30 junho 2012

Egipto empossou primeiro presidente civil


(imagem Internet/Google)

Depois de, na véspera, ter sido recebido pelos mais altos comandos militares que, na prática, dominam a vida política e administrativa do Egipto, Mohamed Mursi (ou Morsi), o vencedor candidato da Irmandade Muçulmana, na eleição presidencial, tomou ontem posse perante o Tribunal Constitucional, face à dissolução do Parlamento decretada, poucos dias antes da eleição, pelos militares.

Mursi um islamita, engenheiro formado no Egipto e nos EUA, com a mão sob, creio, o Corão, declarou que iria cumprir a Constituição e defender a República laica e Independente do Egipto. Apesar deste “natural compromisso” constitucional, não teve problemas em acrescentar, no discurso, que só “teme a Deus” e, numa clara alusão aos militares, que “nenhuma instituição estará acima do povo”.

De notar que Mursi já tinha tomado posse virtualmente na véspera na Praça Tarhir perante a multidão que o aguardava e o saudou vendo nele, apesar de alguns receios que muitos egípcios sentem com a entrada de Irmandade Muçulmana no mais alto cargo do poder, o obreiro para uma mais justiça, um país melhor e mais desenvolvido.

De acordo com um dos seus conselheiros políticos uma das primeiras medidas que Mursi pensa tomar relaciona-se com os seus braços direitos, os vice-presidentes. Para este cargo estarão, pelo menos, reservados dois lugares, um para uma mulher e outro para um cristão copta.

Entretanto, enquanto Mursi tomava posse, o seu adversário ao cargo presidencial, o ex-primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq, terá fugido para os Emirados Árabes Unidos, depois de um tribunal egípcio ter suspendido o decreto que permitia que militares prendessem civis e da PGR ter aberto um inquérito sobre eventuais denúncias de corrupção havidas durante seu mandato como ministro da Aviação Civil onde terão ocorrido “fugas de dinheiro” entre 2002 e 2011 bem assim por desvio de verbas na construção dos novos terminais do aeroporto do Cairo, obra que foi adjudicada a familiares de Mubarak.


Este apontamento foi transcrito no portal do jornal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/mundo/02-07-2012/33281-egito_presidente-0/)

29 junho 2012

O regresso à ardósia


"Quantas vezes não ficamos pegados aos televisores a apreciarmos, embevecidos pela sua vontade indómita de aprender e evoluir, as nossas crianças agarrados às suas ardósias ou cadernos de ocasião, nas escolas de céu-aberto soba as protectoras copas de mulembeiras ou sob os braços fortes e carinhosos de um qualquer imbondeiro.


E quantas vezes pensamos e clamamos como é possível que no nosso país ainda perdurem escolas destas e as nossas crianças tão pouco bem servidas de material escolar e académico.

Não, hoje não vou abordar nada que se possa definir como uma análise político ou social – apesar de que haverá muito para falar, nomeadamente, sob as polémicas com as inscrições dos partidos e coligações políticas para o pleito eleitoral do próximo dia 31 de Agosto; haveria, mas isso fica para os editores e excelentes jornalistas deste órgão de informação.

Hoje, se me permitem, vou abalroar a nossa substancial e anacrónica subserviência e dependência aos modernos meios tecnológicos.

Há muito que o meu portátil precisava de ser limpo, relimpo e de ter o algodão como prova da sua limpeza. Desde que o comprei, e já lá vão uns bons anos, que é a minha mão direita e esquerda e, por vezes e em alguns casos, até deixo que pense por mim, nomeadamente quanto à escolha de algumas palavras. É mais fácil, é mais rápido e menos pesado que aqueles calhamaços a que chamamos de dicionários. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 232 - 1º caderno, de hoje, página 23, 

27 junho 2012

Erros são aceitáveis, mas assim…


A confirmar-se uma notícia do portal Club-k (e que parece ter acontecido com outras organizações políticas) o Tribunal Constitucional tem de repensar nos técnicos que tem ou que lhe dispuseram.

Enganar uma meia dúzia de vezes ainda é aceitável – até porque cada partido/coligação concorrente terá de apresentar cerca de 15400 assinaturas/papeis – agora enganar-se em "6516" papéis em um só partido... é obra!

Isto só coloca em causa a transparência eleitoral que, por certo – deixem-me ser assim, um pouco – o Governo não quererá que aconteça.

Vamos aguardar e que tudo seja rapidamente resolvido para o TC poder informar quais os partidos/coligações que vão às eleições.

É que a continuar estas anomalias dificilmente os partidos/coligações estarão prontos para o pleito eleitoral de 31 de Agosto, para benefícios dos que já estão, naturalmente, instalados – e, mesmo assim, sem garantias…

24 junho 2012

Pululu no Pravda


De notar que o meu artigo sobre a "Paz no Mundo (com) Angola no meio", devidamente assinalado, já esteve no primeiro lugar dos mais procurados.


Também está aqui representado o artigo sobre a Grécia e as suas eleições anteriormente, tal como o precedente, publicado aqui.


Os artigos e os seus acessos no Pravda.ru (versão portuguesa):


Paz no Mundo...: http://port.pravda.ru/mundo/23-06-2012/33238-paz_mundo-0/


Eleições na Grécia...: http://port.pravda.ru/news/mundo/18-06-2012/33228-grecia_eleicoes-0/

21 junho 2012

A Paz no Mundo onde Angola está a meio…


De acordo com uma notícia da Rádio Deutsch Welle (RDW), citando o Instituto de Economia e Paz, o Índice de Paz Global (GPI) é liderado pela Islândia – como o país mais pacífico do Mundo (deve ser porque lá os políticos respondem criminalmente) – com a África subsahariana a deixar, pela primeira vez desde 2007, a cauda da tabela.

Ainda assim, e salvaguardando o facto de Moçambique estar entre os primeiros 50 países mais pacíficos – está na posição 48 – vemos que há outros países lusófonos que estão em relativa má posição.

São os casos de Angola  e Guiné-Bissau, colados como gémeos na posição 95. Já agora de referir que Brasil está em 83º, à frente dos EUA (88º) que, por sua vez, está atrás da Guiné-Equatorial (87º!!!!). Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-leste não estão contemplados nos 158 países analisados.

A posição de Angola permite extrapolar duas interpretações. Uns dirão que não é tão mau assim, porque há cerca de 190 países e estaremos mais ou menos a meio (se considerarmos que a Alemanha e Portugal ocupam, respectivamente, os lugares 15 e 16). Outros, talvez mais lúcidos, dirão que com os outros podemos bem e o que necessitamos é de mais solidariedade, menos insatisfação popular, mas redistribuição do capital e, “last but not least” que as promessas sejam cumpridas.

Como é possível haver quem diga que os prés (salários; vencimentos; ordenados) dos ex-militares (FAPLAs e FALAs) – desmobilizados pelos acordos de Paz de 1992 – estão ser pagos quando é o próprio Estado-Maior que reconhece, em comunicado, esse atraso.

Como é possível haver confrontos entre pessoas que só desejam verem cumpridos os seus direitos – reconhecidos pelo Estado Angolano – e as autoridades evocando não haver autorização de manifestações, esquecendo estas, o artº 47 da nossa Constituição.

Tal como não ajuda a imagem de Angola as constantes demolições de casas por motivos nunca cabalmente explicados quando uma das maiores promessas eleitorais do partido do poder não foi cumprida: a criação de um milhão de casas.

É certo que há promessas que só existem para eleitores ouvirem porque são difíceis de serem exequíveis. Mas, ainda assim, só possíveis algumas serem feitas – como foram, recordemos as novas centralidades – mas manda o bom senso que só se espolie as pessoas das suas casas depois de outras construídas. E não o que tem acontecido, nomeadamente, na Huíla.

Como recorda o padre Pio à jornalista Nádia Issufo da RDW “Apesar dos dez anos de paz em Angola, insatisfação popular é grande e pode dar lugar a revoltas”. Que isto sirva de bom conselheiro…

20 junho 2012

Nova manifestação de ex-militares em Luanda


Esta manhã, mais concretamente no fim da manhã, ocorreu mais uma manifestação – para não variar, uma não autorizada pelo GPL (se ainda fosse do partido maioritário, nem havia necessidade de se colocar a questão de legalidade, mas como não é…) – levada a efeito pelos antigos militares desmobilizados que continuam a aguardar o pagamento dos seus vencimentos, alguns dos quais, remontam a 1992!!!

Como não estava autorizado houve intervenção policial e de acordo com as notícias recebidas da capital da Kianda havia não só movimentações e algum atrito com os manifestantes como terá havido disparos.

Segundo parece tudo terá começado na Maianga (conforme se percebeu pelas várias informações rápidas e algumas com caris de séria preocupação que se leu na rede social facebook e depois confirmados em emails).

E a situação deve estar mais crítica do que se pode especular, para o correspondente da RTP em Luanda, Paulo Catarro, se ter referido ao assunto logo na abertura do programa noticioso “Repórter” da RTP-África...

Mas o que vale, é que nas suas palavras, e contrariando o que se diz e afirma no FB e os emails que tenho recebido, últimos dos quais há menos de 5 minutos, já está tudo bem e calmo.

Parece o habitual capachismo tuga a tudo o que cheire a Poder...

Não me parece que seja um bom indício em vésperas de eleições.

Tal como, desde logo não foi de bom senso o comunicado do Estado-Maior relativo a uma eventual presença de forças políticas junto daqueles ex-militares!

Há muito dinheiro nos cofres da Fazenda Pública. Logo é altura dos prés dos soldados, mesmo – e por isso mesmo – que seja desmobilizados, independentemente da sua origem partidárias – as duas antigas forças estão mobilizadas pelo mesmo objectivo – devem ser imediatamente liquidados.

Seria uma mais valia para a estabilidade necessária em vésperas de eleições!

Nota: algumas das informações que pode ver na página social do Facebook pode acolher aqui ou aqui ou, talvez um pouco mais tarde, aqui!