01 abril 2012

Quando o futebol pode ser um “hino”

(da Internet)

Ontem tive o prazer de ver dois bons jogos e com o mesmo resultado: 2-1

À tarde, na TPA Internacional, o Kabuscorp-Libolo, com a vitória dos actuais campeões angolanos (Libolo) e com o internacional brasileiro – ainda agora chegou e já enverga a faixa de capitão?!?!?! – Rivaldo a marcar o golo do Kabuscorp.

À noite, na SporTV, um enorme jogo entre dois candidatos ao título lusitano, o Benfica-Braga.

Como benfiquista adorei o resultado; como observador independente, que também sei ser nestes casos, acho que o Braga não merecia a derrota.

Resumindo, quando os jogadores querem – e os dirigentes deixam o futebol consegue ser um hino ao desporto!

29 março 2012

“Eleições” n’ A Gâmbia

(foto ©AP-DW)

Hoje há eleições n’ A Gâmbia…

Num Estado pluralista e democrático, onde as eleições presidenciais são um acto natural, as eleições presidenciais que vão ocorrer, hoje, n’ A Gâmbia, seriam mais uma acção popular para a natural escolha do candidato que irá gerir os destinos da Nação.

Todavia, o que se vai passar n’ A Gâmbia será tudo menos democracia.

Tudo porque a reeleição do golpista, autocrata, quiromante e senhor absoluto do País, Yahya Jammeh, está quase totalmente garantida.

O quase é para tornar um pouco credível a reeleição, até porque aparecem dois candidatos contra Jammeh: Ousaino Darboe, de 63 anos, que concorre pela quarta vez, e Hamat Bah, de 51, que vai na terceira tentativa. De notar que o (re)candidato presidente já está a caminho do garantido quarto mandato de cinco anos…

Tão garantido, que nem a CEDEAO se arrogou em apostrofar o simulacro a que chamam de eleições, abstendo-se, responsavelmente, de comparecer ao acto, evocando que as eleições não tinham garantidas os três principais factores que as deveriam caracterizar: livres, justas e transparentes.

Jammeh é visto como o governante que conseguiu garantir ao País um desenvolvimento como A Gâmbia, há muito, não via.

Mas se esse desenvolvimento é visível a população não consegue obter quaisquer dividendos justos. A maioria vive – ou subvive – com, somente, 2 USD por dia…

Além das eleições presidenciais, A Gâmbia também vai registar eleições parlamentares onde o partido actualmente no poder, Aliança para a Reorientação Patriótica e Construção (APRC), que já detinha 47 dos 53 assentos no Parlamento, irá conseguir aquilo que outros, ainda antes das suas, já dizem ir ter: a quase totalidade do Parlamento.

Quase, porque até ao fecho das urnas tudo pode acontecer.

É que os seis partidos oposicionistas fizeram saber que iriam boicotar as eleições, embora haja, e daí poder haver algum volte-face, quem defenda que, apesar de todas as justas críticas, ninguém deveria boicotar as eleições.

Ainda assim, de notar que apesar de rejeitar as críticas, a CNE local cancelou a votação em 25 dos 48 círculos nacionais.

Vamos aguardar para quem irão os 48 lugares em disputa directa, sabendo que 5 dos assentos são nomeados pelo presidente…

Citado no portal do Jornal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/news/mundo/31-03-2012/33214-eleicoes_gambia-0/)

27 março 2012

Um hino à demo-probidade

Depois dos distúrbios e dos zigue-zagues da primeira volta nas eleições presidenciais senegalesas, a segunda ronda deu um desfecho que só diz bem da democraticidade e da rectidão dos intervenientes.

Recordemos que a primeira volta ficou marcada pela contestação à tentativa de Abdoulaye Wade, presidente em exercício, de 85 anos e já com dois mandatos, em voltar a recandidatar-se aproveitando uma lacuna legislativa resultante das alterações constitucionais.

Uma situação que levou a inúmeras contestações por parte dos eleitores e candidatos senegaleses mas que não evitou a concretização do sonho de Wade e que o levou, juntamente com um dos seus mais fortes opositores e antigo primeiro-ministro e presidente da Assembleia Nacional, Macky Sall, à segunda volta.

A segunda ronda, ocorrida no final da última semana, demonstrou, apesar de todos e inúmeros receios, que Senghor deixou uma excelente e indelével marca de democraticidade e de probidade no País.

Quando, à revelia do que seria expectável por parte dos analistas locais e dada a manifesta firmeza de Wade em se recandidatar, ao contrário de tudo o que demonstrava bom senso, o presidente-recandidato, sem rebeldia e com demonstração de total respeitabilidade pelos votos expressos, aceitou a derrota e vitoriou, publicamente, o candidato Macky Sall.

Uma enorme, um hino, à demo-probidade que deveria ser estudado e acolhido por outros.

Todos temos um sonho e esse passa por que haja mais senegaleses em África…

Transcrito no portal do Jornal Pravda, sob o título "Mais senegaleses, por favor" (http://port.pravda.ru/news/mundo/28-03-2012/33175-mais_senegaleses-0/)

25 março 2012

Que se passa na Rádio Ecclésia?


"Há dias li nas páginas sociais, assim aqui e aqui, que Nelson “Bonavena” Pestana, analista político, docente e investigador da UCAN e dirigente do Bloco Democrático, e Kalamata Numa, secretário-geral da UNITA e deputado nacional, teriam sido censurados pelo novo director-geral da Emissora Católica de Angola “Rádio Ecclésia” (ECA), Quintino Kandandji.

Em causa duas notícias do Magazine da Rádio Diocesana de Benguela, um espaço de informação generalista produzido pela aquela emissora católica emitida, em regra, todas as segundas, entre às 9 e 10 horas na Ecclésia.

A primeira notícia reportava-se e informava sobre o debate, em Benguela, promovido pela ONG “Omunga” e ao espaço cívico “Quintas de debate” onde o analista Nelson Pestana proferiu um tema sob o título “A intolerância política em Angola e suas implicações”, que teve como orador, o docente universitário e político.

A outra notícia informava que Numa, enquanto deputado e dirigente da UNITA, num comício no Cubal, província de Benguela, saudou os 46 anos da fundação da UNITA.

O caso, já de si inquietante porque há uma clara e manifesta atitude de censura, torna-se mais preocupante os dois criticaram – um direito a que assiste qualquer cidadão, desde que feito dentro dos limites naturais de respeito – o presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Do que sei estavam em causa os ataques que os manifestantes sofreram sob o olhar, no imediato, pouco interventivo, das autoridades.

É incompreensível que uma das primeiras medidas do novo director-geral da ECA-Ecclésia tenha sido uma dupla e ininteligível censura.

Mas se tivermos em conta o que reporta o Semanário Angolense, na sua última edição (458, de 24/Março/2012, p.6), parece-me que este nova personalidade não estará a fazer muito bem a um órgão informativo que mais credibilidade tinha junto da população luandense – o Poder continua a cercear as emissões da ECA para a cidade de Luanda.

Segundo aquele semanário, pela pena de Romão Brandão, no passado dia 19 de Março pp., dia do 15º aniversário da reabertura do sinal da ECA, devido ao encerramento que tinha sido objecto pelo anterior regime nacional, o que aconteceu (acontece) é um clima de crispação entre os jornalistas e outros funcionários devido, segundo aquela fonte, a um anormal chapéu censório – que parece ter sido mais efectivo após a visita da Ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira – e a um reduzido quadro remuneratório que, esperavam, viesse a aumentar e não se verifica.

Acresce a isso, o facto da ECA ter acabado com alguns dos programas desportivos, substituindo-os por música de fundo, ou suspendendo com os programas directos e só emitindo-os após gravação. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no Café Drummond (ex-Perspectiva Lusófona), hoje.

24 março 2012

Onde anda o dinheiro de Cabinda?

Este é um preocupante artigo da última edição do Semanário Angolense (ed. 458, p.42) e assinada por Paulo Possas.

Preocupante, não a falta de fundos da Chevron - provavelmente devem ter canalizado, os mesmos, para limpar a trampa que parecem ter feito junto das costas cabindenses - mas porque uma parte significativa dos fundos do petróleo, conforme foi outorgado no acordo de Namibe, deveria ser canalizado para a província.

E, pelos vistos, parece que o governo provincial não deve ter esses fundos ou, por certo e de contrário, não permitiria este artigo.

É que, e toda a gente o sabe, o desporto, em geral, e o futebol, em particular, são veículos fomentadores de turismo e de propaganda cívica.

Penso eu de que...