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01 abril 2017

Quo vadis Jacob Zuma?

(foto ©SABC news)

Jacob Zuma começa a entrar numa encruzilhada de onde dificilmente terá hipóteses de sair sem ser chamuscado. Enquanto Presidente e líder do Governo, Zuma pode proceder às remodelações que considerar mais vantajosas para a governação nacional, para a preservação da sua popularidade e do seu partido, o ANC.

O problema, começa quando essas remodelações visam mais afastar os seus próprios críticos internos do que a salvaguarda governativa. E a recente alteração do seu gabinete foi um destes casos, De entre elas, a demissão do Ministro das Finanças, Pravin Gordhan. Gordhan, considerado como o paladino da combate à corrupção e defensor de um corte nas despesas públicas, algo que Zuma não acolhe com satisfação.

Sabe-se que há muito que Zuma vem sendo fortemente criticado quer no seio da Justiça, quer no seio da comunidade económica sul-africana, quer, principalmente, dentro do ANC ainda que este acabe sempre por o salvar nos maiores apertos). Algum despotismo, uso indevido – e já judicialmente condenado – de fundos públicos em proveito próprio, saneamento de críticos são alguns dos problemas que Zuma tem acumulado.

E esta remodelação não parece ter caído bem quer entre a população, quer entre os seus colegas de partido e, até, de gabinete. O vice-presidente sul-africano e previsível candidato à sucessão de Zuma na liderança do ANC, Cyril Ramaphosa, considerou a medida "inaceitável”. Só da ala juvenil do ANC, Zuma obteve total e incondicional apoio.

Lembremos que ainda recentemente e pelas cerimónias fúnebres do antigo companheiro, de luta anti-apartheid, de Madiba, Ahmed Kathrada, o próprio portal do ANC afirmava que Zuma estaria presente nas mesmas, mas não discursaria porque a sua presença não era bem-quista pela família do histórico membro do ANC, dada a controvérsia havida recentemente entre Kathrada e Zuma. 

Recorde-se que aquele, em carta aberta, há cerca de um ano, solicitou a Zuma que se demitisse da presidência sul-africana. Para Kathrada só a demissão de Zuma, envolvido em casos de corrupção, «permitiria ao governo do país recuperar "da crise de confiança" em que se encontra mergulhado. “Tendo em conta a onda de críticas, de condenações e exigências, é demasiado expressar a esperança de que opte por tomar a decisão certa e considere pedir a demissão?"».

Acresce, para tornar mais obscura a vida política de Zuma, o que emergiu quando foi tornado público um relatório independente de 355 páginas da autoria da advogada e ex-mediadora pública (ou “public protector” para a luta contra a corrupção e de nomeação presidencial), Thuli Madonsela, onde se declara que há uma obscura e suspeitosa ligação entre Zuma e a família, de origem indiana, Gupta que poderão ter influenciado decisões governamentais, incluindo a nomeação de ministros.

Ora, acontece que este relatório, sobre a corrupção, pronto desde o terceiro trimestre de 2016 do ano passado viu a sua publicação ser questionada e posta em causa, por via de um processo judicial colocada por Zuma para impedir a sua publicação; acabou por ser publicado e publicitado, no início de Novembro, por ordem do Tribunal Superior de Pretória.

Não esquecer, também o recente imbróglio ocorrido no parlamento sul-africano em que antes do “Discurso à Nação” de Zuma (em Fevereiro passado) e durante cerca de uma hora ocorreram vaias, insultos e mesmo trocas de murros entre deputados que consideravam ilegítima a presença e comunicação de Zuma no parlamento. Desta embrulhada, que teve de ser “tratada” com a presença de cerca de 400 militares, resultou a expulsão de 30 deputados. De notar que entre os membros mais contestatários à presença de Zuma, estavam afiliados do Partido dos Lutadores da Liberdade Económica (Economic Freedom Fighters (EFF)), de Julius Malema (um dos seus maiores detractores e inimigo político e antigo líder juvenil do ANC).

A presença destes militares não foi bem aceite e a oposição terá solicitado ao Supremo Tribunal a futura proibição da presença dos mesmos armados no Parlamento, por considerarem inconstitucional.

Até onde conseguirá Zuma sobreviver? Certo é que há cerca de um ano, Zuma sobreviveu a uma destituição (vulgo “impeachment”), lançada pela oposição, para o retirar da Presidência, com os votos favoráveis dos deputados, incluindo, críticos, do seu partido.

Terá sido esta remodelação o seu canto do cisne? Aguardemos, porque Zuma já mostrou ser um sobrevivente!...

Partilhado pelo portal "Pravda.ru", em 2 de abril de 2017: http://port.pravda.ru/news/mundo/02-04-2017/42988-jacob_zuma-0/ e no portal do Jornal Folha8: http://jornalf8.net/2017/quo-vadis-jacob-zuma/

20 agosto 2009

Zuma de visita a Angola, mas…

(imagem da Internet)

"Jacob Zuna faz a sua primeira visita oficial fora da África do Sul, e o primeiro país contemplado – agradecimentos políticos que Mbeki não soube ou não quis admitir – foi Angola.

Uma viagem natural entre as duas maiores potências regionais – uma, África do Sul, já bem afirmada outra, Angola, cada vez mais emergente como é reconhecido – se não fossem as situações colaterais.

Como estou um pouco restringido no acesso à Internet ficar-me-ei por aquilo que Eduardo dos Santos deixou cair na visita do seu homólogo sul-africano: gostaria que a eleição presidencial fosse como na República da África do Sul.

Ora isso contraria tudo o que o seu partido deseja e propôs na revisão Constitucional – eleição directa e universal – mas que vai ao encontro do que, já há tempos, tanto se ventilou e tanta tinta e desmentidos fez correr mesmo entre os “camaradas”: eleição indirecta.

Algo me diz que o Congresso de Dezembro do MPLA vai provocar muitas orelhas incandescentes até porque, como segundo ainda há pouco tempo um órgão de comunicação social angolano alertava, a lei não permitirá que haja um só e único concorrente às eleições partidárias, como tanto se tem propalado e desprezado a “tendência” emergente…

Vamos aguardar para ver onde tudo isto vai parar e qual terá sido a promessa de dos Santos a Clinton quanto à exequibilidade e urgência das eleições presidenciais.
"
Publicado na secção "Colunistas" do

10 maio 2009

África do Sul tem novo Presidente!

(foto ©BBC)
Depois do seu partido, o ANC, ter garantido a maioria absoluta, que não a qualificada o que lhe levou a criticar a Comissão Eleitoral local – deve ser caso único em que um partido vence as eleições e está contra o organismo que regula as eleições – Jacob Zuma prestou hoje juramento como Chefe de Estado, o quarto, do país do arco-íris (só se lamenta que a sua eleição, como prevê a Constituição, seja por maioria e não por maioria qualificada dos votos do parlamento – votação indirecta – o que lhe traria mais responsabilidade e legitimidade).

Esperemos que como Chefe de Estado, Zuma consiga o que não conseguiu noutras circunstâncias; ou seja, deixar as controvérsias e gerir a potência regional afro-austral – não esquecer que, economicamente, a África do Sul é membro do G20 – na linha daquilo que o seu mentor e apoiante, Nelson “Madiba” Mandela mais espera dele, governar bem sem as utopias e desvios do segundo presidente e seu anterior antecessor, Thabo Mbeki (Kgalema Motlanthe, o terceiro, foi-o somente como interino e de transição entre Mbeki e Zuma).

Talvez, por isso, e pela primeira vez, Angola se fez representar ao mais alto nível na tomada de posse. Será que se perspectiva uma maior aproximação entre os dois colossos afro-austrais e o eixo Luanda-Pretória se vai afirmar ainda mais no contexto austral e centro-aaustral de África?

Ou como
prospectiva, e com certa razão, Mário Pinto de Andrade, esta reunião, logo no primeiro dia, entre Jacob Zuma e Eduardo dos Santos será não só um reforçar do eixo, como o acelerar da integração regional da SADC?

Vamos aguardar…

12 setembro 2008

Mbeki em maus lençóis com Zuma ilibado

(Tomem!!; imagem daqui)


Apesar de, parece, ter conseguido um acordo entre os líderes zimbabueanos, Thabo Mbeki, e a sua equipa mais próxima, teve hoje um triste dissabor ao ver o Tribunal de Pietermartizburg, considerar inválidas as acusações de corrupção, fraude, lavagem de dinheiro e associação criminosa que tinham sido apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sul-africana (NPA) contra Jacob Zuma, presidente do ANC, partido no poder.

Segundo o juiz-presidente as razões para a absolvição de Zuma estarão no próprio PGR ao considerar que este e a NPA sofreram fortes influências do poder político, incluindo vários ministros e personalidades ligadas ao executivo de Mbeki, para que a NPA voltasse a acusar Zuma no caso de aquisição de armamento para as forças armadas, no final dos anos 90.

Esta vitória jurídica de Zuma teve como primeira consequência gritos de vitória dos seus apoiantes e queima de esfinges de Mbeki por parte destes o que condiciona, cada vez mais, a sua tentativa de recandidatura à presidência sul-africana. Os activistas do ANC consideram que Mbeki que está por detrás destes processos-crimes contra Zuma; registe-se que este era o quarto processo depois de outros três terem dado em absolvição: dois processos-crime por corrupção e um terceiro por alegada violação de uma amiga próxima.

Razões suficientes para não surpreender se este desfecho jurídico e o ANC não irão provocar antecipar as eleições na África do Sul. Há muito que o maior partido sul-africano, principalmente deste que Zuma ganhou a liderança, anda em quase completa rota de colisão com o actual presidente sul-africano.

Daí que o líder sul-africano se tenha agarrado à tentativa de resolução do conflito político no Zimbabué para recuperar algum do seu crédito político.