09 abril 2007

Timor-Leste: a pré-sondagem do acto eleitoral

(uma religiosa timorense votando, foto daqui)
"Em declarações à TSF, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições de Timor-Leste disse que as informações que vão chegando de «reportagens e dos centros de votação» colocam Ramos-Horta e Fernando "Lasama" «acima de tudo», seguidos de Lúcia Lobato e Francisco Guterres "Lu-Olo"."
Depois de um acto cívico que parece ter decorrido sem incidentes que afectassem o mesmo - segundo parece por falta de boletins de votos em dois locais a mesma será repetida ou complementada - esperemos que os candidatos acolham o veredito popular sem problemas.
É que, pessoalmente, não gostei muito das palavras do candidato Guterres hoje numa das televisões portuguesas onde se assumia como o claro vencedor e logo na primeira volta... Ou seja, reafirmar o que já havia vindo dizer na campanha "ou-tudo-ou-nada".
A credibilidade de um acto eleitoral deve começar na plena aceitação da derrota e na indulgência dos vencedores.
Não ponhamos já em causa as legislativas que vão decorrer em breve. Aos possíveis derrotados ainda haverá sempre espaço de manobra para recuperar o pódio eleitoral junto dos eleitores porque a derrota de hoje pode ser a vitória de amanhã!
Só assim um país pode ser Grande e o seu povo Feliz!

08 abril 2007

Timorenses vão escolher o impossível?

Deverão ter acabo de abrir as urnas para os timorenses escolherem que sucederá a Xanana Gusmão na presidência da república porque as legislativas ainda estão para vir.
São 8 os candidatos que se perfilam para ocupar o palácio presidencial: José Ramos Horta, o actual primeiro-ministro que se apresenta como independente (de quem?); Francisco Guterres “Lu Olo”, antigo líder da resistência armada e actual Presidente da Assembleia Nacional, apoiado pela Fretilin; Fernando “Lasama” de Araújo, do Partido Democrático; João Viegas Carrascalão, da União Democrática Timorense (UDT); Francisco Xavier do Amaral, o primeiro presidente de Timor-Leste antes da ocupação indonésia e candidato pela Associação Social Democrática (ASD); Manuel Tilman, como independente e defensor do predomínio das chefaturas locais; Avelino Coelho da Silva, do Partido Socialista; e Lúcia Freitas Lobato, do Partido Social Democrático (PSD).
A única questão que aqui se põe não é quem ganhará a cadeira do poder mas quem os australianos, os “aussies”, melhor manobrarão.
Porque não tenhamos dúvidas –que a CPLP há muito que deixou de as ter – quem manda em Timor-Lorosae são os australianos e, por essa razão, serão eles que determinarão a composição do poder em Dili.
Ou seja…
Ramos Horta para a presidência e Xanana para primeiro-ministro.
Ou será que a dupla jogou forte, muito forte – não esquecer que Ramos Horta é um brilhante e tenaz diplomata –, e depois de estar no poder e de, eventualmente, ter assentado o pó e “desterrado” quem mais e melhor gozou dos privilégios oferecidos(?!) pelos “aussies”, como o major Alfredo Reinado, por exemplo, procurará mandar os vizinhos do sul às ortigas e fomentar a real independência do país.
Vamos acreditar que é possível prever o quase impossível!
Tudo porque os australianos já mostraram que não gostam que brinquem com as suas bochechas e, por muito menos, já entraram no país do crocodilo e procuraram – e quase conseguiram – fazer deste um estado subserviente.
O problema dos australianos é que em Timor-Lorosae fala-se tétum e português que os brasileiros, ao contrário da CPLP e de quem ofereceu, inicialmente, a língua, não deixam esquecer e estão lá os “malditos” paramilitares da GNR que, não raras vezes, descobre pontas perdidas onde os “aussies” nem rolos vêem.
Só esperemos que em caso de vitória de Ramos Horta, nas presidenciais, e de Xanana, nas legislativas, Mari Alkatiri, que dizem ter dito “que não reconhecerá nenhum resultado que não seja a própria vitória”, não acabe por dar razão a quem o demitiu em meados de 2006.
Povo timorense tem de ser soberano e não deixar que aquilo que deveria tirá-lo da pobreza endémica em que se encontra, o petróleo, acabe por ser a sua desgraça.
Como muito bem alerta a Manchete do Notícias Lusófonas, quando se tem petróleo e vizinhos como a Austrália é [quase] (im)possível ser (in)dependente! (o quase é meu)…

Como se explica um mutismo tão ensurdecedor? - artigo

(em 1988, tão amigos que eles eram...)
"Num país democrático quando um líder é acusado ou indiciado que um qualquer crime ou de situação menos clara coloca o seu cargo à disposição do povo através do Procurador-geral ou através do Parlamento Nacional ou através do júri mais avalizado, o voto do povo.
Num país democrático é isto que acontece!
Relembremos o que se passou, já por mais de uma vez em Israel que Chefes de Governo e Presidentes puseram os seus cargos à disposição das respectivas autoridades, demitindo-se e deixando estas apurar das responsabilidades daqueles, punindo-os ou ilibando-os.
Isto é num país democrático.
E quando os acusados ou indiciados, se políticos, de ‘per si’, “se esquecem” de pedir qualquer investigação, há sempre uma autoridade mais alta e mais independente do poder político, por exemplo, um Procurador-geral, que ordena essa investigação e, em caso de provas contra o político prevaricador, exigir, e não poucas vezes o faz, a sua demissão e sempre que tal o justifique, a sua detenção.
E vimos isso no Brasil com a demissão de Collor de Melo, ou nos EUA com a forçada auto-demissão de Nixon ou com a severa crítica a Clinton.
Isto é num país democrático.
Mas também casos hão, e em países democráticos, que líderes e caciques locais, ou autárquicos, não só não se demitem como se dão ao direito de gozar com as autoridades e de se apresentarem de novo a eleições e serem reeleitos com o voto popular.
Isto também acontece em países democráticos.
Por isso não surpreende que num país onde a teocracia ainda predomina líderes políticos e militares seus sejam veladamente acusados de terem auferido mais de três dezenas de milhões de dólares em comissões por compra de material de guerra como tanques, helicópteros e, pasme-se, navios de guerra, para combater uma guerrilha que acusava de estar a destruir o tecido social do país e, pasme-se ainda mais, se limitava a combater no interior desse mesmo país.
Num país democrático isto não iria, por certo, acontecer.
Mas quando o país está sobre uma teocracia é natural que isso não aconteça.
Porque se o país fosse realmente democrático e se os tais líderes não se demitissem ou, naturalmente, exigissem uma investigação pública e aprofundada, o Procurador-geral deveria fazê-lo.
Num país teocrático isso não só se verifica como se abafa, mesmo que essa velada acusação recaia no país.
Até quando se vai ter de continuar a aguentar com veladas acusações de corrupção no topo sem que ninguém assuma a responsabilidade de, por uma e de uma vez, separar o poder jurídico do político?
Quando é que se verá o poder jurídico se autonomizar de vez e decidir, também de vez, que deve estar ao serviço do povo e não ao serviço dos políticos?
É que já não se aguenta ver, ler e ouvir falar no “
Angolagate”, nas acusações veladas da justiça francesa, nos “boca-a-boca” de juízes a fontes de informação e nada acontecer?
Como se explica que a justiça francesa faça sair, se bem que discreta e veladamente, informações como as que lemos e ouvimos neste fim-de-semana, e não o vermos feito de forma clara e inequívoca ou nem ouvir os acusados se pronunciarem?
Diz o adágio que quem não se sente, não é filho de boa gente e a época pascal não justifica tudo, muito menos o silêncio!
Como se explica este mutismo tão ensurdecedor?
"
Artigo de opinião publicado na coluna do e citado aqui.

Por uma Europa unida, talvez, mas os E.U.E., não! - artigo

"Pode-se e deve-se defender uma Europa social, política e democraticamente unida, mas nunca uma Europa unificada sob o comando daqueles que ao longo dos séculos só souberam viver em guerras, através de demonstrações fáceis de proto-influências, na sua maioria, por via bélica; dos que para quem a História nunca teve qualquer sentido, salvo a exigência do sua influência governativa sobre os restantes; daqueles que nunca tiveram um conceito de Nação e continuam a não a ter; dos que para quem as fronteiras são um obstáculo aos seus principais desígnios: serem donos da Europa.
E vamos encontrar 3 regiões geopolíticas que, afincada, incessantemente e desde que a História europeia é História, quiseram dominar a Europa transpondo sempre que possível por cima de quaisquer entraves que obstassem essa pretensão: os Francos, os Castelhanos e os Prussianos. Ou seja, os franceses, os espanhóis e os alemães. (…)
"
Artigo de opinião publicado no semanário , edição de 5-Abril-2007; pode continuar a lê-lo acedendo aqui.

04 abril 2007

Será que a escravatura já acabou mesmo?

(a moderna escravatura; foto daqui)
"Nesta semana que ora termina comemorou-se os 200 anos da abolição da escravatura em território britânico por ser, segundo a memória anglicana, um fenómeno “contrário aos princípios de justiça e da humanidade e política correcta”.
Isto, apesar de Portugal ter sido o primeiro país a abolir o tráfego de escravos, por decreto do Marquês de Pombal, de 12 de Fevereiro de 1761 (só no continente e nas Índias), mantendo-o, durante ainda alguns anos, dentro das suas restantes fronteiras físicas e políticas, os britânicos, só em 1833, vinte e seis anos depois da promulgação da lei que proibia o tráfico de seres humanos, é que libertaram totalmente os escravos.
Tudo isto de pois de, entre os séculos XVI e XIX, cerca de 10 a 20 milhões de seres humanos terem sido traficados e transaccionados entre África e as Américas, onde, primeiro, ajudavam a plantar o chá e, mais tarde, a manter as produções de algodão e tabaco. (...)
"
Pode continuar a ler este artigo publicado no , edição 109, de 31 de Março, acedendo a partir daqui na secção "Artigos/Correio da Semana"

Dia da Paz!

Angola comemora hoje o Dia da Paz e Reconciliação Nacional!
Que a Paz em Angola nunca mais seja uma palavra vã e que o Mundo também possa aceitar este dia como mais um dia para a Paz no Mundo!
Que a Paz em Angola não seja só o fim do conflito armado mas o início definitivo da melhoria da vida social e política do País.