
Com a devida vénia ao cabo-verdiano
Liberal, no dia em que se iniciam os trabalhos conducentes à VI Cimeira da CPLP, em Bissau, este interessante relembrar da História nunca bem contada e, pelos vistos, ainda mal digerida:
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PAULO CORREIA E VIRIATO PÃ: A INDECIFRÁVEL “CONSPIRAÇÃO BALANTA”"
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Durante 20 anos nunca se fez luz sobre este caso, sempre silenciado, sempre escondido debaixo do tapete da intriga política em Bissau, como se os cordelinhos do processo trouxessem implicações diversas e porventura depois contraditórias”.
Porque há 20 anos, duas personalidades da República da Guiné-Bissau, Paulo Correia (a altura vice-presidente do Conselho de Estado) e Viriato Pã, além de outras 10 indiferenciadas políticas e militares são julgadas à porta fechada no Tribunal Superior, sob a acusação de “conspiração” tendo o então Procurador-geral Turpin pedido a pena de morte que foi aceite pelo Tribunal. Apesar das ténues pressões internacionais, ou por isso mesmo, são de imediato executados.
Tudo porque segundo se constava teria havido uma conspiração com base étnica, a chamada “
conspiração balanta”, que visaria derrubar o Poder e colocar a principal etnia no domínio do país – note-se que o actual Chefe de estado maior das Forças Armadas guineenses, o general Tagma Na Way, é um dos sobreviventes da purga –. Uma conspiração, que mais não terá sido que uma purga kafkaniana, cujas as provas nunca foram publicamente apresentadas tendo todo o processo ficado envolto em insondáveis mistérios, boatos, conflitos de interesses, eventuais negócios de saias e corrupção.
Em 20 anos tudo se mantém como no início do processo; tudo excepto três factos indesmentíveis: a existência de um julgamento com contornos mais do que duvidosos, dois fuzilamentos e o continuado calar da Comunidade internacional.