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26 julho 2016

O Golpe na Turquia foi o Reichskristallnacht (Noite de Cristal) de Erdogan? - artigo


"A crise política da passada sexta-feira, dia de 15 de Julho de 2016, ocorrida na Turquia e que, supostamente, teria como meta final a deposição do regime do presidente Erdogan, tem mostrado ao longo dos dias subsequente algumas discrepâncias e alguns “efeitos” pouco claros face à possível existência de um eventual Coup d’ État (Golpe de Estado), ainda mais militar. Senão vejamos:


1. As rádios, televisões e outros organismos governamentais considerados importantes são dos primeiros objectivos a serem tomados. Só a televisão pública é que foi tomada. Também as páginas sociais, quando há crises, são sempre das primeiras medidas a tomar: bloquear o seu acesso e evitar eventuais fugas de informações. Todavia, havia uma para o sr. Erdogan poder falar e para uma Tv privada; ora depois de “restaurada” a legalidade constitucional, foi uma das primeiras medidas do “Governo” de Erdogan: bloquear todos os acessos a páginas sociais!...

2- Todos os partidos, incluindo o partido pró-curdo e o principal opositor, o mullah Gülen (acusado por Erdogan de ser o instigador do "golpe") condenaram a tentativa de Golpe de Estado.
3. Falou-se que Erdogan tinha pedido asilo à Alemanha que teria recusado e ter-se-ia deslocado para o “seu inimigo fidalgal persa” onde teria aterrado em Teerão. Só que menos de 1 hora depois estava sobrevoar Instanbul. Como é possível?

4. Erdogan afirma que a “Revolta” (reparar que ele não chama de Golpe) foi um presente de Deus para “limpar” o Exército.

5. Resultado não só os militares estão a ser objecto de “limpeza” – entre eles o general Adem Huduti, comandante do Segundo Exército a ser a figura de patente mais elevada a ser detida por alegada ligação ao golpe – como também magistrados (?!). Se o golpe era militar, porquê os magistrados? Já são mais de 7000 detidos, incluindo cerca de 2750 magistrados, entre eles dez magistrados do Supremo Tribunal Administrativo e um Juiz do Tribunal Constitucional! Também ocorreram inúmeras detenções e suspensões em massa de funcionários no aparelho de Estado (cerca de 9000 pessoas).

6. Registe-se que durante o Golpe, revolução ou, mais provavelmente, Intentona, pilotos rebeldes de dois caças F-16 terem tido na sua mira o avião presidencial que transportava Erdogan no regresso das suas férias perto da estância de Maramaris. Podiam tê-lo abatido ou interceptado mas não o fizeram. “Pelo menos dois F-16 se puseram no caminho do avião de Erdogan quando este seguia a sua rota em direcção a Istambul. Foram detectados nos radares, bem como a outros dois F-16 que o protegiam”, terá revelado à agência Reuters um antigo militar na análise sobre os eventos da noite de 15 de Julho. “O motivo por que não dispararam é um mistério”, concluiu o antigo militar. Será que foi mesmo um mistério? E porque os F16 que protegiam o avião de Erdogan – pelo menos um deles – não foram ao encalce dos supostos aviões rebeldes?

7. Como é que o segundo maior exército da NATO se “acanhou” perante os civis – as fotos internacionais assim o mostram (acobardados e encolhidos como crianças apanhadas em falta) –, quer na rua, quer principalmente, na televisão pública em que foram rapidamente manietados e enxovalhados pelos jornalistas?

8. Exigiu aos EUA a entrega do mullah Muhammed Fethullah Gülen acusando-o de instigador do Golpe. Os EUA já avisaram que só o entregarão se a Turquia provar as acusações. Recorde-se que Gülen foi um antigo aliado de Erdogan e seu inspirador religioso.

9. O presidente Erdogan – sublinhe-se, é sempre o presidente que fala e não o primeiro-ministro e Chefe de Governo, demonstrando querer o que não tem conseguido, reforço presidencialista do sistema – avisou todos os países que acolhem eventuais acusados ou revoltosos que se não os entregarem estarão em guerra com a Turquia. Resumindo, está a comprar um litígio com a Grécia (deteve um helicóptero com 8 militares fugidos) e, principalmente, com os EUA, por causa de Gulën. Note-se que Erdogan terá sugerido que Washington DC poderá ter sido cúmplice da tentativa de golpe, levando o Departamento de Estado norte-americano através de comunicado a alertá-lo que “Insinuações públicas ou afirmações relativas a um qualquer papel dos EUA no golpe falhado são absolutamente falsas e fragilizam as relações bilaterais”.

10. Uma das primeiras medidas do Governo (??) turco foi suspender "temporariamente" as acções aéreas, a partir da base aérea turca de Incirlik de onde partem os aviões da coligação ocidental contra o Daesh. Estranho? Ou talvez não, baseado nas diversas acusações de russos e outras personalidades e analistas internacionais de que há turcos (alguns, familiares de Recep) que tratam com o ISIS/EI/Daesh. Em consequência a base aérea de Incirlik, quase inteiramente ocupada pela aviação norte-americana e aliados foi alvo de buscas por dois procuradores interinos turcos, acompanhados pela polícia, iniciaram buscas na base aérea de Incirlik, conforme noticiou a agência governamental turca Anadolu. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, ed. 441, de 22 de Julho de 2016, páginas 14 e 15 (Análise – e sob o ante-título da responsabilidade do Novo Jornal «Entre o oportunismo político e a realidade»)

04 julho 2013

Egipto, e a democracia caiu nas ruas

Depois de vários dias de manifestações na celebrada Praça Tahir e de um ultimato de 48 horas o Exército egípcio derrubou - esta é a palavra certa, independentemente dos factos que o antecederam - o presidente eleito (na boca das urnas, logo legítimo) e colocou - temporariamente, segundo eles - como Presidente de transição, o presidente do Supremo Tribunal Constitucional do Egipto, Adli Mansur.

Uma das razões apresentadas pelos manifestantes e acolhidas pelos militares foi que Mohamed Morsi procurava extrapolar as suas competências constitucionais - que já tinham sido colocadas em causa pelo próprio Morsi e que foram agora suspensas pelo Exército - e tornar o Egipto num estado islamita governado por si e pela Irmandade Islâmica.

Esta é uma situação que deve ser ponderada por outra potência de raiz islâmica mas de governação laica e que também ela tem um forte e estruturado exército: a Turquia. Ou seja, o senhor primeiro-ministro e auto-assumido todo poderoso governante turco, Recep Tayyip Erdoğan, deve olhar para a sua esquerda e ponderar as consequências.

À pala da Arabe Spring há golpes de Estado apoiados, celebrados e aplaudidos pelas ruas!

Este texto foi transcrito no portal do jornal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/news/mundo/06-07-2013/34881-egipto_ruas-0/)

22 maio 2012

CEDEAO posta em causa por causa dos golpes…


Supostamente a CEDEAO como organização regional dentro da União Africana e a esta subordinada – assim o pensamos – deveria condenar, com todas as forças toda e qualquer atitude que pusesse em causa os princípios constitucionais dos seus Estados-membros e,, naturalmente, Estados subscritores das determinações dimanadas da Comissão da União Africana e dos seus Conselhos de Ministros.

Deveria, mas como recentemente verificámos com os golpes de Estado no Mali e na Guiné-Bissau isso não está a acontecer.

Ou seja, quando caminhamos para a celebração dos 49 anos da Unidade Africana constatamos que ainda perdura a vontade das armas – a grande maioria dos Golpes de Estado têm forças castrenses por detrás – ou a supremacia neocolonial – quase sempre nas crises da África Central e do Sahel, está o Quai d’ Orsay / DGSE e ou o Foreign Office / SIS.

Pois ao arrepio de tudo o que a União Africana tem preconizado e declarado, a CEDEAO, apesar de criticar e sancionar os golpistas não só nada fez contra eles como tem implantado novos Presidente e Governos.

Foi assim no Mali onde o novo presidente reconhecido pela CEDEAO é o líder golpista como o foi na Guiné-Bissau onde o presidente em exercício até futuras – nem que seja lá para as calendas – eleições é o antigo presidente da Assembleia Nacional Popular e, pasme-se – ou talvez não – o terceiro posicionado nas recentes e não completadas eleições presidenciais, Serifo Nhamadjo, e um Governo decidido entre os golpistas e as poucas fontes que os apoiam.

Se na Guiné-Bissau ainda há alguma poeira no ar, embora sem grandes tempestades, no Mali manifestantes invadiram o palácio governamental e agredira o líder colocado no poder por acordo entre golpistas e CEDEAO que teve de obter tratamento.

Triste, deplorável, que os dirigentes da CEDEAO também lá não estivessem para poderem melhor ponderar o que lhes pode esperar.

É que um dos supostos actuais líderes da CEDEAO e seu actual presidente em exercício, parece andar a esquecer como chegou ao poder…

19 abril 2012

Guiné-Bissau: Militares e oposição assinam acordo…


(A calma que as aves nos oferecem de lição: foto Jorge Rosmaninho)

Segundo o porta-voz do auto-intitulado Comando Militar e um designado porta-voz de forças políticas de Oposição foi negociado e assinado, ontem, um acordo de transição político-militar de dois anos, no fim dos quais, o poder transitaria para os civis.


À partida tudo indicaria ser um gesto de compromisso interessante e de bom senso. À partida, só que…

Os dirigentes depostos continuam presos ou escondidos e acossados sem direitos alguns.

Sabe-se que a Cruz Vermelha Internacional terá visitado, também ontem, os dois mais altos dignitários políticos da Guiné-Bissau, tendo-os entregues roupas, medicamentos e artigos de higiene. Mas eles continuam detidos…

Os ditos partidos da Oposição, onde se inclui o PRS cujo presidente, Koumba Yalá, esteve, ainda há dois dias, rejeitar o Golpe (?!), aceitam que a actual Constituição seja só “parcialmente respeitada” e que a “Assembleia seja "declara extinta" pelo Comando Militar bem assim confirme a destituição do Presidente interino e do Governo, e saliente que os partidos políticos declaram manter a organização do poder judicial, civil e militar e manter a chefia militar vigente”.

Segundo o comunicado lido pelo porta-voz dos oposicionistas no fim dos dois anos de transição haverá eleições simultâneas das presidenciais e legislativas, com base num recenseamento biométrico e de raiz e com a participação de eleitores guineenses na diáspora.

Se bem nos recordamos esta não é a primeira vez que existe um Golpe de Estado efectivo ou frustrado na Guiné-Bissau.

Tal como das outras vezes, também a vontade castrense e dos políticos oposicionistas em ver o País caminhar para a Democracia e estabilidade política com os militares confinados nos quartéis tem sido a prerrogativa dos Golpes.

E quais têm sido os resultados?

Golpes seguidos de Putschs e Golpes!

E qual tem sido as movimentações dos militares? Mudanças sistemáticas dos trajectos entre os aquartelamentos e os palácios governamentais, Ou seja, nunca se ficam pelos quartéis!

A tão referida eventual carta de Carlos Gomes Júnior à ONU e a tão propalada conversa do embaixador angolano em Bissau, junto dos militares guineenses, parecem confirmar, inequivocamente, as suas pertinentes dúvidas e, porque não dizer, certezas!

Face a estes habituais desenvolvimentos que garantias têm os políticos Bissau-guineenses que agora será de vez o definitivo aquartelamento dos militares?

Penso que ninguém de bom senso e de boa memória acreditará nisso! Tal como o anúncio de um produto de limpeza, a História não engana!
A solução para a Guiné-Bissau passa por adoptar um sistema como o da Costa Rica!

Ou seja, desmilitarizar e acabar com os militares no País e adoptar uma boa polícia de protecção territorial criada de raiz e com uma sustentada vertente democratizadora.

É certo que esta perspectiva foi uma das razões para o Golpe, já que o tal documento de Gomes Júnior, o eventual documento secreto que o Comando Militar tanto evoca – pensemos que será este – preveria a destituição do comando castrense e das forças militares guineenses e a sua substituição por uma força de intervenção legitimada através de um mandato do Conselho de Segurança e Paz da União Africana.

Interessante que hoje estará a ser discutida no Conselho de Segurança da ONU essa eventual ideia sob auspícios de Portugal em nome da CPLP e, talvez, com o beneplácito da União Africana – que já suspendeu, preventivamente a Guiné-Bissau – e, talvez, da CEDEAO.

Talvez, porque, não é líquido que não haja uma clara mãozinha francófona, face ao xenofobismo linguístico quer dos militares quer de uma certa classe política guineense face à CPLP.

O que, em boa verdade, até se compreende…

O certo é que Angola, em primeiro lugar, e a CPLP em seguida, estão a perder a face na disputa pela primazia política na Guiné-Bissau.

Enquanto isso, os guineenses continuam sem gozar de uma Paz política e democrática  no País!


Apontamento transcrito no portal Guiné-BissauDocs (http://guinebissaudocs.wordpress.com/2012/04/19/analise-pululu-guine-bissau-militares-e-oposicao-assinam-acordo/) e publicado como Manchete do Notícias Lusófonas

12 abril 2012

Mais um Golpe na Guiné-Bissau?

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Segundo o portal do semanário "Sol" terá ocorrido hoje, um Golpe de Estado na Guiné-Bissau, por militares (?!?!?!) havendo a possibilidade do candidato e ex-primeiro-ministro (para ser candidato tinha de se demitir, como alguns órgãos o noticiaram) Carlos Gomes Júnior ter sido morto - o amigo e colega (destas lides) Aly Silva já terá dito que Júnior estaria em lugar seguro - e da embaixada portuguesa estar cercada.


Interessante que logo após a missão angolana (Missang) ter sido desactivada e da CNE ter anunciado que a segunda volta ficava marcada para, salvo erro, dia 29, isto acontecer.

Foi para isto que quiseram a saída da Missang?

Depois do Mali, mais uma pequena/enorme dor de cabeça para a CEDEAO e uma pequeníssima (raro, ou nunca, se a vê...) para a CPLP!

22 março 2012

Coup d’État no Mali

Quem dizia que África estava a dormir, o Mali hoje desmente.

Mais um Golpe de Estado militar e em vésperas de eleições presidenciais onde, paradoxalmente, o actual presidente, Amadou Toumani Touré, não era candidato...

A nova Junta Militar, dirigida pelo capitão Amadou Sanogo, líder do Golpe, tomou conta do poder, tendo já sido contestado pela CEDEAO.

Mais uma flecha bem apontada às legítimas pretensões da União Africana em ser credível e em querer a manutenção de um legítimo e legal status quo institucional.

Entretanto, o presidente deposto ter-se-á abrigado no quartel de Djikoroni-Paras, em Bamako, dos comandos pára-quedistas. De notar que Touré foi, também ele, um militar desta corporação.

Recorde-se que o Mali é conhecido por ter uma guerrilha tuaregue muito activa e por acoitar – embora nunca claramente provado – activas milícias da Al-Qaeda.

01 abril 2010

Guiné-Bissau de novo em crise?

(A detenção de Gomes Júnior; foto ©Aly Silva, retirado do Ditadura do Consenso)

Segundo fontes em Lisboa o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, e o chefe das Forças Armadas, Zamora Induta, terão sido feitos reféns por militares hoje de manhã na capital guineense.

Ainda não se sabe bem se houve alguma tentativa de Golpe de Estado ou alguma das habituais e persistentes movimentações militares por que, ciclicamente, passa o País.

Uma primeira análise só aquelas duas personalidades estarão sob alçada dos militares, sendo que o premiê já terá sido reconduzido ao seu gabinete enquanto o paradeiro de Induta estará em situação de desconhecido ou, eventualmente, morto como anuncia o jornalista Aly silva no seu blogue “Ditadura do Consenso”, onde poderemos acompanhar desenvolvimentos do processo.

Vamos esperar que realmente os militares não queiram "mais golpes de Estado", como fazem questão de apresentar como uma das suas palavras de ordem.

O certo é que quem parece comandar estas movimentações era o homem que estava “resguardado” nas instalações das Nações Unidas há cerca de 90 dias após regresso “secreto” da Gâmbia para onde se tinha refugiado: falo do almirante Bubo Na Tchuto acusado, em tempos, de atentar contra Nino Vieira.

Estranho, ou talvez não…

23 fevereiro 2010

No Níger o líder da Junta autoproclama-se Presidente

(imagem Internet)

“O chefe de Esquadrão Salou Djibo, líder da Junta que derrubou quinta-feira passada o Presidente Mamadou Tandja, proclamou-se chefe de Estado do Níger, segundo um decreto publicado segunda-feira à noite.

No decreto assinado por Salou Djibo, o Conselho Supremo para a Restauração da Democracia (CSRD) é investido de poderes legislativos e executivo até a instauração das novas instituições democráticas, das quais ele é a instância suprema de concepção e orientação da política da nação.

O Presidente exerce as funções de chefe de Estado e de Governo, nomeia o primeiro-ministro, bem como os outros membros do Governo de transição e põe termo às suas funções, precisa o decreto.

A Junta decidiu igualmente criar, ao invés do Tribunal Supremo dissoluto, um Tribunal de Estado cuja composição, atribuições e funcionamento são fixados por decreto do Presidente do CSRD.

Os militares no poder decidiram também instituir um Comité Constitucional em substituição do Tribunal Constitucional.

O CSRD instaurou igualmente um Observatório Nacional da Comunicação que substitui o Conselho Superior da Comunicação (CSC).

Um órgão encarregue de preparar os textos fundamentais da República, nomeadamente a Constituição e o Código Eleitoral, vai igualmente ser criado.

O projecto de Constituição será adoptado pelo povo nigerino por via de referendo no termo dum período que será determinado pelo CSRD, que vai depois deixar o poder às novas instituições democráticas.

A Junta anunciou que um calendário dos diferentes processos políticos será publicado ulteriormente.” (fonte: ANGOP)

Comentário: E assim, e uma vez mais, a União Africana foi total e completamente ultrapassada.

19 fevereiro 2010

Níger, bem que a UA tenta, mas…

(imagem via Internet)


Uma vez mais a força das armas sobrepôs-se á prudência e à diplomacia em África.


Uma vez mais, ocorreu um Golpe de Estado no Continente africano, desta feita – como de outras quando convém e interesses externos são mais fortes – sob a capa de restauração da Democracia.


Começa ser panaceia de alguns títeres e seus aliados usar este estratagema para vingar Golpes. Até pode ter sido mesmo o caso. Mas isso teria de ter sido logo tomado em conta quando o presidente nigerino decidiu provocar uma alteração constitucional – como ocorreu em outros sítios, por exemplo na América Latina – para se manter, ou prorrogar, o seu cargo presidencial.


Ontem um grupo de militares acoitados numa sigla CSRD (Conselho Supremo para a Restauração da Democracia) derrubou o regime do presidente Mamadou Tandja, detendo-o, juntamente com outros ministros, num qualquer quartel, em Tondibia, creio, algures a sudoeste de Niamey, a capital do País e no edifício do Conselho Superior de Comunicação, que ficaria próximo ao palácio presidencial.


Segundo o porta-voz dos militares revoltosos, coronel Goukoye Abdoul Karimou, que reconheceram que na refrega do Golpe houve vítimas mortais entre seus camaradas que defendiam o palácio presidencial, o presidente derrubado estariam a ser bem tratado e que alguns ministros já estariam em situação de serem colocados em Liberdade.


Até pode ser verdade. Até pode ser indesmentível. Mas se existia um Parlamento era junto dele, apesar de todas as crises políticas que persistissem desde a tal alteração constitucional, que o Povo deveria pedir a demissão do presidente.


África, em geral, e nigerinos, em particular, teriam dado mostras de um civismo a toda prova.


Já bastou Madagáscar e Guiné-Konakri para mostrar como a vontade política da União Africana é igual a nada!


O problema do Níger, pode não dever se chamar Tandja, mas haver quem persista insinuar que o seu precioso urânio está – ou pode estar – a ser tradado pelos homens da Al-Qaeda (isso, se realmente ainda existir uma Al-Qaeda ou se esta já não será desculpa para certos factos que alguns querem aproveitar para benefício próprio, em nome de um dogma religioso, com o acordo tácito daqueles que mostram sempre necessitar de um “inimigo” para justificar actos menos próprios…)

12 agosto 2009

Golpe no Lesoto, será…?

Parece que em Abril passado terá havido uma tentativa de Golpe de Estado no quase desconhecido Reino do Lesotho (para quem não conheça, fica no continente Africano, que não é um país…)

Parece, porque a comunicação social, veiculando notícias fornecidas pelo próprio Governo de Moçambique (or Mozambique – perguntem à Frelimo e à Renamo), indica que seus nacionais terão estado envolvidos neste eventual acto externo tendo sido mortos
4 moçambicanos e detidos outros 5 num pretenso grupo de 13 mercenários.

É estranho que só agora as notícias tenham ocorrido principalmente quando quem, na prática, quem gere os destinos políticos e governativos do pequeno reino sotho incrustado na África do Sul é, precisamente, este país.

Mas se o embaixador moçambicano na África do Sul e no Lesotho,
Fernando Fazenda, o afirma e diz que queriam derrubar o Governo do premiê Pakalitha Mosisili, é porque tem razão. Só não se entende, à parte de haver necessidade de apurar a efectiva nacionalidade dos envolvidos que tudo tenha estado no segredo dos deuses…

Segundo o que se sabe, os moçambicanos, na maioria
antigos militares desmobilizados, teriam sido recrutados como seguranças para os Estádios do Mundial da África do Sul, do próximo ano, e quando estava numa região do estado de Orange é que tomaram conhecimento da sua real missão.

Sendo, como já afirmei atrás que a África do Sul é quem, efectivamente, gere os destinos deste pequeno reino de 30.355 km2, onde nada se passa sem que os sul-africanos saibam, torna-se evidente que a história está demasiadamente mal contada.

Esperemos que as autoridades moçambicanas aprofundem a matéria e tragam à tona o que efectivamente aconteceu.

A SADC e os países da zona por certo agradecerão…

E Moçambique, por certo, ainda mais. É que se conseguem arregimentar pessoas da forma que o fizeram e para os fins em causa, com os problemas sociais que persistem em Moçambique, e com as eleições tão próximas com partidos descontentes quem garante que o mesmo não possa vir a acontecer na Princesa do Índico… ou num outro qualquer lugar onde o mesmo acontece?

E tudo isto “aparece” 100 dias após o início do
consulado de Jacob Zuma e da visita de Hillary Clinton à África do Sul…

05 junho 2009

Eleições adiadas na Guiné-Bissau?

(desculpem, devo estar distraído, mas ainda nada lhes ouvi... só de Luanda - não é, embora pareça chauvinismo...)

Parece cada vez mais claro que alguém não quer a estabilidade da Guiné-Bissau.

É certo que a Constituição Bissau-guineense, no seu artigo 110º, parece prever que em caso de incapacidade ou óbito de um candidato as mesmas sejam adiadas.

É também certo e inequívoco que um candidato foi assassinado – porque um grupo de forças militarizadas armadas que atinge um candidato com tiros na barriga e na cabeça não mostra ser auto-defesa mas execução – o que, desde logo potencia a que seja aplicado o nº 4 do artigo 100º da Constituição, ou seja, que o Chefe de Estado, por acaso interino, marque – adie – novas eleições.

Mas também é certo que este caso só aconteceu – ou aconteceu – precisamente na véspera do início da campanha eleitoral, quando os principais responsáveis do País, estavam fora do mesmo e quando o Procurador-geral da República afirmava que só faltava ouvir um deputado sobre as mortes de “Nino” Vieira e de Tagmé Wai.

Também é estranho que circule informações que os eventuais insurrectos estivessem a preparar um Golpe para anular fisicamente os principais líderes do Pais e, ao mesmo tempo, também afirmem que o Golpe era para acontecer quando esses mesmos líderes estivessem, como estão, fora do País.

Incongruências a mais num Golpe onde os eventuais responsáveis foram “calados” definitivamente!!

Posso não concordar com muitas das coisas que diz ou fez, mas não posso deixar de aplaudir, embora baixinho, a proposta de Francisco Fadul, o ainda presidente do tribunal de Contas, quando afirma que é altura da CPLP e CEDEAO juntarem forças militarizadas, sob a tutela e mandato da ONU, e tomar conta do País durante um período que considerassem conveniente para recuperar o mesmo.

A fazer fé na condenação que Luanda já fez dos assassinatos – e usemos as palavras correctas por muito que os autores pudessem ser golpistas – parece que também daqui haveria apoio a esta solução.

Parece-me que, por muito menos, a ONU já o fez noutros lugares e o País e a População Bissau-guineense iriam aplaudir e não seria baixinho…

Parece cada vez mais claro que alguém não quer a estabilidade da Guiné-Bissau. Quem?... assumam-se os verdadeiros culpados e coloquem-nos sob tutela de um Tribunal Internacional contra crimes humanitários, porque é isso que parecem estar a fazer na Guiné-Bissau!!
.
É que tudo se conjuga que de uma tentativa, estamos mesmo perante um Golpe de Estado!!!

(e, já agora, proponho-vos que acompanhem esta situação aqui, que está, e bem, no terreno, e aqui, que tem pessoas que também estão próximas dos acontecimentos)

Guiné-Bissau de novo em crise…

(Tanque em Bissau; imagem via Internet)

"A madrugada Bissau-guineense acordou, uma vez mais, tingida de sangue.

O candidato presidencial Baciro Dabó, foi assassinado, esta madrugada na sua residência.

Até aqui, independentemente de ser mais um assassínio, mais uma vida estupidamente tirada, nada teria de estranho ou de mais um acto cobarde de quem não sabe dirimir as diferenças por outros meios que não a violência. E, uma vez mais, os assassinos estariam vestidos com roupas militarizadas e fortemente armados.

O grave é que a sua morte parece ter despoletado outras vítimas.

Segundo a Direcção-Geral dos Serviços de Informação do Estado da Guiné-Bissau (DGSI), por detrás da morte do candidato estaria uma eventual tentativa de golpe de Estado liderada pelo antigo ministro da Defesa, Hélder Proença. E de acordo com um
vídeo da Lusa também Dabó estaria eventualmente ligado à citada tentativa

O mais grave é que, tal como em outros assassínios inexplicáveis, o eventual líder da não menos eventual tentativa de golpe foi morto.

Ora se nos tomarmos como válidas as insinuações da DGSI que o eventual líder teria vindo de Daccar para coordenar as operações, estaremos perante uma implícita acusação de que Senegal estaria por detrás desta crise.

E, de facto, reconheçamos que quase todas as crises por que tem passado a Guiné-Bissau mostram que há mãozinhas externas ao País e aos Bissau-guineenses.

Parece que alguém teme que o País possa singrar quando começar a explorar os hidrocarbonetos.

Parece que os poderes instituídos na região temem uma Guiné-Bissau próspera, desenvolvida e em Paz.

Por onde anda a CPLP, a ONU ou a União Africana? Pode parecer absurdo o que irei afirmar, mas avalio como sendo altura de João Miranda pôr em prática as suas ideias já aventadas e colocar a Guiné-Bissau sob a “ordem” da Comunidade Internacional.

Quanto mais não seja para protecção do próprio País e do seu Povo!!!
"
Publicado no , como Manchete, juntamente com artigos de Jorge Eurico e Orlando Castro, sob o título “Mortes e golpes não deixam a Guiné em paz

Guiné-Bissau e nova crise

Parece que a Guiné-Bissau viveu mais uma etapa negra na sua vida enquanto País com mais uma tentativa de Golpe de Estado onde, parece, estariam implicados dois ex-ministros do País, um dos quais candidato presidencial e, pasme-se ou talvez não, o outro dos implicados teria regressado recentemente do Senegal para coordenar as operações.

Lamentavelmente, e uma vez mais, os eventuais líderes da intentona foram mortos pelo que nunca saberemos as reais intenções que estariam por detrás deste absurdo acto.

Vamos aguardar e, quem sabe, a eventual existência de outros participantes – porque um qualquer Golpe não se faz só com duas pessoas – possa ser conhecida e eles falem…

21 março 2009

Todos somos democratas desde que…

(imagem Google)

"Recentemente assistimos a mais um eventual “Putsch” em São Tomé e Príncipe com o caso dos ex-Búfalos e de personalidades afectas ao pequeno e obscuro partido da FDC serem detidos.

Mais recentemente vimos, na Guiné-Bissau, como a morte de dois líderes antagónicos no Poder e, segundo falam os mujimbos (boatos), também em negócios menos ponderados, pôde ter transformado crimes – porque de crimes se trataram independentemente das cogitações dos mesmos – em quase Golpe palaciano com a pressa na eleição de um Chefe de Estado-Maior, facto que é da responsabilidade do Presidente eleito em vez, como se verificou, do Governo o qual se prepara para ver o seu líder ser candidato à Presidência.

Mais anteriormente assistimos a dois casos claros de tomada de poder por militares, sob o protesto de má -governação ou vazio do poder. Foram os casos da Mauritânia, na primeira situação, e da República da Guiné (Conacri), na segunda. Ou, e de certa forma também o foi, embora por razões partidárias e de má convivência, a queda de Thabo Mbeki, na África do Sul.

Porque, parece, que o poder volta a estar a ser um facto apetecível para certos “democratas” temos assistido na República Malgache (Madagáscar) a uma clara tentativa de tomada de poder por parte de um “jovem turco” e ex-presidente da Câmara de Antananarivo, Andry Rajoelina. (...)
" (continue a ler aqui)
Publicado no semanário santomense , ed. 208, de 21-Março-2009.

20 março 2009

Madagáscar vê, finalmente, a SADC falar…

Demorou, provavelmente houve a necessidade de jogar com as palavras para não ferir certas sensibilidades “democráticas”, mas ontem, finalmente, a SADC – Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, lá disse da sua justiça quanto à tomada de poder pelo “jovem turco TGV – Tanora malaGasy Vonona (Dinâmico jovem malgaxe),” e ex-DJ e demitido presidente de Antananarivo (esteve entre Dezembro de 2007 e Fevereiro de 2009), Andry Rajoelina.

A SADC considerou inconstitucional a tomada do poder, e as atitudes subsequentes, com o apoio de militares revoltosos – pela primeira vez os militares malgaxes participaram num golpe no País –, de Rajoelina que, não satisfeito pela tomada “provisória” de dois anos – se não for mesmo quatro ou seis, como adiante explicarei – dos destinos presidenciais e governativos do País, mandou suspender o Parlamento Nacional.

É que apesar da Corte (Tribunal) Constitucional ter reconhecido a tomada de poder e a posse do Governo da Autoridade de Transição, a Constituição afirma que só pode ser candidato – logo presidenciável – quem tiver prefeito 40 anos de idade o que não se passa com Rajoelina que só tem 34 anos e incompletos (nasceu em 1975, mas já há portais que o dão como nascido em 1974; daqui a alguns dias ainda vamos ver como nascido em 1969…).

A SADC quer, segundo o seu secretário executivo, Tomás Salomão, que as nações Unidas, a Comunidade Internacional e a União Africana concertem esforços, juntamente com a SADC, para resolver este problema criado pelo TGV Rajoelina e pelos militares que o apoiam.

A SADC não esquece, e ameaça por isso com sanções, que os “golpistas” derrubaram um presidente eleito democraticamente
.

18 março 2009

Madagáscar, quem manda o quê e quem?

(imagem Google)

Depois de cerca de três meses de uma profunda crise social e política o presidente malgaxe, Marc Ravalomanana, eleito democraticamente – parece que só há democracia quando os eleitos são os nossos ou nós – transferiu o cargo para uma Junta militar constituída por militares de alta patente, a maioria já na reserva, polícia e polícia militar.

Todavia, e na véspera, um grupo de militares, liderados pelo vice-almirante Hyppolite Ramaroson, revoltou-se, entrou no palácio presidencial para deter Ravalomanana e, contrariando a ancestral postura do sector castrense malgaxe, anunciou a queda do Governo de Ravalomanana.

No mesmo dia, o jovem turco TGV Andry Nirina Rajoelina, antigo DJ e, até Fevereiro passado quando foi demitido do cargo, presidente da Câmara de Antananarivo, capital do Madagáscar, assumiu-se como presidente da autoproclamada Autoridade Suprema da Transição para governar o País contando com a ajuda do vice-almeirante revoltoso.

Estranha-se o silêncio da Junta Militar tal como se estranha a rápida atitude do presidente da Alta Corte Constitucional de Madagascar (HCC), Jean-Michel Rajaonarivony, que reconheceu a transferência de Ravalomanana como uma renúncia e acolheu Rajoelina como presidente tendo decidido que dentro de um prazo de dois anos deverá acontecer eleições presidenciais na quarta maior ilha do Mundo.

Tão estranho quanto se sabe que Rajoelina, constitucionalmente, não tem idade mínima – nasceu em 1975 – para ser presidente o que só irá acontecer dentro de dois anos.

Vamos aguardar pela atitude dos antigos militares malgaches, pela efectiva e clara atitude da União Africana, da Comunidade Internacional e, principalmente da SADC de quem ainda não me parecebi que tenha feito alguma consideração.

Parece-me que a SADC continua, democraticamente, a acoitar “certos democratas” desde que sejam, unicamente, os que se intitulam assim, mesmo que os eleitos democraticamente, pelo voto directo – repito, directo, – e explícito do Povo sejam outros…

22 fevereiro 2009

Guiné-Equatorial e STP sob os mesmos interesses?

Há dias São Tomé e Príncipe (STP) esteve sob os holofotes da comunicação social internacional devido à denúncia de uma possível crise político-militar que estaria preparada para ser levada a efeito por antigos elementos do extinto Batalhão 32 (o célebre grupo paramilitar sul-africano reconhecido como Batalhão Búfalo), facto que encheu as prisões de São Tomé (sobre esta matéria poderão ler num dos próximos dias, um artigo de opinião que escrevi para o Correio da Semana e publicado na edição 204 desta semana), embora alguns estejam descansados fora delas por eventuais ordens telefónicas de alguém que ninguém saberá quem foi.

Posteriormente, e no seguimento ou por causa disso e de observações pouco claras de dirigentes políticos nacionais, o presidente Fradique de Menezes numa reunião com pessoas muito próximas terá deixado sair que estaria farto e pronto a bater com a porta – leia-se, demitir-se.

Entretanto, na madrugada da passada terça-feira, 17 de Fevereiro, um alegado grupo de indivíduos terá desembarcado em Malabo, capital da Guiné-Equatorial, e tentado invadir o palácio presidencial, onde se acoita Teodoro Obiang Nguema que, segundo a revista Forbes, é só um dos homens mais ricos de África. Num país onde a riqueza do petróleo não se reflecte, nem pouco mais ou menos, na vida dos guineenses.

Se alguns foram detidos, cerca de 15, outros há que estão feridos e outros terão perecido em alto mar depois de alvejados pela Marinha da Guiné-Equatorial (estarão no fundo do mar como terá dito o ministro da Informação e porta-voz do governo, Jerónimo Osa).

Onde há partida poderia parecer nada haver mais que uma mera coincidência de actos e datas, esbate-se quando os eventuais membros atacantes parecem pertencer ao Movimento de Emancipação do Delta do Níger (MEND). Um grupo nigeriano, que, segundo consta, terá interesses junto dos ex-Búfalos santomenses.

Tal como já referi, por mais de uma vez, sempre que um destes países se aproxima de um dos potenciais países-directores da região – Angola ou Nigéria – acontece sempre alguma coisa.

Quer STP como a Guiné-Equatorial começavam, directa ou indirectamente, a aproximarem-se mais de Angola. São Tomé através dos contratos que terá celebrado com Angola, via Sonangol; a Guiné-Equatorial, pela cada vez maior proximidade da CPLP via STP.

Nenhuma destas situações agrada à Nigéria. Mas porque esta imagem também não satisfaz aos nigerianos, estes já desmentiram a proximidade do grupo á Nigéria, esquecendo-se que têm sido eles que, recentemente, criara, problemas em Dacca e nalgumas regiões dos Camarões além de ir conseguindo raptar pessoas e destruir interesses estrangeiros, bem assim praticar alguns actos de pirataria, sem que, assim parece, a Nigéria mostre ter condições de os impedir.

Como há dias afirmava a um amigo santomense, cada vez mais se parece que se torna mais vantajoso para STP ser um porta-aviões da marinha americana, podendo assim, ser mais facilmente defendível dos “amigos da onça”, mesmo que isso implique sair um pouco da CPLP; mas também quando um
responsável de uma progressista empresa de exportação portuguesa afirma que STP faz parte da zona francófona como os Camarões, Gabão, Senegal, Costa do Marfim ou Chade que interessa se falam português ou inglês com sotaque do tio Sam?

Sabe-se que na região esta vontade norte-americana em estabelecer bases na zona é malquista devido a um possível incremento do fundamentalismo islâmico na região. Mas não será isso uma esfarrapa desculpa para impedir essa entrada e manter o actual status quo?

31 dezembro 2008

Como pode haver surpresa?

Um dirigente Bissau-guineense da Liga Guineense dos Direitos Humanos ficou surpreendido e desagradado pelo presidente João Bernardo (dito Nino) Vieira ter recebido e saudado o número dois do Golpe de Estado ocorrido na Guiné-Conakry após a morte de Conté.

E mais surpreendido ficou quando os dirigentes golpistas estão sob a alçada da União Africana e esta organização ameaçou suspender a República da Guiné.

Só se sente surpreendido quem anda um pouco distraído. Como poderia o senhor presidente “Nino” Vieira não receber quem o andou apoiar nos diferentes e diversos golpes por onde andou metido.

Basta relembrar 1984, 1998 ou os diferentes hipotéticos golpes contra Nino em 2008.

Quem não se recorda do regresso de Nino a Bissau a bordo de um helicóptero do exército de Conacry?

Era impossível não receber e saudar, como saudou, o número dois do golpe.
E se nos recordarmos que "Nino" Vieira andou a protelar a tomada de posse como primeiro-ministro do seu "inimigo público", vencedor de umas – até provas em contrário – eleições livres e justas, o que só deverá acontecer no primeiro dia útil de 2009. Há certas espinhas difíceis de engolir...

23 dezembro 2008

Guiné-Conakri, presidente morto, militares no poder

(imagem daqui)
Lansana Conté, o general-presidente da República da Guiné e que estava no poder há 24 anos, após um Coup d’Etat, morreu na noite de ontem, aos 74 anos.

Segundo a Constituição guineense que estava em vigor, o presidente da Assembleia Nacional deveria assumir a direcção do país, provisoriamente, até a realização de eleições presidenciais, no prazo de 60 dias.

Segundo, porque os militares, pela voz de um capitão Musa Dadis Câmara, decidiram tomar as rédeas do poder ao demitirem o Governo, dissolveram as instituições republicanas, além da suspenderem a Constituição.

De acordo com o comunicado lido na rádio estatal, os militares terão constituído um "conselho consultivo" integrado "por civis e militares" denominado Conselho Nacional da Democracia e Desenvolvimento (CNDD) que estará encarregue de nomear um novo primeiro- ministro com vista à formação dum Governo para "assegurar o funcionamento do país".

Outra das declarações dos militares foi declarar a CNDD ligada aos princípios da carta da União Africana e da CEDEAO. Uma forma inteligente dos militares tornearem as eventuais sanções – inoperantes e inconsequentes – da União Africana quanto a golpes de Estado (inoperantes e inconsequentes como mostraram no Golpe de Agosto na Mauritânia).

De certeza que as preocupações dos seus dois vizinhos do nor-nordeste serão muitas; apesar que os restantes também não estejam sossegados. Todavia há que primeiro esperar pelos desenvolvimentos políticos e ver para que lado caiará, realmente, o poder e quem mandará, efectivamente, na Guiné-Conacri.

24 novembro 2008

Nota rectificativa sobre comunicado de “Nino” Vieira e os factos estranhos mantém-se…

Quando estou errado gosto de retractar-me e, sempre que possível, rectificar o erro: ontem escrevi aqui que Nino falou ao país via porta-voz. Foi isso que a generalidade da Comunicação Social portuguesa deu à estampa por via de uma nota da LUSA.

Mas como a verdade deve ser dita, vi hoje na RTP-África que afinal Nino falou ao Povo, com aquela expressão de quem nada deve e a quem quiseram tirar um chupa-chupa.

Ou será, como os dois analistas contactados pelo Jornal de Notícias referiram, Nino se quer mostrar como uma vítima “
perante a sociedade e os países daquela região de África” e, em caso disso implantar o Estado de sítio para que os resultados das eleições, que, quer alguns queiram quer não, foram contrários aos interesses do Presidente; Gomes Jr não quer o reforço da autoridade do Presidente, ao contrário deste, e nunca ninguém explicou como um partido, o PRID, que se reflectia em Nino apareceu do nada e com tanto kumbu… para já não falar das acusações atempadas de Gomes Jr e de Kumba Ialá a “Nino” Vieira. Acusações que lhes valeram umas visitas à PGR Bissau-guineense mas que nunca foram levadas, até ao presente, a Tribunal. Porque será?

Como também ainda não explicou como e porquê contactou primeiro o seu homólogo senegalês, que colocou logo um avião à sua disposição, não contactou o CEMGFA, general Tagmé Na Wai – ah! sim, estava doente e só por isso, de acordo com a conversa tida por
Wade com o correspondente da RFI, não poderia ser associado ao Putsch – e como o tiroteio durou três horas sem que os restantes militares tenham tido qualquer interferência conhecido para acabar com o ataque.

Factos estranhos que ocorreram na madrugada de domingo de 23 de Novembro. Tão estranhos que um Putsch foi liderado por um subalterno da marinha, por acaso já indicado por uma qualquer tentativa de Golpe, de Agosto passado – estranho, não é? –, colocado a vários quilómetros de distância da capital, que parece seria do conhecimento do Ministério da Administração Interna sem que este pusesse a recato o casal presidencial – que nada sofreu em três horas de tiros e morteiros, dado parece ter ficado acolhido numa sala do interior da casa, que só sofreu embates de balas na parede exterior e um pequeno buraco no tecto; diga-se um buraco um pouco estranho pelo formato, mas como não sou perito em balística… – e o líder do Putsch já terá sido
detido, faltando saber se alguma vez se apresentará a Tribunal. Basta recordar como terá desaparecido Ansumane Mané…