30 janeiro 2019

Cooperação, solidariedade, sim, sempre! Mas… paguem!



Segundo as últimas notícias mais de 72,28% do petróleo de Angola vai para a China, sendo o principal exportador para este país, algo que já vem desde 2017, quando ultrapassámos a Rússia, sendo que a India, é o nosso segundo comprador (10% das exportações), seguidos de Portugal e África do Sul.


Mas nada disto me surpreende e por duas fortes (e interligadas) razões:

Amigos, solidários, prontos para a cooperação, mas… paguem!

É o que se pode chamar de, "os bons negócios de e com China” (NJ569); não esquecer que a dívida inclui empréstimos, serviço da dívida (juros) e, em alguns casos até obras que deveriam estar subordinadas aos tais empréstimos por cooperação, mas que surgem como fora destes e dívidas a empresas chinesas – a grande maioria, ou a quase totalidade, como são as grandes empresas chinesas, detidas, maioritariamente, pelo Estado chinês.

Acresce a estes factos que, de acordo com o presidente da Comissão Executiva da Sonangol Comercialização Internacional (SONACI), Luís Manuel, registou, no «quarto trimestre de 2018, um decréscimo de dois milhões de barris, “perdendo-se 512 milhões de dólares (445 milhões de euros) em exportações”» a que não serão alheias as, ainda, tensões políticas e económicas internacionais que envolvem os EUA, a China e o Irão, aliado à ascensão dos norte-americanos à categoria de grandes exportadores.

Com as boas práxis chinesas de “amizade, solidariedade e cooperação” é bom que os países africanos comecem a pensar duas vezes. Talvez fosse assim, ainda que com algumas – boas – reservas e condicionantes – antes de Xi Jiping. Com esse, primeiro a China, a sua economia e as políticas económica externa e diplomáticas chinesas visando um próximo – ainda que não declarado – estatuto de superpotência, como poderão ler na 2ª parte do meu artigo “A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019” cuja 1ª parte foi publicada no Novo Jornal, edição 569, de 25 de Janeiro de 2019.

Reproduzido no Jornal Folha 8, com o título «Solidários e Cooperantes, mas... paguem!» (https://jornalf8.net/2019/solidarios-e-cooperantes-mas-paguem/)

A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019 - 1ª parte




A primeira parte do ensaio acima e publicado no Novo Jornal, em 25 de Janeiro de 2019, edição, 569, página 35 (ou ver o artigo completo aqui)

30 dezembro 2018

Minha Actividade em Dezembro de 2018



Relação da minha actividade literária - e não só - no mês de Dezembro de 2018:

Intervenção directa:
“Ainda é cedo para termos a certeza do alcance das mudanças de João Lourenço” (in: Changing World / blog do CEI, em 07/12/2018);
O porquê de haver uma boa Marinha de Guerra (in: Vivências Press News, em 15/12/2018);
No adeus a 2018, que expectativas para 2019 (in: Vivências Press News, em 28/12/2018);

Citações de afirmações ou comentários meus:
Lisboa: MPLA e o 27 de Maio de 1977 são temas de Mestrado no ISCTE (citação e entrevista, decorrente da minha orientação para um Mestrado em Estudos Africanos, no ISCTE-IUL) (in: Vivências Press News, em 06/12/2018);
Angola – A New Politics of Memory? The President and the Ruling Party’s Dark Past texto da investigadora do CEI-IUL, Cláudia G. Almeida) – Citação ( in: Presidential Power, em 18/12/2018);
 As Presidenciais no Congo Democrático (análises de Raúl Braga Pires e Rui Newmann - citação aos +/- 13' 43'') (in: VOA Português, em 26/12/2018);


Obra literária (publicada no primeiro trimestre de 2018, mas só agora o recebido em 21/12/2018)


16 julho 2018

Os meus artigos no VPN no mês Junho de 2018



Relação dos meus artigos e análises publicados durante o mês de Junho no Vivências Press News (VPN):

(Porque hoje é o Dia Mundial da Criança, porque toas as Crianças têm direito a serem pássaros livres, divertidos e brincalhões sem se preocuparem com o futuro imediato, para terem tempo de aprender, sem terem de ser trabalhadoras cedo, e como recorda o professor Domingos da Cruz, num ensaio que hoje estará apresentar em Luanda,, […]);

(Depois de uma semana sabática devido a preparação e conclusão de conferências, mesas-redondas e aulas-abertas volto ao vosso convívio com 4 pontos a reter e a ter em conta em futuro próximo: O Presidente João Lourenço fez um périplo por terras francófonas (França e Bélgica) onde convidou os empresários destes países a investirem em Angola, […]);

(Fomos hoje acordados com uma notícia da portuguesa Agência LUSA – e que o Vivências faz eco e que, segundo o portal da secção africana da rádio Deutsche Welle (DW), terá ocorrido no passado dia 20 de Junho – de uma eventual tentativa de “subversão da ordem constitucional” em São Tomé e Príncipe (STP), em […]);

(A União Europeia, depois de uma longa noite de facas longas, criada, em particular, pelo novo governo conservador – será? – italiano e, com não menos impacto, pelos governos conservadores húngaro e austríaco, parece ter chegado a acordo quanto à questão das migrações – leia.se, refugiados e imigrantes – irregulares – leia-se, ilegais. Segundo o […])

Podem aceder a todos os meu artigos no Vivências Press News em: https://vivenciaspressnews.com/category/opiniao/eugenio-costa-almeida/

09 julho 2018

Estado da Nação: Investigador diz que dossiê económico é prioridade da visita de Costa a Angola


(foto ©RTP via MSN.com)

Análise/Entrevista concedida à jornalista Joana Hadeler, da Agência Lusa, no final da semana passada e hoje mais desenvolvida.
(parte desta entrevista, publicada no passado dia 5 pode ser lida, por exemplo, em: https://www.publico.pt/2018/07/05/politica/noticia/investigador-lusoangolano-diz-que-rio-foi-a-luanda-como-secretario-pessoal-de-costa-1836999 (jornal “Público”) )

O artigo «
Estado da Nação: Investigador diz que dossiê económico é prioridade da visita de Costa a Angola» da Jornalista Joana Hadeler, com áudio (link em baixo)
O investigador luso-angolano Eugénio Costa Almeida defendeu hoje que o dossiê económico, nomeadamente o tema da transferência de divisas dos trabalhadores para Portugal, deve ser um tema prioritário a abordar pelo primeiro-ministro, António Costa, na sua visita a Angola.
O investigador do ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa) considerou, em declarações à Lusa, que as relações entre Portugal e Angola “já estiveram muito mais frias do que agora, pelo menos em termos institucionais e governativos”. 
Por outro lado, o relacionamento entre os povos dois países “mantém-se normal e saudável”.
“Em termos gerais, as relações estão a melhorar”, disse, dando o exemplo de as autoridades angolanas já terem designado o novo embaixador em Lisboa, Carlos Alberto Fonseca, que deverá entregar as cartas credenciais ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na próxima quarta-feira.
O especialista em Angola comentava o atual panorama das relações entre Lisboa e Luanda e as perspetivas da viagem oficial do primeiro-ministro português a Angola, um tema que poderá ser abordado no debate do estado da nação, na próxima sexta-feira, na Assembleia da República.
A viagem “está a ser tratada com luvas de veludo”, considerou, referindo que “além das relações políticas e institucionais, há vários dossiês que têm de ser tratados”.
A facilitação das transferências de divisas dos expatriados portugueses em Angola é um dos temas prioritários, no entender de Eugénio Costa Almeida, que apontou como um dos entraves o facto de Luanda continuar a utilizar como moeda corrente o dólar, advogando que Lisboa pode ajudar aquele país africano a “ter acesso ao euro mais vantajoso”.
Por outro lado, a “normalização do pagamento das importações” é outro assunto pendente entre os dois países, mencionou, referindo que “Portugal não espera que Angola pague tudo de um dia para o outro, terá de ser de forma faseada”.
“O dossiê económico vai ser complicado e tem de ser abordado com ponderação e paciência”, disse.
Antes, Eugénio Costa Almeida comentara que, historicamente, o MPLA (partido no poder em Angola) tem melhores relações com o PSD português do que com o PS, apesar de ambos os partidos pertencerem à Internacional Socialista.
Em causa está, na sua opinião, apoios de setores do PS à UNITA, maior partido da oposição em Angola, durante a guerra, “um trauma que é difícil de ultrapassar”.
A visita de António Costa a Luanda está prevista para este ano, após ter sido sucessivamente protelada devido ao processo que corria na justiça portuguesa envolvendo o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente, e que as autoridades angolanas exigiam que fosse transferido para o seu país.
Da parte do Governo português, a intenção é que a deslocação de António Costa se realize ainda este verão, mas o Presidente angolano, João Lourenço, foi mais cauteloso, dizendo apenas que será certamente este ano e que ele visitará Portugal depois.
João Lourenço também garantiu que a visita não está dependente do processo que envolve o ex-vice-Presidente angolano Manuel Vicente, o que o Governo português tinha classificado como “um irritante” nas relações entre os dois países.
Questionado sobre se esta posição do executivo angolano respeita o princípio da separação de poderes, Eugénio Costa Almeida considerou que “a justiça e o poder político em Angola estão casados com comunhão de bens”, referindo que “Angola ainda não está suficientemente madura nessa separação”.
O chefe da diplomacia angolana, Manuel Augusto, estará hoje e terça-feira em Portugal, sendo recebido por Marcelo Rebelo de Sousa e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, sendo a preparação da visita de António Costa um dos temas do encontro dos dois governantes.  
A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola informou no final de junho ter recebido da congénere portuguesa, no dia 19 de junho, a certidão digital integral do processo envolvendo o ex-vice-Presidente angolano, mas indicou só com a receção em formato papel poderá continuar diligências.
O envio do processo de Manuel Vicente para as autoridades judiciárias angolanas resultou de uma decisão, em sede de recurso, do Tribunal da Relação de Lisboa.
O julgamento da Operação Fizz teve início em 22 de janeiro e assenta na acusação de que o ex-procurador Orlando Figueira recebeu 760 mil euros para arquivar processos de Manuel Vicente no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), um deles, o caso da empresa Portmill, relacionado com a aquisição em 2008 de um imóvel de luxo situado no Estoril.
JH (IEL/PD/PVJ/FC/CC/GC) // VM
Lusa/Fim