08 novembro 2006

A senhora Presidente?

(foto ©SAPO.pt/@EPA/Justin Lane)

A "democrata" Hillary Clinton festejando a sua reeleição como Senadora dos EUA, pelo estado de New York, naquele que poderá ser o primeiro passo para se candidatar às primárias presidenciais norte-americanas?
Tudo se conjuga para que os democratas apresentem duas fortes candidatas nas primárias: Hllary Clinton e a recente vencedora e provável futura primeira mulher “speaker” da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, eleita por Califórnia onde o actor, de ascendência austríaca, Arnold Schwarzenegger, consolidou a sua posição como Governador do Estado.
Quando faltam confirmar os resultados em 3 Estados e que podem definir o “animal” (o elefante ou o burro) que irá liderar o Senado, pode-se já dizer que o eleitorado norte-americano presenteou a administração Bush, e principalmente este, com um cartão muito alaranjado devido à sua actual política externa.
Ou seja, até às presidenciais, o Mundo vai ser policiado por um elefante com orelhas de burro…

NOTA: Pelos vistos a vitória dos “burros” já está a ter os seus efeitos; Bush não queria mas teve de dar o flanco aos descontentes da política militar de Rumsfeld e aceitara a sua demissão da tutela da Defesa e nomear um antigo chefe da CIA para aquela sensível pasta.

07 novembro 2006

Eles eram protectores ou algozes?

Preocupante um recente artigo da BBC (para África) sobre a participação das forças francesas no conflito étnico do Ruanda.
Nesse artigo as forças francesas são acusadas de serem cúmplices nos crimes e de permitirem que as milícias hutu capturassem refugiados dos campos sob a protecção francesa aí colocada sob um mandato das Nações Unidas para criar uma área humanitária segura.
E este artigo é tanto mais inquietante quanto, já em tempos, estas acusações tinham sido formuladas, algumas pelos próprios ruandeses, e prontamente desmentidas pelas autoridades francesas.
Ora acontece que estas revelações surgem devido à requisição de documentos junto do Ministério da defesa francês e por um magistrado francês, na sequência de uma queixa de 4 sobreviventes a um genocídio contra soldados franceses por participação activa no mesmo.

As eleições nos EUA

(descarrilamento do comboio “Lusitânia” que liga Madrid-Lisboa; foto ©SAPO.pt/ @EPA/Flores)

Como habitualmente na primeira terça-feira do mês de Novembro, dentro dos períodos previamente estabelecidos, os EUA vão a eleições: umas vezes para as presidenciais, outras para os Governadores estaduais e, ou, por fim, para as duas Casas do Congresso (Senado e Câmara dos Representantes).
E é isso que hoje vai acontecer: votação para o Congresso (435 representantes para a Câmara e um terço para o Senado, que tem 100 lugares) e eleição de 36 dos 50 governadores estaduais.
Das eleições de hoje muita coisa – ou talvez nada – poderá mudar na política da Administração Bush.
Se os democratas, como as sondagens parecem prever, ganharem, o que pode acontecer com a política da Administração Bush é o mesmo que na imagem… descarrilar.
E como se posicionarão os seus principais parceiros dos norte-americanos no Iraque, no Afeganistão e na maioria de algumas políticas externas e judiciais?
A condenação de Saddam Hussein parece ter desencadeado algum desconforto entre os aliados.
À parte de Bush, ainda não ouvi nenhum aliado – exceptuam-se, talvez e por razões bem particulares, o Irão e o Kuwait – apoiar inequivocamente a condenação á morte do antigo ditador, e porque não dizê-lo, criminoso, iraquiano.
Será que algumas carruagens resultantes da conferência dos 3+1 já estão a descarrilar?

05 novembro 2006

Condenado à morte…

Saddam Hussein foi hoje condenado à morte por enforcamento devido a uma chacina acontecida na povoação xiita de Doujail que, segundo parece, terá apoiado uma tentativa de deposição e morte do ditador. Com ele, também outros dirigentes do Baas foram condenados.
Não está em causa a condenação. Presumivelmente, apresar de ser contra este tipo de condenação, e por muito mais morticínios que o regime dele fez poderia ser, dever, vezes sem conta condenado à morte.
Todavia, gostaria que me explicassem as verdadeiras razões porque a administração norte-americana (não esquecer que Saddam esteve sob tutela dos marines americanos) não quis – a fazer fé na sua inicial razão para o ataque ao regime de Saddam, que o ditador estava “coligado” com a al-Qaeda – que ele fosse julgado nos EUA; ora esta “coligação” que provocou milhares de mortos em território norte-americano seria condição mais que suficiente para o mesmo ser aí sentenciado.
Seria porque aí o réu teria mais direitos e poderia falar – ou como diria Asterix, falazar como nunca falazou – sobre estes seus antigos aliados?
Provavelmente, com esta sua condenação, e se não for aceite o recurso já interposto, nunca saberemos muitas das verdades geopolíticas do Médio Oriente.

Eleições presidenciais na Guiné-Bissau foram pervertidas?

(lembram-se da troïka?)

A fazer fé num artigo do Panapress, num despacho de Bissau, assim parece.
Segundo aquele órgão informativo africano, Kumba Yalá, entretanto regressado do auto-exílio de Marrocos onde esteve em tratamento – com que dinheiros? –, denunciou aos actuais dirigentes do PRS que foi impelido pela União Africana em apoiar “Nino” Vieira na 2ª volta das presidenciais de Junho de 2005 e, simultaneamente, alguém ,ou algumas pessoas, tentaram suborná-lo com cerca de 1,5 milhões de dólares que, o senhor do gorro vermelho rejeitou porque nunca seria corrompido.
Não duvido que Kumba Yalá não seja corrupto mas, tal como Fernando Casimiro pergunto onde é que foi buscar dinheiro para se manter cerca de um ano em Marrocos. Um católico receber apoio islâmico, assim, sem mais?!?!?!
Por outro lado, que moral tem Kumba para acusar "Nino" de traição e de menosprezar os seus homens desde que assumiu o cargo de presidente.
Também deveríamos saber quem são as personalidades corruptoras e quem dentro da União Africana queira ver a Guiné-Bissau escorregar para o descalabro social do pós-eleições.
Interessante que só agora tenha denunciado estas acções.
Interessante que só agora tenha denunciado estas acções. Esquece-se que foi um dos actores que levaram ao actual status quo juntamente com Francisco Fadul; e este também foi aconselhado a votar em "Nino"?
NOTA: Interessante que Kumba Yalá só se tenha pronunciado agora e a poucos dias da Guiné-Bissau se reunir com doadores internacionais para ajudar o país e em vésperas da reunião sino-africana de Cooperação. Para quem diz amar o seu povo…

04 novembro 2006

Há 50 anos…

* … a Liberdade foi vilmente espezinhada por aqueles que se clamavam de defensores da Liberdade e da Igualdade entre os Povos e entre as Nações.
Faz hoje 50 anos que a Hungria via o seu grito de Liberdade iniciado em 23 de Outubro ser abafado durante cerca de 35 anos.
Durante esse espaço de tempo os húngaros conseguiram ter um Governo próprio liderado por Imre Nagy que encetou, de imediato, com reformas políticas e procedeu à libertação de presos políticos e à reconstituição de pequenos partidos que tinham sido incorporados no Partido Comunista Húngaro.
Durante 13 dias a Hungria gritou: Liberdade!!!
A 4 de Novembro, o Exército Vermelho, a ponta avançada da URSS, invadiu Budapeste e, em poucos dias, abafou o grito da Liberdade.
Faz hoje 50 anos!!!
Neste dia, no Lobito e também há 50 anos, outro grito de Liberdade despontava e ainda hoje não permite que lho tirem porque se há algo que um Homem tem, e que inequívoca e inquestionavelmente ninguém pode cogitar em querer tirar, esse é a Liberdade!!!

*(imagem ©daqui)