05 dezembro 2019
Mazuí - apresentação do meu novo livro
Esta quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019 vai ser apresentado - lançamento - o meu novo livro que, +e o primeiro que não é ensaio. É, essencialmente, de poesia e também contém contos.
O lançamento, com apresentação de Delmar Maia Gonçalves, que o prefaciou, será na Casa de Angola, Lisboa, pelas 18,30 horas (Trav. Fábrica das Sedas, nº 7, perto do Rato).
Espero-vos por lá, quem por lá puder passar.
06 setembro 2019
Robert Mugade is dead!
Segundo um tweet do Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, o antigo presidente, Robert Mugabe, faleceu hoje,
aos 95 anos (Kutama, 21 de Fevereiro de 1924 – Singapura,
6 de Setembro de 2019), num hospital de Singapura. Segundo esse tweet, Mnangagwa afirma
que “Mugabe era um ícone da
libertação, um pan-africanista que dedicou a sua vida à emancipação e
empoderamento do seu povo. A sua contribuição para a história da nossa nação e
continente nunca será esquecida. Que a sua alma descanse em paz eterna”.
Sobre este assunto acabei de dar uma entrevista/análise à RFI - Radio France
Internationale
Morreu um homem que começou por ser um Libertador e um dos Pais de
Zimbabwe -Joshua Nkomo, da ZAPU, e, de certa
forma e à sua maneira, o bispo Abel Muzorewa, foram os pais do fim do regime de
apartheid que vigorava desde a auto-proclamação da independência da Rodésia – e
acabou como um senil déspota e ditador que levou o País à miséria e ao
descalabro.
Reconheça-se que Mugabe foi um impulsionador das lutas
de libertação na África Austral, nomeadamente, no apoio que deu ao ANC, da África
do Sul; País que hoje vive um difícil período de crises sociais e políticas com
ataques xenófobos a imigrantes, nomeadamente, nigerianos e moçambicanos, mas
que, também, e em situações similares às actuais e pelas mesmas razões, chegou
a atacar pessoas e interesses zimbabweanos e moçambicanos. A História é sempre
rapidamente esquecida, quando os interesses pessoais são postos em causa…
De qualquer forma as minhas condolências ao Povo Zimbabweano
pela morte do seu antigo estadista!
23 março 2019
O mútuo direito à indignação
José Filipe Rodrigues manifestou, num artigo de opinião, no Jornal Folha 8, a sua revolta social – e pessoal, enquanto terapeuta pediatra e psiquiatra (ao contrário do que alguns alvoram parece que não existe a especialidade de pedo-psiquiatra) - por causa de uma fotografia onde a vice-presidente do MPLA, Luisa Damião, aparece com a criança órfã da "mortalizada" zungueira, Julia Cafrique, por uma bala policial (https://jornalf8.net/2019/a-luisa-damiao-e-nojenta/).
Um artigo que teve, como é normal num Estado de Direito e em qualquer órgão de comunicação responsável o direito ao contraditório.
Luisa Damião, presumo, num direito de resposta que lhe assiste e através do Departamento de Informação e Propaganda do Comité Central do MPLA, fez emitir uma “Nota de Repúdio ao Jornal Folha 8 on line”. É um direito que todos os que se sintam visados ou tocados podem e devem recorrer. Nessa nota o DIP exige - provavelmente não terá lido o visado texto na íntegra - que «a redacção do Folha 8, que se retrate formalmente pelo facto ocorrido, recorrendo aos princípios éticos e deontológicos que regem o exercício de um jornalismo responsável» porque se tivesse lido, veria que era um artigo de opinião e, como em todos os órgãos de informação, só responsabiliza quem o escreve e, salvo melhor opinião do Direito Penal angolano, o Director do referido órgão (https://jornalf8.net/2019/direito-de-resposta-do-mpla/).
Este direito de resposta teve um respectivo novo contraditório do analista que sublinhou o seu repúdio pelo acto da vice-presidente do MPLA invocando que, e cito, um eventual falta de «respeito pelo Direitos das Crianças, pela confidencialidade e pelo luto [não demonstrado] pelo órfão e pela Juliana Cafrique» (https://jornalf8.net/2019/direito-a-indignacao-nao-e-propriedade-do-mpla/).
Louve-se as duas partes por terem usado de uma prerrogativa que só existe em Estados de Direito: o direito à crítica, num artigo de opinião, o direito de resposta da criticada - presumo - por via de um seu DIP (em vez do serviço jurídico, estranho) e, finalmente, a responsabilidade do editor online do Jornal Folha 8 na publicação dos três factos.
Pessoalmente, me parece que um recato de Luisa Damião - e depois de tantas pessoas, quer através da forma como se manifestaram no local, quer depois nas páginas sociais - teria sido o mais aconselhável. Acredito que, como mãe, presumo que seja, tenha sentido a necessidade de apoiar a criança órfã. Creio que todas as mulheres ter~o tido essa vontade. Mas como política e com um
alto cargo num partido político que governa o País há muitos anos, penso que o melhor - e não me recordo que outros partidos ou dirigentes tenham caído nessa rasteira politica - teria sido manter um recato. Poderia fazê-lo, mas sempre fora dos holofotes da opinião pública.
Ao fazê-lo, expôs-se. E expôs-se à crítica!
09 março 2019
Visita de Marcelo a Angola em análise para Sputnik
(Imagem via Internet/Google)
Relativo à visita do presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, a Angola, a minha quota parte de análise para o portal da Sputnik Brasil:
Uma das citações da minha entrevista/análise:
«"Atualmente, Angola está numa situação muito melhor. A atitude do presidente João Lourenço é a de uma maior aproximação. Do lado de Portugal, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa é uma pessoa mais generosa, mais aberta. Isso permite que as relações entre os Estados acabem por ter um aquecimento", diz à Sputnik Brasil o pesquisador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa, Eugénio Costa Almeida.»
O artigo pode ser lido, na íntegra, aqui
08 março 2019
Eu, Angola, Cabinda e FLEC na RDP-África
Hoje, 1 de Março, estive em directo para a RDP Africa a falar sobre #Cabinda e o comunicado "de guerra" da FAC, da Cabinda Flec.
A minha participação pode ser ouvida aqui
13 fevereiro 2019
Participações como académico e analista na semana de 5 a 11 de Feverereiro
Para conhecimento as
minhas recentes participações, que, na maioria, ocorreram neste passado
fim-de-semana, de 8 a 10 de Fevereiro:
Jornais:
- Novo Jornal, edição 571: A segunda parte e última parte do meu ensaio «A
Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se
2019», publicada em 8 de Fevereiro (em anexo, também o pdf da primeira
parte) - falta o acesso à segunda parte no portal do Novo Jornal, mas tal
como na primeira, só será um pequeno trecho;
- Vanguarda, edição 105, de 8.Fev.2019, uma analise sobre a visita de
Tshisekedi a Luanda (este jornal não coloca no site as análises de
convidados, mas, além do pdf, podem aceder a este acesso: https://www.elcalmeida.net/File_pdfs/V105_20190208_Tshisekdi%20em%20Luanda_Analise.pdf
)
Sites/portais:
- Rádio Deutsche Welle: análise sobre a visita do presidente italiano a Angola
«Angola: "Gastamos muito dinheiro com as forças armadas", diz
analista», ocorrida em 8.Fev.2019: https://www.dw.com/pt-002/8-de-fevereiro-de-2019-manhã/av-47421928
- Vivências Press News: Participação semanal com uma Reflexão
«Reflexões 3: Da Cooperação italo-angolana, Bancos nacionais, União
africana e outros» https://vivenciaspressnews.com/reflexoes-3-da-cooperacao-italo-angolana-bancos-nacionais-uniao-africana-e-outros/
- ANGOP: citação após entrevista escrita sobre a CPLP e Fernando
Pessoa, como título «Portugal: Escolha da CPLP a favor de Fernando Pessoa
sem consenso»: http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2019/1/6/Portugal-Angolanos-reprovam-escolha-CPLP-favor-Fernando-Pessoa,ef6bf2d4-1b1b-460e-92a4-afd47c55dd0b.html
(Esta notícia teve reprodução e análise no
jornal O País (Angola), de 11 de Fevereirio de 2019- ver pdf, no
portal Expresso das Ilhas (Cabo Verde), de 11.Fev.2019 https://expressodasilhas.cv/cultura/2019/02/11/intelectuais-angolanos-contra-a-escolha-de-fernando-pessoa-para-patrono-de-projecto-da-cplp/62305 e no portal do Jornal Folha 8(Angola),de
10.Fev.2019, com citação e análise: https://jornalf8.net/2019/fernando-pessoa-nao-que-tal-agostinho-neto/
30 janeiro 2019
Cooperação, solidariedade, sim, sempre! Mas… paguem!
Segundo
as últimas notícias mais de 72,28% do petróleo de Angola vai para a China,
sendo o principal exportador para este país, algo que já vem desde 2017, quando
ultrapassámos a Rússia, sendo que a India,
é o nosso segundo comprador (10% das exportações), seguidos de Portugal e África
do Sul.
Mas
nada disto me surpreende e por duas fortes (e interligadas) razões:
- 1) temos uma colossal – a palavra é esta mesmo – dívida para com a China. Segundo uns, anda na roda dos 23 mil milhões de dólares (valores de Setembro de 2018 e segundo o Ministro Archer Mangueira), e de acordo com outras expectativas, andarão muito próximo ou mesmo acima dos 30 mil milhões de dólares (talvez o mais real, depois dos novos empréstimos chineses que ocorreram após aquela data); algo que é difícil de quantificar até mesmo pelo FMI.
- 2) o Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2019 foi elaborado tendo por base o crude a 68 dólares o barril. Como se sabe, actualmente, e desde há muito tempo, que o crude anda pelos 50 a 55 dólares/o barril (há momentos, a cotação, em tempo real, estava nos 54,81 USD/barril (compra) e 54,79 USD/barril (venda) ). Já na altura a Oposição – sim, de vez em quando ela dá um ar da sua graça – afirmava que o OGE estava eivada de fraude ou "embuste" e "nada transparente", pelo que o objectivo de crescer 2,4% este ano começa a ser demasiado optimista no que já se considera viável haver necessidade de uma possível revisão do OGE, talvez no final deste trimestre, caso os valores do petróleo se mantenham.
- Ora com o petróleo tão baixo, é natural que, para fazer face à dívida e a poder amortizar teremos de entregar mais petróleo aos chineses.
Amigos,
solidários, prontos para a cooperação, mas… paguem!
É
o que se pode chamar de, "os bons
negócios de e com China” (NJ569); não esquecer que a dívida inclui empréstimos,
serviço da dívida (juros) e, em alguns casos até obras que deveriam estar
subordinadas aos tais empréstimos por cooperação, mas que surgem como fora
destes e dívidas a empresas chinesas – a grande maioria, ou a quase
totalidade, como são as grandes empresas chinesas, detidas, maioritariamente,
pelo Estado chinês.
Acresce a estes factos
que, de acordo com o presidente da
Comissão Executiva da Sonangol Comercialização Internacional (SONACI), Luís
Manuel, registou, no «quarto
trimestre de 2018, um decréscimo de dois milhões de barris, “perdendo-se 512
milhões de dólares (445 milhões de euros) em exportações”» a que não serão alheias as, ainda, tensões políticas
e económicas internacionais que envolvem os EUA, a China e o Irão, aliado à
ascensão dos norte-americanos à categoria de grandes exportadores.
Com as boas práxis chinesas de “amizade,
solidariedade e cooperação” é bom que os países africanos comecem a pensar duas
vezes. Talvez fosse assim, ainda que com algumas – boas – reservas e
condicionantes – antes de Xi Jiping. Com esse, primeiro a China, a sua economia
e as políticas económica externa e diplomáticas chinesas visando um próximo –
ainda que não declarado – estatuto de superpotência, como poderão ler na 2ª
parte do meu artigo “A
Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019” cuja 1ª
parte foi publicada no Novo Jornal, edição 569, de 25 de Janeiro de 2019.
Reproduzido no Jornal Folha 8, com o título «Solidários e Cooperantes, mas... paguem!» (https://jornalf8.net/2019/solidarios-e-cooperantes-mas-paguem/)
Reproduzido no Jornal Folha 8, com o título «Solidários e Cooperantes, mas... paguem!» (https://jornalf8.net/2019/solidarios-e-cooperantes-mas-paguem/)
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