04 março 2007

Quem «libertou» Reinado? - artigo

(Reinado, o homem que quer pôr o crocodilo em polvorosa, quando estava sob tutela das ISF australianas)
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O major Alfredo Reinado, elemento que contesta o actual sistema político timorense foi detido em Agosto, por militares da GNR, devido ao facto de estar na posse não autorizada de armas de guerra.
Foi colocado num aquartelamento, em Becora, às ordens das forças militares australianas e, surpreendentemente, fugiu com homens e… armas.
Mais tarde assaltou um depósito de armas e capturou mais outras.
Refugiou-se numa região, segundo parece a conselho de um procurador timorense onde permaneceu intocável.
Posteriormente deslocou-se para outra região, em Same a sul de Dili.
Xanana farto desta situação mandou cercar o rebelde pelas Forças de Estabilização Internacionais (ISF), na maioria australianos que, por acaso aconselharam os seus concidadãos a prepararem o regresso a casa e enviaram para Timor-Lorosae 100 homens da sua força de elite.
Entretanto, à boa maneira dos ataques norte-americanos as “CNN’s” regionais prepararam a cobertura televisiva da possível captura de Reinado filmando o sobrevoo a baixa atitude de helicópteros Black Hawk e aviões australianos sobre as posições do major Reinado.
Reinado que criticou tudo e todos, nomeadamente o presidente Xanana, o actual primeiro-ministro Ramos Horta, o antigo líder Alkatiri, mandou a GNR para casa. Tudo isto numa entrevista integralmente falada em inglês.
Ontem houve o cerco e o ataque final aos militares de Reinado pelas tropas australianas.
E tal como na cadeia de Becora vigiada pelos australianos, estranhamente – ou talvez não – Reinado e as suas forças conseguiram escapar ao cerco e ao referido ataque.
Quem protege e libertou Reinado?
Timorenses é que não me parece que sejam…
Publicado hoje no onde poderão ler alguns artigos sobre esta temática acedendo aqui.
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NOTA: Estas estranhas fugas do homem que parece querer pôr o "crocodilo" a ferro e fogo face ao exército australiano, fazem lembrar as "escapadelas" de Bin Laden face ao exército norte-americano; está muitas vezes (?) cercado mas nunca o apanham...

02 março 2007

Parlamento angolano pressiona Tribunal Supremo

Num Estado democrático a separação de poderes entre os poderes político e judicial é algo por demais inquestionável.
Por isso não se entende que estando um assunto tão melindroso como é o caso dos 16 deputados, a maioria eleitos como suplentes, colocados pela Unita no Parlamento Nacional, a ser debatido no Tribunal Supremo (TS) – que também tem funções Constitucionais – os deputados com assento no Parlamento estejam a debater da legitimidade ou não daqueles deputados permanecerem no hemiciclo nacional.
O caso mais recente prende-se com o pedido da Unita em substituir os 5 deputados expulsos do partido, porque segundo os dirigentes do Galo Negro o “ regimento interno da Assembleia Nacional, nem a Constituição assim o permite” e que foi já votado, antes da tomada de posição do TS, pelos deputados presentes (109 votos contra a expulsão, seis abstenções e um voto a favor).
A Unita por achar, e muito bem, que enquanto o assunto não for objecto de despacho no TS, não deve ser debatido no Parlamento abandonou a sala. Registe-se que também foi prematuro estar a pressionar a sua expulsão antes de se saber o que dirão os juízes do TS.
Em política isto chama-se dar de bandeja munições aos adversários.
Mas porque, em qualquer dos casos, os poderes devem estar separados é incompreensível e inacreditável esta tomada de posição dos parlamentares antes do TS se pronunciar. Chama-se a isto uma forma inconcebível de pressão gratuita do poder político sobre o judicial.
E isso não é admissível num Estado Democrático!

Os óscares da CAF

Didier Drogba, avançado costa-marfinense do Chelsea, ao vencer o título de melhor jogador africano de 2006 com 79 votos “impediu” que Samuel E’to (arrecadou 74 votos) fizesse o tetra nesta rubrica; E’to, do Barcelona, quedou-se pelo segundo lugar e Michael Essien, também do Chelsea, em terceiro.
A equipa egípcia Al Alhy foi uma das grandes vencedoras da Gala "Glo-CAF Awards 2006". Além de vencer o prémio de melhor equipa africana viu o seu treinador, Manuel José, conquistar o título de melhor treinador e o egípcio Mohamed Abou Teka, o de melhor jogador nas provas africanas de clubes
Por selecções, o prémio de melhor selecção de 2006 foi para o Gana.
Foram ainda galardoados os nigerianos Taiwo Taye, do Marselha, com o prémio de melhor jogador de sub-23 e Cynthia Uwak que ganhou o título de melhor jogadora africana
Por fim, para a CAF a selecção africana ideal, sob a orientação de Manuel José seria:
Guarda-redes: E.El Hadary, Egypt, (Al Ahly);
Defesas: Emmanuel Eboué, e K.Touré, ambos da Costa do Marfim (e jogadores do Arsenal), Wael Gomaa, Egypt (Al Ahly) e Taiwo Taye, Nigeria (O.Marseille);
Centro-campistas: Mohamed Abou Treka, Egypt (Al Ahly), Essien, Ghana (Chelsea), Didier Zokora, Costa do Marfim (Tottenham) e Mamadou Diarra, Mali (Real Madrid);
Avançados: Eto'o, Camarões (Barcelona) e Drogba, Costa do Marfim (Chelsea)
Uma selecção de luxo. Pode ser que para o ano algum jogador ou equipa angolana seja contemplada.

01 março 2007

As FARC e Portugal

(foto surripiada aqui onde tem sido não poucas as vezes lembrada Ingrid Bétancourt)

"Li hoje no Jornal de Notícias que uma senhora, que penso ser latino-americana, Josephine Rosano, vai solicitar os bons ofícios de Portugal para libertar um filho que está refém das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia - Ejército del Pueblo (FARC-EP ou simplesmente FARC) desde Fevereiro de 2003.
O refém em questão, Marc Gonsalves, é luso-americano e foi sequestrado pelas milícias da FARC após a queda de uma avião onde seguiam em missão de vigilância sobre as culturas de estupefacientes que proliferam naquele país e que as FARC também costumam utilizar como suporte financeiro para as suas actividades guerrilheiras – a mais antiga milícia em actividade na América Latina.
Até aqui nada há de mais.
Portugal e os portugueses são reconhecido por serem humanistas e estarem sempre prontos a ajudar os próximos, esquecendo, pró vezes de ajudar os mais próximos, salvo quando envia 25 tendas para abrigar os refugiados. Mas isto, são outras mukandas! (...)"
podem continuar a ler o resto deste artigo de opinião no .

A afro-lusofonia no roteiro da droga

(queimando droga n© México)

Quando pensamos que pouco mais de mal poderá acontecer aos nossos países eis que a ONU vem com um relatório e nos mostra que ainda não atingimos o patamar mais baixo da denegrição.
De acordo com um relatório ora publicado pela Organização Internacional de Controlo de Estupefacientes (OICS), organismo da ONU, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique são três das plataformas africanas no trajecto da droga para a Europa.
Se Cabo Verde parece ser surpreendente apesar de, naturalmente, ser a isso propício devido à sua enorme insularidade e estar no meio do Atlântico pelo que a vigia das suas costas é difícil, já Guiné-Bissau não é de todo surpreendente porque não há muito tempo que o país vem sendo acusado de estar nessa rota.
Mas ser, ao mesmo tempo, acusado de estar a ser utilizado por “...«grupos criminosos» da América Latina” já é uma acusação muito grave.
Já Moçambique é assinalado como um instrumento veicular no correio da cocaína da América do Sul para a Europa.
Mas não são só estes três países lusófonos que estão na mira da OICS. Também Benin, Gana, Nigéria e Togo foram visados por aquela organização.
Ainda assim, e felizmente, a OICS reconhece que os três países afro-lusófonos estão no bom caminho na luta contra o tráfego de estupefacientes.
Ou seja, umas no cravo e outras tantas na ferradura…

Estudar na diáspora

(uma vez estudante, sempre estudante!)

Já é aborrecido que para se instruir ou obter um curso superior um estudante tenha de sair do seu país para conseguir esse desiderato.
Mas mais horrível é ser bolseiro e ter de pedinchar a entrega do seu subsídio mensal e estar dependente do país de acolhimento.
É o que tem passado com alguns bolseiros dos países Lusófonos.
Há tempos, e não sei se este assunto já foi realmente regularizado, eram os bolseiros Bissau-guineenses que começavam a passar fome, além de ataques racistas, na Rússia ou em Cuba.
Agora foram os bolseiros santomenses que estavam em vias de verem o governo cubano – viva o internacionalismo socialista – a cortarem com a alimentação porque segundo os bolseiros e os cubanos o Estado santomense não cumpria com as suas obrigações há cerca de 18 meses.
Felizmente que Governo de Vera Cruz – que parece não contar com o apoio da sua ministra da educação a fazer fé nas notícias que vêm de São Tomé – tomou uma atitude, embora radical e com consequências para outros bolseiros, que se espera de rápida resolução, e vai transferir cerca de 500 mil dólares para minorar os problemas dos cerca de 300 estudantes santomenses em Cuba.
E já agora como estão os bolseiros angolanos em Portugal. Houve tempos que os subsídios estavam com meses de atraso…