03 agosto 2005

CNE guineense reconhece irregulariedades

De acordo com a Panapress, o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, Malam Mané, reconheceu a existência de ireegulariedades na 2ª. volta das presidenciais, em 24 de Julho passado.
Segundo reconheceu, uma vez mais, aquele conselheiro, em algumas assembleias os votos registados foram superiores ao número de eleitores. E esta “constatação não foi feita durante a votação, pelo que os delegados dos dois candidatos ("Nino" Vieira e Bacai Sanhá) não puderam reclamar a tempo.”
Ainda segundo Mané, o Código Eleitora guineense “estipula que se as irregularidades forem confirmadas por uma recontagem dos votos 72 horas depois do escrutínio, o voto é imediatamente anulado e repetido” afirmando, no entanto, que isto não aconteceu porque “o problema não foi colocado dentro do prazo”.
E era possível, face às suas iniciais declarações?
E como explica o senhor Mané vir, todavia, afirmar terem sido aceites as reclamações dos apoiantes de Sanha, em cerca de 2500(?) assembleias de voto?
Isto depois da UE e a CNE terem afirmado que as eleições foram justas e transparentes, o senhor Mané afirma, e ainda, que se vão proceder a verificações que estas serão feitas por região “pois a situação merece uma responsabilidade acrescida”.
Perante estes factos, uma vez mais se coloca a questão: quem fica a perder no fim disto tudo? E como irão reagir os militares quando vêem que a democracia por causa da qual levaram a efeito um Golpe de Estado continua periclitante?

E já agora. Como responde a isto o senhor Professor Freitas do Amaral, excelso Ministro dos Negócios Estrangeiros português, bem assim o seu governo?
Será o próximo a pedir a demissão por razões pessoais?
Com uma política africana como a que vemos não seria de admirar.

Militares tomam poder na Mauritânia?

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Mais um “Coup d’ État” com raiz castrense no Continente africano.
Surpresa? Só para quem não estava à espera.
Se a Mauritânia, há muito que se vislumbrava movimentações entre a classe castrense – as prisões começavam a estar cheias de possíveis conspiradores contra o regime de Ould Taya, que não estava no país, – era a natural que, mais tarde ou mais cedo os militares decidissem derrubar o poder instituído num dos Estados mais corruptos e teocráticos de África, isto de, e apesar destes factores, poder vir a beneficiar do perdão do G8, conforme já havia referido em anterioes apontamentos (reler aqui ou aqui).
Além de tudo mais, os militares têm, perto de si, uma boa escola de como fazer Golpes de Estado para repor a democracia(?): Guiné-Bissau.

02 agosto 2005

O Comércio do Porto na Blogosfera

Image hosted by Photobucket.com © montagem de Notícias Lusófonas
Calaram o papel mas não conseguiram calar a voz de quem trabalha de e para o público, aquele para quem as notícias são mais do que meras informações de imagens.
Devo a visita ao blogue d’ O Comércio do Porto a um dos seus hipotéticos concorrentes, o Notícias Lusófonas, mas que, desde a primeira hora, tem sido um dos que mais têm clamado para afronta que foi o encerramento de um dos jornais mais (senão mesmo o mais) centenários publicados em Portugal (o mais porque às vezes tenho certo pudor em afirmar que as ilhas também o são).
Um bravo para os jornalistas que não se deixaram calar na esperança que um dia se possa, de novo, ver nas bancas uma folha de papel com um logótipo chamado “O Comércio do Porto”.
Só me admiro como uma cidade, e região, reconhecida pelo seu barrismo e regionalismo tenha deixado terceiros mandar naquilo que é seu.
Talvez sejam os tempos que estejam a mudar…

01 agosto 2005

Mais votos que votantes?

Segundo o presidente da CNE da Guiné-Bissau, Malan Mané, à saída da suspensa reunião plenária para decidir dos protestos da Bacai Sanhá e seus colaboradores, em alguns círculos houve mais votos que votantes inscritos.
Considerando que houve uma elevada abstenção em todos os círculos, alguém é capaz de me responder como isto foi possível?
E mais, como é que os observadores afirmaram que houve transparência na votação.
Vamos esperar para ver o que decide a CNE, amanhã, no segundo dia do plenário.
Pela anulação da votação nos círculos onde isto aconteceu, ou pela recontagem
E se pela recontagem, o que irão recontar? Deitam fora os votos em excesso? Com que prejuízos? E para quem?
Por certo que será sempre para o povo guineense.

Timor e Indonésia pela Comissão de Verdade e Amizade

Image hosted by Photobucket.comTimor-Leste parece querer enterrar, de vez, os traumas do passado. E como ele, também o seu poderoso vizinho islâmico segue pela mesma diapasão.
Foi por isso que os governos dos dois países decidiram criar uma Comissão de Verdade e Amizade (CVA) para descobrirem a verdade sobre os conflitos de 1999 que, quer Timor, quer Indonésia, não querem levar a um Tribunal Internacional. Porquê, não se sabe.
O certo é que a ONU não reconhece esta CVA ora criada, dado que continua a defendar as conclusões da comissão de peritos criada para analisar as razões do incumprimento das Resoluções das NU sobre Timor e que defende a criação de um tribunal internacional para julgar os responsáveis dos crimes contra a humanidade perpetrados em Timor-Leste em 1999.
Segundo os relatores do relatório este pode representar a grande e última oportunidade para o Conselho de Segurança garantir a responsabilização de culpados pelas graves violações dos direitos humanos e asseverar que o exercício da justiça ao povo de Timor-Leste seja efectivado.
Interessante o facto da Austrália nada ainda ter declarado.

Processo de Paz no Sudão em perigo?

Quando tudo parecia fazer querer que o processo de Paz no Sudão estava para ficar, faltando limar uma aresta, bem bicuda, por sinal, o Darfur, eis que, infortunadamente, John Garand, o vice-presidente – e putativo presidente dentro de 3 anos – morre num estranho acidente de helicóptero no Uganda (por sinal um sítio onde, de início, era bem acolhido mas, que ultimamente, estava quase como “personna non grata”, principalmente porque o acordo de Paz não foi conseguido no Uganda, mas no Quénia.
Estranho.
Tão estranho que, apesar de visita privada, só acompanhava Garang colaboradores seus e tripulantes ugandeses.
Mais estranho, ainda, porque houve necessidade – ou será mais conveniência – em protelar esta informação até onde foi possível.
Por tão estranho que, naturalmente, os distúrbios já se fizeram sentir.
Vamos esperar que, apesar de tudo, a serenidade se sobreponha às emoções e a Paz não descarrile; não só pelo povo sudanês do sul cristão ou animista mas, sobretudo, pela região do Darfur que esperava a consolidação da Paz para ter também a sua.
Já agora, vamos também esperar para ver como irão reagir dois dos três principais interessados naquele processo: EUA e China, porque a ONU não conta... só lamenta.