31 agosto 2012

As eleições angolanas no jornal Público


(páginas 2 e 3, da edição do Público, de hoje)

O matutico português Público, nas páginas 2 a 5, e na sequência de outros artigos elaborados durante a semana, concluem com uma abordagem geral às eleições angolanas que hoje se realizam.

No extenso e interessante artigo de Ana Gomes Ferreira é analisado segundo a Perspectiva de vários analistas, os possíveis efeitos pós-eleitorais e as eventuais consequências.

Um dos citados é este vosso escriba que, incorrectamente – e do facto, via email, já dei conta disso à autora –, sou citado como sendo Professor do ISCTE quando, na realidade, sou Investigador do CEA do ISCTE-IUL. A correcção pública fica aqui embora sem sequelas de maior.

Os restantes analistas citados são Alberto Colino Cafussa, politólogo, Fernando Pacheco, do Observatório Político e Social de Angola, e Alex Vines, do think tank Chatham House (Londres).

Neil Amstrong e a paz eleitoral

"No passado sábado, 25 de Agosto, faleceu, em Cincinnati, o primeiro Homem a pisar e saltar na Lua, Neil Amstrong, à época, comandante da nave espacial norte-americana Apolo 11.

Neil Amstrong teve, no momento em que deixou a sua marca no território lunar, teve uma frase que ainda perdura no tempo e que é um marco para a Paz mundial: um pequeno passo do Homem um passo gigantesco para a Humanidade.

Recordo que quando isto aconteceu, em 20 de Julho 1969, tinha eu quase 13 anos, ouvia, tal como todos os que estavam em terras angolanas, o desenrolar do maravilhoso acto pela rádio e, simultaneamente, acompanhava o desenvolvimento da transmissão no antigo Observatório privado e amador da Mulemba, que, á época, ficava a cerca de 4 quilómetros de Luanda, um pouco abaixo e frente á refinaria de Luanda.

Infelizmente, os nossos políticos não souberam – ou não quiseram – preservar um serviço reconhecido e acarinhado até pela própria NASA que via no Observatório um suporte e um apoio exemplara no continente africano.

E que tem Neil Amstrong a ver com o acto eleitoral que hoje, desde muito cedo, se verifica em Angola.

Tudo… e nada.

Tudo, porque Neil Amstrong com o seu humanitário e heróico feito provocou, na altura, um momento de Paz inigualável entre a comunidade internacional, mesmo que essa acção se devesse a uma corrida desenfreada entre os EUA e a antiga URSS pela conquista do espaço sideral, começada com a nave soviética Sputnik, e os seus intermitentes “pis”, a 4 de Outubro de 1957, provocando uma enorme dor de cabeça à então administração norte-americana e levando esta a decretar o desenvolvimento das actividades espaciais e recuperar o tempo perdido para os soviéticos.

Nada, porque Angola, apesar de poder hoje estar entre as principais Nações com actividade aeroespacial e poder ser uma fonte de apoio a estudantes africanos não soube, ou não quis, aproveitar o que um astrónomo amador e inventivo criou com tanto carinho e sem apoio do então governo provincial e da então metrópole.

E nada porque se há algo que o eleitorado angolano tem, é os pés bem assentes na terra, mais ainda, bem assentes na vermelha terra angolana. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, de hoje, edição 241, página 23

29 agosto 2012

Hoje fecha a campanha


Interessante a análise que hoje passa na TPA (Internacional) sobre as eleições Gerais com a presença de Walter Filipe e Sebastião Izata.


Apesar de não concordar com uma parte substancial das suas opiniões, talvez porque elas reflitam, de certa forma, mais a linha do partido do poder, ainda assim estão muito equilibrados nas suas análises, não deixando de dizer algumas verdades.

 De notar o equilíbrio – possível – nas análises aos partidos e coligações concorrentes por parte da realização do programa;

Transmissão do encerramento das duas forças políticas mais representativas (face a 2008) em Luanda (MPLA) e no Huambo (UNITA) onde se verificam evidentes disparidades organizacionais.

Enquanto em Luanda há festa e houve uma preocupação em saber coincidir os discursos com as emissões televisivas, já no Huambo e apesar de haver, tal como em Luanda, um número significativo de militantes presentes, salvo se o jornalista está num posto de reportagem externo ao comício, há um mutismo tal que mais parece um velório. Nem a chegada de Samakuva, a directoria da UNITA conseguiu saber coincidir com a transmissão televisiva, sob pena de o programa chegar ao fim e isso não ocorrer.

Os principais partidos oposicionistas já têm – ou deveriam ter – a obrigação de saberem estar, organizacionalmente, preparados para gerir tempos de antena.

Se não sabem, façam como o seu forte opositor, contratem especialistas para aprenderem a saber gerir comícios e imagem.

Não basta pedir votos se não sabem como conquistá-los.

Por isso não admira que, nestas como nas anteriores eleições, já se saiba quem, à partida, vai vencer o pleito eleitoral. Falta capacidade organizacional e marketing político às nossas forças políticas oposicionistas, nomeadamente, à UNITA.

O resultado é continuarem no limbo e verem o “vencedor” manter-se eternamente no Poder com a particularidade do “vencedor” até se dar ao luxo de se clamar de social-democrata mas ter atitudes mais próximas de democracia-cristã conservadora (como demonstraram os analistas durante o programa, principalmente nas análises económicas).

Os “vencidos” devem começar já a estudar a partir do dia 1 de Setembro como fazer para daqui a 5 anos poderem ombrear e lutar com as mesmas armas políticas com o “vencedor”.

Aproveitam, pois, o dia de amanhã de reflexão, para reflectir sobre e nos erros cometidos e depois não chorarem no leite derramado.

28 agosto 2012

70 anos, uma provecta idade para um angolano...


Comemora hoje 70 anos e prepara-se para estar, no mínimo, 35 anos sentado na suave cadeira da Cidade Alta.

E no dia do aniversário, não vá o diabo tecê-las, prefere inaugurar um hospital para os lados do Sambila; assim como assim, se houver alguma bitacaia/matacanha a atormentá-lo já lá está...

E até se compreende. Nestes últimos quinze dias Eduardo dos Santos palmilhou mais milhas e quilómetros aéreos e terrestres que em todo o ano. Foi ver inaugurações atrás de inaugurações, a maioria das quais, mais não foram que reinaugurações de obras já feitas e melhoradas ou requalificadas, como as de Catumbela e Lobito, ontem!


Ainda assim, muitos parabéns cidadão engº José Eduardo dos Santos.

Nota: as minhas desculpas, mas não fui a tempo de pedir ao cidadão Eduardo dos Santos, candidato à Presidência da República de Angola (candidato à sua própria sucessão), autorização para publicar a sua foto. Por esse facto, e mesmo sacada da Internet, está obliterada

24 agosto 2012

A crise do Lago Niassa - artigo

"Parece que é apanágio das organizações regionais necessitarem, de quando, em vez, terem uma crise interna para se tornarem credíveis ou mais críveis.

Creio que não existe nenhuma onde isso não tenha acontecido; pelo menos, nas mais conhecidas. Até nas de caraterísticas mais globais, como a ONU ou a OUA/UA.

Recordemos nas crises da Organização do Tratado de Varsóvia (vulgo, Pacto de Varsóvia) com as tentativas de “libertação política” da Hungria e da Checoslováquia abafadas pelo Exército Vermelho e seus aliados,

Ou a continuada crise político-militar que se mantém no seio da OTAN/NATO, entre a Grécia e a Turquia;

Já para não falar dos indisfarçáveis e inalterados litígios políticos-fronteiriços na América Latina…

Se no continente africano continuam a persistir demandas entre os Estados, nomeadamente, na região dos Grandes Lagos, no Corno de África e nos “dois Sudões”, já para não esquecer o que se vai passando no seio da CEDEAO, porque é que a SADC não haveria, também, ela, aparecer com indícios de um estranho – ou talvez não – e perigoso latente conflito no seu interior?

Uma curiosa disputa entre a Tanzânia e o Malawi sobre a delimitação fronteiriça do Lago Niassa.

Um interessante pleito que surge no momento em que Angola passa a presidência da SADC – e está em plena campanha eleitoral, ou algo semelhante – a Moçambique que, quer queira, quer não, é também ele parte muito interessada nesta contenda. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 240, de 24/Agosto/2012, página 23. (transcrito no portal do Jornal Pravda.ru)

Eleições angolanas 2012 - cartoon


Maravilhoso o cartune desta semana do Novo Jornal, edição 240, sobre os "anjinhos" que lutam pelo Poder, da autoria de Piçarra...