Mostrar mensagens com a etiqueta Polícias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Polícias. Mostrar todas as mensagens

17 junho 2015

O caso Kalupeteka e as suas consequências internacionais – Comentário

(HUAMBO: Fiéis da seita liderada por Kalupeteka durante o encontro com o governador Kundi Paihama; foto ©ANGOPem 1/Out./2014).


Por norma não gosto de analisar e comentar certas informações de sensível melindre a seco e em cima do acontecimento de modo a que possa evitar análises a quente, que,, por vezes, se tornam contraproducentes e inconvenientes, o que limita a credibilidade de quem as faz.

Essa foi uma das razões por, até agora, me ter abstido de analisar e comentar o problema político-militar ocorrido em São Pedro de Sumé (ou monte Sumi), província do Huambo, em Abril passado, que terá colocado frente-a-frente um representante governador da província do Huambo, o senhor Kundi Paihama, polícias e militares, face aos seguidores da não convencional “Igreja dos Adventistas do Sétimo Dia, A Luz do Mundo”, liderada por José Julino Kalupeteca (ou Kalupeteka) e criada em 2007

Sobre esta seita, segundo alguns dos eus seguidores ela estaria legal e ser atendida pelo próprio governador da província – terá havido, em Outubro de 2014, a assinatura de um convénio entre Kalupeteka e Paihama –, enquanto outros dizem-na ilegal como dezenas de outras seitas e ditas igrejas evangélicas que pululem pelo país.

Sobre as hipotéticas relações entre a seita liderada por Kalupeteka e algumas autoridades locais, a direcção da UNITA acusa que a seita estaria a funcionar «… à margem da lei há alguns anos, com o beneplácito das autoridades locais com quem desenvolveu, desde 2011, laços privilegiados ao abrigo dos quais o cidadão Kalupeteka beneficiou de bens materiais e espaços de intervenção nos órgãos de comunicação social públicos»; fim de citação.

De assinalar que esta seita está (ou estava) disseminada por Luanda, Bié, Benguela, Huambo e Kwanza Sul.

Segundo constam os registos oficiais que se seguiram aos acontecimentos vários polícias, mais concretamente, nove membros da Polícia Nacional, teriam sido mortos por elementos, dito armados, da seita, tanto no Huambo como em Benguela, com o repúdio imediato do senhor Presidente da República, que exigiu a rápida captura destes «indivíduos perigosos» e a sua entrega imediata à Justiça porque a seita estabeleceria «uma ameaça à paz e à unidade nacional e que a sua doutrina constitui uma perturbação à ordem social».

Estranhamente, e a nível oficial, só terão ocorrido mortos entre os membros da autoridade. Fontes externas, dizem que a retaliação que se terá seguido, e confirmado pelas autoridades que dizem terem abatido 13 seguidores da seita, apontam para dezenas, se não mesmo, centenas, de mortos entre os fiéis da seita.

E aqui entra a questão que levou ao título desta análise/comentário.

Face à disparidade de números de vítimas e como terão ocorrido e às acusações de fontes independentes políticas, eclesiásticas – a Igreja Católica já se terá oferecido para ajudar ao cabal esclarecimento do caso – e sociais, que terão exigido tanto um inquérito parlamentar, como independentes, a comunidade internacional começou a interessar-se pelo caso e a solicitar investigações independentes externas sobre o caso.

De entre as que mais tem solicitado essa intervenção externa independente está e continua a estar o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) em Genebra, Suíça, que tem reafirmado ser do interesse de Angola que haja «transparência na investigação sobre o alegado massacre no Huambo, facto não só negado pelas autoridades nacionais como exigido por estas uma desculpa pública e retracção da ACNUDH, dado que esta basear-se-á em informações prestadas «… por falsas declarações prestadas por elementos tendenciosos e absolutamente irresponsáveis, com a intenção de difamar o país».

Ora a ACNUDH tem-se recusado em se retractar e apresentar desculpas porque, segundo esta organização, o que interessa é que a situação fosse esclarecida, para do interesse de todos, dado que há «muitos relatórios diferentes sobre o que aconteceu e não podem ser todos verdadeiros. Só precisamos de mais clareza sobre o que aconteceu».

Porque quem não deve não teme, neste caso acompanho todos aqueles que desejam uma investigação supranacional com supervisão internacional para que a nossa imagem não fique beliscada por dúvidas apoucadas devido a sectores que se considerarão mais credíveis que toda uma sociedade angolana que quer um esclarecimento total e oficial dos acontecimentos.

Todos se recordam como foram manipulados – e até hoje continuam em segredo dos deuses – os factos do 27 de Maio de 1977, e ninguém quer que isso continue a ocorrer.

Se houve culpados, se houve massacre injustificado – seja de que parte tiver ocorrido – os executantes devem ser presentes à Justiça e esta terá de ser implacável com os prevaricadores.

Só a verdade interessa! Só a verdade mantém a credibilidade política e institucional de Angola no seio da comunidade internacional, tão assinalada, ainda recentemente, pela Sub-secretátia de Estado norte-americana para os Assuntos Africanos, Linda Thomas-Greenfield, que considerou Angola como um importante parceiro estratégico em África.

Nota: Texto escrito em 15 de Junho de 2015 e só hoje publicado!

Texto hoje (18.Jun.2015) transcrito no Africa Monitor; igualmente transcrito no semanário Folha 8,  edição, de 20/Jun./2105, páginas 21 e 22.

05 maio 2009

Uma detenção um pouco singular, mas…

(imagem via Club-K)

"O jornalista, JOSÉ GAMA, Embaixador do Club-K, e articulista do Semanário Angolense deu entrada as 12H03M numa cela da 3ª Esquadra de Polícia em Luanda (Angola) à pretexto de ter mandado lavar a sua viatura na via pública e desobediência à autoridade, segundo fontes policiais.

De acordo com José Gama este abandonou a viatura dirigindo-se a uma Instituição Bancária, havendo alguém tomado a iniciativa de lavar a sua viatura sem o seu consentimento. O Fiscal de serviço não atendeu a esta explicação e considerou resistencia à autoridade o direito de contestação de josé Gama, pelo que se encontra detido e indiciado de dois crimes.

É vulgar em Luanda a técnica de "marketing" dos lavadores de carro, antecipando a lavangem para obterem algum dinheiro com serviço prestado. É também normal que a Polícia considere resistência a autoridade sempre que se conteste algo. Luanda, hoje é uma cidade em grande medida com esgotos à superficie (a própria Vila Alice é exemplo) e onde se vê espalhada muita água devido à rupturas da rede.
"

Sobre esta matéria poderão ler o restante nos portais angolanos Club-K (aqui e também aqui) e, ou, no Angola24Horas; e também no Notícias Lusófonas! Até lá fiquemos a aguardar esclarecimentos mais concretos…

Já agora, tenho a ideia que José Gama é jornalista no semanário "Angolense" e não no semanário "Semanário Angolense".
.
NOTA: José Gama foi libertado ainda durante a noite de ontem. Só não entendo como e porquê os documentos não puderam ser-lhe entregues dado que o agente de autoridade que o deteve não estava, na altura, na esquadra. Ou seja, pelo que se entende, estranhamente, em vez de os colocar em depósito na esquadra o agente, provavelmente por mero esquecimento ou distração, ficou com ele em sua posse...

28 agosto 2008

Eleições em Angola - Não se pode elogiar…

"Isaías Samakuva elogiou há dias, a Polícia Nacional angolana pelo trabalho que tem realizado no âmbito da campanha eleitoral. O presidente da UNITA prestou este elogio no final de um encontro com o ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro "Ngongo", onde prestou informações ao Ministro do ataque que uma delegação do Galo Negro sofreu, no município de Londuimbali, Huambo, por indivíduos que se diziam militantes do MPLA e que a situação só não foi mais crítica – e "catanas, pedras e paus" foram os meios utilizados contra a delegação – devido a pronta intervenção policial.

Como o que é de elogiar, elogiar deve ser feito, foi o que Samakuva fez. Tal como também o fez a coligação FOFAC, no Uíge.

Mas parece que deveriam se ter calado porque há quem não pareça se dar bem com os elogios, embora queira acreditar que os factos subsequentes são a prova de que no melhor pano cai a nódoa e nem todos devem pagar pelos actos de uns quantos.

Há umas semanas 8 jovens foram barbaramente assassinados, no que ficou reconhecido pelo "massacre da Frescura", com a polícia, num primeiro anúncio, a dar entender nada saber e que tudo poderia ter sido uma rixa entre gangues.

Agora sabe-se que os jovens foram vítimas de uma execução levada a efeito por energúmenos que sob as sagradas roupas da Polícia mais não fizeram que dar azo aos seus mais cruéis e sanguinários instintos com a agravante de afirmarem que se limitaram a defender dos tiros deles e depois de terem sido alertados para uma tentativa de assalto levado a efeito por um grupo de jovens. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado como "Manchete" no , sob o título acima

26 julho 2008

O que se passou realmente no Sambizanga?

(quando andam em boas mãos...)
A malta do Sambila, desde que me recorde, foi sempre olhada de lado.

Todavia, tal como em outros lugares, seja da capital angolana, seja em qualquer sanzala Angola, seja num outro qualquer lugar do planeta Terra, há malta da pesada mas também os há que são Homens e Mulheres de letras grandes e de personalidades fortes e probas.

Por isso, não se compreende a chacina que houve no Sambizanga. E menos se compreende a disparidade – a diferença de uma vítima ou de mil vítimas, é sempre a mesma, vítimas – entre aquilo que as pessoas assistiram, mesmo que posteriormente, e o que as autoridades divulgam.

As pessoas do popular bairro de Santa Rosa no município sambila afirmam que foram 8 (oito!) as pessoas assassinadas – leia-se executadas! de nomes Dadão, Lito, Terenso, Santinho (que era auxiliar na paróquia de São Paulo), Mano Velho, André, Johnson e Nandinho – enquanto as autoridades se ficam pelas 7 vítimas.

Como já afirmei acima, vítimas, uma ou mais, são sempre vítimas e quando são assassinadas da forma como estas foram (
as vítimas foram colocados no chão, de barriga para baixo, e executadas a sangue frio) ainda é mais estranho.

Tão estranho que quando as autoridades chegaram ao local pelos vistos não conseguiram discernir de mortos de feridos.

A população que estava no local afirma e assevera que uma carrinha branca do tipo Hyace “descarregou” alguns indivíduos armados que mandou os 8 jovens se deitarem e assassinou-os. A polícia firma que uma carrinha do mesmo tipo ao passar pelo local os ocupantes disparam e provocaram 5 mortos e 3 feridos que viriam a falecer no hospital.
Duas coisas em consideração.

Primeira, esteve a decorrer a recolha voluntária de armas – foram entregues cerca de
30 mil instrumentos de morte – e, estranhamente, aquelas que deveriam ser entregues parece que não o foram, ou será que são daquelas que estão em boas mãos?...

Segundo e assumindo que o meu forte não é matemática, parece-me que 5 mais 3 dão 8 vítimas e não 7 como as autoridades
persistem em afirmar!

E se nos recordarmos que há poucos meses
dois jovens actores foram objecto do “atira primeiro e pergunta depois” por parte da polícia e no mesmo município…

É por estas e por outras quando alguém de Luanda me diz “digo-te hoje isto porque amanhã não sei se estou viva, porque anda a fazer muitas perguntas”…
.
E tudo isto a cerca de 1 mês das eleições legislativas!
.
NOTA: Ikono, nos comentários, deixou um alerta e uma nota sobre este apontamento. Realmente quando o salvei verifiquei a falta do ponto de interrogação no título. Todavia, e dado o facto de haver dificuldades em aceder à Internet (tão difícil que esta é a 7ª vez que tento colocar esta nota!!!!) onde estou não voltei atrás e deixei ficar. Mas porque a questão apresentada é pertinente aqui está a rectificação com os meus agradecimentos. (nem nos comentários conseguia colocar esta nota… e viva o 1º Mundo e o Portugal informatizado; e é numa zona altamente turística…)
.
Posteriormente publicado no Angola24horas.com, em 29/Julho/2008

13 abril 2008

Guiné-Bissau, para onde vais?

(Tarrafe, Ilha Formosa, Bijagós; foto de JF Hellio e N.Van Ingen, a partir daqui)

"Na mesma semana que os “delegados para a consolidação da Paz” da ONU, liderados por Maria Luiza Viotti, em visita à Guiné-Bissau, afirmaram que o País está a caminhar para um claro “progresso na consolidação da paz” e que o País está “francamente melhor”, na mesma semana que o senhor Procurador-geral da República, Fernando Jorge Ribeiro, é exonerado pelos senhor Presidente da República João Bernardo Vieira – dito “Nino Vieira – sem minimamente saber porquê nem os motivos de tal exoneração, os “angolanos” invadem as instalações da Polícia Judiciária (PJ) para fazer justiça pelas próprias mãos, fazendo um morto e levando a Directora da PJ a apresentar a sua demissão porque, segundo ela, não existe Justiça no País.
Note-se que os ditos angolanos, mais não são que elementos da Polícia de Intervenção Rápida da Polícia (PIR) de Ordem Pública da Guiné-Bissau e que tomaram esse nome popular porque foram formados – e pelos vistos bem formados, tal comos seus equivalentes de São Tomé e Príncipe – pelos seus congéneres angolanos.

Para um País que está em “claro progresso na consolidação da paz” e “francamente melhor” algo não parece estar bem.

Registe-se, todavia, o Governo da República foi célere na resolução do problema. Mandou desarmar todos os PIR e deter os que estiveram na morte do agente da PJ. Este estava detido nos calabouços da PJ por ter, segundo parece, morto duas pessoas, entre elas um elemento das PIR.

Ainda assim, para um País que está em “claro progresso na consolidação da paz” e “francamente melhor” algo não parece estar bem. (...)" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado na rubrica "Colunistas" do , de hoje

29 março 2008

“O Prédio” caiu, enfim!

(foto Angonotícias)
Gil Gonçalves, nas suas crónicas de Luanda, já vinha há um tempo alertando, em crónicas no diário moçambicano O Observador, para a situação precária como estava o edifício da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) e como ninguém ligava ao assunto.
Como não há nada que mais aborreça do que se ter razão, o edifício ruiu esta madrugada com cerca de 115 pessoas que lá estavam detidas ou em trabalho, incluindo cerca de 10 mulheres e duas crianças com 3 dias e 2 anos.
E o mais grave é que o edifício começou a ruir à 1 da madrugada e ruiu completamente às 4,30 horas. Incúria completa quem estava à frente do DNIC e que devem ser devidamente responsabilizados, face às vítimas já conhecidas.
Quando se consta que Miala e os seus colegas poderão estar em vias de serem soltos, quando se sabe que uma das colegas de Miala se prepara para entrar em greve de fome, e quando o processo FASEDA está no bom caminho com a detenção de mais um elemento das chamadas Forças Armadas de Segurança Estratégica de Angola, a ruína do DNIC parece que foi um bem que aconteceu a Luanda.
Só esperemos que não hajam mais vítimas mortais que as 3 já confirmadas.
Só desejamos que as autoridades deixem de considerar antipatriotas ou contra-revolucionários todos os que alertam para casos como o que ocorreu hoje e deixem o Laboratório de Engenharia de Angola inspeccionar todos os edifícios públicos da capital, nomeadamente aqueles que têm sido alvo dos ataques furiosos da natureza.

07 março 2008

Um Estado neo-policial?

"Mas agora descobriu-se que existe uma nova classe de malfeitores, provavelmente, terroristas…

Desde 1974 que Portugal alvora a bandeira da Liberdade e da Democracia onde, teoricamente – não entremos na Utopia –, todos são iguais entre si, apesar de sabermos que, como relembrava o proscrito escritor britânico George Orwell, existem uns mais iguais que outros. Também sabemos, pelo menos os que habitam, e não poucas vezes, penam, na “West Coast of Europe” (WCE), que desde 2005 existe um Governo de maioria, por sinal, um Governo que deveria ser um dos mais pró-sociais deste País, dado que quem o suporta é o Partido Socialista.

Se a Utopia fizesse, realmente, escola, Portugal deveria ser um dos Países mais interessantes para se viver, justificando-se assim, que muitos imigrantes o procurem e tenham o devido acolhimento.

Ah! muitos emigrantes europeus e dos novos Estados da União, porque aqueles que durante centenas de anos estiveram sob as diferentes bandeiras e domínios portugueses esses continuam ver vedados o livre acesso a Portugal como se fossem… malfeitores ou terroristas, talvez.

O problema é que a maioria dos eventuais malfeitores ou são de alguns dos novos Estados da União ou estão lá juntos e entram em Portugal quase livremente trazendo com eles, mesmo que o não queiram, e tenho a certeza que o não querem, as respectivas máfias locais.

Mas agora descobriu-se que em Portugal existe uma nova classe de malfeitores, provavelmente, terroristas. Estão no sindicalismo e, ou, os que a ele estão afectos. (...)" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado na "Manchete" do , de hoje sob o título "Portugal, Portugal- Estado neo-policial?"

24 dezembro 2007

Em Angola, a iliteracia continua...

(imagem daqui)

"Como há dias escrevia Orlando Castro, em comentário a um apontamento meu, no Pululu, sobre a questão das situações “pouco lógicas” devido a “baixo nível académico” das autoridades policiais angolanas, como afirma, ou acusa, o Ministro do Interior, “um diploma universitário não significa, nem em Angola nem em qualquer outro país, competência”.
Pois a iliteracia – como eu então lhe chamei –, ou as “acções «pouco lógicas»” da Polícia – leia-se a sua falta de capacidade em gerir conflitos – continuam. Desta vez, e para não variar, o alvo – para não variar, dizia, – foi um membro da Comunicação Social, no caso um correspondente da Rádio Ecclésia de Angola (Emissora Católica) – aquela que continua a não ter hipóteses de se expandir pelo resto do País… porque será? e em vésperas de eleições? –, na província do Namibe, terá sido agredido e detido pela Polícia Nacional quando cobria uma manifestação de populares nas imediações do mercado 5 de Abril, da cidade portuária do Namibe, resultante da operação “Tango”, iniciada em Luanda, e que visa desmobilizar os vendedores ambulantes que andam pelos mercados informais. (...)" (pode continuar a ler aqui ou aqui).

Publicado na coluna "Colunistas" do e citado no Club-K

22 dezembro 2007

As culpas da Polícia estarão mesmo na sua iliteracia?

(Um polícia não é - nem pode ser - um xerife do "far-west")
Segundo o ministro do Interior de Angola, Roberto Leal "Ngongo" o que se passará com a polícia dever-se-á à baixa escolaridade dos agentes da Polícia Nacional. Só assim se explicará, no conceito do Ministro, algumas das acções "pouco lógicas" dos agentes.
Acredito que muitos tenham um "baixo nível académico" mas há certas atitudes que não se explicam com a falta de cultura académica dos agentes mas sim com a falta de cultura cívica que, muito provavelmente, lhes foi incutida por quem não o deveria fazer, nomeadamente, os seus formadores.
Realmente mais que chamar incultos ou iletrados aos agentes da Polícia Nacional, o Ministro Roberto Leal deverá combater a indisciplina que grassa no seio da cooperação pelo que coloca em causa a deficiente credibilidade da autoridade.
Acredito que muitos sejam iletrados. Mas diz a cultura ancestral angolana e africana que há certos limites que são inultrapassáveis, como bater numa mulher, principalmente quando grávida. Isto não está na génese de um angolano! E tudo porque alguém quererá uma fazenda de que está na posse de um “contrário”.
Admito que muitos dos agentes que vigiam a nossa segurança sejam incultos e, não poucas vezes, não saibam contar para além do 10. Mas quando chefes seus para contarem até dez têm de se descalçar não me parece que a “acusação humilhante” do Ministro seja a mais digna.
Por isso não é com desculpas como as apresentadas que se justificam(?) as mortes recentes de dois jovens actores no Sambizanga – mesmo que seja uma zona problemática não se atira primeiro, tipo “far-west americano”, e se pergunta depois – ou no Roque Santeiro, local onde se movimento milhares de pessoas em simultâneo no que poderia redundar numa mortandade por pânico.
Tal como se justifica a morte de uma zungueira (vendedeira informal e que, por mero acaso, até era mulher de um agente da Polícia), à queima-roupa, por um polícia e nas condições em que o fez. Ou seja, e fazendo fé nos relatos de quem assistiu, foi uma autêntica execução. O resultado foi a instauração de um inquérito à actuação por excesso de zelo do agente…
Assim como nada justifica que duas crianças, de 12 e 11 anos, no Kwanza-Sul, que brincavam com pedras numa lavra do seu pai, sejam detidas pela polícia porque uma delas terá atirado inadvertidamente uma para a rua que atingiu o carro da Comissão Municipal Eleitoral, sem qualquer prejuízo, o que levou a que fosse, de imediato, consideradas suspeitas de serem “contrárias”. E, parece que não satisfeitos, ainda exigiram ao progenitor 60 mil kwanzas para as libertarem, o que não acontecendo, continuam detidos há cerca de 12 dias. Será que foram presentes a um juiz?
Como ainda continuam por justificar as detenções – e eventuais sevícias – dos jornalistas Alexandre Solombo (director da rádio Despertar e deputado pela Unita) e de um jornalista português da Voz da Alemanha que acompanhavam as demolições na zona habitacional do Calemba II, bem assim a manutenção da prisão do jornalista José Lelo.
E outros casos hão como o que aconteceu, mais recentemente, na zona do Grafanil em que um alegado agente á civil puxou de uma arma para resolver uma discussão que teria tido com um cidadão…
Por essas e estas razões se estranha que a maioria dos inquéritos que correm sobre as actuações da Polícia sejam patrocinadas pela própria Cooperação, em vez de ser o Governo ou o Estado Angolano a fazerem-no, como relembra e aconselha o sociólogo Paulo de Carvalho.

09 novembro 2007

São graves as acusações…

Depois de alguns quantos partidos da oposição terem condenado a "forma pouco hábil e desastrosa" como o Governo lidou com a rebelião de elementos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), vulgo “ninjas”, e exigirem que as autoridades judiciais apurem responsabilidades, o Ministro da Defesa e Ordem Interna da São Tomé e Príncipe, Óscar Sousa, proferiu, no Parlamento santomense, segundo a RTP-África, graves, muito graves, acusações contra os “ninjas” e, por extensão, a terceiros que estariam a colaborar ou obter dividendos das eventuais dúbias actividades de elementos da PIR.
Embora sem citar nomes chegou a deixar no ar a acusação de saber que alguns deputados teriam, eventualmente, armas de calibre de guerra, em casa.
Acusações muito graves que o Procurador-Geral da República deve investigar e tomar as providências mais adequadas.

04 novembro 2007

Que se passa no reino de São Tomé?

(DDR)
Algo vai mal nas ilhas maravilhosa do equador ao ponto do exército ter sido obrigado a empregar a força para desalojar elementos da Polícia de Intervenção Rápida, os “ninjas” que voltaram a ocupar o comando-geral voltando a reivindicar “pagamento de indemnizações em atraso”.
Segundo parece este assunto já teria ficado assumido na última reunião entre membros do Governo e os ninjas pelo que não se entende esta nova ocupação.
Ou, talvez se entenda dado que a “Declaração de Garantia” que deveria ser assinada por todas as partes só o foi por Tomé Vera Cruz, primeiro-ministro, por Óscar Sousa, ministro da defesa e Ordem Interna, e pelo presidente da Assembleia Nacional, Francisco da Silva; para os “ninjas”, nomeadamente para o seu 1º sub-chefe Wilson Quaresma, “está tudo bem” mas nem ele nem os outros membros do grupo assinaram a Resolução 1/2007 que pôs fim à crise de 8-19 de Outubro.
Como também não se compreende bem porque desta vez o exército foi tão pronto no “desalojamento” ao contrário das vezes anteriores.
Assim como também acaba por ser um pouco estranho que a guarda presidencial esteja toda em forma de prontidão e o Ministério da Defesa esteja tão bem guardado.
Não me parece que seja por causa da ameaça dos “ninjas” que pronunciaram ir para a guerrilha urbana caso houvesse – como infelizmente parece ter havido – vítimas resultantes do ataque.
Penso que deverá ser altura do presidente Fradique de Menezes e o primeiro-ministro Vera Cruz ponderarem se merece manter o actual – e já o foi em anterior governo – ministro da Defesa e da Ordem Interna, Óscar Sousa.
Ou será que o poder deste militar é demasiado e alguém tem medo de o afrontar?
Se assim o for, a Democracia fica – está – em causa…
Ou já agora e como aqui se relembra "Sopram maus ventos no arquipélago que, contudo, não preocupam os meteorologistas de CPLP." E o problema é que estes maus ventos não andam só por aqui...

24 outubro 2007

Em Moçambique manda ele e já o tinha alertado...

Depois de ler uma interessante análise que Orlando Castro escreveu na sequência da outorga do prémio da Mo Ibrahim Foudation, a Joaquim Chissano, e o contraponto que é este estadista com o seu sucessor, não posso deixar de considerar oportuna e quase profética aquela análise depois de ler o artigo abaixo que vai sair na edição 085, de amanhã, d’ O Observador.

09 outubro 2007

Ninjas ou… ninjas

Em São Tomé, a equipa de elite da Polícia, o corpo de intervenção reconhecido por “Ninjas”, ocupou as instalações do Comando e sequestrou alguns dos seus oficiais superiores, entre eles o comandante, para que fossem ouvidos pelo Governo, em geral, e pelo Ministro da Defesa(?!?!?!), em particular.
Querem ver satisfeitas, em 48 horas, algumas reivindicações como pagamentos de salários e subsídios de risco e a construção de um quartel só para eles.
À primeira vista seria natural esta reivindicação. Natural e legítima, até porque em outros países isso se verifica.
Agora o que não se entende porque querem que o Ministro da Defesa seja um dos interlocutores quando a polícia, um organismo civil, depende do Ministérios do Interior ainda que, eventualmente, o titular possa ser o mesmo.
Também, o que ainda se entende menos, porque pediram o pagamento de um subsídio de risco, reportado ao tempo em que estiveram em Angola, onde se formaram em 2003-2004.
Será que os “ninjas” santomenses andavam a operar em Angola juntamente com os seus colegas “ninjas” angolanos?
Se sim, é mau, muito mau, porque era prova inequívoca que autoridades estrangeiras, e em formação, estavam a fazer cumprir a lei em território angolano!
Ora quero acreditar que os “ninjas” santomenses mais não eram que formandos a aprender a arte de fazer, futuramente e em seu país, cumprir a Lei. E nesse caso o único subsídio a que teriam direito, caso estivesse previsto, seria o subsídio de formação e não o de risco.
Se tudo isto não se compreende, menos será de se entender ao “aviso” de um dos líderes da ocupação de, caso esta situação não se componha, passarem “ao plano B”. Vão pedir ajudas aos seus mentores? E com isso será que vamos ter em São Tomé e Príncipe ninjas e… ninjas?
Seria demasiado estúpido que alguém embarcasse numa aventura destas!