06 maio 2007

A todas as Mães!

(foto ©elcalmeida, 2007)
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SÓ POR ISSO, MÃE*

Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.

Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso,
Quero enfunar a minha vela.

Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso,
Quero vestir-lhe o meu poema.

Só porque tu existes,
Vale a pena!


*poema de Lopes Morgado

04 maio 2007

Literatura angolana em alta

(Dois expoentes da actual literatura angolana)
Depois de José Eduardo Agualusa ter sido galardoado, no Reino Unido, com o prémio XII Prémio Independente de Ficção Estrangeira, com a obra "O Vendedor de Passados", agora é Pepetela que vai receber o prémio Escritor Galego Universal 2007, sendo o primeiro autor de língua portuguesa e, em simultâneo, tal como Agualusa, o primeiro africano a obtê-lo.
A literatura angolana e os seus escritores realmente em alta!

03 maio 2007

Mais um dia mundial…

(A Liberdade em Venezuela; montagem com base num desenho de Tomy Chavez)

Hoje, 3 de Maio e por decisão da UNESCO, decorre o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa!
O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa constitui a ocasião para relembrar ao mundo quão importante é proteger o direito fundamental da pessoa humana que é a liberdade de expressão, direito este inscrito no artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Tendo em conta que a violência para com os profissionais dos media é hoje uma das principais ameaças à liberdade de expressão, decidi consagrar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 2007 ao tema da segurança dos jornalistas” assim começa a declaração do Director-geral da UNESCO, Koïchiro Matsuura, por ocasião deste dia.
Na Lusofonia, a ONG norte-americana “Freedom House” diz que só Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe existe uma verdadeira Liberdade de Imprensa.
Moçambique, Timor-Leste, Brasil e Guiné-Bissau são considerados como tendo liberdade parcial – cai Brasil sobe Timor-Leste e Guiné-Bissau (este último a Freedom House deve desconhecer onde realmente fica o país; liberdade parcial? só podem estar a rir com a nossa chipala) – e Angola está entre os países onde a liberdade não existe.
Se num país como Angola, onde embora constitucionalmente a liberdade de imprensa está consagrada, e apesar de ter alguns órgãos independentes que não calam a sua revolta e a sua intensiva verborreia, está entre os que mais calam a liberdade, como se pode admitir que Guiné-Bissau esteja entre os que mantém uma “liberdade parcial”? Volto a afirmar que a Freedom House não sabe onde fica Guiné-Bissau, ou mesmo se sabe que país é Guiné-Bissau…
Há um ano o então Secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmava “Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, manifesto, novamente, o meu profundo apoio ao direito universal à liberdade de expressão. Vários membros da imprensa têm sido assassinados, mutilados, detidos ou mesmo tomados como reféns pelo fato de exercerem, em consciência, esse direito” sabendo-se que “47 jornalistas foram assassinados, em 2005, e 11 já perderam a vida, neste ano.
E Koïchiro Matsuura, na declaração acima citada, diz a dada altura “Ao longo dos últimos dez anos, assistimos a uma escalada dramática da violência para com os jornalistas, profissionais dos media e pessoal associado. Em muitos países do mundo, os profissionais dos media são perseguidos, agredidos, presos e mesmo assassinados. Segundo as organizações profissionais, 2006 foi o ano mais mortífero, com mais de 150 profissionais dos media mortos.”
Só que, entretanto, em todo o Mundo, e só este ano de 2007, segundo o Repórteres Sem Fronteiras, já faleceram 29 jornalistas ou colaboradores dos média e foram detidos ou feitos reféns 152 outros.
Enquanto isso, muitos há que se pudessem – mesmo entre os chamados países mais “livres” – até os blogues calavam de vez…
Artigo inicialmente publicado no ; o meu 60º artigo para o principal órgão da Lusofonia.

02 maio 2007

O Golfo das tensões - artigo

"São Tomé e Príncipe (STP apesar de crises internas que, naturalmente, foi ou possa ter sido atravessado ao longo da sua História política, social e económica acaba por ser um oásis de estabilidade na região do Golfo da Guiné.
Um oásis rodeado de mar, conflitos e dos olhos de duas potências regionais que dão poucos e maus exemplos de civilidade.
A sul está uma das potências, Angola, que começa a ser questionada por um vizinho do Norte, a República Democrática do Congo, que começa não ver com bons olhos a força da pujança militar e política angolana no concerto dos estados centro-austrais de África.
A leste há a Guiné-Equatorial um dos parceiros económicos e do petróleo de STP e o eterno conflituante chamado Rep. Dem. Congo, o tal que sem ter qualquer estabilidade interna procura disfarçá-la questionando as fronteiras com Angola. Entretanto dois Estados – na prática serão três porque apesar de na maior parte das vezes quase passar despercebido o Gabão é parte interessada na região – não deixam de olhar para as ricas águas territoriais santomenses: o Congo e os Camarões.

(...)"
Artigo publicado no , ed. nº 113 de 28 de Abril de 2007 e poderá continuar a ler na secção de artigos d' aqui.

01 maio 2007

Xanana presidente do novo CNRT

Dando mostras de uma democraticidade interna a toda a prova e de uma clara e saudável falta de apego ao poder – a prova está no facto de Xanana ter sido ” candidato à liderança por DUAS listas concorrentes – o ainda presidente José Alexandre Gusmão, (ou Kay Rala Xanana Gusmão) e mais reconhecido por Xanana Gusmão, vai sair de Presidente de Timor-Leste para presidente do renovado Conselho Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) e futuro candidato a primeiro-ministro de Timor-Leste através das próximas legislativas.
Até lá, Xanana vai ficar na expectativa a ver quem irá ganhar as próximas presidenciais: se Timor-Leste ou se a Austrália; ou seja, se o presidente do Parlamento, Francisco Guterres "Lu-Olo", apoiado pela Fretilin e pela candidato Tilman, ou se o diplomata e actual primeiro-ministro, José Ramos-Horta, apoiado por Xanana, pela nova CNRT, e pelos restantes candidatos…
Porque até 9 de Maio todas as "espingardas" contarão. Até dos que estão foragidos...

O caso do Benfica de Luanda e a CAF

Segundo a edição online do Jornal de Angola (JAO) a Federação Angolana de Futebol (FAF) vai interpor recurso à decisão absurda da Confederação Africana de Futebol (CAF) em suspender e desqualificar a equipa do Benfica de Luanda por utilização incorrecta do jogador Sergie que, segundo a nota da CAF, teria sido expulso numa partida de uqalificação para a TAça CAF-Mandela e posteriormente jogado em partida subsequente.
Ora a FAF, face aos elementos que tem ao seu dispor, nomeadamente o relatório do árbrito e do comissário ao jogo são claros em referir que o jogador expulso teria sido Sanches e não o jogador que a CAF posteriormente vem afirmar ter sido expulso, tem toda a razão para protestar.
E o mais caricato disto é que a própria CAF, segundo o JAO teria informado em 30 de Março passado, através de um relatório que a Confederação africana enviou à FAF,que o nome que constava no mesmo ero o "de Sanches, confirmando-se por isso a rectificação do erro que o árbitro cometera no decorrer do jogo com o Motema Pembe" e não o de Sergie.
Esperemos que o protesto da FAF seja bem enérgico, não tenha receio de consequência para a selecção dos Palancas porque a razão deve sempre prevalecer sobre todas as arbitrariedades venham elas de onde vierem.
E se a CAF não der o dito por não dito então teremos de concluir que alguma coisa vai muito mal no reino das autoridades que supervisionam o órgão máximo do futebol africano.
O que já não surpreende se recordarmos os que aconteceu com o Sporting da Praia que em vez de pôr em perigo a vida dos seus atletas como a CAF queria não se apresentou na Guiné-Konacri e foi desqualificado e suspenso.
Claras arbitrariedades de quem quer, manda e pode!
E é por causa de situações como estas que demonstram a existência de uma clara corrupção que o continente africano, o continente Mátria da Humanidade, é visto sob reservas e objecto de recados constantes...
No dia em que se entra no mês de África há que denunciar estes despotismos tirânicos de quem parece querer mais matar o desporto-rei que torná-lo mais apelativo ao espectador africano.
Não basta ter o Campeonato do Mundo em África.
Há que dar mais e melhores estruturas.
E não será com incongruências como estas com que a CAF está a ter com o Benfica de Luanda - e como teve com o Sporting da Praia - que o Futebol africano conseguirá singrar em termo de Nações e ombrear com selecções como as latino-americanas ou europeias; porque matéria-prima há com fartura como se vê e nos delicia nos principais campeonatos da Europa do Futebol.
Que as palavras não doam à FAF!
E que a CAF não se admire que Blatter tenha saídas como a que terá dado ao programa "Inside Sport" da BBC, onde embora esteja confiante em que os estádios e restantes infra-estruturas sul-africanas estejam prontos a tempo e horas do evento (Junho de 2010), não deixou de admitir que outras possibilidades estão em aberto, sendo as mais prováveis a Inglaterra ou a Austrália a fazê-lo embora "Outros países estão prontos para organizar o Mundial amanhã, em dois dias ou em dois meses. Os Estados Unidos podem fazê-lo e o Japão e o México também, pois têm estádios suficientes para tal" (in JAO).
Não basta fazer de conta que são organizados. A CAF tem de o ser mesmo.
Que as palavras não doam à FAF!
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NOTA: Estranho as declarações do primeiro-ministro Fernando Piedade "Nandó" dos Santos à televisão sobre este assunto. Face aos docuemntos que a FAF e o Benfica dizem ter o Chefe de Governo angolano condena e quase "liquida" as pretensões dos encarnados da Capital.
Será que a clubite aguda (salvo erro é da mesma cor clubística que o Chefe de Estado...) é mais importante que os interesses da Nação e do futebol angolano?