06 setembro 2007

Tartarugas, um pitéu em Cabo Verde

Ao contrário de uns que não as gostam livres e enriquecerem os seus mares,

Alguns cabo-verdianos preparam-se para esventrar as tartarugas
E, pasme-se, vivas… porque assim, segundo eles, são mais saborosas!!!???

Há tempos, já este ano, escrevi um artigo para o Correio da Semana sobre a vontade de preservação das Tartarugas em São Tomé e Príncipe levado a efeito pelas autoridades, por alguns cidadãos e por uma ONG santomense, Marapa, com apoio do Fundo Francês para o Ambiente Mundial (FFEM).
Sendo um país de fracos recursos económicos e alimentares, saudava-se esta atitude santomense, apesar das tartarugas estarem para os santomenses como um funjada está para os angolanos ou um dobrada para portugueses.
Porque há quem deseje proteger as suas espécies não posso deixar de lamentar o que revi, ontem, no programa Repórter África, da RTP-África (ver aqui, aos 9:01’), donde foram extraídas as fotos acima…
Juntemos a nossa voz às dos cabo-verdianos que querem preservar uma das suas maiores riquezas faunística: as Tartarugas. E abandonam as carapaças sem qualquer préstimo!!!!

Se as FARC entram, porque não Mugabe?

O senhor Robert Mugabe pode ser – e é – um ditador, um crápula sem escrúpulos que destruiu um País, uma Nação e um Povo. Mas, mal ou bem, com práticas pouco creditícias ou não, foi eleito com o voto do Povo. Logo, apesar de pérfido autocrata, que permite a existência de uma inflação na ordem dos 7000% (SETE MIL por cento) e incentivou á prática de cerca de 25.000 violações dos Direitos Humanos, está legitimado como Chefe de Estado do Zimbabué.
Poderá ser o maior ditador da História. Mas, também, Hitler o foi, Estaline, igualmente, mas nem por isso deixou de ter as portas abertas dos diferentes estados vizinhos porque, no primeiro caso ascendeu ao poder através do voto, e no segundo porque era só o líder de uma das duas superpotências nucleares da época.
E ambos mandaram matar milhões de seres. E nem por isso viram as portas externas fechadas.
Por isso começa a ser hipocrisia quererem fechar as portas a Mugabe e condicionares a reunião entre África e a União Europeia (UE). Reafirmo entre a UE e África e não entre a UE e União Africana; a razão é simples, porque se fosse, Marrocos não estaria presente e sabe-se que a presença dos africanos só está a ser questionada a do presidente do Zimbabué havendo até a hipótese da presença dos sarauis como observadores.
Até agora ninguém questionou essa hipótese.
E se vamos a questionar a presença de Mugabe como iremos admitir na reunião a Eritreia que os EUA se preparam para considerar como Estado-terrorista?
Talvez não seja condicionada.
Se as FARC, considerada quer pela UE quer pelos EUA como uma milícia terrorista e narco-traficante, que tem raptado e mantido em cativeiro pessoas a seu belo prazer, pode estar, livre e ostensivamente, presente no pavilhão oficial do Partido Comunista Colombiano na festa dos comunistas portugueses, como já o estiveram no passado e saudados por um escritor nobelizado, porque não hão-de entrar em Portugal o senhor Mugabe e, ou, os representantes eritreus?
Como alertou há dias o presidente português, num nobre espaço eurocrata, é altura dos europeus e dos diplomatas portugueses começarem a puxar pela cabeça e não permitir que interesses que nada estão relacionados com a realidade africana sejam suficientes para impedir uma Cimeira que aguarda há 10 anos pela sua realização.
Se os ingleses não se sentem à vontade para estar sentados ao lado de um ditadorzeco africano, infelizmente legitimado pelo voto, porque o têm feito com outros ainda mais obscuros e outros, também africanos, que nem pelo voto estão legitimados?
Será que os britânicos é que gostariam de liderar o processo e serem os hospedeiros da Cimeira e recuperar algum do protagonismo que estão a perder para os franceses, nomeadamente, para Sarkozy?
Deixemos de ser hipócritas.
Apesar dos africanos tudo parecerem querer fazer e demonstrar o contrário, África merece mais respeito!
Artigo publicado na Manchete do , de hoje, sob o título "Se as FARC entram em Portugal porquê impedir Robert Mugabe?"

Adeus Pavarotti

Enquanto na Terra a voz só será possível através de aparelhos fonográficos, no espaço celestial a grande ópera ganhou mais uma estrela para recuperar o dueto terreno: Luciano Pavarotti.

03 setembro 2007

Democracia e Totalitarismo

"Democracia é a epístola que todos os políticos mais utilizam quando desejam chegar aos eleitores e, com isso, atingir os seus fins: o poder. Democracia é, também, a imposição da vontade da maioria sobre os desejos e ambições de uma minoria. Ou seja, e como diria Churchill, é uma ditadura da maioria sobre a tenção da minoria.
De entre as ditaduras, a menos má. A pior das ditaduras será o despótico Totalitarismo onde o poder é quase sempre infinito. Em regra, o Totalitarismo deve-se à inexistência de vontades diferentes e de uma sociedade civil organizada, ou à afirmação de um único partido ou uma única entidade sobre um Povo, ou à asseveração do poder do Estado, através das suas instituições, sobre a comunidade.
Mas à Democracia pode-se juntar um bom naco de Igualdade – a que vê os povos e os eleitores como iguais –, conjugados com uma escudela cheia de Fraternidade – aquela que acha que as diferenças só existem na cabeça dos imbecis – e de, por fim, um molhe imenso de Solidariedade – o que os povos livres sentem pelos oprimidos. E depois disto, teremos um maravilhoso bolo chamado Utopia.Só que, infelizmente, a Democracia é cada vez mais um efémera Utopia e está se tornando no valor mais sagrado dos hipócritas. (...)
" (continuar a ler aqui).

Publicado n' , nº 051, de hoje, sob o título "Moçambique a caminho do totalitarismo"

A Cooperação e a caça às baleias

(nos Açores, agora caça-se assim; com máquinas fotográficas)

"Há uma velha frase diplomática, cujo autor foi Raymond Aron e que Churchill também muito gostava de evocar, que consubstancia as relações entre os Estados e que diz mais ou menos isto: “os Estados não têm amigos nem inimigos; mas interesses a defender”. Ou como Lord Palmerston (Ministro da Guerra da Rainha Vitória) afirmava quando se referia aos aliados e aos amigos de Inglaterra, que esta não tinha aliados permanentes nem inimigos permanentes; só os seus interesses eram “eternos e perpétuos!”.
E a moderna política mundial cada vez mais reafirma este conceito nos diferentes contactos internacionais.
A China é, nesta altura, o caso mais paradigmático para quem o interesse nacional se sobrepõe a todos os outros interesses, mesmos os políticos e os ideológicos; e “si non é vero é ben trovato”.
E se os interesses nacionais são os mais importantes nas relações entre os Estados, a cooperação, vista como um jogo de soma positiva em que todos os participantes podem ganhar, é uma nova forma de reforçar a defesa desses interesses dado que, não poucas vezes, ela mais não é que um meio para a defesa de interesses bilaterais ou multilaterais comuns. (...)
" (continuar a ler aqui)
Artigo de opinião publicado no , nº129, de 1-Setembro-2007.

01 setembro 2007

Que se passa em Cabinda?

(foto de Cabinda via satélite; daqui)

"Segundo as Forças Armadas Angolanas e alguns políticos na região Cabinda, apesar de ainda haver algum natural desassossego, parecia estar a caminhar para a estabilidade e para a Paz. Todavia, num e-mail recebido, através de terceiros, mas com emissão no activista de Direitos Humanos, Raul Danda, constata-se nele acusações muito graves para as FAA’s e para o Governo Central.
No citado e-mail diz-se que hoje, 31 de Agosto de 2007, em várias localidades do centro de Cabinda, de madrugada – o que contraria toda a lógica legal e humanitária de um Estado de Direito –, “centenas de militares das FAA fortemente armados e munidos de numerosas viaturas” levaram para a Planície do Cochiloango cidadãos que teriam sido retirados à força das suas casas de “Lico, Icazu, Cochiloango, Loango, Loango Pequeno, Ntunga, Mbuli, Bichékete, Caio e Mpuela”.
Segundo esse e-mail alguns desses cidadãos “terão sido espancados” e “outros ameaçados” por militares de armas emperradas.
Face à situação e porque os familiares não viam regressados algumas mulheres ter-se-ão deslocado a Cochiloango e dispostas a estarem, até às últimas consequências, quaisquer que elas sejam, e o e-mail, nesse aspecto é muito claro, junto deles.
Não sei se tudo se terá passado assim ou não. Também, por outro lado, não tenho razões para duvidar do conteúdo do e-mail.
Todavia, num Estado de Direito que se quer e se exige para Angola, casos destes – caso tenha acontecido, e parece, infelizmente, que sim – não podem acontecer sob pena de perdermos a face ao Enclave.
Todos sabem que, ao contrário de outras opiniões – algumas vincadas aqui no Notícias Lusófonas – defendo que Cabinda é uma província de Angola. Mas também sabem que defendo um Estatuto autonómico especial para o Enclave onde a justiça social e económica esteja devidamente defendida.
Quero acreditar que tudo não terá passado de uma mal entendido e que alguém tenha exorbitado das suas competências.
É que as acusações do activista angolano Raul Danda são graves e devem ser claras e cabalmente esclarecidas e, caso se confirmem, como espero e desejo que não, sejam efectivamente punidos quem ultrapassou das suas competências.
Mas quando a chefia militar vem desmentir a ida de militares para Zimbabué porque, segundo ela, este país tem militares competentes – ninguém o duvida – para a sua defesa e quando se sabe o que foi divulgado é que teriam ido – ou iam – militares de um corpo especial para proteger o presidente Mugabe, já que este teria perdido confiança na sua guarda pretoriana, que teria estado por detrás de uma intentona militar, já obriga-nos acreditar que as ordens e os despachos superiores perdem parte do sentido e do conteúdo pelo caminho.
Vamos recuperar o sentido de Estado e levar a situação de Cabinda a um claro caminho de estabilidade social, política e económica. Ou seja, vamos caminhar para a efectiva Paz em Angola.
"
Artigo de Opinião publicado na Manchete do , de hoje, sob o título "Situação em Cabinda - Não basta dizer que tudo está bem". Pode ainda aceder a este e as outros 79 artigos publicados no NL aqui.