04 fevereiro 2005

Eleições portuguesas

Divagações sobre as eleições portuguesas podem ser lidas nos dois sítios abaixo:

1. no Angonoticias (já antes referido) sob o título"As eleições portuguesas e as Relações com os Palop" recitado no Democracia Liberal;

e

2. no eusou.com/jornalistas, sob o título "Esta campanha... que primeiro-ministro nos trará o 20 de Fevereiro?".

E por aqui, salvo algum cataclísmico acordar de ideias que possam interessar aos eleitores e aos imigrantes que pagam religiosamente os seus impostos, me ficarei.

Palavras soltas num 4 de Fevereiro de 2005

Mais um ano, mais um 4 de Fevereiro.
Nunca uma data foi tão apropriada pela sociedade civil e política como tem sido o 4 de Fevereiro. Igual, penso, que só o 25 de Abril, em Portugal
Ninguém, de bom senso, contesta que por detrás do 4 de Fevereiro, estiveram militantes e simpatizantes do MPLA; como também estavam integrados membros revolucionários da sociedade civil e eclesiástica angolana da altura.
Por isso é um absurdo ver tanta gente em bicos de pés a tentar assenhorar-se desta data, tão importante para a libertação angolana, como é o 4 de Fevereiro.
Tal como o 15 de Março, que marca o efectivo começo da luta armada, levada a efeito pela UPA/FNLA; como o 16 de Março, no grito de Muangai, com a UNITA; como, ainda, o não menos importante 4 de Janeiro, na Baixa de Kassanje; como, também, qualquer outra data que, por este ou aquele motivo, ficou esquecida numa qualquer gaveta, num qualquer dossiê, num qualquer recanto da memória.
Acho que é altura dos partidos deixarem de se apropriar das grandes datas e lembrarem-se que, se elas existiram, não se deveu a este ou aquele membro da sociedade ou de partido (sem com isto tirar qualquer mérito a quem a deles é claramente credor) mas a todo um povo que sempre suspirou pela sua autonomia e independência.

Vivam os libertadores de Angola, sejam eles quem foram.

03 fevereiro 2005

Crónica da morte de uma Árvore

Crónicas de Luanda, por José Tramagal

Tinha cerca de trinta anos, quando faleceu. Era ainda muito jovem e tinha um promissor caminho pela frente. Cheia de saúde e assim morrer tão prematuramente, os frutos saborosos com que nos deliciava e a sua sombra de frescura terminaram no reino inglório do lixo.

Era uma mangueira muito orgulhosa de viver sempre em pé. Fazia parte das nossas vidas. Vivia nas trazeiras de tres prédios, onde existia um grande largo que a juventude utilizava para disputar campeonatos de futebol. Junto a ela vivia um homem de idade avançada, numa modesta habitação, e por motivos de saúde e também pela idade, contactou com um general para a venda da habitação. Feito o negócio, de seguida surgem alguns militares, um arquitecto, e um engenheiro que começam a rodear a mangueira. De início com curiosidade, olham-na de cima a baixo. Depois olham-na como inimiga, os soldados trepam-na, e a rir como a festejar uma grande vitória contra um inimigo poderoso, tratam de esquartejar primeiro os seus ramos mais pesados, mais volumosos. A árvore começa lentamente a sentir o seu fim a aproximar-se, e por entre suspiros e lamentos e gritos silenciosos, como só as árvores sabem fazer, sons que os seres humanos não ouvem, não querem ouvir.

E a árvore continua a resistir ao assédio. Com muito heroísmo resiste a cada golpe que sem piedade, lhe assestam os seus inimigos poderosos. Já estava quase careca, desnuda. Creio que se sentia muito envergonhada, da sua nudez. Restava apenas o tronco que teimosamente insistia em estar ligado á terra mãe. Áquela que a viu nascer. E por isso a terra sentiu-se ferida. E num ronco descomunal, surgiu uma fera de metal, que lançava fumo por todos os lados, como um dragão invencivel, e com uma pá de ferro, mergulhou nas entranhas da terra e retirou as raizes, o esqueleto, tudo o que restava da pobre árvore, ficando no seu lugar uma cratera, como se de um campo de batalha se tratasse.

Depois, entre o tilintar de copos de bebida, o general, os seus soldados o arquitecto, e o engenheiro, beberam á saúde de menos um inimigo no campo de batalha. A seguir vieram as máquinas e nivelaram a terra, para apagar os vestigios desta descomunal batalha. Depois outra máquina chegou e despejou cimento e areia. Os tijolos e demais materiais já aguardavam para completar mais uma obra de construção civil. Passados poucos dias já ninguém se lembrava que aqui tinha existido uma árvore, uma mangueira. No seu lugar iria ficar mais uma árvore de cimento e areia.

02 fevereiro 2005

Guebuza tomou posse e os outros?

Moçambique viu hoje o seu terceiro presidente tomar posse.
Se pensarmos que, depois da África do Sul, foi o primeiro país a ver um presidente dar posse a outro escrutinado por via democrática e pelo voto popular directo, então muito teremos de aplaudir.
Já a Namíbia o fez; é certo. Mas… ainda não deu posse ao novo presidente, o que deve acontecer em Março.
Agora é Mugabe que anunciou eleições para finais de Março próximo; pois… mas só as legislativas.
Enquanto isso, Angola continua a discutir, quando, como e se constitucionalmente deve-se, ou não, alterar as leis eleitorais e sob que Lei Constitucional se devem reger. A nova que ainda não viu a sua ratificação política; ou a vigente, bastas vezes criticada e sob eterna suspeita, principalmente quando as Comissões preparatórias eleitorais regionais são encabeçadas pelos Governadores provinciais.
Entretanto o povo começa a desesperar.
A vida social, económica e política angolana não pode, eternamente, continuar à espera.

01 fevereiro 2005

Falta de combustível em Luanda?

“Luanda regista neste momento uma escassez de combustível. Longas filas de viaturas junto às bombas, é o cenário que actualmente caracteriza a cidade capital de Angola, resultado da procura do produto por parte dos automobilistas.
Em declarações à Emissora Católica de Angola, o assessor de imprensa da Sonangol Distribuidora, Miguel Mendonça, tranquilizou os automobilistas embora não tenha havido um aviso prévio da Sociedade de Combustível de Angola que acautelasse os automobilistas e outros consumidores.
Segundo ele, não existe qualquer tipo de falha no abastecimento de combustível “o que está a acontecer de facto, é alguma morosidade atendendo alguns trabalhos de melhoramento que estão a ocorrer nas nossas instalações de stockagem da Boavista”, alertou.
”

Num país que, há pouco tempo, atingiu a cifra de 1.000.000 de barris/dia…
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CPLP, a cooperação desportiva


Por vezes, onde os políticos falham, é a sociedade civil que tem de dar mostras de como se deve fazer as coisas.
É o caso da cooperação.
Ontem vimos como uma co-produção cinematográfica encheu de orgulho duas Nações carentes de feitos, que não desportivos.
Hoje, vemos que, em Macau, os Comités Olímpicos Nacionais dos países lusófonos decidiram instituir a Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP) e levar a efeito, em Agosto do próximo ano, os 1ºs Jogos da ACOLOP, um evento multi-desportivo que visa encorajar os atletas oriundos da CPLP a uma maior participação através de uma variedade de desportos mais diversificada para, desta forma, contribuir para uma maior aproximação, através do desporto, entre os países e regiões que usam o mesmo suporte linguístico: a língua portuguesa.
As primeiras modalidades desportivas que irão fazer parte deste evento serão: atletismo, basquetebol, voleibol de praia, ténis de mesa, taekwondo e futsal, sendo que estas duas últimas, e numa primeira fase, para selecções masculinas.

Não há dúvida.
Por vezes é nas coisas menos previsíveis que os grandes eventos começam.
Foi no cinema; tem sido, discretamente, na economia; agora no desporto.
Pode ser que no futuro a cooperação tenha, realmente, algum sentido.