"A crise política da passada sexta-feira, dia de 15 de Julho de 2016, ocorrida na Turquia e que, supostamente, teria como meta final a deposição do regime do presidente Erdogan, tem mostrado ao longo dos dias subsequente algumas discrepâncias e alguns “efeitos” pouco claros face à possível existência de um eventual Coup d’ État (Golpe de Estado), ainda mais militar. Senão vejamos:
26 julho 2016
O Golpe na Turquia foi o Reichskristallnacht (Noite de Cristal) de Erdogan? - artigo
"A crise política da passada sexta-feira, dia de 15 de Julho de 2016, ocorrida na Turquia e que, supostamente, teria como meta final a deposição do regime do presidente Erdogan, tem mostrado ao longo dos dias subsequente algumas discrepâncias e alguns “efeitos” pouco claros face à possível existência de um eventual Coup d’ État (Golpe de Estado), ainda mais militar. Senão vejamos:
04 julho 2013
Egipto, e a democracia caiu nas ruas
Este texto foi transcrito no portal do jornal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/news/mundo/06-07-2013/34881-egipto_ruas-0/)
22 maio 2012
CEDEAO posta em causa por causa dos golpes…
19 abril 2012
Guiné-Bissau: Militares e oposição assinam acordo…
Apontamento transcrito no portal Guiné-BissauDocs (http://guinebissaudocs.wordpress.com/2012/04/19/analise-pululu-guine-bissau-militares-e-oposicao-assinam-acordo/) e publicado como Manchete do Notícias Lusófonas
12 abril 2012
Mais um Golpe na Guiné-Bissau?
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22 março 2012
Coup d’État no Mali

Quem dizia que África estava a dormir, o Mali hoje desmente.
Mais um Golpe de Estado militar e em vésperas de eleições presidenciais onde, paradoxalmente, o actual presidente, Amadou Toumani Touré, não era candidato...
A nova Junta Militar, dirigida pelo capitão Amadou Sanogo, líder do Golpe, tomou conta do poder, tendo já sido contestado pela CEDEAO.
Mais uma flecha bem apontada às legítimas pretensões da União Africana em ser credível e em querer a manutenção de um legítimo e legal status quo institucional.
Entretanto, o presidente deposto ter-se-á abrigado no quartel de Djikoroni-Paras, em Bamako, dos comandos pára-quedistas. De notar que Touré foi, também ele, um militar desta corporação.
Recorde-se que o Mali é conhecido por ter uma guerrilha tuaregue muito activa e por acoitar – embora nunca claramente provado – activas milícias da Al-Qaeda.
01 abril 2010
Guiné-Bissau de novo em crise?
Segundo fontes em Lisboa o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, e o chefe das Forças Armadas, Zamora Induta, terão sido feitos reféns por militares hoje de manhã na capital guineense.
Ainda não se sabe bem se houve alguma tentativa de Golpe de Estado ou alguma das habituais e persistentes movimentações militares por que, ciclicamente, passa o País.
Uma primeira análise só aquelas duas personalidades estarão sob alçada dos militares, sendo que o premiê já terá sido reconduzido ao seu gabinete enquanto o paradeiro de Induta estará em situação de desconhecido ou, eventualmente, morto como anuncia o jornalista Aly silva no seu blogue “Ditadura do Consenso”, onde poderemos acompanhar desenvolvimentos do processo.
Vamos esperar que realmente os militares não queiram "mais golpes de Estado", como fazem questão de apresentar como uma das suas palavras de ordem.
O certo é que quem parece comandar estas movimentações era o homem que estava “resguardado” nas instalações das Nações Unidas há cerca de 90 dias após regresso “secreto” da Gâmbia para onde se tinha refugiado: falo do almirante Bubo Na Tchuto acusado, em tempos, de atentar contra Nino Vieira.
Estranho, ou talvez não…
23 fevereiro 2010
No Níger o líder da Junta autoproclama-se Presidente
(imagem Internet)“O chefe de Esquadrão Salou Djibo, líder da Junta que derrubou quinta-feira passada o Presidente Mamadou Tandja, proclamou-se chefe de Estado do Níger, segundo um decreto publicado segunda-feira à noite.
No decreto assinado por Salou Djibo, o Conselho Supremo para a Restauração da Democracia (CSRD) é investido de poderes legislativos e executivo até a instauração das novas instituições democráticas, das quais ele é a instância suprema de concepção e orientação da política da nação.
O Presidente exerce as funções de chefe de Estado e de Governo, nomeia o primeiro-ministro, bem como os outros membros do Governo de transição e põe termo às suas funções, precisa o decreto.
A Junta decidiu igualmente criar, ao invés do Tribunal Supremo dissoluto, um Tribunal de Estado cuja composição, atribuições e funcionamento são fixados por decreto do Presidente do CSRD.
Os militares no poder decidiram também instituir um Comité Constitucional em substituição do Tribunal Constitucional.
O CSRD instaurou igualmente um Observatório Nacional da Comunicação que substitui o Conselho Superior da Comunicação (CSC).
Um órgão encarregue de preparar os textos fundamentais da República, nomeadamente a Constituição e o Código Eleitoral, vai igualmente ser criado.
O projecto de Constituição será adoptado pelo povo nigerino por via de referendo no termo dum período que será determinado pelo CSRD, que vai depois deixar o poder às novas instituições democráticas.
A Junta anunciou que um calendário dos diferentes processos políticos será publicado ulteriormente.” (fonte: ANGOP)
Comentário: E assim, e uma vez mais, a União Africana foi total e completamente ultrapassada.
19 fevereiro 2010
Níger, bem que a UA tenta, mas…
(imagem via Internet)Uma vez mais a força das armas sobrepôs-se á prudência e à diplomacia em África.
Uma vez mais, ocorreu um Golpe de Estado no Continente africano, desta feita – como de outras quando convém e interesses externos são mais fortes – sob a capa de restauração da Democracia.
Começa ser panaceia de alguns títeres e seus aliados usar este estratagema para vingar Golpes. Até pode ter sido mesmo o caso. Mas isso teria de ter sido logo tomado em conta quando o presidente nigerino decidiu provocar uma alteração constitucional – como ocorreu em outros sítios, por exemplo na América Latina – para se manter, ou prorrogar, o seu cargo presidencial.
Ontem um grupo de militares acoitados numa sigla CSRD (Conselho Supremo para a Restauração da Democracia) derrubou o regime do presidente Mamadou Tandja, detendo-o, juntamente com outros ministros, num qualquer quartel, em Tondibia, creio, algures a sudoeste de Niamey, a capital do País e no edifício do Conselho Superior de Comunicação, que ficaria próximo ao palácio presidencial.
Segundo o porta-voz dos militares revoltosos, coronel Goukoye Abdoul Karimou, que reconheceram que na refrega do Golpe houve vítimas mortais entre seus camaradas que defendiam o palácio presidencial, o presidente derrubado estariam a ser bem tratado e que alguns ministros já estariam em situação de serem colocados em Liberdade.
Até pode ser verdade. Até pode ser indesmentível. Mas se existia um Parlamento era junto dele, apesar de todas as crises políticas que persistissem desde a tal alteração constitucional, que o Povo deveria pedir a demissão do presidente.
África, em geral, e nigerinos, em particular, teriam dado mostras de um civismo a toda prova.
Já bastou Madagáscar e Guiné-Konakri para mostrar como a vontade política da União Africana é igual a nada!
O problema do Níger, pode não dever se chamar Tandja, mas haver quem persista insinuar que o seu precioso urânio está – ou pode estar – a ser tradado pelos homens da Al-Qaeda (isso, se realmente ainda existir uma Al-Qaeda ou se esta já não será desculpa para certos factos que alguns querem aproveitar para benefício próprio, em nome de um dogma religioso, com o acordo tácito daqueles que mostram sempre necessitar de um “inimigo” para justificar actos menos próprios…)
12 agosto 2009
Golpe no Lesoto, será…?
Parece, porque a comunicação social, veiculando notícias fornecidas pelo próprio Governo de Moçambique (or Mozambique – perguntem à Frelimo e à Renamo), indica que seus nacionais terão estado envolvidos neste eventual acto externo tendo sido mortos 4 moçambicanos e detidos outros 5 num pretenso grupo de 13 mercenários.
É estranho que só agora as notícias tenham ocorrido principalmente quando quem, na prática, quem gere os destinos políticos e governativos do pequeno reino sotho incrustado na África do Sul é, precisamente, este país.
Mas se o embaixador moçambicano na África do Sul e no Lesotho, Fernando Fazenda, o afirma e diz que queriam derrubar o Governo do premiê Pakalitha Mosisili, é porque tem razão. Só não se entende, à parte de haver necessidade de apurar a efectiva nacionalidade dos envolvidos que tudo tenha estado no segredo dos deuses…
Segundo o que se sabe, os moçambicanos, na maioria antigos militares desmobilizados, teriam sido recrutados como seguranças para os Estádios do Mundial da África do Sul, do próximo ano, e quando estava numa região do estado de Orange é que tomaram conhecimento da sua real missão.
Sendo, como já afirmei atrás que a África do Sul é quem, efectivamente, gere os destinos deste pequeno reino de 30.355 km2, onde nada se passa sem que os sul-africanos saibam, torna-se evidente que a história está demasiadamente mal contada.
Esperemos que as autoridades moçambicanas aprofundem a matéria e tragam à tona o que efectivamente aconteceu.
A SADC e os países da zona por certo agradecerão…
E Moçambique, por certo, ainda mais. É que se conseguem arregimentar pessoas da forma que o fizeram e para os fins em causa, com os problemas sociais que persistem em Moçambique, e com as eleições tão próximas com partidos descontentes quem garante que o mesmo não possa vir a acontecer na Princesa do Índico… ou num outro qualquer lugar onde o mesmo acontece?
E tudo isto “aparece” 100 dias após o início do consulado de Jacob Zuma e da visita de Hillary Clinton à África do Sul…
05 junho 2009
Eleições adiadas na Guiné-Bissau?
É certo que a Constituição Bissau-guineense, no seu artigo 110º, parece prever que em caso de incapacidade ou óbito de um candidato as mesmas sejam adiadas.
É também certo e inequívoco que um candidato foi assassinado – porque um grupo de forças militarizadas armadas que atinge um candidato com tiros na barriga e na cabeça não mostra ser auto-defesa mas execução – o que, desde logo potencia a que seja aplicado o nº 4 do artigo 100º da Constituição, ou seja, que o Chefe de Estado, por acaso interino, marque – adie – novas eleições.
Mas também é certo que este caso só aconteceu – ou aconteceu – precisamente na véspera do início da campanha eleitoral, quando os principais responsáveis do País, estavam fora do mesmo e quando o Procurador-geral da República afirmava que só faltava ouvir um deputado sobre as mortes de “Nino” Vieira e de Tagmé Wai.
Também é estranho que circule informações que os eventuais insurrectos estivessem a preparar um Golpe para anular fisicamente os principais líderes do Pais e, ao mesmo tempo, também afirmem que o Golpe era para acontecer quando esses mesmos líderes estivessem, como estão, fora do País.
Incongruências a mais num Golpe onde os eventuais responsáveis foram “calados” definitivamente!!
Posso não concordar com muitas das coisas que diz ou fez, mas não posso deixar de aplaudir, embora baixinho, a proposta de Francisco Fadul, o ainda presidente do tribunal de Contas, quando afirma que é altura da CPLP e CEDEAO juntarem forças militarizadas, sob a tutela e mandato da ONU, e tomar conta do País durante um período que considerassem conveniente para recuperar o mesmo.
A fazer fé na condenação que Luanda já fez dos assassinatos – e usemos as palavras correctas por muito que os autores pudessem ser golpistas – parece que também daqui haveria apoio a esta solução.
Parece-me que, por muito menos, a ONU já o fez noutros lugares e o País e a População Bissau-guineense iriam aplaudir e não seria baixinho…
Parece cada vez mais claro que alguém não quer a estabilidade da Guiné-Bissau. Quem?... assumam-se os verdadeiros culpados e coloquem-nos sob tutela de um Tribunal Internacional contra crimes humanitários, porque é isso que parecem estar a fazer na Guiné-Bissau!!
Guiné-Bissau de novo em crise…
(Tanque em Bissau; imagem via Internet)O candidato presidencial Baciro Dabó, foi assassinado, esta madrugada na sua residência.
Até aqui, independentemente de ser mais um assassínio, mais uma vida estupidamente tirada, nada teria de estranho ou de mais um acto cobarde de quem não sabe dirimir as diferenças por outros meios que não a violência. E, uma vez mais, os assassinos estariam vestidos com roupas militarizadas e fortemente armados.
O grave é que a sua morte parece ter despoletado outras vítimas.
Segundo a Direcção-Geral dos Serviços de Informação do Estado da Guiné-Bissau (DGSI), por detrás da morte do candidato estaria uma eventual tentativa de golpe de Estado liderada pelo antigo ministro da Defesa, Hélder Proença. E de acordo com um vídeo da Lusa também Dabó estaria eventualmente ligado à citada tentativa
O mais grave é que, tal como em outros assassínios inexplicáveis, o eventual líder da não menos eventual tentativa de golpe foi morto.
Ora se nos tomarmos como válidas as insinuações da DGSI que o eventual líder teria vindo de Daccar para coordenar as operações, estaremos perante uma implícita acusação de que Senegal estaria por detrás desta crise.
E, de facto, reconheçamos que quase todas as crises por que tem passado a Guiné-Bissau mostram que há mãozinhas externas ao País e aos Bissau-guineenses.
Parece que alguém teme que o País possa singrar quando começar a explorar os hidrocarbonetos.
Parece que os poderes instituídos na região temem uma Guiné-Bissau próspera, desenvolvida e em Paz.
Por onde anda a CPLP, a ONU ou a União Africana? Pode parecer absurdo o que irei afirmar, mas avalio como sendo altura de João Miranda pôr em prática as suas ideias já aventadas e colocar a Guiné-Bissau sob a “ordem” da Comunidade Internacional.
Quanto mais não seja para protecção do próprio País e do seu Povo!!!"
, como Manchete, juntamente com artigos de Jorge Eurico e Orlando Castro, sob o título “Mortes e golpes não deixam a Guiné em paz” Guiné-Bissau e nova crise
Parece que a Guiné-Bissau viveu mais uma etapa negra na sua vida enquanto País com mais uma tentativa de Golpe de Estado onde, parece, estariam implicados dois ex-ministros do País, um dos quais candidato presidencial e, pasme-se ou talvez não, o outro dos implicados teria regressado recentemente do Senegal para coordenar as operações.Lamentavelmente, e uma vez mais, os eventuais líderes da intentona foram mortos pelo que nunca saberemos as reais intenções que estariam por detrás deste absurdo acto.
Vamos aguardar e, quem sabe, a eventual existência de outros participantes – porque um qualquer Golpe não se faz só com duas pessoas – possa ser conhecida e eles falem…
21 março 2009
Todos somos democratas desde que…
(imagem Google)Mais recentemente vimos, na Guiné-Bissau, como a morte de dois líderes antagónicos no Poder e, segundo falam os mujimbos (boatos), também em negócios menos ponderados, pôde ter transformado crimes – porque de crimes se trataram independentemente das cogitações dos mesmos – em quase Golpe palaciano com a pressa na eleição de um Chefe de Estado-Maior, facto que é da responsabilidade do Presidente eleito em vez, como se verificou, do Governo o qual se prepara para ver o seu líder ser candidato à Presidência.
Mais anteriormente assistimos a dois casos claros de tomada de poder por militares, sob o protesto de má -governação ou vazio do poder. Foram os casos da Mauritânia, na primeira situação, e da República da Guiné (Conacri), na segunda. Ou, e de certa forma também o foi, embora por razões partidárias e de má convivência, a queda de Thabo Mbeki, na África do Sul.
Porque, parece, que o poder volta a estar a ser um facto apetecível para certos “democratas” temos assistido na República Malgache (Madagáscar) a uma clara tentativa de tomada de poder por parte de um “jovem turco” e ex-presidente da Câmara de Antananarivo, Andry Rajoelina. (...)" (continue a ler aqui)
20 março 2009
Madagáscar vê, finalmente, a SADC falar…
Demorou, provavelmente houve a necessidade de jogar com as palavras para não ferir certas sensibilidades “democráticas”, mas ontem, finalmente, a SADC – Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, lá disse da sua justiça quanto à tomada de poder pelo “jovem turco TGV – Tanora malaGasy Vonona (Dinâmico jovem malgaxe),” e ex-DJ e demitido presidente de Antananarivo (esteve entre Dezembro de 2007 e Fevereiro de 2009), Andry Rajoelina.A SADC considerou inconstitucional a tomada do poder, e as atitudes subsequentes, com o apoio de militares revoltosos – pela primeira vez os militares malgaxes participaram num golpe no País –, de Rajoelina que, não satisfeito pela tomada “provisória” de dois anos – se não for mesmo quatro ou seis, como adiante explicarei – dos destinos presidenciais e governativos do País, mandou suspender o Parlamento Nacional.
É que apesar da Corte (Tribunal) Constitucional ter reconhecido a tomada de poder e a posse do Governo da Autoridade de Transição, a Constituição afirma que só pode ser candidato – logo presidenciável – quem tiver prefeito 40 anos de idade o que não se passa com Rajoelina que só tem 34 anos e incompletos (nasceu em 1975, mas já há portais que o dão como nascido em 1974; daqui a alguns dias ainda vamos ver como nascido em 1969…).
A SADC quer, segundo o seu secretário executivo, Tomás Salomão, que as nações Unidas, a Comunidade Internacional e a União Africana concertem esforços, juntamente com a SADC, para resolver este problema criado pelo TGV Rajoelina e pelos militares que o apoiam.
A SADC não esquece, e ameaça por isso com sanções, que os “golpistas” derrubaram um presidente eleito democraticamente.
18 março 2009
Madagáscar, quem manda o quê e quem?
Depois de cerca de três meses de uma profunda crise social e política o presidente malgaxe, Marc Ravalomanana, eleito democraticamente – parece que só há democracia quando os eleitos são os nossos ou nós – transferiu o cargo para uma Junta militar constituída por militares de alta patente, a maioria já na reserva, polícia e polícia militar.
Todavia, e na véspera, um grupo de militares, liderados pelo vice-almirante Hyppolite Ramaroson, revoltou-se, entrou no palácio presidencial para deter Ravalomanana e, contrariando a ancestral postura do sector castrense malgaxe, anunciou a queda do Governo de Ravalomanana.
No mesmo dia, o jovem turco TGV Andry Nirina Rajoelina, antigo DJ e, até Fevereiro passado quando foi demitido do cargo, presidente da Câmara de Antananarivo, capital do Madagáscar, assumiu-se como presidente da autoproclamada Autoridade Suprema da Transição para governar o País contando com a ajuda do vice-almeirante revoltoso.
Estranha-se o silêncio da Junta Militar tal como se estranha a rápida atitude do presidente da Alta Corte Constitucional de Madagascar (HCC), Jean-Michel Rajaonarivony, que reconheceu a transferência de Ravalomanana como uma renúncia e acolheu Rajoelina como presidente tendo decidido que dentro de um prazo de dois anos deverá acontecer eleições presidenciais na quarta maior ilha do Mundo.
Tão estranho quanto se sabe que Rajoelina, constitucionalmente, não tem idade mínima – nasceu em 1975 – para ser presidente o que só irá acontecer dentro de dois anos.
Vamos aguardar pela atitude dos antigos militares malgaches, pela efectiva e clara atitude da União Africana, da Comunidade Internacional e, principalmente da SADC de quem ainda não me parecebi que tenha feito alguma consideração.
Parece-me que a SADC continua, democraticamente, a acoitar “certos democratas” desde que sejam, unicamente, os que se intitulam assim, mesmo que os eleitos democraticamente, pelo voto directo – repito, directo, – e explícito do Povo sejam outros…
22 fevereiro 2009
Guiné-Equatorial e STP sob os mesmos interesses?
Posteriormente, e no seguimento ou por causa disso e de observações pouco claras de dirigentes políticos nacionais, o presidente Fradique de Menezes numa reunião com pessoas muito próximas terá deixado sair que estaria farto e pronto a bater com a porta – leia-se, demitir-se.
Entretanto, na madrugada da passada terça-feira, 17 de Fevereiro, um alegado grupo de indivíduos terá desembarcado em Malabo, capital da Guiné-Equatorial, e tentado invadir o palácio presidencial, onde se acoita Teodoro Obiang Nguema que, segundo a revista Forbes, é só um dos homens mais ricos de África. Num país onde a riqueza do petróleo não se reflecte, nem pouco mais ou menos, na vida dos guineenses.
Se alguns foram detidos, cerca de 15, outros há que estão feridos e outros terão perecido em alto mar depois de alvejados pela Marinha da Guiné-Equatorial (estarão no fundo do mar como terá dito o ministro da Informação e porta-voz do governo, Jerónimo Osa).
Onde há partida poderia parecer nada haver mais que uma mera coincidência de actos e datas, esbate-se quando os eventuais membros atacantes parecem pertencer ao Movimento de Emancipação do Delta do Níger (MEND). Um grupo nigeriano, que, segundo consta, terá interesses junto dos ex-Búfalos santomenses.
Tal como já referi, por mais de uma vez, sempre que um destes países se aproxima de um dos potenciais países-directores da região – Angola ou Nigéria – acontece sempre alguma coisa.
Quer STP como a Guiné-Equatorial começavam, directa ou indirectamente, a aproximarem-se mais de Angola. São Tomé através dos contratos que terá celebrado com Angola, via Sonangol; a Guiné-Equatorial, pela cada vez maior proximidade da CPLP via STP.
Nenhuma destas situações agrada à Nigéria. Mas porque esta imagem também não satisfaz aos nigerianos, estes já desmentiram a proximidade do grupo á Nigéria, esquecendo-se que têm sido eles que, recentemente, criara, problemas em Dacca e nalgumas regiões dos Camarões além de ir conseguindo raptar pessoas e destruir interesses estrangeiros, bem assim praticar alguns actos de pirataria, sem que, assim parece, a Nigéria mostre ter condições de os impedir.
Como há dias afirmava a um amigo santomense, cada vez mais se parece que se torna mais vantajoso para STP ser um porta-aviões da marinha americana, podendo assim, ser mais facilmente defendível dos “amigos da onça”, mesmo que isso implique sair um pouco da CPLP; mas também quando um responsável de uma progressista empresa de exportação portuguesa afirma que STP faz parte da zona francófona como os Camarões, Gabão, Senegal, Costa do Marfim ou Chade que interessa se falam português ou inglês com sotaque do tio Sam?
Sabe-se que na região esta vontade norte-americana em estabelecer bases na zona é malquista devido a um possível incremento do fundamentalismo islâmico na região. Mas não será isso uma esfarrapa desculpa para impedir essa entrada e manter o actual status quo?
31 dezembro 2008
Como pode haver surpresa?
Um dirigente Bissau-guineense da Liga Guineense dos Direitos Humanos ficou surpreendido e desagradado pelo presidente João Bernardo (dito Nino) Vieira ter recebido e saudado o número dois do Golpe de Estado ocorrido na Guiné-Conakry após a morte de Conté.E mais surpreendido ficou quando os dirigentes golpistas estão sob a alçada da União Africana e esta organização ameaçou suspender a República da Guiné.
Só se sente surpreendido quem anda um pouco distraído. Como poderia o senhor presidente “Nino” Vieira não receber quem o andou apoiar nos diferentes e diversos golpes por onde andou metido.
Basta relembrar 1984, 1998 ou os diferentes hipotéticos golpes contra Nino em 2008.
Quem não se recorda do regresso de Nino a Bissau a bordo de um helicóptero do exército de Conacry?
Era impossível não receber e saudar, como saudou, o número dois do golpe.
23 dezembro 2008
Guiné-Conakri, presidente morto, militares no poder
Segundo a Constituição guineense que estava em vigor, o presidente da Assembleia Nacional deveria assumir a direcção do país, provisoriamente, até a realização de eleições presidenciais, no prazo de 60 dias.
Segundo, porque os militares, pela voz de um capitão Musa Dadis Câmara, decidiram tomar as rédeas do poder ao demitirem o Governo, dissolveram as instituições republicanas, além da suspenderem a Constituição.
De acordo com o comunicado lido na rádio estatal, os militares terão constituído um "conselho consultivo" integrado "por civis e militares" denominado Conselho Nacional da Democracia e Desenvolvimento (CNDD) que estará encarregue de nomear um novo primeiro- ministro com vista à formação dum Governo para "assegurar o funcionamento do país".
Outra das declarações dos militares foi declarar a CNDD ligada aos princípios da carta da União Africana e da CEDEAO. Uma forma inteligente dos militares tornearem as eventuais sanções – inoperantes e inconsequentes – da União Africana quanto a golpes de Estado (inoperantes e inconsequentes como mostraram no Golpe de Agosto na Mauritânia).
De certeza que as preocupações dos seus dois vizinhos do nor-nordeste serão muitas; apesar que os restantes também não estejam sossegados. Todavia há que primeiro esperar pelos desenvolvimentos políticos e ver para que lado caiará, realmente, o poder e quem mandará, efectivamente, na Guiné-Conacri.
24 novembro 2008
Nota rectificativa sobre comunicado de “Nino” Vieira e os factos estranhos mantém-se…
Quando estou errado gosto de retractar-me e, sempre que possível, rectificar o erro: ontem escrevi aqui que Nino falou ao país via porta-voz. Foi isso que a generalidade da Comunicação Social portuguesa deu à estampa por via de uma nota da LUSA.Mas como a verdade deve ser dita, vi hoje na RTP-África que afinal Nino falou ao Povo, com aquela expressão de quem nada deve e a quem quiseram tirar um chupa-chupa.
Ou será, como os dois analistas contactados pelo Jornal de Notícias referiram, Nino se quer mostrar como uma vítima “perante a sociedade e os países daquela região de África” e, em caso disso implantar o Estado de sítio para que os resultados das eleições, que, quer alguns queiram quer não, foram contrários aos interesses do Presidente; Gomes Jr não quer o reforço da autoridade do Presidente, ao contrário deste, e nunca ninguém explicou como um partido, o PRID, que se reflectia em Nino apareceu do nada e com tanto kumbu… para já não falar das acusações atempadas de Gomes Jr e de Kumba Ialá a “Nino” Vieira. Acusações que lhes valeram umas visitas à PGR Bissau-guineense mas que nunca foram levadas, até ao presente, a Tribunal. Porque será?
Como também ainda não explicou como e porquê contactou primeiro o seu homólogo senegalês, que colocou logo um avião à sua disposição, não contactou o CEMGFA, general Tagmé Na Wai – ah! sim, estava doente e só por isso, de acordo com a conversa tida por Wade com o correspondente da RFI, não poderia ser associado ao Putsch – e como o tiroteio durou três horas sem que os restantes militares tenham tido qualquer interferência conhecido para acabar com o ataque.
Factos estranhos que ocorreram na madrugada de domingo de 23 de Novembro. Tão estranhos que um Putsch foi liderado por um subalterno da marinha, por acaso já indicado por uma qualquer tentativa de Golpe, de Agosto passado – estranho, não é? –, colocado a vários quilómetros de distância da capital, que parece seria do conhecimento do Ministério da Administração Interna sem que este pusesse a recato o casal presidencial – que nada sofreu em três horas de tiros e morteiros, dado parece ter ficado acolhido numa sala do interior da casa, que só sofreu embates de balas na parede exterior e um pequeno buraco no tecto; diga-se um buraco um pouco estranho pelo formato, mas como não sou perito em balística… – e o líder do Putsch já terá sido detido, faltando saber se alguma vez se apresentará a Tribunal. Basta recordar como terá desaparecido Ansumane Mané…



