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12 fevereiro 2013

Angola e a comunicação social n’ A Cabra


O jornal universitário “A Cabra”, da Universidade de Coimbra, publica hoje um artigo, da responsabilidade de António Cardoso e João Valadão, sobre Angola e a Comunicação social.

Esta matéria tem uma parte de colaboração minha através de uma longa entrevista que António Cardoso me fez no passado fim-de-semana.

Apesar de publicado em papel, também podem aceder ao artigo aqui (ou aqui, página 13).

Já agora, saúda-se os 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra o que demonstra que a Cultura não tem idade nem limites!

15 novembro 2012

Eu, na Radio France Internationale (edição brasileira)


Na passada terça-feira fui contactado pela jornalista Neydi Ribeiro, da RFI-África, para abordar e analisar um possível impacto nas relações luso-angolanas sobre o facto de três importantes figuras do Governo de Angola estarem sob eventual presença de um inquérito judicial.

E tudo terá tido origem na “abertura de um inquérito-crime contra altos dirigentes angolanos e tornado público, este fim-de-semana, pela comunicação social portuguesa [no caso concreto, pelo semanário Expresso,] que terá beliscado as autoridades angolanas. A resposta não se fez tardar e ontem a imprensa angolana, através de um editorial no Jornal de Angola, escrevia que as relações entre Angola e Portugal poderão estar em causa com esta acção”.

O problema, se é que haverá algum problema, está e estará que, como começa a ser habitual e demasiado habitual na Justiça portuguesa é que processos que deveriam estar no recôndito das gavetas e dos gabinetes para organização e eventual trânsito judiciário, saírem para a rua ainda antes até dos processos estarem devidamente elaborados.

Na referida peça, em áudio, sob o título “Novo episódio de tensão entre Angola e Portugal”, está também o sociólogo Paulo de Carvalho.

Da entrevista/análise, que teve uma duração de cerca de 16 minutos, foram repescados um pouco mais de 5 minutos; podem ouvi-la acedendo aqui.


23 novembro 2011

Entrevista ao Novo Jornal devido ensaio "Angola,..."2

A entrevista dada à jornalista Isabel Bordalo do semanário Novo Jornal e publicada na edição 200, já referenciada. Reproduzida pelo portal Zwela Angola e aqui retranscrita.

Entrevista de ISABEL BORDALO, do Novo Jornal (Angola)


(Novo Jornal) O título do seu livro é «Angola. Potência em emergência». O que falta para Angola se tornar efectivamente uma potência?

(Eugénio Costa Almeida)
Há vários factores necessários para que um estado seja considerado uma potência, seja local, regional, intermédia ou global como, por exemplo, ter capacidade de influenciar, de uma forma organizacional, política, ideológica, económica, militar e tecnologicamente. Ora, neste momento, Angola ainda não goza de capacidade tecnológica para ser vista como um potência de facto.


(NJ)Face a países como África do Sul, Nigéria e Marrocos, por exemplo, Angola tem condições para se assumir como Estado director?

(ECA)Face à Nigéria e a Marrocos, definitivamente. Face à África do Sul já o caso é mais problemático. Os sul-africanos estão, tecnicamente, mais avançados e afirmados como potência africana. Todavia, Angola tem condições para, dentro de alguns anos, conseguir chegar ao mesmo estágio.



(NJ)Quais os trunfos que o país apresenta? E os constrangimentos?

(ECA)Os principais trunfos são, não necessariamente por esta ordem, estabilidade política, militar e alguma certa estabilidade organizacional. Quanto aos constrangimentos apontam-se de ordem sociológica, tecnológica e uma quase mono-economia assente recorrentemente no maior impacto do petróleo e dos diamantes. Contudo, parece ser vontade governativa alterar este critério económico pouco saudável, como reconhece o OGE, que já reduz o impacto do petróleo a 13,4% do PIB em contrapartida com outras actividades económicas que já atingem 12,5% do OGE.



(NJ)Que papel Angola joga hoje no contexto regional e continental? Que papel tem o petróleo nesse contexto?

(ECA)Angola é, ou está, considerada como uma plataforma de estabilidade na região onde se insere; no caso na região central e médio-meridional de África. Tem um papel de moderador e de estabilizador. Quanto ao petróleo penso que já respondi na pergunta anterior. Ainda assim, não devemos esquecer que Angola é – e agora mais do que nunca com a crise da Líbia – um dos dois maiores produtores e exportadores de crude de África.



(NJ)É ainda relevante o facto de Angola ter herdado um exército de grande dimensão no rescaldo da prolongada guerra à qual serviu de palco para essa afirmação?

(ECA)É evidente que sim. E é também evidente que esse facto contribuiu e contribui para que o Pais continue a ser respeitado, não só pela dimensão, mas também pela sua qualidade. As FAA’s “aglutinaram” dois exércitos combatidos, poderosos, respeitados e organizados que melhoraram qualitativamente a já boa organização das FAA’s. E isso, num continente onde as forças castrenses são e continuam, mesmo com as alterações políticas e o fim da maioria dos monopartidarismo, a ser muito respeitadas, o que tem muito impacto!



(NJ)A aposta na deslocação de forças militares para outras latitudes em África, como a Guiné-Bissau ou ainda a região dos Grandes Lagos, entre outros exemplos, é decidida no âmbito de uma estratégia que visa aumentar a influência de Luanda em África e, por essa via, adquirir um suporte para “falar” com o resto do mundo?

(ECA)Não creio, embora possa haver algum fundo de verdade nessa interpretação. Mas, como se viu, Luanda não quis colocar tropas suas na região dos Grandes Lagos, limitou-se a “assessorar” a política de entente da África do Sul na zona, como declinou imiscuir-se militarmente na Somália. A presença na Guiné-Bissau insere-se, creio, na afirmação de Angola no seio da CPLP e da Lusofonia face à grande potência que é o Brasil e a potência cultural que é Portugal. Tal como foi a presença, simbólica, segundo uns, mais efectiva, de acordo com outros rumores, em São Tomé e Príncipe, a dada altura.



(NJ)O seu doutoramento, com a dissertação "A União Africana e a Emergência de Estados-Directores no Continente Africano: O Caso de Angola" deu origem ao livro que lançou hoje. O que o motivou a passar este trabalho a livro? Chegou a alguma conclusão que o tenha surpreendido?

(ECA)O principal motivo deixar um trabalho para outros – ou mesmo eu – poderem continuar a desenvolver e porque fui incentivado nesse sentido durante a defesa oral pública do mesmo. Surpresas? Se houve, e há sempre, porque descobrimos sempre coisas novas, a haver aconteceram durante a investigação durante o chamado trabalho de campo. Outras surpresas, essas ficam para o leitor descobri-las, caso considerem-no haver.



(NJ)Acha que este seu trabalho pode influenciar a actuação do poder político angolano e, por outro lado, ajudar os actores políticos e económicos dos outros países a olharem para Angola?

(ECA)Nem pouco mais ou menos. Seria atrever-me a testar como influenciador da vida política nacional. E, honestamente, não me vejo nesse papel. Sou um simples analista político e, principalmente, um académico. E é nesse sentido que desejo ser lido e analisado. Se o livro ajudar a melhorar certos factores da vida política nacional ficarei contente por isso. Será o reconhecimento que o ensaio trouxe algo ao país. Agora ter capacidade de influenciar a actuação do poder político, penso que não. E quanto aos actores políticos externos, espero que eles continuem a olhar para nós com respeito e cordialidade. E se pudermos influenciar as suas vidas, então…



(NJ)Se José Eduardo dos Santos sair da presidência de Angola, este balanço expansionista pode sofrer algum revés?

(ECA)Depende o que considerar balanço expansionista. Em qualquer dos casos precisamos de não esquecer que os Países permanecem enquanto os políticos são “recicláveis”. Ou seja, nem Eduardo dos Santos é permanente e numa democracia existe a saudável alternância do Poder, nem Angola pode manter-se encostada nas boas ou deficientes decisões de um qualquer político por mais credível e forte que tenha ou possa ter sido, como é o caso de José Eduardo dos Santos. Por isso, creio que quando dos Santos sair deixará, por certo, genes suficientes para que o País não perda a sua influência.



(NJ)Na véspera da apresentação do seu livro, afirmou: “Não me parece que a democracia seja o ponto fulcral para a afirmação de qualquer estado como potência regional". Se olharmos para países como a China percebemos essa afirmação. Qual é então o ponto fulcral?

(ECA)Principalmente a estabilidade social, política e económica. Contudo é importante para a credibilidade de um Estado que as decisões políticas sejam praticadas com a maior transparência possível. E isso só é possível com a Democracia. Qual? Aí é que reside o grande problema. Segundo a Ciência Política a Democracia é a que nos oferece o Mundo Ocidental que bebeu na escola helénica. Ora os nossos Kotas dizem que em África também existe uma escola de Democracia que deve ser preservada. Isso deixo para os sociólogos especializados e para os antropólogos estudarem e nos oferecerem um trabalho nesse sentido.



(NJ)Qual é o seu conceito?

(ECA)Eu acredito que existe um outro tipo diferente de Democracia que não tenha de ser somente a do Mundo Ocidental. Mas também acredito que é o Povo que deve dirigir os seus destinos através de indivíduos habilitados e acreditados para isso. E porque a Democracia, dada as suas variantes, não é o ponto fulcral que o disse.



(NJ)Afirmou também que "Angola está para a região centro-austral da África como a Alemanha está para toda a Europa ocidental e central". Não é excessiva a comparação, tendo em conta que a Alemanha é a economia mais robusta da Europa e está assente na diversificação, ao contrário de Angola que está muito dependente do petróleo?

(ECA)Não. É preciso ver o contexto. Pode ter parecido excessiva a afirmação, mas quando é analisada historicamente, não penso que seja. E o contexto foi histórico. É certo que a Alemanha é nesta altura o motor económico da Europa. Mas recordemos que, em certos períodos da História europeia, os germânicos estavam quase falidos e não deixaram de influenciar a região onde se inseriam. Por isso, compreendo a sua questão, mas não me parece que isso possa ser suficiente para que Angola não continue a afirmar-se como potência. E, vejamos – embora sob uma forma irónica – se virmos bem a economia alemã assenta quase exclusivamente e também numa monoeconomia: a da indústria automóvel. É evidente que estamos a conversar sob uma análise irónica.



(NJ)O senhor questiona se será possível a existência de potências regionais no quadro da União Africana (UA), considerando que aquela organização prevê que haja "um único organismo que conglomere todos os países ao mesmo nível". O papel que a Alemanha e a França desempenham no contexto da União Europeia não esclarece essa dúvida?

(ECA)Não, porque a União Europeia ainda admite o cenário de Nações no seu seio. Ora a União Africana foi criada não como a sua antecessora, a OUA, ou seja, uma Organização de Países, Nações e Estados, mas visando a ideia peregrina de um visionário – fico-me por aqui na qualificação – chamado Kadhafi que queria uns Estados Unidos de África onde as Nações não existiriam mais e muito menos os Países! Ora quer a Alemanha, quer a França não prescindem do seu papel no seio da comunidade europeia e internacional. Talvez por isso a crise europeia não desenvolva nem acabe. Talvez possa degenerar mal. Recordemos que franceses e germânicos sempre se deram pouco bem e que ainda há territórios de uns na posse de outros…



(NJ)No caso africano quais são os países que podem ser potências regionais e quais são os trunfos que apresentam?

(ECA)Claramente, e na minha análise, a citada África do Sul, Angola, naturalmente, a Nigéria, como reguladora de uma parte substancial do Golfo da Guiné, Senegal, o Estado mais equilibrado política, social e economicamente na região – apesar de ter sido derrotado militarmente durante uma das enésimas crises da Guiné-Bissau – o Quénia e, ou, o Uganda na região oriental, devido à sua influência nas questões do Corno de África e nos Grandes Lagos, também, tal como o Senegal, gozam de condições políticas sociais e económicas assinaláveis além de uma boa organização militar. Finalmente, no Norte de África, prevejo que Marrocos e Argélia serão os que, dentro de algum tempo, poderão apresentar-se como as principais referências da região setentrional africana, a par do Egipto. No entanto, este pretende afirmar-se mais no seio do Médio Oriente e não tanto em África.



(Em caixa)

(NJ)Em 2007, começou uma conferência, na Universidade Católica de Lisboa, a propósito do Dia de África, com este preambulo. “Ser-me-ia politicamente correcto começar por afirmar que o Continente africano prospectiva um futuro risonho e inimaginável, principalmente, com o apoio esclarecido e despretensioso de todos os que o apreciam e adoram. Ser-me-ia fácil fazê-lo. Mas não estamos aqui para sermos politicamente correctos mas para analisarmos que futuro se perspectiva para África”. Cinco anos depois, há menos razões para ser cauteloso?

(ECA)Não pensava era que já nessa altura estivesse tão sob os focos da nossa imprensa. É que não me recordo de ter havido qualquer impacto dessa Conferência. Mas, quanto à sua questão, a resposta é não! Continuo academicamente tão ou mais cauteloso como na altura. Ainda persistem alguns constrangimentos que impedem África de ser o Continente que tanto desejávamos que fosse.


(NJ)Tem um blogue «Pululu», onde vai analisando a política internacional, com enfoque em África. Num dos comentários recentes, após a morte de Kadhafi, constata que “Os estados não têm amigos nem inimigos! Só interesses a defender!”, mas “quando a hipocrisia é demais, imunda”. Quer explicar?

(ECA)Parece-me que o texto é suficientemente esclarecedor e que a afirmação é suficientemente percebível para o que se passa, passou e, infelizmente, vai continuar a passar no seio das relações internacionais. Mas, sinteticamente, recordemos que enquanto esteve no Poder, Kadhafi foi a personna política africana que mais foi “acarinhada” pelos políticos mundiais, mesmo pelos políticos que tudo fizeram para o derrubar. Não foi por ser um déspota que foi derrubado. Não somos ingénuos.



(NJ)Foi porquê?

(ECA)Questões político-militares e económicas tiveram muito mais impacto na sua queda que o facto de Kadhafi ter sido um sanguinário ditador. A sua deposição foi sinalizada quando começou a ameaçar os eventuais podres de alguns dos seus correligionários em certos países ocidentais e mesmo orientais. A desculpa dos ataques à sua própria população só serviu disso mesmo: de desculpa. Porque é que não se usa a mesma desculpa para os ataques às populações sírias pelo líder e homens de mãos do presidente sírio?



(NJ)O seu blogue foi considerado, em Setembro de 2007, pela Gazeta do Povo, Brasil, como um dos 50 blogs para entender o mundo e um dos cinco mais entre os blogs africanos. O que o motiva?

(ECA)Penso que como todos nós quero contribuir para um Mundo angolano, um Mundo africano, um Mundo melhor. Por outro lado, o blogue serviu para começar a guardar informações que mais tarde seriam úteis na dissertação para o Doutoramento.



(NJ)Ficou surpreso com a classificação da Gazeta do Povo?

(ECA)Fiquei. Até porque só soube deste prémio”, chamemos assim, por terceiros, mais concretamente através do engº Professor Feliciano Cangue, autor do blogue “Hukalilile – don’t cry for me Angola”. Nem sabia que era tão visto no exterior e muito menos no Brasil onde, segundo alguns dos meus leitores de lá, dizem que só agora é que os assuntos africanos, e, particularmente, os angolanos, começam a ter algum impacto.



(NJ)No ícone que remete para o seu perfil no «Pululu, surge uma imagem do Pensador, estátua angolana tradicional, e a frase “de pensadores, todos temos um pouco”. A política internacional não aconselha a reformular a frase?

(ECA)Tal como já formulei em tempos e ainda há momentos reapresentou essa questão, a política internacional, actualmente parece ter muito de pouco clareza. Talvez por isso pense que ainda devemos ser todos Pensadores e reflectirmos como tal. Será possível? Deveremos reformular o(s) nosso(s) pensamento(s)? Talvez! Talvez devamos ser mais executores. Mas como ser bons executores, bons gestores se não soubermos ser bons Pensadores?



(NJ)Mas como sermos bons executores, bons gestores se não soubermos ser bons Pensadores?

(ECA) Continuo a olhar-me como um pensador do Mundo, em geral, e de tudo o que se passa com Angola, em particular. Não somos só pensadores quando cogitamos mas também quando analisamos. E ao pensarmos (cogitarmos, analisarmos, reflectimos) estamos a contribuir para melhor compreendermos o nosso país e onde eventualmente estamos inseridos!

21 novembro 2011

Entrevista ao Novo Jornal devido ensaio "Angola,..."



Por ocasião da apresentação do meu ensaio "Angola, Potência Regional em Emergência", a edição nº 200, do semanário Novo Jornal inclui nas páginas 14 e 15 a entrevista cujas imagens podem ver.

16 novembro 2011

Entrevista à Rádio Deutsche Welle, sobre "Angola,..."


Entrevista dada ontem à Rádio Detsche Welle, à jornalista Nádia Issufo, e hoje retransmitida conforme se pode ver no acesso acima, a partir dos 10'25" (sensivelmente a meio). Neste programa há também material referente à visita de Pedro Passos Coelho, que hoje faz a Angola (será que os governantes lusosainda não aprenderam que Angola não é só Luanda?)

NOTA: Caso não consigam ouvir podem ler, a entrevista no blogue "Acalmar as almas" da jornalista Nádia Issufo.

26 março 2011

Entrevista ao Semanário Angolense

Entrevista concedida ao Semanário Angolense e publicada na edição 409, de 26 de Março, das páginas 18 à 20 sobre temas gerais, com particular relevo para a crise que afecta o Norte de África e a pouca relevância nos países ao Sul do Sahara.

Igualmente aflorada a situação de Cabinda no contexto angolano.

Esta entrevista está, integralmente transcrita no portal Club-K.

15 maio 2009

Laurindo Neto ao Notícias Lusófonas

Está forte, muito forte e polémica, a entrevista que o líder da Aliança Nacional, António Laurindo Neto concedeu ao jornalista Jorge Eurico, e publicada, como Manchete, no Notícias Lusófonas.

Poderão seguir a entrevista toda, que segundo Jorge Eurico, é dada com "(…) a causticidade que lhe é peculiar quando à colação são trazidas a situação política, social e económica do País", acedendo
aqui.

03 setembro 2008

Eleições angolanas: entrevista ao Portugal Diário

Um excerto de uma entrevista telefónica concedida ao jornalista Hugo Beleza, do Portugal Diário, sobre as eleições em Angola pode ser lida aqui, sob o título , “Angola: «Não irá acontecer um 1992»”.

Acedam, leiam-na e façam o favor de disparem as vossas pertinentes críticas.

Uma pequena observação que penso ser necessária para melhor interpretação de uma parte da entrevista. Nela há um tema abordado que, provavelmente por razões de paginação, não ficou bem complementada e que se reporta à desejável não candidatura de Eduardo dos Santos: considero que este deveria se resguardar e tomar uma posição muito semelhante à de Nelson Mandela, Sam Nujona, Joaquim Chissano, Julius Nierere.

30 maio 2007

Entrevista ao JN sobre as eleições em Timor

O Jornal de Notícias publica hoje uma pequena entrevista que me fizeram relativo ao período eleitoral timorense que agora se iniciou.
Entrevista:
"Xanana como líder do CNRT nada garante" (título do Jornal de Notícias)

(JN) Os cabeças de lista são os mesmos que concorrem às presidenciais. Isso revela o quê? (EA) Mais do que uma eventual imaturidade política ou falta de quadros, o problema timorense, e de todas as independências que não tiveram um período mais largo de preparação e formação de quadros e elites políticas, prende-se com o facto de os actuais políticos timorenses serem os mesmos que já existiam durante o período pré-revolucionário que antecedeu a primeira independência e terminou na ocupação indonésia.

Tudo indica que o CNRT de Xanana vai ganhar. Será? O facto de Xanana estar a liderar o novo CNRT não lhe garante nada. Muitos dos que votaram Ramos-Horta já dizem que não votam CNRT. O eleitorado timorense gosta de castigar os políticos que não provam ter estofo nem capacidade para manter a estabilidade política.

Então a vitória será para quem? A FRETILIN será dos mais votados. Quanto ao CNRT, tenho dúvidas. Xanana não anda de muito boas relações com a Igreja. E, quer queiramos, quer não, foi a Igreja Católica que influenciou a votação presidencial na segunda volta quando "impediu" que Lu-Olo ultrapassasse os 27,9% dos votos do primeiro escrutínio.

E os outros partidos? Não nos esqueçamos de que PSD, PD e ASDT conseguiram na primeira volta das presidenciais um resultado muito perto dos 40%.

E do ponto de vista dos países vizinhos? Aí temos a Austrália, que já se arvora, com o beneplácito dos EUA e do Reino Unido, no "gestor" das questões político-militares da região. A Austrália quer ser a potência regional em todo o subsistema do Sudeste Asiático.

E o petróleo? Este será o grande problema timorense. Caberá ao novo presidente e ao Governo conseguirem manter a cabeça fria face às investidas australianas, e por que não dizê-lo, também indonésias.

A entrevista pode ser igualmente lida aqui onde poderão e deverão também ler uma excelente análise às eleições legislativas timorenses de 30 de Junho. Só se lamenta que o portal do JN não tenha incluído a análise aos candidatos que o suporte papel traz e que seria de muita ajuda para analistas e investigadores que usam, com mais frequência, este suporte informático e, também por lapso, não identificam o entrevistado, talvez pensando que toda a gente conhece a chipala do dito.

12 outubro 2006

Entrevista de Afonso Dlakhama ao NL

Fortíssima a entrevista de Afonso Dlakhama (ou Dhlakama) ao jornalista Jorge Eurico, do Notícias Lusófonas.
Se 10% do que lá está corresponder à verdade dos factos - que, conhecendo como conheço o jornalista, por certo, corresponderão na totalidade à verdade da entrevista - se 10% for verdade existe muita coisa que necessita de ser clarificada e que a Comunidade Internacional deverá impor à Frelimo a reposição da verdade e da legalidade política, social e democrática.
Há acusações graves - muito graves -, com nomes e tudo, que devem ser claramente ajuizadas e não deixar que a Justiça seja amesquinhada na sua génese.
Cabe ao Governo de Luísa Diogo atestar da veracidade destas fortes acusações.

30 setembro 2006

Alcides Sakala em entrevista ao JN

(foto©noticias lusófonas)

Uma interessante entrevista de Alcides Sakala, o actual líder parlamentar da Unita, ao jornalista Orlando Castro, do Jornal de Notícias.
Nessa entrevista Sakala aborda o seu novo livro “Memórias de um guerrilheiro; os últimos anos de guerra” (ed. D. Quixote, com prefácio de Maria Antónia Palla). Um livro que, infelizmente e apesar de já o ter há cerca de 2 semanas, ainda não tive oportunidade de o ler como desejaria, e cuja apresentação, em Lisboa, aconteceu na passada quinta-feira na Fundação Mário Soares; do livro Sakala realça que o mesmo não pretende ressuscitar fantasmas mas “permitir às presentes gerações entenderem melhor o passado, para construírem um futuro diferente, assente na tolerância, na inclusão e na justiça social”.
Mas Sakala, na entrevista ao matutino português, não se fica só pelo livro; será, talvez a parte mais currta da mesma. Vai mais longe.
Sobre Angola considera que 4 anos passados desde o fim da guerra civil já era tempo de haver uma verdadeira agenda política de reconciliação nacional realçando que o calendário eleitoral seria um dos mais importantes momentos num claro reencontro de angolanos; mas também aborda a reinserção social dos militares, a desminagem e o desarmamento civil, etc.
Aborda, ainda, as diferenças ideológicas entre a Unita e o Mpla, a centralização do poder e os vícios que ela encerra.

04 abril 2006

Entrevista ao Notícias Lusófonas

Por ocasião da visita de José Sócrates a Angola, o NL solicitou-me uma entrevista a que foi dada o título de «Empresários portugueses gostam pouco de arriscar» e que poderá ser lida, na íntegra, acedendo aqui.
Gostaria da vossa opinião, pelo que não se preocupem se atulharem os comentários.
Obrigado.

17 dezembro 2005

A entrevista ao JN


A entrevista dada ao Jornal de Notícias pode ser igualmente lida aqui e a análise clicando (e depois procurando o sinal de aumento) na imagem acima.

Adenda: Esta entrevista está citada, na íntegra, no Notícias Lusófonas (acedam aqui - espero!!)

Entrevista no JN

Segundo me alertaram hoje, na edição de amanhã do Jornal de Notícias - ou de hoje, 17.Dez.2005, consoante a hora que estiverem a ler este apontamento - sairá uma página sobre este vosso escriba e o livro "África, Trajectos Políticos, Religiosos e Culturais" bem assim uma entrevista efectuada há pouco tempo.
Vamos lá a ver como me saí. Aceitam-se críticas...

13 agosto 2005

Que Lusofonia?

Extracto de uma entrevista do jornalista e historiador Orlando Castro, do JN e NL, a uma estudante brasileira de Relações Internacionais, Patrisia Ciancio , e que pode ser lido, na íntegra, no sítio do Notícias Lusófonas:

PC. Por que Brasil e Portugal não exportam a Língua Portuguesa (e com ela hábitos e costumes) estimulando seu ensino em outros países, em uma ação conjunta, assim como a Aliança Francesa fez ao longo dos tempos com seus centros de cultura? Isso por um lado seria transformar os valores culturais em mercadoria, mas não deveria haver uma propaganda maior dessa riqueza? Quais são os maiores divulgadores da Língua Portuguesa hoje (as novelas, a música, esportes como a capoeira etc)? E em termos de ação governamental, o que é feito para difundir o idioma?

OC. Ao contrário do que fazem franceses e ingleses, os portugueses e os brasileiros (mais os lusos) têm por hábito deixar para amanhã o que deveriam ter feito ontem. Não existe, na língua como noutros sectores, uma conjugação estratégica de objectivos. Cada um rema para o seu lado e, é claro, assim o barco comum (a Lusofonia) não chega a nenhum porto. Há projectos sobrepostos, e muitas áreas onde ninguém chega. Ninguém não é verdade. Chegam os ingleses e os franceses. É claro que, pela sua universalidade, as canções são o maior veículo de difusão. Mas isso só não chega. Conheço gente em Angola que canta as canções do Roberto Carlos mas que, de facto, não sabe falar português. A CPLP deveria ser o organismo que, por excelência, poderia divulgar a língua. Está, contudo, adormecida. Quando acordar verá que a Lusofonia já morreu...

Serão necessárias mais palavras?