Foi o que se passou, no primeiro caso, na Guiné-Bissau onde um técnico social de uma ONG e jornalista e produtor radialista, nas horas vagas, Adulai Indjai, foi alvo de ameaças físicas - leia-se, de morte -, por alguém que não gostou que, em vez de "aplaudir" os yes-men do país, o jornalista tenha ido á rua ouvir o povo sobre o que pensavam dos 33 anos do país (a fazer fé no e-mail que o próprio fez circular e pelo teor das ameaças, pelos vistos as autoridades políticas e castrenses do país não terão saído muito airosas).
Em Angola - o segundo caso -, no enclave de Cabinda, Raul Danda, um jornalista - e também actor e activista dos Direitos humanos - foi revistado, publicamente, no aeroporto de Cabinda pelas autoridades locais, sem mandato judicial, sendo mais tarde detido com o procurador provincial "legalizar" aquela detenção ao abrigo da segurança de Estado e, pasme-se, sem autorizar que o jornalista possa ser assistido pelo seu advogado.
Mas, já não há um documento que pôs fim ao conflito em Cabinda? então porquê a segurança de Estado?
Será que o senhor Procurador-geral da República tomou conhecimento prévio destas situações anómalas que se passam no enclave?
E, já agora, saberão os garcias - leiam-se, os presidentes de dois Estados que se querem credores de respeitabilidade pela comunidade internacional, como são a Guine-Bissau e Angola - que os incautos emissários são ameaçados, detidos e vilipendiados sem justa causa.
Em certas autocracias "levar cartas a Garcia" é, cada vez mais, um passo de gigante para desconhecer o futuro imediato...




