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01 fevereiro 2013

O Mali pode condicionar África?

"Houve um período em que o Continente Africano esteve numa certa estranha acalmia político-militar, só entrecortada com as crises da Costa do Marfim e, do já rotineiro, Congo Democrático. Infelizmente, coisa de pouca duração. Desde que emergiu a chamada Primavera Árabe que o Continente, em particular a parte meridional, está em contínua convulsão. Foi – e é – a Líbia, é o Egipto e, mais recentemente, o Mali.

Na Líbia, como se previa, a queda de Kadhafi não seria sinónimo de paz e evolução político-militar. A situação no país está entrar numa rotina de preocupantes conflitos locais com os principais países ocidentais a mandarem sair os seus cidadãos, nomeadamente, da “pátria” da revolta líbia, Benghazi, em parte devido às ameaças dos grupos fundamentalistas islâmicos do Norte de África, ditos aliados da al-Qaeda.

No Egipto a oposição ao presidente islamita Morsi mantém o país sob um clima de forte tensão devido, segundo aqueles, ao facto dos islamitas da Irmandade Islâmica e de Morsi terem criado uma Constituição que fere os desejos libertadores constitucionalistas dos “fundadores” da alforria da Praça Tahrir, ou seja, igualdade entre os Povos e entre os Homens e as Mulheres.

Mas se nestes dois países a situação é crítica, no Mali a conjuntura é de guerra aberta entre uma certa legitimidade (não constitucional) e um déspota terrorismo. E porquê uma legitimidade não constitucional e um terrorismo? Recordemos a evolução.

O Mali, em Março de 2012, foi alvo de um Coup d’État (Golpe de Estado) levado a efeito por militares liderada pelo capitão Amadou Haya Sanogo (estranhamente e ao contrário das directrizes da União Africana (UA), esta reconheceu o novo Governo). Este golpe despoletou a crise subsequente levada a efeito por tuaregues e aproveitada pelos islamitas pró-al-Qaeda.

Os tuaregues liderados pelo Movimento Nacional para a Libertação d’ Azawad (MNLA), um movimento laico que também agrupa islamitas não radicais defendeu a separação autonómica do Norte do Mali (Azawad) no que foi aproveitado por radicais islâmicos para declararem a secessão integral e respectiva independência do território.

Só que os independentistas não se ficaram pelo território secessionado. Quiseram progredir para sul o que levou o presidente interino, Dioncounda Traoré, ao abrigo da Resolução 2085 da ONU, sobre o Mali, solicitar ajuda à Comunidade internacional, leia-se, à França e à UA.

Recorde-se que Traoré ascendeu ao poder através de um novo Golpe contra Sanogo, evocando a retomada da legitimidade constitucional. Nada mais erróneo dado que desde 2002 que o Mali era governado por golpistas.

A aproximação dos golpistas terminou em Konna – na região de Mopti, que já não faz parte de Azawad –, a cerca de 300 quilómetros a norte da capital, Bamako, com a entrada na cena militar de forças francesas.

E aqui volta a velha questão da franconização de África que o presidente francês Hollande disse ter terminado. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 263, de hoje, página 19 (1º caderno)

17 janeiro 2013

E na recente crise do Mali…


A crise do Mali resultante da secessão da parte norte do país levada a efeito por rebeldes tuaregues ditos islamitas radicais – o que se estranha porque os tuaregues nunca foram radicais islamitas, em parte, devido aos efeitos do pós-independência da Argélia –, após uma tentativa de Golpe de Estado, liderada pelo capitão Amadou Haya Sanogo, o que obrigou a uma tomada de posição forte por parte da União Africana e da CEDEAO.

Tal como a verificada no Coup d’État (Golpe de Estado) da Guiné-Bissau.

Recorde-se que a secessão resultou na proclamação do Estado de Azawad, de matriz islâmica, pelo Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA), a que se juntaram outros grupos rebeldes, incluindo radicais alegadamente ligados à al-Qaeda, como a Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) ou o Ansar Dine Islâmico, bem como sudaneses e alegados saauris; o Azawad é um território um pouco maior que a França, e que corresponde a cerca de dois terços da área total do Mali (ver imagem).

Ou seja, e em boa verdade, o que a UA e a CEDEAO fizeram foi já habitual um tiro no escuro, demasiado breu, sem quaisquer efeitos práticos – como em todos os Golpes ocorridos no Continente – pelo que necessitou da entrada de terceiros para que a questão tivesse outro caminho.

Foi o que aconteceu nestes dois últimos dias com a entrada das forças armadas francesas na procura da recuperação da integridade territorial do Mali após suposto pedido das autoridades malianas de Bamako.

Essa foi a razão oficial. No entanto, há uma outra razão substantiva e subjacente para que a França, com o apoio da ONU, da CEDEAO, da União Africana – por via da aplicação da Resolução 2085 da ONU, sobre o Mali, – e de alguns dos principais líderes africanos, como o presidente sul-africano, Jacob Zuma o confirmou, ontem, em Luanda, tenha começado a actuar no Mali: a eventual queda do presidente interino Dioncounda Traoré.

O governo de Traoré começou a sentir os reais efeitos da crise militar quando os rebeldes tomaram de assalto, no passado dia 10, a cidade de Konna – na região de Mopti, que já não faz parte de Azawad –, a cerca de 300 quilómetros a norte da capital, Bamako.

Não esqueçamos que Traoré ascendeu ao poder em Bamako depois da tentativa de um Coup d’État levado a efeito em Março de 2012, pelo capitão Sanogo que visou a queda do regime de Mamadou Toumani Touré, também ele tendo ascendido ao poder, em 2002, após um golpe de Estado.

Ora, a razão invocada para o Golpe foi o alegado descontentamento dos militares com a falta de meios para combater os rebeldes tuaregues no Norte do país. E, todavia, isso não impediu que os revoltosos, após o não apoio da UA ao Golpe, tenham sido os mentores da secessão tuaregue.

Acresce que os tuaregues são acusados de terem estado na linha da frente líbia a apoiar e sustentar o regime de Muammar Kadhafi até ao seu fim definitivo. Na fuga destes elementos bem treinados e armados para o norte do Mali levou que os mesmos acarretassem consigo muito material bélico, nomeadamente, armamento pesado.

Como este conflito pode provocar uma série de riscos elevados para todo o continente, nomeadamente, uma eventual violenta reação dos islamitas e um potencial desastre humanitário, vamos aguardar qual será o desenrolar final do conflito.

Que esta ajuda militar da França – que deverá ter o apoio das forças africanas da Afisma, (força africana de cerca de 300 soldados da CEDEAO) – não acabe como a ajuda militar humanitária da Líbia.

O ataque de islamitas a um bloco de extração de gás na Argélia – sob a denúncia deste país ter facilitado a travessia aérea das forças francesas para o Mali –, com a captura de reféns e o contra-ataque das forças argelinas para a recuperação do território não inferem bom augúrio.

Ainda assim, há a expectativa que, depois do fim da crise, a questão da Azawad seja assunto de uma análise ponderada e objectiva, visando a integridade territorial do Mali, mas... (basta ver o que aqui escrevi)

14 janeiro 2013

De Marrocos ao Mali


(imagem Expresso/Google)

Interessante artigo do investigador Raúl M. Braga Pires, professor universitário em Rabat, sobre duas matérias incandescentes do Norte de África:

- as movimentações dos islamitas pró-Sharia em Marrocos com a proclamação do Ansar Achariaa (Defensores da Chariat/Lei Islâmica) levada a efeito pelos islamitas marroquinos subordinados ao Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) que, por sua vez, fazia enviar marroquinos para o norte do Mali onde foi proclamada a secessão do Azawad;

- a secessão do Norte do Mali por islamitas tuaregues e a tentativa emergente das tropas malianas apoiadas pela França e pela CEDEAO em recuperar a integridade territorial.

Um interessante artigo que aconselho a sua leitura e ponderação com particular destaque para dois últimos parágrafos que reproduzo e sublinho:

No terreno, certamente que o MNLA [Movimento Nacional para a Libertação d'Azawad, movimento laico que também defendeu a separação] preencherá o vazio que o Ansar Eddine deixará, abrindo assim espaço a negociação e à criação dum Azawad autónomo, mas não independente, garantindo a integridade territorial do Mali, fundamental para a manutenção da integridade territorial do Marrocos, da Costa do Marfim, da Nigéria, da Líbia e se quisermos ser atrevidos, até mesmo de Moçambique, por exemplo.

Neste campo, até já nem se pode falar do "evitar o levantar dum precedente histórico", já que o mesmo já foi levantado em África, aquando da secessão da Eritreia face à Etiópia em 1993 e do Sudão do Sul face à República do Sudão em 2011.

22 maio 2012

CEDEAO posta em causa por causa dos golpes…


Supostamente a CEDEAO como organização regional dentro da União Africana e a esta subordinada – assim o pensamos – deveria condenar, com todas as forças toda e qualquer atitude que pusesse em causa os princípios constitucionais dos seus Estados-membros e,, naturalmente, Estados subscritores das determinações dimanadas da Comissão da União Africana e dos seus Conselhos de Ministros.

Deveria, mas como recentemente verificámos com os golpes de Estado no Mali e na Guiné-Bissau isso não está a acontecer.

Ou seja, quando caminhamos para a celebração dos 49 anos da Unidade Africana constatamos que ainda perdura a vontade das armas – a grande maioria dos Golpes de Estado têm forças castrenses por detrás – ou a supremacia neocolonial – quase sempre nas crises da África Central e do Sahel, está o Quai d’ Orsay / DGSE e ou o Foreign Office / SIS.

Pois ao arrepio de tudo o que a União Africana tem preconizado e declarado, a CEDEAO, apesar de criticar e sancionar os golpistas não só nada fez contra eles como tem implantado novos Presidente e Governos.

Foi assim no Mali onde o novo presidente reconhecido pela CEDEAO é o líder golpista como o foi na Guiné-Bissau onde o presidente em exercício até futuras – nem que seja lá para as calendas – eleições é o antigo presidente da Assembleia Nacional Popular e, pasme-se – ou talvez não – o terceiro posicionado nas recentes e não completadas eleições presidenciais, Serifo Nhamadjo, e um Governo decidido entre os golpistas e as poucas fontes que os apoiam.

Se na Guiné-Bissau ainda há alguma poeira no ar, embora sem grandes tempestades, no Mali manifestantes invadiram o palácio governamental e agredira o líder colocado no poder por acordo entre golpistas e CEDEAO que teve de obter tratamento.

Triste, deplorável, que os dirigentes da CEDEAO também lá não estivessem para poderem melhor ponderar o que lhes pode esperar.

É que um dos supostos actuais líderes da CEDEAO e seu actual presidente em exercício, parece andar a esquecer como chegou ao poder…

22 março 2012

Coup d’État no Mali

Quem dizia que África estava a dormir, o Mali hoje desmente.

Mais um Golpe de Estado militar e em vésperas de eleições presidenciais onde, paradoxalmente, o actual presidente, Amadou Toumani Touré, não era candidato...

A nova Junta Militar, dirigida pelo capitão Amadou Sanogo, líder do Golpe, tomou conta do poder, tendo já sido contestado pela CEDEAO.

Mais uma flecha bem apontada às legítimas pretensões da União Africana em ser credível e em querer a manutenção de um legítimo e legal status quo institucional.

Entretanto, o presidente deposto ter-se-á abrigado no quartel de Djikoroni-Paras, em Bamako, dos comandos pára-quedistas. De notar que Touré foi, também ele, um militar desta corporação.

Recorde-se que o Mali é conhecido por ter uma guerrilha tuaregue muito activa e por acoitar – embora nunca claramente provado – activas milícias da Al-Qaeda.

10 janeiro 2010

CAN2010: Angola 4 - Mali 4

Como foi possível?

Como se compreende que aos 87 minutos estamos a ganhar por 4-1 e fechemos o jogo empatados?

Parecíamos uns gajozinhos porreiros a ver jogar os craques que jogam nos principais clubes da Europa...

Como disse Manuel José na entrevista curta à TPA mostrámos ser uns anjinhos que só pensaram em jogar bonito e que, isto digo eu, o Mali iria encaixar mais golos.

Fomos tão anjinhos como o foram as autoridades ao permitir a circulação da selecção do Togo do Congo-Brazza para Cabinda mesmo depois de ter sido combinado que as equipas teriam de viajar de avião. E Cabinda tem aeroporto internacional preparado para voos nocturnos...

Se não fosse o ridículo da suspeição até pareceria que os togoleses tinham sido avisados que nada iria acontecer. Ou seja, saberiam aquilo que todos nós há muito sabemos mas que as autoridades em Luanda e na cidade de Cabinda fazem por esquecer existir: a presença de militantes seccionistas e independentistas.

Talvez as informações prestadas aos togoleses não tenham sido bem enviadas. Ou será que foram os congoleses tão interessados – como os de Kinshasa, diga-se, – na desestabilização daquela parte da região africana que esqueceram de avisar os dirigentes e jogadores togoleses? E como se entende a atitude do Governo togolês mesmo depois dos seus jogadores terem afirmado que queriam glorificar o nome do País ao afirmar que estes já não o representavam? Estranho, politicamente estranho...

Mesmo que sejam uma facção da FLEC, como esta já fez questão de afirmar no exterior, a organização seccionista não se esqueceu do que há muito anda a prometer: levar o caos até onde lhe for possível mesmo que isso leve a Comunidade Internacional rejeitar ou desprezar a sua vontade de maior autonomia.

Não é com armas sobre inocentes que se atraem os Poderes e as opiniões Públicas.

Talvez que Angola tenha compreendido as duas lições. Ou seja, que não é pensando que uma equipa está moribunda só porque está a perder por 3 golos (esqueceu-se que uma parte significativa dos malianos joga em Espanha e lá o jogo só acaba quando o árbitro o confirma) nem que Cabinda é um caso sem importância como alguns querem continuar a fazer crer entre a província e Luanda.

Pode ser que assim sua Exª o senhor Presidente da República, Eng.º de Petróleos, José Eduardo dos Santos deixe de levar para eventos desportivos frases de ordem do seu partido: Infelizmente, e no futebol isso é por demais evidente, nem sempre a Vitória é Certa!

Ah!, e já agora, não tempo de informarem o antigo jornalista da RTP, Gabriel Alves que já há muito que Angola deixou de ser uma República Popular? Teria sido interessante ouvir o seu colega da TPA elucidá-lo historicamente disso…
Texto reproduzido no portal , na coluna "Malambas de Kamutangre", sob o título "CAN2010: Angola 4 - Mali 4 - Como foi possível?"

11 fevereiro 2009

Angola assim vai lá, vai…

Angola 0 - Mali 4


Infelizmente não vi o jogo particular que os nossos Palancas fizeram em Paris, pelo que não posso fazer juízos de valor quanto á qualidade do mesmo, mas que o resultado promete, lá isso promete…

E ao intervalo já estavam encaixados 3 secos dos malianos…

Espero que o particular tenha servido para tirar ilações e dar luzes à FAF que não basta organizar campeonatos de futebol, como o CAN, se não houver boas estruturas competitivas internas além de que nomes não fazem selecções.

Esperemos que tenha sido só um dia não e que os próximos mostrem uma selecção mais vencedora.