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30 setembro 2008

Dia da Quitandeira

(O Pregão da vendedora de milho; Tela de Tóia Neuparth)

Angola celebra hoje o Dia da Quitandeira.

Quantas ocasiões não foram elas, muitas vezes trôpegas e com enormes e pesadas kitandas à cabeça, que nos saciaram a fome e a sede com as suas frutas frescas e perfumadas recolhidas na penumbra do matinal cacimbo.

Quantas vezes suculentos abacaxis, maravilhosas espigas de milho, lindas laranjas, perfumadas pitangas, belas papaias, magníficas bananas, ou deliciosas mangas ou goiabas nos caíram nas nossas mãos ávidas da frescura que elas nos transmitiam esquecendo-nos das longas caminhadas já percorridas pelas, por certo, cansadas quitandeiras.

Associando-me a esta data relembro parte do poema de Luandino Vieira “Canção para Luanda”: E você / mana Maria quintandeira / vendendo maboques / os seios-maboque / gritando, saltando / os pés percorrendo / caminhos vermelhos / de todos os dias? / "maboque, m'boquinha boa / doce docinha; ou, então, propondo-vos uma leitura no Malambas do poema de Agostinho Neto “Quitandeira” ou "Névoas" de Namibiano Ferreira.

25 maio 2006

Luandino Vieira e o Prémio Camões

(Luandino Vieira em foto da Ed. Caminho)

Mal vai um país que se preocupa em querer saber – ou discutir – o(s) porquê(s) da tão propalada recusa do Prémio Camões 2006 pelo luso-angolano (esta referência à dupla nacionalidade é intencional para evitar algum aproveitamento político) Luandino Vieira.
Acontece que o autor de grandes obras como "Luuanda" e "No Antigamente na Vida – estórias" não terá, de acordo com amigos chegados, recusado o Prémio mas, e tão só, o valor do prémio por motivos meramente pessoais e muito íntimas, como sendo o facto de estar, neste momento, a ter uma vida quase franciscana.
E, já agora, para que se saiba esta não terá sido a primeira vez que um autor recusa receber o prémio, dado que, já em 1994, o poeta português Herberto Hélder terá feito o mesmo, no caso com o Prémio Pessoa, e, registe-se, que a generalidade da sua biografia, incluindo a colocada no sítio do Instituto Camões, omite esta ocorrência.
Então porquê esta toda celeuma com a posição de José Luandino Vieira.
O que poderia era ter doado o valor pecuniário por terceiros, por exemplo, os Meninos da Rua, de Luanda, ou pelas Crianças SOS, de Angola, entre outras organizações de solidariedade.
Aí sim, talvez fosse mais bonito.
E nunca aquilo que a Ministra da Cultura portuguesa deseja fazer; aproveitando-se da situação - mesmo que juridicamente esteja previsto - para colocar metade da verba no orçamento do Gabinete de Relações Internacionais, do seu Ministério.

19 maio 2006

Prémio Camões 2006 para Luandino Vieira

O Prémio Camões 2006, o mais importante galardão literário da língua portuguesa, no valor de cem mil euros, foi atribuído hoje em Lisboa ao escritor angolano José Luandino Vieira.
Pela segunda vez, um autor angolano – depois de Pepetela, em 1997 – é galardoado com o maior prémio literário de língua portuguesa.
Não há dúvida que o autor de “No antigamente, na vida - estórias”, “Luuanda”, “A Vida verdadeira de Domingos Xavier”, “Nosso Musseque”, entre outras, já merecia um reconhecimento mais profundo.

Um belo poema de Luandino Vieira, "Estrada" pode ser lido Malambas e agora também aqui.