08 agosto 2007

União Africana já tem 5 anos e ainda não anda - artigo

"Na passada segunda feira a União Africana (UA) comemorou o 5º aniversário do seu nascimento.
Uma comemoração ensombrada pelo atraso de todos os valores emergentes na sua concepção, em Syrtre, e da sua constituição, em Durban.
Se um dos atrasos é de saudar, a peregrina e néscia ideia da constituição dos Estados Unidos de África, prevista por Kadhafi, em 1999, mas para os Estados ao sul do Saara, e tentada o seu relançamento na recente Cimeira de Accra, agora tentando agrupar todos os Estados africanos, sob a decrépita liderança – porque é isto que ele quer e sempre desejou – de Kadhafi, já não se entende que vectores importantes para o continente continuem estagnados ou, ainda, nem mesmo embrionários.
Uma pequena ressalva para relembrar que a estulta ideia dos Estados Unidos de África não apareceu somente em 1999. Já entre os anos 1910 e 1920 um jamaicano naturalizado norte-americano, Marcus Garvey, através de uma revista por si criada African Times and Orient Review, sedeada em Londres, tinha proposto que os negros norte-americanos voltassem a África e constituíssem os Estados Unidos de África segundo um lema “África para os Africanos Negros” assente num dogmatismo religioso de “Cristo era negro” e reforçado numa organização por si criada, a Associação Universal para o Progresso dos Negros (UNIA) que se constituiu como o embrião da República Universal Negra, um “Estado” sem território porque ainda estava fora de África.(...)" [continuar a ler aqui]
Artigo publicado no , na edição 123, de 14 de Julho de 2007.

A R.D.Congo e a violência sexual

(A Mulher não é um ser abjecto nem uma flor sob protecção! (foto de autor desconhecido e retirada daqui)

"Centenas de milhares de raparigas e mulheres [o destaque é meu] são violadas, sexualmente torturadas e mutiladas na República Democrática do Congo (RDCongo), acusa a campanha internacional "Até a violência acabar", lançada ontem. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que lançou a campanha juntamente com o movimento V-Day, centenas de milhares de raparigas e mulheres têm sido violadas desde o início do conflito na RDCongo, há mais de uma década. (…)"

Parte de uma notícia publicada no Jornal de Notícias, sob o título “Violência sexual denunciada”, que não merece comentários mas, tão-somente uma leitura que merece ser bem reflectida, principalmente quando os Estados africanos tanto reafirmam querer cumprir com os compromissos do Milénio…

06 agosto 2007

Ramos-Horta quer incendiar o país?

(os apoios pagam-se...)
Utilizando da sua excelsa prorrogativa como Chefe de Estado, interpretando a Constituição “à la lettre”, mas desprezando a vontade popular, não medindo as consequências do acto e apesar de ter dito que queria um Governo de consenso, José Ramos-Horta depois de tantos adiamentos acabou por fazer aquilo que já há muito se previa e que melhor seria se tivesse logo feito evitando este período de lapso de tempo que não interessa a ninguém e que só atrasou a feitura do Governo.
Ou seja, Ramos-Horta decidiu-se por chamar “Xanana” Gusmão para
formar Governo sem Fretilin e, pelos vistos, já sem um dos seus iniciais apoiantes na Aliança para a Maioria Parlamentar (AMP), coligação formada após as eleições entre a CNRT e três dos partidos mais votados com assento no Parlamento.
Só que um governo da AMP, sem Fretilin,
dificilmente, na actual conjuntura, conseguirá sobreviver.
A prova está que já há desacatos em Dili e a ONU, pela primeira vez desde os incidentes de Kosovo que resultaram na morte de duas crianças, autorizou a polícia onusiana utilizar
balas de borracha.
Ramos-Horta, ou quem por
detrás mexe cordelinhos, parece querer incendiar o País do crocodilo. E já vimos quando o crocodilo se aborrece…

Reaproximação entre Maputo e Luanda...

"À natural solidariedade africana junta-se a solidariedade afro-revolucionária com que sempre se pautaram as relações entre os movimentos/partidos que suportaram e suportam o poder em Angola e Moçambique.
Tanto o MPLA como a FRELIMO são reconhecidos como movimentos/partidos de base socialista e revolucionária mas que, nem sempre, tiveram uma relação muito próxima e cordial. Relembremos que a FRELIMO é membro – e já teve uma das vice-presidências – da Internacional Socialista enquanto o MPLA só, recentemente, se tornou membro de pleno direito desta organização política internacional.
Para isto muito terá contribuído as reticências da família portuguesa, nomeadamente, uma das que mais mandou no PS e que era afecta à UNITA, partido angolano que, por sinal, e enquanto Savimbi foi vivo, nunca teve uma relação próxima com a RENAMO; bem pelo contrário, sempre houve uma relação próxima, embora discreta e não materializada, entre a UNITA e a FRELIMO ao ponto de Machel respeitar o “Mais Velho” angolano. (...)
" (continuar a ler aqui)
Artigo publicado n', edição 030, de 3 de Agosto, sob o título "Reaproximação entre Maputo e Luanda: Mudam-se os tempos, mudam-se os ventos". Citado no excelente blogue "Moçambique para todos"

02 agosto 2007

Morreu na indigência!!!!

Morreu o terceiro nacionalista angolano. Segundo a RTP-África, citando a rádio LAC, morreu Álvaro Holden Roberto com 84 anos (O canal 1 da RTP acabou de confirmar a notícia)!
Morreu em completa indigência porque há bastante tempo que, invocando razões de incompatibilidade entre os pares da FNLA, o Ministério das Finanças caçou o dinheiro da segunda organização política mais antiga de Angola e, com isso, o seu carismático presidente acabou sem poder receber correctas e oportunas intervenções médicas e em completa indigência como foi largamente enunciado no País.
Já hoje, e na véspera do aniversário de Savimbi – se fosse vivo faria 73 anos –, Isaías Samakuva, o reeleito presidente da UNITA, durante a apresentação da nova Comissão Política tinha alertado para a falta de sensibilidade social do actual poder. Como afirmou Samakuva, impera no País um conceito de paternalismo económico.
Só é lamentável que a esta hora que estou a escrever estas palavras (20,54 horas) os órgãos angolanos estejam mudos e nem uma linha sobre o passamento de Holden Roberto.
Angola perdeu mais um vulto da sua História. Holden Roberto foi uma personalidade, como todas as que são históricas, que criou enormes anti-corpos na sociedade angolana. Mas foi um vulto da Independência de Angola.
Por isso é lamentável o mutismo da sua morte principalmente quando, segundo parece, aconteceu durante a tarde.

NOTA COMPLEMENTAR/Resposta a um anónimo(porque será que nunca se identificam e assumem o que escrvem?): Caro amigo anónimo. Reafirmo o que escrevi. De facto a Angop mostra um "alerta" às 20,43 horas quando o falecimento aconteceu por volta das 18,30 e a rádio LAC noticiou ao fim da tarde conforme informou RTP-África dando como notícia de última-hora logo antes das 20,00 horas do passamento de Holden Roberto.
É lamentável que só tenham dado a informação quase 2 horas depois. Este apontamento foi iniciado por volta das 20,15 horas e só terminado quando indiquei a hora. O telejornal da RTP1 repetiu a notícia (aceder aqui no marcador 11:32) quase à mesma hora que a Angop, como se esta precisasse de uma confirmação externa ao País.
É que, entretanto, o "reacionário" ia explicando a algumas pessoas que lhe telefonavam sobre quem era e como morreu Holden Roberto dado que a Embaixada e o Consulado, segundo essas pessoas, se mostravam indisponíveis em prestar declarações sobre um ex-Conselheiro de Estado do presidente Eduardo dos Santos. Ou então ia reencaminhando para a pessoa que, em Lisboa, melhor conheceu o líder da FNLA.
Espero ter ficado esclarecido. E, já agora, se verificar um outro reconhecido portal noticioso angolano vai ver quando foi publicada a notícia - por acaso da Angop - e como foi "estampada"; mera coincidência.
Ah! e se ver a síntese das 24 horas das principais notícias da Angop, do dia, nem uma palavra!

01 agosto 2007

Darfur, Resolução 1769 (2007) não seja só mais uma

O Conselho de Segurança aprovou por unanimidade o envio de militares para o Darfur. E form aprovada por UNANIMIDADE dos 15 membros do Conselho.
Ou seja, pela primeira vez a China apoiou sem tibiezas – será que sim? – a tentativa da ONU e da União Africana em colocar tropas na martirizada zona do Darfur. Relembremos que a China é a principal cliente de hidrocarbonetos sudaneses, a maioria explorados na, ou próximo da, região do Darfur.
Mas se a surpresa da unanimidade é de realçar, também não deixa de se destacar o facto da Resolução 1769 (2007) fazer referência ao capítulo VII da Carta das Nações Unidas (e não artigo 7º como alguns órgãos informaram, o que demonstra desconhecimento da Carta; bastava-lhes aceder ao portal das Nações Unidas, na secção “peacekeeping” e lerem a notícia ou no Centro de Notícias da ONU; por vezes notícias vindas de assessores e lobies de informação é mais rápida e não cansa).
Que a resolução 1769 (2007) não seja só mais uma para “calar” a gritante raiva da opinião pública e tudo acabe na mesma por falta de militares que possam ir para o Sudão.
Relembremos como tem sido inoperante a AMIS; ou será que a brigada da SADC é já para ir para o Darfur?
E só se lamenta que a resolução só preveja Outubro como data limite para colocar as tropas no terreno.
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NOTA: Sobre esta matéria ver o artigo publicado n' , edição 29, sob o título "ONU e UA fazem valer a força da razão sobre a razão da força"