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18 janeiro 2017

União Europeia - Angola: 30 anos de cooperação - minha análise

A minha entrevista/análise para a Rádio Deutsche Welle, ontem, sobre os 30 anos de cooperação Angola-União Europeia.
União Europeia - Angola: 30 anos de cooperação
O aniversário, esta terça-feira (17.01), acontece numa altura em que Bruxelas doou a Luanda mais de mil milhões de euros para ajuda ao desenvolvimento
«Por ocasião dos 30 anos dessa cooperação, a DW África entrevistou Eugénio da Costa Almeida, investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa.»

29 janeiro 2015

Grécia aproxima-se da Rússia, no pós-eleições

Na passada segunda-feira (26 de Janeiro), num restrito grupo de amigos e colegas, perguntaram-me a minha opinião sobre a pós-eleição na Grécia e os efeitos do Syriza no seio da União Europeia (UE). Como sabem que sou um crítico da UE e do Euro, enquanto ambos forem dominados e subjugados por um ou dois países europeus (Alemanha, principalmente, e França)...

Na altura disse – e mantenho – que ou a Europa compreende as eleições e os pontos de vista dos gregos, independentemente de todas as falcatruas feitas anteriormente por estes para entrarem no Euro – diga-se com o claro e interessado apoio da banca alemã e da Goldman Sach – ou os gregos provocarão a bancarrota do país com o necessário impacto e descrédito do Euro.

Ora isso só iria dar razão àqueles que afirmam que o Euro está sobre – demasiado – sobrevalorizado. Recordo as constantes dúvidas dos britânicos e do reconhecido especulador George Soros.

O Euro e o Banco Central Europeu (BCE) não têm a mesma capacidade que o FED norte-americano e o Bank of England nem a sua total independência face ao poder político. São estes dois que determinam a vida económica dos seus Estados/Países ao contrário do BCE que, na maior parte dos itens está subjugado às políticas de Berlim e de Frankfurt.

E na sequência desta minha visão – provavelmente catastrofista para alguns e infantil para outros – perguntaram-me no caso da tal bancarrota para onde os gregos se virariam. E aí afirmei e continuo a fazê-lo – as reações posteriores vêm confirmando a minha posição – que os gregos (e não seriam os primeiros a ameaçarem fazê-lo; já os cipriotas o tinham feito) voltar-se-iam para os russos e para a sua “ajuda desinteressada”.

Achavam, os meus interlocutores, que isso era impossível até porque Moscovo vive numa incerteza económica muito forte e porque a Europa e os norte-americanos estão a “asfixiarem” a Rússia com sanções políticas e económicas, em grande parte devido à questão Ucrânia.

Talvez, mas…

Uma das primeiras medidas do novo premiê grego, Alexis Tsipras, foi, além de colocar em causa algumas das medidas da troika, como travar certas privatizações e repor o ordenado mínimo nacional, declarar-se contra as novas medidas sancionatórias contra a Rússia e ao povo russo.

Ou seja, ou a Europa se recorda que há umas dezenas de anos um país viu a sua dívida ser perdoada em 60% - com o apoio, e não foi pequeno, também dos gregos – e hoje é a maior potência económica da Europa, no caso, a Alemanha, ou Bruxelas, Paris e Berlim verão a União Europeia e o Euro estilhaçarem totalmente devido a uma “criancice” muito nacionalista só porque os eurocratas não compreendem os Povos nem as virtudes das suas dissemelhanças na unidade.

E a Rússia tornar-se-á no foco, indirecto, de uma nova crise política, de uma nova e quente Guerra-Fria, como vem denunciando, e com certa insistência nos últimos tempos, o senhor Mikhail Gorbachev.

Reproduzido no portal Pravda.ru em 31 de Janeiro de 2015 (http://port.pravda.ru/news/busines/31-01-2015/38021-grecia_russia-0)

30 agosto 2014

O Ocidente está a esticar, em demasia, a corda pela Ucrânia…

(imagem da Internet)

Parece que o Ocidente ainda não percebeu que quem manda na Praça Vermelha, não se chama Boris Yeltsin ou Dimitri Medvedev, e não (sobre)vive do vodka como o primeiro.

Actualmente o inquilino da Krasnaya ploshchad (Praça Vermelha, em português), mais concretamente, do Kremlim, chama-se Vladimir Vladimirovitch Putin; que, por acaso, foi membro superior do KGB e da, posterior, FSB.

É um indivíduo que conhece, como poucos, na Rússia, a mentalidade ocidental e como os ocidentais se (não) comportam perante factos para os quais, apesar de estarem preparados, in book, nunca o estão mental e psicologicamente. Esperam sempre que, fazendo ameaças, os opositores se acobardam.

Nada mais errado quando o opositor conhece bem quem o afronta, como é o caso de Putin! Como actual inquilino da Praça Vermelha – é a segunda vez que lá está com um mandato como teórico primeiro-ministro – além de ter vindo da antiga escola do KGB, ou por isso, mesmo, sabe que o Ocidente não possuiu, nesta altura, de um JFK além da União Europeia ser, cada vez mais, uma manta de retalhos nada solidária onde os problemas sociais, políticos e, principalmente, económicos prevalecem sobre qualquer tipo de redefinição de fronteiras que não sejam as suas.

Por isso torna-se ridículo quando a NATO (ou OTAN) vem dizer que está disponível para abrir portas à Ucrânia, com o próprio Primeiro-ministro ucraniano afirmar que vai pedir ao parlamento que aprove pedido de adesão à Aliança Atlântica. Questiona-se, que verdadeira legitimidade política tem o actual primeiro-ministro ucraniano para fazer afirmações destas que só colocam a NATO em cheque?

Acresce, que se saiba, um dos primeiros requisitos da NATO passa pelos Estados terem ideias políticas defensoras da Liberdade e dos Direitos Humanos. Os actuais inquilinos de Kiev, como se sabe, estão no poder após uma enorme e sangrenta actividade contestatária e encabeçada por movimentos claramente nada democratas (para não chamar os nomes correctos…).

Por outro lado foi sempre teorizado pela NATO – e muito bem – que a Ucrânia deveria ser um país de charneira entre um Ocidente – às vezes, e muitas vezes, – quase decrépito mas onde persiste a melhor das ditaduras e uma Rússia onde o czarismo está muito implantado e onde existe um Chefe de Estado que deseja recuperar um esplendor político-militar – mesmo que fictícios – que já lhe permitiu se exibir como superpotência.

Ora, nem o Ocidente (Europa e EUA) está capaz de afrontar um “urso” a despertar, com a particularidade dos russos serem os principais fornecedores do gás consumido na Europa central e leste, onde predomina uma potência económica que parece estar a estagnar, a Alemanha – também ela com atitudes muito dúbias, historicamente reconhecidas, no que toca a Moscovo – nem os EUA conseguirão manter diversos “conflitos” latentes em várias frentes – com os russos, com os radicais islâmicos e… com os outros –; nem os russos – leia-se, Putin –, poderão sustentar a peregrina ideia que vão conseguir recuperar o antigo esplendor glamouroso da defunta URSS.

Face a estes condicionalismos talvez não fosse despiciente que as duas potências, sem prévia agenda, apresentassem numa távola (redonda ou quadricular ou o que quiserem) as suas preocupações e depois disso debatessem a melhor solução para resolverem a questão ucraniana.

De uma coisa os ucranianos deverão ter a certeza, se os alemães, principalmente, sentirem que a sua economia irá claudicar ainda mais por causa da causa ucraniana, serão, indiscutivelmente – ameaçando, as vezes que o fizerem, de aumentarem as sanções à Rússia –, os primeiros a deixarem cair aquela causa! Não tenham a menor dúvida!

Por outro lado o Ocidente tem de compreender que não pode sustentar uma raposa disfarçada no seu galinheiro sem que daí não venham nefastas consequências. Ao Ocidente, agrade-lhe ou não, tem que reconhecer que apoiou um movimento onde persistiam, e persistem, indivíduos cuja linha política nada tem de democrata e onde certos autocratas actuais, nomeadamente em África, conseguem passar por cordeiros, comparados com aqueles políticos ucranianos.

Como também não deixa de ser ridículo que o quase “demissionário” presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, diga que embora reconheça uma situação ou “um ponto de não retorno”, onde os insurrectos separatistas estão a avançar na região sul ucraniana a determinação europeia terá o seu impacto na Rússia. Qual determinação? As sanções que todos subscrevem mas onde sobre as quais cada um dos Estados da UE impõe derrogações conforme os seus interesses económicos e financeiros?

Às vezes a Europa – e alguns, muitos, dos seus políticos – faz recordar aquele patético ministro de Saddam Hussein que afirmava, peremptoriamente, que os norte-americanos nunca entrariam em Bagdad, precisamente quando estes já estavam a abrir a porta do seu gabinete…

Citado no Portuguese Independent News Network (2/Set./2014)

11 outubro 2013

Violação de DH dá penalização


O Parlamento europeu aprovou um relatório da eurodeputada Ana Gomes (socialista) que visa no futuro - provavelmente, no imediato - a penalização de países que violem os Direitos Humanos.

O documento em questão apresenta como proposta que a UE adopte uma lei semelhante ao "Sergei Magnitsky Act", em vigor nos Estados Unidos, que prevê a proibição de vistos e o congelamento de bens de funcionários de países terceiros que sejam responsáveis por violações dos direitos humanos, onde se incluem agentes, como polícias, procuradores e juízes, envolvidos em «manipulações judiciais» contra os autores de denúncias, jornalistas que investigam casos de corrupção e activistas dos direitos humanos.

A ser efectivamente adoptada esta norma vai haver muitos países, nomeadamente do chamado bloco de países menos desenvolvidos, mas não só, claro.

Até estava a pensar num em concreto, apesar de se achar o contrário e o gritar a todos os ventos, em termos de violação dos direitos humanos...

Vamos aguardar!