18 abril 2026

A visita do Papa Leão XIV a Angola: expectativas, desafios e possíveis legados


Uma reflexão sobre o significado e impacto da terceira visita papal ao país

A visita do Papa Leão XIV a Angola, que hoje se inicia e que irá até 21 de Abril, representa um marco histórico e espiritual para o país e para toda a comunidade católica. Trata-se do terceiro Pontífice a pisar solo angolano, sucedendo ao Papa João Paulo II, que visitou Angola em 1992, num momento crítico de transição política após os Acordos de Bicesse e num contexto de guerra civil, e segunda, em 2009, com Bento XVI, já num contexto de reconstrução pós-guerra civil. Tal continuidade evidencia a relevância que Angola tem vindo a assumir no cenário católico global, especialmente num momento em que as questões espirituais se entrelaçam com desafios sociais e políticos profundos.

Num mundo marcado por crises sucessivas (ambientais, sociais, económicas e geopolíticas) as expectativas que recaem sobre o Papa Leão XIV são particularmente elevadas. O Pontífice é visto, por muitos, como uma voz capaz de promover diálogo e reconciliação, valores essenciais numa era de polarizações e conflitos – os ataques de Trump a Leão XIV são sinónimos desta promoção dialogante e contrária a guerras sem sentido ou pouco oportunas. Em Angola, espera-se que a sua mensagem transcenda o âmbito religioso, estimulando uma reflexão sobre a justiça social, a paz e o desenvolvimento sustentável. A presença do Papa pode servir de catalisador para uma renovada consciência coletiva, tanto a nível local como internacional, sobre a importância de construir pontes em vez de muros. (...)

Continuar a ler em Notícias Lusófonas (publicado em 18-Abri-2026)

24 Anos de Paz e o Caminho do Reencontro (2002–2026)

 


Introdução: o renascer no Luena

O dia 4 de Abril de 2002 não foi apenas uma data no calendário civil da República de Angola; foi, pode-se dizer, o marco zero da modernidade Angolana.

Quando os generais das Forças Armadas Angolanas (General Armando da Cruz Neto (1949-), à época Chefe do Estado-Maior General das FAA) e da UNITA (General Abreu Muengo Ukwachitembo “Kamorteiro” (1959-2022), na altura Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Libertação de Angola – FALA) assinaram o «Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka», na cidade do Luena (província do Moxico) (ou Acordo de Paz de Luena), o País não estava apenas a encerrar um dos conflitos mais longos e fratricidas do continente africano. Estava, na verdade, a assinar um pacto de sobrevivência e de reencontro nacional.

Hoje, ao celebrarmos, em 2026, os 24 anos de Paz Definitiva, procuramos entrar na plena “maioridade” de uma estabilidade que muitos observadores internacionais julgavam impossível de alcançar sem uma forte tutela externa. Esta é a celebração de um País que aprendeu, com dor e resiliência, que o som da artilharia deve ser substituído pelo debate de ideias, e que transformou as trincheiras em alicerces para novas cidades. Angola é hoje um testemunho vivo de que a reconciliação é um acto de vontade política e de amor à Pátria.

Continuar a ler em Notícias Lusófonas (publicado em 3-Abril-2026)

06 abril 2026

Angola e o 4 de Abril, no limbo do desenvolvimento

Este texto era para ter saído do dia 4 de Abril. Todavia razões técnicas levaram que só hoje o pudesse aqui colocá-lo. Como o 4 de Abril, e tudo o que ele continua a almejar, está sempre actual, decidi, apear dos 2 dias de atraso aqui o deixar à vossa consideração

O 4 de Abril é uma das datas mais transcendentes no calendário histórico de Angola, assinalando o “Dia da Paz e da Reconciliação Nacional”. Este marco celebra o fim de um dos conflitos civis mais longos e devastadores do continente africano, que perdurou por 27 anos, desde – e ainda antes – e a independência em 1975.

Recorde-se que a Paz foi formalizada em 2002, através da assinatura do denominado “Acordo de Paz de Luena” que, na realidade, se denomina, oficialmente, de «Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka», rubricada no Luena, província do Moxico. O documento foi firmado pelos generais das Forças Armadas Angolanas (General Armando da Cruz Neto (1949-), à época Chefe do Estado-Maior General das FAA) e da UNITA (General Abreu Muengo Ukwachitembo “Kamorteiro” (1959-2022), na altura Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Libertação de Angola – FALA), sob o olhar atento do então Presidente José Eduardo dos Santos e da comunidade internacional.

Mais do que o silenciar das armas, a data simboliza o reencontro e a reaproximação da “família angolana” e o início da procura de uma nova era de reconstrução física e social. O 4 de Abril procurou, e procura, representar o compromisso com a Unidade Nacional e a superação das divisões ideológicas que fragmentaram o País.

Desde então, Angola tem procurado focar os seus esforços na quase total desminagem de campos, na reabilitação de infra-estruturas estratégicas, como estradas, caminhos-de-ferro e aeroportos, e na (difícil) consolidação de um Estado Democrático de Direito, que ainda tem muitíssimo caminho para andar.

Embora os desafios sócio-económicos persistam – apesar de haver vontade na criação de Pólos de Desenvolvimento Industrial, a tutelação do petróleo ainda perdura – a Paz é encarada como um património inalienável, essencial para a estabilidade política e para o desenvolvimento sustentável da Nação, garantindo que o diálogo prevaleça sobre a violência, para que as gerações vindouras possam almejar novos caminhos.

Neste sentido, há desafios que têm de ser tidos em conta, de preferência e, tanto quanto possível, no imediato. Até porque “2027” já é para inícios do 2º semestre do próximo ano. Assim, talvez fosse ideal começarmos a pensar em desenvolver ou, procurar que Angola comece a enfrentar estes cinco pilares para sairmos do limbo do desenvolvimento:

1- A Educação como pilar da Cidadania e do Progresso

2- Consolidação da Justiça, Governação e o desafio das Autarquias

3- A Sustentabilidade ambiental e o desafio climático

4- Consolidação da Justiça e da Governação transparente

5- Inclusão digital e a quarta revolução industrial

(estes 5 pilares estão desenvolvidos no ensaio que foi publicado no Notícias Lusófonas, no passado dia3.Abril. 2026)

O dilema, a grande maka, é que ainda falta muito para que a Nação esteja completa. Problemas sociais, mono-dependência produtiva persistente, dívida externa elevada, desenvolvimento educacional ainda com difícil evolução, desemprego jovem elevado, mostram que ainda há muito para cumprir o 4 de Abril.

Mas como continuo a ser optimista…

Viva Angola, Viva a Paz!

Fontes-base

USIP (2002). Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka para a Cessação das Hostilidades e a Resolução das Questões Militares Pendentes nos Termos do Protocolo de Lusaka. Luena/Luanda; United States Institute of Peace (USIP); https://www.usip.org/sites/default/files/file/resources/collections/peace_agreements/angola_04042002.pdf

AEI (1994). Protocolo de Lusaka. African-European Institute; https://rdpc.uevora.pt/bitstream/10174/15685/5/Anexo%20n.%C2%BA%203%20Protocolo%20de%20Lusaka.PDF