08 junho 2007

Dez anos, pode ser muito ou nada

Realmente 10 anos de uma vida pode representar um século ou, quando se é empreendedor, dinâmico e não comodista, então é ainda o início de muito que há-de vir e muito do que há para dar.
É o que se passa com o Notícias Lusófonas (NL).
Está a fazer 10 anos ao serviço da Lusofonia e da contrariedade daqueles que gostariam que a Comunicação Social fosse um órgão meramente veicular das suas diatribes e não um órgão informador, e, sempre que possível, formador como tem sido o caso do Notícias Lusófonas.
Não me cabe a mim fazer a apologia e louvar o NL ou, como diz o meu amigo Orlando Castro, dar loas a um “maluco” que acha que a “estrada da beira não é o mesmo que a beira da estrada”, no caso António Ribeiro.
Mas também não posso deixar de admirar a vontade indómita de um Homem que preferiu, mesmo com eventuais sacrifícios económicos, manter livre um órgão de informação como o NL e convidando uns quantos malucos, diria no bom sentido, claro, uns doidos, para colunistas do que se submergir à vontade de uns quantos petro ou angoldólares que uns quantos quiseram oferecer para calar os que colaboram com o NL e tentam servir a opinião pública.
Há pessoas que, por aquela palha, são condecorados e dignitados com comendas e outros louvores.
Há, todavia, aqueles que preferem servir a Comunidade, seja Lusófona ou não sem esperar as loas e os flashes dos que estão sempre em bicos de pés prontos para se colocarem aos seus lados.
Portugal vai festejar o seu dia, no próximo 10 de Junho, com as eternas comendas e condecorações a indivíduos que muito do que fizeram foi aparecer nos escaparates dos órgãos informativos por razões que muitas vezes, bem espremidas, quase nada interessa a Portugal e, ou aos seus concidadãos.
Muitos, provavelmente, mais não serão que políticos bem colocados junto do poder ou alguns empresários, também eles bem colocados junto do ministro tal ou tal, eventualmente algum atleta ou artista e, muito dificilmente, algum exponente da Cultura; eu escrevi “exponente” porque dos outros é o que aí mais proliferam.
Destes hão muitos. Os outros, aqueles que discreta mas solidamente contribuem ou tentam contribuir para a união dos povos e da lusofonia passam despercebidos.
Esses são os Homens e Mulheres que se recusam estar em bicos de pés para aparecerem ao lado de um qualquer cacique, soba ou trajantes de kentê e estarem sempre na ribalta.
E esses, como António Ribeiro, nunca poderão abrir as suas casas à comunicação do “jet7” – ou nafta ou outro sucedâneo petrolífero – tirar uma foto com alguma qualquer condecoração!
Parabéns ao Notícias Lusófonas e àqueles que, contra interesses implantados, vão conseguindo que esteja entre os órgãos lusófonos de informação mais visitados e faça parte do núcleo restrito dos órgão acessíveis na página portuguesa da ONU.
Artigo inicialmente publicado no que está a fazer 10 anos.

06 junho 2007

Portugal, uma análise desapaixonada de João Craveirinha

(foto retirado daqui)
Uma interessante análise de João Craveirinha sobre a miscigenação de Portugal publicado no moçambicano, da Beira, Jornal Autarca, edição nº1308, de 01 Junho 2007, na sua coluna, “Dialogando”.

PORTUGAL – Análise desapaixonada
Pelo menos 10% dos portugueses em Portugal são negros (1 milhão)


(os nomes são nomes e não se pode divagar diluindo)

Não se devia diluir o termo africano que actualmente é mais alargado num conceito pós moderno... mas não para todos em África e menos na Europa onde africano é sinónimo de negro/preto incluindo para o mestiço indo para um conceito ou denominação mais anglo-saxónica-germânica.
Os nomes não mordem não é preciso ter medo deles. São assim as regras do jogo impostas por outros na terminologia – branco e preto – mesmo assente em base anti-científica.
Em Portugal e regiões autónomas, está estimado em cerca de 1 milhão de portugueses (ou um pouco mais) de negros e seus descendentes (mestiços) em Portugal com nacionalidade portuguesa (alguns com dupla)... e sem voz activa. O preconceito fala sempre mais alto contra os mesmos remetendo-se-lhes sempre todos os males e perseguições de que padecem na sociedade como complexos. A sociedade portuguesa evita assim o estudo real do problema para solução, não assumindo as responsabilidades dessas atitudes discriminatórias umas vezes mais abertas, outras mais dissimuladas.
Nunca ninguém fala deles (dos negros/mestiços portugueses)... só falam dos mediáticos luso-moçambicanos Eusébios e dos mais recentes casos como o do nigeriano-português Obikwelo ou de um futebolista ou basquetebolista negros. (Obikwelo sem sangue português) ao contrário de Eusébio de avô paterno português, branco, dos Silva Ferreiras).
Muitos desses portugueses negros/mestiços de pleno direito (será?!) são de origem angolana, são-tomense, cabo-verdiana, guineense, moçambicana e mesmo incluindo timorenses... e as últimas gerações nasceram ou cresceram em Portugal nem têm ideia onde fica a África dos pais e dos avós. A TV encarrega-se de lhes apagar da memória esse facto incutindo-lhes complexos de “vergonha” pela origem dos pais devido às imagens seleccionadas nas TV’s portuguesas de amostra quase exclusiva de miséria em África nos telejornais (e nos media, grosso modo).
The Empire strikes back
(Expressão inglesa o Império contra-ataca para dizer que agora a “viagem dos descobrimentos” é feita em sentido contrário – pelos africanos das ex-colónias “invadindo” as antigas potências coloniais na Europa. Outra vez, o efeito causa e efeito)
E isso se reflecte também em Portugal. É que nas ruas portuguesas ninguém anda com o BI português na testa e a sociedade portuguesa de repente se esqueceu que os (brancos) portugueses (bem ou mal) estiveram séculos em África e com as independências muitos (negros/mestiços) vieram para Portugal à procura de algum sossego após os anos conturbados do pós-independência. Foram fluxos desde 1974/1975. Só de Moçambique foi registada a saída para Portugal de cerca de 70 mil pessoas mestiças/negras na década de 1976 a 1986. Num agregado alargado actual de mais 5 elementos de descendentes daria cerca de 350 mil pessoas só de ascendência moçambicana e todas com a nacionalidade portuguesa. (Contando os falecidos entretanto). Os de Angola e os de Cabo Verde com nacionalidade portuguesa ainda serão de um número maior. Acrescentado os da Guiné e São Tomé e Príncipe o número poderá ultrapassar, actualmente, a cifra de 1 milhão de portugueses de origem negro/mestiça. Não há dados oficiais. Mas fez-se uma estimativa por aproximação com os dados disponíveis.
Há em Portugal não só reformados negros/mestiços portugueses mas em todas áreas da vida profissional e social (até cientistas) menos nas actividades de maior visibilidade (na televisão) e a nível mais sensível de algum "poder" como na política e "business" que nunca lhes deu espaço. A TVi foi pioneira em Portugal com José Mussuaili como locutor dos noticiários televisivos. Mas foi retirado da luz da ribalta pouco depois não por falta de profissionalismo (pelo contrário provado) mas por razões “desconhecidas”. Talvez para muitos ele como pivot “escurecia demasiado” o ecrã de TV. O olhar da maioria do português não aceitaria provavelmente de bom grado. Muito do género: “não sou racista mas…filha minha branca não casa com preto.” Ou ainda: “tenho mulher negra e filho mestiço não sou racista.” Mas ao contrário o mesmo nunca aceitaria: “um negro casado com mulher branca decente”. Pois no orgulho de “macho dominante” lusitano seria intolerável.
Por outro lado, em Portugal, o acesso ao sistema de ensino superior público é também duplamente discriminatório nos aspectos-socioeconómico e racial, aliás iniciado na primária e secundária. Não é por acaso que as cadeias (prisões) portuguesas têm um alto índice de reclusos negro/mestiços. É uma equação de causa e efeito. A severidade na punição muitas vezes é maior para crimes menores consoante a cor da pele mais escura.
É assim a integração portuguesa que fala da Lusofonia (para consumo em África) mas que em Portugal os locais (a maioria) não sabem nem querem saber disso. Nem a nível universitário geral, remetendo a Lusofonia quase sempre para uns “Estudos Africanos”. Para bom entendedor meia palavra basta.
Em relação à presença – ainda silenciosa do negro em Portugal, como escreveu o historiador euro-brasileiro, José Ramos Tinhorão – é pena que essa mais valia em Portugal seja desprezada e desconhecida e não aproveitada. Alguns países europeus já reconhecem essa presença com dignidade e se vê em todo o lado e não somente como casos isolados no desporto ou pela negativa em casos de marginalidade. Em países europeus como a Inglaterra, França (et cetera) existem casos de negros como ministros, secretários de estado e assessores, oficiais militares, chefes da polícia. Até na Suécia há bem pouco tempo tinha uma ministra negra – sueca, Nyamko Ana Sabuni, de origem do Burundi. A Suécia tem ainda um assessor angolano/sueco para o trabalho, num determinado ministério.
Por outro lado países africanos como Angola e Moçambique tiveram e têm ministros brancos de origem portuguesa nos seus quadros. É uma contradição (pela positiva). A equivalência dessa possibilidade em Portugal não existe. É a dolorosa verdade doa a quem doer. Há mais espaço para actividades políticas e empresariais (apesar de tudo) nesses novos países africanos para os brancos africanos que em Portugal para os negros europeus.
Portugal e os portugueses sempre os primeiros (em África) e os últimos (na integração a sério). Fica-se na propaganda. É interessante que até num sistema colonial/“fascistóide” como foi o de Oliveira Salazar houvesse a preocupação mesmo em termos de propaganda cosmética interna e externa, em dar alguma visibilidade a cidadãos negros/mestiços através da participação na vida parlamentar na AR em Lisboa. Eram deputados/representantes das suas colónias de origem quer de Angola, Moçambique, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. (Isto antes do 25 de Abril 1974). Claro para uns é irrelevante mas por outro lado revela que apesar de tudo (chamados fantoches ou não) eram vistos com alguma dignidade pelo regime. E naquele tempo a densidade demográfica de negros/mestiços em Portugal era mínima ao contrário de hoje que em algumas artérias das cidades de Portugal não se pode circular 15 minutos sem se cruzar com um negro/mestiço.
Pelo menos 10% dos portugueses em Portugal são negros (1 milhão)
De uma população em Portugal de cerca de 10 milhões, 10 por cento dessa população é negro/mestiça com nacionalidade portuguesa sem retaguarda geopolítica. Ninguém ainda reparou neles mesmo sendo cerca de 1 milhão pelo menos de negros/mestiços com nacionalidade portuguesa. Isso como se chama? A culpa não será dos visados (negros/mestiços) mas sim do sistema que impede destes terem maior visibilidade sem ser nas selecções de futebol de Portugal ou até nas selecções de atletismo e de basquetebol. (Inclusive na música muitos tem dupla nacionalidade).
É assim a vida neste “nosso” Portugal não assim tão pequenininho pois podia ser muito melhor se houvesse menos preconceito!

Manuel Dionísio no Malambas

O jornalista e escritor luso-angolano Manuel Dionísio (na foto, à esquerda, numa alegre cavaqueira com o saudoso jornalista Sebastião Coelho) honrou o Malambas com alguns poemas inéditos que vão ser publicados na sua próxima obra “Palavras como resgate”.
Manuel Dionísio é actualmente editor de grandes reportagens do Jornal e Angola e tem publicados três livros de poemas: “Escritos ao Vento”, edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), em 1981, “Poemas”, edição do autor, Luanda 1995, e “Do amor & outras merdas”, edição MDMG, Luanda 1997.
Pela amostra dos poemas que estão no Malambas, venha depressa o “Palavras como resgate”!

O seu, a seu dono

(Maurito numa imagem BBCSport)
Uma nota rectificativa que se impõe ao último texto sobre o fim-de-semana lusofutebólico.
Após visionar o resumo que o programa RTP Sport, da RTP-África, nos ofereceu à Diáspora - aquela que não vai poder se recensear - sobre os jogos para o CAN2008, constata-se que o golo de Angola foi de Maurito e não de Mantorras, apesar deste ter estado directa e indirectamente a ele ligado.
Na altura informaram-me, embora sob reservas e, mais tarde, confirmadas num jornal desportivo, que teria sido Mantorras o autor do golo.
O seu a seu dono e parabéns a Maurito pelo belo remate que levou para a Cidadela a quase garantia de qualificação para o CAN2008, no Gana, já que vai jogar com a última classificada, a Swazilândia; já agora seria pedir muito que o jogo fosse retransmitido para a Diáspora através da RTP-África? e quando é que a TPA passa a estar online e permitir o seu visionamento na Internet?
Com as alterações que o ministro Manuel Rabelais tem feito na oficiosa Comunicação Social angolana seria de esperar outros desenvolvimentos até porque um dos factores importantes para o actual Índice de Desenvolvimento Humano é, ou prende-se, com os novos meios de comunicação, como a Internet, por exemplo.
Ah! e já agora apesar de já o ter feito no local próprio, nos comentários do texto acima referido, não posso deixar de alertar o leitor, que presumo seja brasileiro, e que deixou um comentário, no mínimo, absurdo, para não chamar outro nome mais adequado, sobre como se deve ler português a mesma língua que ele fala e se faz entender no Brasil ou nos restantes países lusófonos.
É que ninguém, repito, ninguém, insultou Diego.
Quanto muito, a insultar e nem isso faço, seria o clube da simpatia do senhor Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, ou melhor, nem o clube, mas os dirigentes desse clube que quase correram com ele para fora do mesmo; e o clube chama-se o F.C.Porto; o mesmo que na primeira oportunidade se preocupou em fazer dinheiro com um diamante ainda por lapidar e que, talvez mais tarde, lhe renderia muito mais dinheiro, o miúdo Anderson.
Sabe quanto custou Cristiano Ronaldo ao Manchester e quanto o Real Madrid estava disposto a pagar?

03 junho 2007

Um fim de semana lusofutebólico

(mascote do Ghana2008)

Quando se vai para o deserto ficamos, por vezes, privados de diferentes meios de comunicação.
Logo de entrada como o SIMPLEX ainda não terá passado pelas pontes – sujeitas a serem detonadas por um qualquer terrorista de vão de escada – na desértica margem sul, incluindo o Reino dos ALLgarves, dificilmente conseguimos aceder a um moderno sistema de comunicações reconhecido por Internet dado que um moderno suporte não existe por lá ou anda tão escondido que me obrigará, por certo, a mudar de óculos; falo do Wireless.
Depois a rádio, nomeadamente a RDP África que supostamente – supostamente, não, está mesmo – está no tal Reino só se consegue apanhar através do auto-rádio e não através de um simples transístor de trazer por casa.
Ah! o que vale é haver televisão. Mas essa ou só apanha a CNN – onde vi um excelente anúncio da angolana ANIP, Agência Nacional de Investimento Privado – ou, por vezes a Eurosport, ou canais alemães, além dos habituais canais generalistas portugueses. E estes…
Bom, daí que aproveitando a TV, leia-se a RTP, consegui ver Portugal vencer os Belgas – quando se tem sangue português e belga, venha o diabo e escolha – mas não consegui ouvir nada sobre os resultados dos encontros dos restantes países lusófonos – excepto o do Brasil que empatou com a equipa de Sua Majestade através de um golo de um jogador que parece não ter interessado ao FCPorto – que também jogaram no sábado para o CAN 2008.
Mas como além da TV temos um aparelhozinho chamado telemóvel, ou celular, nada como mandar um SMS a um compatriota e perguntar pelo resultado da nossa Angola. Do mal, o menos; empatou, num relvado sintético através, parece, de um golo de um tal Mantorras – não o deixam jogar e quando entra tem estas boas manias, marca golos – com a antipática Eritreia – o Quénia que o diga – a 1 golo. Está quase lá no CAN Ghana 2008!
Por sua vez Cabo Verde travou a favorita Argélia empatando a 2 golos e aproximou-se dos lugares que dão acesso à fase final do CAN.
Já os Mambas, que ainda não tinham ganho, despacharam o Burkina Faso por expressivos 3-1 (o site da CAF diz que foi 3-0) e voltaram à corrida para estar na fase final até porque, tal como Cabo Verde, beneficiou do empate dos adversários directos.
Como seria bonito ver os três Países na fase final do CAN ganês de 2008.

01 junho 2007

Quando se teme e se olha as costas do vizinho…

Mugabe deve ter lido o Canal de Moçambique e como “nas costas do meu vizinho [mesmo que não seja directo], vejo as minhas” só que em vez de ser, eventualmente, a República da África do Sul (RAS), o senhor Robert Mugabe pensa que é o Reino Unido que está a preparar a sua deposição – quer surpresa se o fosse – já que o quase “já disse adeus” Tony Blair está em digressão por alguns países de África, nomeadamente na RAS onde chegou ontem, e onde defendeu, uma vez mais, uma solução africana para a situação caótica e despótica por que passa o Zimbabwé.
O senhor Mugabe pode ser autocrático, mesmo superditador; mas de parvo não tem nada.
Deve se recordar que depois de uma visita a Indonésia feita por Gerald Ford e Henry Kissinger, a Indonésia invadiu Timor-Leste e ocupou-a quando os dois estavam já de regresso a Washington.
Será que pensa que os sul-africanos poderão fazer o mesmo e logo que Blair levante voo tentem derrubar Mugabe?
Ainda há quem não acredite na História e no seus ciclos…
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E BOM FIM-DE-SEMANA!!!