09 julho 2007

Cabo Verde, 32 anos de sossego

(A felicidade de um Povo nem sempre se transmite pelo dinheiro que tem; foto daqui)

Apesar de estar de férias, ou por isso mesmo é que só agora o faço, não posso deixar de saudar o povo caboverdiano pelo 32º aniversário da sua independência, ocorrido no passado dia 5 de Julho, assente numa estabilidade político-social que, apesar de não ser perfeita, é melhor que a grande maioria - para não dizer, a quase totalidade - dos Estados africanos.
O certo é que o país, apesar da sua aridez física, da sua insularidade, da falta de muita mão-de-obra qualificada - muitos dos seus filhos, quase tantos como os que estão nas terras da morna e culadera, vivem na Diáspora - o país procura apetrechar-se para enfrentar os novos desafios na sua transição para país de desenvolvimento médio, pelo que, como referiu o presidente Pedro Pires, é "fundamental assegurar as condições legais, fiscais e sócio-laborais que garantam parcerias internas e externas indispensáveis para triunfar" e estancar um dos seus maiores flagelos: o desemprego.
Para isso é, segundo Pedro Pires, conveniente flexibilizar das leis laborais com vista à "desobstrução do caminho para a criação de muito mais empregos mesmo num contexto de maior liberalismo".
Ou seja, um flexisegurança à caboverdiana.

Timor-Leste sem maiorias

(será que o voto só interessa, quando interessa? O povo escolheu, mas...)
As eleições legislativas em Timor-Leste e deram como vencedor o… povo timorense! Foram vários os partidos e coligações que se apresentaram a escrutínio. Dois, apontavam para uma maioria absoluta. E o povo timorense disse não!
Mas se houve um vencedor, houve também um claro derrotado: Austrália.
Vamos então por sectores.
Se uns apostavam na maioria absoluta, nomeadamente a Fretilin e o novo CNRT, os australianos apostavam no desaparecimento ou diluição quase completa do antigo partido de Xanana e Ramos-Horta; não só não o conseguiram como viram o CNRT ficar pelo segundo lugar do escrutínio, precisamente atrás da Fretilin e, “last, but not least” – um anglicismo como é do muito gosto do actual presidente timorense (lamento mas não conheço nem uma palavra bahasa) – e vão também ver o quase proscrito Mari Alkatiri ser o principal candidato a liderar o novo Governo timorense embora, provável e naturalmente, com a presença de Xanana Gusmão.
Ou seja, o antigo triunvirato timorense acaba por ser recuperado pelo povo timorense, contrariando a vontade dos seus vizinhos, nomeadamente, dos “aussies”…
Mas se a Fretilin e a CNRT ficaram por esta ordem no escrutínio final, o actual presidente, não poderá esquecer a sua proposta após as eleições e que os timorenses parece terem adivinhado.
A AST/PSD e o PD ficaram logo atrás e em condições de participarem no novo Governo.
Até nisto os timorenses mostraram quanto estão democratizados e politicamente evoluídos.
Texto inicialmente publicado no , em 4 de Julho de 2007

Dois artigos n' O Observador

Dois artigos publicados esta semana n' O Observador sendo um relacionado com a renovada vontade de Kadhafi em trazer à tona os Estados Unidos de África já ventilados na Cimeira de Syrtre que lançou a União Africana - na altura os EUAf eram só para os Estados a sul do Saara -; e um outro sobre o espancamento e um disparo de que foi alvo um jurista moçambicano dentro de uma esquadra da polícia moçambicana.

1. "Os Chefes de Estado e de Governos da União Africana (UA) estão reunidos na IX Cimeira da UA, em Accra, a preparar o quinto aniversário da Organização, tendo com o ponto único a possível constituição dos Estados Unidos de África (EUAf), a menina dos olhos do líder líbio Muammar Kadhafi, e de um Governo único.
O lema é “O Grande Debate sobre um Governo de União” e a cidade escolhida não é inocente. Em 1965, onde ocorreu a última reunião Afrocontinental no Gana, era presidente deste país Kwame Nkrumah, um acérrimo defensor do federalismo para o Continente.
Ou seja, imita-se – mal – a União Europeia. (...)
" - continuar a ler o artigo "Para maus exemplos já bastam os europeus" acedendo aqui.


2. "Na Europa há um adágio popular que expressa que uma andorinha não faz a primavera. E aproveitando esta expressão ornitológica quero crer que o que se terá passado numa esquadra da Polícia Nacional com um advogado de Maputo mais não foi que um estúpido e despropositado acontecimento de uns energúmenos a quem não explicaram os principais princípios da civilidade e humanidade.
De acordo com algumas notícias, provenientes de Maputo, um advogado terá sido bárbara e nesciamente espancado e alvo da tentativa de assassínio dentro de um espaço que, primeiro de tudo, deve ser o principal lugar de defesa do cidadão e não o último lugar onde esse cidadão deseja estar.
Se um cidadão não se sente seguro numa esquadra onde se irá sentir? (...)
" - continuar a ler o artigo "Excepção à regra ou regra das excepções?" acedendo aqui.


Os dois artigos foram publicados nas edições 008, de 4 de Julho, e 009 de 5 de Julho

03 julho 2007

Férias?

O autor deste blogue vai, durante uns largos dias, de férias.
O autor vai, mas o Blogue nem por isso. Daí que, periodicamente e sempre que se justifique, será actualizado.
Entretanto, por favor continuem a divertirem-se, assim a Globalização e o Aquecimento Global o permitam!

Diplomacia com Harare é chover no molhado

"O presidente Armando Guebuza, terá afirmado, recentemente, que só a discreta diplomacia da SADC poderá evitar a depauperação do Zimbabué e contribuir para a solução dos problemas por que passa este país. Mas qual diplomacia da SADC?
A da África do Sul (RAS), de Thabo Mbeki, que, ora faz a apologia da independência zimbabueana como logo de seguida critica, e bem e que deveria fazê-lo mais, as políticas mais que segregacionistas e homofóbicas de Robert Mugabe? Ou a diplomacia angolana que, dizem as pequenas e mais que afirmadas bocas, parece apoiar a estratégia de Mugabe ao ponto de colocar “conselheiros policiais” em Harare?
Sejamos honestos a SADC ainda não existe nem tem capacidade para exercer uma eficaz diplomacia por muito que outros dos seus Estados-membros o desejem. A SADC quer ser uma Organização que extravase as competências económicas sob a qual tem se afirmado e voltar ao início da sua génese: a influência política. (...)
"
Pode continuar a ler aqui, este artigo, publicado no , edição nº 7, de 3/Jul/2007

Estados Unidos de África? Só pode ser brincadeira…

Em Accra, Gana, os Chefes de Estado e de Governos da União Africana (UA) estão reunidos na IX Cimeira da UA, tendo como principal meta e lema “O Grande Debate sobre um Governo de União” ou, por outras palavras, a criação de uns tais Estados Unidos de África (EUA), a menina dos olhos do líder líbio Muammar Kadhafi.
Apesar do actual presidente, em exercício, ser John Kufuor, do Gana, não foi inocente a escolha de Accra para esta Cimeira. Em 1965, quando ocorreu a última reunião Afrocontinental no Gana, era presidente deste país Kwame Nkrumah, um acérrimo defensor do federalismo para o Continente.
E agora é isso o que se discute. A criação dos EUA!!!
Quer-se imitar, e mal, a União Europeia.
Esquecem que a actual UE demorou dezenas de anos para chegar ao actual ponto e vê-se que nem sempre estão de acordo; são mais as vezes que divergem, que concordam.
Basta lembrar como falhou a primeira tentativa federativa da União com dois referendus negativos - e agora procura-se evitar o fracasso mudando semanticamente os termos evitando-se, assim, novos referendus.
Como querem criar uns EUA se são vários os factores que tornam diferentes uns dos outros os Estados do areópago afrocontinental?
E quem irá dominar os futuros EUA?
Por certo que o primeiro e imediato, por isso é um dos seus mais acérrimos defensores, é Kadhafi.
Se quiserem deflagrar ainda mais o Continente, sigam por esse caminho.
Os cidadãos de África, é que não deverão ir por essa diapasão.
E como eles também digo: NÃO!!!!
Afirmem, primeiro a actual União Africana, que só ainda vai fazer 5 anos e depois pensemos mais além…