18 dezembro 2005

Excisão, até quando?

Até quando certas práticas ancestrais africanas - e, infelizmente, não só em África - vão continuar a persistir sob o olhar semi-complacente das autoridades civis, religiosas e sanitárias?
Até quando vai continuar a ser "autorizada" a excisão a crianças?
Ontem, na Guiné-Bissau, uma conseguiu ser salva, mas outra, uma prima, infelizmente não. ATÉ QUANDO?
Ou será que, como alguém acabou de afirmar, irá continuar a ser "aceite" que 6000 crianças, diariamente, sejam mutiladas em nome de um estúpido, imbecil e anacrónico hábito?

ADENDA: Sobre este assunto aceder a um apontamento do Agualisa5 onde está incluída uma interessante entrevista de um académico a quem autorizaram assistir a uma excisão na Guiné-Bissau.

8 comentários:

Brigida Rocha Brito disse...

E chocante, muito mesmo! Este é uma daquelas situações que me faz pensar: as diferenças culturais são infinitas, aliás como é sabido, e devem ser respeitadas porque a tradição e as práticas culturais caracterizam os povos e diferenciam-nos de todos os outros pela especificidade. MAS... aqui coloca-se a incontornável questão dos DIREITOS HUMANOS - ou melhor, da sua violação. Este é um tema difícil, Eugénio, e a maioria acaba por fechar os olhos sem o querer abordar... bjs

Upindi Pacatolo disse...

Kota fica difícil não dizer nada. no sábado,participei num seminário sobre multiculturalismo: a tentativa de Kymckla de concretizar a correlação do direito a igual dignidade vs direito a diferença.
esquecendo as discussões que tivemos na aula, há uma nota que pode ajudar o nosso debate: aqueles que têm a sorte de conviver em contextos multiculturais e onde esta realidade faz coabitar a igual dignidade com o direito a diferença, conquanto não atente contra o primeiro.
qual é o limite do direito a diferença? parece ser uma questão sem resposta feita. O razoável é olhar para a circunstancia concreta e encontrar caminho.
Posto isso: o plano da moralidade é tudo menos objectivo.como qualificar a excisão? como esperamos contribuir para um debate aberto quando a nossa posição exclui ou suscita reacções inesperadas, porque cataloga ou condena uma prática sem a julgar?
É óbvio que é preciso fazer alguma coisa para evitar os excessos de todos: a excisão reveste-se de uma importância cultural forte na transmissão de alguns valores culturais. será que os valores que ela transmite não estão acima do acto de excisão? Penso e acredito que sim. então o desafio passa por uma estratégia que permite manter e salvar o valor, mas rejeita o acto da excisão porque clinicamente, sanitariamente, sexualmente... com consequências nefastas. agora debate moral é mais complicado.
sem esse cuidado e separação... penso que a nossa boa vontade e o nosso "humanitarianismo" podem ter resultados piores do que aquilo que pretendemos combater...
ndanda!
Pacatolo

IO disse...

SE existes, CPLP, pensa nas tuas crianças, DEFENDE-AS!!

L. disse...

Quando, a pretexto de tradição, se mutila quem não tem defesa, é hora de não permitir que isso aconteça, com toda a força que o nosso sentir tem.
Quando, com este acto bárbaro, a que se chama cultura, se pretende perpetuar o domínio do homem sobre a mulher,porque é disto que se trata, é hora de dizer basta.
Com que direito se mutila uma criança?
Encontro, nas sociedades tradicionais africanas, valores superiores aos das sociedades ocidentais, nalguns domínios.
Mas jamais me encontrarão a favor desta barbárie que só contribui para dar razão aos inimigos dos povos de África.

Piti disse...

Como diz o upindi pacatolo, até onde vai o direito à diferença? Por mim, julgo que vai até onde vai o direito à liberdade: a minha termina onde começa a de outrem. O que, na questão da excisão, não é de todo aceitável, seja a que título for. E se queremos estar de bem com as nossas consciências, temos que combatê-la todos os dias, sempre, onde o pudermos fazer.
Já agora, a excisão não é a única "tradição" africana estúpida com que é preciso acabar.. Há também que ter a coragem para desmascarar e combater todas as outras.

E-clair disse...

"a excisão reveste-se de uma importância cultural forte na transmissão de alguns valores culturais. será que os valores que ela transmite não estão acima do acto de excisão? Penso e acredito que sim."

Fabulosos valores... A mutilação do acesso ao prazer já seria suficiente para uma TOTAL condenação desta prática mas o que se mutila é mais do que isso: a mulher é um mero pedaço de carne a ser cortado, cosido e descosido! Serve como receptáculo de desejo, para parir e para trabalhar. E são muitas vezes as próprias mulheres que asseguram que assim seja!
A excisão é de um anacronismo brutal mas os "valores" que a animam estão infelizmente ainda vivos um pouco por todo o lado.

Anónimo disse...

Não sou a favor da excisão, mas é necessário que as pessoas compreendam que existem hábitos que não se mudam do dia para a noite... por isso acho errado chamar estúpidez aos hábitos dos outros.
Wana

Anónimo disse...

pois... eu subscrevo td o k j dixeram... n sei pk, uma sociedad k s diz tao evoluida e dpx ha casos destes..1a vergnh p td o mundo. o pior e sabr k n e crime em mt lado tal "tradiçao". tantx tradiçoes s perdem e xta k s dvia perder xta long d fim...
XOCANTE