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03 outubro 2005

Divagações poéticas

Desculpem o impulso, mas como estamos no mês que antecede as comemorações dos 30 anos de Angola, tomei esta liberdade:

Negro-rubra

Que águas desassossegadas
se tragam
e se degustam.
Sejam as do Bengo e as do Catumbela,
do Cunene ou do Cubango,
do Cuanza ou as do Cassai,
do Congo, Cuito ou do Cuango
não há como fugir delas.
São prenhes,
adulantes
e macumbeiras.
Venham a singular gazela
e o soberbo elefante;
jornadeiam-nas a esbelta gaivina,
e o aristocrático leão,
mais a palanca galharda
e o dongo pescador.
Sejam rubra a determinação,
ornitológica dourada a vontade
ou negra a forma;
não há cuidados,
não há, dissimulação;
só transparências,
e naturalidade;
só mar,
terra,
ar,
só um povo:
Angola.

Lobitino Almeida N’gola
Lisboa, 2 de Outubro de 2005

22 julho 2005

LOBITO

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…..
Lobito,
cidade de mangais e valas tortuosas,
dos belos flamingos rosados,
das grandes salinas,
alvas,
mal-cheirosas.
Lobito,
poema de luz e cor,
de alegrias, tristezas e dor.
Ontem, eras uma Restinga,
somente,
nada mais;
hoje, segunda cidade industrial.
Ontem, uma simples língua,
ora, a terceira cidade angolana,
segunda da Angola, litoral.
Bela terra,
filha querida da Restinga.
…..

Três sílabas, apenas,
tem esta cidade,
que nem ao então instituído poder,
alguma vez se vergou:
LOBITO.

Lobitino Almeida N’gola

Luanda, Abril de 1974

Há frases que dizem mais, sendo mudas, que faladas. Por isso, o que me vai no coração não consegue ser representado por frases faladas.
Obrigado “Chuinga” por me teres posto onde, por certo, outros mais merecerão esse destaque.
O poema (desculpem a heresia) pode ser lido, na íntegra, no Chuinga.i, onde encontrarão, ainda, um belíssimo poema dedicado a uma Restinga.
Todos temos a nossa.
E como IO muito bem relembra é um substantivo feminino. E isso, diz tudo.
Kanimambo

14 junho 2005

Jorge Pessoa lança "Angola A obsessão"

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Numa antevisão aos 30 anos da independência de Angola, o luandense ou, melhor dizendo, o caluanda, Jorge Pessoa vai lançar, em Lisboa, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras, no próximo dia 21 de Junho uma colectânea de alguns dos seus belos poemas sob o título “Angola, A obsessão”.
Tem a chancela da Editora angolana Kilombelombe, e apresentação será de Filipe Zau.
Jorge Pessoa, que já me havia honrado com a leitura de um dos seus poemas (ou como ele gosta de chamar, uma união de palavras em forma de poemário, a que acrescento, com luz, cor e harmonia) voltou a dar-me a honra de receber, directamente das suas mãos, o convite para o lançamento desta obra.
Tal como com o Xicuembo, no próximo dia 18, a minha agenda já tem marcada esta data para o lançamento de Angola, A obsessão.
A organização do lançamento da obra estará a cargo da Casa de Angola e da RDP-África.

13 junho 2005

Eugénio de Andrade, um poema, a minha homenagem

Adeus

Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;

como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.

Como se a noite se viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.


In: Jornal da Poesia: Eugénio deAndrade, onde podem ser lidos mais poemas deste insigne poeta