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08 julho 2011

Sudão do Sul, o 53º Estado africano

Às 0 horas locais, 22 horas de Angola, de 9 de Julho, nasce a 193ª nação mundial e 53ª a nível africano – embora a União Africana também reconheça a Rep, Saauri Democrática, pelo que alguns falam em 54ª –, denominada República Sul-Sudão ou Sudão do Sul ou Sudão Meridional (Janūb as-Sūdān, em árabe), com capital, e principal cidade, em Juba.

O novo País resulta do Tratado de Naivasha (Comprehensive Peace Agreement), de 9 de Janeiro de 2005, e do referendo de 9 e 15 de Janeiro do corrente ano, quando cerca de 98,8% dos eleitores recenseados votaram a favor da secessão da parte norte do Sudão, ocorridos após a 21 anos de guerra civil entre o norte, islamita, e o sul, cristão e animista.

Um conflito, que causou mais de 2 milhões de mortos e começado em 1983 quando o Governo de Cartum impôs a sharia (a lei islâmica) em todo o país.De notar que o Sudão, já reconheceu, ainda antes da independência oficial, o novo Estado, sublinhando, e isso é importante devido à questão do rico enclave de Abyei, pelas fronteiras de 1 de Janeiro de 1956”.

Mas não é só na região de Abyei – onde se encontram a maioria dos 75% das reservas de petróleo de todo o Sudão – que se registam as maiores preocupações internacionais com a estabilidade do novo Estado. Também na de Kordofán do Sul, situada a norte daquela e onde se encontram as restantes reservas sudanesas, ocorrem distúrbios que os dois Estados terão de resolver com vista a evitar possíveis conflitos fronteiriços que colocarão em causa a estabilidade – pouca, reconheça-se – tanto da região como do próprio continente e com naturais reflexos, em outros países onde questões de secessão se colocam com singular acuidade e, por vezes, bem sanguífero.

E não precisamos de ir muito longe…

Mas são grandes os desafios com que irá defrontar o novo País. Desde logo a enorme pobreza – apesar do seu potencial energético e de que a China é o principal cliente – mas também a demarcação final das fronteiras, o desenvolvimento de uma constituição, a gestão dos recursos naturais, a partilha da dívida e as receitas do petróleo, bem assim o estabelecimento de serviços básicos fundamentais, como são a saúde, a educação, ou desnutrição por que passa a maioria das populações daquela região incluen-se a Etiópia, a Somália e o norte do Quénia).

A comunidade internacional que tanto lutou para que o Sudão se dividisse tem aqui uma palavra importante a dizer.

Alguns dados do novo País:

Capital: Juba;
Área: 619 745 km²;
População: cerca de 8,3 milhões;
Línguas oficiais: árabe, inglês e alguns idiomas locais, como por exemplo dinka, nuer, zande, bari ou o shilluk;
Presidente: Salva Kiir Mayardit;
PIB: cerca de 5% (2010 estimado)

NOTA: Quando escrevi este apontamento tinha a sensação que seriam 53 os países africanos já existentes. Porque, como qualquer ser humano também tenho lapsos, ou esquecimentos, quis confirmar essa ideia e acedi ao portal da União Africana e contava-se lá 54 Estados, incluindo a República Saauri Democrática. Pois esqueci-me de um facto importante: o Reino de Marrocos não está na União Africana, tendo saído da antiga OUA precisamente porque esta aceitou a integração dos secessionistas saauris na organização.

Assim, rectifico e a República do Sul-Sudão é, efectivamente, o 54º Estado africano oficial!

09 fevereiro 2011

Sudão cinde-se

O que a maioria previa, aconteceu.

Cerca de 98% dos inscritos no Sul do Sudão apostaram e ganharam o direito a se separar do Sudão dividindo o maior país de África em dois (ou três porque ainda há que definir como ficará o enclave de Abyei e o Darfur), um Norte muçulmano por onde circulam os oleodutos para o Mediterrâneo e um Sul cristão e animista e rico em recursos petrolíferos, cuja declaração de independência deverá ocorrer em 9 de Julho próximo.

Ou seja, aquilo que os norte-americanos não permitiram que acontecesse durante a chamada Guerra da Secessão entre o Norte liberal e anti-esclavagista e o Sul racista e separatista ou os ingleses só a muito custo e depois de muitas vidas perdidas o aceitaram quando os “ianques” deram o grito do Chá e se afastaram da coroa britânica, agora foram eles que mais apoiaram essa secessão.

Também a União Africana (UA), estranhamente, ou talvez não, o tempo o dirá, está satisfeita com esta decisão. Parece-me que os estadistas residentes em Addis Abeba estão desconhecendo os ventos que sopram em alguns países africanos. Ventos não só de mudanças políticas como, principalmente, algumas pequenas, mas ruidosas tempestades, de separações (Somalilândia, Casamance, Zanzibar, Faixa do Caprivi, Sahara Ocidental, Congo, Cabinda ou Lundas, por exemplo).


Depois da Eritreia, uma província que já tinha sido autónoma da Abissínia/Etiópia até ao fim da I Guerra Mundial, se ter separado agora; depois do Paquistão Oriental, um enclave paquistanês na península hindustani se ter separado do Paquistão, após sangrenta luta pela independência apoiada pelos indianos e se ter tornado no Bangladesh, agora temos um país ser cindido por manifesta vontade dos anglófonos com o apoio “desinteressado” do chineses que mantém no Sul uma parafernália de empresas chinesas – estatais e privadas – de exploração petrolífera.


Vamos aguardar e ver como irão soprar os ventos e se a UA terá capacidade para manter inalteráveisl os artigos 3º e 4º (sobre a intangibilidade das fronteiras coloniais à data da independência) bem assim o princípio "uti possidetis" ou "uti possidetis iuri" que a eles estão adjacentes.

09 janeiro 2011

Sudão, quo vadis?

Hoje, 9 de Janeiro do ano da graça de 2011 pode marcar o início de uma viragem em África e outros continentes onde as fronteiras foram criadas artificialmente pelas potências colonizadoras.

Hoje, e até dia 15 próximo, vai acontecer no sul do Sudão, nomeadamente numa parte pouco significativa do Darfur (ver mapa), zona de guerra que vem quase da independência do maior país africano, um referendo para saber se o povo sudanês do sul, maioritariamente animista e cristão, ao contrário do norte, islâmico e onde impera a sharia, deve`ratificar a sua separação e ascender à independência.

Nada demais seria se não fosse o facto de ter sido o exterior a impor esta situação para, segundo as fontes mais credíveis, resolver um problema religioso insanável, ou seja, seguindo a lógica anglo-americana, "se não se entendem que se separem!".

O problema é que esta lógica só teria sentido que fossem povos diferentes e "nações" diferentes o que não é bem o caso, independentemente do sul estar dividido por cerca de 60 povos. E o mais grave é que a zona a se separar será a mais rica, nomeadamente em petróleo, que, por mero acaso, tem como um dos principais consumidores um país chamado China e que apoia - e bem - o regime de Cartum.

No caso de vencer a separação, pelo menos as agências dizem que a participação neste primeiro dia foi "forte" e "calma", como irão receber esta decisão os países islâmicos? e qual o efeito real em países como a Nigéria ou o Chade onde se sobrepõem iguais conflitos religiosos? e, já agora - longe vá o diabo tecê-las - que efeito poderá ter esta separação no enclave de Cabinda e na Faixa do Caprivi, entre outros.

Será que as boas fontes credíveis pensaram em tudo e algo nos escapa?

29 agosto 2009

Timor, Sudão e as subserviências da ONU…

(baseado num cartune da Internet sem identificação)

Há 10 anos Timor-Leste dizia em Referendo que queria ser uma Nação livre, independente e soberana, deixando a tutela ocupacionista da Indonésia e a tutela oficiosa de Portugal.

Tudo normal até porque o Referendo foi claro e inequívoco quanto ao Sim!

Seria tudo normal e claro se Mari Alkatiri, líder da Fretilin e antigo premiê timorense, não viesse agora afirmar que a ONU, procurando evitar uma humilhação da Indonésia e, por certo, com instruções claras da superpotência que sempre apoiou os indonésio, mandou, eventualmente,
baixar a fasquia real do resultado do Referendo de 90% para os cerca de 70% oficiais.

Ou seja, a ONU, através do organismo criado para Timor-Leste, a UNAMET, mostrou quanto a subserviência, mais que a conciliação, é tão forte no seu seio. E, por certo que não o foi face à Indonésia mas aos EUA que também acabaram por ser um dos derrotados do referendo já que foram eles quem incentivaram a ocupação em 1975.

Recordemos, ainda, que após o Referendo algumas pessoas que quiseram aceder e se refugiar nas instalações da UNAMET viram a sua pretensão impedida pelos militares onusianos e aqueles que conseguiram “invadir” as instalações “neutrais” da UNAMET tiveram de escalar e trepar pelo muro das suas instalações.

Foi por via disso que há quase 10 anos nascia uma criança do sexo masculino a que puseram o nome de Pedro Unamet Rodrigues e que hoje surge como símbolo – pelo menos num órgão informativo português – do Referendo.

10 anos depois Timor-leste continua a não conseguir sair da situação de Estado previsto para um Estado afirmado apesar do seu hipotético desenvolvimento económico – parece que foi a segunda economia em crescimento no ano passado – e do petróleo que continua a ser a miragem que os australianos desejam que seja.

Mas se Timor-Leste mostrou como a ONU é um exemplo de subserviência às grandes potências, nomeadamente àquelas que mantém o anti-democrático direito de veto, Sudão é, na actualidade, outro dos casos.

Como é possível que o “reformado” chefe militar das forças conjuntas onusianos-africanas, o general nigeriano Martin Luther Agwai, afirme que a guerra já acabou no Darfur, excepto a presença de um grupo rebelde residual – não será aquele que há muito combate em nome de Cartum? –, quando ainda no início do mês Sudão acusava o Chade de ter bombardeado uma zona do Darfur, na região de Umm Dukhun, ao mesmo tempo que na na província sudanesa do Kordofan Sul, uma região fronteira ao Darfur, aconteciam Violentos confrontos entre duas importantes tribos árabes nómadas com elevadas vítimas.

E como é que menos de dois dias depois destas declarações do general nigeriano sabe-se que dois funcionários da ONU teriam sido raptados numa região perto ou mesmo dentro do Darfur?

Será que este “fim de guerra” se deve ao facto do principal comprador de crude do Sudão (cerca de 60%) ser, também ele, um dos 5 com direito a veto, no caso a China que também olha para a Nigéria como um futuro parceiro económico para não estar tão dependente do seu principal fornecedor, Angola, deseja que os olhos da comunidade internacional deixem de estar continuamente no Sudão e, naturalmente, no Darfur?

Por outro lado os principais campos – ou bloco de exploração – de petróleo e gás sudanês encontram-se na região que se prevê venha a referendar a sua separação do Sudão, ou seja, no Sul. Mais um erro da ONU que, se for para a frente com esta evetual separação, continuará a seguir a linha anglo-americana: se não se entendem então que se separem, o que poderá cimentar outras naturais pretensões. Só que nunca ouvi os britânicos dizerem o mesmo aos escoceses…

Ou seja, tal como há 10 anos em Timor-Leste parece que também agora a ONU mostrou que a subserviência e os votos que mantêm certos responsáveis onusianos nos seus “importantes” lugares – e por via deles dão também visibilidade aos países de onde são originários – estão dependentes daquilo que fizerem – ou não fizerem – que indisponha algum grande…

Realmente é altura da ONU levar uma grande transformação mesmo que existam os tais 5 grandes. Mas se a Comunidade Internacional se recordar que a Assembleia-geral tem mais peso que o Conselho de Segurança. Basta recordar como algumas Resoluções foram aprovadas e implementadas mesmo com os “vetos” de alguns dos 5 grandes…

02 maio 2009

Darfur, de vez em quando…

Felizmente que Darfur é notícia de vez em quando e, principalmente, se uma entidade reconhecida internacionalmente se decide tomar atitudes que recordem que Darfur ainda é – e parece que vai persistindo eternamente – uma espinha dolorosa no continente africano.

Desta vez, é a actriz de cinema Mia Farrow, igualmente designada embaixadora da Boa Vontade da ONU, que levantou a sua voz através de
uma greve de fome que já dura há cinco dias.

Apesar de muitos se preocuparem mais com a sua saúde que com o facto que levou à sua atitude, ainda assim a actriz norte-americana pensa que ao se preocuparem com ela acabam por compreender e saber as razões que levaram tomar a actual atitude.

Como Mia afirma se a sua greve de fome " atrair a atenção, se mais gente souber o que está a acontecer lá e levantarem as suas vozes, então o que estou a fazer vale muito a pena".

Pena é haver necessidade de personalidades terem de tomar certas atitudes para relembrarem ao Mundo que existe Darfur, como também existe, ainda, os casos do Zimbabué, a Palestina e Israel, Chade, etc.

É pena, mas não deixa de ser importante que isto aconteça. O certo é que a Administração de Obama já criticou as sucessivas
ingerências do Chade e do Sudão – apesar de tudo, não esquecer que o Darfur é Sudão – na questão do darfuriana.

Também outros levantaram as suas vozes quando, jornalisticamente, o assunto lhes conveio mas depois esqueceram-se facilmente. Recordo-me das imagens muito interessantes de responsáveis da União Europeia na região que já esmoreceram e há muito…

04 março 2009

TPI emite mandado de captura contra al-Bashir

(imagem via Google)

O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu hoje um mandado de captura contra Omar al-Bashir, presidente do Sudão, por causa do genocídio do Darfur.

Gostaria de saber quem serão os países que o vão fazer aplicar. De África, tirando um ou dois, as minhas dúvidas quanto à exequibilidade do mandado são mais que muitas até porque a União Africana já vai dizendo que vai tentar adiar a sua aplicação. A Liga Árabe também
alinha pela mesma diapasão. A China, um dos maiores apoiantes e suportes do regime do Sudão, é claro que não vai cumprir com esta ordem do TPI.

Ficam o Ocidente, nomeadamente os EUA, que acham que os "
responsáveis devem pagar" com os seus crimes.

Ah! já me esquecia, mas como os EUA,
tal como o Sudão, não reconhecem competência ou legitimidade ao TPI, al-Bashir estará sempre descansado cada vez que for aos States

20 julho 2008

Se a moda pega, não haverá petróleo que valha…

"Depois de Jean Pierre Bemba, ex-candidato a presidente da República Democrática do Congo, ter sido detido devido a um mandado de captura internacional emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por crimes contra a Humanidade praticados pela suas milícias no Centro de África, eis que o TPI volta a emitir um mandado de captura sobre um dirigente africano e ainda no activo: contra o presidente sudanês Omar Hassan Ahmad al-Bashir pelas razões já referidas no meu blogue “Pululu”, ou seja, por crimes contra a Humanidade, crimes de guerra e liderança no genocídio contra o povo de Darfur.

De acordo com o principal promotor do TPI, Luis Moreno Ocampo, o presidente al-Bashir será responsável directo pela morte de cerca de 300 mil sudaneses do Darfur, ocorridos nestes últimos 5 anos.

Só que parece que al-Bashir não é o único culpado ou não deveria ser o único a sentar-se perante os juízes do TPI. Há muitos actores coniventes.

Desde logo a Comunidade Internacional que se manteve queda e muda, a maior parte do tempo, só começando a falar e clamar quando, honra lhes seja feita, artista, actores e humanistas de todo o Mundo começaram a vociferar perante o genocídio de Darfur.

A China que, apesar do embargo que vigora desde há cerca de um ano, mantém um canal aberto com o Sudão por causa do petróleo que, parece, é pago com material de guerra, nomeadamente, material de transporte e treinamento de pilotos, conforme pode ser confirmado por uma reportagem jornalística da BBC emitida recentemente.

Ou seja, ontem como hoje, e ainda mais com a especulação que sobre ele impele, o petróleo calou as mentes sossegadas de muitos actores do Sistema Internacional. Como continua a calar perante factos que ocorrem em África, e no Mundo em geral, onde a corrupção, a autocracia, o despotismo, passam impunes porque a cor do crude é muito mais valiosa que a cor da Humanidade. (...)
" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicada no , de STP, edição 174, de 19 de Julho de 2008

15 julho 2008

Se a moda pega…

(al-Bashir numa proveitosa visita à China; foto ©daqui)

Tal como aqui já tinha referido, confirma-se que o Tribunal Penal Internacional (TPI), a pedido do seu principal promotor, Luis Moreno Ocampo, vai solicitar a detenção do presidente sudanês Omar Hassan Ahmad al-Bashir por crimes contra a Humanidade, crimes de guerra e liderança no genocídio contra o povo de Darfur; de notar que o TPI já tinha feito, anteriormente, uma acusação destas ao Governo sudanês.

Mas só este autocrata, déspota e corrupto presidente africano é que é o único nessa situação?

Não haverá outras situações, sob a desculpa proteccionista do petróleo e outras, que poderiam também ser objecto de mandados de captura por crimes contra os seus povos?

Pela posição incomodada do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, há alguns dirigentes africanos que já estão a sentir as barbas – mesmo que não as tenham – de molho…

Mas se o acto do TPI é de louvar – já tinha dado mostras que não andava a dormir quando deteve Jean Pierre Bemba, do Congo Democrático – também não devemos esquecer que há actores do Sistema Internacional que detém iguais culpas por, sistematicamente, se manterem quedos e calados perante tais atrocidades ou manterem apoios militares descomplexados.

E aqui louva-se a atitude de actores, artistas e humanistas que clamaram fortemente contra a situação no Darfur obrigando as mentes púnicas de alguns dirigentes africanos e Mundiais a clamarem contra o genocídio!

Mas enquanto houver petróleo em certos Estados o poder poderá estar garantido. O que lá está já se conhece; o que para lá vai pode negociar com outros e…

Por outro lado, cada vez mais se compreende porquê os EUA rejeitaram (e impuseram regras nas relações com os seus parceiros políticos e económicos) o TPI…
.
NOTA: depois de haver alguns dirigentes africanos a tremerem e a rogarem que a ONU não leve por diante esta detenção, agora é o senegal a pedir ao TPI uma derrogação na detenção por um ano. Algo me diz que a velha máxima de "nas costas dos outros vemos as nossas... começa a surtir algum efeito nas regiões abdominais de uns quantos...

25 maio 2008

Esta é a África que africanos não querem!!

Relembra-se hoje mais um Dia de África!
Mais um Dia que alguns africanos fazem por tornar recordável pelas piores razões!
No Zimbabué o ainda presidente Mugabe “obriga” um avião da Air Zimbabwe a “despachar” os seus passageiros – pagantes – para ir fazer uma viagem até à China. Uns dizem que é uma viagem de negócios, outros que vai lá por razões de saúde. Por mim penso que vai perguntar aos chineses se desejam voluntários – começa a haver demais no Zimbabué por causa daqueles que não votaram nele e dos que, infelizmente, são obrigados a voltar devido ao xenofobismo sul-africano – para recuperar do desastre natural que foi o sismo de Sichuan – passe a ironia, que não têm a culpa e parece ter humanizado a nomenclatura chinesa – e agradecer os utensílios domésticos e de lavoura – armas, munições e diversos do navio An Yue Jiang – que a China parece ter conseguido fazer chegar ao Zimbabué de Mugabe!
No Sudão os interesses imperiais estão cada vez mais acintosos.
Norte-americanos e chineses disputam os terrenos sudaneses mais “fertéis” em petróleo por via de rebeldes do Darfur e tropas de Cartum e
Nem uns, nem outros respeitam ninguém.
Enquanto isso, o povo do Sudão vai vendo grupos armados assaltarem forças de Paz sob o olhar da AMI ou assistem à troca de armas que são vendidas por quem os deveria defender, as tropas da União Africana
Antes havia a disputa ideológico-imperial pelo Mundo entre norte-americanos e soviéticos. Agora vemos que essa disputa se tornou económico-imperial só que agora é entre os norte-americanos – os sobreviventes – e os chineses (na prática, estes sempre foram imperialistas apesar de o negarem em nome e sob a capada dos Não-Alinhados).
Entretanto, na Somália, no Chade, na República Democrática do Congo, na Nigéria, ou na África do Sul…
Ou, ditadores continuam no poder, enquanto outros são presos – e depois de circularem livremente na Europa – mas só quando já lá não estão ou quando os senhores do TPI lhes convém, e continuam ricos, cada vez mais ricos, enquanto a maioria dos seus povos estão pobres, cada vez mais pobres e esfomeados...
Assim não há Dia nem África que aguente!

11 maio 2008

Guerrilheiros do Darfur às portas de Cartum?

(imagem de marca do Sudão; daqui)
Pouco se tem ouvido lido sobre o Sudão e o Darfur, ultimamente.
E depois das palavras de Geldof sobre Angola e o pequeno “cataclismo” que provocou em certas mentes, muito menos.
Por isso, admito, me surpreendeu a notícia de hoje do espanhol “El Pais” que anuncia a tomada de um subúrbio da capital sudanesa pelos guerrilheiros do Movimento de Justiça e Igualdade do Darfur (JEM).
O governo sudanês diz que os rechaçou e matou alguns dos líderes rebeldes. Estes, por sua vez, confirmam a sua presença na capital.
Estranhamente os norte-americanos estão preocupados com o desenvolvimento deste assunto e pedem… moderação, solicitando aos rebeldes e ao governo sudanês que suspendam as actividades!
Dos chineses, actualmente os principais financiadores do Governo sudanês, só chega um mutismo profundo.

15 novembro 2007

Lembram-se de Darfur?

(Infelizmente o acusador olhar destas crianças e jovens
não chegam aos (ir)responsáveis)

… Não se preocupem!
Há mais e com mais responsabilidades que também não se lembram!!!!!
Segundo a ONU, por uma eventual falta de helicópteros (?!?!?!?!) a missão de Paz em Darfur, que deveria ser levada a efeito pela solução híbrida da ONU/União Africana, a gosto dos sudaneses e dos seus mais importantes aliados, poderá estar comprometida – leia-se, está em perigo.

25 outubro 2007

Prémio Sakharov 2007 relembra Darfur

(imagem daqui)
A União Europeia, por vezes, não está adormecida nem esquecida dos valores que nortearam os seus fundadores: a defesa dos Direitos Humanos e da Liberdade.
Por isso, ou talvez porque a consciência anda demasiado pesada pelas sucessivas adendas que certos Estados-membros fazem no que toca à Carta de Direitos Fundamentais decidiu, e bem, através do seu Parlamento conceder o Prémio Sakharov de 2007 a Salih Mahmoud Osman. Além do laureado estavam na corrida final a assassinada jornalista russa Anna Politkovskaya (activista dos direitos humanos reconhecida pela oposição ao conflito na Chechénia) e os chineses Zeng Jinyan e Hu Jia (dois dos mais activos defensores dos direitos humanos na China).
Salih M. Osman é um advogado sudanês de 50 anos e activista pelos direitos humanos que muito se tem batalhado e trabalhado em prole da defesa das vítimas da guerra-civil no Darfur e membro da 0rganização Sudanesa contra a Tortura que apoia todos os que são perseguidos apenas por criticarem o governo de Cartum ou pertencem à etnia errada.
Já em 2005, Salih M. Osman recebeu o prémio Human Rights Watch’s.

13 dezembro 2006

Sudão ajuda povo palestiniano

(imagem do CICV)

Não se contesta esta ajuda e solidariedade com o povo palestiniano.
O Governo sudanês, na maioria muçulmano, nada mais fez que cumprir um dos três conceitos, ou postulados, onde assenta a Lei islâmica1: o Postulado da Fé (Íman). Neste postulado o crente terá direito ao paraíso “o êxito supremo” por melhor cumprir as suas obrigações sociais e religiosas ou ao que, de uma forma contratual e nada metafísica, ofereça a sua vida e os seus bens terrenos em prol de uma vontade de Alá.
Ora é o que o Sudão está a fazer. Oferecer 10 milhões de USDólares ao Governo palestiniano do primeiro-ministro, e líder do Hamas, Ismail Haniyeh.
Muito bonito e muito correcto, até porque não será o único a fazê-lo. O Qatar também irá dar uma ajuda financeira ao Governo palestiniano do Hamas.
Só que o Governo sudanês de Cartum esqueceu-se que este postulado engloba toda a Umma (comunidade muçulmana ou que dela dependam) e não só uma parte.
O Governo sudanês de Cartum esqueceu-se dos seus concidadãos – porque o são independentemente de serem cristãos ou animistas – do Darfur que continuam a penar com fome e sob o espectro da guerra e do terrorismo perpetrado por milícias afectas ao regime islamita de Cartum.
Ou seja, o Governo de Cartum não cumpre o terceiro postulado, o do Comportamento Social, que prevê a recusa de comportamentos altivos, ambições injustificadas, a gula e a pilhagem. É precisamente isso que Cartum está a fazer em Darfur: pilhar os bens locais em seu próprio proveito desprezando um dos mais elementares comportamentos sociais: respeito pela vida humana.
Não será isto, também, um genocídio?

1 Sobre esta matéria podem ler mais elaboradamente no meu livro “Fundamentalismo Islâmico, A Ideologia e o Estado”, edição Autonomia27;
.

23 outubro 2006

Darfur “expulsa” representante da ONU

(imagem ©daqui)

O governo sudanês decidiu expulsar o representante da ONU no país, Jan Pronk, devido à situação em Darfur que, cada vez mais, se está a tornar insuportável para o governo de Cartum.
Não foi em vão que os sudaneses “proibiram” Durão Barroso e a sua comitiva de eurocratas a visitar a região mártir de Darfur como também a situação militar está cada vez mais periclitante para o exército islamita de Cartum com militares a desertarem dos combates.
Lamentável a posição do governo de Djamena, Chade, ao repatriar 130 soldados sudaneses que haviam desertado, entregando-os à morte certa.
Pode ser que assim a Comunidade Internacional, em geral e a União Africana, em particular, se decida a fazer tábua-rasa das atitudes autocráticas do regime de Omar Al-Bashir e force o envio de forças de Paz para a região.
Esperemos!!!
Entretanto, neste fim-de-semana, o presidente do Uganda, Yoweri Museveni, decidiu fazer uma visita ao sul do Sudão, mais concretamente a Juba, onde estão sedeados os líderes do Exército de Resistência do Senhor (LRA) que, e por acaso e apesar de já terem sido amnistiados pelo Governo de Cartum, estão indiciados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra.
O mais grave, na concepção do governo sudanês, não foi o facto – protocolarmente pouco diplomático – do presidente ugandês se ter encontrado com os tais líderes mas não ter passado, primeiro, por Cartum

28 agosto 2006

Darfur e a saga continua

(Salvem Darfur, retirado daqui)
Quem pensava que Darfur era um caso resolvido, o dia-a-dia dos refugiados mostra o contrário.
O coordenador para a Ajuda de Emergência das Nações Unidas avisa, num relatório entregue ao Conselho de Segurança, que Darfur está à beira de uma uma «catástrofe» humanitária.
Segundo aquele coordenador as vítimas poderão ascender aos milhares.
E tudo, segundo parece, devido à intransigência do governo islamita sudanês e à sua política de "barrar" o envio da capacetes azuis para a manutenção de Paz na região.
E depois acha-se no direito de procurar a Paz nos países vizinhos.
Incongruências? Não me parece.
Haverá isso sim incoerências nos chamados polícias do Mundo.
Quem são? Cada um, e de acordo com as suas conveniências político-económicas, arroga-se como o sendo.
São os EUA, em regra os que mais clama por esse crachá; mas também o são a Rússia, não quer perder o resto do prestígio que goza, mais a mais, quando ascendeu ao primeiro lugar de maior produtor de crude, destronando a Arábia Saudita, e o é, inequivocamente, a China.
Ou seja, o abastarmento de um Mundo cada vez mais hipócrita e incoerente.
Sê-lo-á?

30 março 2006

Darfur, a memória anda curta

(poster retirado daqui)

O presidente do Sudão, Omar El-Beshir, reafirmou a sua oposição ao destacamento de uma força da ONU para garantir a paz na região de Darfur.
"Não aceito, nem aceitarei nenhum destacamento de forças internacionais em Darfur", afirmou o chefe de Estado à cadeia de televisão Al-Jazira
.”
Darfur continua na ordem do dia e na memória curta de algumas pessoas, nomeadamente daquelas que acham que não se deve ter receio de Virgina Woolf, esquecendo que tem sido esta mesma quem mais tem “complicado” a vida às NU no Conselho de Segurança, impedindo este de tomar medidas mais radicais contra o Sudão.
Até lá as populações da região vão sofrendo.

31 dezembro 2005

Sudão, até onde vai o martírio

Refugiadas etíopes; © foto The One Campaign
Já não bastava a interminável questão de Darfur - será que a Comunidade Internacional ainda se lembra do que isto se trata? - e agora foram refugiados sudaneses a serem matirizados pelas autoridades egípcias, redundando em cerca de uma vintena de mortos.
Até quando a questão sudanesa continuará a estar atrás das costas dos dirigentes mundiais e dos "defensores" humanitários.
Está provado que continua a não bastar os "Africa Aids" ou as meritórias campanhas da The One Campaign ou os lamentos do Alto-Comissariado para os Refugiados. É preciso muito mais.
Mas o quê? Lamento, mas também começo a não saber.
Começam a ser absurdos a mais no Continente onde segundo a maioria dos antropólogos começou a Humanidade. Razões para esta dever olhar África com outros olhos.
Até parece que estão desapontados com a criação. Ou será que estão mesmo...

01 agosto 2005

Processo de Paz no Sudão em perigo?

Quando tudo parecia fazer querer que o processo de Paz no Sudão estava para ficar, faltando limar uma aresta, bem bicuda, por sinal, o Darfur, eis que, infortunadamente, John Garand, o vice-presidente – e putativo presidente dentro de 3 anos – morre num estranho acidente de helicóptero no Uganda (por sinal um sítio onde, de início, era bem acolhido mas, que ultimamente, estava quase como “personna non grata”, principalmente porque o acordo de Paz não foi conseguido no Uganda, mas no Quénia.
Estranho.
Tão estranho que, apesar de visita privada, só acompanhava Garang colaboradores seus e tripulantes ugandeses.
Mais estranho, ainda, porque houve necessidade – ou será mais conveniência – em protelar esta informação até onde foi possível.
Por tão estranho que, naturalmente, os distúrbios já se fizeram sentir.
Vamos esperar que, apesar de tudo, a serenidade se sobreponha às emoções e a Paz não descarrile; não só pelo povo sudanês do sul cristão ou animista mas, sobretudo, pela região do Darfur que esperava a consolidação da Paz para ter também a sua.
Já agora, vamos também esperar para ver como irão reagir dois dos três principais interessados naquele processo: EUA e China, porque a ONU não conta... só lamenta.

11 julho 2005

Notas soltas

1. Um oficial da Polícia, em entrevista semi-privada a Diana Andringa, jornalista e candidata do BE à Câmara de Amadora, afirma que nunca houve qualquer “arrastão” na praia de Carcavelos, a 10 de Junho, que a Polícia, em menos de uma hora, ficou rapidamente a par da situação e que os meios de Comunicação Social se aproveitaram da situação para extrapolarem.
Só não se entende porque não gostou que a referida entrevista fosse publicada – ou disponibilizada na Net – e porque continuam a fazer “privacidade” de um facto que poderia criar conflitos intra-raciais.

Image hosted by Photobucket.com 2. Os inimigos de ontem surgem num comício de mãos dadas. Falo de “Nino” Vieira, Kumba Yalá e Francisco Fadul. Foi o arranque para a 2ª. volta das presidenciais na Guiné-Bissau.
Esta eventual união triunvirata já levou Carlos Gomes Júnior,o actual primeiro-ministro, a anunciar que uma eventual vitória de Nino levaria à sua imediata demissão. Não vejo onde esteja a surpresa perante esta posição de Gomes Júnior. Num país democrata é natural que o p.m. apresente a sua demissão ao recém-eleito presidente. Não é, nunca foi, assim?

3. No Sudão entrou em vigor a nova Constituição que dá a vice-presidência a John Garang, líder do Exército de Libertação do Povo Sudanês (SPLA), cristão, enquanto o actual presidente, islamita, Omar al-Bachir mantém o cargo durante os próximos 6 anos. São os efeitos do acordo de paz de Nairobi, de 9 de Janeiro deste ano. O acordo prevês eleições dentro de três anos, a divisão do petróleo sulista com o Norte e a não aplicação da charia no Sul
Continua, no entanto, a faltar Darfur.
Será que a presença do antigo guerrilheiro em Cartun conseguirá levar os islamitas e seus aliados a abandonarem as humilhações na região? Vamos esperar.

13 junho 2005

OTAN no Sudão.

Depois do Afeganistão, a OTAN volta a sair das suas naturais fronteiras, ou seja, do eixo-euro-atlântico.
Agora, sob a capa da protecção humanitária – que se saudaria não fosse a região ser riquíssima em petróleo – a OTAN/NATO vai para o Darfur, Sudão, sob a complacência da ONU.
Numa primeira fase, aquela que foi já aprovada, será através do apoio aerotransportado, já em Julho, às forças africanas de PAZ, na região. Mais tarde poderão seguir forças militares, a maioria das quais, estacionadas no Afeganistão.
Esperemos que seja para realmente acabar com aquela martirizada sub-vida com que os povos de Darfur continuam a sofrer (sobreviver).
Pelo menos, começaram bem. O Sudão não reconhece mérito ao Tribunal Penal Internacional para julgar os carniceiros e quejandos que perseguem os povos de Darfur. Para eles só os tribunais sudaneses são válidos para tal.
Não foram, também, os EUA que rejeitaram competências ao TPI?


Feito em 12.Junho.2006