01 maio 2005

A 10ª jornada do Girabola 2005

Image hosted by Photobucket.comImage hosted by Photobucket.com Não é só em Portugal que o campeonato está no rubro (e em todo o sentido). Também em Angola o campeonato, que já vai na 10ª. Jornada, está pintado de vermelho e em ebulição.
O meu clube saltou hoje para o 1º lugar, juntamente com o Sagrada Esperança, beneficiando do empate do campeão ASA – a braços com uma despedida muito rápida da Liga dos Campeões africanos – nos terrenos do benguelense 1º de Maio (devem ter pensado que com o nome e a data seria dia do trabalhador e por isso seriam mais fácil; registe-se, também, que os operários de Benguela estiveram a um passo da descida no ano passado devido a problemas financeiros).
Mal está o clube da minha cidade, em penúltimo lugar, apesar de não ter jogado ainda.

De destacar, ainda, a má classificação do histórico 1º de Agosto.

Deixo-vos aqui os resultados e a classificação após a disputa neste fim-de-semana da 10ª jornada; eis os resultados:
Progresso do Sambizanga - Sagrada Esperança 0-1
Sonangol do Namibe - Petro de Luanda 0-2
1º de Agosto - Sporting de Cabinda 1-0
1º de Maio de Benguela - ASA 2-2
Sporting do Bié - Benfica de Luanda 0-1
Desportivo da Huila - Petro do Huambo 2-1
Interclube - Académica do Lobito (adiado)

Classificação:1- Sagrada Esperança 10 Jogos - 18 Pontos
2- Benfica de Luanda 10(J)-18(P)
3- ASA 10-17
4- Interclube 09-16
5- Sporting de Cabinda 10-15
6- 1º de Maio de Benguela 10-15
7- Petro de Luanda 10-15
8- Progresso do Sambizanga 10-13
9- Petro do Huambo 10-12
10-1º de Agosto 10-12
11-Desportivo da Huíla 10-11
12-Desportivo da Sonangol 10-09
13-Académica do Lobito 09-09
14- Sporting do Bié 10-06

Espero, desta vez, não me ter escapado nenhum clube. Não quero ferir susceptibilidades clubísticas...

Banco angolano morre à nascença

O arranque do Banco de Investimento Mineiro (Bim) terá sido abortado depois de tentativas que nesse sentido perduravam desde há mais de dois anos, segundo soube o Semanário Angolense de fontes oficiosas.
As fontes disseram que o presidente José Eduardo dos Santos terá mandado engavetar definitivamente o processo de abertura do Bim em consequência da combinação de (…) factores adversos que acabaram por incidir de forma determinante em desfavor da consumação do projecto.
De acordo com tais fontes, o primeiro e mais determinante desses factores foi a firme objecção do Fundo Monetário Internacional (Fmi) à instituição de um banco com as características do Bim (
que …) questionaram o Governo quanto à viabilidade da instituição de mais um banco estatal que, além do mais, se destinava a financiar a exploração mineira, um sector que não tem potencial de gerar uma situação de emprego tão abrangente como a que pode ser gerada pelo sector agrícola.” (in:
Angonotícias).

Não se questiona da oportunidade do nascimento de um novo Banco nem tão pouco do facto do mesmo ser um banco de características sectoriais.
Questiona-se sim porque é que o FMI voltou a intervir, e de uma forma significativa, na política financeira do país, quando se vêem desmandos de toda a ordem e juridicamente bem mais complexos e pertos da completa ilegalidade
A justificação de ser um banco cujo sector é pouco propício ao emagrecimento do desemprego, não colhe.
Tal como não colhe o facto de vir a ser mais um banco de capitais públicos.
Ora que se saiba, a maioria dos bancos em Angola são directa, ou indirectamente, de capitais públicos: o BPC, o BCI, o BAI (a maioria do capital está nas mãos de empresas públicas) e nem por isso o FMI impõe a “obrigatoriedade” dos mesmos virem a ser privatizados.
Assim como assim, mais banco ou menos banco público, não viria mal ao mundo. Nem tão pouco pelo facto de um dos líderes do novo banco ser alguém próximo do Governo angolano.
Por certo que os motivos deverão ser mais complexos e mais abrangentes.
E esses a imprensa não conseguiu, ou não soube, especificar.

30 abril 2005

1º de Maio, Dia do Trabalhador e Dia da Mãe

Image hosted by Photobucket.comO 1º de Maio é, por convenção internacional o Dia Internacional do Trabalhador; por tal facto as minhas homenagens aos trabalhadores que longe das suas terras, dos seus países e das suas famílias lutam por uma vida melhor tanto para si como, principalmente, pelos seus que lá longe esperam pelo seu regresso são e salvo.

Image hosted by Photobucket.com quadro de Nora Patrich “Mother and Child”
Mas este ano, é também, pelo menos em Portugal, o Dia da Mãe.
Por esse facto, e pelo facto de muitas não terem os seus filhos trabalhadores emigrados junto de si, a minha maior homenagem através dum trecho do poema de Deolinda Rodrigues “À Mamã”*

À Mamã

África
Mamã África
Geraste-me no teu ventre
nasci sob o tufão colonial
chuchei teu leite de cor
cresci
atrofiada mas cresci
juventude rápida
como a estrela que corre
quando morre o nganga.
Hoje sou mulher
não sei se já mulher se velinha
mas é a ti que venho
África
Mamã África

*(parte de um poema que formam as Quatro Mensagens de Vida… de uma cela de morte, de Deolinda Rodrigues, na Antologia Temática de Poesia Africana (2~vol.) de Mário de Andrade, e editado pelo Instituto Caboverdiano do Livro)

Angola fez investimentos na Suiça?

De acordo com certos sectores da imprensa Suiça, nomeadamente, o jornal “Le Temps” o Governo angolano terá solicitado ao Banque de Patrimoines Privés Genève (BPG) que gerisse e investisse cerca de 100 milhões de dólares .
De acordo com aquele órgão, o banco suíço terá comprado, ou investido, num palácio em Genebra, num Hotel reconhecido por ser poiso de grandes VIP’s que demandam aquelas paragens e numa farmacêutica norte-americana falida.
Ou seja, delapidação pura de fundos públicos angolanos em paragens que, à partida, nada têm de comum com Angola.
Quer dizer. Nada, excepto no facto de Angola parecer ter recuperado posse de uns determinados fundos que estavam depositados em bancos suíços e que foram desbloqueados pela Procuradoria daquele país, mesmo contra a vontade da Comissão Bancária Suiça, e também pelo facto de ser na Suiça que, periodicamente, se reúne a nata da economia Mundial, em Davos, mais concretamente.
Ora, Angola deve mostrar que é um país desenvolvido e com capacidade de mostrar esse desenvolvimento num país com poucos recursos. Não é?
E esta notícia não teria qualquer relevância se a Embaixada angolana em Berna não tivesse vindo tão prontamente a terreiro considerar “ridículas” as notícias e a Angop não fizesse uso dessa “ridicularia” de imediato.
Também quando um membro do executivo angolano, perante jornalistas do Jornal de Angola avisa que quem quiser escrever contra o principal partido do Governo deve ir para jornais privados, mal seria se o principal órgão informativo angolano não fizesse eco das denúncias “ridículas” por que passa o Estado angolano na segunda sede do Sistema internacional, ou seja, na Suiça.
Sejamos honestos e concedamos o direito de dúvida.
Será que Angola pôs mesmo dinheiro do erário público nas mãos de um banco que está sob investigação internacional como pertencendo a uma rede de “máquinas de lavar”.
A acusação a ser verdadeira, mais do que grave é uma perfeita e completa limpeza de fundos que seriam muito mais úteis no estancar da terrível epidemia por que passa a martirizada província do Uíge.
Agora num palácio – provavelmente a futura casa de féria de Inverno -, num Hotal e numa farmacêutica falida.
Hum!!! Aqui há gato de certeza.

29 abril 2005

Crise política na Guiné-Bissau condiciona ajudas externas

A crise social e a pouca estabilidade política da Guiné-Bissau continua a condicionar a vida económica – e por extensão a social – do país.
Agora é o Banco Mundial a travar o apoio financeiro previsto para conceder à Guiné-Bissau.
De acordo com o director-adjunto da Região África do B.M. e coordenador da ajuda orçamental para Cabo Verde, Guiné-Bissau, Gâmbia e Senegal, Iradj Alikhani, no final de uma reunião de trabalho com o primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, e com o ministro das Finanças, João Fadiah, aquela Instituição financeira só deverá disponibilizar os fundas – cerca de 10 milhões de dólares – até Julho e desde haja paz e estabilidade no país.
Já a União Europeia travou, até Agosto, a sua ajuda de 9 milhões de Euros e que, tal como os fundos do B.M. serão canalizados para cobrir parte do défice orçamental, de 27 milhões de Euros.
Até lá, a Guiné-Bissau vai ter de gerir a sua estabilidade social, financeira, política e, acima de tudo, militar.

28 abril 2005

O Jornalismo e a cultura democrática em Angola

É uma profissão marcada por armadilhas e incompreensões avultadas, sobretudo pela incultura dos poderes instituídos Em qualquer Estado onde o capitalismo, sob a capa da democracia impera, a intervenção da imprensa será tomada como um bem necessário no que diz respeito à informação sobre os fenómenos sociais e políticos benfazejos aos interesses públicos, pessoais ou estatais. De igual forma, em qualquer Estado onde o capitalismo, sob a capa da democracia impera, esta mesma intervenção será tida - em espiral - como um bem desnecessário, no que diz respeito à informação dos fenómenos sociais ou políticos recheados de corrupção, ou que contenham sérios factos que enfermam e comprometam a sociedade e/ou o próprio Estado. Parece paradoxal e incompreensível, mas não.

Face aos problemas por que passam a Comunicação Social, nomeadamente, em Angola, um interessante artigo de Opinião, assinado pelo angolano Curry Duvall, e que pode ser lido no Notícias Lusófonas