03 julho 2005

G8 e África, o tema da semana do JN


Um "magnânimo" e o marido de uma líder da corrupção
O Tema da semana do Image hosted by Photobucket.com centra-se sobre a reunião do G8 e o impacto em África não esquecendo a manifestação cultural Live8.
Entre os artigos, uma análise minha sob o título “Haverá mesmo perdão?” e um excelente artigo de Orlando Castro cujo título diz muito, para não dizer tudo “Pedir aos pobres dos países ricos para dar aos ricos dos países pobres”; um cheirinho “(…) Como regra, estes são países em que poucos têm milhões e em que milhões têm pouco.

02 julho 2005

Live8, um grande passo para a justiça social

Image hosted by Photobucket.comImage hosted by Photobucket.com© Live8
Obrigado Sir Bob Geldof pela sua iniciativa.

Mas o que África, em geral, e os países pobres, em particular, precisam não é de perdões de dívida ou de fundos que depois não sabemos onde irão “afundar”.

Precisam de quem lhes ensine a gerir com lisura o seu bem-público, a dominar a corrupção e obrigar os “glutões” das matérias-primas criarem empresas transformadoras nos países exportadores das mesmas para os tornar em países competitivos e ricos.

Em todo o caso não há dúvida que é preferível clamar do que calar.

Kumba apoia Nino na 2ª volta

Image hosted by Photobucket.com Kumba Yalá e “Nino” Vieira regressaram à Guiné-Bissau, provenientes do Senegal, juntos e no mesmo avião, para onde se tinha deslocado, no último fim-de-semana, a convite do chefe do Estado senegalês. Resultado da viagem?
Kumba anunciou que apoiará "incondicionalmente" “Nino” Vieira na 2ª volta das presidenciais… … E alguém duvidava que seria essa a solução dos dois “camaradas” da desgraça guineense?
... Ou alguém começa a ter dúvidas quem está nos bastidores das actuais manobras políticas guineenses?
E lembram-se da reunião magna que houve, entre os dois, umas semanas antes das eleições presidenciais em que ambos afirmavam dar o seu apoio um ao outro e apareciam sentados num belíssimo e caro sofá de mãos dadas ao alto?

Simulambuco, Tratado ou acordo?

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Uma vez mais, e por causa de Bento Bembe, vou deixar aqui a minha opinião sobre Simulambuco, se um Tratado ou se um Acordo.
Não questiono as opiniões de cada um, nem vou responder forte e feio, como espera o meu caríssimo amigo Orlando Castro, porque, forte não é, dado as letras serem pequenas, feio não será, porque a imagem encima este apontamento até é bonita.
O que está em causa é tão-somente a interpretação historico-política e, talvez, jurídica de Simulambuco.
Numa perspectiva histórica, e Orlando Castro é um historiador (a referência aos dois esquecidos Tratados – chamemos assim – que o antecederam são prova disso), o documento de Simulambuco foi rubricado, em 1885, pelo capitão-tenente Augusto Brito Capelo, comandante da corveta portuguesa “Rainha de Portugal”, provavelmente mandatado pelo seu rei, e por alguns príncipes, dignitários e chefes locais, cabindas.
Mas num ponto de vista de um politólogo (ou analista político ou sociólogo político, ou como queiram-nos chamar) Simulambuco ultrapassa a questão da assinatura e da qualidade da mesma. Se trata de um Tratado ou um Acordo.
Na politologia e no Direito Internacional Público, um Tratado caracteriza-se por ser um instrumento internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo direito internacional, quer esteja consignado num instrumento único, quer em dois ou mais instrumentos conexos, e qualquer que seja a sua denominação particular” enquanto que um Acordo acontece quando é rubricado entre personalidades ou entre estas e Estados; em regra, rege-se pelo Direito Internacional Privado.
Ora na minha concepção é um mero Acordo.
Mas, reconheço que atrás de Simulambuco existe toda uma história político-militar que não deve ser esquecida.
Como se sabe, quando aconteceu a divisão de África com a régua e esquadro, Berlim 1884/85, um dos artigos obrigava à livre circulação pelo rio Congo ou Zaire (o nome autóctone era Nzaidi, mais tarde, por corruptela passou a designar-se, sucessivamente, "zairi" e "zaire") mas quando o rei belga Leopoldo II, na prática o verdadeiro dono da coutada a que chamou Association lnternationale Africaine, embrião do futuro Estado Livre do Congo, se decidiu por levar a efeito uma Conferência – que foi aproveitada pelo chanceler prussiano Bismarke – exigiu uma saída para o mar.
Ou seja; de acordo com as cartas marítimas portuguesas a costa africana entre a região gabonesa e o Cunene era explorada por capitães portugueses a quem lhe tinham sido conferidos capitanias.
Quem também se aproveitou dessa exigência belga, foram os franceses que desejavam levar para sul o seu poder territorial.
E foi assim que Portugal ficou com um pequeno território encravado entre os territórios francês e belga, mas sem consistência jurídica ou política.
Daí que o reino português começasse a ver perigar a sua posição na região – facto que levaria também à perca de Angola, não tenhamos dúvidas, ingleses e alemães viam este território como uma mina a conquistar – se decidisse por impor – e esta é a palavra certa – um Acordo aos povos cabindas. Por outras palavras impôs-lhes a política emergente teoria norte-americana do “big stick” ou “política da canhoeira”.
Alguém acredita que os régulos cabindas se oporiam a uma corveta? Ou que Leopoldo II iria acudir os cabindas. É evidente que não. Ele sabia também que por detrás das questiúnculas cabindas estavam os franceses que queria descer até o Zaire e, isso contrariava as suas pretensões de uma saída para o mar. Por isso não se intrometeu.
E foi isso que, na prática, aconteceu. O próprio preâmbulo do documento a isso faz referência quando “os signatários cabindas afirmavam que face aos acontecimentos que se verificavam no continente africano, solicitaram ao comandante Brito Capelo que, em nome do rei português, com eles celebrasse um tratado pelo qual ficariam sob o protectorado de Portugal, “...tornando-nos, de facto, súbditos da coroa portuguesa, como já o éramos por hábitos e relações de amizade”.
Não está em causa a descontinuidade do Território; nem tão-pouco a sua especificidade etnolinguística onde se incluem, também, kubas, ogués e tshogos – a maioria no Congo –, nem, muito menos, a sua enorme riqueza quer no subsolo, quer no solo e mar.
Sabemos que uma Cabinda independente, se fosse ter em conta as suas riquezas sobreviveria mais facilmente que alguns países africanos e, porque não dizê-lo, europeus ou asiáticos e americanos.
Só que a realidade é muito diferente.
Cabinda independente de Angola, rapidamente seria partilhada entre os dois Congos. Não esqueçamos que existiu (existe) um acordo secreto de partilha entre Brazza e Kinshasa – facto que alguns analistas consideram ter levado Angola e intervir militarmente nos dois países – e que, por certo, seria rapidamente reactivado.
E qual seria a solução?
Provavelmente se suserar a uma potência que a protegesse dos lobos. Um EUA, uma França, seriam as potências prontas para tal.
Ora suserania, por suserania, não é melhor estar como está?
Não há dúvidas que Cabinda tem que ser olhada por Luanda de outra forma. Temos de começar por deixar mais fundos no território, devido à exploração petrolífera e madeireira. Os problemas sociais não se diluem com matracas ou com envio de forças armadas – a sua vocação não é ser polícia - mas com harmonia social e política.
Como um território descontinuado (um enclave) que deverá gozar de privilégios específicos. Uma plena autonomia – tipo Porto Rico – que daria um país, dois territórios.
Seria a prossecução final para a Paz definitiva do país.

Angolagate justiça francesa indica nomes

Segundo a RDP África, as autoridades judiciais francesas estão em vias de acusar Eduardo dos Santos e alguns dos seus mais directos colaboradores de terem recebido luvas avultadas na compra de armas russas, em 1993, com Pierre Falcone como principal intermediário e uma instituição portuguesas como possível e inocente plataforma de circulação dos fundos, através de contas de dois portugueses.
Esta acusação, caso vá por diante, levará a um recrudescer de animosidade entre Luanda e Paris cujas consequências não são vislumbráveis.
Já em tempos, quando começou esta questão Angolagate, a Total viu alguns dos seus poços serem “secos” pelas autoridades petrolíferas angolanas. E agora?

UA, quem acode com fundos?

Image hosted by Photobucket.com A sessão ordinária do Conselho Executivo da União Africana, que vai decorrer em Sirte, Líbia nos dias 4 e 5 de Julho, só terá 7, em 53, (sim, sete, escrevi bem) países com as suas quotas em dia (África do Sul, Angola, Argélia, Botswana, Comores, Etiópia e Senegal).
Das restantes, - até a impulsionadora da UA, a Líbia, está em dívida – há outros 7 países (Guiné-Bissau, Libéria, R.Centro-Africana, R.D.Congo, São Tomé e P., Seychelles e Somália,) que poderão ser 9 (mais Eritreia e Níger) que estão como banidos. Ou seja, há mais de 2 anos que não pagam as quota-parte para as contribuições orçamentais.
Há duas Nações que são, uma pela positiva – Comores – e outra, pela negativa – Seychelles – as duas maiores surpresas.
Comores, com os problemas que teve com as tentativas de secessão da ilha de Anjouan e que por esse facto esteve sob um longo período de sanções, surge como um dos principais pilares políticos da UA; a Seychelles, uma das mais ricas Nações africanas, com um PIB/per capita de USD 7900,00, parece não acreditar na organização supranacional.
Já Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, os dois países mais pobres da afro-lusofonia, já se entende o seu atraso contributivo.
Mas já não se compreendem os cíclicos atrasos da Nigéria nem da Líbia; e Cabo Verde e Moçambique, que já deteve a presidência da UA?
Será que a UA começa a dar mostras da realidade africana?
Isto é; a pobreza (algo congénito) e um forte despesismo (tapar buracos em tudo o que é crise político-militar) são incompatíveis.
Senão como se entende este semi-divórcio entre a organização e 46 Estados africanos e a dívida total ascenda a 88 milhões USD em contribuições não liquidadas.
Ou será que alguns desejam afirmar-se política e militarmente fora da organização. Lembrava-me, só por mero acaso, da Nigéria – sempre pronta a mandar militares para as forças de interposição e manutenção de paz, mesmo que em nome da UA.
Interessante.