04 outubro 2006

Levar a carta a Garcia pode ser um acto de coragem

Cada vez mais os jornalista que, muitas vezes, desejem levar boas cartas a certos garcias destes mundo vêem as suas vidas ou serem ameaçadas de morte ou serem detidos sem direito a advogado.
Foi o que se passou, no primeiro caso, na Guiné-Bissau onde um técnico social de uma ONG e jornalista e produtor radialista, nas horas vagas, Adulai Indjai, foi alvo de ameaças físicas - leia-se, de morte -, por alguém que não gostou que, em vez de "aplaudir" os yes-men do país, o jornalista tenha ido á rua ouvir o povo sobre o que pensavam dos 33 anos do país (a fazer fé no e-mail que o próprio fez circular e pelo teor das ameaças, pelos vistos as autoridades políticas e castrenses do país não terão saído muito airosas).
Em Angola - o segundo caso -, no enclave de Cabinda, Raul Danda, um jornalista - e também actor e activista dos Direitos humanos - foi revistado, publicamente, no aeroporto de Cabinda pelas autoridades locais, sem mandato judicial, sendo mais tarde detido com o procurador provincial "legalizar" aquela detenção ao abrigo da segurança de Estado e, pasme-se, sem autorizar que o jornalista possa ser assistido pelo seu advogado.
Mas, já não há um documento que pôs fim ao conflito em Cabinda? então porquê a segurança de Estado?
Será que o senhor Procurador-geral da República tomou conhecimento prévio destas situações anómalas que se passam no enclave?
E, já agora, saberão os garcias - leiam-se, os presidentes de dois Estados que se querem credores de respeitabilidade pela comunidade internacional, como são a Guine-Bissau e Angola - que os incautos emissários são ameaçados, detidos e vilipendiados sem justa causa.
Em certas autocracias "levar cartas a Garcia" é, cada vez mais, um passo de gigante para desconhecer o futuro imediato...

Dia Mundial do Animal

(foto sapo.pt)
... mais um Dia para bocejar.

Será que estes humanos não acham que é altura de se deixarem de Dias Mundiais e olharem para nós não como uns bichinhos de estimação ou de "bela visão", pararem um pouco e começarem a pensar que somos parte integrante de um complexo corpo que é este Mundo onde temos a nossa quota parte e que, como eles, também trabalhamos - e será que os humanos realmente o fazem? - para um ambiente melhor?

02 outubro 2006

I Jogos da Lusofonia, Macau 2006

Entre 7 e 15 de Outubro, Macau vai ser palco dos 1º Jogos da Lusofonia os quais como o panfleto da organização explicita, agrupará 4 continentes, 12 países, em torno de uma língua, unidos pelo desporto.
Pessoalmente fico feliz pela efectivação deste evento.
Acreditem ou não, por quando da realização do I Congresso dos Quadros Angolanos no Exterior, em Lisboa, nos idos de Abril de 1990, numa intervenção nos comentários finais aos trabalhos – era presidente da mesa da secção, em causa, creio, o Prof. Manuel da Lima, ao tempo no Canadá –, mas que por razões que nunca entendi, não foi publicada em nenhum dos dois volumes que aglutinaram os trabalhos apresentados, apesar da mesma apresentação ter sido entregue em tempo útil para debate no Congresso, propus que se pensasse na realização de um evento que se chamaria Jogos da Comunidade Lusófona [queiram notar que a CPLP ainda não existia nem estava nas cogitações de muitos] conforme podem conferir pelo que então escrevia no último parágrafo dessa tal comunicação:
Relativamente ao último estádio de cooperação visado, propunha, penso que ainda não abordado [e não tinha sido] por qualquer das partes, que fosse pensada uma campanha tipo Comunidade Britânica que levasse, periodicamente – de 4 em 4 anos, por exemplo –, à realização de uns jogos com as características dos Jogos Olímpicos, a que se chamaria de Jogos da Comunidade Lusófona entre Portugal, Brasil e os Palops e, posteriormente, Timor, com sede alternada em cada um dos Estados membros dessa futura Comunidade”.
Demorou anos essa realização – apesar de já ocorrer jogos da CPLP para jovens até aos 16 anos, os últimos dos quais, os V, ocorreram em Angola, em 2005.
Demoraram anos mas, enfim, por vontade da ACOLOP e da evidente mentalidade aberta macaense, vão ser organizados.
Vivam os Jogos.
Que eles, tal como os da Comunidade britânica e dos Mediterrâneos possam criar novos atletas e as bandeiras Lusófonas possam, mais vezes, aparecerem nos mastros das Grandes organizações desportivas internacionais.

Uma achega a favor da Lusofonia

Relativamente aos apontamentos aqui colocados sobre Moçambique e a Francofonia, em particular, o último, recebi do leitor Paulo Andrez o comentário que abaixo se transcreve e que mereceram a minha melhor atenção e, para o qual, pedi a necessária autorização de publicação:
Acompanho regularmente e aprecio o seu Pululu.
Venho somente lançar uma questão, para apuramento e desenvolvimento, para quem tenha tempo e o queira fazer, sobre o seu artigo intitulado "Moçambique na Francofonia - comentário", quando fala sobre as razões que fazem a Guiné Equatorial insistir em fazer parte da CPLP.
Já li, em tempos, não sei onde, mas guardei em memória, por isso lanço a questão para aprofundamento, que a Guiné Equatorial foi território português desde os fins do século XV até inícios do século XVIII. E que PT a perdeu por ter feito um acordo com os castelhanos e a trocou pelo Uruguay (antiga Colónia de Sacramento, já povoada pelos tugas, ainda que assolada por piratas castelhanos), porque os castelhanos choravam por não ter nenhum território na costa africana.
Li tambêm que, ainda hoje, na ilha de Ano Bom e mesmo Malabar se fala crioulo de origem portuguesa, muito chegada a S.Tomé, e que a população desta Guiné se identifica mais com o passado histórico português do que do castelhano.
Quanto às Maurícias não guardo memórias de ter lido nada, mas, naturalmente, os "tugas" devem ter lá estado, forçosamente, como no sul de Madagáscar, Zinginchor, Maldivas, Terra Austral, Nova Guiné, Molucas, Malaca, Marrocos, Ceuta, Dakla, Casamança, Togo, Benim, Namíbia, Africa do Sul, Ormuz, Sri Lanka, Goa, Damão Diu, Dadra e Nagar-Haveli, Bombaim, Terra Nova, Terra Florida, Terra de Lavrador, Japão, Bangladech, Myanmar, Galiza, Olivença ... de quem ninguêm fala. Por este critério a CPLP seria muito maior do que imaginamos sequer. Pelo menos com membros observadores, por enquanto. Existe aqui um potencial capaz de dar exemplos a esta ONU manipulada por 5 países, profundamente não democrática e imparcial.
E viva, estão quase a começar os Jogos Lusófonos.

Melhores cumprimentos

Paulo Andrez


Posteriormente, e na sequência dos e-mails trocados, Paulo Andrez toca um assunto pertinente sobre a CPLP – que apresenta um site com um novo grafismo mas que se esquece de colocar acessos para os novos membros observadores, organizações e/ou países, bem assim as suas bandeiras, – e a sua clara pouco abrangência relativamente à Lusofonia.
Paulo Andrez propõe a criação de uma comunidade claramente vocacionada para os povos lusófonos que aglutinasse povos e não Governos, a que ele chamaria de CICEL (Comunidade Internacional de Cidadãos de Expressão Lusófona).
Subscrevo esta ideia só que em vez de independente proporia que a mesma estivesse subordinada à CPLP, como um organismo autónomo, o que permitiria e justificaria a entrada de outros Estados como membros-observadores e legitimaria ainda mais a presença desses Estados nos Jogos de Lusofonia.
E sobre estes seguir-se-á um apontamento autónomo.

01 outubro 2006

No Dia Mundial da Música…

(percussionistas angolanas; imagem ©daqui)

… recordei-me do velho refrão de “quem te manda a ti sapateiro, tocar rabecão”.
Num domingo, Dia Mundial da Música e 24 horas depois do Dia Mundial do Turismo e do Dia Internacional do Mar, decidi largar as teclas, os livros, os jornais e pegar numa trincha e armar-me em pintor.
Não!! nada disso!!! não houve um mural para o turismo nem uma tormenta para ser baldeada.
Posso não ser músico, perdão, pintor, que não sou, mas acreditem que ninguém irá também reclamar por ter havido borradelas ou tintas mal espalhadas. Também com o tamanho que as cozinhas têm…
Assim, como assim escapei um pouco ao refrão.
Mas em Dia Mundial da Música proponho-vos que se deliciem ouvindo uma qualquer música, seja clássica, como um tango, uma valsa, um bom e rebelde rock, uma angolana rebita ou um merengue, uma kizomba ou uma moçambicana marrabenta, um angolano semba ou a sua filha brasileira samba, um jazz ou uma salsa… ou seja, simplesmente Música!!

Quem sucederá a “Lula” da Silva?

A terceira maior democracia do Mundo, o Brasil, vai hoje a votos.
Num país em luto devido a um trágico acidente de aviação, cerca de 125 milhões irão escolher senadores, governadores, deputados locais e federais e o presidente que sucederá a Luís Inácio “Lula” da Silva. Todas as sondagens dão Lula sendo o seu próprio sucessor.
Mas como o eleitorado, por vezes e não poucas vezes, mostra a sua volatilidade na boca das urnas, que, por acaso, até é um voto electrónico ao contrário da segunda maior democracia do Mundo que parece ter medo dele…