Mostrar mensagens com a etiqueta Moçambique. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Moçambique. Mostrar todas as mensagens

10 março 2012

O que querem os líderes moçambicanos?!...

"Afonso Dhlakama, líder do partido da Perdiz, (a Renamo), andava a clamar, ainda e cerca de 20 anos depois, que a Frelimo, não estava a cumprir com os Acordos de Paz de 1992, assinados em Roma.

Vai daí que ameaçava juntar os seus antigos guerrilheiros numa das cidades que mais o apoiavam e provocar rebuliços – tantos quantos os necessários – para que o Governo Central moçambicano (liderado pela Frelimo, desde a independência) assumisse os ditos erros de casting e fizesse letra os Acordos.

Se foi ou não devido às constantes manifestações de denúncia de Dhlakama, o certo é que o Perdiz-mor conseguiu que algumas dezenas de pessoas próximas da Renamo, chamados “desmobilizados” se juntaram numa das casas-sede provinciais da Perdiz, na Rua Sem medo, ameaçando o actual status quo moçambicano com manifestações nas ruas de Nampula, a chamada Capital do Norte.

Recordemos que um dos itens do Acordo de há cerca de 20 anos – depois deste acordo já houve várias eleições legislativas, presidenciais e autárquicas, pelo que esse item não se justifica mais – previa que o estado moçambicano prometia " que um determinado número [de ex-guerrilheiros da Renamo] teria o estatuto de polícia para guarnecer as instalações e quadros superiores", do maior partido da Oposição.

Ora isto nunca, segundo Dhlakama, terá alguma vez acontecido. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , secção "Colunistas" de hoje.

09 dezembro 2011

Há um efeito boomerang das crises árabes?

Há “manifs” em Angola, no Congo Democrático (RDC) há movimentações contestatárias a Joseph Kabila Jr, entretanto declarado vencedor das eleições, embora sem maioria absoluta – uma providencial alteração constitucional permite-lhe a vitória com maioria simples –, na Cote d’Ivoire (Costa do Marfim) o antigo presidente foi colocado sob detenção pelo Tribunal Penal Internacional onde presta declarações por acusação de vários delitos contra a Humanidade.

Na África do Sul houve três antigos baluartes do ANC que viraram para a oposição democrática e para um dos seus antigos membros, entretanto expulso daquela organização. (ver aqui)

Em Moçambique as eleições intercalares regionais deram vitória repartida entre a Frelimo – em Pemba, onde o seu candidato obteve quase 89% dos votos (também Mubarak chegou a obtê-los e vê-se…) – e a MDM, com o pretendente democrático a conquistar, com significativa maioria, a cidade de Quelimane, e a contestar a vitória da Frelimo em Cuamba. (ver aqui e aqui)

Será o início do efeito boomerang da Primavera Árabe, agora na parte meridional de África?
Transcrito no , secção "Moçambique"

27 novembro 2011

Fado, Património Imaterial da Humanidade

(da Internet)

O Fado, a música nacional dos portugueses, por excelência, viu a sua variável lisboeta – existe outra variante, a coimbrã – ser eleita, hoje, em Bali, Indonésia, e sob patrocínio da UNESCO, como Património Imaterial da Humanidade.

Parabéns, pois, ao Fado, e a Portugal, que viram a sua música se tornar mundial.

Talvez seja uma ideia a reter pelos nossos dirigentes, nomeadamente pela Ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, em pensar no mesmo para a nossa música, nomeadamente, para a Rebita, para o Merengue, ou seja, e genericamente, para o Semba, a(s) fonte(s) que geraram o Samba, a tão famosa música carioca.

Ou para Moçambique pensar na sua Marrabenta, também ela sinónimo de excelente qualidade musicológica.

De certo que a Humanidade também irá apreciar a musicalidade e a sonoridade das nossas músicas.

22 novembro 2011

Foi há 11 anos...


Com a devida vénia, reproduzo a chamada de atenção do portal da Rádio Deutsche Welle sobre o aniversário do assassinato de Carlos Cardoso, jornalista - considerado como um dos mais influentes jornalistas - moçambicano, e sem mais comentários!

Ou seja, não bem sem mais comentários mas com uma simples questão. Será que estão à espera da prescrição do acto criminoso para, nessa altura, as autoridades moçambicanas conseguirem "descobrir" quem praticou e quem mandatou tão asqueroso e ignóbil acto?

02 outubro 2011

Mundial de hóquei S. Juan 2011 - Classificação final


Espanha campeã e Angola no 11º lugar, bem aquém das expectativas de melhorar a último 6ª posição. Parabéns ao espectacular 4º lugar de Moçambique!

O hoquista moçambicano Carlos Saraiva foi o segundo melhor marcador da prova, logo atrás do argentino Pablo Alvarez.

E adeus, até ao 41º Campeonato... em Angola, em Setembro de 2013! (a primeira vez fora da Europa e da América latina)

01 outubro 2011

Mundial de hóquei S. Juan 2011

Um bravo a Moçambique pela brilhante carreira que está a fazer neste Mundial que hoje termina.

Depois de ter logrado vencer-nos no último jogo do grupo (a que também estavam Portugal e EUA) por 4-3, após prolongamento e com golo de ouro, conseguiu caminhar até às meias-finais tendo sido derrotada, ontem, perante a poderosa e principal candidata, a actual campeã, Espanha por 3-4… e após prolongamento e só com golo de ouro.

Como sou desportista não digo quem com ferros mata, com ferros morre. Somente louvar a persistência moçambicana.

Entretanto Angola baqueou face à Alemanha por 4-3 – durante o torneio, demos provas de deficiente qualidade de marcação de livres – pelo que vamos ter de lutar pelo 11º/12º com a Colômbia.

Por sua vez Portugal tombou perante a equipa da casa, Argentina, por, e também, 3-4 (até parece um resultado já combinado para ontem tantos foram estes os obtidos; também a rança perdeu por 3-4 com o Chile).

Enquanto Argentina – imprensa portuguesa diz que beneficiou de apoio caseiro (verdade ou desculpa de má perdedores) – jogo o título com a Espanha, duas equipas lusófonas (Portugal e Moçambique) vão dirimir-se pelo terceiro lugar do pódio.

O certo é que se S. Juan e o Mundial de 2011 está a acabar. Já o de 2013 começa a dar os primeiros passos com a entrega do estandarte da federação internacional a Angola que vai realizar o próximo Mundial.

Esperemos que nos preparemos melhor e demos uma melhor imagem do nosso hóquei para bem de uma modalidade que deseja entrar nos Jogos Olímpicos.

19 setembro 2011

Jogos Africanos Maputo 2011 - Classificação final de Medalhas


Dos 4 países afro-lusófonos, só Cabo Verde não conseguiu arrecadar qualquer medalha, embora estivesse perto, por mais de uma vez.

Fonte: http://196.28.226.22/ENG/ZZ/ZZS100A_@@@@@@@@@@@@@@@@@ENG.htm

06 junho 2011

Angola e as eliminatórias para o CAN2012

Decorreu ontem e antes de ontem mais uma eliminatória par o CAN2012 no Gabão e na Guiné-Equatorial com a presença de 4 seleccionados lusófonos com um saldo negativo de 1 vitória (Angola) e 3 derrotas (Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique).

Com a vitória de ontem sobre o Quénia, os nossos Palancas deram um passo para manter aberta a esperança de qualificação para o CAN (qualifica-se o primeiro de cada um dos 11 grupos e os 3 melhores segundos).

Todavia o escasso resultado (1-0) não mostra – ou talvez realce – como os Palancas se comportaram no “11 de Novembro”.

Uma vitória que teve tanto de saborosa como de sofrida, principalmente no final das duas partes.

Compreende-se que o adepto angolano habituou-se a saber sofrer, mas tanto também é demais…

E, já agora, um lamento e uma “reclamação”; sabendo que temos de vencer todas as partidas que nos falta até ao final das eliminatórias, não se entende como Litos Vidigal só faça jogar um único avançado. Não será altura de Vidigal deixar de ser tão conservadoramente europeu?...

O seleccionado de Cabo Verde, apesar de derrotado na Libéria por 1-0, manteve o primeiro lugar beneficiando da derrota do seu principal opositor – e com quem vai discutir a primazia do grupo na próxima jornada – o Mali, na sua deslocação ao Zimbabué.

A Guiné-Bissau, do grupo de Angola, foi derrotada no Uganda com a equipa local por 2-0 o que compromete as suas aspirações. De notas que vamos jogar com os guineenses na próxima jornada.

Já Moçambique baqueou por 3-0 com a Zâmbia empenhando, quase em definitivo, as suas hipóteses de qualificação.

De realçar, noutros grupos, as dificuldades dos bicampeões africanos, o Egipto, que está quase eliminado do seu grupo onde a África do Sul e o Níger se encontram em melhor condições de apuramento, principalmente os “bafana-bafana” que estão calmamente sentados no pódio.

Também os Camarões, onde pontua Eto’o dificilmente conseguirão o apuramento dado que só tem 5 pontos enquanto o seu grupo é liderado pelo Senegal com 10 seguido da RDCongo com 7 que fechará as eliminatórias, em casa, com os Camarões.

Quem já está com um dos pés no CAN2012 é o Burkina Faso que só precisa de um ponto para se qualificar directamente, juntando-se aos países organizadores.

07 fevereiro 2011

Obrigado CEMD

Obrigado ao Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) e ao seu presidente, o poeta Delmar Maia Gonçalves, pela homenagem prestada!

05 janeiro 2011

Adeus Doutor Malangatana!

(Africa 1, pintura de Malangatana)

A madrugada de hoje foi aziaga para a cultura lusófona, em geral, e para a pintura moçambicana, em particular.

O pintor Malangatana, o “professor da moçambicanidade” como lhe chamou Mia Couto deixou de pintar e esculpir para nossa tristeza.

Malangatana Valente Ngwenya tinha sido, em Fevereiro de 2010, laureado com o título de Doutor Honoris Causa, pela portuguesa Universidade de Évora.

09 dezembro 2010

Moçambique no WikiLeaks

(foto da Internet)
"Em considerações que há dias escrevi [ver aqui], a publicar em breve, “reclamava” que a WikiLeaks, salvo um pequeno telegrama sobre Cabo Verde, ainda, e estranhamente, não tinha mostrado qualquer documento relacionado com os restantes países da África lusófona, em particular dado a sua importância na região em que se insere, Angola.

Pois eis que, e só de uma vez, Moçambique passa a figura central da WikiLeaks e logo com 4 documentos (09MAPUTO713. 09MAPUTO1291, 10MAPUTO80 e 10MAPUTO86), três deles referentes ao narcotráfico e um a eventuais comissões que uma alta personalidade teria auferido com o negócio de Cahora Bassa.

De acordo com um dos telegramas enviados pela embaixada norte-americana, em Maputo, esta considera Moçambique como a segunda plataforma mais importante de África, a seguir à Guiné-Bissau (outro a ser referido) no tráfico de drogas.

O referido telegrama denuncia, claramente, que há personalidades (e cita nomes) que auferem muito dinheiro com o narcotráfico, bem assim importantes instituições nacionais e políticas, nomeadamente, o partido no poder. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no , secção "Colunistas" de hoje

14 setembro 2010

03 março 2010

É!!!!…

Por razões de saúde estive fora destas lides mais de uma semana.

Pelas poucas notícias que fui ouvindo via TV – infelizmente quase sempre em redor das inúmeras catástrofes e calamidades que aconteceram – houve algumas que mais me chamaram a atenção.

Por exemplo, em Cuba, um dissidente que faleça por falta de assistência médica e pela “simpatia” internacional de ninguém se meter, aconteceu, porque… aconteceu. E não foi por tortura que isso lá não existes… Cuba está longe da Europa, ao contrário de Marrocos e dos sarauis e porque Castros são “filhos” da Espanha e a ilha só serve para certos “vacaciones”…

Mas também fiquei a saber hoje, espantado, diria escandalizadamente espantado, que em Moçambique se fala… PORTUGUÊS!!!!. Incrível, eu julgava que só se falava, talvez, inglês, ou será outra? Dúvidas?, bastava ouvir a repórter portuguesa que acompanha a comitiva do senhor Sócrates a Moçambique… ou será que no mapa dela só aparece MOZAMBIQUE?

Também de um país onde diziam – ou escreveram – que a principal causa de morte nos moçambicanos era a queda de cocos… or else...!

16 janeiro 2010

Moçambique sem transmissões do CAN?

Como é possível que a TVM não consiga angariar cerca de 1 milhão de Euros para transmitir os jogos do CAN, nomeadamente os da sua selecção?

Será possível que o departamento de Marketing da televisão moçambicana não tenha conseguido trazer até si apoios das Instituições financeiras que estão em Moçambique, até porque algumas são de capitais mistos…?

Alguém acredita que as empresas dos milionários que gravitam no partido do Poder não conseguem juntar dinheiro suficiente para mostrar ao seu povo, aquele que dizem representar, pelo menos os jogos da sua selecção?

Ou isto mais não é que inépcia e inabilidade da gestão da televisão moçambicana?

É incompreensível! Mesmo que
derrotados – mas pareceu-me, nada convencidos – pelo ainda detentor do troféu…

22 novembro 2009

Mundial de Futebol de Praia 2009

(imagem do Mundialito de Futebol de Praia ocorrido, em tempos, em Portimão, Portugal; imagem daqui)

Está decorrer até hoje, em Dubai, EAU, o Mundial de Futebol de Praia (ou futebol de areia).

Até ao momento ainda não sei quem é o vencedor que sairá da final que oporá Brasil à estreante Suíça. Em princípio e fora alguma surpresa – basta recordar a
final no Mundial dos sub-17 realizado na Nigéria – o Brasil deverá arrecadar a medalha de ouro e, por consequência, o título Mundial.

Só sei que para o terceiro lugar Portugal bateu o Uruguai, com quem tinha perdido na primeira fase, por 14-7 arrecadando, uma vez mais, a medalha de bronze (acabado de ser televisto na Eurosport2).

Não consegui saber quem foram – se foram – os países que representaram o continente africano. Pelo menos na arbitragem África esteve representada porque num dos encontros que televisionei estava presente um árbitro nigeriano.

O que pergunto é por onde anda Angola ou Moçambique, países com muito boas condições para apresentarem excelentes selecções com muito bons jogadores.

Recordemos como em Angola havia tantos “brinca-na-areia” um dos quais, Dinis (na
Mini-Copa de 1972 os locutores radiofónicos brasileiros, que relatavam os jogos, tanto vezes afirmaram que tinha nascido em… Bengala), esteve em destaque no sorteio – diga-se muito bem apresentado na TPA (nem sempre tem que ser tudo mal) – do CAN "Orange-Angola 2010".

De certeza que se a FAF
decidir apostar no futebol de praia – até porque ouvi dizer que está na calha para ser modalidade olímpica, se já não é – de certeza que poderemos mostrar ao Mundo uma boa selecção.

Têm a palavra Justino Fernandes e a FAF porque ainda vamos a tempo!

Crónica de João Craveirinha: A origem do espírito brasileiro “anti-português”

Mais uma interessante análise de João Craveirinha desta feita sobre algum certo "anti-português" de uma certa sociedade brasileira que o mesmo tem verificado durante a sua estadia em Terras de Vera Cruz.

Dialogando por João Craveirinha
(escrito em P.M. - português de Moçambique)

Crónicas dos (27) Brasís – I (série)
Breves incursões diacrónicas (passado ao presente).
Subsídios para compreender o Brasil e os brasileiros.

A origem do espírito brasileiro “anti-português”
“E quem nos fez assim (antes de tudo quanto tem de particular a nossa vida) foi a própria Europa. “ (in Pombo, Rocha (1925). História do Brasil, pp.279).

Grosso modo, até que ponto se poderá inferir que no Brasil possa existir um sentimento de repúdio ou desprezo a tudo que se relacione com Portugal, incluindo a África onde se fala português? Até que ponto está entranhado no imaginário colectivo brasileiro contemporâneo esse sentimento?

Essa verificação ad hoc poderá ser consubstanciada in loco no Brasil, sobretudo entre as camadas urbanizadas e quanto mais ditas eruditas, se acentuaria esse fenómeno. Obviamente haverá sempre excepções à regra. Mas no fundo ou na génese do tema tratar-se-ia de ressentimentos e recalcamentos em relação à antiga metrópole colonial paulatinamente (re)construídos a partir do século XVII (1600/1699) e teríamos de analisar... “até que ponto esta aversão foi alimentada pelos próprios intelectuais brasileiros (incluído Machado) que, no empenho de se distanciarem da metrópole (colonial portuguesa) viraram críticos azedos de tudo o que acontecia na Península (Ibérica) e renegaram da origem, tentando ganhar uma identidade própria. Não sei qual teria sido a atitude dos brasileiros se D. João VI (rei de Portugal, início séc. XIX) tivesse sido derrotado por Napoleão. Será que teriam gostado de serem cidadãos franceses?”...(depoimento de uma professora latino-americana sobre este tema).

Essa aversão vem ressurgindo em força no novo Brasil pretendente a um lugar entre as super-potências mundiais (?!). A confirmar-se (esse espírito brasileiro) inferir-se-ia que esse sentimento brasileiro “anti-português” se encontra parado no espaço e tempo. Não teria havido o necessário exorcismo dos fantasmas diacrónicos do Brasil desde 7 de Setembro de 1822 (187 anos de independência passados, em 2009).

Por outro lado, as tradicionais piadas (chistes) de mau-gosto no Brasil inferiorizando as capacidades mentais dos portugueses reflectem uma forma de complexo das avoengas lusitanas nos genes desse brasileiro remetendo para uma espécie de complexo colonial a necessitar de esclarecimento lúcido ou de uma catarsis. (Actualmente há um processo contrário em Portugal de piadas para inferiorizarem brasileiros que chegam à Europa quer como emigrantes quer como turistas - é o reverso da medalha da piada do “matuto”- simplório. Este processo inverso teve início após a entrada de Portugal na União Europeia em 1986. É de se dizer “tal pai, tal filho”).

Rocha Pombo

Uma possível análise desse fenómeno brasileiro
Para tal socorremo-nos do ilustre historiador brasileiro, José Francisco da Rocha Pombo, mais conhecido por Rocha Pombo (n. Paraná, 4 de Dezembro de 1857, f. Rio de Janeiro em 26 de Junho de 1933). Ora nas páginas do seu livro de História do Brasil (1925) volume II, no capítulo IX intitulado “O Regime Colonial”, na pp. 73 vemos inserido o “Capítulo IX – Síntese das causas que atuaram na diferenciação do nosso espírito nacional.”pp. 278. Eis um resumo dessas causas em cinco pontos:
I - O Brasil colónia portuguesa ter ficado entregue aos colonos portugueses que a geriam de acordo às suas vontades e necessidades sendo motivo de orgulho “e de entusiasmo pela (nova) pátria; e ao mesmo tempo feridos de ressentimentos e queixas amargas contra a côrte;” (em Lisboa).
II - A convicção que os interesses da colónia e do reino de Portugal não se combinarem.
III - A enorme distância geográfica a afastar Portugal na Europa, e o Brasil na América do Sul.
IV - “O encontro” do europeu, ameríndio e do africano, originando uma “fusão” genético-cultural que teriam de ser “resolvidas” no Brasil. (Nem sempre pacífica diga-se. O itálico é nosso).
V - Um espírito colonial de conquista do interior (sertão), a partir de um esforço próprio considerado heróico pelos colonos na manutenção e defesa de um património que sempre defenderam (como seu) assim como o enriquecimento com as minas (mentalidade de novos-ricos). O “bandeirante e o mineiro” expressariam as derradeiras acções do período colonial no esforço de erigir uma nação (o Brasil). O século XIX (1800/1899) deixaria um travo amargo nos colonos portugueses de (...)“profundo ressentimento, uma desconfiança irredutível”(...)” em viva antipatia e repulsa por tudo que de lá nos vinha”(...). E do “antagonismo entre filhos da terra” (Brasil) “e filhos do reino” (Portugal). Passaria essa aversão para o próprio país e às suas instituições mais emblemáticas, acrescentaria Rocha Pombo (em 1925). O “desprendimento” a tudo relacionado com Portugal (mãe-pátria) seria a motivação para os (luso) brasileiros estarem por sua conta e risco.

É paradigmática esta “aversão” a tudo que vinha do reino de Portugal nas suas colónias por parte de seus descendentes, quer na América do sul (Brasil), em África, Ásia ou Oceânia (Timor).

Maranhão

Flash back (diacronia)
Segundo crónicas do séc. XVII, em 22 de Novembro de 1652, parte de Lisboa o padre António Vieira integrante de um grupo de outros missionários (Jesuítas) acompanhados por dois capitães-mor chegariam ao Maranhão (S. Luiz), situado entre o Pará do Belém na parte norte do Brasil e do nordeste Piauí (Teresina), Bahia (Salvador), e a sul, Tocantins-Palmas (Goiás). Esses oficiais traziam ordens expressas do Reino para “corrigir os excessos praticados pelos moradores” - colonos portugueses e outros europeus (?!) contra os ameríndios (guaranis) que eram brutalizados em trabalho escravo pelos proprietários de terras (outrora dos mesmos ameríndios). Ora essas e outras situações “normalizadoras” eram consideradas como ingerência nos ”negócios” da colónia e respondidas muitas vezes de armas na mão pelos colonos portugueses (brasileiros) contra as autoridades do reino de Portugal. Esse espírito seria eventualmente transmitido trans-geracionalmente aos dias de hoje, sem que na contemporaneidade, quiçá, se tenha a noção da origem desse sentimento, aliás, peculiar nas colónias de outras potências coloniais europeias de então, com algumas variantes. No entanto, o caso da gesta colonial portuguesa é sui generis. O português é por excelência um puro nómada global quinhentista. A essência da sua “necessidade aguça-lhe o engenho”. Fez-se ao mar repleto de Adamastores que o amedrontavam, e superou-se. Faz parte da sua índole lamentar-se. No entanto segue em frente. Ou pelo menos assim fazia. Insatisfeito com o seu torrão natal vai, parte, e o seu génio e mau génio, recriam outros Portugais em outras paragens longínquas e inóspitas como por exemplo pelo nordeste brasileiro de temperaturas elevadíssimas ou pela selva amazónica densa e húmida. Compõem em desgarrada um “Fado Tropical”(1). Rompe com a mãe-pátria na Europa. O caso português-brasileiro é paradigmático. No caso africano os ventos da história pregaram-lhe uma partida. Mas isso fica para outro dia com a letra (2) e a música do “Fado Tropical”.

Notas:
(1) Alusão à composição musical e poética do cineasta moçambicano Ruy Guerra e do brasileiro Chico Buarque.
(2)
http://letras.terra.com.br/ruy-guerra/989543/

Fontes sitográficas:
Biografia de Rocha Pombo: Academia de Letras do Brasil (
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=214&sid=349
Mapas do Brasil: (
http://www.sites-do-brasil.com/diretorio/index.php?cat_id=881&cat_id_thm=29)
Blog “Pensar não dói”(
http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2009/03/fado-tropical-chico-buarque-dholanda-oh.html)

06 novembro 2009

Moçambique pós-eleições, e agora?

Como se sabe Moçambique foi a eleições para as Legislativas, Presidenciais e Provinciais.

Sabe-se que a estas eleições houve constrangimentos que ninguém dos observadores teve coragem de, com clareza, denunciá-los. Bem pelo contrário, aceitou-os, com naturalidade. Recorda-se os impedimentos pouco esclarecidos que levaram os partidos não oficiais – leia-se, de todos os partidos menos FRELIMO e RENAMO – a verem vetados em alguns círculos eleitorais.

Apesar disso, e a fazer fé em todos os relatórios dos diferentes observadores, apesar de certas anomalias o acto eleitoral terá decorrido sem problemas, sendo que o chefe dos observadores da União Africana,
deu nota positiva ao acto.

Por isso, já se sabe, mesmo ainda sem resultados oficiais apresentados pela CNE local, que a FRELIMO e Guebuza foram – ou terão sido – os grandes vencedores.

Como, habitualmente, o também já seria espectável, já se sabe que a RENAMO contestou – ou contesta – os resultados intercalares ameaçando denunciá-los e não aceitá-los por os mesmos estarem feridos de ilegalidades e de fraudes.

Como é habitual neste partido, mesmo ameaçando, como parece que terá acontecido, pôr o País a
ferro e fogo, ao ponto dos observadores estrangeiros, nomeadamente da União Europeia e da SADC dizerem que é aconselhável mais moderação na linguagem, principalmente quando proferida por um líder, ainda por cima da oposição

Ou seja, diplomaticamente, os observadores estão a aceitar que nem tudo decorreu tão bem como propalaram logo.

Entretanto, o Observatório Eleitoral moçambicano decidiu
reunir-se à porta fechada com Afonso Dhlakama. Assim como assim e pelo sim, pelo não, a Polícia moçambicana já irá a caminho das antigas bases da RENAMO em Nampula…

Se fosse só a RENAMO já diríamos, como habitualmente… E para alicerçar as suas habituais queixas e desconfianças apresentou
boletins de voto – em tudo iguais aos oficiais, numerados e verificados – já previamente assinalados que o STAE diz desconhecer.

Mas quando lemos no portal noticioso moçambicano, Canal de Moçambique, uma acusação tão forte como “Fraude filmada em Escola Primária na Beira” denunciada por alguém próximo do MDM e cuja transmissão do vídeo parece ter sido vetada pela TV Miramar embora tenha passado na TIM, uma televisão independente. Nas denúncias subsequentes o MDM acusa o presidente da mesa de ter recusado aceitar o protesto do seu delegado.

Mas houve também, segundo aquele portal denúncia forte fraude no distrito de Búzi onde cerca de 11000 (onze mil!!!) votos terão sido anulados e que os recursos apresentados pelas partes denunciadoras não foram aceites pelos membros das respectivas mesas.

Vamos aguardar que a CNE divulgue, definitivamente, os resultados e que as denúncias apontadas, mesmo que não passem só de uma “dor de corno” sejam totalmente analisadas e bem escrutinadas pela CNE e pelo PGR moçambicano. A bem da transparência e para não ferir o
Prémio Mo Ibrahim de Boa Governação, conquistado por Joaquim Chissano, em 2007… (de notar que em 2009 não houve vencedores…)
.
Reproduzido, posteriormente, no portal Zwela Angola, na coluna "Malambas de Kamutangre", em 6/Nov./2009

29 outubro 2009

Eleições em Moçambique

As triplas eleições de ontem em Moçambique, decorreram, segundo a maioria das fontes e dos observadores presentes, com urbanidade e poucos constrangimentos. Excepto, talvez, o facto de um observador, de uma organização sul-africana respeitável, querer pernoitar junto de uma das secções de voto para melhor a controlar e ter sido, eventualmente, agredido pela polícia moçambicana – ou, talvez, por energúmenos que vestem uma farda que não respeitam e que causam mau nome à corporação.

à partida há quem já afirme, peremptoriamente que vai ter mais de 50% dos votos; e os
primeiros resultados parecem indiciar isso mesmo. Também depois de ter “impedido” que partidos opositores participassem em pé de igualdade em todos os círculos, isso é natural.

Há favoritos, como em todas as eleições. Mas em regimes democráticos e não democraticamente autocráticos, nem sempre os vencedores são os favoritos. O que, por certo, não irá acontecer num País onde um Presidente não conseguiu imitar um seu “parceiro” presidencial e aceitou que uma ponte tivesse o seu nome.

Vamos aguardar serenos os resultados e esperar que, mesmo com todos os tais constrangimentos, os mesmos sejam aceites sem que venham a ser tingidos de púrpura.

É que há derrotas que, de derrotas em derrotas, acabam, felizmente, em grandes vitórias. E nas democracias, mesmos nas autocráticas e totalitárias há que saber engolir sapos e esperar pacientemente pelo nosso dia!

27 outubro 2009

«Democracia em movimento», ou «freliminização» de Moçambique?…?

"Em Moçambique vai decorrer, amanhã, uma tripla jornada eleitoral, legislativas, presidenciais e, pela primeira vez, para deputados provinciais, naquilo a que, normalmente e com toda a clareza, se chamaria de “democracia em movimento”, salvo se não aparecerem situações anómalas que parecem poder condicionar a legitimidade moral das mesmas.

É que a comissão eleitoral local, quase totalmente – se não for totalmente – dominada pelo partido maioritário moçambicano rejeitou candidatos de um recente movimento/partido – Movimento Democrático de Moçambique (MDM), criado pelo antigo edil da Beira e ex-militante da Renamo, Daviz Simango.

E não foi o único como atestam as
críticas nacionais e internacionais – mostrando que a eventual existência do mesmo pode colocar em causa a habitual bipolarização partidária moçambicana e, simultaneamente, as sucessivas maiorias absolutas qualificadas da Frelimo.

Se existe essa democraticidade como se explica que o chefe da delegação da União Africana (UA) – por acaso de um país onde a mesma também é cada vez mais questionada, apesar do petróleo que sustenta alguns países hipocritamente democratas – exija “
uma campanha cívica normal, onde há respeito pela diferença e cada candidato, a sua maneira, procura obter votos, naturalmente com uns partidos com mais capacidade de transmitir o seu ponto de vista que outros”?

Isto, por norma, costuma colocar em causa os valores de democraticidade de um País ou subjaz uma crítica explícita. Ou seja, alguém parece duvidar – tal como nós – que existe efectiva liberdade política no Pais.

As dúvidas sobre a democraticidade da vida política moçambicana aparecem porque, mais de uma vintena de anos depois, a Frelimo e o seu presidente são
questionados, e nada parecem ter respondido, quanto às “mortes por encomenda” de inúmeros opositores e sobre o relatório que, eventualmente, explicará as reais razões que levaram à morte do primeiro presidente do País, Samora Machel, por sinal em território estrangeiro sobre o qual recaíram, naturalmente, as mais estranhas suspeitas.

Suspeitas adensadas depois de se provar que o piloto teria sido induzido em erro ao mesmo tempo que alguns afirmam, agora, que houve uma
tentativa de Golpe de Estado, porquanto se sabe que Samora queria fazer uma purga junto daqueles que abusavam da corrupção. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado como "Manchete" do , de hoje

25 outubro 2009

Moçambique e as triplas eleições de Outubro

(fac-simile da Manchete de hoje do notícias Lusófonas)

No próximo dia 28 de Outubro, vai decorrer em Moçambique, uma tripla jornada eleitoral, Legislativas, Presidenciais e, pela primeira vez, para Deputados Provinciais, naquilo a que, normalmente e com toda a clareza, se chamaria de “Democracia em Movimento”, salvo se, e se não estou em erro, estarmos perante certas situações anómalas que, na minha perspectiva, parecem poder condicionar a legitimidade moral das mesmas.

Estas seriam uma eleições que poderiam terminar com a habitual bipolarização do País, caso o novel MDM, de Daviz Simango, tivesse podido gozar das mesmas oportunidades que os seus principais opositores. Como se sabe, por razões que a razão ainda não foi suficientemente clara, a CNE moçambicana considerou que o MDM, e outros pequenos partidos e/ou organizações, somente pudessem concorrer a 4 dos 13 círculos eleitorais.

Perante esta situação e face as dificuldades que a Renamo vem evidenciando, as próximas eleições conferirão mesmo, ainda assim, o fim da bipolarização, ou assistiremos à quase implosão da Renamo e a uma clara “freliminização” do sistema político moçambicano?

Estas e outras razões serão oportunamente abordadas.