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21 setembro 2008

Thabo Mbeki demitie-se?

(Em breve muda-se a profundidade da imagem entre Zuma e Mbeki; foto ©Paul Simão, daqui)


De acordo com as últimas informações o presidente sul-africano Thabo Mbeki, antecipando-se a uma quase mais que certa moção de censura que o Congresso Nacional Africano (ANC) iria apresentar, no início da próxima semana, na Assembleia Nacional, terá entregue a sua carta de intenções de demissão ao Presidente do parlamento sul-africano para que a mesma se torne efectiva após o Parlamento ter confirmado a sua cessação de funções.

Um pouco estranha esta atitude de Mbeki quando, na prática, se expõe à moção de censura porque só nessa altura a Assembleia Nacional poderá, de facto, confirmar o fim do seu mandato.

Ou, então, o que Mbeki terá solicitado ao Speaker sul-africano é que este solicite ao parlamento deste país que aceite a sua demissão e a torne efectiva.

Em qualquer dos casos, Mbeki já há muito tinha perdido a confiança do seu partido, o ANC, principalmente quando incutiu a demissão do seu então vice-presidente Jacob Zuma por motivos jurídicos, mais concretamente devido a acusações de corrupção e de violação.

Por isso não foi surpreendente que Mbeki, na declaração pública televisiva que fez quando informou da entrega da demissão, ter relembrado que desde 1994, com a conquista da liberdade o poder político e executivo tem "actuado de forma consistente na defesa da independência do sistema judiciário. Por esta razão os nossos sucessivos governos honraram todas as decisões judiciais, incluindo aquelas tomadas contra o executivo".

Mas como bom e subserviente homem do ANC que Mbeki é, aceitou as instruções do seu partido e que diz ainda pertencer diz e, por esse facto, "respeitar as suas decisões", ou seja, não continuar do poder até ao final do seu mandato em 2009. Não se sabe se haverá eleições antecipadas ou se o seu sucessor, interino por certo, continuará até às previstas eleições do próximo ano.

Enquanto isso, vamos ver como alguns dos seus vizinhos se vão comportar até porque, dois deles e ao contrário do que fazem crer não gozam das simpatias de Zuma, apesar de ainda recentemente o actual presidente do ANC ter visitado a capital desse país e dizer que as relações são privilegiadas…

20 setembro 2008

Mbeki de saída? Com isso Mugabe vai protelando

(as preocupações de Mbeki são evidentes; foto ©Jon Hrusa/EPA/RTP)

Thabo Mbeki sabe, apesar da PGR sul-africana, a NPA, ter recorrida da decisão do Tribunal que considerou inválidas as acusações contra Jacob Zuma, que o seu, ainda, partido ANC não lhe perdoa ter estado por detrás – mesmo que não seja verdade, da acusação não se safa – do chamado complôt contra Zuma.

Por isso não é de estranhar que na África do Sul os mujimbos que correm sejam de que o ANC quer Mbeki seja demitido do cargo de presidente da república.

Apesar de Mbeki já ter feito chegar a informação que acolherá qualquer que seja a decisão do ANC, demiti-lo ou apresentar um voto de censura no Parlamento, ainda não colocou o seu cargo à disposição do partido nem se demitirá forçadamente, antes do fim do seu mandato no próximo ano.

Todavia, Mbeki terá convocado uma reunião de emergência do seu Gabinete para ver se consegue acolher o apoio – que parece difícil, se não mesmo impossível – de todos os seus ministros numa possível demissão em bloco, fazendo ver, deste modo, ao ANC que ainda goza de muito prestígio político.

Vamos aguardar pelos próximos capítulos desta novela Mbeki-Zuma e como estará pelos ajustes a procuradoria sul-africana sobre o caso Zuma.

Enquanto isso, o senhor Mugabe, apesar de ter assinado o acordo para o fim da crise zimbabuena e na linha do que eu próprio já havia preconizado, vai fazendo render a sua teimosia em não querer um Governo com ministros rejeitando as propostas do MDC e do seu líder quanto à distribuição das pastas. Para alguma coisa Mugabe afirmou que era humilhante ter de conviver com o MDC…

12 setembro 2008

Mbeki em maus lençóis com Zuma ilibado

(Tomem!!; imagem daqui)


Apesar de, parece, ter conseguido um acordo entre os líderes zimbabueanos, Thabo Mbeki, e a sua equipa mais próxima, teve hoje um triste dissabor ao ver o Tribunal de Pietermartizburg, considerar inválidas as acusações de corrupção, fraude, lavagem de dinheiro e associação criminosa que tinham sido apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sul-africana (NPA) contra Jacob Zuma, presidente do ANC, partido no poder.

Segundo o juiz-presidente as razões para a absolvição de Zuma estarão no próprio PGR ao considerar que este e a NPA sofreram fortes influências do poder político, incluindo vários ministros e personalidades ligadas ao executivo de Mbeki, para que a NPA voltasse a acusar Zuma no caso de aquisição de armamento para as forças armadas, no final dos anos 90.

Esta vitória jurídica de Zuma teve como primeira consequência gritos de vitória dos seus apoiantes e queima de esfinges de Mbeki por parte destes o que condiciona, cada vez mais, a sua tentativa de recandidatura à presidência sul-africana. Os activistas do ANC consideram que Mbeki que está por detrás destes processos-crimes contra Zuma; registe-se que este era o quarto processo depois de outros três terem dado em absolvição: dois processos-crime por corrupção e um terceiro por alegada violação de uma amiga próxima.

Razões suficientes para não surpreender se este desfecho jurídico e o ANC não irão provocar antecipar as eleições na África do Sul. Há muito que o maior partido sul-africano, principalmente deste que Zuma ganhou a liderança, anda em quase completa rota de colisão com o actual presidente sul-africano.

Daí que o líder sul-africano se tenha agarrado à tentativa de resolução do conflito político no Zimbabué para recuperar algum do seu crédito político.

11 setembro 2008

Zimbabué, há acordo mesmo?

(imagem algures via Google)

Não chegou a 24 horas desde que aqui disse que ou o mediador da crise, o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, conseguia um acordo entre os partidários de Mugabe e a Oposição fosse possível sob pena de haver uma intervenção angolana com muitas possibilidades de o mesmo ser atingido para que o dito acordo pareça ter sido possível.

Segundo Mbeki o acordo de partilha de poderes já foi possível e será assinado na próxima segunda-feira. Um acordo que já tinha sido pré-anunciado pelo líder vencedor das legislativas Morgan Tsvangirai.

Era claro que estava muito em jogo na África Austral, mais do que aproximar os dois opositores zimbabueanos.

A liderança política austral era um dos factores que estava em jogo e os sul-africanos, nomeadamente o seu presidente não poderiam, sob pena deste perder todo o resto de capital político que ainda conserva, principalmente no ANC, para as presidenciais do próximo ano, deixar, eventualmente, cair nas mãos de Luanda.

Vamos aguardar que este não seja mais um acordo que dará em nada, como os anteriores.

10 setembro 2008

Zimbabué, agora que está confirmada a vitória do MPLA em Angola…

De acordo com as mais recentes palavras de Thabo Mbeki o acordo para o Zimbabué está mais próximo de se efectivar mesmo que Mugabe ameace abandonar as conversações e formar Governo sem oposição.
Nada mais natural tendo em consideração os últimos desenvolvimento políticos na SADC.
Agora que o MPLA tem a vitória confirmada e o poder legitimado, é natural que Mbeki não queira perder a face junto de um dos maiores amigos do MPLA, o senhor Mugabe.
Por isso, nada como providenciar uma rápida e sanável solução para a crise zimbabueana sob pena de perder algum do pouco crédito que ainda mantém no seu país agora que as eleições presidenciais sul-africanas se aproximam.
Só não se sabe quem ganhará com a rápida resolução, se os zimbabueanos ou a imagem de Mbeki.
E não esqueçamos que Morgan Tsvangirai
pondera novas eleições – não esquecer que o MDC tem a maioria no Parlamento – o que iria de encontro de interesses que não dos sul-africanos mas de terceiros…

19 agosto 2008

SADC “adopta” uma Zona de Comércio Livre

A 28ª Cimeira Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) que decorreu desde sábado em Sandton, nos arredores de Joanesburgo, encerrou com o lançamento oficial da Zona de Comércio Livre (ZCL) ou Free Trade Agreement (FTA).

Uma vontade há muito manifestada por alguns países da zona mas a que Angola disse que, para já, NÃO no que acaba por ser uma derrota da Cimeira e uma afirmação cada vez mais efectiva da equidistância que se verifica entre Pretória e Luanda tudo por causa do domínio da SADC. A África do sul é a maior potência económica da SADC e domina a maioria das pautas alfandegárias da futura ZCL.

Além de Angola – que diz pensar aderir à ZCL dentro de dois ou três anos – também o Malawi e o Congo Democrático, mas por razões diferentes, não aderiram à ideia.

A ZCL afro-austral – que quer convergir, futuramente, numa União Aduaneira em tudo semelhante àquela que acabou na União europeia – vai permitir aos estados-membros que eliminem as tarifas, quotas e preferências que recaem sobre a maior parte dos, ou todos os, bens importados e exportados entre aqueles países e estimular o comércio entre eles por meio da especialização, da divisão do trabalho e das vantagens comparativas.

Outro dos objectivos desta ZCL é a criação futura de uma moeda única a circular na região.

A Cimeira, que readmitiu as Seychelles, elevando, de novo, para 15 Estados-membros, acabou por ficar também marcada pelo novo – e habitual – falhanço das conversações entre Mugabe e seu séquito e os vencedores das legislativas do Zimbabwé, na persistência de manter Thabo Mbeki como mediador do conflito, além de o ter, naturalmente pelo cargo que ocupa, nomeado presidente em exercício, e ao boicote do Botswana por não concordar com a presença de Mugabe a quem não reconhece qualquer legitimidade.

A 28ª Cimeira ficou ainda marcada pelas manifestações anti-Mugabe e anti-Mswati III (rei da Swazilândia) levadas a efeito pela todo-poderosa central sindical sul-africana Cosatu, no que parece não ter minimamente preocupado os líderes afro-austrais presentes na Cimeira.

Ficou ainda definido que Angola vai continuar a participar no Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança até à 29 ª Cimeira da SADC, que terá lugar, no próximo ano, na República Democrática do Congo – até lá Joseph Kabila, será o vice-presidente da SADC –; deste órgão fazem também parte a Suazilândia, que substitui Angola na presidência, e Moçambique que ocupará a vice-presidência, e cujo principal desafio é desempenhar(!?) um papel actuante na consolidação da paz, estabilidade e segurança na região (os zimbabueanos que o digam...).

17 agosto 2008

Eleições livres e justas é o que queremos que sejam!

Eleições livres e justas em Angola é o que todos desejamos e ansiamos, mas quando é o mediador de um grave problema chamado Zimbabué que o afirma, tão categoricamente, começamos a temer que isso não será verdade.
O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, afirmou ontem, na cerimónia de abertura da 28ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, que as eleições em Angola “serão livres e justas”porque o processo de preparação do acto eleitoral “transmite confiança à comunidade internacional de um exercício transparente nas eleições legislativas”.
Quando surgem sondagens fantasmas e artesanais criadas pelos subservientes analistas muito bem pagos – só podem ser mesmo muito bem pagos ao ponto do seu coordenador solicitar suspensão do trabalho na Rede Globo onde era (é) um conceituado profissional – em circunstâncias pouco credíveis como foi já aqui analisado, bem assim pelo catedrático Francisco Cangue e pelo jornalista Orlando Castro ou por alguns órgãos de informação angolanos independentes;
Quando caravanas dos partidos oposicionistas ao MPLA são atacadas, simpatizantes detidos, comícios boicotados;
Quando em 33 anos de poder, aliados a 6 bons anos de Paz, o Povo vê personalidades aumentarem os seus proventos, nomeadamente comprando quintas e empresas na Europa e nos EUA, e padecem de fome;
Quando os partidos oposicionistas, nomeadamente os méis pequenos, tiveram dificuldades, umas logísticas outras claramente que lhe foram impostas para conseguirem se inscreverem no Tribunal Constitucional para estarem presentes no pleito eleitoral;
Quando a campanha eleitoral só é possível nas ruas ou nos panfletos políticos porque os pequenos partidos não têm à sua disponibilidade uma televisão do Estado, paga por erário público, mas só ao serviço de um único partido, o MPLA (basta ver as notícias que passam nos telejornais nacionais em rodapé só se reportam ao partido que está no poder há cerca de 33 anos);
É pouco crível afirmar que as eleições vão ser justas e livres.
E quando o homem que proferiu esta certeza é o mesmo a quem a SADC incumbiu de mediar a crise política do Zimbabué, que tudo tem feito por manter o senhor Mugabe como presidente daquele país mesmo que toda a Comunidade Internacional, incluindo a própria SADC manifestem as suas reservas, nuns casos, ou afirmem, noutros que as eleições presidenciais foram a maior fraude reconhecida em África, então estamos todos conversados!
Vamos ter de mostrar que desta vez ele poderá ter razão e denunciar publicamente os actos menos claros que o poder faz na rua.
Vamos todos trabalhar para que haja a Mudança em Angola mesmo que isso atrapalhe as contas de alguns senhores de Brasília ou de Lisboa!
Angola tem 15 dias para politizar também o estômago dos angolanos!

20 junho 2008

Mugabe já tem a perpetuação do poder garantida

Se alguém duvidava, as dúvidas estão desfeitas, totalmente desfeitas.

Se alguma pessoa pensava que as aferroadas do senhor Mugabe era a angústia de quem estava quase a morrer para o poder, enganou-se.

Se a África Austral achava que as invectivas que o senhor Mugabe mandava ao seu colega e presidente em exercício da SADC, o zambiano Levy Mwanawassa, por este o andar a criticar bem assim ao partido ZANU-PF, eram meras formalidades, estava totalmente equivocada.

Se o Mundo julgava que o senhor Mugabe já nada mais iria fazer para se perpetuar no poder, além de umas quantas prisõezinhas do seu adversário –já se contam os dedos de uma mão –, de ameaçar de morte os seus inimigos – o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, pode vir a ser condenado à morte por traição – ou afirmar que nunca sairá do palácio presidencial qualquer que seja o resultado da segunda volta das presidenciais, enganou-se redondamente.

Se achavam que o aparecimento de uns quantos cadáveres, a grande maioria afiliados ou simpatizantes do MDC eram meras especulações da Amnistia Internacional e de outras proscritas ONGs, estão rotundamente equivocados.

Porque quem assim pensava estava longe de perceber que o senhor Mugabe só procedia como procedia porque tinha o apoio de vários padrinhos.

Se pensam que seriam só os amiguinhos da Costa Ocidental afro-Austral ou as fracas visões do palácio da Ponta Vermelha, o mediador – pelo menos dito como tal – do conflito político do Zimbabué e presidente da República da África do Sul, senhor Thabo Mbeki veio hoje desmentir essa ideia.

Pois Mbeki propôs que a segunda volta das eleições presidenciais sejam canceladas!!! e, ingenuamente – será?!?! – propõe que seja criado um Governo de Unidade Nacional, o que o senhor Mugabe e a sua equipa já afirmaram nunca aceitar!

África, e a política africana, com amigos e mediadores destes continuará a não ir muito longe e manter-se no patamar superior da incredulidade e, infelizmente, da chacota internacional!