06 abril 2026

Angola e o 4 de Abril, no limbo do desenvolvimento

Este texto era para ter saído do dia 4 de Abril. Todavia razões técnicas levaram que só hoje o pudesse aqui colocá-lo. Como o 4 de Abril, e tudo o que ele continua a almejar, está sempre actual, decidi, apear dos 2 dias de atraso aqui o deixar à vossa consideração

O 4 de Abril é uma das datas mais transcendentes no calendário histórico de Angola, assinalando o “Dia da Paz e da Reconciliação Nacional”. Este marco celebra o fim de um dos conflitos civis mais longos e devastadores do continente africano, que perdurou por 27 anos, desde – e ainda antes – e a independência em 1975.

Recorde-se que a Paz foi formalizada em 2002, através da assinatura do denominado “Acordo de Paz de Luena” que, na realidade, se denomina, oficialmente, de «Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka», rubricada no Luena, província do Moxico. O documento foi firmado pelos generais das Forças Armadas Angolanas (General Armando da Cruz Neto (1949-), à época Chefe do Estado-Maior General das FAA) e da UNITA (General Abreu Muengo Ukwachitembo “Kamorteiro” (1959-2022), na altura Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Libertação de Angola – FALA), sob o olhar atento do então Presidente José Eduardo dos Santos e da comunidade internacional.

Mais do que o silenciar das armas, a data simboliza o reencontro e a reaproximação da “família angolana” e o início da procura de uma nova era de reconstrução física e social. O 4 de Abril procurou, e procura, representar o compromisso com a Unidade Nacional e a superação das divisões ideológicas que fragmentaram o País.

Desde então, Angola tem procurado focar os seus esforços na quase total desminagem de campos, na reabilitação de infra-estruturas estratégicas, como estradas, caminhos-de-ferro e aeroportos, e na (difícil) consolidação de um Estado Democrático de Direito, que ainda tem muitíssimo caminho para andar.

Embora os desafios sócio-económicos persistam – apesar de haver vontade na criação de Pólos de Desenvolvimento Industrial, a tutelação do petróleo ainda perdura – a Paz é encarada como um património inalienável, essencial para a estabilidade política e para o desenvolvimento sustentável da Nação, garantindo que o diálogo prevaleça sobre a violência, para que as gerações vindouras possam almejar novos caminhos.

Neste sentido, há desafios que têm de ser tidos em conta, de preferência e, tanto quanto possível, no imediato. Até porque “2027” já é para inícios do 2º semestre do próximo ano. Assim, talvez fosse ideal começarmos a pensar em desenvolver ou, procurar que Angola comece a enfrentar estes cinco pilares para sairmos do limbo do desenvolvimento:

1- A Educação como pilar da Cidadania e do Progresso

2- Consolidação da Justiça, Governação e o desafio das Autarquias

3- A Sustentabilidade ambiental e o desafio climático

4- Consolidação da Justiça e da Governação transparente

5- Inclusão digital e a quarta revolução industrial

(estes 5 pilares estão desenvolvidos no ensaio que foi publicado no Notícias Lusófonas, no passado dia3.Abril. 2026)

O dilema, a grande maka, é que ainda falta muito para que a Nação esteja completa. Problemas sociais, mono-dependência produtiva persistente, dívida externa elevada, desenvolvimento educacional ainda com difícil evolução, desemprego jovem elevado, mostram que ainda há muito para cumprir o 4 de Abril.

Mas como continuo a ser optimista…

Viva Angola, Viva a Paz!

Fontes-base

USIP (2002). Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka para a Cessação das Hostilidades e a Resolução das Questões Militares Pendentes nos Termos do Protocolo de Lusaka. Luena/Luanda; United States Institute of Peace (USIP); https://www.usip.org/sites/default/files/file/resources/collections/peace_agreements/angola_04042002.pdf

AEI (1994). Protocolo de Lusaka. African-European Institute; https://rdpc.uevora.pt/bitstream/10174/15685/5/Anexo%20n.%C2%BA%203%20Protocolo%20de%20Lusaka.PDF

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