembro/2008

10 novembro 2008

52 anos os podem separar (como aconteceu...)

(foto da Internet)

Pequena nota introdutória.
O artigo que se segue foi elaborado em 28 de Outubro passado e prospectivava o que se poderia passar a 4 de Novembro, como veio a acontecer.
Razões editoriais, aliados ao facto do artigo não ter sido remetido em tempo útil atrasou a sua publicação pelo que só este fim-de-semana pode ser publicado.

"O 4 de Novembro poderá ser, de novo, uma data importante para o Sistema Político Internacional.

Foi-o em 1956 quando da invasão das tropas soviéticas à Hungria para esmagar a tentativa de insubordinação e liberdade que o povo húngaro reclamava e queria fazer valer face ao jugo de Moscovo e das tropas soviéticas.

Mas como nem sempre vontade significa poder, 7 dias depois, a 11 de Novembro, a revolta estava esmagada e o país dos Magiares espartilhada entre um Ocidente incrédulo e inoperante e um “urso” forte e militarmente temido.

Em 1956, um Grito de Liberdade soou e não adormeceu, como se comprovou, 12 anos depois na chamada Primavera de Praga que, e uma vez mais (o poder e a intolerância não aceitam desvios aos comportamentos erráticos dos que mais mandam e ditatorizam) a revolta pela Liberdade foi esmagada.

Mas se em 1956 a Liberdade e a Mudança foram esmagadas, 52 anos depois, tudo se conjuga para que a Mudança, e um certo tipo de Liberdade, possam ser efectivas e conjugar para que alguns casos possam ser, também eles, mudados na cena política internacional.

Os EUA vão a eleições, presidenciais e algumas legislativas intercalares.

Mas são as presidenciais que mais suscitam esperanças na Mudança no comportamento político norte-americano.

Um afro-americano poderá, e pela primeira vez na história da terra do Tio Sam, entrar na Casa Branca pela Avenida Pensilvânia e mudar a História. (...)
" (pode continuar a ler aqui enquanto aqui está em reconstrução)
Publicado no , edição 190, de 8/Outubro/2008

07 outubro 2008

Um exemplo para a SADC?

"Angola teve no passado dia 5 de Setembro as suas segundas eleições legislativas do pós-independência.

De uma maneira geral os observadores, e apesar de todos os condicionalismos por que passou o acto eleitoral, consideraram estas eleições como um possível exemplo para África e para a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), pelo civismo, pela participação dos eleitores e pela aceitação dos resultados sem que alguém tivesse a coragem de dizer que os passos menos correctos dados antes e depois do acto eleitoral indiciasse fraude.

Angola com este passo eleitoral continuou o que parece ser uma profícua, e talvez demasiado confusa, ronda eleitoral na SADC. Uma ronda eleitoral como há muito não acontecia no cone austral do Continente africano.

Esta ronda eleitoral iniciou-se no Zimbabué com as consequências que se ainda se vêm registando e que poderão ter implicações nos restantes pleitos eleitorais caso o acto eleitoral angolano não mostre, ou não dê provas, da maturidade que se deseja para que os próximos decorram com a máxima civilidade que se deseja.

Angola teve, enfim, as muito propaladas e tão adiadas – guerra dixit – eleições legislativas que acabaram com a maior Legislatura que há memória; 16 anos foram os anos que demoraram a 1ª Legislatura da segunda República angolana e as que prenunciam a terceira República.

Depois de Angola, tivemos, recentemente, as eleições na Suazilândia que elegeu 55 dos 65 deputados com a particularidade de nenhum pertencer a um agrupamento político, proibidos, mas todos apresentados como independentes numa monarquia absolutistas e profundamente despótica e feudal, em que o rei nomeia os restantes deputados e o primeiro-ministro e legisla, sendo os deputados não mais que meras figuras de um órgão consultivo do monarca. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no santomense , edição 185, de 4 de Outubro de 2008 (e este é o 50º artigo publicado no semanário Correio da Semana)

08 setembro 2008

África deve olhar para a Geórgia e tirar algumas lições

(imagem daqui)

"Quando se vai para férias o que mais se deseja é que o Mundo pare e nos deixe descansar sem nos preocuparmos com o que possa acontecer neste grande Condomínio que é o nosso Planeta e há muito a desvirtuamos e desleixamos com as consequências que se vão, infelizmente cada vez mais, avistando sem que alguns dos nossos caros vizinhos se preocupem com o bem-estar dos outros.

Primeiro, nós, depois, nós, a seguir sempre nós e quando já nada houver que vá para os outros, tem sido o lema abusivo e egoísta de nós todos.

Mas, infelizmente, se vamos de férias outros há que não se preocupam com isso e só nos arranjam temas e problemas para comentar.

Ninguém deixa descansar ninguém!

Por isso não surpreendeu a crise da Geórgia, um pequeno país do Cáucaso que só existe por ter sido nado-pátria dum ditador sanguinário chamado Joseph Staline, o principal criador e aglutinador da extinta (será?) União Soviética (URSS).

Desde a implosão da URSS e subsequente independência dos Estados que a formavam que a Federação Russa (Rússia) nunca viu com bons olhos, qual mãe-galinha ultra conservadora e protectora, a livre vontade desses países.

Para a Rússia a maioria dos Estados emergentes da URSS eram não só parte integrante da sua zona de influência como, nalguns casos, pertenciam mesmo à mãe-Rússia, pelo que desde o princípio tentou influenciar a vida política e económica da maioria deles.

Estes só sentiram que poderiam sair da órbita russa se se aliassem ao Ocidente, mais concretamente aos EUA e à NATO e, ou, à União Europeia (UE).

Alguns já o conseguiram. Outros vão a caminho de o conseguir.

Mas outros há que esperam a sua vez de entrarem numa das Organizações, particularmente na NATO, de onde acreditam vir o apoio e salvaguarda necessários e prontos para a sua integridade territorial e política.

Só que se esqueceram, ou pensaram que os outros não são eles, de olhar para um caso que a Rússia iria sempre aproveitar para fazer doutrina. Mais concretamente juntar uma nova doutrina à sua velhinha doutrina de soberania limitada (DSL) que lhe permitiu abafar e acabar com as “contra-revoluções” húngara, de 1956, e de Praga, de 1968. (...)" (pode continuar aqui ou aqui)
Artigo de opinião publicado no , de 6/Set/2008 (escrito em 19 de Agosto mas por razões editoriais só pode ser publicado agora)

20 julho 2008

Se a moda pega, não haverá petróleo que valha…

"Depois de Jean Pierre Bemba, ex-candidato a presidente da República Democrática do Congo, ter sido detido devido a um mandado de captura internacional emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por crimes contra a Humanidade praticados pela suas milícias no Centro de África, eis que o TPI volta a emitir um mandado de captura sobre um dirigente africano e ainda no activo: contra o presidente sudanês Omar Hassan Ahmad al-Bashir pelas razões já referidas no meu blogue “Pululu”, ou seja, por crimes contra a Humanidade, crimes de guerra e liderança no genocídio contra o povo de Darfur.

De acordo com o principal promotor do TPI, Luis Moreno Ocampo, o presidente al-Bashir será responsável directo pela morte de cerca de 300 mil sudaneses do Darfur, ocorridos nestes últimos 5 anos.

Só que parece que al-Bashir não é o único culpado ou não deveria ser o único a sentar-se perante os juízes do TPI. Há muitos actores coniventes.

Desde logo a Comunidade Internacional que se manteve queda e muda, a maior parte do tempo, só começando a falar e clamar quando, honra lhes seja feita, artista, actores e humanistas de todo o Mundo começaram a vociferar perante o genocídio de Darfur.

A China que, apesar do embargo que vigora desde há cerca de um ano, mantém um canal aberto com o Sudão por causa do petróleo que, parece, é pago com material de guerra, nomeadamente, material de transporte e treinamento de pilotos, conforme pode ser confirmado por uma reportagem jornalística da BBC emitida recentemente.

Ou seja, ontem como hoje, e ainda mais com a especulação que sobre ele impele, o petróleo calou as mentes sossegadas de muitos actores do Sistema Internacional. Como continua a calar perante factos que ocorrem em África, e no Mundo em geral, onde a corrupção, a autocracia, o despotismo, passam impunes porque a cor do crude é muito mais valiosa que a cor da Humanidade. (...)
" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicada no , de STP, edição 174, de 19 de Julho de 2008