06 dezembro 2006

Enquanto é investido…

… 20 mil fogem do país.
Joseph Kabila Jr. foi investido como o primeiro presidente eleito democraticamente na Rep. Dem. do Congo facto inédito em 50 anos mas que ainda mantém outros dentro do prazo
E enquanto era investido na presença de algumas quantas individualidades, nomeadamente, na presença daquela que lhe ajudou a formar a sua Polícia e Forças Armadas – foi-lhe concedido um financiamento de 30 milhões de USDólares para este fim e doou dois helicópteros para transporte de urnas (quem diria que em Angola ainda há quem passe fome…) no valor de 4 milhões de USDólares – ou na da daquele que diz que no seu país não existe SIDA nem nunca viu ninguém morrer com SIDA, ao mesmo tempo que o seu antecessor e um ex-Ministro seu estavam a enterrar filhos seus, devido a essa triste doença, ou ainda na da do Secretário-Geral adjunto da ONU para as Operações de Manutenção de Paz, Jean-Marie Guehenmo, ou na da do seu chefe, Kofi Annan, 20.000 (vinte mil) congoleses, a maioria mulheres e crianças refugiavam-se no vizinho Uganda devido a confrontos entre forças rebeldes e governamentais ocorridos região congolesa de Ituri, no leste do país.
Independentemente do que se possa pensar do presidente (re)eleito, como vai ser possível governar um país nestas condições com os rebeldes a atacarem forças governamentais na presença dos helicópteros da Missão das Nações Unidas na RD Congo (MONUC)?
Aqui está como uma Paz não é do interesse de todos, principalmente daqueles que têm muitos e ainda querem mais…

Como Salazar... eu?

(imagem daqui)

Será que houve uma declaração infeliz ou uma deficiente interpretação?
Será que ele quis mesmo comparar, o que comparou, ao outro?
Ou será que o que ele quis dizer é que a governação de um começa a chegar aos calcanhares do outro?
Não terá sido mais um “lapsus linguae” de quem vinha ainda com o efeito das sucessivas mudanças meridianas?
Porque como diz o meu amigo jornalista Jorge Eurico, um e outro, salvo uma das “imagens” transcritas no seu blogue, nada têm em comum.
Ou será que têm?

Enquanto uns fazem, outros simulam

(a quem interessa em África estes assuntos?)

Quando toca a defender a língua nada há como os ingleses, os espanhóis e os franceses. Até alemães e russos e, agora, árabes não brincam em serviço.
Basta ver como o éter está cheio de satélites unicamente para transmitir canais televisivos nessas línguas.
E apesar de estar cheio, ainda não estão satisfeitos. Além do éter utilizam sem a mínima mornidão os dinâmicos Centros Culturais – basta recordar os Institutos Britânico e Cervantes ou os Centros Culturais Franceses – para mostrar quão viva estão as suas línguas.
Ao contrário de outra que, por acaso, é a segunda ou terceira língua mais falada do Planeta. Teorias!
E como não estão satisfeitos, os franceses passaram a emitir, desde ontem, um novo canal de informação internacional contínua, o France 24; com este novo canal os franceses desejam assegurar uma maior cobertura da actualidade africana.
Pois é!
Uns fazem, outros simulam que têm um canal para África onde a maior parte dos programas são resquícios de outros já transmitidos em Portugal ou alguns pseudo-programas culturais emitidos em simultâneo para África e Portugal (e também para o canal internacional) cujo conteúdo, em muito, deixa a desejar e nada tem de orientador ou culturalmente adquirível pelas culturas africanas.
Senhores directores da RTP para espalhar a nacional-cultura portuguesa vocês têm um canal próprio: RTP Internacional.
Deixem a RTP África para os assuntos africanos ou que a África diga respeito. Não nos basta ver uma meia-hora de um pequeno jornal “Repórter”, ou saber como se fazem alguns pratos típicos africanos ou qual a música do momento ou ter um excelente programa – retransmitido com quase seis meses de atraso – como o Kandandu ou, ainda, algum pequeno tempo de antena para alguns desportos afro-lusófonos (em regra o futebol e pouco mais); nem nos chega o excelente programa que é o África Global.
Queremos muito mais.
África tem muito para mostrar. Muito do bom – felizmente o que temos mais – mas, também, o que de mau se lá passa, nomeadamente corrupção, compadrio, má-governação, etc. e sua divulgação pode ajudar a acabar, ou minorar, os seus efeitos nas populações.
Por isso não surpreende que o francês e o inglês estejam paulatinamente, a se sobrepor ao português em países como a Guiné-Bissau e Moçambique.
E não me venham dizer que se deve à sua posição geo-estratégica.
Digam antes que há pouca vontade política de acabar com o pseudo-neocolonialismo tão intrínseco na esquerda portuguesa.
A esquerda portuguesa é capitalista mas como não reconhece o direito à iniciativa privada não permite que o canal para África seja realmente um canal para África e gerido em equitativa posição pelas televisões dos países afro-lusófonos.
Até lá vamos vendo uns a desenvolver e espalhar a sua língua sem amordaçar as culturas locais e outros vão fazendo de conta que têm um canal de união, mas que, na prática...
Por favor, deixem de gozar com a nossa chipala.

05 dezembro 2006

Banco Mundial mostra um claro cartão à Guiné-Bissau

O Banco Mundial (BM) ameaçou cancelar os apoios e programas na Guiné-Bissau caso o governo de Aristides Gomes persista em actuar à margem da «transparência e da boa governação», factores exigidos para o desbloqueamento de fundos financeiros ao país.
Já há muito que os analistas guineenses e estrangeiros andam a alertar o Governo de Aristides Gomes – leia-se de “Nino Vieira – que os principais dadores e apoiantes financeiros da Guiné-Bissau não viam com bons olhos o que lá se passava.
Ntem foi Gomes Júnior a apresentar um ultimato ao presidente exigindo que o resultado das urnas para as legislativas seja cumprido e o Governo devolvido ao PAIGC; hoje foi a presidente de um pequeno partido político guineenses a lamentar com o que se passa nas finanças Bissau-guineenses (penso que foi a União dos Povos da Guiné – infelizmente o novo portal da RTP não menciona, ao contrário do antigo, os noticiários que vão dando hora-a-hora e temos dificuldade em reconfirmar certas notícias); o Secretário-geral da UNTG, Lima da Costa, avança com uma greve geral de 72 horas.
Tanto Aristides Gomes como “Nino” Vieira têm feito tábua rasa dos diversos avisos que vão chegando aos dois palácios.
Parece que desta vez o governo Bissau.guineense não poderá fazer de conta que nada é com ele porque a carta assinada pelo director das Operações para a Guiné-Bissau do Banco Mundial, Madani Fall é clara. Ou Bissau altera a sua política de não transparência e de estranhos e pouco claros conchavos ou perde qualquer coisa como cerca de 10 milhões USDólares para ajuda orçamental.
E com o Banco Mundial vão, também, o Banco Africano de Desenvolvimento e a União Europeia.
Este deve ter sido o último claro e definitivo cartão mostrado pelas autoridades financeiras mundiais.
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04 dezembro 2006

Kofi contraria Bush!

Enquanto George W. Bush (júnior e presidente dos EUA) afirma que no Iraque ainda não há condições para surgir ou emergir, quanto mais já ocorrer, uma guerra-civil – por acaso também já contrariado pelo seu pai Bush sénior quando previu a derrota eleitoral – o ainda Secretário-geral das Nações Unidas, senhor Kofi Annan, afirma o contrário.
Para Annan o que se passa no Iraque já há muito que ultrapassou os limites mínimos de uma guerra-civil chegando ao ponto de afirmar que o povo iraquiano estava melhor no tempo de Saddam.
Poderia ser um déspota, um tirano, um ditador facínora que não respeitava ninguém nem na sua família, mas, segundo Annan citando iraquianos, poderiam sair à rua e sabiam que os seus filhos voltavam sempre ao fim do dia.
É um pouco redutor; claro que é.
Mas penso que mostra como foi totalmente deturpada a ideia inicial de, derrubando um tirano, tornar o Iraque e a região melhores.
E as consequências já começam a estar bem visíveis. Os republicanos perderam as eleições na mesma medida que estão a perder a guerra no Iraque, – tal como no VietNam, a História não termina e recicla –, a administração Bush já perdeu um secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfeld e acabou de perder o seu mais visível rosto na ONU, o diplomata John Bolton.

02 dezembro 2006

Angola, 2008


Li hoje no matutino português Jornal de Notícias que Angola deverá ter eleições em Maio ou Junho de 2008 (ed. de 02-Dez-2006, pág. 19, coluna da esquerda, ao centro).
Reconheço que só agora escrevo – em pleno vespertino – porque a informação estava num rectângulo tão pequeno que tive de ir buscar uma boa lupa a casa da minha mãe para ter a certeza que tinha lido bem a notícia.
Mas, verdade seja dita, não sou só eu que tive dificuldades em ler a notícia. Os próprios técnicos da empresa devem ter tido essa dificuldade já que a mesma não está no portal – secção Mundo – que suporta o website do JN.
Ainda me recordei em ir a outro dos matutinos do mesmo grupo editorial “Global Notícias”, o Diário de Notícias e o resultado… nada!!!
Nos portais da Lusa, do Público, ou do Correio da Manhã, o mesmo resultado: nada; provavelmente estão piores do que eu; não acreditam mesmo e por isso não divulgam ou então fazem com São Tomé: só depois de verem o diploma publicado é que notificam… e é se notificarem!!!!