30 novembro 2012

Dança cancela temporada


(foto Kostadin Luchansky . CDC Angola)

Como é evidente, e o grupo nos diz pouco desfia as razões para tal, não sei as totais razões porque o grupo de dança angolano CDC decidiu cancelar a temporada que está quase a terminar.


Segundo uma nota da CDC–Companhia de Dança Contemporânea de Angola, o grupo que iria começar a temporada a 1 de Dezembro próximo – Dia Mundial da Luta contra o SIDA –, foi obrigado a cancelar a sua temporada por ter sido detectado, dois dias antes da estreia, “uma fenda grave numa das paredes principais do único teatro existente em Luanda, o Nacional Cine-Teatro (Chá de Caxinde), a qual, segundo a equipa de engenheiros que se deslocaram ao local, poderá ruir, originando o desabamento do tecto”.

Ainda assim, a CDC espera levar a cena o espectáculo previsto na temporada de 2013 que deverá iniciar-se no decorrer do primeiro trimestre.

É evidente que primeiro está a vida dos artistas e depois o espectáculo.

Mas, e o CDC que me desculpe, se houvesse vontade de todos – e quando digo todos, incluo, naturalmente, as autoridades e o Ministério da Cultura – de certeza que se encontraria outra sala de espectáculos que pudessem albergar a companhia de dança, talvez a mais representativa da dança angolana. Como, por exemplo, um salão de Congressos…

Há muito que se sabe que o nacional precisa de obras urgentes.

Há muito que se sabe que Luanda carece de uma sala própria para espectáculos como a dança ou o belle canto.

Que este cancelamento possa abrir, de vez, os olhos aos nossos governantes e, em particular, à minha patrícia lobitanga e Minsitra da Cultura; que bem sabe como nós gostamos de bons espectáculos!

24 novembro 2012

O novo faraó ou a afirmação de Hassan al-Banaâ?


Mohamed Morsi assumiu esta quinta-feira poderes que nem Mubarak tentou fazer: autodeclarou-se inimputável face aos juízes sendo que todas as normas por ele mandatadas não poderão ser revogadas pelas autoridades judiciárias.

Coloca-se, assim, acima do poder judicial, dado que, para e segundo ele, os seus decretos são inapeláveis. Recorde-se que, recentemente, demitiu o Procurador-geral da República que se mantinha desde a era Mubarak e substituiu-o por outro da sua confiança.

É a completa afirmação da vontade de Hassan al-Barraâ fundador dos Irmãos Muçulmanos (também reconhecidos como Irmandade Muçulmana) e a aprofundação da nova Constituição que está a ser criada pelos islamitas no parlamento (mesmo se sabendo que este está a ser investigado pelo tribunal Constitucional).

Os líderes da oposição propuseram que no dia de ontem houvesse "um milhão em marcha" contra o "novo faraó" e na Praça Tahrir algumas centenas de pessoas responderam ao apelo.

As sedes do partido de Morsi foram atacadas e incendiadas e a polícia chamada para conter os inúmeros protestos. Note-se, no entanto, que apoiantes de Morsi estão a fazer comícios a saudar as directrizes do presidente egípcio.

Mais um prédio que desabou em Angola…


Pensava-se que o desabamento do prédio do DNIC teria sido uma dolorosa lição para o futuro. Poderia pensar-se que sim, já que o Homem é fruto de uma sucessão de erros e triunfos que o moldam e que lhe permitem melhorar com o tempo.

Pois, só que a realidade mostra que um novo prédio desabou e com esta trágica situação, novas vítimas.

Desta vez foi um prédio em Malange, reconhecido pelo “Prédio da Diamang”, um edifício de 4 pisos que estava, supostamente, desabitado e a ser reabilitado para ser uma unidade hoteleira.

Supostamente porque numa das partes do mesmo ainda funcionava um salão de beleza no que não deixa de ser surpreendente dado que o referido edifício apresentava dar mostras de desabamento, conforme indicaram algumas testemunhas.

O resultado está nos diversos feridos e nas várias pessoas soterradas que já começaram a ser resgatadas, sendo que uma é vítima mortal.

Tal como com o DNIC e na linha do velho adágio de “depois de casa roubada trancas na porta” o governador provincial mandou demolir completamente o resto do edifício e rever todos os edifícios da cidade.

É, também isso aconteceu com o DNIC mas os prédios continuam a desabar em Angola…

23 novembro 2012

Os imperativos dos poderes maioritários

"É normal que uma classe ou organização partidária maioritária faça impor as suas ideias sem que, em regra, acolha as que emerjam da oposição, mesmo que isso provoque, por vezes, querelas tanto a níveis locais como nacionais. Na realidade mais não são que formas que as oposições têm para tentar reverter as posições imperativas dos poderes maioritários.

Mas quando estes poderes se assentam em dogmas religiosos para criar leis e impor Constituições, essas coacções, por norma, acabam por terminar menos bem. É o que está a acontecer na região da Conflitualidade, ou lato sensu, na Palestina (engloba esta, Gaza e Israel) onde está instituída dois poderes antagónicos e, cada qual e na sua zona, maioritários.

De um lado, um poder político-militar assente na salvaguarda da identidade étnica-cultural dominada por judeus e israelitas: Israel. Do outro, um poder mesclado de uma salvaguarda de uma identidade étnica-cultural, como Israel, com um assento num dogma religioso que tudo resguarda e dele ressalta a legitimidade para definir toda a política social e militar de extremistas.

No meio, um povo que, tal como os judeus – e por sinal primo destes (há quem defenda que é a 13ª tribo da Judeia) – anda errante há milhares de anos sem que lhes devolvam a Terra prometida; os palestinianos.

Recordemos que a Resolução 181/1947 da ONU além de não resolver a questão da Palestina, acabou por provocar a definitiva divisão da mesma entre judeus (Estado de Israel) e árabes (Palestina) – e Jordânia – deixando sem decisão a questão mais cadente, a da cidade de Jerusalém (do grego:Hierosolima; Almeida, 2003**), capital histórica dos dois contendores e religiosa das três principais religiões monoteístas: judaica, cristã e islâmica.

Na primeira oportunidade, Israel ocupou e declarou como sua a cidade santa de Jerusalém. Mandou aqui o poder maioritário instituído que, neste momento, é dos israelitas que impedem os palestinianos de assumirem como sua capital, Jerusalém. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 253, de 23/Nov./2012

22 novembro 2012

Na R.D.Congo o “M23” avança no Kivu Norte…


(Ontem como hoje as ocupações rebeldes continuam...; foto da Internet)

O movimento rebelde 23 de Março, reconhecido internacionalmente por “M23” ocupou, na passada terça-feira, a capital do Kivu Norte, Goma.

Onde estavam as forças das Nações Unidas (MONUSCO) que nada fizeram – e estão mandatadas para impedir a progressão dos rebeldes – permitindo a ocupação – nova ocupação, porque já o tinha sido em 1998, – da cidade de Goma.

Será que a ONU só serve para acusar os rebeldes de serem apoiados pelo Ruanda e Uganda, na linha do que também afirma Kinshasa e seus aliados ou para fazer aprovar, por unanimidade, uma resolução (Resolução 2976/21Nov2012) condenando e exigindo sanções aos rebeldes?

Vamos acolher como verídicas e sustentadas as informações tanto da R.D. do Congo como da ONU que, de facto, Ruanda está a apoiar e armar os rebeldes do M23 – com a particular anotação do facto  do M23 dizer que está a defender as populações locais das investidas dos rebeldes hutus da FDRL.

A confirmar-se tal facto, seria um enorme descrédito para as duas potências regionais (África do Sul e Angola) que têm participado na resolução dos conflitos dos Grandes Lagos e a celebração da força de um pequeníssimo estado como é o Ruanda apesar de ter o apoio – parece que inequívoco – do Uganda que, há muito, quer ser considerado como uma proto-potência regional na região em claro confronto com o Quénia.

Ora, no Quénia registam-se, ultimamente, vários confrontos entre quenianos e terceiros, nomeadamente, refugiados somalis e apoiantes dos rebeldes ugandeses do Exército de Resistência do Senhor, de Joseph Kony, que fazem pequenas surtidas no Quénia.

E, voltando ao M23 e á sua vontade de progredir até Kinshasa, não esquecer que o actual inquilino presidencial deve a sua presença no palácio da presidência à conquista militar feita pelo seu pai Joseph Kabila com o apoio de terceiros que, hoje, se limitam a criticar e a condenar as acções dos rebeldes e ver a agonia dos congoleses democráticos…

Será que estamos na presença do velho adágio, “quem com ferros mata…”.