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22 novembro 2009

Crónica de João Craveirinha: A origem do espírito brasileiro “anti-português”

Mais uma interessante análise de João Craveirinha desta feita sobre algum certo "anti-português" de uma certa sociedade brasileira que o mesmo tem verificado durante a sua estadia em Terras de Vera Cruz.

Dialogando por João Craveirinha
(escrito em P.M. - português de Moçambique)

Crónicas dos (27) Brasís – I (série)
Breves incursões diacrónicas (passado ao presente).
Subsídios para compreender o Brasil e os brasileiros.

A origem do espírito brasileiro “anti-português”
“E quem nos fez assim (antes de tudo quanto tem de particular a nossa vida) foi a própria Europa. “ (in Pombo, Rocha (1925). História do Brasil, pp.279).

Grosso modo, até que ponto se poderá inferir que no Brasil possa existir um sentimento de repúdio ou desprezo a tudo que se relacione com Portugal, incluindo a África onde se fala português? Até que ponto está entranhado no imaginário colectivo brasileiro contemporâneo esse sentimento?

Essa verificação ad hoc poderá ser consubstanciada in loco no Brasil, sobretudo entre as camadas urbanizadas e quanto mais ditas eruditas, se acentuaria esse fenómeno. Obviamente haverá sempre excepções à regra. Mas no fundo ou na génese do tema tratar-se-ia de ressentimentos e recalcamentos em relação à antiga metrópole colonial paulatinamente (re)construídos a partir do século XVII (1600/1699) e teríamos de analisar... “até que ponto esta aversão foi alimentada pelos próprios intelectuais brasileiros (incluído Machado) que, no empenho de se distanciarem da metrópole (colonial portuguesa) viraram críticos azedos de tudo o que acontecia na Península (Ibérica) e renegaram da origem, tentando ganhar uma identidade própria. Não sei qual teria sido a atitude dos brasileiros se D. João VI (rei de Portugal, início séc. XIX) tivesse sido derrotado por Napoleão. Será que teriam gostado de serem cidadãos franceses?”...(depoimento de uma professora latino-americana sobre este tema).

Essa aversão vem ressurgindo em força no novo Brasil pretendente a um lugar entre as super-potências mundiais (?!). A confirmar-se (esse espírito brasileiro) inferir-se-ia que esse sentimento brasileiro “anti-português” se encontra parado no espaço e tempo. Não teria havido o necessário exorcismo dos fantasmas diacrónicos do Brasil desde 7 de Setembro de 1822 (187 anos de independência passados, em 2009).

Por outro lado, as tradicionais piadas (chistes) de mau-gosto no Brasil inferiorizando as capacidades mentais dos portugueses reflectem uma forma de complexo das avoengas lusitanas nos genes desse brasileiro remetendo para uma espécie de complexo colonial a necessitar de esclarecimento lúcido ou de uma catarsis. (Actualmente há um processo contrário em Portugal de piadas para inferiorizarem brasileiros que chegam à Europa quer como emigrantes quer como turistas - é o reverso da medalha da piada do “matuto”- simplório. Este processo inverso teve início após a entrada de Portugal na União Europeia em 1986. É de se dizer “tal pai, tal filho”).

Rocha Pombo

Uma possível análise desse fenómeno brasileiro
Para tal socorremo-nos do ilustre historiador brasileiro, José Francisco da Rocha Pombo, mais conhecido por Rocha Pombo (n. Paraná, 4 de Dezembro de 1857, f. Rio de Janeiro em 26 de Junho de 1933). Ora nas páginas do seu livro de História do Brasil (1925) volume II, no capítulo IX intitulado “O Regime Colonial”, na pp. 73 vemos inserido o “Capítulo IX – Síntese das causas que atuaram na diferenciação do nosso espírito nacional.”pp. 278. Eis um resumo dessas causas em cinco pontos:
I - O Brasil colónia portuguesa ter ficado entregue aos colonos portugueses que a geriam de acordo às suas vontades e necessidades sendo motivo de orgulho “e de entusiasmo pela (nova) pátria; e ao mesmo tempo feridos de ressentimentos e queixas amargas contra a côrte;” (em Lisboa).
II - A convicção que os interesses da colónia e do reino de Portugal não se combinarem.
III - A enorme distância geográfica a afastar Portugal na Europa, e o Brasil na América do Sul.
IV - “O encontro” do europeu, ameríndio e do africano, originando uma “fusão” genético-cultural que teriam de ser “resolvidas” no Brasil. (Nem sempre pacífica diga-se. O itálico é nosso).
V - Um espírito colonial de conquista do interior (sertão), a partir de um esforço próprio considerado heróico pelos colonos na manutenção e defesa de um património que sempre defenderam (como seu) assim como o enriquecimento com as minas (mentalidade de novos-ricos). O “bandeirante e o mineiro” expressariam as derradeiras acções do período colonial no esforço de erigir uma nação (o Brasil). O século XIX (1800/1899) deixaria um travo amargo nos colonos portugueses de (...)“profundo ressentimento, uma desconfiança irredutível”(...)” em viva antipatia e repulsa por tudo que de lá nos vinha”(...). E do “antagonismo entre filhos da terra” (Brasil) “e filhos do reino” (Portugal). Passaria essa aversão para o próprio país e às suas instituições mais emblemáticas, acrescentaria Rocha Pombo (em 1925). O “desprendimento” a tudo relacionado com Portugal (mãe-pátria) seria a motivação para os (luso) brasileiros estarem por sua conta e risco.

É paradigmática esta “aversão” a tudo que vinha do reino de Portugal nas suas colónias por parte de seus descendentes, quer na América do sul (Brasil), em África, Ásia ou Oceânia (Timor).

Maranhão

Flash back (diacronia)
Segundo crónicas do séc. XVII, em 22 de Novembro de 1652, parte de Lisboa o padre António Vieira integrante de um grupo de outros missionários (Jesuítas) acompanhados por dois capitães-mor chegariam ao Maranhão (S. Luiz), situado entre o Pará do Belém na parte norte do Brasil e do nordeste Piauí (Teresina), Bahia (Salvador), e a sul, Tocantins-Palmas (Goiás). Esses oficiais traziam ordens expressas do Reino para “corrigir os excessos praticados pelos moradores” - colonos portugueses e outros europeus (?!) contra os ameríndios (guaranis) que eram brutalizados em trabalho escravo pelos proprietários de terras (outrora dos mesmos ameríndios). Ora essas e outras situações “normalizadoras” eram consideradas como ingerência nos ”negócios” da colónia e respondidas muitas vezes de armas na mão pelos colonos portugueses (brasileiros) contra as autoridades do reino de Portugal. Esse espírito seria eventualmente transmitido trans-geracionalmente aos dias de hoje, sem que na contemporaneidade, quiçá, se tenha a noção da origem desse sentimento, aliás, peculiar nas colónias de outras potências coloniais europeias de então, com algumas variantes. No entanto, o caso da gesta colonial portuguesa é sui generis. O português é por excelência um puro nómada global quinhentista. A essência da sua “necessidade aguça-lhe o engenho”. Fez-se ao mar repleto de Adamastores que o amedrontavam, e superou-se. Faz parte da sua índole lamentar-se. No entanto segue em frente. Ou pelo menos assim fazia. Insatisfeito com o seu torrão natal vai, parte, e o seu génio e mau génio, recriam outros Portugais em outras paragens longínquas e inóspitas como por exemplo pelo nordeste brasileiro de temperaturas elevadíssimas ou pela selva amazónica densa e húmida. Compõem em desgarrada um “Fado Tropical”(1). Rompe com a mãe-pátria na Europa. O caso português-brasileiro é paradigmático. No caso africano os ventos da história pregaram-lhe uma partida. Mas isso fica para outro dia com a letra (2) e a música do “Fado Tropical”.

Notas:
(1) Alusão à composição musical e poética do cineasta moçambicano Ruy Guerra e do brasileiro Chico Buarque.
(2)
http://letras.terra.com.br/ruy-guerra/989543/

Fontes sitográficas:
Biografia de Rocha Pombo: Academia de Letras do Brasil (
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=214&sid=349
Mapas do Brasil: (
http://www.sites-do-brasil.com/diretorio/index.php?cat_id=881&cat_id_thm=29)
Blog “Pensar não dói”(
http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2009/03/fado-tropical-chico-buarque-dholanda-oh.html)

05 junho 2008

Os poetas são como os gatos

Mais uma interessante análise de João Craveirinha sobre a problemática racismo versus xenofobismo, ainda não publicada na imprensa.

"Notas adicionais sobre XENON:

Xenofobia não tem cor mas o racismo tem cor. Não confundir os dois - pois acabam por se diluir se assim for feito.

Ambos são violentos mas o racismo é duplamente violento. No imaginário de séculos e na acção colonizadora do Eu do outro, considerado inferior em África - (NESTE CASO O DENONIMADO NEGRO / BLACK / NOIR / SCHWARZE / T'CHORNI etc etera).

A xenofobia é anti-estrangeiro mesmo sendo da mesma “cor” epidérmica.
O racismo tem cor diferente e é de cima para baixo vindo da superioridade europeia (leia-se do que se diz branco).

Não confundir dos que reagem (mais morenos ou negros ou castanhos) ao se sentirem espezinhados há séculos em tudo que fosse a sua cultura a começar pela língua que passou a ser desvalorizada para dialecto. Indicando que não sofrera evolução como raça humana ao longo de milhares de anos.
(Paradoxalmente apesar dessa raça humana global ter saído de África, Etiópia) numa evolução de cerca de 4 milhões de anos (Lucy)...

... e da transição do dito negro (negróide) para o dito branco (europóide ou caucasiano) numa mudança genética (mimetismo) de cerca de 20 mil anos de África para a Europa via Índia e pelo Cáucaso (entre o mar Negro e o Cáspio – o maior mar interior do mundo. Fronteira do Irão e da antiga União Soviética).

Em 20 mil anos um negro (sem mistura e dependendo do clima) fica branco e muito menos um branco fica negro com a mestiçagem em sentido inverso. Bastam 4 gerações. Avô, Pai, Neto, Bisneto.

Jean-Paul Sartre, dizia a Negritude ser uma forma de “racismo anti-racismo” e a única encontrada pelo negro para se afirmar contra a negação de seu Eu pelo branco.

Foi assim que surgiu a corrente literária da Negritude que nada tem a ver com um pseudo-racismo negro mas sim com o recuperar da dignidade perdida de ser humano, "assumindo" o intelectual negro (ou mestiço) os epítetos derrogatórios (negro, cafre, narro et cetera) de sua condição imposta de infra-humano, numa assumpção irónica dessa negação para desfazer o que lhe impõem de cima para baixo fazendo-lhe crer que era inferior ao que ele recusa:

NEGRO :
SER OU NÃO SER
NÃO É A QUESTÃO!
(é tudo imposição)

Queres que eu seja negro
da cor da noite das trevas?
Então sou!
E depois não digas que a mulher negra não é bela.
É tão bela como pode ser a tua mulher
que dizes ser, da cor da luz branca,
onde vive o divino!
Sou negro e depois?

Ah, não!!

Agora sou racista por aceitar com um sorriso
o que me impões e aceito,
e te devolvo?
Só quero igualdade.
Nada mais!
(JOÃO Craveirinha 02.06.2008)

Na negritude, o negro intelectual ao reagir não era para ser superior, mas igual ao branco que não queria essa igualdade e em muitos casos mantendo-se na actualidade, mesmo quando se afirmam como não racistas contra o negro. Alguma reacção residual surgirá, invertendo os papéis. Analise-se o caso da xenofobia inter-negro na África do Sul para alegria de muitos desse tipo padrão para dizer que o negro é pior que o branco.
Em Moçambique, na comunicação social, tornou-se norma com ajuda de alguns negros à deriva de si mesmos. E na comunicação social em Portugal ainda pior.
Des – contextualiza-se o fenómeno esquecendo que a essência da desumanidade não tem cor. É intrinsecamente genética, e nisso a Europa é a última a acusar de ânimo leve o africano. Foram os senhores e mestres do africano durante muito tempo. E se calhar ainda continuam.

“DEMOCRACIA, IGUALDADE E LIBERDADE:
“Porque é que os povos democráticos mostram um amor mais ardente e mais durável pela igualdade que pela liberdade?” Alexis de Tocqueville (1805-1859, França).
In Teorias Sociológicas p. 259.

É isso aí - no fundo o negro nem democracia queria porque não sabia o que era. Uma coisa importada e deturpada dos antigos gregos que são europeus. Daí a desconfiança.


Pois o colonialismo da Globalização, veio da Europa. O fascismo veio da Europa. O marxismo veio da Europa. A África pós-colonial tem sido (como no passado) um laboratório de experiências de tudo que já está a ficar ultrapassado na Europa e no mundo ocidental.

Essas modernidades vêm da Europa (assim como os dinheiros da corrupção para África). No fundo mesmo, o negro queria (quer) é ser tratado como igual. Lá dizia o Tocqueville e era europeu.

As coisas positivas deixam de ter cor e nação. Passam a ser universais. O racismo e a xenofobia só assim serão superados.

Saber peneirar na m’benga o capim da mapira.

Exempli gratia:
ADEUS À HORA DA PARTIDA

Agostinho Neto
(Poeta-mor de Angola)

“Eu já não espero
sou aquele por quem se espera
(…)
Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico”
(...)

Agostinho Neto (1974). Sagrada Esperança. Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa.

Este poema da Negritude é um manifesto contra o racismo colonial português…ao mesmo tempo e duplamente, associando e dissociando “o homem rico” com a cor da pele.

Uma premunição à Angola independente. Em que o homem rico deixou de ter cor. Pois passou a ser da cor do dinheiro.

OS POETAS SÃO COMO OS GATOS. VÊM EM MUITAS DIMENSÕES: ESPREITAM O PASSADO; VIVEM NO PRESENTE; E PROJECTAM-SE NO FUTURO QUE PARA ELES JÁ É PRESENTE.

Em baixo um manifesto contra a xenofobia neste poema do tio paterno do autor destas notas de reflexão:

“TERRA DE CANAÃ

Não, piloto israelita.
Inútil procurares nos incêndios de Beirute
e nos inocentes corpos mutilados pelos estilhaços ardentes
as belas palavras do Cântico dos Cânticos. (…)

Poeta-mor José Craveirinha (10.08.1982 de regresso do Líbano)

in F. Mendonça, N. Saúte (1983). Antologia da Nova Poesia Moçambicana (p.211).
E na hora da partida destas notas de reflexão, saboreiem a poesia de Agostinho
Neto na voz e na autêntica Música de Angola por Rui Mingas, ao alcance de um click:
http://www.esnips.com/doc/93bbecc8-d3e1-48f7-a02e-6a7c26d46894/Adeus-à-hora-da-partida (09.05.2008)
.
©João Craveirinha"

28 maio 2008

Xenofobia, África versus Europa

(Cartoon recebido via e-mail)
.
Sob o título "Xenofobia não acontece só em África na Europa já está em marcha" uma análise de João Craveirinha publicada na rubrica "Dialogando" no moçambicano "O Autarca".
Neste artigo, João Craveirinha faz um a comentário sobre ciganofobia em Itália tendo por base um artigo de Isaac Bigio citado no boletim Análise Global, e que, igualmente, se reproduz, com a devida autorização de João Craveirinha:

"ITÁLIA - Roma tem onda anti-Roma (ciganos)

Isaac Bigio*/Especial para BR Press

(Londres, BR Press) - Na Itália nasceu o fascismo e este é, hoje, o único pais da União Européia em que militantes que provêem desta corrente estão no partido do governo e detêm a prefeitura da capital. Roma está se convertendo no centro da maior onda de ataques contra os imigrantes provenientes de países pobres e contra os ciganos, principalmente os de origem romena.
Berlusconi quer criminalizar os “ilegais” e deportá-los tão logo os localize, mesmo que a maioria deles não seja formada por delinquentes, mas faça parte dos quase dois milhões de empregados domésticos e de cuidadores de pessoas idosas ou enfermeiras que vivem na Itália.

O Parlamento Europeu chegou, inclusive, a questionar Roma pela forma como maltrata os roma (chamados vulgarmente de ciganos) e pretende expulsar grande parte de seus 50.000 ciganos romenos (que são cidadãos da UE e por isso gozam do direito de estabelecer-se em qualquer nação do dito bloco). O ódio aos ciganos foi, juntamente com o anti-semitismo, um dos pilares do holocausto nazista. Se a ciganofobia não for detida, se acentuará a onda que se empenha em expulsar os latinos da Europa."

Xenofobia não acontece só em África
na Europa já está em marcha


por João Craveirinha

Nota à análise de Isaac Bígio: "Se a ciganofobia não for detida, se acentuará a onda que se empenha em expulsar os latinos da Europa."

Com pode ser possível serem expulsos os latinos da Europa latina. Os Italianos são o quê? Os verdadeiros latinos surgiram na antiga Roma hoje Itália por tal são os latinos nº 1 actualmente. Isso só traz confusão aos leitores pouco informados culturalmente sobretudo da América do Sul, Central e nos Estados Unidos da América. Há uma Europa Latina há milhares de anos.

Atenção ao termo latino na Europa: portugueses, espanhóis, franceses, italianos, romenos, parte dos suíços e belgas e os luxemburgueses, são povos latinos ou latinizados... Por essa ordem de ideias também haverá afro-latinos: os das antigas colónias francesas, portuguesas e espanholas em África e um pouco dos italianos na Etiópia e Somália.

O termo utilizado na América do Sul deveria se referenciar mais como América afro-ameríndia latina e não latina ou de latinos (pois não o são): os mestiços sul-americanos devido ao complexo colonial da cor mais clara e cabelo liso, conotar com superioridade por perto do europeu, não querem misturas com os mais escuros ou morenos das Américas de falas (hablas) portuguesa (Brasil) e espanhola (discriminando os mestizos mais morenos; índios e os negros por toda a América dita latina e nos EUA). Em Cuba, Venezuela e Bolívia também existe discriminação mas de outra forma. Das classes mais poderosas politicamente e economicamente. Note-se Chavez é mestiço negro / ameríndio e Morales é ameríndio com algum cruzamento passado com espanhol e antepassado escravo negro. Os escravos negros foram trazidos à força pelos portugueses e espanhóis para desenvolverem as Américas e se misturaram com o dito índio e o europeu incluindo na América central (México) e nos EUA e Canadá.
Resumindo: Na realidade os verdadeiros latinos só existem na Europa e são europeus.

Xenofobia não acontece somente na RSA ou em África. Na Europa já começou. Era isso se calhar que o Prof. britânico-jamaicano, Paul Gilroy (sociologia da cultura) se queria referir sem ferir susceptibilidades na última conferência que concedeu numa Universidade pública em Lisboa - sobre a Europa se estar a tornar mais europeia. Leia-se “branca”.

João Craveirinha

14 janeiro 2008

Moçambique mantém em debate as línguas nacionais em coexistência com a língua oficial.

Um excelente artigo de João Craveirinha, já escrito em Janeiro de 2007, mas hoje (re)publicado no “Moçambique Online Blog” sob o título “A Questão das Línguas Nacionais na identidade africana” e o sub-título “A Questão das Línguas Nacionais na identidade africana em Moçambique
Craveirinha com a liberdade que o caracteriza critica o medo da Frelimo, que teve em dado momento histórico, ao perder “a grande oportunidade histórica de fazer uma verdadeira e pacífica revolução cultural…o povo multicolor (arco-íris) de Moçambique estava receptivo às mudanças para uma afro-moçambicanização - moderna - mesmo usando a língua portuguesa como plataforma de união reforçada pela libertação das línguas nacionais…” citando, para isso, Eduardo Mondlane nas conversas que mantinha com os quadros em 1967/68.
A defesa das línguas nacionais não é, nem pode ser, nunca um sinónimo de ostracização da língua oficial. E João Craveirinha dá como exemplo o antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros do regime do “apartheid”, Pik Botha, um bóer, quando este, durante a celebração dos “Acordos de Nkomati”, em 1984, “corrigiu o changane de Samora Machel pois dominava melhor que o mesmo SM…este ficou profundamente admirado de um white/boer falar melhor a língua materna que ele próprio…é que mesmo com apartheid o ensino das línguas locais eram ensinadas em paralelo com o inglês e o afrikaans…chama-se a isso pragmatismo por cima do racismo...
Um artigo a ler e a ponderar, nomeadamente, o aparecimento “político-histórico” de Maputo.

01 dezembro 2007

Um bilhete postal de João Craveirinha

Bilhete a um cumpadre luso-angolano

Assunto HCB e insulto ao Presidente de Moçambique em blogues (e ponto final)

“Tal como outros também eu escrevi sobre o assunto. Não penso que tenha insultado o presidente de Moçambique.” ECA

Ó meu, desde quando és "português" passadista? Tens o angolê à frente. Pelo que sei a carapuça nunca te serviria! Tenho lá no artigo escritos do avô bem português, Guerra Junqueiro, “a responder”, e quase ninguém reparou. A cegueira não curável de muitos em Portugal é de tal ordem que só arregalaram os olhos e fixaram-se na minha "cor genética" (e não na legitimidade da cor do meu nome bem português). Se esqueceram das minhas avoengas lusitanas (Abrantes e Algarve) para além das afro-baNto - ambas com orgulho, mas não fanático. Eehheeh.
Se a língua pode ser Pátria então os da dita Lusofonia ao escreverem em "bom português" - cada um à sua maneira juntos na sinfonia - não somos todos da mesma Pátria linguística-oficial? Parece-me que quando alguém “como eu” contesta o que há de mal nos ismos de certos portugueses toda a “comunidade” se desorienta e cerra fileiras à toa. Penso que esses complexos portugueses, tu, não os enfermas, por isso onde está a maka –, cumpadre lá da baanda do Sabizanga em Loanda, ao virar de uma esquina em Lijibóa?
Estamos juntos (parafraseando o Manhique, pivot de Rádio e Televisão de Moçambique).

Assinado: João Craveirinha, d’Aquém e d’Além Mar.

Eeheheheheh.

Um dia, palavra d’ora , juro, xicwembo xa va ka nyaka, vou colocar isso no meu brasão, dos barões afro-lusos não assinalados, de onde se destacou o mui nobre, Sebastião de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. Bisneto da “preta Marta Fernandes e do cristão-novo Sebastião da mata escura” e dos Carvalho sem Melo.

Eheehhehe…aahahhaha.

Post scriptum: Bom fim-de-semana camarada escriba.

Sem crise. Que essa (económica e financeira e por arrastão, social) virá depois de 2010 quando os fundos da EU/CE deixarem de pingar no reino da Lusitânia para mal de nossos pecados e dos outros da Lusofonia. E com os custos do novo aeroporto ou sem eles. No entanto, um milagre poderá surgir. Portugal não é o país dos “milagreiros”? A minha madrinha de Fátima (de baptismo) pode dar outra vez uma ajuda.
A necessidade aguça o engenho – daí o “desenrascanço” português. Mas até quando num mundo cada vez mais global e mais profissional em ICT?

O vôvô Guerra Junqueiro lá previra em sua época:
...” Mas na opinião do mundo, já Portugal não existe. Dura, mas não existe. Dura geograficamente, mas não existe moralmente. A Europa já considera isto uma coisa defunta, espólio a repartir, iguaria a trinchar. Salva-nos da gula dos comensais a rivalidade dos apetites. No dia em que se harmonizem devoram-nos.” Pág. 640. Obras do poeta Guerra Junqueiro (n.1850- +1923).

(É preciso saber ler bem nas entrelinhas e até está escrito em português escorreito.)

06 junho 2007

Portugal, uma análise desapaixonada de João Craveirinha

(foto retirado daqui)
Uma interessante análise de João Craveirinha sobre a miscigenação de Portugal publicado no moçambicano, da Beira, Jornal Autarca, edição nº1308, de 01 Junho 2007, na sua coluna, “Dialogando”.

PORTUGAL – Análise desapaixonada
Pelo menos 10% dos portugueses em Portugal são negros (1 milhão)


(os nomes são nomes e não se pode divagar diluindo)

Não se devia diluir o termo africano que actualmente é mais alargado num conceito pós moderno... mas não para todos em África e menos na Europa onde africano é sinónimo de negro/preto incluindo para o mestiço indo para um conceito ou denominação mais anglo-saxónica-germânica.
Os nomes não mordem não é preciso ter medo deles. São assim as regras do jogo impostas por outros na terminologia – branco e preto – mesmo assente em base anti-científica.
Em Portugal e regiões autónomas, está estimado em cerca de 1 milhão de portugueses (ou um pouco mais) de negros e seus descendentes (mestiços) em Portugal com nacionalidade portuguesa (alguns com dupla)... e sem voz activa. O preconceito fala sempre mais alto contra os mesmos remetendo-se-lhes sempre todos os males e perseguições de que padecem na sociedade como complexos. A sociedade portuguesa evita assim o estudo real do problema para solução, não assumindo as responsabilidades dessas atitudes discriminatórias umas vezes mais abertas, outras mais dissimuladas.
Nunca ninguém fala deles (dos negros/mestiços portugueses)... só falam dos mediáticos luso-moçambicanos Eusébios e dos mais recentes casos como o do nigeriano-português Obikwelo ou de um futebolista ou basquetebolista negros. (Obikwelo sem sangue português) ao contrário de Eusébio de avô paterno português, branco, dos Silva Ferreiras).
Muitos desses portugueses negros/mestiços de pleno direito (será?!) são de origem angolana, são-tomense, cabo-verdiana, guineense, moçambicana e mesmo incluindo timorenses... e as últimas gerações nasceram ou cresceram em Portugal nem têm ideia onde fica a África dos pais e dos avós. A TV encarrega-se de lhes apagar da memória esse facto incutindo-lhes complexos de “vergonha” pela origem dos pais devido às imagens seleccionadas nas TV’s portuguesas de amostra quase exclusiva de miséria em África nos telejornais (e nos media, grosso modo).
The Empire strikes back
(Expressão inglesa o Império contra-ataca para dizer que agora a “viagem dos descobrimentos” é feita em sentido contrário – pelos africanos das ex-colónias “invadindo” as antigas potências coloniais na Europa. Outra vez, o efeito causa e efeito)
E isso se reflecte também em Portugal. É que nas ruas portuguesas ninguém anda com o BI português na testa e a sociedade portuguesa de repente se esqueceu que os (brancos) portugueses (bem ou mal) estiveram séculos em África e com as independências muitos (negros/mestiços) vieram para Portugal à procura de algum sossego após os anos conturbados do pós-independência. Foram fluxos desde 1974/1975. Só de Moçambique foi registada a saída para Portugal de cerca de 70 mil pessoas mestiças/negras na década de 1976 a 1986. Num agregado alargado actual de mais 5 elementos de descendentes daria cerca de 350 mil pessoas só de ascendência moçambicana e todas com a nacionalidade portuguesa. (Contando os falecidos entretanto). Os de Angola e os de Cabo Verde com nacionalidade portuguesa ainda serão de um número maior. Acrescentado os da Guiné e São Tomé e Príncipe o número poderá ultrapassar, actualmente, a cifra de 1 milhão de portugueses de origem negro/mestiça. Não há dados oficiais. Mas fez-se uma estimativa por aproximação com os dados disponíveis.
Há em Portugal não só reformados negros/mestiços portugueses mas em todas áreas da vida profissional e social (até cientistas) menos nas actividades de maior visibilidade (na televisão) e a nível mais sensível de algum "poder" como na política e "business" que nunca lhes deu espaço. A TVi foi pioneira em Portugal com José Mussuaili como locutor dos noticiários televisivos. Mas foi retirado da luz da ribalta pouco depois não por falta de profissionalismo (pelo contrário provado) mas por razões “desconhecidas”. Talvez para muitos ele como pivot “escurecia demasiado” o ecrã de TV. O olhar da maioria do português não aceitaria provavelmente de bom grado. Muito do género: “não sou racista mas…filha minha branca não casa com preto.” Ou ainda: “tenho mulher negra e filho mestiço não sou racista.” Mas ao contrário o mesmo nunca aceitaria: “um negro casado com mulher branca decente”. Pois no orgulho de “macho dominante” lusitano seria intolerável.
Por outro lado, em Portugal, o acesso ao sistema de ensino superior público é também duplamente discriminatório nos aspectos-socioeconómico e racial, aliás iniciado na primária e secundária. Não é por acaso que as cadeias (prisões) portuguesas têm um alto índice de reclusos negro/mestiços. É uma equação de causa e efeito. A severidade na punição muitas vezes é maior para crimes menores consoante a cor da pele mais escura.
É assim a integração portuguesa que fala da Lusofonia (para consumo em África) mas que em Portugal os locais (a maioria) não sabem nem querem saber disso. Nem a nível universitário geral, remetendo a Lusofonia quase sempre para uns “Estudos Africanos”. Para bom entendedor meia palavra basta.
Em relação à presença – ainda silenciosa do negro em Portugal, como escreveu o historiador euro-brasileiro, José Ramos Tinhorão – é pena que essa mais valia em Portugal seja desprezada e desconhecida e não aproveitada. Alguns países europeus já reconhecem essa presença com dignidade e se vê em todo o lado e não somente como casos isolados no desporto ou pela negativa em casos de marginalidade. Em países europeus como a Inglaterra, França (et cetera) existem casos de negros como ministros, secretários de estado e assessores, oficiais militares, chefes da polícia. Até na Suécia há bem pouco tempo tinha uma ministra negra – sueca, Nyamko Ana Sabuni, de origem do Burundi. A Suécia tem ainda um assessor angolano/sueco para o trabalho, num determinado ministério.
Por outro lado países africanos como Angola e Moçambique tiveram e têm ministros brancos de origem portuguesa nos seus quadros. É uma contradição (pela positiva). A equivalência dessa possibilidade em Portugal não existe. É a dolorosa verdade doa a quem doer. Há mais espaço para actividades políticas e empresariais (apesar de tudo) nesses novos países africanos para os brancos africanos que em Portugal para os negros europeus.
Portugal e os portugueses sempre os primeiros (em África) e os últimos (na integração a sério). Fica-se na propaganda. É interessante que até num sistema colonial/“fascistóide” como foi o de Oliveira Salazar houvesse a preocupação mesmo em termos de propaganda cosmética interna e externa, em dar alguma visibilidade a cidadãos negros/mestiços através da participação na vida parlamentar na AR em Lisboa. Eram deputados/representantes das suas colónias de origem quer de Angola, Moçambique, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. (Isto antes do 25 de Abril 1974). Claro para uns é irrelevante mas por outro lado revela que apesar de tudo (chamados fantoches ou não) eram vistos com alguma dignidade pelo regime. E naquele tempo a densidade demográfica de negros/mestiços em Portugal era mínima ao contrário de hoje que em algumas artérias das cidades de Portugal não se pode circular 15 minutos sem se cruzar com um negro/mestiço.
Pelo menos 10% dos portugueses em Portugal são negros (1 milhão)
De uma população em Portugal de cerca de 10 milhões, 10 por cento dessa população é negro/mestiça com nacionalidade portuguesa sem retaguarda geopolítica. Ninguém ainda reparou neles mesmo sendo cerca de 1 milhão pelo menos de negros/mestiços com nacionalidade portuguesa. Isso como se chama? A culpa não será dos visados (negros/mestiços) mas sim do sistema que impede destes terem maior visibilidade sem ser nas selecções de futebol de Portugal ou até nas selecções de atletismo e de basquetebol. (Inclusive na música muitos tem dupla nacionalidade).
É assim a vida neste “nosso” Portugal não assim tão pequenininho pois podia ser muito melhor se houvesse menos preconceito!

29 abril 2007

Solidariedade de um muana Moussumbidji

Referente à minha tomada de posição face aos comentários idiotas sobre um texto republicado no portal Club-K deixo esta manifestação de solidariedade recebida via e-mail e com a devida autorização de publicação pelo autor:

"Meu caro Eugénio Almeida Pululu,

Como se diz em Moussumbidji e em Ngola: ... não válé à pééna...perder tempo e responder a mentecaptos e muito menos colocar foto se expondo a futuros hackers ladrões de identidade provocando daltonismo venal a quem o lê mal intencionado(a)...experimenta fazer estudos sociopsicológicos na net e assina uma vez ou outra com um nome "afro-gentílico" nos teus comentários e verás a mudança de reacção...o importante não é mesmo contribuir didacticamente com uma mensagem? Então?
Nem é promover a imagem, para quê te expores?
Deixam de ler a mensagem e atacam o mensageiro! Crazy people!
A culpa é do ressentimento pós-colonial devido à repressão ideológica secular nem chega a ser racismo por este ser sempre conotação com supremacia europeia vulgo branca (outro anacronismo e preconceito anti-científico - branco, preto, mulato, cabrito, pardo, caporro, bicho, narro, amarelo, pardo etc...ninguém tem tal cor de pele nem é animal (mulato, cabrito, bicho) só mesmo se for cancro ou doença epidérmica ou complexos de quem o diz e de quem o aceita)...
...Por isso contra a ignorância responde com superioridade intelectual utilizando formas de testar a veracidade deles muitas vezes são maus-portugas a provocarem-te por raiva da tua posição de muanangolê mais claro ao lado dos mais escuros....é o daltonismo outra vez...eheheheh...ehehehehe
(nota sempre isto: "chamar" de branco a alguém não pode ser racismo nem insulto porque no preconceito e conceitos ideológicos políticos é considerado superioridade por estar próximo da luz branca divina e o preto, negro às trevas é essa a origem remonta a 1441 /1478 de Antão Gonçalves, Tristão da Cunha (justificar a escravatura como profilaxia de trazer à luz divina os afros nas trevas). Aliás a Crónica dos Feitos da Guiné de Zurara serviu de tese disso ao Papa Nicoulau V…
Por tal meu caro, atitudes dessas, mesmo insultuosas contra ti…só podem ser mesmo… ressentimento fruto de um complexo colonial de recalcamento (ainda que compreensível) mas é por aí que se terá de responder em conformidade esclarecendo o erro dessas posições com dados sólidos) …a ignorância queima dos dois lados.
Meu caro E.A., encolhe os ombros. Faz como eu, apesar de ameaçado ainda a semana passada, via telefone e emails, por portugueses de Lisboa com voz de "gentios afros" como se fossem do Sise (na dúvida para se pensar se é o de lá ou o de cá)...nosso delito é ter opinião independente...falam de democracia mas quando toca a liberdade de expressão dos outros...iiii chega pra lá...e só lhes resta o insulto gratuito...que acham que merecemos ficar calados e aterrorizados... bem basta o do outro que vive em túneis para tornar o mundo mais perigoso e inseguro.
Sem crise e sem emoção ou rancor de maior... cantando e rindo lá vamos como escreveu o Alfred Keil que até nem era português...mas sentiu a terra alheia...que nem é o nosso caso...envoltos por jus sanguinis entre uma Mátria e uma Pátria...e outras mais que somente um teste de ADN poderá revelar numa maior abrangência a nível de cidadão do mundo... neste planeta azul chamado Terra. No fundo mesmo somos um arco-íris genético.

Fica bem
João Craveirinha
(um muana Moussumbidji, cidadão do mundo)
"

Face a estas palavras só posso e consigo dizer OBRIGADO Muana Craveirinha!

24 abril 2007

Tudo no mesmo saco...

O que a seguir se transcreve está estampado no "Canal de Moçambique" que, para não houvesse dúvidas interpretativas, se limita a transcrever o que a directora do ensino geral de Moçambique afirmou.
Um mimo...
Então aqui fica:
"Embora passados quatro anos o Ministério da Educação e Cultura (MEC) reconhece que falhou ao misturar alunos normais nas mesmas turmas com outros alunos portadores de deficiência mental, visual, auditiva e/ou de fala. Em contacto com o «Canal de Moçambique» a directora Adjunta do Ensino Geral do Ministério da Educação e Cultura, Palmira Palma Pinto reconheceu que foi bom ter-se adoptado a tal política de não destrinçar.
“Reconhecemos as nossas fraquezas”, disse ela, numa atitude pouco vulgar em instituições do Estado que por princípio existem para zelar pelo que mais convém aos cidadãos e à sociedade.
“É muito difícil os alunos normais estarem misturados com os outros de deficiência mental, visual, auditiva e de fala numa única turma. Os alunos deviam estar separados e vamos separa-los até o 2º trimestre deste ano”, observou objectivamente Palmira Palma Pinto.
(...)Porque
Segundo Palmira Pinto “não podemos esperar bom rendimento escolar tanto dos alunos normais como também dos que transportam consigo as diversas deficiências em 45 minutos de aula”."
Ou seja, para a senhora directora deficientes visuais, auditivos e, ou de fala (isto é, e para que se entenda porque parece que a senhora não, cegos, surdos e mudos) estarão a um mesmo que deficientes mentais (doidos).
Vão tentar remediar um mal com outro ainda pior.
espero que a Ministra leia estas declarações e explique as diferenças à senhora directora Adjunta do Ensino Geral do inistério da Educação e Cultura!
.
Nota: Entretanto recebi, sobre o assunto acima e quase em simultâneo quamdo o estava a escrever um comentário de João Craveirinha a acompanhar o texto integral do Canal de Moçambique que, pelo seu conteúdo e incisibilidade, merecem a sua publicação. As minhas desculpas ao autor por o ter feito sem previamente o solicitar. Mas sei que ele compreenderá.
"SURDEZ, MUDEZ e INVISUALIDADE não podem estar associadas à LOUCURA nem a ATRASO MENTAL. Porque na realidade loucas serão as medidas preconizadas pelo MEC para serem tomadas, segundo a peça em epígrafe com a devida vénia.
A confirmar-se, estaremos perante uma flagrante discriminação que não é positiva e viola todo o sentido de um humanismo na EDUCAÇÃO em Moçambique. E a sociedade continua seu curso impávido e sereno. (Também não admira com tanta anomalia governativa é mais uma.)
Vamos separar os alunos com problemas de deficiência mental, visual, auditiva e de fala numa única turma ainda dentro do 2º trimestre”. (sic)
A ser verdade estaremos perante um grande erro e falta de sensibilidade além de violar os direitos humanos universais.
SURDEZ, INVISUALIDADE (dita cegueira) e MUDEZ NÃO TÊM NADA A VER COM DOENÇA MENTAL. São problemas ou congénitos (de nascença) ou que se adquiriram. Qualquer um de nós pode adquirir essas deficiências por “qualquer azar” da vida ou acidente. Será que gostariam de estar com doentes mentais num banco da escola se perdessem a visão, a audição ou a fala? Que sociedade se (res) constrói em Moçambique?! Se não sabem como se faz que aprendam com os Países que o sabem fazer gerindo de outra forma com escolas especializadas para cada caso. Estudem os dossiers da matéria e não tratem pessoas como monstros com medidas monstruosas.
Tratar todos os deficientes por igual sem ter em conta as especificidades de cada um é o que faziam na Idade Média na Europa, tratando-os como bichos selvagens colocando-os em jaulas comuns. A Inquisição da igreja torturava-os para exorcizar os demónios.
Na Europa, na antiguidade clássica ocidental, na Grécia e Roma antigas, com o pretexto do culto do corpo físico belo e perfeito os deficientes eram executados à nascença (eutanásia). Na Alemanha, Hitler fez o mesmo na 2ª Guerra Mundial (1939/1945), incluindo a esterilização obrigatória às crianças mestiças filhos de homens africanos com mulheres alemãs. A mestiçagem era considerada deficiência genética.
No século XIX / XX os deficientes eram apresentados como “freaks” em circos.
Na África tradicional (medieval) há séculos atrás, normalmente os deficientes eram mortos à nascença (eutanásia) ou utilizados como aberrações para feitiçaria (incluindo albinos, aleijados, anões, etc.). No “plateaux” de Mueda era uma norma ainda no século XX. As anciãs executavam a eutanásia e a mãe era “poupada” (entre aspas) a ter um filho deficiente. No Império de Gaza eram discriminados e abusados. Na chefatura de Macombe em Manica (a deficientes) cortava-se-lhes a língua para “uivarem” como cães na entrada da paliçada anunciando a chegada de estranhos.
Hoje que discriminação oficial pretende o MEC?! Esperemos que seja um “lapsus linguae” (erro de expressão na fala) da Sra. (P3) directora Adjunta do Ensino Geral do Ministério da Educação e Cultura.
Coitada da maltratada Cultura em Moçambique sempre em último lugar. Por isso se tomam atitudes desta natureza. (Contra a Cultura, como capacidade de agir através de um pensamento intelectual especializado. Neste caso, a Educação como parte do todo da Cultura que se quer dinamizar num País. Pois tudo é Cultura é preciso é orientá-la pelo melhor caminho). Post scriptum: (O poeta-músico Ludwig van Beethoven (1770/ 1827) ficou surdo não se esqueçam e foi um génio de criatividade artística.) JC"

13 fevereiro 2007

A Nova China, O despertar do gigante

(A Nova China: ©imagem daqui; as imagens infra são daqui)

Um texto de João Craveirinha sobre o despertar da Nova China após visionamento de um programa de 4 episódios, «CHINA RISES», transmitido na RTP2, em finais de 2006.

A Nova CHINA, O DESPERTAR do GIGANTE
por: João Craveirinha (analista cultural)

Sinopse (da RTP 2)

Um fabuloso documentário em quatro partes que nos leva ao coração de um país que experimentou a mais notável transformação na história do planeta, e que revela como a mais antiga civilização da Terra se tornou numa importante super-potência. A China vai ser o país anfitrião dos próximos Jogos Olímpicos de 2008 e já está a afectar quase todos os países do globo. O documentário começa com constrangedoras e verídicas histórias de homens e mulheres que usufruíram desta monumental mudança da China e daqueles que foram deixados para trás. Alguns dos mais conceituados jornalistas e realizadores do mundo, da CBC Television, do New York Times e da Europa, tiveram acesso ao povo da nova China. Uma série documental que levou dois anos a ser rodada, uma co-produção de televisões da Alemanha, França e dos Estados Unidos. (in RTP programação)

Nota Prévia
Este trabalho trata de um olhar sobre a Nova China baseado numa reportagem televisiva. No fundo é uma breve análise sobre um programa da RTP2 (Rádio Televisão Portuguesa) numa série de Documentários intitulada «CHINA RISES» / O DESPERTAR DA CHINA e exibido no Domingo 12 de Novembro de 2006 – 14:00h (visualização televisiva via RTP e da Sky News TV; videoplayer em nota de rodapé).
Segundo a astrologia chinesa, 2006, foi o ANO do CÃO. Simboliza a dedicação ao trabalho e ao êxito. Sem dúvida para uma sociedade “workaholic” como a chinesa, o objectivo em 2006 foi alcançado como pudemos ver nesta magnífica série de documentários.

Introdução

Modernização
O trabalho físico (do campo) não é tão bom como o trabalho intelectual”. Afirmação de Li Zhifu, camponês reconvertido a “urbanita”. No entanto, o patriarca e avô do “clã” Zhifu, considera que as pessoas da cidade são mais frias que as do campo, estas mais comunicativas.
Os Zhifu fazem parte do grupo dos cerca de 100 milhões de camponeses, na maior migração massiva da História da Humanidade. Do campo para a cidade, em tempo recorde. No entanto, Li Zhifu, da nova geração e perito em informática, tenta mudar de ramo estudando numa escola de culinária tradicional. Depreende-se que o regresso à cultura tradicional pode ser uma mais valia e saída profissional numa “inflação” de modernismos em novas tecnologias.
A China (mainland), na actualidade, tem o maior índice de produção e exportação piscícola e de marisco (seafood), do mundo. Apesar de ser o maior produtor excedente de alimentos e no campo das pescas, corre o risco a médio prazo de uma crise alimentar, pois a sua imensa produção é direccionada para exportação. Internamente a procura excede a oferta em termos alimentares. Existe ainda a agravante da poluição dos rios devido à industrialização “selvagem” ocupando gradualmente, todos os terrenos aráveis.

Globalização[i]
Sobre o título em epígrafe pode-se citar o exemplo da criança e dos pais (numa urbe chinesa) levando o filho a uma “hamburgueria” Mc Donnald’s. Isto apesar da noção e do dilema da família, de saber que essa comida (fast food) é prejudicial à saúde, “pela utilização de ácidos gordos insaturados”. O pai (cozinheiro de comida tradicional chinesa) leva o filho a comer um hambúrguer, mesmo que depois em casa tenha de lhe administrar um remédio para o estômago. Os pais conformam-se. Presume-se que a globalização lhes entre pela casa com a publicidade na televisão e impressione e “alicie” a criança de 5 anos.
Na série documental de 4 episódios, pode ser visualizada, também, uma sociedade “urbanita” na China que atinge as raias do “kitsch” –, exempli gratia:
- Um castelo francês estilo de Versailles, construído minuciosamente, algures numa cidade chinesa para casamentos e banquetes a rigor – mentalidade género pró snobe de uma monarquia decadente e extinta (a francesa), num país (China) de governo comunista. Anacronismos da globalização. Na China já não é preciso ir a Paris para se casar num palácio de Marie Antoinette. Não fossem os chineses os melhores copistas do mundo. Até em palácios à escala 1/1.
Por outro lado, está também patente o desastre ecológico, neste documentário que ainda contou com a participação da Canadian Broadcasting (ano MMVI).
Na peça de TV, segundo um cálculo efectuado, faz-se alusão de que 10% das terras aráveis terem sido subvertidas e vendidas para a industrialização desenfreada da China. E ainda na transformação do campo em mega metrópoles (cidades gigantescas).
O governo tem expropriado terrenos a camponeses para venda a concessionárias estrangeiras para execução de projectos industriais e imobiliários. Entre os camponeses pobres o descontentamento cresce com esta modernização acelerada à custa de seus campos agrícolas tradicionais.
Para o senhor Pan Yue, vice – ministro do Meio – Ambiente (da República Popular da China): - “o crescimento económico da China parece um paraíso para o exterior mas (esta realidade chinesa) conduz a um desastre …por não se poder importar a água nem o ar que se consome”. Isto no reconhecimento à agressão ao meio-ambiente em nome do progresso no seu país[ii]. No entanto o negócio parece prevalecer em relação à poluição e à saúde pública.
Pelo canal televisivo britânico, Sky news, foi reemitida no dia 9 de Janeiro de 2007 (que tivemos a oportunidade de rever), uma peça com imagens chocantes do outro lado do gigantesco esforço que a China faz em termos do desenvolvimento sustentado: “Plastic waste sent for recycling in Britain is being shipped 5,000 miles around the world to a town in China. A Sky News investigation has found mountains of waste from the UK's leading supermarkets in Lianjiao, in southern China's Guangdong Province.[iii]
A localidade de Lianjiao tornou-se pela negativa o paradigma da reciclagem poluente. Este assunto é mesmo “talking of rubbish”, como diria com ironia típica britânica, o locutor de serviço da sky news no dia 9 de Janeiro 2007. Lixo proveniente também de uma política cínica dos países desenvolvidos e consumistas, neste caso europeus, que falam em reciclagem amiga do ambiente, mas sempre fica “mais barato” enviar o lixo para os países em vias de desenvolvimento. Neste caso enviado para a China com a cumplicidade das próprias autoridades locais. Todavia, a China, a exemplo da sua história milenar de 5 mil anos, iniciada nos mesmos planaltos férteis de hoje, poderá encontrar uma saída que supere o problema, segundo um dos articulistas da série televisiva, “CHINA RISES”. (A China Desperta).
Podíamos acrescentar que de facto uma das saídas já se encontra em marcha há duas ou três décadas: - a migração organizada de cidadãos chineses para toda a parte do mundo, através da cooperação e financiamento chinês de projectos quer privados de seus cidadãos quer assinados com governos estrangeiros.
Todavia, internamente o espectro de uma catástrofe ecológica e humanitária se mantém[iv]. Pese embora se encontre também em marcha movimentos cívicos de cidadãos chineses em prol do meio-ambiente. Temos o caso da Sra. Niu, com o estatuto de uma heroína, pelo espírito de missão no plantio permanente de árvores no combate à desertificação. Três vezes por ano planta árvores para evitar o movimento das dunas de areia, num processo de reflorestação a ser tomado como paradigma na China.
No norte da China a desertificação devido à erosão, é uma realidade assim como o êxodo demográfico do campo para os novos centros urbanos em construção acelerada.
Há ainda o caso, também diferente, de um director de Hospital –, com as suas poupanças investiu no plantio de 3 mil macieiras, dentro das regras internacionais de qualidade e…enriqueceu, exportando para todo o mundo. Uniu o lucro com o ecológico. Segundo ele, o plantio das macieiras rende muito mais que o trigo.
Grosso modo este é o rumo da Nova China com a política de um partido (Comunista) e dois modelos económicos…Ideologicamente só por si antagónicos, do ponto de vista social, porque o sistema de economia de mercado livre não contempla uma política social privilegiada.

Epílogo

Cultura Tradicional
Uma China com uma planificação e crescimento acelerado que até espantaria Charles Bettlelheim. Um desenvolvimento económico, progressivamente que irá destruindo a cultura tradicional chinesa em prol da modernização dos costumes, através da globalização importada. Rumo de uma China que nem seria previsto por um Milton Friedman[v] – analista do factor económico como determinante de conflitos apadrinhados pelos blocos político – financeiros. A China tem contornado externamente esse aspecto “belicoso”, pela cooperação e investimento financeiro[vi]. Internamente, o tempo dirá o preço a pagar pela China e a seus parceiros mais imediatos, sobretudo os do chamado terceiro mundo. A Europa da U.E e os E.U.A já se sentem ameaçados[vii].

Notas de rodapé

[i] Jeremy Brecher, Tim Costello, GLOBAL VILLAGE OR GLOBAL PILLAGE? – Economic Reconstruction from the Bottom Up, South End Press do Canadá;
[ii] [iii] Toxic shock in China (26 Nov.2006);
[iv] Paul Freeman-Powell (2006), Britain Gives China Toxic Shock; Sábado, Novembro 25;
[v] Economic Nobel Prize – Milton Friedman;
[vi] Michael M. Phillips, G-7 to Warn China Over Costly Loans To Poor Countries. (WSJ.com) The Wall Street Journal, 27.12.2006, 18h;
[vii] Noah Barkin, "China desafiará EUA como potência mundial em 2020, diz pesquisa." Os Estados Unidos vão perder sua posição de única super potência mundial na próxima década e meia, com a China surgindo como um grande adversário, segundo uma nova pesquisa da Fundação Bertelsmann da Alemanha. BERLIM”(Reuters) Sex, 02 Jun, 2006 – 08h10. Yahoo notícias (versão brasileira).

04 julho 2006

Contabilidade do Futebol luso

(Portugal 1966-2006, montagem retirada do Yahoo/Notícias)
De João Craveirinha recebi, via e-mail, esta delícia contabilística que, pela actualidade, é muito oportuna.
De realçar, ainda, o facto do próximo Mundial ser em África (tripla vitória) e depois, e em princípio, salvo algum “banho” intermédio e incompreensível muito fértil nos “topos” da FIFA, no Brasil, cumprindo, assim, os desejos fifianos de Blatter em ter os Mundiais por todos os continentes futebolísticos…
.
Contabilidade do Futebol luso...
por João Craveirinha

Da 1ª Taça do Mundo, no Uruguai, em 1930...Portugal levou 36 anos para participar pela 1ª vez, em 1966, pela mão de um brasileiro, Otto Glória...
De 1930 a 2006....76 anos para outro brasileiro, Felipão, levar Portugal a outro mundial e de cabeça erguida devido à disciplina que esses brasileiros impuseram aos portugueses; coisa que aqueles não souberam fazer em 2006, com Carlos Parreira, e seus próprios super-jogadores brasileiros, daí terem sido eliminados pela França; também com mais de 50% de sangue afro na sua selecção, tal qual o Brasil...
África saiu sempre a ganhar...
Mesmo o melhor jogador português de todos os tempos, é...Africano...
[por acaso filho de um Angolano – malangino – e de uma moçambicana – ronga de Maputo]
.
Esta matéria está mais desenvolvida no jornal moçambicano "O Autarca", ed. especial de 3 Julho 2006 e, em breve, no site Zambezia Online, em ambos sob o título "OTTO GLÓRIA e FELIPÃO Brasileiros Elevam Nível do Futebol de Portugal" de João Craveirinha

05 junho 2006

Sobre o racismo, uma reflexão de Yahia ben Yokhanon

Photobucket - Video and Image Hosting (Yahia ben Yokhanon)

Depois disto ainda acham que o racismo faz algum sentido?
(Reencaminhado…de: Conceição Dasmaceno pela Internet, Data: 05/18/06 10:03:30 - Assunto: FW: gémeas)...
Gêmeas idênticas.
Pode parecer mentira, mas estas duas meninas (nas fotos) são irmãs gêmeas! Uma inglesa negra com ancestrais brancos deu à luz estas gêmeas em 2005, uma negra e a outra branca. Tanto a mãe, Kylie Hodgson, 19 anos, quanto o marido, Remi Horder, 17 anos, são filhos de casais mistos (negro e branco). As chances de nascimento de gêmeas assim eram de uma em uma milhão, segundo especialistas em fertilidade. Eles explicaram que um espermatozóide com genes exclusivamente da raça branca fecundou um óvulo do mesmo tipo, enquanto outro espermatozóide com genes da raça negra fecundou um óvulo com genes dos ancestrais negros, o que resultou no nascimento dessas duas gracinhas. Elas completam um ano em abril.
”…(fim de citação).
Comentário do Colunista desta página:
De acordo com o título: - “Depois disto ainda acham que o racismo faz algum sentido?” … Concordamos com, “isto”, se for no sentido de caso…exemplo.
Mas bem no fundo não sei onde está tanta admiração apesar da peculiaridade do caso…Talvez seja devido à ignorância generalizada sobre a ORIGEM AFRICANA do MUNDO evoluindo numa MESTIÇAGEM permanente.
No entanto, sem dúvida, o caso das Gémeas é mais uma prova da base anti-natural e anti-científica do racismo.
Legenda das fotos: As duas Fotos das meninas gémeas idênticas –, uma mais ROSADA, a outra mais MARROM (castanha). A cor de pele dita Branca e a cor de pele dita Negra, ausentes nesta imagem de pureza infantil. Nos corpos e nas almas inocentes sem preconceito. Esperemos duradoiro ad aeternum.
Em mestiçagem “isto” é normal...entre irmãos e entre gémeos...as pessoas é que andam distraídas e cegas devido ao preconceito (do racismo) e não reparam melhor na rua...e noutros locais…O ADN (Ácido Desoxirribo–Nucleico), matriz da herança genética nunca se esquece ou se engana de onde vieram os antepassados das pessoas deixando sempre sua marca de uma forma ou de outra.
Numa família mestiça há sempre uns mais claros que outros (ou mais altos e mais baixos). E é devido ao preconceito instigado sobretudo nas meninas mais claras que crescem "como brancas"...isto é muito comum entre os Portugueses...e em Portugal ainda hoje.
Em geral nas antigas colónias Europeias em África, Caraíbas e Américas, quer Inglesas, Portuguesas, Francesas, Alemãs e mesmo colónias Holandesas (Antilhas e África do Sul), infelizmente era (é) também muito comum e se procedia assim para esconder com vergonha a origem mais escura isto é a parte “negra”...da família só falando da parte europeia "branca"...A esta atitude apelida-se de Complexo Colonial. Existindo o Complexo de inferioridade como nestes casos e o Complexo de superioridade de muitos cidadãos europeus em relação aos cidadãos das suas antigas colónias sempre baseados num eurocentrismo cultural, económico, (ICT) científico-tecnológico e epidérmico (cor da pele muito mais clara associada à mais inteligência e QI).
A Comunicação Social desses Países (em Portugal é um facto), tem contribuído muitas vezes para esse pressuposto inferindo por indução uma visão distorcida da verdade histórica, causadora da alienação colonial dos ex – colonizados “presos” a um passado em suas mentes, passando esta memória subserviente através da educação a seus descendentes por várias formas. Uma delas muito actuais, é a do “fanatismo do Futebol” pelas equipas portuguesas de novo “metropolitanas” num conceito muito passadista ou de “saudade” colonial. Reflicta-se no aspecto da ausência de uma consciência política, colectiva, sobre a recente visita do Benfica de Lisboa a Moçambique e nas partidas em que participou. Num estudo sociológico, psicológico, da alienação da mentalidade contraditória do Moçambicano, seria de se perguntar a esse grupo alvo se ao preterirem “fervorosamente” as equipas Moçambicanas a favor das estrangeiras se sentiriam confortáveis na sua “pretensa” Moçambicanidade? A resposta poderia ser desoladora.
No Brasil e Portugal este complexo colonial da pele mais clara é fortíssimo...e mesmo em Cabo Verde camufladamente estão lá...quiçá, restos na mentalidade, do tempo da escravatura...levada pelos portugueses…para as Ilhas, durante séculos. E o mais curioso e triste é que tanto em Portugal como no Brasil este complexo parece ter atingido até a classe política e dirigentes alguns dos quais de origem mestiço-negróide. É como diz um pensador, meu conhecido, de origem luso-germano-belga-angolana*, que: - … “alguma da imbecilidade que reina em alguns países, nomeadamente em Portugal, e,” (…) “ o facto de algumas cabeças dirigentes serem mestiços e parecerem ter – ou têm mesmo – medo de que se saiba”… (fim de citação). É aí, nessa identidade do Portugal mestiço sem complexos que estaria a força da verdadeira Lusofonia se houvesse coragem em assumir essa mestiçagem no sangue português, “laboratório” iniciado compulsivamente há séculos com os mouros e negro – africanos, passando pelos judeus e goeses (canarins). Mestiçagem que perdura aos dias de hoje numa reciclagem contínua com a absorção pela sociedade portuguesa europeia do fluxo imigratório consequência das independências Africanas das antigas colónias lusitanas e posteriores. O que poderia ser uma mais valia parece infundir medo em alguns ditos “nacionalistas”, apologistas de uma pureza racial de Portugal e em outros mais europeístas, de costas voltadas para África e a Lusofonia. Se esquecem que a “moeda forte” que Portugal tem na União Europeia parece pressupor ser este País um interlocutor válido ou parceiro nas relações Norte-Sul, “soi-disant”: - Portugal com África, Brasil e por extensão Timor-Leste e mesmo Macau e Goa. A questão é se tem sido.
E em Moçambique, Angola e S. Tomé e Príncipe qual o panorama dos complexos ditos raciais? Na Guiné -Bissau talvez exista alguma excepção na assumpção da condição de ser Africano e Guineense, dentro e fora da Guiné! Obviamente não há regra sem excepção!
Ao que nos levou a informação sobre as Gémeas inglesas, filhas de pais mestiços, ao completarem um ano de idade em Abril de 2006.
De facto a reflexão cognitiva anda em círculo. Aparentemente parece que nos desviamos do assunto central mas na realidade enriquecemo-la ao aprofundarmos a dissertação. Enriquecer o debate. É isso que é preciso numa sociedade Moçambicana suburbanizada e cada vez mais redutora no pensamento colectivo “atrofiado” com o consumismo “selvagem” da publicidade, da promoção de marketing e da alienação estereotipada, induzindo inconscientemente a uma negação da essência da Independência de Moçambique. Mas isso seria outro tema acrescido! Shalom!

(Artigo e fotos publicados no Jornal moçambicano “O Autarca da Beira” edição de 2 de Junho 2006 – publicação devidamente autorizada pelo autor).

*O pensador em questão pode ser identificado se olharem para o “profile” deste blogue.

11 fevereiro 2006

Craveirinha na Casa de Angola

Tal como previsto, decorreu ontem um sarau de homenagem ao poeta e militante da defesa cultural pátrio moçambicano e lusófono José Craveirinha.
O acto, presidido pelo presidente da Casa de Angola, Gervásio Viana, e apresentação por "moi-même", teve como prelector e, porque não dizê-lo, "one man show" João Craveirinha que, durante cerca de 1 hora e 30 minutos, criou um programa interactivo com a assistência (diga-se que o salão nobre/auditório da Casa de Angola encheu para o evento) onde juntou poesia, música e antropologia cultural juntando num só ambiente a poesia de Craveirinha com a cultura angolana e afro-cubano-americana.
Posteriormente foi projectado um video sobre José Craveirinha e contada por ele próprio.
Um evento a recordar.

05 fevereiro 2006

In Memoriam de José Craveirinha

Image hosting by Photobucket
(O poeta onde gostava de estar; entre a sua gente de Mafalala;
a casa onde o poeta viveu há 50 anos, hoje em ruínas.)

Amanhã, dia 6 de Fevereiro, cumprir-se-ão 3 anos que o poeta, e laureado Prémio Camões, José Craveirinha faleceu.
A efeméride será lembrada por um grupo de moçambicanos, coordenados pelo seu sobrinho João Craveirinha que vai levar a efeito, no Auditório do Instituto Camões, amanhã, às 18,00 horas, um sarau cultural de homenagem ao grande poeta moçambicano (desnecessário ir ao sítio porque não há nada lá – sem comentários).
Esse sarau, com ligeiras alterações, irá ser também apresentado na Casa de Angola, no próximo dia 10, e também pelas 18,00; realce-se que neste sarau será lido um poema de Craveirinha dedicado ao povo angolano nas pessoas de Pepetela, António Jacinto, Mitó, entre outros.

De notar que ambos os eventos têm entrada livre.

23 setembro 2005

E a Pessoa de Fernando ignorou África?

Tal como já tinha anteriormente referido, o poeta, cronista, pintor, realizador e agora dramaturgo moçambicano João Craveirinha lançou no passado dia 21 de Setembro, quarta-feira, no Palácio Galveias, em Lisboa, uma livro de teatro, onde a vida do poeta Fernando Pessoa é vista sob um outro prisma e numa visão muito pessoal de Craveirinha.
A apresentação da obra esteve a cargo deste vosso escriba, o que muito me sensibilizou e, acima de tudo, me honrou.
E hornrou-me, principalmente, porque - esteja no lugar x ou y que estiver no seu coração - ele disse que contava comigo o que, desde logo, a qualquer momento, fosse a que momento fosse, a minha pessoa estaria presente nas suas cogitações.
E isso, é uma honra que não deixo de acolher e agradecer.
Kanimambo Craveirinha e até à próxima vez, que por acaso é na próxima 4ª. feira quando lançar o seu próximo romance.
Lá estarei para o cumprimentar e para acolher uma obra que parece - será - importante na literatura lusófona.
Esperemos que desta vez, o espectáculo que é a política portuguesa - desculpem mas chamar de política o ambiente que neste momento Portugal vive, é desonrar políticos como Carvalho e Melo, Costa Cabral, Herculano, Eça, Machado, Afonso Costa, entre os portugueses, ou um Senghor, Kenyatta, Nkhruma, Amílcar, Reagan - e este era um actor -, Thomas Jefferson, John Adams, Gorbachev, Neto, e outros - quando se dá prioridade ao regresso de alguém que estava com um mandado de captura do que à cultura e quando esta se referia a um dos maiores vultos poéticos da moderna literatura portuguesa.
Quando um povo não defende a sua cultura, de certeza não deve esperar que sejam os outros fazê-lo por si.
Quando a cultura se chama "reality shows" de um qualquer "cromo" ou de um qualquer "socialite" a chamar a si as luzes da ribalta, então muito mal vai a cultura desse povo.

19 setembro 2005

João Craveirinha lança obras em Lisboa

O poeta, cronista e pintor moçambicano João Craveirinha vai lançar no Palácio Galveias, em Lisboa, 3 obras, sob a chancela da Universitária Editora de Lisboa, respectivamente nos dias 21, 28 Setembro e 6 de outubro 2005, conforme abaixo se descreve:

Palácio Galveias r/ch - Campo Pequeno Lisboa:

Dia 21 Setembro 2005 - 19.30 hrs - Teatro - E a Pessoa de Fernando Ignorou África? Quarta - feira

Dia 28 Setembro 2005 - 19:30 hrs - Romance - Jezebela - O Charme Indiscreto dos Quarenta (Crónica de uma Mulher). Quarta - feira

Dia 06 Outubro - Literatura Infantil - O Macaco Macaquinho e o Macaco Macacão (para colorir). Quinta - feira

26 julho 2005

História de Maputo

Image hosted by Photobucket.com © Ponta d’Ouro, Foto de Nuno Ibra

Simples esclarecimento para quem estiver interessado em assuntos sérios da História de Moçambique (por: João Craveirinha):*

Reencaminharam-me um pedido de esclarecimento sobre a origem do nome Maputo – na realidade Maputso – palavra em xi – ronga idioma local da região dos iMpfumos / caMpfumo rebaptizada erradamente pelos portugueses de Lourenço Marques piloto de naus quinhentista que nunca esteve do lado da actual cidade de Maputo ex LM fixando-se na então denominada Ponta Madona na caTembe ( lado oposto). O piloto Lourenço Marques traficou marfim, escravos e bugigangas no Entreposto de Ponta Madhona ( caTembe - terra dos Tembes)....em 1544...além do registo dos rios que desaguavam na Baía dos iMpfumos...

Mais uma vez e por insistência (e estou farto de dar explicações que ninguém fixa ou liga…caso eu fosse louro e muito mais claro todo o mundo me consideraria idóneo em Portugal sobre Moçambique com a devida consideração...e ainda me chamarão de polémico (com desprezo) ou pior de complexos por tratar sempre com dignidade os assuntos...sem seguir a manada da corrente geral... e desculpem pelo desabafo…excepção feita a um restrito grupo que respeito...daí o envio deste email último sobre este assunto).

Só o desprezo pelas coisas afros de alguns dos que se dizem de Moçambique mantém -nos na ignorância. Durante o período que por lá andaram nunca souberam nem quiseram saber dos idiomas Moçambicanos e seus derivados dialectos. Se soubessem não inventariam coisas à toa para auto elogio de seus umbigos. Qualquer pessoa da caTembe até uma criança sabem de onde vem a palavra Maputo – originária de Maputso…


...maputokezi é uma forma idiomática do norte de Moçambique – Niassa e Cabo Delgado maconde – influência inglesa de portuguese com o prefixo baNto MA…nada a ver com o sul…Portugueses em xi - ronga : mu - madji , magoerre (mais depreciativo) e xi –colonhi…a palavra maputokezi foi trazida para o SUL e centro pela Frel nos seus cânticos “revolucionários” em suahili ou maconde ou nhanja (Niassa) em que diziam que iam correr com os maputokezis de Moçambique.

Origem nome MAPUTO – com mais de 500 anos…anterior à chegada dos portugueses à Baía dos iMpfumos …

A palavra ma (prefixo) plural para designar os de juntando …mais Uputso dá maPutso nome Proveniente da bebida tradicional UPUTSO ainda hoje celebrada em cerimónias tradicionais na zona de Matutuíne (Bela Vista) região dos Tembes na denominada Província de Maputo…Nada tem a ver com maputokezi como algumas mentes desiluminadas na distorção derivada do complexo colonial da colónia Perdida querem manter ainda…Só a ignorância dos idiomas e derivados dialectos locais africanos é que perpetuam essa ignorância típicas de saudosismos doentios…Qualquer Moçambicano baNto do sul conhece a bebida tradicional UPUTSO proveniente da região da que se chamaria de Maputo corruptela portuguesa incapazes de pronunciarem Uputso…Quando em 1502 António do Campo e Luiz Fernandes chegaram à baía dos iMpfumos ( dos reis) já se preparava o Uputso feito à base da ameixa (da ameixoeira) africana fermentada…de cor e espuma brancas…considerada fruto sagrado…

O erro na atribuição do nome Maputo para substituir LM tem a ver com o ressentimento étnico anti-ronga de Samora em não querer aceitar o nome de caMpfumo ou simplesmente cidade de Mpfumo restituindo a dignidade a um povo ronga destituído da sua terra e da sua cultura…Não sei como aceitam a marrabenta e a galinha e o camarão com coco, amendoim e piri piri dos rongas, mas não aceitam que quando os tugas chegaram da Europa tão longe encontraram um povo na região com nomes e usos e costumes bem seculares…

O indo-português de Moçambique, Óscar Monteiro, sugere então o nome de Maputo para substituir LM, para rimar o slogan da Frel, do (rio) Maputo – fronteira mais a sul de Moçambique… ao (rio) Rovuma fronteira mais a norte….simbolizando a unidade nacional inter étnica.


Resumo: O Nome de Maputo provém da bebida tradicional ronga UPUTSO …sendo Bela Vista – Matutuíne a região ronga dos Tembes por excelência de tradição de séculos antes do achamento da região pelos portugueses perdidos das naus de Vasco da Gama a caminho da Índia em 1502.

E ponto final. Quem quiser continuar cego que continue...e perguntem a Patrick Chabal que tem a resposta deste complexo português do Império COLONIAL perdido

p.s. (Filmei (realização) com a RTP uma maquete betacam digital (passado a DVD) de um seriado sobre a História das cidades de Moçambique a começar pela Baía dos iMpfumos. (1998/1999/2000)...Viajando em katmaran pelos 5+1 rios que desaguam na Baía da chamada Maputo. Aguardava tão somente a montagem final para ir pró ar; stand by, sine die, por critérios desconhecidos apesar de conteúdo de aspectos inéditos da História comum de Portugal e Moçambique pela 1ª vez em imagens. Projecto piloto a passar para Angola e os demais CPLP e não só). Enfim mais uma pro arquivo...


adenda...
Para mais informações sobre a obra : - Moçambique: Feitiços, Cobras e Lagartos, de João Craveirinha, ver em: http://www.macua.org/livros/feiticos.html

20 julho 2005

A qualidade na Indústria

(c) DAR
João Craveirinha mandou-me este e-mail, denominado “Indústria e Economia Brasileira - paradigma para Moçambique e Angola e mesmo para Portugal“ que, com os meus pedidos antecipados de desculpas – não tive tempo de lhe pedir autorização para o transcrever – deixo aqui nestas páginas.
Não há dúvidas que é tempo de deixarmos de nos preocupar com o “dumping” chinês e nos preocuparmos com a qualidade das nossas manufacturas e dos nossos artigos.
É mais fácil, hoje em dia, vermos pessoas a comprar roupas – e calçados – de marcas (algumas até são feitas em países cuja a exploração humana é por demais conhecida) do que comprar “chinesices” só porque são mais baratos.
Porque será que os empresários “lusófonos” – e aqui, doa a quem doer, a escola é a mesma – deixam de pensar em ganhar um qualquer “Euromilhões” no imediato e se preocupam em criar primeiro: qualidade; segundo, qualidade; e depois o natural lucro!
Logo há que criar qualidade e, subsequentemente, uma marca credível.

Couromoda: os chineses que fiquem com seus sapatos baratos

A indústria calçadista brasileira vendeu menos – e faturou mais – no primeiro semestre deste ano. Pelos dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o número de pares vendidos ao exterior caiu de 113 milhões para 103 milhões nos primeiros seis meses de 2005 (na comparação com o mesmo período do ano passado). Apesar disso, houve um aumento de 20% no preço médio dos calçados exportados, o que gerou uma receita de US$ 921,4 milhões, 9% superior à registrada no primeiro semestre de 2004. Diante das dificuldades provocadas pela desvalorização do dólar e pela concorrência internacional, as empresas do setor passaram a apostar na exportação de produtos com maior valor agregado. "Vender grandes quantidades a preços baixos é para as fabricantes da China. A solução foi apostar na qualidade, não na quantidade", detalha Francisco Santos, presidente da feira brasileira de calçados Couromoda e porta-voz brasileiro da World Shoe Association, organizadora da feira WSA Shoe Show, que acontece no início de agosto, em Las Vegas. Santos destaca que o aumento da participação dos calçadistas brasileiros na WSA Shoe Show é uma prova dessa busca por novos nichos de mercado. Em 2005, 33 empresas nacionais apresentarão suas coleções na feira - o triplo da última edição. "Nossas indústrias estão mais preocupadas em vender sua própria marca. A feira é uma ótima oportunidade, pois é um canal direto com os lojistas norte-americanos", revela Santos. (Guilherme Damo)