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28 abril 2009

Reflexões sobre o Lobito II…

(Lobito, uma cidade com problemas? qual é que não as tem? mas...*)

Duas pequenas reflexões sobre a minha Cidade, uma delas, é cultural e a segunda, de ordem social, parece-me que pouco agradável a confirmar-se as acusações feitas a um euro-deputado.

1. No próximo dia 30 de Abril, pelas 18,30 horas, na Casa de Angola, em Lisboa, a editora Guerra e Paz vai levar a efeito o lançamento oficial do livro “Lobito”, de António Mateus e que terá a apresentação de Luís Magalhães.

O autor, embora nascido em Tortosendo, na província portuguesa da Beira Baixa, foi com 5 anos viver para o Lobito onde permaneceu até 1975 quando zarpou para o Brasil onde trabalhou numa multinacional.

Este primeiro romance de António Mateus, o “Lobito”, é, segundo a editora, um hino a uma das cidades mais bonitas de Angola e às suas gentes, contado por quem nela viveu e a amou.

Vou ansiar por quinta-feira para degustar uma obra sobre a minha Cidade que, infelizmente e como por vezes acontece em todas as que pecam pelo excesso desenvolvimento desenfreado e pouco ordenado, parece que nem tudo corre sobre rodas.

Há dia, num excelente programa da TPA (transmitido às sextas-feiras na TPA internacional),”Janela Aberta”, sobre os belos Parques Nacionais angolanos, um dos apresentadores lamentava-se pela cidade ter perdido um dos seus ex-líbris, os flamingos. Segundo ele, e confirmado pela outra apresentadora que diz nunca ter tido a oportunidade de os ver nos mangais do Lobito, por causa da poluição e do barulho os flamingos deixaram de ter a Cidade por abrigo e emigraram para outras paragens, a maioria mais para sul. Talvez, quem sabe, alguém consiga falar com eles e dizer-lhes que a Casa deles estará, um dia e em breve, espero, pronta e restaurada para os receber de volta. Um sonho…

2. Mas que a fazer fé num e-mail que a Comissão instaladora da nova FpD e o projecto Associação OMUNGA (
Quintas de Debate) divulgou algo não vai bem entre os antigos “meninos da rua” do Lobito.

Segundo uma carta que estes fizeram chegar a um representante da União Europeia de visita à Cidade, as promessas, eventualmente feitas pelo Administrador do Lobito, o senhor Amaro Ricardo Segunda, quando os retirou de uma certa zona e os assentou no B.º da Lixeira, no centro 16 de Junho, há cerca de um ano, continuam por ser cumpridas.

Entre as referidas promessas contavam-se: Construção de casas para todos dentro de seis meses; Arranjar emprego para todos nas seguintes empresas (CFB, Refinaria, Odebrestch e Secil Lobito); Dinheiro para as mulheres fazerem negócios; Dar formação profissional a todos; Dar máquina de fabricar blocos; Dar sempre comida e água; Meter todos a estudar nas escolas públicas; e Registar todos.

Parece que passado um ano os “meninos da rua” continuam a viver no referido Bairro em 15 tendas – inicialmente eram 200 jovens e 19 tendas – e promessas nem vê-las.

Mais grave a acusação de que fizeram uma formação, em Agosto passado, e aguardam que os respectivos certificados entregues ao Dr. Carlos Pacatolo sejam devidamente devolvidos não havendo novas nem de Pacatolo nem do Administrador.

Realmente estranho esta eventual atitude de Pacatolo. Se for quem eu penso que é e conheço não é normal nele refugiar-se em escusas e omissões. Todavia também reconheço que aguardo por uma resposta a um e-mail que lhe enviei há tempos e não recebi a dita nem, tão-pouco, embora saiba porque já o disse a razão, o seu blogue seja actualizado.

Quero crer que Pacatolo estará fora da Cidade em serviço da entidade onde estagiou quando do fim do seu Curso.

Ora, lá porque uma pessoa não esteja, não é razões para que tudo pare. Por isso é altura da Administração Municipal do Lobito se recordar que, apear das eleições já terem ocorrido, as populações e, principalmente, os futuros gestores da Cidade e criadores e fomentadores do desenvolvimento da região são, precisamente, os jovens, aqueles, que segundo eles, andam um pouco esquecidos pelas autoridades municipais.

O Lobito precisa de notícias como aquelas que indicam desenvolvimento sustentado e não as deste jaez.

Tenho a certeza que, e não será porque o assunto chegou às mãos da União Europeia, ou, muito menos passe a imodéstia, por estar aqui reflectido no Pululu, tenho a certeza, dizia, que este assunto irá ser rapidamente resolvido e quem sabe, alguém consiga, também, arranjar um “apito” e chamar, de volta, os nossos flamingos!
(*imagens do Lobito ximunadas na Internet ou recebidas via e-mail)

26 abril 2009

Homenagens a Tomás Jorge por Edmundo Rocha e Casa de Angola

(O céu da cidade que viu nascer Tomás Jorge (ou Tomaz Jorge como também aparece escrito) preparando-se para receber mais uma estrela no seu imenso e belo firmamento; imagem Google)

Duas entidades, cada uma por razões diferentes, prestaram a sua homenagem ao poeta angolano, quase que esquecido pela Comunicação Social do seu País que tanto amava (excepto, e honra lhes seja feita, pelo Jornal de Angola e pelo Sapo.AO, que citaram telegrama da LUSA) e pela organização que ajudou a fundar, a UEA. Foram o médico e nacionalista Edmundo Rocha, que com ele privou os últimos anos de vida, e a Casa de Angola de que Tomás Jorge era também sócio.

"HOMENAGEM AO MEU AMIGO TOMÁS JORGE

Morreu Tomás Jorge Vieira da Cruz, um homem bom, aberto a todas as pessoas e ideias, profundamente humano no seu relacionamento sem fronteiras com toda a gente. De alma altruísta, amigo do seu amigo, conciliador, excelente conversador, declamador exímio com a sua poderosa voz, tinha gosto em expor as suas ideias filosóficas, sequioso de uma África liberta de cubatas e de todas as expressões degradantes da condição humana. Este luandense de gema nunca escondeu a sua inquietação perante o presente e o futuro da condição humana dos africanos, neste mundo onde a globalização espezinha os mais fracos e protege os poderosos.

Tomás Jorge nasceu em Luanda a 26 de Maio de 1928, ano em nascia também, em Porto Amboim, Viriato da Cruz, com quem partilha a mesma carteira na escola.

Seu pai era o poeta, Tomás Vieira da Cruz, por quem ele nutria uma admiração sem limites. Morou, na sua meninice, na Cidade Alta, numa vivenda de tipo colonial.

Na sua juventude partilhou os mesmos anseios e projectos com os intelectuais da sua geração, em animadas tertúlias, António Jacinto, Mário António, Viriato da Cruz, Alcântara Monteiro e tantos outros. Integrou o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, desde 1950, cujo ideário cultural "Vamos Descobrir Angola" pugnou por uma crítica social e cultural da sociedade colonial de então, e que permitiu a tomada de consciência da Angolanidade dos seus conterrâneos.

Por discordar da via proposta pelo Partido Comunista Angolano, criado por Viriato da Cruz, em 1955, afastou-se desta orientação, preferindo a via cultural.

Nos anos 50 e 60 desenvolve actividades de formação e alfabetização de angolanos, nos bairros populares, não só em Luanda, como em Saurimo, no Lubango e no Uíge. A elevação cultural era, para ele, uma das vias para a uma maior consciência politica dos angolanos.

Foi obrigado a apresentar-se, várias vezes, para interrogatório na PIDE, pelas suas actividades e pelo conteúdo dos seus poemas. Foi finalmente preso em Luanda em 1961, onde viria a escrever alguns dos seus mais belos poemas. Publicou a sua obra no pequeno livro "Areal- Poemas" da editora Imbondeiro, em 1961, e, mais tarde, em 2005, na excelente colectânea "Talamungongo- Olha o Mundo" da editora Quilombelombe.

Na sua Poesia valoriza o Homem Angolano e a sua luta em prol da emancipação cultural e politica. Trata-se essencialmente de uma poesia lírica e, também, de intervenção, que aborda em profundidade o Homem na sua dimensão universal, a sua dignidade e a sede de Liberdade.

Morreu o meu Amigo Tomás Jorge, um Homem Bom, um Homem Africano, um Homem Universal, com uma visão telúrica das coisas, dos fenómenos e dos outros Homens sofredores.

Sempre viveu modestamente, não se preocupando com riquezas materiais. A sua única riqueza foram a sua pena, a sua escrita. Deixa uma obra poética importante, colocando-o em lugar cimeiro entre os grandes Poetas Angolanos.

Ficamos certamente mais pobres, Angola, África e nós todos.

Paz à sua Alma.

Lisboa, 25.Abril. 2009
Edmundo Rocha
"

Por sua vez a , através da sua Direcção, em nome dos Órgãos Sociais, emitiu um comunicado onde prestava o seu sentido e profundo sentimento de pesar pelo passamento físico do sócio, do poeta e o Homem que contribuiu para cimentar o espírito de independência dos angolanos através da sua participação em movimentos culturais.

25 abril 2009

Adeus poeta Tomás Jorge

Mais um poeta angolano que vai se juntar às estrelas que iluminam o belíssimo céu angolano.

Ontem, no Hospital Santa Maria, em Lisboa, onde padecia de uma incurável doença, faleceu o poeta Tomás Jorge (Vieira da Cruz).

Tomás Jorge foi além de membro-fundador da União de Escritores Angolanos (UEA) participou, em 1950 no movimento literário lançado por Viriato da Cruz “Vamos Descobrir Angola!” e o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, razão pela qual foi detido várias vezes pela PIDE/DGS, e membro da Direcção da FACEL (Federação das Associações Cívicas do Espaço Lusófono)

E por falar em PIDA/DGS, relembrar que
há 35 anos (fá-los hoje), a sombria organização foi uma das razões para o fim da autocracia portuguesa e o passo para a Liberdade de todos os povos que falam a Lusofonia.

Tomás Jorge escreveu, pelos menos duas obras poéticas: “Areal, Poemas” (1961) e a antologia “Talamungongo!... «Olha o mundo!» – 50 Anos de Poesia” (2005).

Infelizmente quer a UEA quer a Internet parecem esquecer deste poeta angolano já que o único poema “netiado” é o belo “Gajaja” que poderão ler
aqui (de onde retirei a imagem).

23 abril 2009

Dia Internacional dos Livros e dos Direito de Autor

(Livros que escrevi - os dois primeiros - ou onde estou representado)

Deveriam ser um bem de primeira necessidade, tal como a alimentação, já que um corpo são em mente sã, não precisa só de alimentos e bebida, mas carece também de nutrir a mente, o espírito e as ideias.

Mas, infelizmente, os Governos (quem achar que não tem pecados que atire a primeira pedra para o ar, mas…) ainda não compreenderam que a Cultura não pode continuar a ser taxada como se de um bem fútil e luxuoso se tratasse, tal como as editoras (e alguns autores) ainda não compreenderam que os preços estão demasiado caros para que a população menos favorecida – que, infelizmente e a crise não ajuda, mal se consegue alimentar – possa lá chegar!

Talvez um dia…

01 março 2009

Dicionário de Administração Eleitoral vai ser apresentado

“Dicionário de Administração Eleitoral – Organização de Eleições Democráticas, Transparentes e Livres”, é uma obra do santomense Jorge Castelo David que no próximo dia 6 de Marco, na Mediateca do Banco Internacional de São Tome e Príncipe, entidade que patrocinou a obra, em São Tomé, vai ser, finalmente, apresentada ao grande público (e não porque o autor não tivesse querido fazê-lo mais cedo, nomeadamente, antes das eleições angolanas; contingências que o ultrapassaram e que nada tiveram a ver com o patrocínio impediram-no de o fazer).

A obra, a que tive a honra de estar associado por via do Prefácio que escrevi, aborda os diferentes estágios que os pensadores políticos devem tomar em consideração quando querem apresentar a Democracia ao Povo.

Na Introdução, que pós-inicia com uma citação do antigo Secretário-geral das Nações Unidas, Boutros-Boutros-Ghali, sobre a Democracia não como sendo um modelo a copiar mas um objectivo a (re)conquistar por todos os Povos, Jorge Castelo David afirma que “A Democracia é uma vasta experiência humana que implica o desenvolvimento da consciência cívica e da cidadania. Ela é baseada na ideia de que cada cidadão e cada cidadã devem ter, ou melhor, têm o direito (natural) de se pronunciar sobre a forma como o seu país deve ser governado e a quem essa nobre missão deve ser confiada. O direito de escolher os responsáveis da Nação tem a dimensão de um dever de respeito obrigatório. Trata-se de um direito que não deve ser negociado mas sim um direito que deve ser exercido eternamente e por isso, defendido a qualquer preço. A democracia permite a livre expressão e a livre união para eleger os que mais garantias dão quanto à capacidade de interpretação correctamente das GOP (grandes opções do plano) das populações. O povo é realmente quem detém poderes naturais para administrar o património nacional. Através da eleição, ele cede/confia essa responsabilidade à um determinado grupo de compatriotas seus. Nessa cedência o povo vinca subentendidamente a necessidade da gestão ser feita na base da constituição da república e de legislações suplementares aplicáveis.

Uma obra enriquecida com várias fotos do autor e de anónimos com que ele cruzou durante as suas actividades enquanto Especialista em Logística Eleitoral da MONUC (Congo Democrático) e dividida em 12 capítulos, o último dos quais é um Dicionário onde os termos eleitorais são colocados de forma clara e objectiva para todos o compreenderem.

Como afirmo no final do Prefácio, “Esta vai ser uma obra para os nossos futuros dirigentes, analistas e cientistas políticos terem sempre em cima da sua secretária ao lado dos dicionários e de livros de referência de autores clássicos como a “História de África Negra”, de Ki-Zerbo, ou “Paz e Guerra entre Nações”, de Raymond Aron, ou o “Sistemas Políticos Africanos”, de Fortes e Evans-Pritchards, ou de mais recentes como M. Hardt e A. Negri (Império), Max Weber, Robert Michels (Para uma Sociologia dos Partidos Políticos na Democracia Moderna), entre outros.

Que este seja o primeiro de muitos ensaios de Jorge Castelo David.

21 julho 2008

Dois ensaios africanos apresentados em Lisboa

A próxima quinta-feira 24 de Julho vai colocar Lisboa como a cidade-rainha da cultura africana.
Duas importantes obras vão ser apresentadas nesse dia.


Às 18,30 horas, na Livraria Byblos, às Amoreiras, será apresentada a obra “A Mulher em África: Vozes de uma Margem sempre Presente” que como organizadoras Inocência Mata e Laura Cavalcante Padilha
A obra editada pela Edições Colibri terá a apresentação de Elizabeth Vera Cruz e António Loja Neves.

Às 20 horas, na FNAC do Chiado, Samuel Chiwale vai, enfim, ver apresentada a sua obra autobiográfica “Cruzei-me com a História”, com apresentação de João Soares e edição da Sextante Editora

17 julho 2008

Chiwale apresenta autobiografia

Samuel Chiwale e a Sextante Editora apresentam no próximo dia 24 de Julho, na Livraria FNAC-Chiado, Lisboa, o livro autobiográfico "Cruzei-me com a História", com apresentação de João Soares.
Este é mais um contributo para a nova História de Angola onde se cruza a ancestralidade do apelido Chiwale (um título nobiliárquico que significa, conforme explica no seu livro, "o indivíduo encarregado da vestidura do rei [do Bailundo, Mbalundu)] aquando da sua ontronização") a sua vida político-militar enquanto guerrilheiro perseguido na Angola colonial (a foto que dá capa ao livro foi retirada dos arquivos da ex-Pide/DGS), até à sua passagem para a galeria dos fundadores e uma das reservas morais da Nação Angolana.

05 julho 2008

Efeitos rápido de um (des)Acordo Ortográfico?

Esta foi capeada do portal do Expresso Online (ver imagem acima do portal), considerado como um semanário de referência no espectro comunicacional português:

Exames Nacionais 2007/2008
Dados oficiais do Ministério de Educação
Este ano ouve menos chumbos a Matemática
Os resultados dos alunos nos exames nacionais melhoraram na disciplina de Matemática. A média das notas é de 12,5 valores.

Ainda bem que foi a Matemática; se fosse a Português seria… “menos xumbus” talvez…
Será que isto também é a culpa da subserviência portuguesa aos brasileiros ou aos africanos por um tão livre português?
Por onde andam os revisores de textos? será que ainda os há? ou a produção de conteúdos provoca saídas destas em série?
.
NOTA: Registe-se e saúde-se a rectificação que o Expresso já efectuou!

30 junho 2008

Ana Paula Castro apresenta novo livro

No próximo dia 3 de Julho, a Editorial Novembro e a escritora Ana Paula Castro darão a conhecer o novo romance da autora intitulado “Sou Jornalista, Você é Árabe?” que tem prefácio do Sheikh Munir, Imã da Mesquita Central de Lisboa.
A apresentação, conforme podem constatar no convite acima, estará a cargo deste vosso escriba e do jornalista Orlando Castro.
Porque a obra é interessante e será uma excelente companhia para um momento e pausa refrescantes durante as férias aconselho-vos a irem no dia 3 à FNAC, do Chiado, com vista a não perderem este romance (podem acolher um cheirinho desta obra no
Malambas).

07 novembro 2007

Dois huílas na Casa de Angola

No próximo sábado, dia 10 de Novembro, e no âmbito dos 32 anos de Angola vão se realizar, na Casa de Angola, dois eventos simultâneos com duas personalidades da Huíla.
O lançamento da obra "Educação: Pilar da soberania, Caminho do Desenvolvimento em Angola" de Jorge Rodrigues Jesus "Caluquembe", e a inauguração da Exposição de pintura "Recordando África" de Toia Neuparth.

12 outubro 2007

Alertas pelo Clima dão Nobel da Paz



Depois do alerta das Minas Terrestres, no ano passado, o alerta pelas Alterações Climáticas a darem um – no caso, em duplicado, – Prémio Nobel da Paz.
A Academia de Oslo galardoou, com o Nobel da Paz 2007, Al Gore, antigo vice-presidente dos EUA e o homem que, muito rapidamente, cedeu o caminho para a Casa Branca George W. Bush, no primeiro mandato deste, e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC).
Tanto Al Gore como a Organização onusiana muito têm contribuído para o alerta mundial sobre as alterações climáticas e para os perigos que a Humanidade e outros seres vivos (fauna, flora e líquidos) vão penando devido à imbecilidade e irresponsabilidade de uns e teimosia pseudo-económica de outros.
De registar, ainda, que, ontem, a Academia sueca laureou com o Prémio Nobel da Literatura a romancista inglesa Doris May Lessing, tornando-se na 34ª mulher a ganhar um Nobel. Paradoxal, ou talvez não seja tão coincidência assim como, por vezes, acontece com certos laureados, a escritora nasceu persa (Irão), embora de pais britânicos, e viveu alguns anos na então Rodésia do Sul (Zimbabué). Ou seja, dois factores de desestabilização para o Reino Unido.

Imagens:
Al Gore (foto de ©
Brett Wilson)
Doris Lessing (foto de ©
Matthew Andrews)

28 agosto 2007

Prémio para Mia Couto, mais um…

(Mia Couto; foto daqui)
Soube ainda hoje, por uma notícia que vai sair na edição de amanhã d’O Observador (diário moçambicano em edição por assinatura), que Mia Couto foi galardoado com o prestigiado prémio para a língua portuguesa Passo Fundo Zaffari & Bourbom de Literatura, com o romance “O outro pé da sereia”.
De notar que um dos candidatos era o nobelizado José Saramago.
Este prémio, vai na sua V edição, no montante de 100 mil reais (cerca de 37.500 euros) é uma realização da Universidade de Passo Fundo e da Câmara Municipal desta cidade, que dista cerca de 330 quilómetros de Porto Alegre, e é concedida de 2 em 2 anos na “Jornada Nacional de Literatura”.
Além do prémio monetário, Mia Couto vai receber o troféu “Vasco Prado" igualmente concedido pela aquela universidade brasileira.
Além de Saramago, que apresentou a obra “As intermitências da morte”, concorreram a este certame nomes consagrados da literatura brasileira como Milton Hatoum, Luiz Ruffato, Flávio Carneiro, Adriana Lunardi, Hélder Macedo, Maria Valéria Rezende e Antônio Torres.
Moçambique e Mia Couto, uma vez mais de parabéns.

23 abril 2007

Dia Mundial da Leitura: «Toda a gente fala: Sim senhor»

Pelo dia Mundial da Leitura um trecho do conto de Onésimo Silveira, “Toda a gente fala: sim senhor”, publicado na década de 60 pela Publicações Imbondeiro, Sá da Bandeira (Lubango).
Refernte a esta data dois poemas foram colocados no
Malambas; um deste autor e outro do angolano Arnaldo Santos

(…)
- Cara dinhô ê cara d’alguém qui câ stá sábi, Tigusto! – exclamou Nizinho ao entrar na sanzala.
Com uma expressão apagada, que a chama amarela e fumarenta do candeeiro aprofundava, sentado no seu inseparável mocho, Tigusto permanecia estático e indiferente como a presença de um corpo morto.
Câ ê sô tã pensa qui nhô tâ rumá vida, igusto ! – volveu Nizinho ao silêncio de Tigusto.
Ressurgindo da amarelidão da sanzala, ergueu-se Tigusto. Sem nada dizer apontou o atado sobre a mesa:
- Olhá nizinho: pronto pâ bai tê cidade. C’um atado de batata e um casaco de caqui… – lamentou-se, numa voz que mais parecia interiorizar-se.
Nizinho fitou o atado. Ao lado dele estavam a viola e o chapéu de feltro cinzento, que Tigusto trazia muito estimado a um canto da mala.
Tigusto nada disse sobre a viola. Talvez lhe tivesse raiva ainda… Mas ao outro dia, manhã grande, atravessou-a às costas e, o atado pela mão e o chapéu bem enfiado, meteu-se ao caminho que o levaria à cidade pela primeira vez..
(…)

15 novembro 2006

Recordar Angola Vol.2

O jornalista Paulo Salvador lança hoje, em Lisboa, na Livraria FNAC, do Centro Comercial Colombo, pelas 18,30 horas, o seu segundo volume de fotografias de Angola.
A apresentação da obra que estará a cargo de Rui Pêgo contará com uma surpresa adicional que, por razões lógicas, não mencionarei - somente que a surpresa conterá personalidades dos anos 60 e 70 que, com a sua melodiosa voz, encantaram Angola.
Tentarei não faltar a este evento.
Mas a apresentação desta obra não ficará só por Lisboa. outras localidades portuguesas estarão no périplo do jornalista e autor, conforme segue:
Livraria Bertrand Algarve, Guia, 18-11-2006, às 15.30 horas; Bertrand Porto Antas, 24, às 21h; Bertrand Coimbra Dolce Vita, 25, às 18.30h; Bertrand Fórum Aveiro, 26, às 16.30h; Bertrand Fórum Viseu, 2-12-200, às 18h; Bertrand Vasco da Gama, Lisboa, 16, pelas 16h; Fórum Almada, 17, às 21.30 horas.
Espera-se, e deseja-se, que esta apresentação também possa vir a incluir o nosso país e que, tão breve quanto o possível, Paulo Salvador vá a Luanda mostrar esta sua obra.

27 outubro 2006

Memórias de um guerrilheiro

Já vários, aqui neste meio que é a blogosfera, analisaram as memórias e as reflexões de Alcides Sakala no diário – assim o chama o autor –, “Memórias de Um Guerrilheiro”, em particular a pouco cuidada revisão de texto que contraria o habitual cuidado que caracteriza as obras publicadas pela editora Publicações D. Quixote.
São as memórias de um “guerrilheiro pelas circunstâncias, diplomata por profissão, [e] humanista por carácter e formação” – como escreveu Maria Antónia Palla, no prefácio – que relatam as operações militares entre Dezembro de 1998 e Março de 2002 e a sua natural apologia política sem, no entanto, deixar cair o humanismo descrito pela prefaciadora.
E esse humanismo está patente num trecho do texto publicado no Malambas.
Uma obra para ler, com o cuidado que a mesma exige – não esquecer que foi escrita em condições difíceis e sob um prisma político-militar complexo – para o natural estudo da moderna História de Angola.
Um obra vista e sentida pelo outro lado da barricada. E por isso mesmo não deve ficar esquecida, pelos cientistas sociais e pelos analistas e politólogos, nas prateleiras de uma qualquer estante.

12 outubro 2006

Nobel da Literatura 2006 para escritor turco

Orhan Pamuk, um escritor pouco querido dos nacionalistas turcos, natural de Istambul, onde nasceu em 1952, devido ao seu apoio às causas arménias e curda foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura de 2006.
Pamuk, segundo a Academia sueca, terá ganho o título devido ao seu empenho na denúncia literária daquelas causa e das tensões entre o Ocidente e o Oriente através da sua constante «busca pela alma melancólica da sua cidade» que lhe terá permitido descobrir «novos símbolos para o confronto e o cruzar de culturas».
Orhan Pamuk tem dois livros editados em português: A Cidadela Branca e Os Jardins da Memória, ambos com a chancela da Editorial Presença.

09 outubro 2006

Leopold Senghor, 100 anos

Léopold Sédar Senghor (1906-2001)

Comemora-se hoje o centenário do nascimento daquele que, com Aimé Césaire e Leon Damas, foi um dos pais do movimento cultural e social “Negritude”.

28 setembro 2006

Mensagem de Ojna a Adrocasued por uma Angola melhor

(tela que pode ser vista aqui)
Há uns tempos fiz aqui referência a um artigo escrito para a revista angolana Eventos “Deus Acorda no Horizonte Angolano” onde fazia uma análise crítica – longe vá essa pretensão – ao livro de Ana Paula de Castro, “Deus Acorda” editado pela Papiro editora e lançado a 4 de Fevereiro numa interessante apresentação de David Borges, no auditório FNAC do Chiado.
Nessa análise deixava um repto à autora para que esta obra tivesse uma continuação porque precisávamos de saber o que o Ojna (Anjo) tinha para dizer ao seu irmão Adrocasued ([António] Deus Acorda) desde o seu regresso à sua Pátria mui amada, Angola, até ao presente.
A autora embora não indicando que vá dar continuidade à obra depositou-me um texto, em forma de Mensagem que pode e deve ser lido no Malambas.
Um belo e forte texto.

08 junho 2006

São Judas Iscariote, um romance, um diário ou...

... ou o quê? É isso que irei ter, por certo, o prazer de descobrir.
Ontem tive o grato prazer de assistir ao lançamento do livro “São Judas Iscariote” de Fátima Pinto Ferreira (autora de um belo quanto interessante blogue, o “cão com pulgas" – ontem, a dada altura, quase parecia uma convenção de bloguistas).
Tem edição da “nova” Edições Cosmos, e foi apresentada pelo Professor Adelino Maltez.
A obra, para a qual terei o sublime prazer de descobrir, em toda a sua plenitude, na próxima semana – dado que farei um pequeno intervalo físico-mental destas lides e para onde vou, contrariando as intenções político-sociais deste Governo, as “ondas netianas” não chegam (e é uma região turística das mais importantes de Portugal, olha se não fosse!!) –, parece estar entre um romance, um diário, um caminhar por um pedaço da vida da autora, no papel da narradora.
Como nota complementar, e porque é de toda a justiça fazê-lo, alertar – diria mais, sensibilizar – que “1 euro de cada livro vendido – quanto mais não fosse só por esse facto o livro merece ser comprado – destinar-se-á às obras sociais do Rotary Club de Algés”.

25 maio 2006

Luandino Vieira e o Prémio Camões

(Luandino Vieira em foto da Ed. Caminho)

Mal vai um país que se preocupa em querer saber – ou discutir – o(s) porquê(s) da tão propalada recusa do Prémio Camões 2006 pelo luso-angolano (esta referência à dupla nacionalidade é intencional para evitar algum aproveitamento político) Luandino Vieira.
Acontece que o autor de grandes obras como "Luuanda" e "No Antigamente na Vida – estórias" não terá, de acordo com amigos chegados, recusado o Prémio mas, e tão só, o valor do prémio por motivos meramente pessoais e muito íntimas, como sendo o facto de estar, neste momento, a ter uma vida quase franciscana.
E, já agora, para que se saiba esta não terá sido a primeira vez que um autor recusa receber o prémio, dado que, já em 1994, o poeta português Herberto Hélder terá feito o mesmo, no caso com o Prémio Pessoa, e, registe-se, que a generalidade da sua biografia, incluindo a colocada no sítio do Instituto Camões, omite esta ocorrência.
Então porquê esta toda celeuma com a posição de José Luandino Vieira.
O que poderia era ter doado o valor pecuniário por terceiros, por exemplo, os Meninos da Rua, de Luanda, ou pelas Crianças SOS, de Angola, entre outras organizações de solidariedade.
Aí sim, talvez fosse mais bonito.
E nunca aquilo que a Ministra da Cultura portuguesa deseja fazer; aproveitando-se da situação - mesmo que juridicamente esteja previsto - para colocar metade da verba no orçamento do Gabinete de Relações Internacionais, do seu Ministério.