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31 janeiro 2018

Para onde caminhas Guiné-Bissau?

(Carro da polícia bloqueia uma das artérias de Bissau; ©DW/Braima Darame)


Amanhã, 1 de Fevereiro de 2018, poderá ser o “dia D” para a política Bissau-guineense.

Ou a nomeação de um primeiro-ministro é formalmente aceite por todos, partido políticos, organizações internacionais e CEDEAO ou o pais entra numa perigosa espiral que poderá levar a uma de duas situações:
  • 1.ser totalmente ostracizado pela comunidade internacional e seus políticos (por extensão, o País) serem sancionados pela CEDEAO, CPLP, União Europeia e Nações Unidas, na linha do que a organizações regional já o solicitou para o apoio a uma "aplicação eficaz das sanções";
  • 2.   ou o País entra, definitivamente, no clube dos “Estados Falhados” com todas as consequências que daí podem advir; por exemplo, ser “tutelado” – e essa vontade já vem de antanho – pelo Senegal!

Apesar do Presidente José Maria Vaz “JOMAV” ter nomeado um novo primeiro-ministro, o embaixador e antigo MNE, Artur Silva, a realidade é que a política interna está muito adoentada ao ponto de, ontem, a polícia ter invadido a sede do PAIGC e expulso os congressistas com meios que não se compreendem nem numa ditadura, quanto mais numa suposta democracia conforme hoje foi transmitido na RTP-Africa e fotos colocadas por João Carlos Gomes, no Facebook.

Ora esta anómala situação – até porque não se compreende porque o Congresso foi impedido, pelo Tribunal, de se realizar, se  o 15 proscritos” já terão sido reintegrados no partido criado por Amílcar Cabral, conforme ouvi, ontem, numa reportagem televisiva –,já mereceu críticas de ONG questão  envolvidas no processo de consolidação de paz na Guiné-Bissau, "P5", pedem respeito pela lei e direito à liberdade de reunião e de participação política.

Acresce que a #CEDEAO já fez saber que mantinha a intenção de levar por diante as sanções a dirigentes políticos Bissau-guineenses se não fosse indigitado um primeiro-ministro iaté ontem e de consenso, conforme o estabelecido nos Acordos de Conacri. Ora, do que já li e ouvi, o novo primeiro-ministro não parece gozar desse consenso, pelo que é expectável que amanhã a CEDEAO comece a impor sansões ao já debilitado país da CPLP.

Até porque o PAIGC, continua a exigir que o primeiro-ministro seja o seu dirigente Augusto Olivais, proposto no âmbito do Acordo de Conacri, e que parece ter tido o acordo da CEDEAO,

Ora sabendo que a CEDEAO, como foi referido logo no início, terá solicitado à União Africana, à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – e aqui, Angola e João Lourenço poderão ter um pepel importante dada a aproximação que, ancestralmente, têm com o PAIGC e, agora, parece, com JOMAV –, à União Europeia e às Nações Unidas para apoiarem uma "aplicação eficaz das sanções", aguardemos por o dia de amanhã ou por algum comunicado que a CEDEAO hoje possa emitir a confirmar a aceitação ou não de Artur Silva!

Até lá, “Quo Vadis Guiné-Bissau”?!

12 maio 2016

Guiné-Bissau e JOMAV demite Governo... Et continuum!...

O Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz (vulgo JOMAV), demitiu, hoje, o Governo do Primeiro-ministro Carlos Correia, proposto pelo PAIGC, após a demissão – também por despacho presidencial, – do anterior primeiro-ministro Domingos Simões Pereira.

Não esquecer que no “intervalo” houve um Governo de iniciativa presidencial, liderado por Baciro Djá, que não subsistiu, pelo facto da sua nomeação ter sido considerada inconstitucional.

O decreto presidencial que "despacha" Carlos Correia, nº 1/2006, alega várias razões para a demissão do segundo governo constitucional do PAIGC, vencedor das eleições legislativas de Abril de 2014.

Recorde-se que na alocução de ontem à Nação, JOMAV dizia ter garantido uma opção “que obrigue os actores políticos a encontrarem uma solução governativa no quadro parlamentar resultante das últimas eleições legislativas”; ainda assim, demitiu o Governo.

O que é que o presidente deseja com esta demissão, entrar numa via de continuidade instável?


Depois deste virá outro que, ou não terá aval de JOMAV - as disputas pessoais e políticas com o seu partido de origem parecem indicar esta possível posição presidencial - ou não terá apoio da Assembleia Nacional porque continuará em discussão a presença dos "proscritos do PAIGC" apoiados pelos STJ e ilegalizados pelo Regulamento da AN que foi aprovado por todos e ratificado pelo STJ, enquanto Tribunal Constitucional!
 

Mas, ainda assim, e apesar do decreto que demite Carlos Correia, o presidente Vaz ainda que reconhecendo que o actual ambiente político-institucional é “de crispação e forte clivagem social”, não deiva de encorajar o “actual primeiro-ministro a encetar diligências no sentido de estabelecer compromissos e operar uma remodelação profunda do Governo, por forma a permitir que este tenha o apoio maioritário do Parlamento e garantir a estabilidade governativa até ao fim da legislatura”.

Em que ficamos?

Aguardemos os próximos capítulos e, talvez, JOMAV compreenda que a solução passará por convocar eleições antecipadas!

28 agosto 2015

Quem deseja fazer da Guiné-Bissau um Estado-falhado? (artigo - nº 50)

"Nota: quando este texto foi escrito, ainda não era do conhecimento público o que se teria passado na Assembleia Nacional da Guiné-Bissau, pelas razões abaixo evocadas. O que se sabe é que, apesar de manifestações e apelos contrários o indigitado Primeiro-ministro já terá nomeado alguns membros do seu gabinete!

Há umas semanas que o país de Amílcar Cabral está em crise político-governativa – diga-se, nada que não seja habitual, só que, desta, vez interpares – devido a duas supostas desconvergência: de um lado o Presidente da República (PR) José Mário Vaz, vulgo Jomav (do PAIGC), não se entendia com a governação do seu Primeiro-ministro (PM), Domingos Simões Pereira (do PAIGC); outra razão, esta evocada pelo PR, o de haver um mútuo conflito de personalidades ou incompatibilidades de personalidades.

Bom, que se entenda haver divergências quanto à governação, é perfeitamente natural em regimes semi-presidencialistas, principalmente se forem de convicções políticas diferentes – o que, diga-se, não era o caso, já que ambos vêm do mesmo parido, o PAIGC – ou devido a personalidades diferenciadas.

Mas eventuais conflitos pessoais ou incompatibilidades de personalidades por razões de desencontros de caracter serem fundamentos para destituir um Governo que, tudo parecia indicar e a comunidade internacional o atestava, andava a conseguir apresentar uma governação sustentável e credível, parece não dar como certas, de jeito algum, as justificações presidenciais.

Como fica a imagem do PR e, por extensão da Guiné-Bissau? (...)" (continuar a ler aqui e, agora, também aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 395, de 28.Agosto.2015, 1º caderno, página 18

02 junho 2015

Angola e o actual ordenado mínimo


Segundo um artigo do Semanário Angolense, assinado por N. Talapaxi S., nas páginas 12 e 13, Angola tem (ou terá, pelo menos, em teoria) o 3º maior vencimento médio da SADC, apesar do nosso ordenado mínimo estar nos 15.003,00 Kwanzas.

Todavia o nosso vencimento médio está entre os 15.003,00 Kz e os 22.504,50 Kz  (cerca de 202,00 USD) onde só somos ultrapassados pelo Botswana (cerca de 229,83 USD), e da África do Sul (213,41 USD). de notar, sublinha o jornalista, que as ilhas Seychelles não estão reflectidas nos gráficos da SADC, o que, dado o seu elevado PIB poderá estar à nossa frente, ou, talvez, superar e encimar a lista, dado que alguns especialistas sugerem que o vencimento médio dos seychellinos deverá rondar os 400,00 USD. Recorde-se que as Seychelles têm um rendimento per capita de mais de 25.000,00 dólares, tornando este Estado africano como um dos mais ricos do Mundo.

Também a Namíbia (tal como o Zimbabwe) não disponibilizou qualquer informação, em parte devido à liberdade de salário. Mas, segundo o articulista, o vencimento médio dos namibianos, após descontos, no mês de Março, andavam pelos cerca de 650,00 USD.

Já agora, Cabo Verde apresenta um vencimento médio de cerca de 153,75 USD; Guiné-Bissau de cerca de 73,41 USD; e São Tomé e Príncipe cerca de 70,00 USD.

NOTA Complementar: Não se deve esquecer que, apesar destes valores, isto corresponde a menos de 1 USD/dia para (sobre)viverem os angolanos - segundo parâmetros internacionais, significa elevada pobreza -, principalmente para os que vivem numa das cidades mais caras do Mundo!

20 maio 2014

JOMAV o novo presidente da Guiné-Bissau

De acordo com os resultados provisórios anunciados pelo presidente da Comissão Nacional de Eleições,Augusto Mendes, o candidato José Mário Vaz (JOMAV), apoiado pelo PAIGC, venceu a 2ª volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau, realizadas no passado domingo, obtendo 61,9% dos votos, enquanto o candidato Nuno Gomes Nabian, independente apoiado pelo falecido antigo presidente Kumba Yalá (e do PRS, bem como, segundo algumas fontes locais, também conotado com os militares autores do golpe de Estado de 2012), só recolheu 38,1%.

Dos cerca de 800 mil eleitores Bissau-guineenses recenseados, JOMAV, de 57 anos, conseguiu 364.394 votos enquanto Nabian obtinha 224.089 votos. A abstenção subiu em comparação com a primeira volta das presidenciais e legislativas, passando de 10,71% para 21,79%.

De recordar que na primeira volta (13 de Abril, mesma data das legislativas) o candidato já tinha obtido cerca de 40% dos votos, enquanto o PAIGC conquistava a maioria absoluta nas eleições legislativas; o PAIGC faz, assim, o pleno, ou seja, Governo e Presidência.

O novo Presidente eleito venceu em 22 dos 29 círculos eleitorais da Guiné-Bissau; sendo que a nível regional, Nabian só conquistou votos maioritários nas regiões de Tombali (sul) e Oio (centro), enquanto Vaz vencia nas restantes sete regiões (Bissau, Quinara, Biombo, Bolama, Bafatá, Gabú e Cacheu) e na diáspora.

Especulava-se que havia alguma tensão em Bissau pelo – parecia – atraso na divulgação dos resultados – inicialmente previstos para ontem ou hoje de manhã – a que se juntava as análises, um pouco tensas, dos senegaleses. Parecia que estes apostavam em Nabiam em detrimento de Vaz, dado este ser mais próximo de Angola e dos separatistas do MFDC de Casamance, o que não seria bem acolhido pelo presidente Macky Sall.

Ainda assim, o embaixador do Senegal, em Bissau, general Abdoulaye Dieng – um general!! -, espera que do candidato vencedor assevere que a secular relação entre os dois países mantenham preservadas.

Acresce que o EMGFA, assinado pelo próprio CEMGFA, António Indjai – o líder golpista de 12 de Abril de 2012 – emitiu um comunicado apelando à calma, manifestando respeito pelas regras democráticas (que os próprios violaram e de que maneira!!!) e declarando submissão dos militares ao poder político. Como escreve Aly, descobriram a roda…

Ou seja, a própria CPLP – um organismo cada vez mais esconso e subalternizado à CEDEAO, pelo menos na Guiné-Bissau – está sentadinha a aguardar novos desenvolvimentos da habitual roda giratória Bissau-guineense: hoje, política e democracia civil, amanhã, golpe militar… E tudo via governo português

NOTA COMPLMENTAR: Nabiam depois de ter afirmado, durante a campanha, que aceitaria quaisquer que fossem os resultados, agora vem contestá-los e diz ir impugná-los! Tudo normal na vida política Bissau-guineense...

13 abril 2014

Eleições na Guiné-Bissau

Hoje há eleições legislativas e presidenciais na Guiné-Bissau.

O Alto-representante da ONU para a “estabilização política” da Guiné-Bissau, senhor Ramos-Horta, há pouco tempo, não deixou de aconselhar que todos aceitem o veredicto das urnas e do vencedor chamar todos ao Governo para que o resultado seja um executivo forte e unido na persecução de uma boa-governação.

Ou seja, e por outras palavras, e a interpretação é minha, aconselhou aos partidos que se unissem para evitarem que os militares voltem a fazer das suas e se arrumem, uma vez mais, no Poder (até porque agora não há desculpa que os militares angolanos – Missão de Cooperação Militar de Angola na Guiné Bissau (MISSANG) – estão no país para o dominar…).

São candidatos à presidência os seguintes pretendentes:
1- Arregado Mantenque Te (PT)
2- Abel Incada (PRS)
3- Paulo Gomes (Independente)
4- Jose Mario Vaz (PAIGC)
5-  Ibrahima Sorry Djalo (PRN)
6- Jorge Malu (Independente)
7- Afonse Te (PRID)
8- Nuno Gomes Na Bian (Independente – apoiado pelo fantasma de Koumba Yalá)
9- Helder Lopes Vaz (RGB-MB)
10-  Iaia Djalo (PND)
11- Domingos Quade (Independente)
12- Cirilo de Oliveira,Partido Socialista (PS)
13- Luis Nancassa (Independente)

Às legislativas candidatam-se os partidos:
  1. Frente Democrática Social (FDC)
  2. Manifesto do Povo (MP)
  3. Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC)
  4. Partido da Convergência Democrática, PCD
  5. Partido da Nova Democracia (PND)
  6. Partido Republicano da Independência para o Desenvolvimento (PRID)
  7. Partido da Reconciliação Nacional, PRN
  8. Partido da Renovação Social (PRS)
  9. Partido Social Democrata (PSD)
  10. Partido Socialista da Guiné-Bissau (PSGB)
  11. Partido dos Trabalhadores (PT)
  12. Partido Unido Social Democracia (PUSD)
  13. Resistência da Guiné-Bissau (RGB/Movimento Bâ-Fata)
  14. União para a Mudança (UM)
  15. União Patriótica Guineense (UPG)

Vamos aguardar que o acto seja o mais calmo, sensato e o resultado o mais democraticamente aceite.


E sem fantasmas, de preferência…

10 maio 2013

O FMI, a ONU e a Guiné-Bissau


“O crescimento económico deverá se recuperar em 2013, depois de uma situação muito difícil em 2012, marcado por uma forte queda nos volumes de exportação de castanha de caju e dos preços, bem como uma queda no apoio dos parceiros de desenvolvimento. A recuperação das exportações de caju e do apoio orçamental continuado dos parceiros regionais deve ajudar o produto interno bruto (PIB) para um aumento real de cerca de 3,5 por cento em 2013. No entanto, um atraso na campanha de exportação do caju, associada a algumas restrições de financiamento, representa um risco de queda” (assim reza parte do relatório do FMI, elaborado por Mauricio Villafuerte, sobre a recente visita à Guiné-Bissau, ao abrigo do Artigo IV - http://appablog.wordpress.com/2013/05/10/imf-concludes-article-iv-mission-to-guinea-bissau/);

Já a ONU, através do seu secretário-geral, Ban Ki-Moon, sugere que a missão da organização na Guiné-Bissau seja prolongada, bem como propõe a abertura de delegações regionais e o envio de um segundo representante especial no país até à pacificação da região (http://www.dw.de/ban-ki-moon-quer-prolongar-miss%C3%A3o-da-onu-na-guin%C3%A9-bissau/a-16802096?maca=bra-newsletter_pt_africa_em_destaques-6779-html-newsletter)

12 abril 2013

Guiné-Bissau, o Golpe foi há um ano

Passado um ano do Golpe de António Indjai a Guiné-Bissau mantém-se na mesma encruzilhada em que caiu com o Golpe, como recorda Raúl Braga Pires neste seu apontamento no blogue Mghreb/Macherek, no semanário Expresso.

Acresce a isto, o facto de um dos principais intervenientes no processo golpista, o almirante Na Tchuto ter sido detido em supostas águas internacionais (talvez tenha sido fora das 12 milhas mas foi, claramente, detido na zona económica exclusiva caboverdiana), por tropas norte-americanas e enviado, de seguida, para os EUA onde já está a ser ouvido em juízo sob acusação de tráfico de droga/estupefacientes e de ter participado na morte de agentes norte-americanos.

Só que, como recorda o jornalista Aly Silva, não é só Na Tchuto que é credor do mandato de captura internacional devido ao tráfico de droga. Há mais e têm proveniência na Guiné-Bissau.

E o que tem a droga a haver com o Golpe. Especula-se que muito dado que um está interligado com o outro. Acresce que há "demasiados" e "interessados" oficiais superiores no poderosos serviço militar Bissau-guineense.

O certo é que um ano depois o Golpe continua a fazer-se sentir e a comunidade internacional parece se ter desligado, de vez, dos assuntos Bissau-guineenses para mal dos poucos pecados deste povo lusófono, cada vez mais franco-crioulo,(ou não lá estivessem as ineficazes forças militares da CEDEAO lideradas por nigerianos e senegaleses).

E nem Ramos-Horta, representante oficial das Nações Unidas, parece conseguir que haja alguma evolução credível na actual situação política do País. talvez que a proposta de Patriota, MIREX brasileiro, possa vir a ter algum resultado.

Só que já foram várias as propostas nesse sentido e até hoje, nada!...

29 janeiro 2013

Angola, Nigéria, CPLP e… Guiné-Bissau


Na recente reunião da União Africana (UA), onde o presidente etíope recebeu a presidência rotativa da Comunidade, a problemática Guiné-Bissau foi abordada com o previsível confronto entre duas potências regionais com interesses não só na região como na projecção da sua influência: Nigéria e Angola.



Por Angola esteve presente o secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, que, segundo o África 21 Digital, terá afirmado que as reuniões, entre Angola, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), com a Nigéria à cabeça, e os restantes PALOP, devido à situação política na Guiné-Bissau, teriam sido acaloradas.

De acordo com o embaixador Manuel Augusto, houve – há  vontade da CEDEAO em forçar a UA levantar as sanções contra a Guiné-Bissau porque, segundo os nigerianos, “a situação já está normalizada e que há um governo de transição inclusivo”, fazendo, provavelmente, um paralelo com a situação do Mali que, também estes, foram alvo de dois Golpes de Estado e acabaram por ser “aceites” pela UA.

Segundo Manuel Augusto parece que Angola e os restantes PALOP conseguiram fazer valer os seus argumentos no que foram seguidos por outros países.

Houve, nesta reunião, uma clara tentativa de marcar posições dentro do panorama político africano, nomeadamente, na África Ocidental, com particular enfoque no Golfo da Guiné, quer por parte da Nigéria – aproveitando os recentes encontros do seu presidente em Davos – como por parte de Angola, potência emergente que prefere mandar outros aos encontros presidenciais e ministeriais, que o seu presidente, ora, legitimamente eleito (recordo que há uns anos, havia um país europeu onde o seu Presidente do Conselho era conhecido por “ter ido” – sem ninguém o ter visto – ou por nunca ir: e este tinha tomado o Poder…).

Por outro lado, a actual situação do Mali veio, uma vez mais, pôr em evidência as carências político-militares dos africanos. Só depois da intervenção armada francesa é que a Afisma, (“African-led International Support Mission to Mali” – força africana de cerca de 3464 soldados da CEDEAO), prevista após a Resolução 2085, da ONU, começou a chegar ao País.

Uma força similar à que deveria entrar na Guiné-Bissau para regularizar a situação militar dos Bissau-guineenses. E do que se conhece só ainda lá estão algumas centenas de militares nigerianos além das visitas regulares de superiores hierárquicos militares senegaleses, outros interessados no actual status quo da Guiné-Bissau e que se mantém calados!

Este texto foi igualmente publicado no Notícias Lusófonas (Colunistas) e transcrito no portal do Pravda.ru

18 dezembro 2012

Quem não deseja a estabilidade na Guiné-Bissau?


Estava programada uma conferência em Bissau levada a efeito por uma missão internacional que agruparia várias organizações internacionais para analisar e debater a situação constitucional da Guiné-Bissau.

Estaria, se não fosse a CEDEAO ter pautado pela sua ausência, no primeiro dia agendado, da referida reunião.

Daí que a reunião tenha sido adiada para hoje o que aconteceu conforme despacho do MNE do Governo de Transição (que legitimidade?)

Note-se que, de acordo com o ministro da presidência e porta-voz do governo de transição, Fernando Vaz, em declarações recentemente proferidas, “os países que recusam vistos à Guiné-Bissau também não terão visto para entrar no país”, ora, Portugal é um destes casos, pelo que não se sabe se está , ou esteve, presente.

Ainda assim, a CPLP, enquanto organização a que a Guiné-Bissau ainda pertence, está presente através do novo secretário executivo da comunidade lusófona, o moçambicano Murade Murargy que afirmou que “O que a CPLP quer é defender os interesses dos guineenses. Não queremos interferir no processo, queremos é que eles se entendam.

Pois esse parece ser a vontade contrária da CEDEAO.

Enquanto os Bissau-guineenses estiverem desavindos não haverá unidade nacional, estabilidade política e social e paz militar!

Na realidade a CEDEAO não deseja a unidade Bissau-guineense. Pelo contrário.

O que a CEDEAO deseja, ou melhor dizendo, o que dois dos países que integram a CEDEAO desejam – e são dois dos principais, sendo, um deles, potencial player regional – é a “shatterização” do país para dele obter mais-valias como o petróleo, o bauxite e, principalmente, as férteis planícies e bacias hídricas Bissau-guineenses.

É altura dos Bissau-guineenses perceberem, de vez, que se não podem desprezar o apoio dos vizinhos e dos verdadeiros amigos – nas relações internacionais estes são difíceis de serem descortinados porque os interesses privados são mais importantes que os interesses públicos – também não devem deixar perder o seu maior valor público: a defesa da sua unidade nacional.

Daí que, como afirmou Murargy, o que se torna necessário é que os Bissau-guineenses se entendam! E, se puderem, sem a presença de terceiros cuja a principal – única –- conveniência é a defesa dos seus interesses.

17 dezembro 2012

Algumas coisas no Facebook na semana de 10 a 16 Dezembro


1 – Guiné-Bissau:

 Comentário:
Também como iria poder "governar" o partido se os três candidatos a secretário-geral - principalmente dois deles - parecem apresentar programas que vão contra as suas ideias e contra o livre arbítrio dos militares?

Adenda:
Não se compreende como pode um Presidente governar o partido quando o Secretário-geral pode não ser da sua confiança e é eleito em lista nominal separada. Aconteceu assim com o PRS. Tem novo presidente, Alberto Nambeia, eleito com cerca de 70%, e um novo Secretário-geral, Florentino Teixeira, eleito com cerca de 42%.
De notar que o novo presidente, já gozou desta prorrogativa durante as ausências de Kumba Ialá e tem uma linha de actuação muito próxima deste enquanto o Secretário-geral parece enveredar por uma linha menos “subserviente2 ao poder castrense…

2 – Moçambique:
De acordo com o portal African Press Organization, o Conselho de Administração do Fundo Internacional de Desenvolvimento da OPEP decidiu aprovar a dotação de 7 empréstimos e 3 subsídios que totalizam cerca de 103,5 milhões de US dólares para impulsionar o desenvolvimento de 13 países africanos.
Moçambique foi um dos contemplados!

3 – Guiné-Bissau:
Os membros do Conselho de Segurança da ONU, em reunião do passado dia 11 de Dezembro, voltaram a reforçar a ideia que a Guiné-Bissau deve respeitar a Resolução 2048 (2012) quer quanto aos Direitos Humanos e Civis quer quanto à reposição Constitucional.

Comentário.
Bem prega Frei Tomás…

25 outubro 2012

Guiné-Bissau, terá sido mais uma Intentona?

"Na madrugada do passado domingo alguns indivíduos terão atacado o quartel da base da força aérea em Bra, nos subúrbios da capital Bissau, por volta das 3horas locais, mais especificamente, e segundo as actuais autoridades militares, terá visado o paiol daquele quartel.

A consequência terá sido a morte de 6 pessoas, algumas delas com farda militar vestida, desconhecendo-se, porque as mesmas autoridades não o confirmam, se seriam todos dos rebeldes ou, também, de militares do quartel.

De acordo com os militares do actual e quase que auto-proclamado CEMGFA, general António Indjai, o mentor e do golpe de Abril de 2012 e verdadeiro chefe de Estado da Guiné-Bissau, teria sido um grupo de rebeldes que teriam vindo de fora do país e liderados por um capitão apoiante de Carlos Gomes Júnior, o capitão Pansau N´Tchama, e proveniente, nas vésperas, de Portugal.


De notar que este mesmo militar, segundo algumas fontes, um comendo, estará estado envolvido no atentado e subsequente assassínio do presidente Nino Vieira e do responsável máximo das Forças Armadas, Batista Tagmé Na Waie, em Março de 2009.
Talvez por isso não tenham sido surpreendentes as primeiras acusações do porta-voz do governo provisório, que de legítimas só o são para a CEDEAO, tenham convergido para Portugal e para a CPLP.
Nada mais óbvio, porque estas duas entidades continuam a considerar autênticas as autoridades apeadas pelo Golpe enquanto as duas partes não se sentarem a uma mesa, em plena igualdade e resolvam as questões que se mantém pendentes.
Recorde-se que, oficialmente - reforço, oficialmente - o actual Governo liderado pelo presidente interino Manuel Sherifo Nhamadjo, não tem o apoio da Organização das Nações Unidas, da União Europeia e da CPLP. Estas organizações afirmam que seu governo permanece sob a influência de um Exército que nunca se submete ao Poder político e persiste no golpismo.
Ora, as horas e os dois dias subsequentes foram de perseguições e detenções por parte dos militares de Indjai. (...)" (continuar a ler 
aqui e aqui)

Publicado no Notícias Lusófonas, como Manchete, de hoje

26 setembro 2012

Guiné-Bissau, 39 anos de independência?

"A Guiné-Bissau comemora – ou comemoraria – hoje [24 de Setembro] o seu 39º aniversário de independência.


Escrevo comemoraria, porque tal como o seu vizinho Mali, está sob a "protecção" de terceiros que, aproveitando um eventual Coup d'État – que muitos consideram uma oportuna e bem montada intentona – se "apoderaram" da vida política, social e, principalmente, militar do País.



De facto, tal como o Mali – com a grave particularidade de este estar já cindido sem que a UA e a CEEAO nada efectivamente façam – a Guiné-Bissau está sob domínio de pseudo-potências que só conseguem manter o seu actual status quo através de patrocínios, com maior ou menor evidência, de Golpes de Estado.


Quantas vezes o Senegal já tentou intervir, directamente, nas questões Bissau-guineenses e das anteriores vezes que isso aconteceu foi copiosamente derrotado?

Quantas vezes os vizinhos de Bissau tentaram impor as suas regras políticas e de todas elas os guineenses aplicaram o chamado "xuto no cu" aos potenciais "imperadores locais"?

Só o conseguiram agora através do patrocínio "descomplexado" dos subservientes senhores que dominam a actual CEEAO e com o pouco discreto beneplácito da União Africana.

Talvez que o 40º aniversário seja mesmo comemorado e em plena liberdade!"


Publicado no Notícias Lusófonas - Colunistas, hoje.

30 maio 2012

Duelo Senegal-Angola na Guiné-Bissau



O jornalista Bissau-guineense Aly Silva estampa no seu (nosso) blogue “Ditadura do Consenso” um tradução de um artigo de um cronista senegalês Babacar Justin Ndiaye, e publicado no passado dia 25 de Maio (por mero acaso, o Dia de África) no “Sud Quotidien”.

Vejamos algumas partes do referido artigo:

Por trás das manobras diplomáticas e do baile dos contingentes militares, a Guiné-Bissau torna-se, cada dia mais, um campo de colisão inevitável entre os interesses nevrálgicos do Senegal de um lado e os desígnios estratégicos de Angola, do outro lado. O duplo protagonismo da Comunidade dos Estados de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desembocara inevitavelmente num choque frontal entre Dakar e Luanda. Duas capitais cujas intenções relativamente à Guiné-Bissau ultrapassam os planos de saídas de crise oficialmente tornados públicos e as resoluções publicamente votadas”.

Os ganhos para o Senegal, na cimeira da CEDEAO, tido em Dakar, o dia 3 de Maio, foram contrabalançados pelos ganhos obtidos pela posição Angolana e os países da CPLP, perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que votou, no 18 de Maio a resolução 2048”.

Mesmo assim, o Senegal ganhou a primeira parte da disputa através do plano de saída de crise da CEDEAO, que crucificou as autoridades derrubadas pelo Golpe de Estado do dia 12 de Abril, excluindo assim a restauração do poder legitimo” pelo que um “novo Primeiro Ministro de Transição apoiado pelos Chefes de Estado da África Ocidental, foi designado na pessoa de Rui Duarte de BARROS, ex-Ministro das Finanças do antigo presidente Kumba Yalá, derrubado num golpe e Estado em Setembro 2003. O novo Chefe do Governo tem por Ministro dos Negócios Estrangeiros, o pro-francófono Faustino EMBALI (refugiado em Dakar, depois do assassinato de Nino Vieira). E como cereja em cima do suculento bolo servido a Macky SALL, (um contingente militar senegalês constituído por unidade de engenharia militar, uma importante equipa médica e de Oficiais de contra-inteligência), serão enviados para Bissau, sob a bandeira das forças africanas da CEDEAO”.

Ou seja,

Macky Sall reedita, sorrateiramente a Operação Gabu. As tropas senegalesas chegaram em Bissau sem combater, nem ser combatido. Estrategicamente, o Movimento das Forcas Democráticas da Casamance (MFDC) vão ser cercadas – feitas sandwich- por oficias de segurança em actividades no território da Guinée-Bissau e por tropas de elite senegalesas em operações permanente na região de Ziguinchor(Há muito que a questão de Casamance andava em stand-by e tão calada…).

Dai se explica o jogo individual do Senegal bem encapotado no processo colectivo de saída da crise da CEDEAO. Dito de outra forma, uma preocupação e intenção aparentemente dissimulada do Senegal, mas com a condescendia do resto da restante comunidade. Posição contrária é firmemente assumida contra os golpistas do Mali”.

Perante estes factos como se posicionarão Eduardo dos Santos e Angola? O cronista pergunta se Eduardo Dos Santos, ficará numa “má postura” logo acrescentando que “seguramente, a resposta é não”. Porque, segundo na perspectiva do cronista senegalês “Apoiado na CPLP […], Angola contra atacou, provocando no dia 7 Maio […] uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, no decurso da qual, o Representante Especial do Secretario Geral das Nações Unidas para Consolidação da Paz na Bissau (UNOGBIS), o ruandês Joseph Mutaboba apresentou um relatório sucinto dos acontecimentos”.

Ndiaye recorda que “O peso dos países lusófonos contou muito - nomeadamente o do Brasil -, os membros do Conselho de Segurança (entre os quais figura o Togo, portanto ligado pelas decisões da CEDEAO) votaram unanimemente, a famosa resolução 2048 que diz o seguinte : «O Conselho de Segurança solicita aos Estados membros da ONU no sentido de tomarem todas as medidas necessárias para impedir a entrada e passagem nos seus territórios dos cinco repontáveis do Comando Militar, entre os quais o Chefe de Estado Maior, Antonio Injai e o seu adjunto o General Mamadu Nkrumah Ture»”. E que “Postado por Portugal, a resolução 2048 vai ao encontro das decisões da CEDEAO sobre a Guiné-Bissau e, em termos firmes: «Os 15 Estados membros do Conselho ordenam o Comando Militar a deixar o poder a fim de permitir o regresso à ordem constitucional»

Acresce e recorda ainda Ndiaye que “Na verdade, a vontade de Angola de fortalecer a sua posição na Guiné-Bissau permanece intacta tanto militarmente como economicamente. Luanda comprou um hotel em Bissau para alojar os seus oficiais da MISSANG, esperando a construção de novas casernas. No meio do mês de Abril, o Ministro da Defesa, o General Van Dunem viajou para Bissau. No capitulo politico, os Angolanos exploraram bem as falhas e fissuras no bloco pouco compacto da CEDEAO, e desencadearam uma operação de charme para obterem o apoio do Presidente Alfa Conde da Guiné Conakry que, recebeu calorosamente, no dia 16 de Maio, o Secretario de Estado dos Negocios Estrangeiros, Rui Manguerra, portador de uma mensagem pessoal de Eduardo Dos Santos” no que terá sido bem conseguida porque foi uma “Ofensiva bem alvejada e positivamente conseguida, quando se sabe que, Conakry e Praia foram intransigentes no que toca ao regresso à ordem constitucional, sinonimo do regresso ao poder de Raimundo Pereira e de Carlos Gomes Jr.

Resumindo, embora muito ainda haja no referido artigo:

O duelo Macky-Dos Santos será duro na Guiné-Bissau (fronteira da Casamance), onde Macky Sall joga o destino unitário do seu pais; e, Eduardo Dos Santos, por seu turno, tenta confortar os interesses duma potência da África Austral (Angola) com objectivos expansionista na zona. O confronto está à vista, mas será que os protagonistas têm armas iguais nesse confronto? Ao Senegal não faltam vantagens (proximidade e motivações), mas melhor ganharia a seguir prospectivamente esse pais tão perto, mas muito complicado, mobilizando equipas de «seguimento»... e de trabalho sobre esse seu vizinho que se dedica à anarquia politico-militar como principio. Do lado dos Negócios Estrangeiros, capacidades não faltam, tais como, Sua Exa. Omar Benkhtab Sokhna, o inamovível Embaixador do Senegal em Bissau durante os anos 90. E, a este título obreiro da vertente diplomática da operação Gabu decidido pelo presidente Abdou Diouf. As suas notas e testemunhos podem inspirar e orientar as melhores decisões do Governo.

Quanto à Angola – mesmo diplomaticamente pressionado e militarmente em retirada - ela não vai deixar as coisas ir por água abaixo. Angola dispõem em Bissau de laços e redes locais capazes de ajudar rasgar (sabotar) o mapa de saída de crise da CEDEAO. Uma margem de manobra herdada não apenas duma colonização em comum, mais também de uma camaradagem baseada numa osmose politica entre os quadros do MPLA e do PAIGC. Recorde-se que, os dirigentes do nacionalismo Angolano tais como Lúcio Lara, Luis de Almeida e o escritor Mario de Andrade davam aulas ou animavam regularmente seminários na Escola dos quadros do PAIGC baseado, na época, na Guiné-Conakry”.

Ou seja, e uma vez mais, estamos na presença de uma disputa pelo domínio de uma região de duas potências regionais embora, uma, claramente, regional – Senegal – e outra com características, cada vez mais bem vincadas, com tendência multirregional enquadrada na minha tese potencial de definida como Instrumentality power” já aqui explanada – Angola!

Podem ler o texto (versão portuguesa) integralmente aqui

22 maio 2012

CEDEAO posta em causa por causa dos golpes…


Supostamente a CEDEAO como organização regional dentro da União Africana e a esta subordinada – assim o pensamos – deveria condenar, com todas as forças toda e qualquer atitude que pusesse em causa os princípios constitucionais dos seus Estados-membros e,, naturalmente, Estados subscritores das determinações dimanadas da Comissão da União Africana e dos seus Conselhos de Ministros.

Deveria, mas como recentemente verificámos com os golpes de Estado no Mali e na Guiné-Bissau isso não está a acontecer.

Ou seja, quando caminhamos para a celebração dos 49 anos da Unidade Africana constatamos que ainda perdura a vontade das armas – a grande maioria dos Golpes de Estado têm forças castrenses por detrás – ou a supremacia neocolonial – quase sempre nas crises da África Central e do Sahel, está o Quai d’ Orsay / DGSE e ou o Foreign Office / SIS.

Pois ao arrepio de tudo o que a União Africana tem preconizado e declarado, a CEDEAO, apesar de criticar e sancionar os golpistas não só nada fez contra eles como tem implantado novos Presidente e Governos.

Foi assim no Mali onde o novo presidente reconhecido pela CEDEAO é o líder golpista como o foi na Guiné-Bissau onde o presidente em exercício até futuras – nem que seja lá para as calendas – eleições é o antigo presidente da Assembleia Nacional Popular e, pasme-se – ou talvez não – o terceiro posicionado nas recentes e não completadas eleições presidenciais, Serifo Nhamadjo, e um Governo decidido entre os golpistas e as poucas fontes que os apoiam.

Se na Guiné-Bissau ainda há alguma poeira no ar, embora sem grandes tempestades, no Mali manifestantes invadiram o palácio governamental e agredira o líder colocado no poder por acordo entre golpistas e CEDEAO que teve de obter tratamento.

Triste, deplorável, que os dirigentes da CEDEAO também lá não estivessem para poderem melhor ponderar o que lhes pode esperar.

É que um dos supostos actuais líderes da CEDEAO e seu actual presidente em exercício, parece andar a esquecer como chegou ao poder…

18 maio 2012

Guiné-Bissau, o que antes era verdade…


Uma das razões evocadas – se não mesmo a única – para o Golpe era não só a presença de forças militares externas no país (a Missang) como a sua “imposição” aos militares Bissau-guineenses.

Por isso é que hoje sai a Missang e… entram paramilitares Burquinassos (69 polícias) que farão parte de um contingente militar da CEDEAO (que inclui cerca de seis centenas de militares nigerianos).

Pois é… o que ontem era verdade, hoje já é mentira.

Para quando a assumpção da verdade total? A subordinação integral da Guiné-Bissau à francofonia e à CEDEAO?

17 maio 2012

A droga goes to USA via… Guiné-Bissau?!


(imagem da Internet)

O Departamento de Narcóticos dos Estados Unidos da América (EUA/USA) fizeram chegar à imprensa um relatório que os especialistas daquele departamento elaboraram.

Nele se verifica que a crescente presença de entorpecentes e drogas/estupefacientes relacionadas com redes criminosas na África Ocidental, está a se tornar numa ameaça significativa aos interesses de segurança regional e global, com especial destaque para a governação e segurança dos países da África Ocidental.

Segundo aquele relatório – o original pode ser lido aqui – os traficantes estão contrabandear “drogas, pessoas, armas, petróleo, cigarros, medicamentos falsificados, e resíduos tóxicos pela região, gerando grandes lucros para redes criminosas transnacionais”.

Ainda de acordo com o referido relatório a UNODC (Gabinete das Nações Unidas sobre a Droga e  o Crime) estima que, em conjunto, essas actividades ilícitas geraram cerca de 3,34 bilhões US dólares, por ano, sendo que o tráfico de cocaína é uma das mais lucrativas dessas actividades ilícitas.

Na realidade, o governo dos EUA e a UNODC estima que cerca de 13% do fluxo global de cocaína, se processa através da África Ocidental.

Ora o mais grave do relatório não está nas movimentações dos traficantes, mas onde operam e sob de que protecção.

Voltando, uma vez mais ao citado relatório, este refere que o tráfico de drogas potencia não só instabilidade na região como permite o fomento de redes criminosas com forte cooptação entre funcionários de governo e forças de segurança de alguns países da África Ocidental.

E o relatório refere, claramente, dois Estados da CEDEAO/ECOWAS: Gana (destruíram uma rede de heroína que operava entre Acra e o aeroporto de Dulles/USA) e… Guiné-Bissau!

Sobre a Guiné-Bissau, o relatório é muito duro. Segundo este “o potencial da Guiné-Bissau para o tráfico de drogas e por conseguinte para contribuir para a desestabilização na região é claramente visto, como um exemplo: no caso da Guiné-Bissau, a maior parte liderança do país tem sido implicado no tráfico de droga” pelo que cita que a Cimeira Extraordinária da CEDEAO, de 26 de Abril passado, relacionando com o Golpe de 12 de Abril, “destacou, especificamente, a necessidade de uma acção acelerada para abordar o tráfico de drogas”.

Lapidar!

Por isso se estranha que a CEDEAO esteja tão empenhada em colocar no poder pessoas que estão ligadas, directa ou indirectamente, a personalidades castrenses que, tudo indica, poderão vir –como já há, pelo menos que me recorde, dois, – a estar sob a alçada do departamento norte-americano de combate ao tráfico de estupefacientes!


Transcrito no portal Zwela Angola, em 15 de Junho de 2012, (http://www.zwelangola.com/index-lr.php?id=8882)

15 maio 2012

E viva a hipocrisia…


Ainda bem – ou infelizmente – que a hipocrisia não mata.

Esperemos que os líderes da CEDEAO continuem refastelados nas suas poltronas sem que um qualquer grupelho se lembre de lhes indicar a porta de saída da forma mais ignóbil.

Só assim se entende que a lista dos sancionados pela organização franco-germância, liderada, actualmente, pela Cote d’Ivoire e pela Nigéria, mostre alguns quantos – cerca de 20 – e se esqueça de outros não menos implicados, mesmo que moralmente…

(o fac-simile da lista pode ser lida, na íntegra, no blogue Ditadura do Consenso, do jornalista António Aly Silva, de onde foram retirados os acessos, com a devida vénia)

14 maio 2012

Nigerianos na Guiné-Bissau...


(militares da CEDEAO - foto Lusa.pt)

A agência de notícias portuguesa Lusa, afirma, certamente citando a CEDEAO e o seu presidente interino, coteivoirense Ouattara, que as tropas da Nigéria vão estar na Guiné-Bissau até sexta-feira.


Nada demais, serão 600 militares para a Guiné.Bissau e 10 mil para o Mali.

Só que, não me parece que a tropa nigeriana, como tem sido noutros pontos do continente, vão para a Guiné-Bissau para turismo.

Por certo, e assim tem sido, vão para capitalizar os necessários dividendos político-militares e irão afirmar-se sobre as autoridades castrenses Bissau-guineenses.

Mas…

Mas não foi por causa de uma situação, mais ou menos – talvez muito mais menos que mais mais – que se verificou o Golpe de Estado na Guiné-Bissau?

Ora e segundo os golpistas, que parecem estar a verem confirmado pela CEDEAO a legitimidade do acto, com a imposição de um chefe de Estado interino, que foi o primeiro dos menos votados a ficar fora da lista dos dois candidatos à 2ª volta, mesmo que sem o acordo do principal partido com assento na Assembleia Nacional, não foi porque a Missang poderia ser uma força de contenção aos contínuos desvarios e à manutenção do ainda sistema de guerrilha que grande parte das forças castrenses Bissau-guineenses ainda sofre, que houve o Golpe?

Então?...

A não ser que os comandos militares da Guiné-Bissau, recordando a exemplar saga que levou os senegaleses e guineenses (de Conakri) a saírem do país com ele entre as pernas, pensem que os nigerianos serão iguais.

Se pensam, então talvez seja melhor procurarem já algumas zonas de repouso e onde possam passar despercebidos.

É que os nigerianos não vão para lá em turismo…